Setor sucroenergético

Notícias

Concessões da Dilma

Dilma Rousseff tenta afagar os grandes operadores ferroviários.

O Ministério dos Transportes e a Casa Civil acenam com a antecipação, para 2015, da renovação das licenças com vencimento em 2028.

Entram neste comboio algumas das maiores empresas do setor, como ALL e MRS. (Jornal Relatório Reservado 04/09/2014)

 

Copersucar exporta investimentos às toneladas

No rastro da joint venture com a Cargill, que deu origem à maior comercializadora de açúcar do mundo, a Copersucar vai partir para uma agressiva política de aquisições no exterior. A primeira parada é a Tailândia. A empresa negocia a compra de 51% do Grupo Wangkanai.

Trata-se de um dos maiores produtores e tradings do setor na Ásia. Suas cinco usinas têm uma capacidade instalada de 15 milhões de toneladas por ano, o equivalente a 10% de toda a produção tailandesa.

O alvo da Copersucar é a China. Com a aquisição da Wangkanai, a companhia ampliará em 30% suas vendas de açúcar para o mercado chinês, hoje na casa de três milhões de toneladas por ano. Oficialmente, a Copersucar diz apenas "desconhecer a informação".

Os usineiros da Copersucar não parecem seduzidos por afagos eleitorais. Enquanto os candidatos da oposição, notadamente Marina Silva, prometem dias melhores para a indústria sucroalcooleira nacional, a companhia exporta mais e mais investimentos.

Os principais artífices dos planos de internacionalização seriam os empresários Hermelindo Ruete de Oliveira e Luís Roberto Pogetti, dois dos mais influentes acionistas da Copersucar, Pogetti ocupa a presidência do Conselho de Administração.

A crise que afeta o mercado interno de etanol e a própria parceria com a Cargill já são razões mais do que suficientes para a empresa aditivar seus investimentos no exterior.

Além disso, a Copersucar ainda tem uma motivação extra.

A ampliação das operações internacionais serve como hedge às eventuais perdas de receita decorrentes de deserções societárias.

Não é de hoje que outras usinas, insatisfeitas com a gestão do grupo, ensaiam seguir os passos da Clealco, que deixou a holding no início deste ano.

A prioridade da Copersucar é surfar nas grandes ondas do mercado chinês. Recentemente o grupo abriu uma subsidiária no país.

Em até cinco anos, o país deverá ultrapassar a União Europeia e se tornar o segundo maior consumidor de açúcar do mundo, muito próximo à líder Índia, que movimenta mais de 23 milhões de toneladas por ano. (Jornal Relatório Reservado 04/09/2014)

 

Para PSB, uso de avião é como corrida de táxi

O presidente do PSB, Roberto Amaral, disse ontem que a sigla já prestou contas do avião que Eduardo Campos usava no dia do acidente que o matou. Segundo Amaral, os dados sobre quem cedeu a aeronave foram enviados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) segunda-feira.

Já apresentamos toda a documentação dos que cederam o avião ao TSE. (Apresentamos) apenas a parte que cabe agora, que é a documentação relativa ao avião, os contratos, quem nos cedeu. Nossa situação é a de um passageiro de um táxi. A corrida é tanto, paga disse.

Amaral afirmou que, pela legislação, qualquer pessoa pode doar, desde que depois o ato seja reduzido a uma cifra.

 Você me dá uma carona e custou R$ 2. É a lei declarou. Pode emprestar avião, caldo de cana, moageira. (O Globo 04/09/2014)

 

Maior adição de álcool na gasolina recebe críticas

Importadores de carros criticaram o projeto de lei aprovado na terça-feira pelo Senado que autoriza maior adição de etanol à gasolina. O texto, que segue agora para a sanção da presidente Dilma Rousseff, eleva de 25% para 27,5% o percentual máximo permitido na mistura de álcool anidro na gasolina. O governo ainda vai avaliar a viabilidade técnica dessa mudança.

A medida atende a um pleito das usinas sucroalcooleiras, mas desagrada a setores de comercialização de veículos, preocupados com prejuízos decorrentes do possível desgaste prematuro das peças. Marcel Visconde, presidente da Abeifa, entidade que reúne marcas de carros importados, disse ontem que os impactos técnicos dessa adição do etanol no combustível são relevantes e podem trazer prejuízos para as empresas. Ele, porém, não entrou na discussão técnica sobre os possíveis efeitos nocivos dessa mudança. A Anfavea, entidade das montadoras, já havia manifestado recentemente posição parecida com a da Abeifa.

Adicionar mais etanol à gasolina não teria qualquer impacto para os automóveis produzidos no Brasil, que, com a tecnologia flex, estão preparados para rodar com os dois combustíveis. A questão está nos automóveis importados que funcionam apenas com gasolina. Carros desse tipo respondem por quase 6% dos veículos vendidos no país. Neste ano, eles somaram mais de 105 mil unidades até julho.

A preocupação é que a adição de etanol leve à substituição prematura de peças, o que pode significar perdas para as montadoras se o carro estiver em período de garantia. Segundo representantes da Abeifa, diante de uma mistura de álcool de 27,5%, alguns veículos podem ter dificuldades em dar partida e, por isso, as empresas podem até desistir de trazer ao país modelos potencialmente afetados. Eles avaliam também que a adição de álcool é inconsistente com políticas de redução de emissões de gases. A Unica, que representa as usinas de álcool, nega prejuízos tanto para os consumidores quanto ao meio ambiente.

