Setor sucroenergético

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Polícia apura fraude na venda de avião

Aeronave que levava Campos era de um grupo que está em recuperação e só poderia ser vendida com autorização judicial.

Os policiais querem saber por que o comprador não passou a aeronave para o seu nome, como exige a lei.

A Polícia Federal e a Polícia Civil apuram a suspeita de possível fraude na venda do avião Cessna que caiu em Santos (SP) no último dia 13 com o candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB).

O avião pertencia ao grupo A. F. Andrade, dono de usinas de açúcar, que está em recuperação judicial, e só poderia ser vendido com autorização da Justiça, o que não ocorreu, segundo os policiais.

O grupo, de Ribeirão Preto (SP), deve R$ 341 milhões.

O avião foi vendido a João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e seria registrado em nome da BR Par Participações e Bandeirantes Pneus, segundo documento do grupo A. F. Andrade enviado à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e obtido pela Folha.

Mello Filho é usineiro e já recebeu multas do governo por não comunicar suspeitas de lavagem de dinheiro quando tinha uma financeira. O dono da Bandeirantes Pneus, Apolo Santana Vieira, é réu em ação penal por importação fraudulenta de pneus.

O comprador assumiu uma dívida de US$ 7 milhões (R$ 15,9 milhões) junto à Cessna, dona da aeronave. Uma das suspeitas é de que as empresas não teriam capacidade para pagar esse valor. Até o dia do acidente, quase três meses após a compra, a Cessna não havia aprovado o cadastro da Bandeirantes.

A compra foi intermediada por Aldo Guedes, presidente da empresa de gás do governo pernambucano e sócio do ex-governador Eduardo Campos em uma fazenda. Foi Guedes quem contratou os pilotos que morreram.

A DÚVIDA

Os policiais querem saber por que o comprador não passou a aeronave para o seu nome, como manda a lei. Nos registros da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o Cessna continua em nome do grupo A. F. Andrade.

Uma das hipóteses dos policiais é que isso foi feito para burlar credores. Segundo essa hipótese, o grupo não fez a transferência para não repassar aos credores o que recebeu. A lei de recuperação judicial determina que todo valor arrecadado seja usado para pagar as dívidas.

A queda do avião sem a transferência para os atuais donos pode trazer problemas com o seguro. A apólice da Bradesco Seguros está em nome do grupo A. F. Andrade. O fato de o antigo dono ter omitido a venda do avião pode ser uma razão para o não pagamento do seguro.

Celso Vilardi, advogado do grupo A. F. Andrade, diz que não há fraude. Segundo ele, o grupo recebeu do comprador oito parcelas do "leasing" feito na Cessna, cujo valor ele não revela ("leasing" é um financiamento em que o cliente paga parcelas mensais e ao final fica com o avião). A quantia foi repassada à Cessna para saldar dívidas, de acordo com Vilardi.

O valor foi pago em 8 de maio. O grupo comprou o avião por US$ 8,5 milhões, a serem pagos em até dez anos. (Folha de São Paulo 22/08/2014)

 

Marina abranda discurso e acena para setores críticos a seu nome

A conversa com ruralistas começou antes mesmo da oficialização da candidatura de Eduardo e Marina. O ex-ministro da agricultura Roberto Rodrigues participou de conversa com a cúpula de apoiadores de Marina no Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), criado pela ex-senadora. A campanha acredita que receberá o apoio do setor canavieiro, que tem Rodrigues como um de seus representantes, pela defesa da candidata ao etanol, considerado um combustível mais limpo do que a gasolina.

Nos surpreendemos com a procura de apoiadores nesta semana. Vários setores do agronegócio, empresas de energia elétrica, setor financeiro já nos procuraram e demonstraram disposição de conversar. O empresariado não quer mais a Dilma (Rousseff, candidata à reeleição) e vai para quem tiver mais chance de vencê-la - afirmou Young, que até o fim do mês deverá se licenciar do cargo de vereador para se dedicar exclusivamente à campanha de Marina. (O Globo 22/08/2014)

 

Odebrecht acredita ter batido recorde mundial diário de moagem com usina no MS

Em um único dia a unidade processou 32 mil toneladas de cana.

Pela primeira vez uma usina consegue a moagem de 32 mil toneladas de cana em apenas um dia em uma única linha de moagem.

