Setor sucroenergético

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O bilionário venezuelano Gustavo Cisneros, que já ensaiou investimentos em mídia e internet no Brasil, vai fincar raízes no agronegócio.

Está se unindo ao China Construction Bank Corporation em um projeto voltado à produção e exportação de commodities agrícolas. Deverá ter ainda a companhia da Terracal Alimentos e da Bioenergia. (Jornal Relatório Reservado 21/08/2014)

 

Dueto

O presidente do J.P. Morgan, José Berenger, e o chairman da Goldman Sachs no Brasil, Paulo Leme, leram Maquiavel na primeira infância.

Os dois fazem coro na defesa de que a correção dos preços dos derivados de petróleo seja feita de uma vez só, doa a quem doer.

Os dois, como se sabe, não têm qualquer interesse no assunto, no qual são absolutamente isentos. (Jornal Relatório Reservado 21/08/2014)

 

Estiagem prejudica safra da cana de 2015, diz associação de Piracicaba

Produtores terão dificuldade para pagar pela nova produção, diz Afocapi. Prejuízo de canavieiros é de cerca de R$ 10 por tonelada comercializada.

A estiagem severa registrada em desde o início de 2014 irá afetar a safra da cana-de-açúcar do ano que vem na região de Piracicaba (SP), conforme a Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba (Afocapi). A falta de chuvas atrapalhou o desempenho das lavouras neste ano, quando a colheita foi antecipada devido ao baixo desenvolvimento das plantações. A safra foi 25% menor do que o esperado e esse percentual deve se repetir em 2015.

De acordo com o gerente do departamento técnico da Afocapi, José Rodolfo Penatti, o desempenho das lavouras em 2015 será igual ou menor que o registrado neste ano. "Precisamos de bastante chuva. Quanto antes melhor para que a cana consiga se desenvolver", afirmou.

Além da seca, outra situação que irá atrapalhar a safra no ano que vem é a falta de capital dos produtores rurais. "O pessoal vai ter um prejuízo grande este ano, alguns não terão o suficiente para pagar os adubos e herbicidas. Sem isso não dá para produzir", relatou Penatti.

O custo médio de produção na região é de R$ 72 por tonelada, segundo Penatti, mas o valor pode ser até maior dependendo da lavoura. O preço de venda de cada tonelada, no entanto, não passa de R$ 65, o que significa prejuízo aos produtores, segundo o gerente. "A elevação do valor da nossa cana seria uma medida que ajudaria bastante em curto prazo", disse.

De acordo com o produtor rural Gilmar Soave, o plantio feito entre março e maio nas terras dele em Rio das Pedras (SP), só terá um bom desenvolvimento se a chuva vier nas próximas semanas e de forma ininterrupta. "A cana precisa de água para se firmar bem no começo e para que haja menos riscos de pragas", afirmou.

Demissões

Com o adiantamento da colheita, que deveria acabar em novembro, mas não irá passar de setembro, 4 mil trabalhadores rurais ficarão sem trabalho mais cedo. A falta de chuva fez a cana se desenvolver menos e, com a planta menor e em menos quantidade, a colheita aconteceu mais rapidamente. (G1 21/08/2014)

 

Sinal verde para a maior trading global de açúcar

A joint venture formada pela brasileira Copersucar e a americana Cargill já tem um nome: Alvean. Segundo comunicado das empresas, as autorizações regulatórias já foram cumpridas e a empresa tem previsão de começar a operar em 1º de outubro. A Alvean inicia agora a integração das atividades globais de originação, comercialização e negociação de açúcar bruto e branco.

Conforme anunciado em março, a Alvean reunirá duas das operações de comércio de açúcar mais importantes do mundo. "Nossos clientes se beneficiarão das forças complementares da Copersucar e Cargill", afirmou em nota Ivo Sarjanovic, novo CEO da Alvean. "Teremos uma sólida cadeia de suprimentos global combinada, uma presença mundial e excelente gestão de logística". Sarjanovic anteriormente dirigiu o negócio de açúcar global da Cargill.