O tema é, portanto, polêmico. Engenheiros consultados pelo Valor, não vinculados a nenhuma dessas associações, citam efeitos corrosivos do etanol no contato com componentes metálicos não revestidos. Eles dizem, porém, que quase todos os veículos já estão preparados para misturas de etanol superiores a 30%, com tecnologias que incluem sensores para corrigir a mistura do combustível. O maior problema seria para as frotas mais antigas, de carros produzidos há quase duas décadas, diz Sílvio Shizuo, professor de engenharia mecânica do Centro Universitário da FEI.

Porém, como os motores são calibrados para mistura de álcool de 22%, a maior adição de etanol na gasolina pode afetar o rendimento dos carros, assim como a emissão de gases. Isso, contudo, não acontece de forma muito perceptível ao consumidor, afirma Henrique Pereira, engenheiro da comissão técnica de motores da SAE Brasil. De acordo com o especialista, não chega a 1% o aumento no consumo de combustível com a mudança no percentual de etanol aprovada pelo Congresso, de 25% para 27,5%.

Além de criticar essa nova mistura na gasolina, a Abeifa defendeu ontem uma atualização no sistema de cotas de importação do novo regime automotivo, conhecido como Inovar-Auto. O programa limita em, no máximo, 4,8 mil carros por ano o volume de importações livre da sobretaxa de 30 pontos percentuais do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) - aplicada há dois anos e meio nas compras de automóveis dos países sem acordos comerciais com o Brasil.

A cota de cada marca foi fixada com base na média das importações feitas entre 2009 e 2011 - os três anos anteriores à edição do Inovar-Auto - e vale até o fim do programa em 2017. Para ter direito a importar mais veículos sem o IPI extra, as empresas precisam investir na produção de carros no Brasil, o que ajuda a explicar a série de projetos de fábrica anunciados nos últimos três anos.

Ainda que muitas das marcas filiadas à Abeifa não estejam usando toda a cota disponível, em virtude da queda no consumo, Visconde citou o congelamento das cotas entre os pontos do regime automotivo que ainda precisam passar por ajustes. "Você não pode represar um número por cinco anos", disse o executivo durante entrevista a jornalistas. (Valor Econômico 04/09/2014)

 

Etanol: aumento da mistura depende apenas do Executivo

Com a aprovação nesta terça-feira, 2, pelo Senado, da Medida Provisória 647/2014, o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, dos atuais 25% para 27,5%, depende apenas do Poder Executivo. "Do lado legislativo, já está tudo certo", disse o sócio-diretor da consultoria Canaplan e também presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

De acordo com ele, o governo espera apenas a conclusão dos testes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), prevista para outubro, para sancionar ou não a MP. A entidade da indústria automobilística chegou a se posicionar contra o aumento da mistura, temendo problemas com os motores dos veículos.

Hoje, segundo a Lei 8.723/1993, o governo pode elevar o porcentual de mistura de anidro na gasolina até o limite de 25% ou reduzi-lo até 18%. Pela MP, essa banda ficaria entre 18% e 27,5%.

A MP 647 também eleva de 5% para 6% o porcentual obrigatório de mistura do biodiesel ao óleo diesel. A partir de 1º de novembro, esse porcentual subirá novamente, passando para 7%. A norma diz, entretanto, que esse porcentual poderá ser reduzido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), caso haja motivo justificado, até o limite de 6%.(Agência Estado, 3/9/14)

 

EUA saem na frente e lideram corrida do etanol celulósico

Os Estados Unidos saíram na frente na corrida pela produção de etanol celulósico e a primeira usina a produzir o biocombustível no mundo iniciou suas operações em escala comercial ontem na cidade de Emmetsburg, Estado de Iowa.

A usina é resultado de uma joint-venture entre o grupo holandês DSM e a empresa norte-americana Poet, maior produtor de etanol nos Estados Unidos. A usina tem capacidade inicial para produzir 75 milhões de litros anuais e pode chegar a uma produção de 90 milhões de litros. Utiliza como matéria-prima sabugo, folhas, casca e talos de milho.

Três outras usinas de E2G devem iniciar suas operações até o final do ano nos Estados Unidos: uma do grupo espanhol Abengoa que também produz etanol de primeira geração no Brasil e que está sendo concluída no Kansas, uma da Dupont e outra da Quad County Corn Processors, ambas em Iowa.

A expectativa para que o Brasil liderasse a corrida para a produção de etanol celulósico foi atropelada com a notícia do início da operação em escala comercial da usina DSM e Poet. Fontes do mercado revelam que a usina da GranBio e também a da Raízen (Cosan/Shell) podem iniciar sua produção até o final deste ano (Brasil Agro 03/09/2014)

 

Petrobras economiza US$ 1,7 bi com etanol e biodiesel

Crescimento sustentado da produção e aumento da mistura de biocombustíveis nos derivados de petróleo reduzem pressão sobre contas da estatal.