Foi o que obteve a Unidade Santa Luzia, da Odebrecht Agroindustrial de Mato Grosso do Sul na terça-feira (19). Para a empresa, esse número é um recorde mundial.

A expectativa é encerrar a safra 2014/15 com a moagem de 4,7 milhões de toneladas de cana na usina.

Como comparação, se o ritmo recorde fosse mantido durante toda a safra, a unidade processaria 7,1 milhões de toneladas. A conta leva em consideração uma safra de 234 dias, a média obtida pelas usinas no Mato Grosso do Sul nas últimas 4 safras. (Folha de São Paulo 21/08/2014)

 

Rio Grande do Sul quer atrair pesquisa e investimentos em etanol

Desprovidos de produção própria, gaúchos buscam em outras regiões mais de 90% do biocombustível, o que resulta preços pouco atrativso aos consumidores.

Moer mais cana-de-açúcar e aumentar a produção local de etanol pode resultar em preços mais baixos nas bombas. Com esse pensamento, visando ainda uma indústria rentável e uma maior geração de empregos, o Rio Grande do Sul segue investindo na atividade sucroenergética.

Desprovidos de uma produção própria e representativa, em parte devido ao clima temperado predominante no Estado, os gaúchos buscam em outras regiões mais de 90% do biocombustível usado como combustível. Em virtude disso, os gastos gerados com o transporte, geralmente inseridos no preço final do produto, deixam o etanol nas bombas pouco atrativo aos consumidores.

Para buscar soluções, governo, empresários e produtores vem juntando forças. O primeiro passo foi dado pelos pesquisadores, que trabalham na adequação da cana ao clima gaúcho. Com apenas uma usina em funcionamento na região, e outras poucas sendo construídas, o governo, como forma de incentivo, anunciou em 2013, uma abdicação fiscal, abrindo mão do recolhimento de 75% dos tributos nos quatro primeiros anos e 50% nos quatro anos seguintes. Aproveitando este estímulo, a Petrobras e o Centro de Pesquisa Agropecuária de Clima Temperado da Embrapa, recentemente anunciaram a criação de uma "joint venture," que entre outras tecnologias, desenvolverá variedades de cana que podem ser adaptadas a climas úmidos.

"Queremos aumentar o nosso conhecimento, para expandir a produção de etanol no Estado do Rio Grande do Sul, que precisa importar quase que 100% de sua demanda," afirmou em nota um porta voz da Petrobras.

Segundo a empresa, a parceria representa um passo importante para a qualificação e quantificação da produção de etanol no Estado. A pesquisa levará em conta ainda, a criação de uma cana resistente a pragas e tolerância ao frio e à seca.

De acordo com a Embrapa, cerca de 1,5 milhão de hectares no Rio Grande do Sul estão aptos para o plantio de cana, principalmente no Litoral Norte até a região central do Estado e no Noroeste. Com um investimento previsto de 5,5 milhões, a expectativa é que os resultados aparecem já nas próximas safras.

Para o diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, neste momento de crise vivido pelo setor, notícias como essa são muito bem-vindas e comprovam a importância da cana para a economia brasileira.

"Esses acordos abrem novas possibilidades de desenvolvimento tecnológico, além de gerar benefícios socioambientais para o Estado, gerando empregos e aumentando a atividade econômica da região," explicou Rodrigues. (Unica 21/08/2014)

 

O desenvolvimento tecnológico na mecanização da colheita da cana-de-açúcar

"As melhorias tecnológicas estão sendo ampliadas e não devem parar por aí. Este ano, importantes novidades foram apresentadas ao mercado de cana-de-açúcar".

A mecanização do mercado de cana-de-açúcar no Brasil não é um fato inédito e os dados do setor comprovam essa realidade.

Ainda especula-se bastante sobre os gargalos e os desafios, que são inquestionáveis, mas hoje podemos dizer que a colheita mecanizada tem, sim, um alto investimento em tecnologia, o que permite aprimorar cada vez mais as máquinas. E isso tem acontecido em todas as empresas do segmento.

Enxergamos no setor canavieiro nosso segundo maior negócio, apenas atrás de grãos, e as tecnologias estão disponíveis para aumentar a produtividade, além de oferecer custo de operação e manutenção reduzidos aos agricultores.