Soren Hoed Jensen, diretor de operações da Alvean, explicou que a expressão "Alvi", deriva da palavra latina albus, que significa branco/cristalino. "Simboliza nosso compromisso de ser ético e inclusivo perante nossos parceiros". O sufixo 'an' traz a noção de movimento, expressando o dinamismo do mercado de açúcar, disse.

As atividades de comercialização terão sede em Genebra, Suíça. A empresa terá escritórios em Bancoc, Bilbao, Déli, Dubai, Hong Kong, Jacarta, Moscou, São Paulo e Xangai. (Valor Econômico 21/08/2014)

 

Autorizada equalização de juros para financiar estocagem de etanol

O Ministério da Fazenda autorizou o pagamento de equalização de encargos financeiros para financiamento da estocagem de etanol. A medida, publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (20), determina que os valores serão aplicados sobre a média dos saldos diários (MSD) de financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com recursos próprios.

Com a decisão, o volume de recursos contratados em operações de financiamento para estocagem de etanol combustível não poderá exceder o limite de R$ R$ 2 bilhões. A medida vale especificamente para operações de estocagem em usinas, destilarias, cooperativas de produtores, empresas comercializadoras de etanol combustível e distribuidoras de combustível, cadastradas na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP).

As contratações de operações deverão obedecer um calendário específico em cada região:

- De 1° de maio de 2014 a 30 de novembro de 2014: nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, nos estados do Ceará, Maranhão, Pará, Piauí, Tocantins e nos municípios baianos de Juazeiro e Medeiros Neto.

De 1° de setembro de 2014 a 28 de fevereiro de 2015: nos estados de Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e nos demais municípios da Bahia.

A portaria do DOU ainda especifica que o valor das equalizações de taxa de juros ficará limitado ao diferencial entre o encargo do mutuário final e o custo da fonte, acrescido da remuneração das instituições financeiras.

Para fins de acompanhamento, o BNDES deverá cumprir algumas exigências e informar à Secretaria do Tesouro Nacional o seguinte:

Mensalmente, o valor contratado e desembolsado no mês anterior e a previsão mensal de contratação até fevereiro de 2015;

Em janeiro, maio e julho de cada ano, a previsão de pagamento de equalização, referente aos limites autorizados na portaria, para os meses subsequentes do ano em curso e para os do próximo ano;

Até o último dia do mês de janeiro de cada ano, os valores recebidos de equalização no exercício anterior segregados por região da Federação. (Agência Brasil 20/08/2014)

 

Cade aprova compra pela Bunge de fatia da japonesa Itochu em usinas

A operação consiste na aquisição pela Bunge de cotas da JB BioEnergy, da holding japonesa Itochu Corporation.

O Conselho de Administração de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a aquisição pela Bunge Açúcar & Bioenergia, da multinacional Bunge, das cotas que ainda não possuía em duas usinas de cana-de-açúcar da JB BioEnergy, segundo despacho publicado nesta quarta-feira do Diário Oficial da União.

A operação consiste na aquisição pela Bunge de cotas da JB BioEnergy, da holding japonesa Itochu Corporation, equivalentes a 20 por cento do capital social das usinas Agroindustrial Santa Juliana e Pedro Afonso Açúcar e Bioenergia. A Bunge passa a deter controle exclusivo dos ativos.

A usina Santa Juliana fica no Triângulo Mineiro e a Pedro Afonso, no Tocantins. Ambas têm a produção de açúcar e etanol como foco.

"A consolidação do controle das empresas alvo pela Bunge decorre da definição da sócia (Itochu) de se retirar do mercado de açúcar e bioenergia brasileiro em razão das incertezas de mercado atuais", afirma documento arquivado junto ao Cade.

"Para a Itochu, a saída da parceria se deve às incertezas de rentabilidade futura do negócio, resultante das políticas governamentais adotadas para combate à inflação", acrescenta o documento.
Na época em que a parceria entre a Bunge e a Itochu foi anunciada em 2008, as empresas afirmaram que investiriam 800 milhões de dólares no projeto. O valor do último acordo não foi revelado. (Reuters 20/08/2014)

 

Crise abate etanol – Wandell Seixas

O álcool combustível se tornou tão importante que mudou a denominação para etanol. Em contrapartida, setor sucroenergético brasileiro vive uma crise sem precedentes no Brasil.