Depois de comemorar sete meses consecutivos de aumento da produção de petróleo, a Petrobras recebeu na noite de anteontem uma nova boa notícia, com a aprovação, pelo Senado, do aumento da mistura biocombustíveis na gasolina e no diesel vendidos no país. Com mais etanol na gasolina, mudança que depende ainda da conclusão de testes sobre seus impactos nos motores, a empresa pode economizar até US$ 785,8 milhões por ano em importações do derivado de petróleo. Somado ao aumento da mistura de biodieselno diesel de petróleo, a economia com importações de combustíveis pode chegar a US$ 1,724 bilhão, de acordo com cálculos feitos pelo Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE).A importação de combustíveis a preços mais altos do que os praticados no mercado interno é um dos principais fatores de pressão sobre as contas da Petrobras.

No primeiro semestre deste ano, a área de abastecimento da estatal registrou um prejuízo de R$ 3,88bilhões. Diante da falta de interesse, pelo governo, em autorizar reajustes nos preços internos, o aumento da mistura de biocombustíveis é visto como alternativa para reduzir as perdas. "O maior percentual de etanol (27,5%) resultará em uma redução no consumo de gasolina de 18,6 mil barris diários, considerando a média da demanda entre agosto de 2013 e julho de 2014", informou o CBIE. Já no caso do diesel, o aumento da mistura de 5% (percentual vigente no início do ano), para 7% resulta em uma redução de 20,4mil barris diários no consumo do derivado de petróleo no país.

Entre janeiro e julho de 2014, o Brasil importou 9,9 milhões de barris de gasolina e 38,6 milhões de barris de diesel, ao custo de US$ 6,1 bilhões, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Além de pressionar as contas da Petrobras, as compras externas de combustíveis representam um dos principais impactos na balança comercial brasileira. "A aprovação do aumento da mistura reduziria a necessidade de importação de nafta e de gasolina pela Petrobrás, vendida no mercado doméstico abaixo do preço internacional. Desde 2011 a companhia importou quase 9 bilhões de litros de gasolina gerando um déficit à balança comercial do país", comentou, em nota, a União da Indústria de cana-de-açúcar.

A entidade, que representa os produtores de etanol, também comemorou a notícia, que tem potencial para ampliar o consumo interno de etanol anidro (que é misturado na gasolina) em mais de 1 bilhão de litros por ano. A Unica frisou que "não há razão para alarmismo e manifestações prematuras uma vez que todas as partes interessadas estão diretamente envolvidas", referindo-se ao alerta das montadoras sobre os impactos nas emissões de particulados comum percentual de etanol acima de 25%. Os efeitos sobre os motores estão sendo testados no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), em trabalho coordenado pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e acompanhado por ministérios e entidades envolvidas.

Após a conclusão dos testes, o texto que autoriza o aumento da mistura de etanol ainda precisa ser sancionado pela presidenta Dilma Rousseff. A expectativa do mercado é que, com a pressão da Petrobras e dos usineiros — que põem a crise financeira do setor na conta da política de represamento dos preços dos combustíveis vigente nos últimos anos — não haverá obstáculos à sanção pelo Executivo. "O impacto no preço da gasolina para o consumidor final, já que o preço do etanol é inferior ao da gasolina,e os ganhos importantes em termos ambientais, de saúde pública e até para a balança comercial brasileira, estão entre as principais vantagens a favor dessa medida",argumenta a Unica.

Com o crescimento sustentado da produção e a esperada economia com importações de combustíveis, a Petrobras reduz a pressão sobre suas finanças, apontada por analistas como principal fator de risco para a companhia. Ao final do primeiro semestre, a estatal tinha uma dívida líquida de R$ 241,3 bilhões e índice de alavancagem de 40%, acima do limite de 35% imposto pelo Conselho de Administração e considerado aceitável por agências de classificação de risco. Na divulgação do balanço, a direção da companhia reforçou cobrança sobre o governo de reajustes de preços como solução para as perdas com venda de combustíveis.

Os preços continuam defasados com relação ao mercado externo, mas em um patamar inferior ao verificado no primeiro semestre, em função da queda das cotações internacionais. Com base em dados do dia 25 de agosto, o CBIE calculou que a defasagem do preço da gasolina era de 15,2%. No caso do diesel, a diferença entre a cotação do Golfo do México (usada como referência para o mercado do Atlântico) e o preço de venda nas refinarias brasileiras era de 8,6%.  (Brasil Econômico 04/09/2014)

 

Crise da cana afeta vendas da Valtra, diz diretor

A crise enfrentada pelo setor de açúcar e etanol está impactando negativamente no desempenho da fabricante de máquinas Valtra. Foi o que afirmou o diretor comercial da empresa, Paulo Beraldi, nesta terça-feira (2/9) durante a Expointer, em Esteio (RS).

Segundo ele, o segmento representa cerca de 25% do faturamento da empresa. Neste ano, apenas um cliente da indústria de açúcar e etanol fechou negócio com tratores. “O efeito da crise é violento”, diz Beraldi. Segundo ele, a Valtra detém 70% do fornecimento para o setor.

O desempenho negativo no segmento de cana-de-açúcar, informou o executivo, levou a uma perda de um ponto percentual de participação no mercado de máquinas no ano passado para este ano. “Quando a cana sofre, a Valtra sofre. Essa crise nos dói bastante.”

