Setor sucroenergético

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Usinas em recuperação judicial 'patinam' e continuam paradas

Apenas um terço das usinas sucroalcooleiras em recuperação judicial no Brasil estão conseguindo continuar em operação. Essa situação é resultado da conjunção entre custos de produção crescentes, rentabilidade baixa e uma sucessão de problemas climáticos que minaram a produtividade dos canaviais. Sem operar, essas empresas geram pouco - ou nenhum - caixa, o que mantêm mais distante a meta de pagar os credores, cumprir o plano de recuperação e recuperar autonomia.

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) estima que, das 66 unidades que pediram proteção da Justiça contra credores nos últimos seis anos, apenas 20 estão de fato conseguindo operar. "Se não tem faturamento, como faz para pagar?", questiona o diretor técnico da entidade, Antonio de Pádua Rodrigues.

Na região Nordeste, diz o presidente do sindicato que representa as usinas de Pernambuco, Renato Cunha, são cerca de 12 usinas em recuperação judicial. "O plano de pagamento de credores não atende totalmente às realidades do mercado. Isso em função da continuidade da defasagem do preço da gasolina no mercado interno em relação às cotações internacionais. A recuperação está dando apenas uma sobrevida a essas empresas", afirmou Cunha.

A mais recente novidade na lista das sucroalcooleiras a pedir proteção contra credores no país é o Grupo Andrade. A empresa, que chegou a deter, na década de 1990, a maior usina de etanol do país, teve seu pedido de recuperação judicial aceito pela comarca de Santa Vitória (MG) no dia 15 de julho. Segundo apurou o Valor, o dono da usina, José Carlos de Andrade, ainda busca captar recursos para iniciar a safra 2014/15, que na região Centro-Sul do país começou oficialmente em abril. Procurados, os porta-vozes da empresa não deram retorno aos pedidos de entrevista.

Atualmente, a holding do grupo, a AF Andrade, conta com uma usina de cana em Minas Gerais (Companhia Energética Vale do São Simão) e uma dívida estimada em cerca de R$ 300 milhões. Na última semana, a empresa ganhou repercussão nacional por ser a operadora do avião que caiu em Santos (SP) e vitimou o candidato à Presidência Eduardo Campos e outras seis pessoas.

Também com operação deficitária está a Infinity Bioenergia. A companhia quase não conseguiu processar cana neste ciclo 2014/15. Há poucas semanas, duas de suas seis unidades conseguiram efetivamente iniciar a safra. Uma terceira deverá retomar a operação neste mês. Juntas, segundo a empresa, deverão processar 4 milhões de toneladas de cana, ante a capacidade instalada do grupo de 7 milhões de toneladas. Em janeiro, a empresa convocou acionistas para levantar recursos. No edital de convocação, a empresa chegou a informar que estava vendendo caminhões para pagar a folha de funcionários.

A Infinity foi a primeira usina a entrar em recuperação judicial pós-crise de 2008 - está nessa condição desde 2009. O plano de recuperação da companhia não está sendo cumprido e uma nova renegociação com credores terá de ser realizada em busca de uma extensão de prazos de pagamento, conforme apurou o Valor.

No mercado, estima-se que 30% das usinas em recuperação judicial estejam renegociando prazos de pagamento já aprovados por credores. Essa dificuldade de retomada da "recuperanda" faz com que os bancos aceitem alongar diversas vezes as dívidas de uma mesma empresa, de forma a evitar que ela entre em recuperação. Para Antonio de Padua Rodrigues, da Unica, o número de usinas hoje em recuperação é pequeno em relação ao "potencial". Somado, o endividamento total das usinas brasileiras supera o faturamento do setor, que é de cerca de R$ 60 bilhões por ano.

O escritório Dias Carneiro Advogados cuida, no momento, da recuperação judicial de 22 empresas - 70% delas usinas de cana-de-açúcar, de acordo com Joel Thomaz Bastos, sócio do escritório. Defensor da lei da recuperação judicial, o advogado afirma que, apesar das dificuldades, as empresas estão melhor do que se tivessem ido à falência. "Muitas estão com o plano aprovado, estão moendo cana-de-açúcar, gerando empregos", diz Bastos.

No ano passado, duas usinas em recuperação foram vendidas para pagar credores. A primeira foi a Campestre, de Penápolis (SP). Os ativos foram transferidos para uma Unidade Produtiva Independente (UPI) e vendidos, em leilão judicial, ao grupo Clealco, que já detinha uma usina vizinha à Campestre. A operação, até o momento, vem sendo considerada positiva pelo mercado, uma vez que os pagamentos estão em dia e a unidade já está operando, com expectativa de grandes sinergias ao grupo comprador.