A cana que embebedou os usineiros e os levou a grandes sonhos está se tornando um pesadelo para o setor. O álcool combustível ficou tão importante que mudou a denominação para etanol. O Brasil sentiu a importância econômica e foi o primeiro País a adotar em sua frota a tecnologia dos carros flex e a novidade tecnológica verde-amarela consolidou o segmento. Se noutros países produziu-se biomassa a partir dos resíduos agrícolas e florestais, na terra descoberta por Pedro Álvares Cabral, a cana-de-açúcar é a matriz energética.

Os brasileiros tiveram seu primeiro ápice na década de 70 com a crise do petróleo no mundo. O governo do general Ernesto Geisel, de forte tendência nacionalista, criou o Proálcool (Programa Nacional do Álcool) em 14 de novembro de 1975. O programa incentivava o cultivo da cana e provia recursos para a construção de usinas. O apelo principal era o fato de ser energia renovável e menos poluidora que os derivados do petróleo. Esse fato possibilitou uma tecnologia 100% nacional. O etanol anidro é usado como aditivo pelos carros brasileiros. É usado também como aditivo à gasolina na percentagem de 20% a 25%.

Deflagração da crise

Agora, o setor sucroenergético brasileiro vive uma crise sem precedentes. Logo ele, com páginas memoráveis em sua história. Com tanto contribuição na busca do desenvolvimento sustentável, consolidação da tecnologia flex e o aparecimento dos bioplásticos e aviões movidos a etanol. A causa apontada para a ressaca do álcool é que o governo da Dilma Rousseff segurou o "preço da gasolina como forma de controlar a inflação", assegura Roberto Rodrigues, que foi ministro da Agricultura de Lula da Silva e uma das maiores autoridades brasileiras do agronegócio. Há precisos sete anos, o setor não tem um reajuste. Nesse período, observa Rodrigues, os custos aumentaram.

Em Goiânia, André Rocha, presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, confirma que a "coisa ta preta". A safra do ano agrícola 2013-24 chegou a 596 milhões de toneladas, 12% maior que a anterior e 7% superior ao recorde histórico do setor. Parecia que a dor de cabeça oriunda da ressaca estava com os dias contatos. Problemas climáticos e a baixa margem de lucros dos produtores foram responsáveis pelas primeiras três mil demissões de trabalhadores e o início de fechamento de usinas.

André Rocha confirma que mais de 40 usinas foram fechadas e outras 14 estão a caminho. Em torno de 50% delas sentiram-se perdas de faturamento. Dez mil empregos foram extintos. Trinta empresas encontram em processos de recuperação judicial. O endividamento sobe à casa dos R$ 60 bilhões. Mais de 70 mil fazendeiros dependem das usinas. É o efeito cascata. Goiás, que via os canaviais competirem com a soja e os bois nos pastos, sente o desolamento. Pelo menos três usinas goianas já apelaram para a recuperação judicial. Esse escopo legal objetiva viabilizar a superação da crise econômico financeira, reintegrar a empresa no competitivo mercado de trabalho, e principalmente desenvolver o exercício do princípio da função social, abalizado na ordem econômica e social do País, através do respeito à dignidade da pessoa humana, a liberdade e a justiça.

A crise no setor sucroenergético deixou muitas prefeituras, restaurantes, hotéis, oficinas mecânicas, postos de combustíveis, de calça na mão, no entender do presidente do Fórum Nacional Sucroenergético e também do Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg). "Ocorre que os municípios parte dos tributos gerados e agora há dificuldades de recursos financeiros", conclui entristecido André Rocha, com toda essa crise que não tem final para acabar. É ano eleitoral e ninguém acredita que Dilma como candidata à reeleição vá alterar os preços dos combustíveis. (Diário da Manhã 20/08/2014)

 

Glencore sai de prejuízo para lucro de US$ 1,78 bilhão no 1º semestre

SÃO PAULO - O grupo anglo-suíço de venda de commodities Glencore registrou lucro líquido de US$ 1,78 bilhão no primeiro semestre de 2014. No mesmo período do ano anterior, a companhia havia registrado prejuízo de US$ 9,32 bilhões.

