Setor sucroenergético

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Brasil vê potencial para cana na África

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acaba de concluir um amplo estudo para o desenvolvimento de vários polos sucroalcooleiros no oeste da África, uma das regiões mais pobres do mundo. Pesquisadores da firma de consultoria Bain & Company e do escritório da advocacia Machado Meyer, que foram contratados para realizar o levantamento para banco estatal de fomento, percorreram o Senegal, Mali, Níger, Burkina Faso, Benin, Togo, Costa do Marfim e Guiné Bissau; ex-possessões francesas que constituíram a União Econômica e Monetária do Oeste Africano (Uemoa) em 1994, quando passaram a adotar uma moeda única, o franco CFA.

O bloco econômico africano é apoiado pela França, que lhe dá a grande vantagem econômica de manter um câmbio fixo com o euro. Mas isso não impede que a região exiba um dos mais baixos índices de desenvolvimento humano (IDH) do mundo, situação que pode piorar com o surto do vírus ebola nos países vizinhos, como Serra Leoa e Libéria. Juntos, os oito países da Uemoa reúnem um PIB de US$ 136 bilhões e têm um déficit na balança comercial de US$ 6,8 bilhões. Dos 100 milhões de habitantes, 36% apenas estão em áreas urbanizadas e o IDH médio da região é de 0,394 - indicador bem inferior ao do Brasil, que é de 0,730.

O levantamento feito pelo BNDES, que contou também com a contribuição da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), levou quase um ano para ser concluído e mapeou 11 potenciais polos agroenergéticos nos países-membros da Uemoa, que abrangeriam desde o plantio de cana até a produção de açúcar e etanol, além da instalação de usinas termelétricas, que gerariam energia a partir da queima do bagaço. A ideia é replicar o modelo brasileiro no oeste africano e que permite aliar a produção de um alimento, o açúcar, com a oferta de biocombustíveis (etanol) e a geração de energia elétrica.

De acordo com o estudo, existe na Uemoa um potencial para produção de 950 mil toneladas de açúcar, que poderiam injetar US$ 1 bilhão por ano na economia. Além disso, os polos agroenergéticos poderiam produzir 600 mil metros cúbicos de etanol e 310 GW de energia elétrica, que trariam, respectivamente, um impacto econômico de US$ 437 milhões e US$ 38 milhões por ano. "O impacto esperado é de 1% a 5% do PIB, sendo a maior parte decorrente da produção de açúcar", concluem os pesquisadores.

O desenvolvimento desses núcleos sucroalcooleiros demandaria um investimento total de US$ 3,2 bilhões. Os países mais beneficiados seriam o Benin e Senegal, que poderiam receber, respectivamente, investimentos de US$ 512 milhões e US$ 663 milhões. Em terceiro lugar viria o Togo, onde poderiam ser investidos US$ 425 milhões, proporcionando um crescimento do PIB de 5%, o maior impacto entre todos os oito países do bloco econômico. Outros países que também apresentam potencial são Burkina Faso, Costa do Marfim e Níger, nos quais poderiam ser investidos US$ 412 milhões, US$ 410 milhões e US$ 397 milhões, respectivamente.

"A intenção foi mostrar que essa é uma região viável da África", afirma Marcelo Alves, chefe do departamento de infraestrutura do BNDES. Segundo ele, no memorando assinado pelo governo do Brasil com a Uemoa, o banco brasileiro de fomento não se compromete a financiar os projetos. "Não temos esse compromisso", diz Alves. O papel do BNDES é o de identificar oportunidades que podem interessar às empresas brasileiras, que têm expertise no setor agroenergético, como fabricantes de bens de capital.

A produção de biocombustíveis, contudo, é criticada por aqueles que defendem que as áreas agriculturáveis deveriam ser destinadas prioritariamente à produção de alimentos, especialmente na África, onde a fome ainda é o problema mais sério. "Sabemos que existe essa crítica", responde Alves. A ideia é mostrar o contrário, que os polos agroenergéticos podem ser uma solução.