A segunda operação foi feita na usina Floralco, localizada em Flórida Paulista, também no interior de São Paulo. Os ativos da unidade também foram transferidos para uma UPI, juntamente com os débitos com os fornecedores de cana, mas o desenrolar da história foi diferente da Campestre. Até agora, mais de um ano depois de ser vendida, a Floralco não está operando.

A compradora, a GAM Participações, alega que não consegue iniciar a moagem porque está ainda aguardando a liberação da inscrição estadual da Flórida Paulista Açúcar e Etanol, como foi batizada a nova empresa. O presidente da GAM, Alexandre Cury Rezende, afirmou que, sem esse documento, a empresa não pode operar, nem sequer emitir nota fiscal de venda de produtos. "Entramos com ações judiciais na primeira e na segunda instâncias para ter liberada essa inscrição, mas até agora não conseguimos uma decisão favorável", afirmou Rezende.

No ciclo passado, o 2013/14, a unidade de Flórida Paulista detinha cerca de 1 milhão de toneladas de cana própria cultivadas. Essa matéria-prima ficou no campo do ano passado para este e, com a estiagem, o volume foi reduzido a 800 mil toneladas, conta Rezende. "Encontramos uma solução contábil para vender a cana a usinas vizinhas para conseguirmos arcar com pagamento dos nossos compromissos".

O atraso na liberação do documento fez com que a empresa ficasse impossibilitada de captar recursos e fazer investimentos. "Tínhamos aprovada uma linha de crédito de R$ 60 milhões em bancos para capital de giro. Mas o recurso estava condicionado à inscrição estadual", diz. (Valor Econômico 19/08/2014)

 

Fundos de private equity podem ser a solução, diz advogado

A solução para resgatar usinas em recuperação judicial passa não somente por mudanças estruturais no mercado, como o fim do controle dos preços dos combustíveis, mas também pela atração de novos investimentos estrangeiros. A opinião é do advogado Joel Thomaz Bastos, do escritório Dias Carneiro Advogados, que atualmente cuida de dezenas de processos do gênero.

A tendência, de acordo com ele, é que operações de fusões e aquisições envolvendo essas companhias sejam capitaneadas por fundos de private equity nacionais ou estrangeiros assim que forem esclarecidas as questões regulatórias do mercado de combustíveis no Brasil - controle dos preços da gasolina e um marco regulatório para a participação do etanol na matriz energética do país.

"No mercado, a expectativa é que o ambiente fique mais propício para esse tipo de operação a partir de 2016", diz Bastos. Neste momento, segundo ele, usinas não querem comprar outras usinas.

Outra saída para essas companhias é a ampliação do crédito à disposição. Falta aos bancos, na visão de Bastos, a percepção de que emprestar dinheiro para companhias em recuperação é um grande filão. "Além de poder emprestar a taxas de juros mais elevadas, os bancos têm, ao emprestar recursos pós-recuperação judicial, o direito de, em caso de falência, serem os primeiros a receber", afirma.

O advogado defende que o modelo de plano de recuperação baseado na conversão de dívida em ações é uma alternativa viável em alguns casos. Esse foi o perfil do plano aprovado pelos credores do grupo paulista Baldin, que entrou em recuperação em 2011. Os antigos proprietários da empresa foram diluídos e ficaram com 25% do negócio. Os 75% restantes foram "entregues" aos credores, que receberam um papel (bônus) conversível em ações da empresa.

Proposta semelhante foi feita aos credores da sucroalcooleira Aralco, que pediu recuperação judicial em março, menos de um ano após emitir US$ 250 milhões em bonds. A empresa, que detém quatro usinas de açúcar e etanol no interior de São Paulo, tem dívidas estimadas em R$ 1,2 bilhão.

Na proposta apresentada a credores, que deve ser avaliada em assembleia a ser marcada para o fim de setembro, a ideia é converter 60% da dívida em participação acionária em uma nova empresa, que seria criada para ficar com o controle dos ativos do grupo.

Sete "bondholders" (detentores dos bonds emitidos pela empresa), a maior deles fundos de investimentos americanos e europeus, contrataram o escritório Felsberg Advocacia para representá-los no plano de recuperação judicial. Nesta semana, o escritório deve entregar seu parecer sobre a proposta da Aralco, apurou a reportagem.