De janeiro a junho, a empresa observou aumento de 1,8% na receita líquida, que terminou em US$ 114,06 bilhões. O incremento veio com o maior volume de metais vendidos, especialmente cobre, zinco e ouro, durante a primeira metade do ano.

A holding, que também extrai os recursos minerais principalmente após a integração da mineradora Xstrata - conseguiu segurar seus custos no período, que fecharam em leve avanço de 0,3%, para US$ 110,33 bilhões.

A virada em um ano veio, contudo, mais por conta da base fraca de comparação. As perdas do primeiro semestre do ano passado se deram por uma baixa contábil de US$ 8,12 bilhões no ágio que a Glencore possuía exatamente da compra da Xstrata.

O lucro líquido da anglo-suíça nos seis meses só não foi maior porque o nível de impostos sobre o resultado foi a US$ 717 milhões. Em 2013, essa linha do balanço foi positiva em US$ 163 milhões por causa de créditos fiscais.

Desconsiderando esses itens — e, também, consolidando os números da mineradora adquirida em toda a extensão dos períodos — o lucro “ajustado” da Glencore teria avançado 8% no primeiro semestre, para US$ 2,01 bilhões. (Valor Econômico 21/08/2014)

 

R$ 2,8 bilhões são aplicados na redução de carbono na agricultura

Na safra 2013/2014, foram realizados 9.027 contratos que resultaram na aplicação de R$ 2,8 bilhões em recursos investidos, a fim de atingir a redução da emissão de gases de efeito estufa na agricultura brasileira. A região sudeste ficou em primeiro lugar, realizando cerca de 3.500 contratos, seguida pelo centro-oeste (2.300), sul (1.600), norte (1.239) e nordeste (650).

Em relação às capacitações, em 2014 foram capacitadas, contabilizando até o mês de junho, 1.788 pessoas, entre técnicos e produtores rurais, em encontros realizados durante o Rally da Pecuária/ABC, que ocorreu de maio a junho deste ano em parceria com a Agroconsult. Outros treinamentos foram realizados em dias de campo durante a Feira AgroBrasília e ainda durante o evento em comemoração ao Dia Nacional do Calcário e na elaboração do plano gestor para a diminuição de carbono na agricultura do estado do Ceará.

Até o momento, já foram investidos R$ 7,5 bilhões na redução da emissão de gases de efeito estufa na agricultura, desde a safra 2010/2011, a fim de aumentar a produção agropecuária em bases sustentáveis, reduzir o desmatamento, ampliar a área de florestas plantadas e estimular a recuperação de áreas degradadas. Além disso, o financiamento se estende para atividades como a agricultura orgânica e a implantação do sistema de integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF). Para esta safra 2014/2015, estarão disponíveis para os produtores rurais um montante de R$ 4,5 bilhões. (MAPA 20/08/2014)

 

Código Florestal tem que ser implementado e está sujeito a mudanças

A nova candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, disse nesta quarta-feira que o compromisso de sua candidatura sobre o novo Código Florestal é de implementá-lo, mas lembrou que toda lei que não seja uma cláusula pétrea está sujeita a mudanças.

Marina fez o comentário durante entrevista coletiva em Brasília ao ser indagada se, caso eleita, promoveria mudanças no Código Florestal.

A entrevista ocorreu após a formalização de sua candidatura pelo PSB --ela substitui Eduardo Campos, morto em acidente aéreo na semana passada. (Reuters 20/08/2014)

 

Com acordo, Embrapa produzirá biocombustíveis alternativos

Acordo de cooperação foi assinado pela empresa brasileira com o Centro Mundial de Agroflorestas (Icraf).

A macaúba, uma espécie de palmeira nativa do Brasil, ganhará um novo incremento para a sua utilização como alternativa na produção de biocombustíveis. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Bioenergia assinou hoje (19), um acordo de cooperação com o Centro Mundial de Agroflorestas (Icraf), para realizar projetos dentro do Programa para o Desenvolvimento de Cultivos Alternativos para Biocombustíveis.