As melhorias tecnológicas estão sendo ampliadas e não devem parar por aí. Esse ano, importantes novidades foram apresentadas ao mercado de cana-de-açúcar, como os pulverizadores na versão canavieira, que junto das já consagradas colhedoras, atendem às necessidades dos produtores em diferentes regiões do Brasil e oferecem soluções integradas em todas as etapas do trabalho.

As colhedoras trazem o Controle Integrado da Altura do Corte de Base (CICB), um sistema inteligente que controla eletronicamente a pressão de apoio dos divisores de linha flutuantes, em função das irregularidades do solo.

As movimentações dos divisores são captadas por sensores de posição, que irão coordenar a variação da altura do corte de base em função do alvo pré-estabelecido pelo operador. A mecanização reduz o custo da colheita e torna as lavouras de cana-de-açúcar mais competitivas.

A capacidade de colheita dos últimos 50 anos por conta da mecanização aumentou bastante. Atualmente, 90% da área plantada de cana em São Paulo é colhida de forma mecânica, sendo 80% do plantio já mecanizado.

No início, os equipamentos chegavam a colher apenas 15 toneladas de cana queimada por hora, porém as estimativas do BNDES apontam que atualmente colhem-se 70 toneladas de cana crua por hora. Mas ainda com esse avanço e a aposta em tecnologias, os desafios estão presentes no cotidiano do canavial brasileiro.

Qualificação: um caminho a ser percorrido

Nesta empreitada, podemos mencionar como um grande desafio a escassez de mão de obra qualificada. Para manusear uma máquina colhedora é preciso estar preparado e, por isso, os simuladores foram desenvolvidos para treinar operadores, desde aqueles que não possuem nenhuma experiência, como aqueles mais experientes que necessitam passar por uma reciclagem.

A grande vantagem do simulador é a segurança que ele proporciona ao operador, que conduz a máquina com um preparo melhor, diminuindo o risco de acidentes e os danos ao equipamento.

Após o treinamento nos simuladores, a operação e a colheita são mais eficientes, pois o tempo de manobra é mais rápido. O simulador replica exatamente as situações que os condutores encontram na lavoura, com o máximo de realidade possível.

Tecnologia no campo

Prova desta aposta em aparatos tecnológicos é o investimento feito em pesquisa e inovação para que possamos atender às necessidades dos clientes de maneira mais eficaz, aumentando a produtividade e ao mesmo tempo preservando os recursos naturais.

Essa realidade é um caminho sem volta e o produtor que não se inserir neste contexto estará perdendo em produtividade. Prova disso são os índices de mecanização do setor já citado anteriormente. Para isso, parcerias com empresas que desenvolvem softwares de gerenciamento agrícola são importantes. Eles auxiliam a execução do trabalho, coletam informações para análise logística, contabilizam o trabalho realizado e ainda têm a grande vantagem de possuir interface mais moderna e intuitiva, com uma série de tecnologias que garantem que os dados do trabalho das frotas cheguem até o escritório diariamente, mesmo quando não há cobertura de sinal GPRS no campo.

Isso tudo por meio de um moderno computador de bordo, que possibilita o controle operacional e gestão da informação. (Nova CAna 21/08/2014)

 

Distribuidoras vão à Justiça contra ANP

Revisão do marco regulatório do segmento de distribuição de combustíveis acirra briga entre grandes e pequenas empresas do setor. Mudança pode parar na Justiça.

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Bicombustíveis (ANP) entrou ontem na etapa final do processo de revisão do marco legal do segmento de distribuição de combustíveis no Brasil, que completa 15 anos em 2014. As mudanças propostas colocam frente à frente pequenas e grandes distribuidoras de combustíveis do país, por criar barreiras à atuação de empresas de menor porte em um mercado cada vez mais concentrado. Com 40 associados, a Associação Brasileira das Distribuidoras de Combustíveis (ABCom) ameaça ir ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso a minuta apresentada pela agência seja aprovada. Segundo o superintendente de Abastecimento da ANP, Aurélio Amaral, a expectativa é que o processo seja concluído até o final do ano. Ontem, a agência realizou a última audiência pública sobre o novo marco legal, para discutir detalhes sobre a revenda de combustíveis entre distribuidoras. "O mercado cresceu muito desde que o marco atual foi estabelecido, acompanhando o crescimento da frota de automóveis. Há hoje novos atores, uma tensão maior na infraestrutura de suprimento. E 15 anos é tempo suficiente para justificar uma revisão", diz.