O diretor comercial acredita na recuperação dos preços internacionais do açúcar, por problemas de safra na Ásia. E espera que haja aumento no preço da gasolina no Brasil – elevando também o valor do etanol – independente de quem seja o eleito nas próximas eleições, com reflexo positivo para as usinas.

Mesmo assim, Paulo Beraldi ressaltou que, em um primeiro momento, esse efeito positivo recai sobre a moagem. O reflexo na renovação da frota é posterior e leva mais tempo. “O ano de 2015 também não vai ser fácil para nós que atendemos este segmento.”

Enquanto essa reversão de cenário não ocorre, no curto prazo, o resultado relacionado ao setor sucroenergético acaba sendo um fator a mais de queda nas vendas neste ano, além do que a companhia já absorve da retração do mercado de tratores e colheitadeiras no país.

A expectativa é de redução de 15% a 20% em relação ao ano passado. Assim como executivos de outras empresas de máquinas, Beraldi pondera que 2013 foi um ano “fora da curva”, que não serve como base de comparação. O desempenho deve ficar próximo de 2012, considerado também um ano positivo para o setor.

Ressaltando a cana e a laranja como exceções, Beraldi se disse otimista em relação ao agronegócio de uma forme geral, mencionando, por exemplo, o aumento dos preços da carne bovina. “A dificuldade é entender o que está bom e ruim neste Brasil e planejar.”

Expointer

Beraldi traçou uma expectativa positiva em relação ao desempenho da companhia durante a feira, que termina no próximo dia 7. Segundo ele, o volume de negócios deve crescer cerca de 5% em relação ao evento do ano passado, principalmente, pela demanda da agricultura de menor escala.

O diretor comercial da Valtra se disse otimista também em relação aos resultados da empresa na Região Sul. Com base em dados de consultorias, ele apresentou expectativas de crescimento da renda do agricultor nos próximos anos.

“A soja está em um momento de queda, mas a saca custando R$ 55 ainda é espetacular quando se compara com 4 ou 5 anos atrás”, destacou, comentando também que considera positivo o atual momento do arroz. (Globo Rural 08/09/2014)

 

Dilma indica que, se reeleita, mudará política e equipe

Presidente sinalizou pela primeira vez que está disposta a alterar política e equipe em um eventual novo governo.

Afirmação da petista veio depois de conversa com Lula, que pediu um gesto de aproximação com empresários.

Diante do novo cenário eleitoral, em que Marina Silva (PSB) encarna o discurso da mudança e ameaça a reeleição da presidente Dilma Rousseff, a petista sinalizou pela primeira vez na campanha que mudará sua equipe e as políticas de governo num eventual segundo mandato.

A sinalização de Dilma, que vinha sendo cobrada pelo ex-presidente Lula, ocorreu durante discurso nesta quarta-feira (3), em Belo Horizonte, logo depois de admitir problemas na política industrial e no ritmo de crescimento da economia.

"Declarei [anteriormente] que considerava tão importante a política industrial e a política de desenvolvimento em geral que faria um Conselho de Desenvolvimento ligado diretamente à Presidência da República, e reitero hoje esse meu compromisso. Obviamente, novo governo, novas..., necessariamente, atualização das políticas e das equipes", afirmou diante de representantes da indústria na abertura da Olimpíada do Conhecimento.

Dilma vinha resistindo a falar em ajustes em sua equipe e na política econômica, apesar das recomendações de Lula e de assessores neste sentido para reconquistar o apoio do empresariado e atender o desejo de mudança da maioria do eleitorado manifestado em pesquisas.

A orientação de Lula a Dilma foi reforçada na última segunda-feira (1), durante reunião em São Paulo. Segundo relatos obtidos pela Folha, a presidente não reagiu na hora, mas absorveu o conselho ao encaixá-lo dois dias depois em seu discurso em Minas.

Em sua fala a empresários, disse compreender que eles questionassem a eficácia da política industrial numa conjuntura em que "a incerteza do cenário internacional se mistura com o debate eleitoral", acrescentando que ela também "gostaria que o Brasil estivesse crescendo num ritmo muito mais acelerado".

Em tom de campanha eleitoral, Dilma admitiu ainda que há muito o que fazer. "Eu não quero, aqui, dar a impressão que eu acho que tudo foi feito. Eu não acredito nisso, acho, inclusive, que vivemos uma situação bastante complexa na indústria."

A sinalização de mudança feita pela presidente foi considerada um avanço por sua equipe, um "primeiro passo", mas assessores avaliam que ela tem de ser mais direta e incisiva para convencer empresários e eleitores de que um segundo mandato será diferente do primeiro.

A cúpula da campanha acredita que este novo discurso estará mais forte até o segundo turno, numa estratégia para tentar reduzir eventual transferência de votos do tucano Aécio Neves para Marina, que hoje aparece na frente de Dilma em simulações para reta final do pleito.

Na segunda, Lula disse que, sem uma sinalização rápida, o empresariado iria marinar"", o que já estaria ocorrendo com setores como o do etanol, e que não haveria tempo de reconquistá-los.

Lula defende gestos a investidores pró-Aécio, principalmente do agronegócio e mineração, áreas com fortes resistências à ambientalista e que estão órfãos"" na avaliação de assessores petistas. (Folha de São Paulo 04/09/2014)

 

Consumo de hidratado sobe em julho e continua superando 2013

O consumo de etanol hidratado em julho foi de 1,01 bilhão de litros. O volume é 5,12% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior e 7,26% mais alto que o alcançado em junho deste ano. Os dados foram divulgados nesta semana pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

No confronto direto com a gasolina pela preferência do consumidor, a procura pelo renovável permaneceu estável, com 21,73%, contra 78,27% do fóssil.