A empresa é encarada com certa desconfiança pelo mercado - em especial por alguns bondholders que se sentiram "enganados" pelos números da Aralco apresentados a investidores na ocasião da captação. Entre as questões, está a projeção de moer em 2013/14 6 milhões de toneladas de cana, quando, de fato, o volume foi muito baixo disso (5 milhões de toneladas). (Valor Econômico 19/08/2014)

 

Shell enche o barril com ações de blocos

Antes mesmo de encerrar as festividades por conta do aumento de quase 100% na produção da Shell no Brasil, o presidente André Araújo prepara-se para desembarcar na Holanda.

Seu destino é Carel van Bylandtlaan 16, 2596 HR The Hague, endereço do quartel-general do grupo. O executivo leva na mala a proposta de ficar com o controle integral do campo Bijupirá & Salema, na Bacia de Campos. Para conseguir o feito, Araújo terá de negociar a compra dos 20% pertencentes à Petrobras. A estatal não tem sido a mesma sócia de outrora e segurado investimentos.

A Shell está disposta a aportar em torno de R$ 1 bilhão para dobrar a capacidade do estratégico campo Bijupirá & Salema, que representa 35% da produção da empresa no país.

Deve investir também no campo Parque das Conchas. Ambos ficam na Bacia de Campos. Neste caso, o interesse da Shell é aumentar de 50% para 60% a participação no campo, que tem como sócias a indiana ONGC e a Qatar Petroleum.

Esta última, dona de 23%, tem demonstrado interesse em reduzir gradativamente sua posição em função da estratégia de diversificar investimentos no Brasil. (Jornal Relatório Reservado 19/08/2014)

 

Etanol cai ao consumidor de 13 Estados e do DF, segundo ANP

SÃO PAULO - O preço do etanol ao consumidor final caiu na maior parte dos Estados brasileiros na última semana, segundo pesquisa da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Em 13 Estados e no Distrito Federal o preço do etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, recuou nos postos entre os dias 10 e 16 de agosto. A maior queda foi registrada em Santa Catarina, onde o preço médio do litro caiu 0,72%, a R$ 2,464 o litro.

Em 11 Estados o preço subiu, com destaque para Alagoas, onde o biocombustível, na média, ficou 0,55% mais caro ao motorista. Em dois Estados — Roraima e Amapá — os preços ficaram estáveis.

Em São Paulo, maior Estado consumidor de combustíveis do país, o preço médio do hidratado subiu 0,10%, a R$ 1,877 o litro. A paridade com a gasolina ficou praticamente estável na casa dos 65,7%, o que significa que é viável ao consumidor final usar o biocombustível em vez do derivado fóssil, conforme o parâmetro mais conhecido do mercado de que essa viabilidade existe quando o preço do etanol equivale a menos de 70% do preço da gasolina.

Nessa mesma condição estão os Estados de Goiás (68,7%), Mato Grosso (62,5%) e Paraná (68,5%). Há, no entanto, outros estudos que indicam que esse ponto de equilíbrio é próximo de 80%.

Na usina em São Paulo, os preços do litro do etanol hidratado recuaram. O indicador Cepea/Esalq para o etanol hidratado recuou 0,44%, a R$ 1,1988 o litro, entre 11 e 15 de agosto. (Valor Econômico 18/08/2014 às 16h: 29m)

 

Vaivém das commodities

Produção de grãos sobe, mas industrialização é pequena.

O país avança rapidamente na produção de grãos, mas as indústrias do agronegócio não conseguem tirar proveito dessa evolução e melhorar a margem de ganho com a agregação de valor.

Um dos exemplos é a produção de soja. Produto de maior expressão no cenário agrícola brasileiro, o volume da oleaginosa teve um aumento de 73% nos últimos dez anos.

Nesse mesmo período, a capacidade de moagem das indústrias teve ritmo bem menor, com evolução de 35%. Já o volume de matéria-prima processada pelas indústrias teve evolução de apenas 28% no período.

Em 2004, o Brasil processava 57% da soja produzida. Neste ano, vai processar apenas 42%, tomando como base dados da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

Esse volume de exportação de matéria-prima --neste ano o país deverá exportar o recorde de 45 milhões de toneladas dos 86,5 milhões produzidos-- se deve não apenas a fatores internos como a externos.

Para ambos os casos, o país não tem uma política específica para o setor do agronegócio. Internamente, há impostos que inibem a movimentação da matéria-prima entre os Estados.

