Setor sucroenergético

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Dividido, agronegócio busca compromissos de presidenciáveis

Sob os holofotes desde o início da atual campanha presidencial, o agronegócio está conseguindo capitalizar como nenhum outro a disputa por seu apoio criada pelos principais candidatos ao Planalto. E a cada visita de Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) ou Aécio Neves (PSDB) a um dos diversos eventos agropecuários realizados nos polos de produção do país, ou a cada encontro de um dos três com as lideranças rurais do Sul-Sudeste ou do Centro-Norte, o Brasil redescobre um dos setores mais importantes de sua economia e se familiariza com suas demandas.

Engana-se quem pensa, entretanto, que o agronegócio é um só ou que suas necessidades respeitem uma lógica uniforme. Há denominadores comuns, normalmente ligados a questões macroeconômicas que independem dos rumos do campo em si. É o caso do câmbio, que une as cadeias exportadoras - por mais que grande parte de insumos como adubos e defensivos sejam importados - e do crédito a juros subsidiados, abraçado por produtores em geral. Ou do chamado "custo Brasil".

Mas os grandes produtores de grãos de Mato Grosso e as tradings que comercializam suas safras estão muito mais preocupados com áreas de expansão de suas lavouras e com as obras que permitirão o escoamento de suas exportações pelo Norte do que com a política de combustíveis que tira a competitividade do etanol das usinas sucroalcooleiras de São Paulo. Da mesma forma que os pecuaristas do Pará seguem mais atentos a novas regras de sustentabilidade do que à política de preços mínimos que afeta os arrozeiros gaúchos.

Nesse contexto, é impossível afirmar que o "agronegócio" apoia um ou outro candidato, por mais que a maior parte do setor esteja, aparentemente, descontente com o governo Dilma. A presidente conta com o apoio da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), ex-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), com sede em Brasília, e de alguns grandes produtores de grãos do Centro-Oeste como Eraí Maggi, satisfeitos com o desempenho de seus negócios nos últimos anos e com alguns avanços logísticos que beneficiaram a região. Mas a impressão geral de sua gestão talvez nunca tenha sido tão ruim como é hoje.

Pesquisa recente feita pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) e pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) aponta que 74% dos entrevistados (645 produtores rurais e 40 empresas de insumos) não acreditam que o governo valorize o setor agropecuário. Desse universo, 69% não acham que Brasília esteja se esforçando para melhorar os mecanismos de comercialização das safras agrícolas e da produção pecuária e 68% discordam que o Planalto esteja de fato empenhado em investir em infraestrutura logística para o escoamento dessa oferta.

Enquanto aparecia nas pesquisas como o único candidato com chances de frustrar os planos de reeleição de Dilma, Aécio conseguiu surfar nesse descontentamento. Assessorado por lideranças rurais como Roberto Rodrigues, que foi ministro da Agricultura no primeiro mandato de Lula, fortalecido por consultores como o economista José Roberto Mendonça de Barros e inflamado pela crise do etanol, o tucano, mesmo sem empolgar o agronegócio, tornou-se a primeira opção de boa parte dele.

Mas Eduardo Campos morreu e Marina, escolhida a candidata do PSB, mostrou, segundo as pesquisas de intenção de voto, que é ela quem tem mais chances de derrotar Dilma, o que abalou as estruturas do apoio rural que Aécio começava a amalgamar. "Você viu a Marina, que maravilha?", perguntou a um amigo uma liderança do setor em almoço na semana passada na capital paulista. "Pois é, agora a Dilma não resiste", respondeu o amigo. "Mas você vai 'Marinar' já no primeiro turno?", devolveu. "Não, ainda sou Aécio, mas no segundo turno vou 'Marinar' com certeza", afirmou a liderança.

Em encontros da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) ou da Sociedade Rural Brasileira (SRB), ambas com sede em São Paulo, diálogos como esses agora são comuns. E Marina é a escolha da maioria de seus representantes e associados no segundo turno basicamente pela expectativa de que, com ela, o etanol em particular e os biocombustíveis em geral serão mais estimulados do que são hoje.

Questionado sobre que candidato a SRB apóia, o presidente da entidade, Gustavo Junqueira, disse que 'não dá para apoiar um ou outro candidato". "Todos [os candidatos] estão olhando para esse setor com preocupação pois é um dos principais vetores de crescimento no Brasil". Ele considera natural a tentativa de Marina de dialogar com o agronegócio e avalia que a candidata "evoluiu muito desde" quando foi ministra do Meio Ambiente. "Ela é pragmática. Entende que o Brasil precisa crescer”, firmou.

Os esforços de Marina para vencer as resistências que sofre no agronegócio são claros. Na sexta-feira passada, mesmo dia em que lançou seu programa de governo, a candidata reuniu-se com cerca de 60 lideranças do setor em jantar em São Paulo. No encontro, havia representantes do setor de açúcar e álcool, grãos, citricultura, carnes, café e florestas plantadas.

A presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) Elizabeth Farina esteve no jantar e entregou à Marina documento em que reafirma "o compromisso do setor com a preservação e recuperação do meio ambiente" e enumera os benefícios ambientais da produção canavieira. O documento também critica a ausência de políticas públicas para enfrentar a crise que afeta o setor e propõe ações para reverter esse quadro.

Além de Farina, estiveram no jantar o empresário Rubens Ometto, da Cosan, e Rui Chammas, presidente da Biosev, entre outros.

Segundo apurou o Valor, no jantar, as lideranças levantaram duas preocupações: a demarcação de terras indígenas e territórios quilombolas e a revisão dos índices de produtividade, mencionada no capítulo sobre reforma agrária.

Na visão do anfitrião do jantar, o consultor do segmento de açúcar e etanol Plínio Nastari, Marina mostrou "uma enorme capacidade de diálogo". Segundo ele, de uma maneira geral, as lideranças ficaram "esperançosas" pela perspectiva de diálogo.

Ainda que Marina tenha, de uma forma geral, impressionado positivamente os presentes no jantar, há sinais de que terá se esforçar mais para reduzir as resistências. Sua postura histórica em relação aos impactos de obras de infraestrutura e ao licenciamento ambiental preocupa agricultores do Centro-Oeste e do Sul. "Ela é fundamentalista. Se ela vencer, o Brasil vai parar", afirmou um grande pecuarista de Mato Grosso de passagem por São Paulo nos últimos dias. "Deus nos livre de Marina", postou no Twitter um sojicultor.