Anidro e gasolina

A demanda por anidro foi de 911,9 milhões de litros, alta de 4,75% em relação a julho de 2013, e 5,48% na comparação com junho deste ano. O crescimento acompanha o aumento no consumo da gasolina, que no acumulado do ano chegou a 25,1 bilhões de litros, ante os 23,3 bilhões registrados nos sete primeiros meses de 2013.

Em julho, o consumo de gasolina foi de 3,6 bilhões de litros, volume 4,75% maior na comparação ano a ano e 5,48% em relação ao mês anterior.

No acumulado do primeiro semestre, as vendas de etanol aumentaram e o consumo de anidro e hidratado alcançou 6,29 e 7 bilhões de litros. No mesmo período do ano anterior, os volumes eram de 5,1 e 6,2 bilhões, respectivamente.

Segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), as vendas de hidratado feitas pelas usinas vêm se mantendo estáveis desde maio. De acordo com os dados da primeira quinzena de agosto, o mês passado deve fechar com vendas semelhantes. (Nova Cana 03/09/2014)

 

Indústria ainda tem venda menor de máquinas

As vendas de máquinas agrícolas ficaram estáveis em agosto, em relação às de julho, mas apresentaram forte recuo quando comparadas com as de igual mês do ano passado.

As indústrias colocaram 5.438 tratores de rodas no mês passado nas concessionárias, um número 14% inferior ao de agosto de 2013.

Nesse mesmo período, as vendas de colheitadeiras recuaram para 443, uma desaceleração de 19%, segundo informações do mercado.

O recuo nas vendas é ainda maior quando comparada a comercialização deste ano com a dos oito primeiros meses do ano passado.

As vendas de tratores caíram para 37,6 mil unidades, 16% menos, enquanto as de colheitadeiras recuaram para 3.786, uma queda de 32% (Folha de São Paulo 04/09/2014)

 

Produção e vendas de máquinas agrícolas em queda

O mercado de máquinas agrícolas automotrizes exibiu, no primeiro semestre de 2014, acentuada queda no total das vendas (-18%), frente à igual período do ano anterior, de acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA/Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Nos primeiros seis meses do ano, foram produzidas 40.407 máquinas agrícolas, representando 7.970 máquinas a menos que a quantidade contabilizada no primeiro semestre de 2013. Tanto as vendas para o mercado interno quanto às exportações declinaram, empurrando para baixo o desempenho do segmento.

O declínio do mercado de máquinas agrícolas, aparentemente, não afetou o número de postos ocupados nas montadoras, pois, no primeiro semestre de 2014, houve contratação de 113 novos funcionários, totalizando 20.869 empregados. “Em contrapartida, dificilmente a receita cambial repetirá os US$3,55 bilhões contabilizados em 2013, pois, entre janeiro e junho de 2014, ela foi de apenas US$1,53 bilhão. Tradicionalmente, o mercado externo para máquinas agrícolas automotrizes brasileiras é concentrado no bloco de países que compõem o Mercosul e alguns poucos países africanos. A crise econômica instalada na Argentina, principal destino das exportações brasileiras, puxou as vendas para baixo, afirmam Celso Vegro e Célia Roncato Ferreira, pesquisadores do IEA responsáveis pelo artigo.

As quantidades comercializadas mais expressivas são esperadas para o segundo semestre do ano, coincidindo com o plantio da safra de verão no Centro-Sul. Porém, o arrefecimento do mercado no princípio de 2014, após recorde de produção e vendas em 2013, dificilmente recuperará as vendas mensais para patamares acima das 6 mil maquinas ao mês.

Considerando as vendas por unidade da federação, o Estado de São Paulo permanece líder na demanda por máquinas agrícolas automotrizes, representando 17,7% desse mercado, seguido pelo Paraná (15,4%), Rio Grande do Sul (15,3%) e Minas Gerais (10,7%). Esses quatro estados concentram, aproximadamente, 60% das vendas para o mercado interno. Tão logo ocorra a recuperação econômico/financeira do segmento sucroenergético, as vendas em São Paulo deverão se distanciar ainda mais dos demais estados, uma vez que, no boom vivenciado no segmento entre 2006 e 2007, o mercado paulista representou 36% do total de vendas internas.

A permanente renovação da frota de máquinas agrícolas é elemento sine qua non na estratégia de incremento da competitividade dos cultivos e criações nacionais, pois vigora a tendência de substituição de máquinas de menor potência por equipamentos maiores, de menor custo operacional e melhor desempenho em campo, otimizando as tarefas com redução de custos.

O mercado de máquinas agrícolas automotrizes exibiu, no primeiro semestre de 2014, acentuada queda no total das vendas (-18%), frente à igual período do ano anterior, de acordo com o Instituto de Economia Agrícola (IEA/Apta) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Nos primeiros seis meses do ano, foram produzidas 40.407 máquinas agrícolas, representando 7.970 máquinas a menos que a quantidade contabilizada no primeiro semestre de 2013. Tanto as vendas para o mercado interno quanto às exportações declinaram, empurrando para baixo o desempenho do segmento.