O projeto na África originou-se ainda das visitas do ex-presidente Luiz Ignácio Lula da Silva ao continente. Segundo o diretor do BNDES, uma das preocupações do Ministério das Relações Exteriores (MRE), que procurou o banco de fomento para a realização do estudo, foi tentar mostrar que não existe essa dicotomia, entre a produção de alimentos e combustíveis, no modelo desenvolvido no Brasil em torno da indústria de cana-de-açúcar.

Os polos agroenergéticos formam um "tripé", afirma Alves, que podem satisfazer tanto a necessidades de alimentos, permitindo que esses países substituam a importação de açúcar, como também proporcionar a oferta de combustíveis e energia, que são essenciais para o desenvolvimento industrial desses países. A energia, por exemplo, é necessária para os projetos de irrigação, nos quais poderiam ser plantados outros tipos de lavoura.

"Esses países africanos não trocariam terras destinada à produção de alimentos para produção de biocombustíveis", afirma o sócio da área de Infraestrutura do escritório Machado Meyer, Fábio Falkenburger. Uma das inspirações para a proposta defendida pelos consultores brasileiros foi o conceito de "zonas de desenvolvimento especiais" disseminado pelo ministro da Agricultura da Nigéria, Akinwunmi Adesina, afirmam Fernando Martins, sócio da Bain & Company responsável pelo projeto e Luiza Mattos, gerente da firma de consultoria.

O ministro nigeriano, que tem doutorado pela Universidade de Purdue, nos EUA, implementou políticas para fortalecer a agricultura familiar e conquistou o respeito internacional. Seu movimento, a Aliança para uma Revolução Verde na África (AGRA, na sigla em inglês), lançada em 2007 com o objetivo de retirar milhões de agricultores da pobreza e da insegurança alimentar no continente, é apoiada pela Rockfeller Foundation e pela fundação mantida por Bill Gates. (Valor Econômico 05/09/2014)

 

Renovação de canaviais está abaixo do ideal no Centro-Sul, diz Datagro

A taxa de renovação dos canaviais para a safra 2015/2016 no Centro-Sul do Brasil, que começa em abril do ano que vem, estáabaixo do ideal em virtude das condições climáticas e do solo pouco favoráveis. Durante evento em São Paulo, o presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari, comentou o fato.

— A seca também tem afetado a brotação das soqueiras — destacou, sem precisar um porcentual para a renovação. — Devemos ter esse número em outubro, mas certamente ficará abaixo dos 18%, 17,5% ideais — afirmou.

Segundo Nastari, em São Paulo - principal Estado produtor do país - os canaviais mais castigados pela falta de chuvas são os das regiões de Presidente Prudente, Piracicaba e Araçatuba. A Datagro prevê que o Centro-Sul processará 556,03 milhões de toneladas na atual temporada, bem abaixo das 597 milhões de toneladas da anterior.

Em fevereiro deste ano, o Instituto de Economia Agrícola (IEA-Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, já estimava uma renovação 3% menor na comparação com a média dos últimos anos em razão da estiagem que assolou a região. (Agência Estado 04/09/2014)

 

Seca afetará produção de açúcar do Brasil por anos, diz Datagro

A produção de açúcar da principal região produtora do Brasil, o centro-sul, deverá cair para 32,8 milhões de toneladas na temporada 2014/15, ante 34,29 milhões de toneladas na safra anterior, e os volumes nos próximos anos continuarão pressionados pelo efeito da devastadora seca do início de 2014, estimou a consultoria Datagro nesta quinta-feira.

"Essa seca terá impacto não só nos rendimentos e produção de 2015, mas também na colheita 2016", disse o presidente da consultoria, Plinio Nastari, ao divulgar novas projeções para a safra 14/15.

Nastari disse que o mercado pode não ter absorvido totalmente o impacto da seca sobre o setor de cana do Brasil, um fenômeno climático tão severo que provavelmente mostrará os efeitos para além da produção de açúcar deste ano.

Em 2010, o setor de cana do Brasil sofreu com a seca e outras condições climáticas adversas, o que fez com que a indústria levasse três anos para se recuperar.