Independentemente de quem vencerá as eleições, o setor está unido em torno da pressão por mudanças para revigorar a economia brasileira. Seus representantes se orgulham de o agronegócio ser uma espécie de "tábua de salvação" do PIB. Mas sabem que, sem um ambiente mais favorável, perderão eficiência, competitividade e renda. (Valor Econômico 02/09/2014)

 

Cana pode compensar falta de água para geração de energia

A crise de abastecimento de água no país vem se agravando e a demanda de água à população e à produção de energia aumentou muito nos últimos anos. Com isso, o risco iminente de racionamento vem assustando os brasileiros. Levantamento da Agência Nacional de Águas (ANA) revela que seis das principais bacias hidrográficas do país sofrem com escassez de chuva, afetando cerca de 40 milhões de brasileiros – 20% da população do país – de nove estados mais o Distrito Federal

Diante desse cenário e da crise no setor sucroalcooleiro - com a queda no consumo do álcool combustível - surge como oportunidade a produção de energia elétrica oriunda do bagaço da cana-de-açúcar, utilizado como biomassa.

“O Brasil está em um momento de necessidade de diversificar sua matriz energética, hoje concentrada nas hidrelétricas, que respondem por 76% de nossa geração. Dados comparativos mostram que de 2012 para 2013 houve um crescimento de 35% da energia gerada pelas usinas à biomassa, que utilizam bagaço de cana, cavaco de madeira e biogás. As usinas de álcool que estão comercializando energia elétrica estão auferindo uma receita adicional significativa neste momento em que os valores do Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) estão em alta”, destaca Danielle Limiro, sócia da B2L Investimentos S.A, advogada especialista em bioenergias.

A cana-de-açúcar é uma biomassa que pode ser transformada quase que totalmente em energia elétrica aproveitável através de processos industriais. Entre abril e novembro – exatamente o período sem chuvas – é quando geralmente as usinas estão moendo a cana para produzir açúcar e etanol e, consequentemente, podendo gerar energia elétrica através da queima do bagaço. Este recurso poderia ser melhor aproveitado, poupando água das represas, no período crítico de estiagem, evitando o risco de racionamento de energia.

O Brasil tem condições de produzir um volume considerável de eletricidade por meio da biomassa. Se hoje todas as quase 350 usinas utilizassem o bagaço da cana para gerar energia, juntas poderiam gerar 15.300 megawatts (MW), o equivalente a mais do que gera a Usina de Itaipu. Porém, a realidade, é que hoje, esse tipo de energia equivale a apenas 5% do total que é consumido no país.

O gerente em bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Zilmar de Souza, revela que só em São Paulo a representatividade da bioeletricidade ofertada à rede elétrica pelas usinas paulistas poderia chegar a quase 50%, se houvesse uma política de incentivo para investimentos nessa fonte. “Se isto ocorresse, nossa oferta para a rede seria quatro vezes superior à realizada na safra passada e tudo isto com uma biomassa já existente nos canaviais, apenas promovendo o retrofit (reforma) das usinas e o aproveitamento parcial da palha na geração”, explica.

Um ponto importante também a ser considerado é o papel da bioeletricidade na produção de etanol, como lembra a especialista da B2L Investimentos S.A.

"A produção do álcool combustível está em situação temerária. A dívida do setor já ultrapassou R$ 60 bilhões e houve demissão em massa de 60 mil empregados devido ao fechamento de pelo menos 60 usinas. O congelamento do preço da gasolina não torna atraente para o consumidor a compra do álcool combustível", comenta.

Nesta linha, energia elétrica e etanol são produtos sinérgicos no setor sucroenergético e uma política para estimular a produção de energia elétrica através da cana-de-açúcar pode alavancar a expansão do etanol no país.

Entretanto, segundo Limiro, ainda falta a união do setor no sentido de se ganhar maior competitividade e buscar novas soluções para um futuro a curto-médio prazo. Há necessidade urgente de uma política setorial bem estruturada para que o Brasil atinja o pleno potencial dessa fonte renovável e sustentável.

"O governo federal deve voltar sua atenção para o setor, como acontecia há oito, dez anos atrás. É necessária a criação de um Programa contendo uma diretriz de longo prazo para a matriz de combustíveis, com metas em relação à demanda e oferta das diversas fontes de energia", explica a consultora da B2L.

Danielle Limiro sugere ainda, como soluções viáveis, a criação de uma diferenciação tributária entre os combustíveis renovável e fóssil, seja através do restabelecimento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) ou por meio da instituição de outro tributo federal de natureza ambiental para a gasolina; o estímulo à busca de maior eficiência dos motores de veículos flex no uso do etanol hidratado como combustível - aumentando assim a competitividade do biocombustível em relação à gasolina; a adequação dos leilões de energia elétrica, viabilizando a bioeletricidade oriunda da biomassa da cana-de-açúcar através da valorização dos atributos ambientais, elétricos e econômicos.

“Desde a descoberta do pré-sal tem prevalecido um desprezo institucional contra o setor sucroalcooleiro, uma incoerência populista, enquanto os biocombustíveis são cada vez mais levados a sério em mercados mais livres e desenvolvidos. O setor é muito promissor e eu acredito que a união dos produtores é o melhor caminho, seja para cobrar do poder público maior incentivo, seja para fazer uma revolução na gestão agroindustrial", conclui Danielle Limiro, da B2L. (Brasil Agro 01/09/20)14

 

Cotação do etanol aumenta na usina e sinaliza oferta apertada

A percepção de uma produção apertada de etanol e de uma entressafra longa neste ciclo 2014/15 começa a se instalar no mercado. Ao consumidor final, os preços do hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, ainda mantêm certa estabilidade e até recuos. Mas na usina em São Paulo, o viés começou a indicar uma alta mais persistente.

Revisão feita na última semana pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) para incorporar os efeitos da seca no Centro-Sul indicou que a produção de etanol hidratado na região nesta safra 2014/15 não será mais de 14,6 bilhões de litros, como se previa no início da temporada, em abril, mas 13,7% menor, na casa de 12,6 bilhões de litros.

"O mercado sabe que a produção será menor e que a entressafra, mais longa. Por isso, é preciso dosar os estoques, o que é feito com ajuste de preços", explica o diretor da trading de etanol Bioagência, Tarcilo Rodrigues.

Na semana entre 25 e 29 de agosto, o indicador Cepea/Esalq para o hidratado na usina em São Paulo subiu expressivos 1,42%, a R$ 1,2326 por litro. "O viés é de alta na usina, mas ao consumidor final, nos postos de combustíveis, a valorização só deve chegar daqui cerca de três semanas", avalia Rodrigues.

Na última semana, entre 24 e 30 de agosto, a pesquisa da Agência Nacional de Petróleo (ANP) identificou preços médios mais baixos de etanol em 12 Estados, entre eles, São Paulo, o maior consumidor de combustíveis do país. O preço médio do hidratado nos postos paulistas caiu 0,10%, a R$ 1,873 o litro no intervalo. Em outros 12 Estados, o preço médio do etanol subiu e em dois Estados e no Distrito Federal ficaram estáveis.