O ponto-chave das regras em estudo, completa, é "dar mais responsabilidade aos agentes". Nesse sentido, a ANP propõe o aumento do capital mínimo para abrir uma distribuidora, de R$ 1 milhão para R$ 2,8 milhões, além da exigência de tancagem mínima de 750 metros cúbicos em cada região de atuação. A ideia é combater as chamadas "distribuidoras oportunistas", empresas de fachada que lançam mão de irregularidades como sonegação de impostos e somem do mercado ao serem descobertas pelas autoridades. "As novas regras amarram o agente em um ativo. Ele vai pensar duas vezes antes de cometer uma irregularidade", argumenta o superintendente da ANP. A proposta tem o apoio do Sindicato das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), que representa as maiores companhias do setor, donas hoje de uma fatia de 70% do mercado. O combate às "distribuidoras oportunistas" tem sido uma das principais bandeiras da entidade, que vê práticas anticoncorrenciais principalmente no comércio de etanol no país. Para Hélvio Rebeschini, diretor do Sindicom, a ANP segue na direção correta.

"O capital mínimo de R$ 1 milhão (das regras vigentes) foi definido em 1999. Hoje, já seria uns 4 milhões", comenta ele. "é preciso que as empresas demonstrem que tem lastro para atuar com segurança e compromisso." Por outro lado, a proposta enfrenta resistência de distribuidoras de menor porte. Na primeira audiência pública para discutir o tema, ainda em 2013, houve muitos questionamentos com relação à exigência de tancagem mínima — hoje, as empresas podem alugar espaço em tanques de terceiros, sem restrições de volume mínimo. Para Flávio Navarro, diretor de assuntos institucionais da ABCom, a proposta cede aos interesses das grandes do setor, ao criar barreiras para as empresas de menor porte. "A ideia da ANP é criar regras cada vez mais duras para ter um número menor de distribuidoras", diz ele. "É uma tentativa de segregar o setor." Navarro é diretor da Rede Sol Fuel Distribuidora e diz que, caso aprovada a proposta, a empresa terá que sair de 8 dos 11 estados em que atua, pois tem tanques próprios apenas em três deles — o restante é alugado de acordo com a demanda.

"O investimento para uma tancagem de 750 metros cúbicos é de mais ou menos R$ 3 milhões e não teremos condições de fazer isso", diz. Por isso, já avisou que a ABCom vai ao STF contestar a regra. Atualmente, a entidade, que representa 23% do mercado nacional, tem uma liminar contra a exigência de estoques mínimos de combustíveis, imposta pela ANP em 2013 após crise de abastecimento em algumas regiões do país. A discórdia se dá em torno de um mercado em franca ascensão, que cresce acima do PIB há quase uma década e movimentou, no ano passado, 125 bilhões de litros. Depois de sobreviver ao cenário caótico do início da década passada, com altos índices de adulteração e uma verdadeira indústria de liminares para garantir a atuação de empresas duvidosas, é consenso hoje que o segmento amadureceu e passa por um bom momento. Este ano, as vendas de gasolina apresentam alta de quase 10%, impulsionadas pelo aumento da frota e da renda da população. Os números de duas das principais empresas do setor comprovam: em quatro anos, a geração de caixa de Ipiranga e Raízen cresceu 69% e 149%, respectivamente.

A transição da tempestade para a bonança, porém, teve reflexos na concorrência. Com a desistência de agentes importantes, como Texaco, Repsol e Esso, o mercado está hoje concentrado nas mãos de três empresas: BR, Ipiranga e Raízen (associação entre a Shell e a Cosan) — que controlavam, ao fim de 2013, 76,2% das vendas de diesel e 65,6% das vendas de gasolina no Brasil. O restante é dividido por cerca de 200 outras distribuidoras autorizadas a atuar no país. Em 2004, a fatia das três maiores nas vendas de diesel e gasolina era de 56,2% e 47,2%, respectivamente. As pequenas empresas, que têm forte atuação em São Paulo, principalmente com postos de bandeira branca, temem que a concentração se amplie com as novas regras propostas. A ANP diz que, além de dificultar oportunistas, a regra de tancagem reforça a estratégia de reduzir os riscos de crises localizadas de fornecimento, iniciada com a imposição de estoques mínimos de três a cinco dias de vendas de cada empresa, de acordo com a área de atuação. "Temos que olhar, como poder público, pela garantia de abastecimento nacional", diz Almeida.