O Brasil, representado pela Embrapa Bioenergia, faz parte do comitê diretivo do programa, que, nesta primeira fase, recebeu US$ 3,5 milhões da Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida). Especificamente para o projeto com a macaúba, o Icraf também investiu US$ 400 mil.

A fase inicial do programa, de quatro anos, será focada em países da América Latina, da África e do Sul da Ásia. Em 2013, as atividades começaram em comunidades na Índia. Este mês, iniciam-se no Piauí, no Brasil, e para África, o Icraf ainda estuda as melhores formas de intervenção e os subprojetos que serão desenvolvidos.

No Brasil, o programa é focado no Nordeste brasileiro, onde a Embrapa já vinha avançando na prospecção de espécies nativas com potencial para uso na produção de biocombustíveis, explicou o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Manoel Teixeira de Souza Junior.

“Vamos buscar diversificar as fontes de bioenergia, de culturas energéticas para a região do Semiárido, com foco em algumas palmeiras, começando pela macaúba. E isso vai ser feito dentro do conceito de agroflorestas, combinando diversas espécies vegetais para produzir alimentos e combustíveis”, disse Teixeira.

A primeira etapa do projeto com a macaúba será a construção de um banco de dados, de uma caracterização ampla do fruto e do óleo, assim como dos resíduos que a planta gera no seu cultivo e processamento.

O segundo passo será mostrar in loco, em dias de campo com agricultores familiares, que a macaúba pode ser cultivada na região e gerar renda. E depois, viabilizar a interação da Embrapa com os pequenos produtores dentro dessa lógica de fontes de agroenergia alternativas para o Nordeste, para que eles sejam integrados à cadeia de produção dentro do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB).

“É uma cultura nacional, adaptada a diversas regiões do Brasil e que, potencialmente, é bastante interessante em termos de produtividade, comparado ao dendê, que tem materiais de 6 a 7 litros de óleo por hectare. No caso da macaúba, temos 3 ou 4 litros por hectare. Já a soja, que é a principal fonte de óleo vegetal para produção de biodiesel no Brasil, produz de 400 a 500 litros por hectare”, explicou Teixeira.

O coordenador-geral de Biocombustível do Ministério do Desenvolvimento Agrário, André Grossi Machado, explicou que, com a implantação do PNPB em 2014, ficou muito claro o potencial das oleaginosas produzidas principalmente pela agricultura familiar. “E as oleaginosas perenes, como a macaúba, têm um balanço energético bom, alta produtividade de óleo, é intensiva em mão de obra, além de promover vários benefícios ambientais”.

Segundo Grossi, apesar de não participar desse protocolo específico com o Icraf, o ministério, assim como vários órgãos do grupo gestor do PNPB, trabalham no fomento da macaúba. Um dos avanços alcançados foi a publicação do preço mínimo para o fruto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). “As comunidades que estavam vendendo a R$ 0,18 o quilo hoje têm a possibilidade de contar com a subvenção da Conab, com o preço mínimo de R$ 0,45 por quilo. Agora, os agricultores têm essa segurança para produzir macaúba”, explicou o coordenador do MDA.

Entretanto, apesar desse avanço, faltam estatísticas sobre a cultura. “Não tem plantio comercial, não tem zoneamento agrícola. É uma espécie que tem grande maciços naturais em Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, estamos descobrindo no Ceará, Piauí, e os extrativistas vivem há muitos anos puxados pelo comércio do óleo e do carvão”, disse Grossi.

Segundo ele, o próximo passo é fazer um zoneamento agroclimático, para as instituições bancárias terem segurança para criar linhas de crédito e a cadeia começar a se organizar. “Devemos seguir os passos que foram feitos com o dendê – zoneamentos agroclimático, ecológico, econômico, agrícola, associados a linhas de crédito e capacitação de agentes para que as coisas comecem a funcionar. Puxados sempre pela demanda por óleo, é preciso ter um comprador para isso”, argumentou Grossi. (Agência Brasil 20/08/2014)

 

Ubyfol investe na construção de fábrica em Uberaba (MG)

A Ubyfol, empresa nacional de fertilizantes, vai construir uma fábrica em Uberaba, no Triângulo Mineiro, onde a companhia já tem uma unidade em operação.