A paridade do etanol com a gasolina no Estado de São Paulo está vantajosa para o etanol há pelo menos dois meses na casa dos 65%, lembra Rodrigues. Essa viabilidade existe quando esse percentual é inferior a 70%, segundo parâmetro mais conhecido no mercado. Há cerca de um mês está também vantajoso abastecer com etanol, segundo o mesmo parâmetro, nos Estados do Paraná, Mato Grosso e Goiás.

Essa condição vem sustentando o consumo de etanol no país. Segundo dados da Unica, as vendas de etanol hidratado feitas pelas usinas vêm se mantendo estáveis. Na primeira quinzena de agosto, último dado disponível, as unidades industriais comercializaram 585,472 milhões de litros de etanol hidratado, ante 586,190 milhões de litros vendidos em igual quinzena de 2013. No mês de julho, no entanto, as vendas feitas pelas usinas do Centro-Sul recuaram 10%, puxadas pelo menos consumo no período da Copa do Mundo, mas ainda estão acima de 1 bilhão de litros mensais (1,085 bilhão).

A convicção de que o viés de alta no mercado de hidratado está se instalando se deve também à percepção de que a entressafra da cana-de-açúcar no Centro-Sul será mais longa do que o normal. Com a quebra de produtividade agrícola causada pela estiagem, sobretudo em São Paulo e em Minas Gerais, a disponibilidade de cana-de-açúcar para moagem será menor, o que tende a fazer com que as usinas antecipem o fim das operações, de dezembro, para novembro - com algumas unidades parando de processar em outubro.

A Unica reduziu em 6%, a 545,893 milhões de toneladas sua estimativa para a moagem em 2014/15 na comparação com a primeira projeção, feita em abril. O volume, se confirmado, será 8,57% menor que o processado em 2013/14. (Valor Econômico 02/09/2014)

 

Depois da cana, Odebrecht terá frango em Angola

Com 30 anos de Angola, a Odebrecht inicia uma nova fase no país africano. Após décadas dedicadas a obras de infraestrutura, o grupo agora foca também no agronegócio.

Na semana passada, a Odebrecht Angola começou a operar, junto com dois parceiros locais, a primeira usina de cana do país, dedicada à produção de açúcar para o mercado angolano.

Com capacidade de processamento de 2,2 milhões de toneladas de cana, a usina é apenas o primeiro projeto agroindustrial da empresa em Angola. Até o final deste ano, ela começa a erguer um complexo para a produção de carne de frango -um projeto inédito para o grupo, que no Brasil já atua em cana

O plantio de grãos e feijão também é avaliado pela Biocom, empresa que construiu e opera a usina, com 40% de participação da Odebrecht.

"A África tem uma dependência alimentar muito grande e um potencial fantástico, mas a produção é muito baixa", diz Carlos Mathias, diretor-geral da Biocom. "Dificilmente vamos entrar em Angola como plataforma exportadora. Não tenho como competir em preço com o Brasil."

A concorrência brasileira preocupa a Biocom até em Angola. "Estamos negociando com o governo a colocação de uma sobretaxa para o açúcar brasileiro. Essa proteção é importante para nos dar competitividade", afirma.

Sem produção local, hoje Angola importa 100% do açúcar que consome. Cerca de 80% é fornecido pelo Brasil, que no ano passado enviou 355 mil toneladas ao país, ou 1,3% do total exportado.

Apesar de possuir nove usinas no Brasil, a Odebrecht não é uma grande exportadora de açúcar. A maioria de seus projetos no país é dedicada à produção de etanol.

DESAFIOS

Em Angola, que saiu há 12 anos de uma guerra civil, a Odebrecht tem desafios logísticos, de produtividade e de custo. O país é considerado um dos mais caros do globo.

"Se no Brasil qualquer coisa custa R$ 1, aqui custa US$ 1", disse Mathias, que evitou revelar o custo de produção.

A vantagem da usina é a área onde está localizada, concedida pelo governo angolano. A cana está sendo cultivada em 37 mil hectares ao lado da indústria, o que reduz custos com transporte.

O projeto faz parte do polo agroindustrial de Capanda, na província de Malanje, no norte do país. É lá onde também será instalado o projeto integrado de frango (produção de grãos, ração, engorda e abate das aves) e onde já produzem grãos um grupo chinês e outro espanhol.

A área é administrada pela Sodepac, órgão ligado ao governo que define quem poderá se instalar no polo. Em Angola, toda a terra é propriedade do governo, que cede o uso durante o prazo de até 65 anos, renováveis.

A terra e o clima são semelhantes aos do Cerrado brasileiro, mas o rendimento é baixo: 61 toneladas por hectare. Em 13/14, o rendimento em São Paulo foi de 83 toneladas. A empresa espera chegar a 70 toneladas em dez anos.

Nesta safra, a Biocom processará 160 mil toneladas de cana, esperando chegar a 2,2 milhões na safra 19/20, quando atingirá a maturidade. Nessa mesma temporada, serão produzidas 256 mil toneladas de açúcar, equivalente a 70% do consumo local.

No mesmo ano, a produção de etanol atingirá 28 milhões de litros. "Estamos avaliando a produção de álcool para uso da indústria local. Mas, neste primeiro momento, o etanol será vendido para mistura à gasolina", diz Mathias.

Em 2015, o governo angolano deve definir um percentual de mistura do etanol à gasolina. Apesar de ser exportador de petróleo bruto, Angola precisa importar combustíveis, devido à sua limitada capacidade de refino.

A geração de energia elétrica na usina, a partir da queima do bagaço da cana, será de 50 MW, dos quais 30 MW serão exportados para abastecer cidades vizinhas. (Folha de São Paulo 02/09/2014)

 

Chegou a hora de comprar açúcar em NY?

A pergunta que todos fazem é se os preços chegaram ao fundo do poço?

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana com ligeira baixa no vencimento outubro/2014, que encerrou a sexta-feira com queda de 15 pontos em relação à semana anterior. Março/2015 teve variação negativa pequena, de apenas 7 pontos (1,50 dólar por tonelada) e os demais meses todos encerraram com alta tímida.

A pergunta que todos fazem é se chegou a hora de comprar açúcar em NY. Ou seja, terão os preços chegados ao fundo do poço? Bem, em reais por tonelada vimos no dia 19 de agosto o preço mais baixo desde 13 de junho de 2013: 798.98 reais por tonelada. O mais baixo preço dos últimos 3 anos ocorreu em 11 de maio de 2011 quando NY negociou a 20,94 centavos de dólar por libra-peso e o dólar a 1,6203. Por isso é importante analisar a trajetória de preços em reais para ter uma ideia de quão pressionado está o mercado. O fato é que estamos num nível extremamente baixo mesmo se considerarmos que algumas coisas podem fazer mudar significativamente a direção que o mercado de açúcar vai tomar.