O número da produção de açúcar do centro-sul divulgado nesta quinta-feira indica uma redução ante o levantamento divulgado em agosto, quando a Datagro havia previsto 33,2 milhões de toneladas de açúcar.

Nastari disse ainda que grandes estoques de açúcar, especialmente na Ásia, vão continuar a pesar sobre os preços do adoçante no curto prazo, apesar da queda esperada na produção do maior exportador mundial.

No ano safra internacional do açúcar, que começa em outubro, é esperado que o mercado mude para o primeiro déficit após três anos de superávit, com a demanda superando a oferta de 2,45 milhões de toneladas.

"Continuamos a ter uma escassez de chuvas em São Paulo e, quando não chove, você não pode plantar cana", disse Nastari, referindo-se à sua previsão para a safra de cana do próximo ano, que deve cair pelo envelhecimento dos canaviais.

Ele acrescentou que as usinas estão tendo um melhor retorno com a produção de etanol, vendido em termos equivalentes com o açúcar VHP entre 17,3 e 17,6 centavos de dólar por libra-peso. O VHP (Very High Polarized) está cotado atualmente em 15,3 centavos. (Reuters 04/09/2014)

 

Volume total de moagem de cana deve atingir 556

Na Região Centro-Sul, a moagem de cana-de-açúcar para safra 2014/15 deve atingir 556 milhões de toneladas, cerca de 6,8% menor em relação à de 2013/14, conforme divulgou hoje, o presidente da DATAGRO Consultoria Agrícola, Plínio Nastari.

A safra de cana no Brasil deverá atingir 612 milhões de toneladas. No acumulado, a DATAGRO informa que a região Centro-Sul do país deverá produzir 32,87 milhões de toneladas de açúcar, com queda de 3,7% comparado a safra passada. Já o etanol chegará a 24,02 bilhões de litros, redução de 6,7% com relação a safra anterior.

Para Plínio Nastari, essa safra é heterogenia. Sendo assim, diferentes regiões produtoras do Centro-Sul sofrem impactos diversos na produção. O déficit também será recorrente as condições climáticas, como, por exemplo, a estiagem. “A taxa de renovação dos canaviais no Centro-Sul está abaixo do ideal em virtude das variações climáticas e do solo pouco favoráveis”, explica o presidente.

Mercado Internacional

Para a safra 14/15, a DATAGRO apontou que as exportações de açúcar irão ter uma queda de 6,4%, chegando a 23,5 milhões de toneladas.“A redução no mercado externo se deve, principalmente, aos elevados estoques mundiais do produto”, explica Plinio Nastari, sobre a diminuição das negociações e vendas internacionais. Entretanto, a comercialização externa do álcool atingirá1,35bilhões de litros.

Etanol

A produção de etanol pode voltar a ter destaque nesta safra. Devido à defasagem da gasolina em 14,09% em relação aos valores no mercado internacional,o etanol ganhou competitividade, segundo a DATAGRO. O valor do biocombustível de cana é de U$2,22, enquanto a gasolina chega a U$2,82 por galão.

Já o aumento do consumo de hidratado em 21%favorece o setor. Em média, de janeiro a julho, 35% da frota de veículos flex têm sido abastecidas com o biocombustível, conforme aponta relatórios da consultoria.

Durante a coletiva de imprensa, Plínio Nastari também destacou que a produção de etanol anidro será maior nesta safa. Para tanto, apesar da produção de cana ainda ser instável, deve haver perspectivas positivas. “A recuperação do setor poderá vir do etanol”, conclui o presidente da consultoria (Brasil Agro 04/09/2014)

 

Diversificação da Stora Enso inclui uso de bagaço de cana em fábrica nos EUA

Em um movimento que consolida a estratégia de diversificação dos negócios, a sueco-finlandesa Stora Enso está investindo € 32 milhões (US$ 43 milhões) na construção de uma fábrica demonstração de um tipo de açúcar, a xilose de alta pureza, obtida a partir de bagaço de cana, nos Estados Unidos.