Além disso, as empresas não conseguem liquidar os créditos de PIS/Cofins a que têm direito. Externamente, alguns países, como a China, querem só a matéria-prima, com o objetivo de desenvolver o mercado de trabalho no próprio país.

Fábio Trigueirinho, da Abiove, afirma que faltam políticas internas e externas para o agronegócio. Com isso, o país vai perdendo participação nos produtos industrializados no exterior.

"É um círculo como se fosse o cachorro correndo atrás do próprio rabo", diz ele.

O gargalo da desindustrialização se agravou nos últimos anos. A capacidade de processamento de soja, que era de 154 mil toneladas por dia, em 2008, atingiu 178 mil neste ano, com alta de 16%. Nesse mesmo período, a safra teve expansão de 51%.

"A indústria está trabalhando basicamente para o mercado interno", afirma Trigueirinho.

Apesar da safra maior neste ano, as receitas externas com a soja serão menores, devido à queda de preços, prevê a Abiove. O complexo soja rendeu US$ 31 bilhões no ano passado, receitas que deverão recuar para US$ 29,7 bilhões neste ano.

As exportações de grãos lideram as receitas e vão render US$ 22,5 bilhões. Já o valor das exportações do farelo ficam em US$ 6 bilhões, enquanto o óleo de soja deve render US$ 1,1 bilhão, conforme estimativas da associação das indústrias.

Até julho, as exportações de soja em grãos já haviam atingido 37,8 milhões de toneladas, com receitas de US$ 19,3 bilhões, de acordo com a Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

A China, maior mercado para o Brasil, ficou com 27,5 milhões das exportações de soja em grãos, pagando US$ 14,2 bilhões pelo produto.

OURO+1,28% No mês, em Nova York.

Açúcar -1,51% ontem, em Nova York.

Café As receitas com exportações de café deste mês deverão superar em 38% as de igual período do ano passado, se for mantido o ritmo atual das vendas externas até o fim do mês.

Em números O volume deverá atingir 2,4 milhões de sacas, rendendo US$ 494 milhões. O preço médio por saca do café exportado é de US$ 189,1 neste mês, 27% mais do que em agosto de 2013, de acordo com a Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Carnes As exportações de carnes voltam a aumentar neste mês, após o bom desempenho de julho. A receita com a carne suína é 22% maior do que em agosto de 2013. Já a carne bovina tem aumento de 28%; e a de frango, de 10%. (Brasil Econômico 19/08/2014)

 

Em crise, região de Ribeirão Preto perde espaço entre canaviais paulista

Estudo da USP aponta falta de investimento e espaço para novas lavouras. Recuperação do setor está prevista apenas a partir de 2015, diz economista.

A região de Ribeirão Preto (SP), que já foi responsável por quase um terço das lavouras de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo, vem perdendo espaço nos últimos dez anos devido à crise econômica enfrentada pelo setor sucroalcooleiro. Um levantamento feito pela Faculdade de Economia e Administração de Empresas de Ribeirão (FEA/USP), com base em dados da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), aponta que a falta de espaço e de investimentos fez com que a taxa de crescimento dos canaviais na região ficasse cada vez menor.

Na última safra (2013/2014), por exemplo, a área cultivada na microrregião de Ribeirão Preto - composta por 16 cidades, entre elas Dumont (SP), Sertãozinho (SP), Serrana (SP), Guatapará (SP) e Pontal (SP) - representou apenas 5% do total de canaviais paulistas. Ao mesmo tempo, enquanto a taxa de crescimento das lavouras já chegou a 3,5% na safra 2005/2006 - a área cultivada passou de 285 mil para 295 mil - o mesmo índice alcançou apenas 0,5% na última colheita, quando foram plantados 321 mil hectares (veja quadro abaixo).

O economista Luciano Nakabashi, coordenador do estudo, diz que a tendência de queda é um reflexo do que vem ocorrendo em todo o Estado, em consequência da crise enfrentada pelo setor, principalmente nos últimos cinco anos. "Isso tem muito a ver com a piora da economia, a queda do preço do açúcar no mercado internacional e o valor da gasolina que está sendo mantido artificialmente, afetando o retorno financeiro para a produção de etanol."

Nakabashi explica que a crise iniciada nos Estados Unidos em 2007 afetou várias economias e, consequentemente, o preço de produtos comercializados em todo o mundo, como o açúcar. Essa perda financeira poderia ter sido compensada por uma elevação do preço do etanol, o que não ocorreu, porque o Governo Federal decidiu conter o preço da gasolina como medida para controlar a inflação, afetando ainda mais a capacidade de geração de renda de toda a cadeia produtiva de açúcar e etanol.