O PT nunca esteve tão perto de perder a eleição. As ações da Petrobras estão em alta assumindo essa possibilidade. Com mudança de governo é natural que o sangramento no caixa da estatal do petróleo seja estancado. Para isso, o nivelamento de preços dos combustíveis com o mercado internacional deve ocorrer. Preços ajustados trazem competitividade para o etanol. Mais cana deverá ser desviada para a produção de etanol no início da próxima safra. E para reforçar mais esse argumento de melhores preços, é bem provável que o crescimento na produção de cana para 2015/2016 não seja suficiente para as demandas de açúcar no mercado internacional e de etanol no mercado interno, considerando aqui também o acréscimo de mais ou menos 1.1 bilhão de litros de consumo com a mudança na mistura de 25% para 27.5%

Se for para desenhar uma estratégia aproveitando uma alta exponencial que o mercado de açúcar possa vir a sofrer em função do exposto no paragrafo anterior, é aconselhável que se faça isso usando opções e alguns níveis de stop para evitar surpresas desagradáveis. Lembre-se que o fator dólar pode ainda ser determinante no caso de piora do quadro politico e econômico.

No açúcar, a expectativa do mercado é que a Tailândia entregue pelo menos 650.000 toneladas de açúcar contra o contrato de NY para o vencimento de outubro, cuja expiração ocorre no dia 30 de setembro. Já se ouviram números bem maiores do que esse, beirando a casa dos dois milhões de toneladas. Foi essa perspectiva que fez com que o spread outubro/março negociasse a 200 pontos. Isto quer dizer o seguinte, quem estava posicionado na compra do contrato outubro/2014 na bolsa preferiu rolar a posição (vendendo o outubro e comprando o março) por não acreditar na melhora do mercado físico e, portanto, é melhor livrar-se do mico o quanto antes. Demonstra também a demanda fraca e a preferência por postergar uma compra agora esperando que as condições de mercado melhorem. Como a Tailândia, além de tudo, passa por uma recessão com o PIB encolhendo mais de 8%, é natural que haja pressão de venda de commodities.

Por aqui, tecnicamente, já estamos em recessão. O PIB brasileiro encolheu 0,6% no segundo trimestre do ano em relação ao trimestre anterior. Como bem observado pela MB Associados, “O governo Dilma segue entregando resultados mais pessimistas do que o mais pessimista dos analistas”. Segue a nota, “Com tantos trimestres em queda, fica difícil dizer que a recessão está localizada apenas no último semestre. De certa forma, ele se estende para trás e seria possível afirmar que o país segue em caráter recessivo”.

No acumulado do ano, as commodities tem um desempenho fraco. O complexo soja, o algodão e o milho acumulam quedas de 14% a 22%. Açúcar ainda acumula queda de 6%. O café é o dono do jogo com ganhos acima de 80% no acumulado do ano.

Pairam dúvidas ainda nas melhores cabeças do setor sobre qual será a relação de Marina Silva no âmbito sucroalcooleiro. Nota-se uma resistência menor sobre um eventual governo do PSB. Um renomado usineiro de São Paulo achou “positivas as opiniões externadas por ela a respeito do setor. Mostrou conhecimento, realismo e [reconhece] o alto valor do etanol e da bioeletricidade”. Outro usineiro comenta que “essa não vai ser uma eleição para eleger alguém, mas para tirar quem está aí atrapalhando o país”. Já um experiente trader de etanol comenta que Eduardo Gianetti da Fonseca teria em mãos um programa de incentivos fiscais para o hidratado e para a liberação dos preços da gasolina. Não pensei que fosse estar vivo para ver esse momento. Será possível? (Acher Consulting 01/09/2014)

 

Exportações de açúcar e etanol caem em agosto

O Brasil exportou em julho 78,4 milhões de litros de etanol, o que corresponde a uma queda de 83,9% na comparação com os 485,7 milhões de litros embarcados em agosto de 2013. Em relação a julho deste ano, quando foram embarcados 90,7 milhões de litros, o volume é 13,6% menor. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

A receita cambial com a venda do biocombustível alcançou US$ 49,5 milhões em agosto, recuo de 84,3% ante os US$ 314,3 milhões registrados em agosto de 2013. Em relação aos US$ 57,3 milhões de julho deste ano, houve queda de 13,6%.

No acumulado do ano, foram exportados 948,9 milhões de litros de etanol (-52,3%), com receita de US$ 628,4 milhões (-52%).

Açúcar

O Brasil exportou em agosto 2,306 milhões de toneladas de açúcar bruto e refinado, volume 7,3% menor que as 2,488 milhões de toneladas embarcadas em julho e 30,1% inferior ante as 3,297 milhões de toneladas registradas em igual mês do ano passado. Dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) divulgados nesta segunda-feira mostram que do total embarcado no mês passado, 1,864 milhão de toneladas foram de açúcar demerara e 442 mil toneladas, de refinado.

A receita obtida com a exportação total de açúcar em agosto último foi de US$ 944,5 milhões, 5,2% menor que a registrada em julho (US$ 995,8 milhões) e 31% abaixo dos US$ 1,369 bilhão computados em agosto do ano passado.

No acumulado do ano, o Brasil exportou 14,899 milhões de toneladas de açúcar bruto e refinado (-14,4%). A receita acumulada com os embarques até agora atinge US$ 5,907 bilhões (-24,2%). (Agência Estado 01/09/2014 às 18h: 09m)

 

Em uma semana, usina perde 40 mil toneladas de cana em incêndios

Dois incêndios que atingiram a área de plantio da Usina Santo Antônio, em Sertãozinho (a 333 km de São Paulo) queimaram 40 mil toneladas de cana-de-açúcar em uma semana.

A primeira queimada foi registrada no dia 24 de agosto e atingiu uma área de 245 hectares, com 22 mil toneladas de cana-de-açúcar. O outro incêndio foi registrado neste domingo (31) e queimou 18 mil toneladas em 200 hectares.

De acordo com a usina, os incêndios foram acidentais, agravados pelo tempo seco que atinge toda a região de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo).

A usina faz parte do grupo Balbo, que produz açúcar orgânico e não utiliza cana queimada em seu processo. Segundo a empresa, a sua área total de plantio corresponde a 15 mil hectares de canavial orgânico, espalhados em 11 fazendas.

Além da Santo Antônio, o grupo tem as usinas São Francisco e Uberaba, esta última em parceria com outros grupos do setor.