O declínio do mercado de máquinas agrícolas, aparentemente, não afetou o número de postos ocupados nas montadoras, pois, no primeiro semestre de 2014, houve contratação de 113 novos funcionários, totalizando 20.869 empregados. “Em contrapartida, dificilmente a receita cambial repetirá os US$3,55 bilhões contabilizados em 2013, pois, entre janeiro e junho de 2014, ela foi de apenas US$1,53 bilhão. Tradicionalmente, o mercado externo para máquinas agrícolas automotrizes brasileiras é concentrado no bloco de países que compõem o Mercosul e alguns poucos países africanos. A crise econômica instalada na Argentina, principal destino das exportações brasileiras, puxou as vendas para baixo, afirmam Celso Vegro e Célia Roncato Ferreira, pesquisadores do IEA responsáveis pelo artigo.

As quantidades comercializadas mais expressivas são esperadas para o segundo semestre do ano, coincidindo com o plantio da safra de verão no Centro-Sul. Porém, o arrefecimento do mercado no princípio de 2014, após recorde de produção e vendas em 2013, dificilmente recuperará as vendas mensais para patamares acima das 6 mil maquinas ao mês.

Considerando as vendas por unidade da federação, o Estado de São Paulo permanece líder na demanda por máquinas agrícolas automotrizes, representando 17,7% desse mercado, seguido pelo Paraná (15,4%), Rio Grande do Sul (15,3%) e Minas Gerais (10,7%). Esses quatro estados concentram, aproximadamente, 60% das vendas para o mercado interno. Tão logo ocorra a recuperação econômico/financeira do segmento sucroenergético, as vendas em São Paulo deverão se distanciar ainda mais dos demais estados, uma vez que, no boom vivenciado no segmento entre 2006 e 2007, o mercado paulista representou 36% do total de vendas internas.

A permanente renovação da frota de máquinas agrícolas é elemento sine qua non na estratégia de incremento da competitividade dos cultivos e criações nacionais, pois vigora a tendência de substituição de máquinas de menor potência por equipamentos maiores, de menor custo operacional e melhor desempenho em campo, otimizando as tarefas com redução de custos. (Brasil Agro 04/09/2014)

 

Renda líquida do produtor dos EUA cai 6%

A desaceleração nos preços das commodities agrícolas começam a fazer efeito na renda dos agricultores nos principais países produtores.

Os norte-americanos, líderes em soja e milho, deverão ter uma renda líquida de US$ 123 bilhões neste ano, 6% menos do que em 2013.

Os dados são do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e mostram, ainda, que esse valor ficará 8,5% inferior aos US$ 134,4 bilhões de 2012, quando houve quebra de safra e redução de estoques.

Naquele ano, a soja atingiu o recorde de US$ 17 por bushel (27,2 kg); e o milho, US$ 8,31 por bushel (25,4 kg).

As receitas totais dos produtores norte-americanos deverão atingir US$ 452 bilhões neste ano, prevê o Usda, 1,3% acima das de 2012.

Já os gastos com a produção sobem 4%, para US$ 329 bilhões.

Os produtores agrícolas serão os mais afetados com o recuo de renda. O valor total da produção deles deverá cair para US$ 207 bilhões, 11% menos do que em 2013.

Já a pecuária toma rumo inverso nos EUA, com forte aceleração nas receitas, apontam os dados do Usda.

O valor da produção de animais, ao contrário do que ocorre normalmente, supera o de grãos neste ano e vai a US$ 208 bilhões, 15% mais do que o registrado em 2013.

Essa alta decorre da forte evolução no preço das carnes, devido à queda de produção no setor nos Estados Unidos.

O maior destaque fica para a carne bovina, cujas receitas aumentarão 16% no ano.

Esse mesmo cenário de receitas menores deverá ocorrer também no Brasil. E a tendência será a mesma, com recuo no valor da produção agrícola, mas aumento no da pecuária. (Folha de São Paulo 04/09/2014)

 

Quem ganha na bolsa com Marina

A euforia que levou o Ibovespa a encerrar agosto com alta de 9,78% só deixou de fora 11 das 70 ações que compunham o índice na ocasião. Andaram na contramão do mercado papéis dos setores de mineração e siderurgia, que vêm sofrendo com a desaceleração chinesa, de empresas envolvidas em eventos societários, como Oi e ALL, além de Souza Cruz e Eletropaulo. No topo do ranking, destaque para as estatais, setor financeiro e elétricas, entre outras companhias que podem ser beneficiadas numa eventual troca de governo ou ainda que apresentaram resultados positivos no trimestre.

A bolsa vem subindo de forma generalizada suportada pelo cenário eleitoral. Segundo Fernando Góes, analista da Clear Corretora, a alta começou com a possibilidade de um segundo turno, a partir do fortalecimento do candidato Aécio Neves, e se intensificou com a entrada de Marina Silva na disputa. "Marina, ao mostrar que está bem assessorada economicamente, agradou e se tornou a favorita. O que começou como um movimento pequeno se fortaleceu no último mês. E o mercado precificou essa possibilidade em bancos, elétricas e Petrobras", diz.