Uma das maiores fabricantes europeias de celulose e papel, a Stora poderá iniciar, em 2017, a comercialização de xilose, usada como insumo em diferentes indústrias, ou de um produto de maior valor agregado obtido a partir desse açúcar, entre os quais o xilitol - adoçante usado em gomas de mascar e pastas de dentes.

"Vamos entrar em um negócio completamente diferente de celulose e papel. Esse é o segundo passo da companhia dentro da estratégia de diversificação", disse ao Valor PRO, serviço de informação em tempo real do Valor, o vice-presidente executivo da divisão de Biomateriais da Stora Enso, Juan Carlos Bueno.

O primeiro passo foi a construção de uma biorrefinaria, na Finlândia, focada na produção de lignina, que pode substituir produtos a base de petróleo na obtenção de determinadas especialidades químicas. A refinaria entrará em operação no ano que vem.

Porém, já há algum tempo, um dos focos do comando da Stora Enso tem sido reduzir a exposição da companhia ao segmento de papel e celulose e desenvolver novas plataformas de negócios, atreladas a mercados em expansão.

A unidade de xilose, que poderá produzir 7 mil toneladas por ano, será erguida em Raceland, no Estado da Luisiana, e receberá bagaço de cana-de-açúcar da Raceland Raw Sugar Corporation.

O investimento se segue à aquisição da Virdia, empresa americana especializada no desenvolvimento de tecnologias de extração e conversão de biomassa, anunciada em 23 de junho, em um negócio que pode alcançar US$ 62 milhões - pagamento inicial de US$ 33 milhões e adicional de US$ 29 milhões condicionado ao cumprimento de metas tecnológicas e comerciais estabelecidas até 2017.

As tecnologias desenvolvidas pela Virdia permitem a separação da celulose, da lignina e da hemicelulose de diferentes tipos de biomassa. É justamente um desses processos, o que possibilita a extração da hemicelulose, que será usado na unidade demo nos Estados Unidos. Conforme Bueno, até o início de operação da fábrica, previsto para o começo de 2017, a companhia já terá definido se vai comercializar a própria xilose ou algum outro produto que leva o açúcar. "Essa [última] é a linha mais provável", adiantou o executivo. "O objetivo é criar valor ao acionista e ao cliente."

Para chegar ao produto final, a Stora já está pesquisando empresas que tenham desenvolvido tecnologia proprietária que complementem o processo produtivo. "Isso pode levar a uma parceria ou nova aquisição", acrescentou.

Como a fábrica demonstração americana servirá, num primeiro momento, para validação da tecnologia desenvolvida pela Virdia, a Stora Enso poderá construir uma outra unidade, com escala industrial, a partir de 2017, uma vez que sua viabilidade seja comprovada.

Em nota, a papeleira europeia informou que o projeto "possivelmente" seria erguido junto a alguma fábrica de celulose da própria companhia, que forneceria a biomassa. Conforme Bueno, a bétula e o eucalipto, em menor grau, também podem ser fontes de xilose.

Hoje, para a produção de celulose, disse Bueno, pouco mais de metade da árvore é utilizada no processo e o restante é queimado, para aproveitamento como combustível. "Com essas novas tecnologias, encontramos alternativas para usar essa outra metade da madeira", acrescentou. (Valor Econômico 05/09/2014)

 

Usina Salgado em PE: O terreno vale mais

Usinas de açúcar e etanol à venda por valores irrisórios deixaram de ser novidade no Brasil nos últimos tempos. Mas a família pernambucana Queiroz, dona da Usina Salgado, está destoando da crise no setor.

Eles esperam conseguir de 600 milhões a 800 milhões de reais por uma unidade que parou de moer cana há três anos. A maior explicação é que essa é, na verdade, uma transação imobiliária.

A Usina Salgado fica num terreno de 1.500 hectares, localizado ao lado da refinaria Abreu e Lima e perto do porto de Suape, em Pernambuco. Por isso, a FIR Capital, empresa que assessora a venda, não calculou o preço com base no interesse de usineiros, mas de grandes indústrias.