O crescimento mais acelerado do consumo nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste não foi acompanhado por obras de infraestrutura, o que gerou, no início da década, uma série de problemas de abastecimento pelo país. Assim, quanto mais distante das refinarias, maior o tempo de estoque necessário para as empresas, para garantir tempo suficiente para a chegada dos produtos em caso de problemas com gargalos logísticos. A ANP tem trabalhado também em estudos para melhorar o fluxo logístico de combustíveis, com eventuais incentivos a modais de longo curso, como o ferroviário e o aquaviário. "Por um tempo, dispensamos muita energia e inteligência focadas no combate à fraude. Agora, deixamos de ter uma atuação mais cartorial para pensar em planejamento", comenta o superintendente. Segundo ele, até o final do ano será iniciado o processo de revisão do marco regulatório do setor de gás liquefeito de petróleo (GLP), que também é pulverizado e lida com questões concorrenciais. (Brasil Econômico 22/08/2014)

 

Importação de açúcar pela China mais que triplica em julho

"Os preços no primeiro semestre não estavam tão baixos, por isso eles estão tentando recuperar o atraso agora".

As importações de açúcar pela China mais do que triplicaram em julho em relação ao mês anterior, para 280 mil toneladas, com operadores aproveitando os preços globais mais baixos, mas a pressão dos estoques domésticos tende a manter as importações totais no ano abaixo dos níveis recordes de 2013.

Os preços internacionais de referência do açúcar Sbc1 caíram cerca de 4 por cento até agora este ano, devido a um excesso da oferta mundial, impulsionando as compras pelo segundo maior consumidor mundial do adoçante.

"Os preços no primeiro semestre não estavam tão baixos, por isso eles estão tentando recuperar o atraso agora", disse a fonte de uma trading com sede na China. Ele não quis ser identificado por não estar autorizado a falar com a imprensa.

Cerca de 1 milhão de toneladas de açúcar adicionais devem chegar no período de agosto a outubro, disse Zhan Xiao, analista da Xinhu Futures.

A maior parte dos embarques virá do Brasil, mas fortes descontos para o açúcar tailandês também têm atraído compradores nas últimas semanas, disse o operador.

A safra recorde na Tailândia neste ano e competição de outros exportadores forçou o país a reduzir seus preços.

Ainda assim, as importações não vão chegar aos níveis recordes do ano passado, com os preços domésticos recentemente caindo drasticamente e reduzindo o apelo por açúcar do exterior.

Os desembarques do último mês foram bem abaixo do nível de julho de 2013, de cerca de meio milhão de toneladas.

O total das importações em 2014 está previsto para atingir 3,4 milhões de toneladas, disse Zhan, acima das estimativas de cerca de 2,5 milhões de toneladas do início deste ano, mas muito abaixo das 4,5 milhões de toneladas do ano passado.

"A principal razão é o amplo estoque. A China ainda tem 3 milhões de toneladas de açúcar antigo que não foi vendido", disse ele. (Reuters 21/08/2014)

STF abre ação penal contra usineiro dono da Laginha Agroindustrial por trabalho escravo

O Ministério do Trabalho encontrou trabalhadores da empresa de João Lyra em condições degradantes, sem água potável e condições básicas de higiene.

O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu ação penal contra o usineiro e deputado federal João Lyra (PSD-AL) por exploração de mão de obra em condição análoga à de trabalhado escravo. O parlamentar é acusado pelo Ministério Público de ser responsável por irregularidades encontradas pela fiscalização do Ministério do Trabalho na empresa rural Laginha Agroindustrial S/A, da qual ele é administrador.

O grupo de João Lyra possui cinco usinas sucroalcooleiras, três em Alagoas e duas em Minas Gerais.