O número de queimadas registradas apenas no mês de agosto superou o total dos sete primeiros meses do ano na região de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo).

De janeiro até o final de julho, as 93 cidades da região registraram 372 focos. Em agosto, o número subiu para 774 –402 a mais, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

Apenas em Sertãozinho foram 56 focos de incêndio no mês de agosto. (A cidade 01/09/2014)

 

Produção de laranja avança no sul gaúcho

Uma atividade que começou há dez anos com o objetivo principal de ocupar a mão de obra que ficava ociosa depois da colheita das lavouras de verão transformou a Gorange em referência do emergente polo de produção de cítricos de mesa na metade sul do Rio Grande do Sul.

Atualmente, a empresa produz principalmente laranjas de umbigo sem sementes. Conta com cerca de 200 hectares de pomares implantados em diferentes estágios de desenvolvimento, e a atividade já responde por um terço do faturamento da Fazenda Santa Eulália, em Santa Margarida do Sul - que tem, no total, 6 mil hectares e também cultiva soja, arroz e milho, além de criar gado bovino.

Proprietário da fazenda, o empresário paulista do segmento da construção civil Sylvio Estrázulas, que é descendente de fazendeiros gaúchos, calcula que a colheita de 2014 poderá chegar a 2 mil toneladas de cítricos, o dobro do volume do ano passado.

Como 90% da produção corresponde a variedades nobres de laranjas como navelina e lane late, vendidas em média por R$ 2,50 o quilo para a rede de supermercados Zaffari e para lojas especializadas em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais, o volume é suficiente para gerar uma receita entre R$ 4,5 milhões R$ 5 milhões.

"Uma caixa de laranja de mesa com 15 quilos é vendida [ao varejo] por R$ 38, enquanto uma caixa de 40,8 quilos de laranja destinada à produção de suco produzida em São Paulo, sai por R$ 12 [para a indústria]", compara Rogério Estrázulas, filho de Sylvio, que administra a propriedade.

De acordo com ele, as árvores começam a produzir três anos depois de plantadas e, aos oito ou nove anos, atingem o pico de produtividade, com 40 toneladas de fruta por hectare. Já o custo de produção fica em torno de R$ 10 mil por hectare, em média.

Conforme Rogério, com o desenvolvimento e a expansão dos pomares, a safra da Gorange deverá alcançar entre 3,5 mil e 4 mil toneladas em 2015 e até 6 mil toneladas em 2016. Em seguida, quando os 200 hectares já implantados atingirem o auge, os cítricos serão o principal negócio da Santa Eulália e o potencial da cultura na propriedade chega a 1 mil hectares em áreas de coxilhas (elevadas).

O único problema, conforme Sylvio, é a disponibilidade de mão de obra, já que a colheita é feita manualmente e cada 100 hectares requer cerca de 50 trabalhadores.

Agora, com o programa de aumento da produção encaminhado, o próximo passo, conforme adiantou Rogério, será a entrada da empresa no segmento de sucos especiais para aproveitar as laranjas e tangerinas miúdas, que crescem menos do que o esperado.

Os equipamentos custaram R$ 1,5 milhão e estão em fase de testes para iniciar a operação no próximo período de colheita, que acontece entre os meses de abril e setembro. O produto levará a marca "Pure Juice" e custará entre R$ 8 e R$ 10 por litro no ponto de venda.

A capacidade de produção será de 180 mil litros por mês, mas no primeiro ano a previsão é de um total de 250 mil litros extraídos de 500 toneladas de frutas próprias e de terceiros. Sem adição de açúcar, o produto será pasteurizado, envasado em garrafas de vidro descartáveis de 300 mililitros e de um litro e terá prazo de validade de até seis meses antes de aberto.

Hoje, as laranjas e tangerinas não aproveitadas para consumo de mesa são vendidas pela Gorange para outros produtores de suco por R$ 0,20 por unidade; mas, com o início do processamento próprio, elas vão render seis vezes mais, calcula Rogério.

Os planos da Gorange também envolvem o ingresso no mercado externo nos próximos anos. Segundo o administrador, a empresa está em negociações com um parceiro americano, ao qual cederia uma área na fazenda e, em contrapartida, ambos venderiam a produção nos Estados Unidos, em sociedade.

A operação, entretanto, depende de mudanças nas regras de emissão do certificado fitossanitário brasileiro para que os produtos nacionais sejam aceitos naquele país e na Europa, diz o presidente da Associação dos Citricultores da Fronteira Oeste e da Associação dos Produtores de Mudas de Citros em Ambiente Protegido do Rio Grande do Sul, Naldo Epifânio. (Valor Econômico 02/09/2014)

 

A retomada do etanol

O período pré-eleitoral é um bom momento para um exame de eventuais correções de rumo na política energética. O país precisa aproveitar o seu potencial e suas vantagens dada a diversidade de fontes disponíveis. O setor sucroalcooleiro é candidato natural porque representa uma enorme oportunidade para nossa economia. Não por outro motivo, o Brasil chegou a ser reconhecido como Arábia Saudita verde.

Após um período de crescimento contínuo até o final da década passada, motivado pela elevação do preço do petróleo no mercado internacional e pela expansão da frota "flex fuel", o setor hoje enfrenta uma crise sem precedentes.

Em 2011 e 2012 a produção total de etanol ficou estagnada devido à perda de sua competitividade frente à gasolina, que foi beneficiada pela política de preços administrados. O setor também foi prejudicado pelo processo de desoneração da gasolina nos últimos anos, resultado da redução gradual da Cide, iniciado em maio de 2008, até ser zerada em junho de 2012.

Assim, o etanol permanece competitivo só nos Estados onde é produzido, em especial São Paulo, onde a alíquota de ICMS é mais baixa.

Além da competição desleal com a gasolina, o setor enfrenta adversidades em outras áreas. Desde a crise de 2008, o setor tem tido dificuldade em levantar recursos para investimento e, para piorar, as últimas safras foram afetadas por problemas climáticos. Para compensar a dificuldade de captação de recursos, o BNDES passou a investir no setor a partir de 2008, mas reduziu o volume de recursos disponíveis de 2011 em diante.

O resultado dessa sequência de erros é que desde 2008 não há instalação de novas usinas no país. Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, das 330 usinas de açúcar e etanol do Centro-Sul do Brasil, responsáveis por 90% de toda a cana-de-açúcar processada no país, 60 deverão fechar as portas ou mudar de dono nos próximos dois a três anos. Nos últimos cinco anos, 43 usinas foram desativadas e outras 36 entraram em recuperação judicial. Somente quatro unidades estão previstas para entrar em operação até o fim de 2014, mas são projetos definidos antes da crise.