Com investimento de aproximadamente R$ 150 milhões, a planta fornecerá materiais como sulfatos e cloretos, que são utilizados na composição de fertilizantes.

"Hoje, nós compramos esses insumos de outras empresas. Cerca de 70% deles vêm de fora, principalmente da China", diz o diretor-executivo, Fabrício Fonseca Simões.

"Com a fabricação da matéria-prima, vamos reduzir a dependência dos produtos importados e, com isso, também diminuir os custos."

Os nutrientes agrícolas feitos pelo grupo são utilizados sobretudo nas culturas de cana-de-açúcar, soja, milho, algodão e feijão.

Para a expansão, a empresa deverá entrar com cerca de 30% do aporte necessário. O restante sairá de financiamentos, segundo Simões.

Um dos atrativos para a decisão da empresa de construir a nova fábrica em Uberaba é o gasoduto que abastecerá a futura unidade de amônia da Petrobras no município.

"A cidade também é um polo agrícola e está bem posicionada em relação a outras importantes regiões produtoras do país", diz o executivo.

Além da planta de matéria-prima, a Ubyfol tem outro investimento, de R$ 50 milhões, na construção de uma fábrica de fertilizantes especiais, também em Uberaba. A obra está em fase de conclusão. (Folha de São Paulo 21/08/2014)

 

Com economia em crise, governo lança pacote de estímulo a crédito

Anúncios feitos pelo BC e pela Fazenda podem elevar oferta de empréstimos em até R$ 25 bi. Medidas visam elevar financiamento de veículos e imóveis; efeito, porém, não deve vir no curto prazo.

Às vésperas da divulgação de dados que podem apontar recessão em plena campanha eleitoral, o governo Dilma Rousseff lançou um pacote de estímulo ao crédito.

Anunciadas em sequência pelo Banco Central e pela Fazenda, as medidas combinam injeção de dinheiro no sistema bancário, afrouxamento dos controles para a concessão de empréstimos e normas voltadas para o financiamento de imóveis e veículos.

Pelos cálculos oficiais, a oferta de crédito pode ser elevada em R$ 25 bilhões. Os bancos comemoraram as medidas, que devem melhorar o "ambiente para o crédito no país", mas avisaram o governo que elas não terão efeitos significativos no curto prazo.

Motivos: o cenário de incerteza eleitoral e a pouca disposição dos consumidores de contrair dívidas.

O Palácio do Planalto também não conta com impactos imediatos, mas seu objetivo é mostrar que não está paralisado diante da retração na economia, que pode afetar a imagem da presidente Dilma.

No mês passado, o BC já havia promovido uma ampliação ainda mais ambiciosa, de R$ 45 bilhões, mas ao menos um terço do dinheiro não ingressou no mercado.

A intenção do governo é clara: desmontar restrições ao crédito adotadas nos últimos anos para proteger a solidez do sistema bancário e, também, ajudar no controle do consumo e da inflação.

Do pacote desta quarta-feira (20), R$ 10 bilhões virão da redução do volume de dinheiro que os bancos são obrigados a manter depositado no BC; outros R$ 15 bilhões são esperados com o abrandamento de exigências de cautela nos financiamentos.

Desde o fim do governo Lula, os bancos brasileiros vinham trabalhando com regras mais rígidas --na forma de capital mínimo em garantia das operações-- que as adotadas em convenções internacionais. Agora, essas travas foram retiradas.

O BC aproveita uma trégua --temporária ao menos-- da inflação, que perdeu fôlego com a piora da economia.

Para analistas, números que serão divulgados na próxima semana podem mostrar retração nos dois primeiros trimestres do ano.

Uma das principais marcas da administração petista, a expansão do crédito ajudou a impulsionar o consumo e a economia no segundo governo Lula. Com Dilma, porém, o ritmo diminuiu. Desde o início deste ano, o volume total de empréstimos oscila em torno de 56% do PIB, ou R$ 2,8 trilhões em junho. (Folha de São Paulo 21/08/2014)

 

Marina Silva garante diálogo com agronegócio e nega que setor tenha restrições a ela

Candidata do PSB à presidência afirmou ter compromisso com a implementação do Código Florestal, com metas de inflação e com o câmbio flutuante.