Por maioria de votos, os ministros da Segunda Turma entenderam que as acusações são suficientes para a abertura da ação penal. De acordo com informações do processo, em 2010, o Grupo de Fiscalização do Ministério do Trabalho encontrou trabalhadores da empresa em condições degradantes, em locais sem água potável e sem condições básicas de higiene. Além disso, eles cumpriam uma escala exaustiva de trabalho.

A defesa do parlamentar alegou durante a fase de investigação que João Lyra não era responsável pelas contratações dos trabalhadores. Os advogados também afirmaram que não tiveram a oportunidade de apresentar defesa prévia no processo. (Agência Brasil 21/08/2014)

 

Safra de cana do Nordeste começa com estimativa de moagem menor

A moagem deve totalizar 52 milhões de toneladas, contra 53 milhões de toneladas na temporada passada.

A safra 2014/15 de cana-de-açúcar do Nordeste, que começa oficialmente em 1º de setembro, deverá ser quase 2% menor na comparação com o ciclo anterior, disse Alexandre Andrade, presidente da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida).

A moagem deve totalizar 52 milhões de toneladas, contra 53 milhões de toneladas na temporada passada. 'Temos um problema em Alagoas e em Pernambuco, que é o fechamento de usinas por causa da crise. Duas unidades fecharam na região ainda no ano passado e outras duas neste ano', disse ele. Andrade também destacou a produtividade mais baixa no próximo ciclo, decorrente da renovação dos canaviais de apenas 60% do previsto.

Ainda de acordo com Andrade, o mix de produção para a safra do Nordeste deve ser de 55% a 57% da oferta de cana para o açúcar, o mesmo observado nas temporadas recentes. Ele ainda não informou as estimativas da Unida para a fabricação de açúcar e etanol em 2014/15.

Mesmo que se confirme, a próxima safra seguirá abaixo das 62 milhões de toneladas observadas em 2011/12, ciclo imediatamente anterior ao afetado por uma severa seca. (Agência Estado 21/08/2014)

 

Uso da palhada de cana reduz custos no confinamento

Produto da lavoura de cana-de-açúcar é alternativa ecológica e barata para forragem.

Palhada que sobra depois da colheita mecanizada passou a substituir o "bagacinho",

A redução de custos no confinamento pode convergir com a preservação ambiental. Um exemplo disso é a agropecuária Monte Alegre, no município de Barretos (SP): cercada por plantações de cana-de-açúcar, a propriedade sempre se beneficiou desta produção no confinamento de gado. Por 10 anos, o "bagacinho" de cana foi fonte de volumoso no preparo da dieta.

Porém, com a valorização do produto (em dez anos, a tonelada foi de R$20 a R$150), a solução foi reduzir o custo na própria lavoura. A palhada que sobra depois da colheita mecanizada passou a substituir o "bagacinho", pela metade do preço e com algumas vantagens nutricionais.

Quando o pecuarista André Perrone e os consultores do confinamento decidiram adotar a palhada da cana na alimentação dos animais, eles não tinham nenhuma informação sobre o desempenho do gado com esse produto. Tiveram que tomar alguns cuidados para evitar que o ganho de peso fosse prejudicado, conforme explica o zootecnista Fernando Parra:

Começamos a usar esse produto com 20% em volumoso e fomos aumentando. Atualmente, estamos usando 100% do volumoso vindo da palha na terminação. Os animais estão tendo boa aceitação, mantendo o mesmo desempenho, com custo inferior à dieta anterior.

O produto é recolhido na lavoura por uma máquina de fazer feno. Mas apenas a parte superficial é retirada, evitando assim impurezas no alimento e mantendo, ao mesmo tempo, a matéria orgânica no solo. O material deve ser retirado da lavoura sete dias depois do corte da cana, prazo suficiente para as folhas perderem um pouco da umidade e também dentro do período em que a planta ainda não rebrotou. O rendimento é de 5 a 7 toneladas de palhada por hectare.

Depois dos fardos prontos, é feito o armazenamento ao lado da fábrica de ração, onde as partículas devem ser padronizadas em aproximadamente cinco centímetros, para que a mistura com os outros ingredientes seja bem homogênea. De acordo com o coordenador operacional da fazenda, Marcelo Riciel Guerreiro, a retirada do excesso de palha trouxe um benefício também para a lavoura da cana, diminuindo a incidência de pragas na plantação:

Na retirada da palha a cigarrinha diminuiu e beneficia a rebrota da cana (...) melhora tanto na agricultura como na boa aceitação do gado. (Rural BR 21/08/2014 às 21h: 04m)

 

Malha ferroviária deve ser expandida em 11 mil quilômetros em seis anos

Novo modelo de concessão prevê independência ao operador ferroviário; Redução de custo e a eliminação dos gargalos são principais desafios.