O setor sucroalcooleiro poderia contribuir também com seu grande potencial de geração térmica a bagaço, que vem sendo deixado de lado apesar da sua complementaridade com a geração hídrica no período seco, em especial quando o país vive na iminência de uma crise de abastecimento de energia elétrica.

A crise mostra que o setor sucroalcooleiro vem sendo mais uma vez penalizado por uma política de "stop and go". Uma hora é tudo etanol e outra é tudo gasolina. Com a miragem do pré-sal, o governo abandonou uma fonte verde disponível. Para que o etanol volte a experimentar um ciclo virtuoso, é necessária uma política de longo prazo para reposicioná-lo como combustível estratégico.

Para que isso ocorra precisamos que o próximo governo estabeleça uma politica baseada em quatro pontos. Primeiro, dar previsibilidade e transparência para a política de preços de combustíveis. Segundo, reintroduzir a Cide para recuperar a competitividade do etanol. Terceiro, fortalecer o Inova Auto para que a política de incentivos à indústria automobilística tenha como contrapartida o aumento de eficiência dos motores a etanol. Quarto, a realização de leilões de energia nova por região e por fonte fixando uma meta de crescimento para as fontes renováveis, como no caso do bagaço de cana.

A adoção de extremos não é a solução para nossa matriz de energia. Uma das mais limpas do mundo. O Brasil tem a vantagem de possuir grande diversidade de fontes. O pré-sal e etanol não são excludentes. Ao contrário, ambos são uma dádiva da natureza para fomentar o desenvolvimento do país. (Folha de São Paulo 01/09/2014)

 

Marina: reforma política é de arrepiar e no etanol só bobagens

Por que a ex-senadora Marina Silva, agora candidata pelo PSB ao Planalto, esconde que ganhou dinheiro com palestras nos últimos 4 anos, na esteira do sucesso que obteve como candidata a presidente da República a 1ª vez, em 2010? Foi publicado na Folha no fim de semana. Ela ganhou com essa atividade R$ 1,6 mil.

Para receber pelas palestras, Marina criou uma empresa de fachada, que mantém em sigilo. Ao contrário dos ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso que sempre o fizeram com transparência e publicidade – anunciam, confirmam e até divulgam valores do que cobram pelas palestras que fazem.

Já Marina durante esses quatro anos escondeu da sociedade como vivia, quais eram seus rendimentos e atividade profissional. Só agora sabemos que para pagar menos impostos criou, inclusive, uma empresa beneficiada pelo Supersimples. Por que isso? Para manter uma auréola de pobre, de vítima, de pureza quando não há nada errado nas palestras?

Na questão do etanol, só bobagens

As bobagens de Marina Silva sobre o etanol e seu desdém pelo pré-sal e pela energia nuclear – nesta aqui, na verdade o que ela propõe é que seja vetada – revelam uma ignorância que não pode passar batido. A crise do setor sucroalcoleiro  não tem como única causa o preço da gasolina, alias  tabelado durante o primeiro mandato de FHC quando o câmbio era mantido artificialmente fixo, 1 real igual a 1 dólar.

Há de tudo na crise desse setor: investimentos super dimensionados, sem base financeira; erros de projetos; incapacidade administrativa no setor do plantio e produção de cana de açúcar; preço elevado do açúcar no mercado internacional. Como dissemos e insistimos: há de tudo aí e não apenas o preço da gasolina menor que o do etanol.

Mas nada disso justifica abandonar o pré-sal e a energia nuclear, sem evidentemente deixar de construir grandes hidrelétricas e priorizar a energia solar e eólica, como vem fazendo o atual governo. Ao negar prioridade ao setor de petróleo e gás Marina abre espaço para o desmantelamento da política de autossuficiência e reindustrialização do país via setor de petróleo e gás, construção naval e insumos. (BLOG Zé Dirceu 01/09/2014)

 

Em entrevista, Marina evita responder se vai aumentar preço da gasolina

Em entrevista ao "Jornal da Globo" na madrugada desta terça-feira (2), a candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, evitou responder se vai aumentar o preço da gasolina caso venha a ser eleita presidente, mas sugeriu que esperava que o atual governo adotasse tal medida.

"Essa política desastrosa do governo, que está subsidiando gasolina, inclusive fazendo a importação desse combustível com um preço elevado, acabou destruindo a indústria do etanol. O que eu espero é que os preços administrados pelo governo possam ser corrigidos pelo próprio governo", disse Marina.

Questionada se ela queria que o governo desarmasse essa bomba para ela, respondeu: "Não, eu quero é que se tenha uma visão de país e não uma visão apenas das eleições. Essa visão tacanha de se pensar apenas em como vai ganhar o voto do cidadão e deixando a conta para depois, a conta da energia, a conta de todos os preços administrados, que senão a inflação estaria pior, isso não é a melhor governança". Ela evitou dizer se elevaria os preços caso isso não acontecesse.

Questionada se tomava decisões pelo processo denominado "roleta bíblica", Marina afirmou que "a Bíblia é sem sombra de dúvida uma fonte de inspiração" para qualquer cristão, mas que suas "decisões são tomadas com base racional". Mas, segundo ela, "uma pessoa que crê, obviamente, tem na Bíblia uma referência".

"Mas a senhora toma decisões lendo a Bíblia aleatoriamente?", perguntou a jornalista Christiane Pelajo. "Isso é uma forma que as pessoas foram construindo ou estão construindo para tentar passar uma imagem de que eu sou uma pessoa que é fundamentalista, essas coisas que muita gente de má-fé acaba fazendo", disse Marina, que observou, contudo, que "a Bíblia é sem sombra de dúvida uma fonte de inspiração para qualquer pessoa que é cristã".

No que diz respeito ao casamento gay, Marina declarou que ocorreu um erro na divulgação de seu programa de governo: "O que aconteceu foi que houve um erro de processo. A equipe do programa de governo foi quem fez a correção. Eu nem interferi nesse processo".

Segundo ela, "o documento que foi encaminhado como contribuição pelo movimento LGBT não foi considerado documento da mediação do debate, foi um documento tal qual eles enviaram. Vários setores mandaram contribuições e obviamente que nenhum setor colocou 100% das propostas que colocou. Eu mesma que sou ambientalista não iria ter a pretensão de que todas as propostas que eu apresentei iriam ficar ipsis litteris. Então o que aconteceu foi uma correção, porque houve uma mediação no debate. Mas os direitos civis da comunidade LGBT, o respeito à sua liberdade individual, o combate ao preconceito, isso está muito bem escrito no nosso programa".

Perguntada se ela era "contra ou a favor do casamento gay", respondeu: "A Constituição brasileira, ela tem uma diferenciação em relação ao casamento. O casamento é utilizado para pessoas de sexo diferente. Para pessoas do mesmo sexo, o que a lei assegura, o que o Supremo já deu ganho de causa com os mesmos direitos, equivalentes ao do casamento, é a união civil".