Região prejudicada

O economista afirma também que a queda da participação das lavouras regionais no Estado é resultado da falta de espaço para novos canaviais, já que as áreas cultiváveis estão quase 100% tomadas pela cana. Além disso, por serem altamente dependentes do setor sucroalcooleiro, as cidades no entorno de Ribeirão Preto estão sendo atingidas de forma geral pela crise.

Um dos indicativos é o fechamento do escritório regional da Unica em Ribeirão Preto, com o desligamento de 12 funcionários, entre eles a diretoria de comunicação da instituição, que atuava como porta-voz do setor no interior do Estado.

"A redução foi justificada pela necessidade de adequação das contribuições à realidade econômico-financeira das indústrias sucroenergéticas que, desde 2008, vêm sofrendo grande perda de competitividade em razão de políticas públicas adotadas para o setor de combustíveis, que incluem a redução da carga tributária sobre os derivados de petróleo comercializados no país e a comercialização de gasolina subsidiada", informou a Unica, em nota.

Demissões

Entre as consequências da crise está também o aumento do desemprego, principalmente na indústria, e que tem afetado outros setores, como comércio e serviços. Em Sertãozinho, cuja economia depende quase que exclusivamente da cana-de-açúcar, o primeiro semestre do ano fechou com saldo de 551 demissões, enquanto no mesmo período do ano passado o balanço foi de 2,6 mil contratações, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

Nakabashi destaca que as perdas ocorrem em efeito cascata, ou seja, prejudicam também o comércio, a construção civil e os serviços. "Existe uma tendência de que as pessoas que ficaram desempregadas saiam da região em busca de trabalho. Provavelmente, encontrar ocupação em outra área, principalmente quem tem mão de obra menos qualificada. Elas vão para outros setores", afirma o economista, destacando que a expectativa de recuperação está prevista apenas a partir de 2015.

"Nós já tivemos uma redução da safra por causa do clima e isso está refletindo sobre o preço do açúcar, que está aumentando. Parece também que o Governo Federal está sinalizando um aumento no preço da gasolina. Mas a recuperação ainda vai depender muito de quanto será esse reajuste, porque temos uma defasagem em torno de 15 a 20%. Se o governo der esse valor de reajuste, o que eu acho muito difícil, já dá um bom alívio para o setor", diz Nakabashi. (G1 18/08/2014)

 

Setor sucroenergético espera de Marina as propostas de Campos

"Não acredito que qualquer que seja o substituto, a própria Marina ou outra pessoa, irá rasgar o discurso que Eduardo Campos construiu nos últimos tempos".

O setor sucroalcooleiro espera que a ex-senadora Marina Silva mantenha o discurso de Eduardo Campos se decidir - com o apoio do partido - ser a cabeça de chapa da candidatura do PSB à Presidência da República. "Campos fez defesas também em nome de Marina, então acreditamos que ela dará continuidade ao que estava sendo dito", disse ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) e também sócio-diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho. Segundo ele, Campos, que morreu na queda do avião que o levava a Santos (SP) ontem, via o agronegócio como "plataforma para desenvolvimento do País".

A mesma avaliação é feita pelo presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha. "Não acredito que qualquer que seja o substituto, a própria Marina ou outra pessoa, irá rasgar o discurso que Eduardo Campos construiu nos últimos tempos", afirmou. "Qualquer setor espera isso, e se ela (Marina) vier, terá de procurar interlocução."

Caio Carvalho lembrou que, especificamente em relação à cadeia produtiva de açúcar e etanol, o ex-governador de Pernambuco pregava o crescimento da produção como meio de tornar a atividade mais rentável. "Acreditamos que os compromissos estão de pé. Na minha cabeça, ela (Marina) só tem chances se mantiver o discurso de Eduardo Campos", comentou Corrêa Carvalho.

Rocha, que lidera a única entidade sucroenergética com representação federal, ponderou que "ainda é cedo para especular qualquer coisa". "Se ela for escolhida, passará a ser protagonista e só aí conseguiremos saber qual será o diálogo dela com o setor", comentou.