Recentemente, o governo abriu licitação, já no novo modelo, para a operação do trecho Anápolis-Palmas, da Ferrovia Norte-Sul e apenas uma empresa se candidatou

O ministro dos Transportes se comprometeu em ampliar a malha ferroviária brasileira em 11 mil quilômetros nos próximos anos. Ele participou de um seminário em Brasília, que discutiu os desafios para o desenvolvimento do modal.

Nos próximos seis anos, o governo federal e o setor ferroviário terão muito trabalho para adequar e melhorar o modal. Entre os principais desafios, levantados no encontro em Brasília, estão a redução de custo e a eliminação dos gargalos, como o acesso aos portos do país. O ministro dos Transportes, Paulo Sergio Passos, apresentou a agenda de trabalho e garantiu aumentar os investimentos públicos e incentivar os privados.

– O Brasil tem uma percepção muito clara da importância e da necessidade de estruturar uma logística eficiente e de baixo custo. Essa agenda vai significar, de um lado, a expansão, com a incorporação de novas linhas ferroviárias que liguem os centros de cargas à polos de consumo – afirmou o ministro.

O novo modelo de concessão, que prevê independência ao operador ferroviário, também foi discutido. Para os setores de transportes e agropecuário, ele deve aumentar a competitividade e o volume de investimentos nas ferrovias brasileiras.

No modelo vigente, o operador ferroviário gera a manutenção e garante a viabilidade da malha, isso traz diferença. Essas diferenças vão aparecer quando o operador ferroviário independente se estruturar – disse o presidente da Associação Nacional dos Transporte Ferroviário, Gustavo Bambini.

Luiz Antonio Fayet, consultor técnico em Logística e Infraestrutura, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), explica que o operador ferroviário independente vai ser “mais ou menos como um caminhoneiro, o que provocaria uma competição dentro do trecho concedido, determinando um grande benefício à economia brasileira”.

Conceitualmente, é uma boa ideia. A gente ainda tem algumas análises, que indicam certo risco; primeiro, porque é um modelo novo que vai demandar certo tempo para ser implementado – pondera o diretor executivo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Bruno Batista.

Recentemente, o governo abriu licitação, já no novo modelo, para a operação do trecho Anápolis-Palmas, da Ferrovia Norte-Sul. Apenas uma empresa se candidatou. O ministro dos Transportes falou que o baixo interesse já era esperado.

Esse processo tem essa característica mesmo. Ele é gradual e envolve conversações, entendimentos. Eventualmente, se houver a necessidade de ter algum tipo de ajuste, vamos considerar, para que possamos de fato poder, ao invés de falar de interessados, ter já concessionários operando nesse trecho – garantiu o ministro. (Rural BR 21/08/2014 às 19h: 37m)

 

Williams Brasil: fila de navios para embarque de açúcar diminui

Foi agendado o carregamento de 1,21 milhão de toneladas de açúcar.

O total de navios que aguardam para embarcar açúcar nos portos brasileiros caiu de 39 para 35 na semana encerrada em 20 de agosto, de acordo com levantamento feito pela agência marítima Williams Brasil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 31 de agosto.

Foi agendado o carregamento de 1,21 milhão de toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 949,50 mil toneladas, ou 78% do total. Paranaguá responderá pelos 22% restantes, com 260,80 mil toneladas. Em Santos, o terminal da Copersucar deve embarcar 102,90 mil toneladas. No da Rumo, os embarques devem somar 746,18 mil toneladas, e no da Cargill, 100,42 mil toneladas no período analisado.

A maior quantidade a ser exportada é da variedade VHP, açúcar bruto de alta polarização, com 1,13 milhão de toneladas. Os embarques do cristal B-150 somam 75,25 mil toneladas. Não há agendamento para o açúcar A-45. O A-45 e o B-150 são exportados ensacados. (Reuters 21/08/2014)