A Usina Salgado foi fundada em 1890 e acumula 80 milhões de reais de dívidas. (Revista Exame, edição nº 1072)

 

Vendas de máquinas agrícolas cresceram 1,4% em agosto

As vendas internas de máquinas agrícolas no atacado atingiram 6.464 unidades em agosto, alta de 1,4% na comparação com julho e recuo de 17,1% ante agosto de 2013, informou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Com o resultado, as vendas acumulam retração de 18,9% no acumulado do ano até agosto sobre igual período de 2013, para 45.838 unidades.

Já a produção de máquinas agrícolas chegou a 8.065 unidades em agosto, queda de 8,4% na comparação com julho e recuo de 11,8% ante mesmo mês do ano passado. De janeiro a agosto, a produção de máquinas agrícolas acumula queda de 14,6% sobre igual período de 2013, para 57.254 unidades.

As exportações de máquinas agrícolas em valores totalizaram US$ 210,396 milhões em agosto, queda de 6,3% na comparação com julho e recuo de 33,8% ante agosto de 2013. No acumulado do ano até o mês passado, as exportações de máquinas agrícolas em valores caíram 16,1% em relação a igual período do ano passado, para US$ 1,9 bilhão.

O total de máquinas agrícolas exportadas chegou a 1.309 unidades em agosto, queda de 0,2% na comparação com julho e recuo de 13,4% ante agosto de 2013. Já no acumulado de janeiro a julho deste ano sobre igual período do ano passado, as exportações de máquinas agrícolas caíram 7%, para 9.184 unidades (Agência Estado, 4/9/14)

 

Dois testes serão decisivos para aumento do etanol na gasolina

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, afirmou nesta quinta-feira, 04, que o setor automobilístico fez um acordo com o governo federal para que o aumento da porcentagem de etanol anidro na gasolina para 27,5% só seja adotado após a realização de testes.

A mudança no nível foi aprovada na quarta-feira, 03, pelo Senado Federal e aguarda agora sanção da presidente Dilma Rousseff. O executivo ponderou que somente após a realização dos testes o setor dirá se concorda ou não com a medida.

Dois testes decisivos

Moan explicou que serão realizados dois testes, ambos no Centro de Pesquisa da Petrobras, com acompanhamento de todas as montadoras. De acordo com ele, o primeiro, com previsão de conclusão em outubro, será um teste de campo para avaliar a performance dos veículos.

O segundo teste, por sua vez, deverá avaliar a durabilidade dos componentes dos veículos, com previsão para ser concluído em dezembro ou janeiro do próximo ano. "Após a conclusão desses dois testes, se a mistura for aprovada, não teremos nada contra a medida", disse. (Reuters 04/09/2014)

 

Fila de navios para embarque de açúcar diminui, diz agência

O total de navios que aguardam para embarcar açúcar nos portos brasileiros caiu de 33 para 32 na semana encerrada em 3 de setembro, de acordo com levantamento feito pela agência marítima Williams Brasil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 24 de setembro.

Foi agendado o carregamento de 1,05 milhão de toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 562,41 mil t, ou 53% do total. Paranaguá responderá por 45% (473,41 mil t); Recife, por 1% (10,50 mil t); e Maceió, também por 1% (6,42 mil t). Em Santos, o terminal da Copersucar deve embarcar 161 mil t. No da Rumo, os embarques devem somar 277,91 mil t, e no da Cargill, 123,50 mil t, no período analisado.

A maior quantidade a ser exportada é da variedade VHP, açúcar bruto de alta polarização, com 972,70 mil toneladas. Os embarques do cristal B-150 somam 80,32 mil toneladas. Não há agendamento para o açúcar A-45. O A-45 e o B-150 são exportados ensacados. (Agência Estado 04/09/2014)

 

Razões do agronegócio – Por Antonio Alvarenga

O agronegócio tem muito a dizer nesta campanha. Dois documentos foram encaminhados aos candidatos à Presidência contendo as reivindicações e sugestões do setor. Um dos trabalhos foi elaborado por diversos técnicos, sob a coordenação do ex-ministro Roberto Rodrigues, presidente da Academia Nacional de Agricultura.