Desde que ocupou o Ministério do Meio Ambiente no governo Luiz Inácio Lula da Silva Marina Silva enfrentou resistências no setor do agronegócio, em especial durante a discussão do Código Florestal. Eduardo Campos defendia sua candidata a vice e buscava uma reaproximação. Durante sabatina na sede da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), no dia 6, criticou o "ambiente de desentendimento" a partir da oposição entre produção agrícola e sustentabilidade. "É uma agenda que parece que quem está no campo está derrubando Mata Atlântica e defendendo trabalho escravo e sendo contra a reforma agrária. Esse ambiente não é de futuro", disse.

O agronegócio via em Eduardo Campos uma alternativa para a eleição deste ano. Em abril, reportagem do Broadcast mostrou que o setor sucroenergético caminhava para assumir posição contrária à reeleição de Dilma Rousseff (PT). Na ocasião, Rocha disse que o setor tinha "simpatia" por Aécio e Campos. O apoio aberto à oposição veio em junho.

A cadeia produtiva de açúcar, etanol e eletricidade a partir da cana critica a política energética do atual governo. Os produtores dizem que os subsídios à gasolina retiram a competitividade do álcool, impactando na geração de caixa e, consequentemente, nos investimentos. De acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), no Centro-Sul do Brasil, que concentra a produção nacional, mais de 40 usinas fecharam as portas desde 2008, número que pode se aproximar dos 60 até o final da safra 2014/15. (Agência Estado 18/08/2014)

 

Braskem admite parar produção

Maior fabricante de resinas termoplásticas das Américas, a Braskem admitiu que pode parar a produção em pelo menos uma central petroquímica caso o preço da nafta, principal matéria-prima da companhia, fornecida pela Petrobras for reajustado pela estatal em 5% a 7% a partir de setembro.

A pouco mais de dez dias do vencimento do contrato de fornecimento que vigorou nos últimos cinco anos, Braskem e Petrobras ainda não chegaram a um entendimento sobre os valores do novo acordo. O Valor apurou que também não há perspectiva de nova prorrogação dos termos atuais.

Questionado sobre fechamento de ao menos uma unidade, o presidente da Braskem, Carlos Fadigas, não descartou a medida. "Seguimos trabalhando para chegar a um acordo e a preocupação tem a ver com a exiguidade do prazo".

A preocupação foi estendida a toda a cadeia petroquímica. Para a Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), "o ajuste a um eventual aumento do preço da nafta fornecida pela Petrobras - que equiparasse seu preço à paridade de importação - exigiria o fechamento de uma central petroquímica e a redução da produção ou mesmo o fechamento de uma segunda central", conforme consta em um estudo da LCA Consultores, a pedido da própria associação.

O contrato quinquenal de fornecimento de nafta firmado com a Petrobras venceu em fevereiro e foi prorrogado por seis meses, período em que foram mantidos os termos dos últimos cinco anos. O novo prazo se encerra no fim do mês.

O Valor apurou que a primeira central afetada deve ser a do ABC, que tem uma parada programada para manutenção em setembro. Depois do polo paulista, a medida poderá ser replicada em Camaçari (BA). Segundo o estudo da LCA, "estima-se que a queda na produção de petroquímicos de segunda geração levaria a uma redução na receita anual (líquida) da indústria da ordem de R$ 13,1 bilhões".

"Com base em informações recebidas de empresas associadas à Abiquim, estimou-se que a redução da produção da indústria petroquímica levaria à perda de 9,8 mil empregos diretos (entre funcionários próprios e terceirizados), responsáveis pela geração de quase R$ 600 milhões em renda do trabalho. A partir da matriz insumo-produto, estimou-se que o impacto indireto da redução da produção nacional de produtos petroquímicos seria a redução de 63,6 mil ocupações, correspondendo a uma renda do trabalho de R$ 1,8 bilhão", aponta o estudo.

O governo, disse um fonte, está ciente da situação, porém não se envolveu nas conversas até agora. Acionista relevante e do bloco de controle da Braskem, com 36% do capital total, a Petrobras quer aumento no valor da nafta relativos aos seus custos de importação.

Para a indústria, não é correto atribuir à Braskem essa conta adicional, pois a própria estatal é uma grande produtora de nafta. Nos últimos anos, porém, a Petrobras teria direcionado volumes crescentes de seu insumo para o chamado "pool" de gasolina, mistura de gasolina tipo A, etanol e nafta vendida nos postos de combustível.