O jornalista William Waack perguntou então: "Se eu fizer uma manchete dizendo: a candidata Marina Silva é a favor do casamento gay, eu estou errado?" Ela respondeu: "Em termos da palavra casamento você está errado, porque o que nós defendemos é a união civil entre pessoas do mesmo sexo". Ele retrucou: "A manchete correta então seria: Marina Silva é contra o casamento gay?" Marina afirmou então: "A manchete seria: Marina Silva é a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo".

Sobre a questão da homofobia, Marina disse que a lei em tramitação "ainda não faz a diferenciação adequada em vários aspectos. Por exemplo, ninguém pode defender homofobia, qualquer forma de preconceito, discriminação. Por outro lado, você tem os aspectos ligados à convicção ou à manifestação de uma opinião. Você tem que separar isso. E na lei isso não está adequadamente claro".

Em relação ao que denomina crise da democracia brasileira, Marina declarou que é preciso "aprofundar sim a nossa democracia". Questionada se ela defendia a democracia direta por meio de conselhos populares, afirmou: "Não, é uma combinação das duas coisas. Ampliar a participação das pessoas, ao mesmo tempo melhorar a qualidade da representação e das nossas instituições... O que eu busco é aperfeiçoar a nossa democracia, democratizar a nossa democracia, combinando a participação correta e legítima, pelo o que é assegurado na Constituição, dos cidadãos. Nós somos eleitos para representar, não é para substituir o representado". Segundo ela, "isso não tem nada a ver com bolivarianismo".

Sobre a política econômica, Marina declarou que vai recuperar o tripé macroeconômico: "Nós estamos vivendo diante de uma situação em que essa conquista da sociedade brasileira está sendo completamente desconstituída. A presidente Dilma ganhou o governo dizendo que ia fazer a baixa dos juros, que iria reduzir a inflação e que iria fazer o nosso país crescer. O nosso país não está crescendo, a inflação está aumentando e os juros estão subindo. É fundamental que o país tenha estabilidade econômica para que a gente não perca as conquistas que já alcançamos, inclusive as conquistas sociais, e que a gente possa aumentar o investimento".

Ele negou que pretenda aumentar impostos –"o nosso compromisso é de não aumentar impostos"– e disse que vai "dar eficiência ao gasto público. Tem muitos desperdícios, inclusive o desperdício da corrupção, e quando o país volta a crescer, a gente vai conseguindo o espaço fiscal para poder fazer os investimentos sociais". (Folha de São Paulo 02/09/2014)

 

Clima afeta canaviais e Biosul revê para baixo estimativa de safra no MS

Efeitos climáticos voltaram a afetar o desempenho dos canaviais de Mato Grosso do Sul, assim como vem ocorrendo a quatro safras consecutivas, fazendo com que a Associação dos Produtores de Bioenergia do estado (Biosul) fizesse uma revisão para baixo da estimativa de produção para a safra 2014/2015. A nova projeção foi apresentada pelo presidente da entidade, Roberto Hollanda, nesta segunda-feira (1º), na sede da associação, em Campo Grande.

Na primeira estimativa apresentada pela associação em abril, na abertura da safra, a projeção inicial era que as 22 usinas em operação em Mato Grosso do Sul processassem nesta temporada 44,3 milhões de toneladas de cana, o que representariam um incremento de 6,76% em relação as 41,4 milhões de toneladas moídas na anterior (2013/2014).

Neste novo levantamento, o presidente da Biosul aponta que em razão das geadas que atingiram os canaviais na região da grande Dourados em julho e agosto de 2013, e que afetaram não somente a cana pronta para ser colhida, mas também a rebrota, e ainda da distribuição irregular de chuvas neste ano, em alguns momentos excessiva e em outros escassa, que a projeção de moagem para a safra foi reduzida em 1 milhão de toneladas, ou seja, 43,3 milhões de toneladas. O volume é 4,3% maior do que o do ciclo passado.

Hollanda explica que como a cana que está sendo colhida tem baixo teor de sacarose, em decorrência dos efeitos das geadas, já que a planta utiliza o açúcar armazenado como fonte de energia para voltar a crescer, a produção de açúcar neste ciclo deve cair 11,60% em relação a safra anterior, passando de 1,369 milhão de toneladas para 1,210 milhão de toneladas.

Em contrapartida, ele diz que com matéria-prima de menor qualidade disponível, as usinas estão utilizando mais cana para produzir etanol em detrimento do açúcar. O mix de produção, ou seja, a quantidade de cana destinada ao processamento de cada produto, que em Mato Grosso do Sul era de 72% para o biocombustível no ciclo 2013/2014, subiu para 77% no atual.

Com isso, a produção de etanol que na temporada anterior foi de 2,231 bilhões de litros deve subir para 2,500 bilhões de litros, o que representa um incremento de 12,08%.

Entretanto, Hollanda diz que é um outro produto que deve registrar o grande salto de produção do setor nesta temporada, a bioeletricidade. Se no ciclo anterior, as usinas do estado exportaram 1.517 GWh para Sistema Interligado Nacional (SIN), neste a quantidade de energia disponibilizada deve subir para 2.180 GWh. Isso seria suficiente, conforme ele, para atender todo o consumo residencial do estado.

Além de aumentar a cogeração, o presidente da Biosul destaca que exportação de bioeletricidade deve ser alavancada também pela concretização de um antigo pedido do setor sucroenergético, a realização de um leilão pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a contratação de energia para o sistema nacional voltado exclusivamente para geradores que utilizam a biomassa como matéria-prima, sem a concorrência de outros geradores de fontes alternativas, como as usinas eólicas, por exemplo.

Por fim, Hollanda projeta que se mantidas as condições climáticas previstas para os próximos meses que as usinas do estado devem estender a moagem que terminaria normalmente em dezembro até o mês de janeiro. (A cidade de Mato Grosso 01/09/2014)

 

Carteira eleição

A pouco mais de um mês para as eleições, as indicações para a bolsa em setembro estão concentradas nos papéis que mais têm oscilado ao sabor das pesquisas de intenções de votos. Petrobras lidera, apontada por 5 das 12 instituições que compõem a Carteira Valor. A estatal ganhou um voto adicional em relação aos quatro de agosto, mesmo depois da forte alta no mês. O papel preferencial (PN, sem voto), eleito por três instituições, subiu 22% em agosto, enquanto o ordinário (ON, com direito a voto), com duas indicações, andou 23%.