O outro documento foi produzido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), incorporando contribuições de diversas instituições do setor, sob a coordenação de Moisés Gomes, presidente do Instituto CNA.

A Sociedade Nacional de Agricultura também participou da construção desses documentos que, apesar de apresentarem abordagens diferenciadas, possuem sólida base de princípios convergentes. E não poderia ser de outra forma. Afinal, os problemas e as necessidades do setor são conhecidos. Na maioria das questões, o bom senso sugere soluções simples e eficazes.

De forma geral, há recomendações relativas à desburocratização do crédito rural e à ampliação do seguro rural. E, obviamente, à melhoria de nossa precária infraestrutura.

Ambos os documentos ressaltam a necessidade de proporcionar mais segurança jurídica aos proprietários rurais, e de fortalecer o Ministério da Agricultura como coordenador das ações governamentais para o setor.

No âmbito internacional, onde o Brasil é um dos principais protagonistas na exportação de alimentos, um objetivo importante a ser perseguido é o estabelecimento de acordos comerciais internacionais bilaterais, regionais e multilaterais, que reduzam tanto as barreiras tarifárias como as não tarifárias.

Também em relação ao mercado internacional, recomenda-se a implementação de ações que promovam maior competitividade do setor, visando a ampliar o acesso dos produtos brasileiros, sobretudo aqueles com maior valor agregado, nos principais mercados consumidores.

Os documentos apresentam diversas outras recomendações de natureza geral, como o incentivo à educação, à pesquisa e ao desenvolvimento tecnológico, bem como de caráter específico, como a criação de Fundos de Investimento no Agronegócio, à semelhança dos Fundos de Investimento Imobiliário.

Cada governo que se inicia é uma esperança que se renova. O agronegócio conquistou reconhecimento entre a classe política e a população brasileira em geral, com muito trabalho e esforço. Afinal, o setor produz 200 milhões de toneladas de grãos, é responsável por um terço dos empregos e mais de 20% do PIB. Fornece comida barata e de qualidade para os 200 milhões de habitantes e ainda gera excedentes exportáveis que garantem o ingresso de US$ 100 bilhões de divisas, suportando o enorme déficit comercial dos demais setores da economia.

Estamos fazendo a nossa parte. Agora, precisamos construir e articular uma sólida base política para que as propostas apresentadas nos documentos sejam implementadas no próximo período governamental, e que, assim, o agronegócio possa evoluir com firmeza em sua trajetória de sucesso (Antonio Alvarenga - Presidente da Sociedade Nacional de Agricultura. (O Globo 04/09/2014)

 

Burocracia e falta de energia elétrica emperram desenvolvimento de irrigação no Brasil

Apenas Minas Gerais e Rio Grande do Sul têm planos diretores de irrigação. O Plano de Governo trata o tema como prioridade.

Em Cristalina, Goiás, todas as lavouras têm pelo menos um pivô. Ao todo, são mais de 600 espalhados em uma área de 55 mil hectares, que deram ao município o título de maior irrigante da América Latina.

– Investimos na irrigação primeiro porque tínhamos problemas de veranico. Caía muito a produção na época. Descobriu-se a efetiva vocação da região, que tem, em função da altitude, uma temperatura amena ideal para o cultivo de diversos produtos de hortifruti, como batata, cebola, entre outros. Por termos um período seco definido entre maio e setembro, é possível cultivar essas culturas de alto valor agregado – explica o diretor do Sindicato Rural de Cristalina, Vitor Simão.

A área irrigada em Cristalina poderia ser quatro vezes maior, mas a falta de energia elétrica e a demora na liberação das licenças ambientas para a construção de represas barram esse crescimento.

– Temos no município uma subestação de 62 mil KVA que está com sua capacidade esgotada e não consegue atender a expansão. Temos uma demanda reprimida no município só para a irrigação de 54 mil KVA; tudo o que foi feito de infraestrutura de energia, fora a subestação, toda a parte de distribuição das redes que levam energia para a fazenda foi feita com recursos de agricultores. Falta investimento do Estado, da distribuidora de energia – acrescenta Vitor Simão.