Com essa estratégia, a estatal teria conseguido manter sob controle as importações de gasolina, ao mesmo tempo em que teve de ampliar o volume importado de nafta para atender a petroquímica. Agora, com a renovação do contrato, segundo o setor, a Petrobras quer repassar essa despesa com importação da matéria-prima, podendo gerar até de até 7% sobre os preços praticados no atual acordo.

Já a Braskem busca reduzir os custos com matéria-prima, diante da perda de competitividade dos químicos e petroquímicos produzidos a partir da nafta em relação aos produtos baseados em gás natural. Com a revolução do gás de xisto, nos Estados Unidos, os preços do gás despencaram, o que reativou os investimentos da indústria petroquímica americana.

A Braskem consome 10 milhões de toneladas de nafta por ano, das quais 7 milhões de toneladas da Petrobras. O restante é importado da Argélia, Venezuela e Rússia, em menor escala. No primeiro semestre, segundo estimativa da consultoria MaxQuim, o preço médio da tonelada ficou em US$ 928. Com base nos preços atuais, o contrato entre Petrobras e Braskem movimentaria R$ 15 bilhões ao ano.

O Valor informou em 7 de agosto que a Braskem poderia suspender temporariamente a produção no polo do ABC, depois da parada programada para manutenção que deve ocorrer ao longo de setembro, caso o preço da nafta fosse reajustado. Consultado, à época, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Fernando Figueiredo, disse que uma paralisação no polo, além do previsto, pode representar o "caos" para o setor, que não tem condições de absorver um aumento de custos neste momento.

Procurada, a Petrobras não se posicionou sobre o assunto. (Valor Econômico 19/08/2014)

 

Deere dispensa mais de 600 funcionários nos EUA com demanda fraca

A Deere, fabricante norte-americana de máquinas agrícolas, anunciou nesta sexta-feira, 15, que irá dispensar mais de 600 funcionários indefinidamente. A medida faz parte dos planos da companhia de reduzir a produção devido à demanda mais fraca.

Na quarta-feira, a Deere afirmou que a desaceleração da economia agrícola resultou em vendas menores de equipamentos e um lucro consideravelmente inferior no terceiro trimestre fiscal.

A demanda por maquinário agrícola vem diminuindo recentemente, com a expectativa de safras recordes de soja e milho nos EUA. Com a queda dos preços das commodities, produtores estão com menos dinheiro para gastar.

Nesta semana, a companhia disse que as vendas de equipamento devem cair 6% no ano fiscal corrente, que termina em outubro. As dispensas afetarão unidades da Deere em Illinois, Iowa e Kansas. (Dow Jones Newswires 18/8/14)

 

Em SP, crise nas usinas de cana fecha centenas de postos de trabalho

Em quatro anos, 44 usinas fecharam as portas no Brasil, 24 só em SP. Donos de usinas reclamam que preços do açúcar e etanol estão baixos.

O município de Sertãozinho, em São Paulo, já foi destaque na geração de emprego, só que a situação mudou. Por causa da crise nas usinas de cana-de-açúcar, centenas de vagas foram fechadas.

Fábricas paradas, tudo deserto, esse é o cenário em algumas usinas da região de Sertãozinho, no nordeste de São Paulo, um tradicional pólo na produção de cana-de-açúcar.

Nos últimos quatro anos, 44 usinas fecharam as portas no Brasil, 24 só no estado de São Paulo, sendo cinco na região de Sertãozinho.

São Paulo responde por mais da metade da produção nacional de cana-de-açúcar e o fechamento das usinas é reflexo da crise que o setor enfrenta há pelo menos seis anos. Algumas empresas estão endividadas porque fizeram financiamentos para construção de novas unidades e os atuais preços do açúcar e etanol são considerados baixos pelos donos de usinas.

A economia dos municípios também sofre com uma crise na geração de empregos. Nesta época do ano, as mais de 600 metalúrgicas de Sertãozinho deveriam começar as contratações para o trabalho de manutenção das usinas durante a entressafra da cana, mas este ano, não é isso que está acontecendo. No primeiro semestre, a indústria fechou mais de mil postos de trabalho.

Demitido há quatro meses, o metalúrgico Alexandre Oliveira cumpre um rotina semanal de visitas à Secretaria do Emprego, em Sertãozinho, mas conta que ainda não conseguiu voltar ao mercado de trabalho.

O movimento no comércio também caiu e a queda das vendas também é seguida de demissões (Globo Rural18/08/2014)

 

Brasil e Bolívia negociam ampliação de contrato de compra de gás

Acordo bilateral em vigor desde 1999 tem término definido para 2019. Em 2013, Brasil comprou 60% do gás produzido pelo país vizinho.