"O cenário para a bolsa hoje é igual a cenário eleitoral", destaca Roberto Indech, responsável pela área de estratégia da Octo Investimentos, apesar de ponderar que fatores externos devem contribuir para trazer mais volatilidade, como a questão geopolítica na Ucrânia e a possibilidade de aumento de juro nos Estados Unidos. O foco nas urnas leva à concentração das recomendações da casa em ações vinculadas ao ambiente interno, como o setor financeiro.

Bancos e instituições financeiras, de fato, concentram as recomendações para setembro. Itaú Unibanco e BB Seguridade receberam quatro indicações cada, enquanto Bradesco e BM&FBovespa ficaram com duas. Completam o portfólio BRF, com quatro indicações, Vale, com três, Estácio, com três, e Cosan, com duas citações.

Ainda que a maior parte das ações eleitas venha surfando a onda eleitoral, com ganhos que superaram os 20% em agosto, as casas de análise são cuidadosas em atrelar as indicações ao cenário eleitoral e buscam apontar fundamentos para as apostas.

No caso de Petrobras, a Ativa Corretora considera que, mesmo que não sejam anunciados novos reajustes nos preços dos combustíveis, a estabilização tanto do preço do petróleo no mercado internacional quanto do dólar em relação ao real deverão contribuir para melhores resultados trimestrais. Apesar de o cenário seguir desafiador para a companhia, afirmam os analistas da casa, a estatal será capaz de fazer a produção crescer cerca de 6% ao ano. Para a Ativa, o papel segue descontado.

A Votorantim Corretora destaca que a empresa está finalmente entregando melhores dados de produção, principalmente com base na produção do pré-sal, o que traz uma perspectiva otimista de longo prazo. Para o próximo ano, os analistas dizem acreditar que o preço dos combustíveis vai subir, reduzindo o déficit em relação aos valores internacionais.

O BB Investimentos manteve a indicação para Petrobras, mas trocou o papel PN por ON, pela expectativa de que a ação ordinária volte a colar na preferencial ou até a valer mais do que ela, como era comum no passado. As ações PN ultrapassaram as ON em abril. "Em agosto esse diferencial começou a fechar e, em setembro, a tendência mostra um 'spread' que se fecha lentamente", diz Hamilton Alves, analista sênior do BB Investimentos. Ele aponta que o estrangeiro, dono de um fluxo vigoroso para a bolsa brasileira no momento, costuma preferir a ação ordinária.

A corretora do Santander indica Petrobras pela "potencial melhora dos indicadores de produção". Os analistas da casa afirmam, em relatório, que decidiram incluir nas indicações ações e setores com uma maior relação entre risco e retorno, em linha com a opinião da casa de que o Ibovespa deve buscar os 65 mil pontos até o fim do ano. Ontem o índice chegou a ser negociado ao patamar de 62 mil pontos, não visto desde janeiro de 2013, puxado pelas ações de estatais.

Santander indica também Cosan, citando a perspectiva de melhora nos próximos meses do preço do etanol, que, com o açúcar, responde por cerca de 30% dos resultados da companhia. A Citi Corretora aponta uma expectativa de melhora no cenário para o setor em que a empresa atua em função dos ajustes nos preços de combustíveis derivados do petróleo.

As ações da Cosan subiram 25% em agosto, acompanhando o crescimento de Marina Silva nas pesquisas para presidente. Em entrevista ao Valor, João Paulo Capobianco, articulador da candidata junto ao agronegócio, disse que o subsídio à gasolina era um equívoco e que um governo PSB trabalharia para "retirar todos os mecanismos que estão sendo colocados pelo atual governo e que estão levando o setor ao colapso", em referência ao biocombustível. "O Brasil é o país do etanol", disse. (Valor Econômico 02/09/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Movimento técnico: Com a bolsa de Nova York fechada por causa do feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, as atenções voltaram-se para a bolsa de Londres, onde o açúcar teve leve alta reflexo de movimentos técnicos. Os contratos do açúcar refinado para entrega em dezembro fecharam com alta de US$ 1,70, a US$ 440,60 por tonelada. A elevação foi resultado de um reposicionamento dos fundos e já era esperada diante da redução da posição líquida comprada na semana passada, segundo Nick Penney, trader sênior da Sucden Financial. A tendência, porém, continua sendo de desvalorização, já que as usinas brasileiras seguem cancelando contratos com os vencimentos mais curtos. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal caiu 0,02%, para R$ 45,10 a saca de 50 quilos.

Café: Alta robusta: As cotações do café robusta subiram ontem na bolsa de Londres diante das adversidades climáticas no Brasil e da alta demanda pelo café. Os contratos para novembro fecharam com avanço de US$ 26, a US$ 2.081 por tonelada. A alta indica que ainda há fôlego para novos ganhos no mercado futuro do café, após a bolsa de Nova York registrar cinco elevações seguidas na semana passada, impulsionadas pelas preocupações climáticas para setembro no Brasil. Além disso, na sexta-feira, a Organização Internacional do Café informou que as exportações mundiais de café em julho subiram 3,7% para 9,73 milhões de sacas, sinalizando que a demanda internacional continua aquecida. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica recuou 0,59%, para R$ 452,84 a saca.

Cacau: Oferta confortável: Os contratos do cacau negociados na bolsa de Londres fecharam do lado negativo ontem, refletindo a projeção de superávit global da commodity divulgada na sexta-feira. Os lotes da amêndoa com vencimento em dezembro fecharam com recuo de 8 libras, para 2.009 libras por tonelada. A Organização Internacional do Cacau passou a estimar um superávit global de 40 mil toneladas até o fim da atual safra (2013/14), ante uma projeção de déficit de 75 mil toneladas. A especulação gerada em torno da ameaça da epidemia de ebola no oeste da África também perdeu força após autoridades da Nigéria informarem que não houve nenhuma ameaça de vírus nas regiões produtoras de cacau. No mercado interno, o preço médio da arroba em Ilhéus /Itabuna ficou em R$ 108.

Frango: Demanda aquecida: A oferta apertada e a demanda em alta sustentaram os preços do frango em agosto no país, indicou boletim divulgado ontem pela consultoria Safras & Mercado. Conforme o analista Fernando Henrique Iglesias, o "excelente" desempenho das vendas externas provocou uma menor disponibilidade interna, o que abriu espaço para reajustes nas cotações. Ainda segundo Iglesias, os custos de produção seguiram controlados, resultando em maior margem de lucro. "A expectativa é que esse movimento se prolongue ao longo de todo mês de setembro", afirmou. De acordo com a Safras, o quilo do frango vivo subiu de R$ 2,25 para R$ 2,50 no último mês em São Paulo. Já o indicador Cepea/Esalq para o frango resfriado permaneceu estável ontem, a R$ 3,35 o quilo. (Valor Econômcio 02/09/2014)