Na visão de Góes, o que o mercado procura é a mudança, diferentemente do que aconteceu em 2002, quando Lula foi eleito. E isso significaria menor intervencionismo e um ajuste fiscal para trazer de volta a confiança. "No fim das contas, o mercado precisa de um ambiente bom para os negócios, com menos burocracia e mais liberdade. É preciso investir em vez de incentivar o consumo. O que o mercado entende é que o modelo atual não funciona mais", destaca.

As estatais, como Petrobras, com alta superior a 20% em agosto, e Eletrobras, cuja ação ON avançou 30,4% no mês, segundo o analista, sobem apenas com a especulação sobre eleições. Já os bancos, além de surfar a onda eleitoral, também mostraram bons resultados. Cosan é outro destaque em agosto, com 25%, por conta do cenário mais favorável para o etanol no caso de vitória da oposição. De forma geral, diz Góes, essa possibilidade abriu oportunidades para ativos que embutem mais risco. "Não acho a reação exagerada. O mercado sempre viveu e viverá de expectativas."

Levantamento da Economatica mostra que 20 ações, de um total de 523 papéis com movimentação média diária de R$ 1 milhão nos últimos 12 meses, alcançaram em agosto seu topo histórico. Casos principalmente dos setores de bancos, com seis ações de quatro instituições (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e BTG), e energia elétrica, com quatro papéis de três companhias (Taesa, Alupar e Cemig).

Na semana passada, a candidata Marina Silva, apontada como vencedora na corrida presidencial, conforme as últimas pesquisas de intenções de voto, publicou o seu plano de governo. De acordo com a análise do Citi, a proposta é conservadora do ponto de vista econômico e liberal no aspecto social, com destaque para a sustentabilidade. No contexto brasileiro, dizem os analistas Stephen Graham e Fernando Siqueira, a proposta é atraente, uma vez que a população está preocupada com inflação, altos impostos, indisciplina fiscal e juros altos, ao mesmo tempo em que vê deficiências na educação pública, saúde, distribuição de renda e proteção ambiental.

Com base no plano de governo proposto, o Citi avaliou o possível impacto nos setores da economia, caso Marina seja eleita. Para o setor de bancos, a corretora acredita que há benefícios diretos, com redução de custo e risco de crédito.

O impacto das ideias da Marina em empresas de eletricidade parece potencialmente positivo também, segundo a casa de análise, considerando o respeito pelos mecanismos regulatórios. Uma extensão lógica de ideias ambientais da candidata é que a eletricidade barata não é necessariamente uma coisa boa. A expectativa é que ela proponha uma melhora na eficiência energética.

No entanto, não há garantia de que essa eventual melhora no setor vá beneficiar as empresas, em vez de ajudar a fechar a lacuna fiscal por meio de impostos. O governo Dilma em 2012 removeu cerca de 6% do preço da energia na forma de tributos federais.

Para o banco J.P. Morgan, transmissoras e produtoras de energia renovável podem ser beneficiadas com a eventual eleição da candidata do PSB. Por outro lado, isso seria ruim para geradoras de energia em geral e, especialmente, para a mineira Cemig. Segundo a casa, a ação tinha subido mais de 60% desde o começo do ano, com a perspectiva de crescimento de Aécio Neves, do PSDB. A expectativa era a de que o candidato desse apoio à renovação das concessões de três hidrelétricas da companhia - Jaguara, São Simão e Miranda.

"Em nossa visão, a recente entrada de Marina Silva na eleição tornou essa perspectiva muito mais incerta. Portanto, fomos compelidos a reavaliar os riscos associados à ação", afirmam os analistas Marcos Severine e Henrique Peretti, do J.P.. O banco cortou a recomendação para venda, com preço-alvo de R$ 18.

Cosan e São Martinho também podem ser beneficiadas, considerando o foco em biocombustíveis da candidata. Paralelamente, analisa o Citi, a intenção de reduzir o consumo de combustíveis fósseis poderia criar valor para a Petrobras, junto com a intenção de liberar artificialmente os preços dos combustíveis. A Petrobras não tem capacidade suficiente de refino para atender à demanda brasileira atualmente. Isso leva a empresa a importar combustível a preços de mercado, mesmo que revenda a valores menores dentro do país.

Em resposta ao cenário eleitoral atual, o BTG Pactual ajustou seu portfólio. De acordo com a equipe de Carlos Sequeira, a melhor maneira de se posicionar atualmente em bolsa é via Petrobras, uma vez que o papel preferencial sobe quase 50% neste ano e ainda tem espaço para valorização.

"Nossa equipe de cobertura de petróleo e gás acredita que o papel pode chegar a R$ 30 [potencial de alta de quase 30% em relação ao preço atual]. Dependendo das probabilidades atribuídas aos diferentes cenários, o potencial de valorização ainda pode ser relevante. Para abrir espaço para Petrobras, estamos reduzindo exposição aos serviços financeiros com a remoção de BB Seguridade, mantendo Itaú e Cielo ", afirma.

Já o Itaú BBA elevou ontem o preço-alvo das ações preferenciais da Petrobras para o fim de 2015 para R$ 25. No entanto, conforme relatório, a casa manteve recomendação para os papéis da estatal em neutra e não vê espaço para compra atualmente.