O Partido Socialista Brasileiro (PSB) confirmou na noite desta quarta, dia 20, a ex-ministra do Meio Ambiente e ex-Senadora Marina Silva como candidata à presidência da República, tendo o deputado federal gaúcho Beto Albuquerque como candidato à vice-presidente. Questionada sobre a resistência do agronegócio a sua candidatura, Marina garantiu que buscará o diálogo com o setor e discordou que sua imagem negativa seja unânime entre os produtores.

Eu discordo que o agronegócio, de uma forma homogênea, tenha as restrições. Tem muita gente que está na vanguarda de integrar economia e ecologia, e uma grande parte está esperando para ver como vamos viabilizar os meios para aumentar a produção por ganho de produtividade, usando cada vez menos recursos naturais – disse a candidata. (Rural BR 20/08/2014 às 22h: 22m)

 

Commodities Agrícolas

Café: Volatilidade: O mercado do café arábica teve mais uma dia de forte volatilidade na bolsa de Nova York, diante da ação dos fundos especulativos. Os papéis para dezembro fecharam ontem com alta de 280 pontos, a US$ 1,8895 por libra-peso. Os fundos vinham rolando posições entre os contratos de setembro e dezembro, e agora passam a realizar compras especulativas. Os traders seguem atentos ao comportamento do clima nas regiões produtoras. Teme-se que a floração antecipada vista em algumas áreas produtoras do Brasil, após chuvas fora de época, possam comprometer a produção do próximo ciclo, o 2015/16. O mercado interno segue com poucos negócios. Em Varginha (MG), produtores pedem R$ 450 pela saca de café de boa qualidade, segundo Thiago Cazarini, da Cazarini Trading.

Cacau: Especulação em NY: As cotações do cacau retornaram ao campo positivo ontem na bolsa de Nova York, após uma forte queda no dia anterior. Os contratos com entrega em dezembro encerraram a sessão com avanço de US$ 22, a US$ 3.226 a tonelada. A elevação dos preços ocorreu ante especulações em torno do surto de Ebola no oeste da África, próximo ao principal polo produtor da amêndoa no mundo, e com o aquecimento da demanda industrial. O movimento teve início com compras de caráter comercial na bolsa que desencadearam compras por parte de fundos especulativos, segundo análise de Thomas Hartmann, da TH Consultoria. No mercado interno, a arroba do cacau em Ilhéus e Itabuna foi negociada na terça-feira entre R$ 108 e R$ 110, de acordo com levantamento do consultor.

Soja: Influência do clima: A perspectiva de safra recorde nos EUA motivou uma nova queda dos preços da soja na bolsa de Chicago. Os lotes para novembro fecharam com recuo de 14,75 centavos ontem, a US$ 10,38 por bushel. O clima continua favorável às lavouras americanas e as previsões são de produtividades elevadas. A colheita deve começar em meados de setembro. Porém, compradores que precisam da soja para a primeira metade do próximo mês temem a escassez de oferta, o que os leva a olhar para os apertados estoques do ciclo 2013/14. Dessa forma, os papéis de vencimento mais curto, para setembro, encontram sustentação maior. No Paraná, o preço médio da saca de 60 quilos de soja teve ligeira queda de 0,02%, para R$ 57,10, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral).

Milho: Alta produtividade: As previsões de altos índices de produtividade nos campos de milho dos Estados Unidos estão pressionando os preços do grão na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em dezembro encerraram ontem em baixa de 4,75 centavos, a US$ 3,675 por bushel, o menor patamar desde 8 de agosto. Expedições técnicas realizadas nas lavouras americanas têm indicado que o rendimento do milho pode superar as 190 sacas por hectare na atual safra 2014/15 - a estimativa oficial, do Departamento de Agricultura dos EUA, é de 187 sacas. Além disso, há relatos de que a colheita já tenha começado em algumas fazendas do sul do país. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa para a saca de 60 quilos registrou ligeira queda de 0,04%, para R$ 22,79. (Valor Econômico 21/08/2014)