Petrobras e YPFB acertaram nesta segunda-feira (18) o início de negociações para a ampliação do contrato de compra de gás natural da Bolívia, que termina em 2019, informou a estatal boliviana.

Os dois países estão ligados por um convênio bilateral que entrou em vigor em 1999 e, atualmente, a Bolívia entrega 31 milhões de metros cúbicos diários (mmcd) de gás natural ao Brasil.

José Alcides Santoro, da Petrobras, e Carlos Villegas, da YPFB, se reuniram na cidade boliviana de Santa Cruz para analisar a relação energética entre Brasil e Bolívia.

"Todo este avanço afirma ainda mais a garantia de fornecimento de gás natural da Bolívia para o Brasil, permitindo o início de conversações para o fornecimento a partir de 2020", afirmou a YPFB em comunicado enviado à AFP.

As conversações "abrem um horizonte de longo prazo para continuar e aprofundar as relações entre YPFB e Petrobras", acrescentou a estatal boliviana.

A Bolívia vendeu em 2013 o total de 5,459 bilhões de dólares em gás, sendo cerca de 60% para o Brasil e o restante para a Argentina. A venda de gás corresponde a mais de 50% do total das exportações da Bolívia. (France Press, 18/08/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Demanda baixa: Os preços do açúcar demerara caíram ontem na bolsa de Nova York diante da baixa demanda global pelo produto. Os contratos para entrega em março de 2015 fecharam com desvalorização de 13 pontos, cotados a 17,64 centavos de dólar por libra-peso. Já os papéis com prazo mais curto encerraram no menor valor em seis meses, a 15,68 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 24 pontos ante o fechamento de sexta-feira. A suspensão das importações de açúcar por parte das refinarias na China para entrega entre setembro e dezembro deste ano adicionou pressão às negociações, que já vêm oscilando diante dos elevados estoques na mão dos compradores e vendedores de açúcar. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o cristal em São Paulo teve queda de 0,26%, para R$ 45,41 a saca de 50 quilos.

Cacau: Ebola preocupa: As cotações do cacau na bolsa de Nova York registraram a terceira valorização em três sessões seguidas em meio à forte demanda industrial e a incertezas cada vez maiores sobre o descontrole da epidemia de Ebola na África. Os lotes da amêndoa com vencimento em dezembro fecharam com elevação de US$ 17, cotados a US$ 3.260 por tonelada. A doença já atingiu Guiné, Libéria, Nigéria e Serra Leoa, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Destes, apenas a Nigéria é produtora de cacau. Sobre os fundamentos, a demanda em alta já se reflete nos preços da manteiga de cacau nos EUA, que subiram 40% na semana até o dia 15, ante igual período de 2013. No mercado interno, a arroba em Ilhéus e Itabuna (BA) ficou em média a R$ 111, de acordo com a Central Nacional dos Produtores de Cacau.

Algodão: Ampla oferta: O mercado de algodão registrou mais um dia de queda ontem na bolsa de Nova York em meio à perspectiva de oferta confortável da commodity nos Estados Unidos. Os papéis para entrega em dezembro encerraram a sessão com recuo de 51 pontos, a 63,84 centavos de dólar por libra-peso. Depois do fechamento da sessão, o Departamento de Agricultura americano reportou uma ligeira queda na qualidade das lavouras no país, com 50% em condições boas a excelentes. O dado pode se refletir hoje nas negociações. Também ainda há incertezas sobre a nova política de apoio ao setor produtivo na China, que deve ser revisada até o fim do mês. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias teve alta de 0,66%, para R$ 1,6891 a libra-peso.

Trigo: Risco reduzido: O arrefecimento dos temores sobre a situação geopolítica entre Ucrânia e Rússia, ainda que momentânea, permitiu que as cotações do trigo recuassem ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os contratos para entrega em dezembro fecharam com recuo de 9,25 centavos, a US$ 5,5425 o bushel. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os papéis com o mesmo prazo de entrega fecharam com desvalorização de 2,75 centavos, a US$ 631,5 o bushel. Declarações da diplomacia russa reduziram os temores dos traders com um eventual problema de escoamento de grãos na região. Por enquanto, os produtores da Rússia têm intensificado as vendas para protegerem sua renda. No mercado interno, o preço médio da tonelada no Paraná apurado pelo Cepea/Esalq caiu 0,18%, para R$ 582,45. (Valor Econômico 19/08/2014)