O UBS destacou em relatório que a candidata Marina não pretende usar a Petrobras e a Eletrobras como instrumento de política macroeconômica, acredita que os preços dos combustíveis precisam refletir "os custos verdadeiros e as condições de mercado", com intervenção menor do governo. O banco ressalta ainda a intenção de Marina na área de energia elétrica de aumentar os parques eólicos, solares e demais fontes limpas, em detrimento da geração termelétrica.

Em infraestrutura, os beneficiários mais óbvios com parcerias público-privadas, mais licitações e menores custos iniciais de projetos, que serão propostas desse possível governo, são empresas de concessões rodoviárias e ferroviárias, como CCR, EcoRodovias, Arteris e Cosan. As companhias já operam infraestrutura privatizada e estão em uma posição favorável para participar de novas disputas. A fornecedora de equipamentos Mills também tem suas receitas em parte ligadas ao volume de construção pesada no Brasil.

Além disso, a menção de controle nas taxas excessivas de licença 4G deve ser tentadora para as empresas de telefonia do Brasil, na análise do Citi. "Após a presidente Dilma ter privatizado cerca de 4 mil quilômetros de estrada e cinco aeroportos, Marina Silva e Aécio Neves prometem ainda mais, o que indica que negar a privatização não é mais politicamente necessário no Brasil", avalia o Citi.

No que diz respeito a comércio exterior e globalização, mudança potencial da dinâmica de negócios no país pode ser negativa para siderúrgicas como a Gerdau, Usiminas e CSN; petroquímicas como a Braskem; Duratex em material de construção; Tupy, Mahle Metal Leve, Iochpe e Randon em oferta automotiva, além de Hypermarcas entre farmacêuticas. Quem ganha nesse cenário, destaca o Citi, é Embraer, Vale e WEG.

Para educação, a candidata Marina já afirmou que pretende manter programas como o Fies e o ProUni. Os sistemas de financiamento são "o pão e a manteiga" para companhias como Kroton e Estácio, de acordo com o Citi. As empresas podem estar aliviadas com esse discurso, completa. (Valor Econômico 04/09/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Falta de demanda: Os preços do açúcar demerara seguiram a tendência dos fundamentos e caíram ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para março de 2015 fecharam a 17,59 centavos de dólar por libra-peso, baixa de 14 pontos. O excesso de açúcar nos estoques impede uma reação por parte da demanda. Além disso, compradores continuam vendendo contratos, receosos de receber o açúcar da Tailândia, voltando-se para o comércio físico, prioritariamente o do Brasil. As usinas do país asiático, por sua vez, têm rolado os contratos com as tradings para 2015 diante da falta de interesse consumidor, segundo Thomas Kujawa, da mesa de soft commodities da Sucden Financial, em relatório diário a clientes. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o cristal em São Paulo subiu 0,62%, a R$ 45,52 a saca de 50 kg.

Algodão: Queda de qualidade: Os futuros do algodão fecharam ontem no campo positivo na bolsa de Nova York, após mais uma semana de redução dos níveis de qualidade das lavouras nos Estados Unidos. Os contratos para dezembro encerraram a sessão em alta de 65 pontos, a 65,96 centavos de dólar por libra-peso. Após o fechamento das negociações de terça-feira, o Departamento de Agricultura do país (USDA) informou que a extensão plantada considerada ótima a excelente representava, até domingo, 50% do total, recuo de 1 ponto percentual ante a semana anterior, na terceira deterioração consecutiva. A perspectiva de um clima frio e úmido no sul dos EUA mantém as preocupações sobre uma possível perda de qualidade. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma subiu 0,13%, a R$ 1,7160 a libra-peso.

Milho: Produção farta nos EUA: A perspectiva de uma safra recorde de milho nos Estados Unidos conduziu os preços do cereal a nova queda ontem na bolsa de Chicago. Os contratos para entrega em dezembro fecharam a US$ 3,52 o bushel, queda 11,75 centavos. A FCStone divulgou sua projeção mensal calculando uma safra de 370,72 milhões de toneladas e produtividade equivalente a 180,34 sacas por hectare. Alguns analistas consideram inclusive que a produção pode superar as 380 milhões de toneladas. Os cálculos antecedem a projeção do USDA, que divulga seu relatório mensal dia 11. O órgão deve elevar suas estimativas, mas tende a continuar "conservador", avalia Francisco Peres, da Labhoro Corretora de Mercadorias. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa recuou 0,4%, para R$ 22,22 a saca.

Trigo: Cessar-fogo à vista: A perspectiva de um acordo entre Ucrânia e Rússia retirou o "prêmio geopolítico" do mercado do trigo e intensificou a tendência de baixa ante a oferta elevada. Em Chicago, os contratos para dezembro Chicago caíram 19,25 centavos, a US$ 5,3575 o bushel. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os lotes com igual vencimento recuaram 15,75 centavos, a US$ 6,1675 o bushel. Declarações de líderes do Leste Europeu que apontam para a possibilidade de um cessar-fogo entre os dois países aliviaram a tensão no mercado. Ambos estão entre os maiores produtores e exportadores mundiais do cereal. Além disso, um anúncio de que o Egito voltou a comprar trigo da região aumentou a pressão do grão no mercado americano. No Paraná, o preço médio da tonelada apurado pelo Cepea/Esalq subiu 0,86%, a R$ 543,93. (Valor Econômico 04/09/2014)