Dez projetos de construção de represas já receberam a outorga de uso e represamento de água na cidade, mas eles aguardam a aprovação dos órgãos ambientais. É o caso do produtor rural Aldacir Minetto, que pretende ampliar o reservatório que compartilha com os produtores vizinhos, mas ainda não obteve a licença.

– Ninguém quer atropelar um regulamento, um órgão. Queremos que olhem com atenção e acelerem os processos que estão aí, travados, para que a gente consiga aumentar a área irrigada no campo, aumentar a produção. As linhas de crédito estão disponíveis, mas para acessar, tenho que estar com todas as licenças em mãos. Se eu não tenho a energia, se eu não tenho a outorga, a licença ambiental, eu não tenho como encaminhar esse projeto para o banco para aportar esse recurso – explica o diretor do sindicato.

O Plano de Ação do Agronegócio, elaborado por especialistas com a participação de entidades ligadas ao setor, trata a irrigação como prioridade. O documento propõe:

• Desburocratização do sistema de liberação de licenças;

• Revitalização da irrigação em áreas de alto risco climático;

• Melhorias na regulamentação da Agência Nacional de Energia Elétrica;

• Ministério da Agricultura como gerente do processo;

– O que é importante, talvez muito mais do que ter diversos órgãos tratando da agricultura, é que haja uma coordenação deste processo. Um dos instrumentos que foi exercitado e abandonado é aquele grupo de representantes de ministros que se reunia para discutir e tomar decisões em agricultura. As funções estão muito dispersas e sem comunicação. O que é mais importante é a coordenação das ações das atividades do processo, tanto de produção como de comercialização do agronegócio como um todo. Não é necessário criar mais institutos, mas talvez o contrário, diminuir os órgãos e garantir que haja uma coordenação efetiva entre eles – destaca Elisio Contini, da Embrapa.

Em 2013, o governo federal aprovou a criação do Plano Diretor Nacional da Irrigação, que ainda não foi regulamentado.

– Você terá uma política única de irrigação no país, junto com o Plano Nacional de Irrigação e os planos diretores dos Estados, que irão comungar no sentido de identificar a área a ser irrigada, os parâmetros, a questão dos recursos hídricos, de como o governo atuará. Ela norteia todo esse caminho – sublinha Guilherme Ferreira da Costa, secretário Nacional de Irrigação, do Ministério da Integração.

O Ministério da Integração Nacional informa que o plano pode minimizar os problemas na obtenção de energia e licenças ambientais, mas que depende de outros órgãos do governo federal para solucionar essas questões.

– A questão de energia não é só para a irrigação. Hoje, você tem problema de energia em vários segmentos, até na cidade. A regulamentação, de certa forma, esclarece, mas dizer que a gente vai resolver a questão, foge do âmbito da SNI [Secretaria Nacional da Irrigação]. A regulamentação terá alguns critérios que facilitarão a obtenção, mas a regulamentação quem expede é o Ibama, que tem seus próprios critérios. A regulamentação conjugada com os planos diretores vai sanar alguns problemas de viabilidade – acrescenta Costa.

O Brasil tem 6 milhões de hectares irrigados, sendo que 95% são projetos privados. Apenas Minas Gerais e Rio Grande do Sul têm planos diretores de irrigação. Outros seis Estados e o Distrito Federal estão fazendo a implementação.

Os agricultores gaúchos contam com o programa Mais Água, Mais Renda, que financia 100% dos equipamentos, como pivôs, a juros de 3,5% ao ano, com prazo 10 anos e limite de cem hectares por projeto. Em 2013, o produtor rural Rogério Oliveira, de Cachoeira do Sul, aderiu ao programa e adquiriu o segundo pivô.

– O fato de tu não mobilizar um patrimônio, um investimento, tu tem um recurso, um prazo de pagamento, que vai te dar tranquilidade, em função até dos juros. Com relação à barragem, que estamos fazendo, há vantagem porque tu tens 12 anos para pagar, sendo que tem dois anos de carência no mesmo molde de juros de 3,5% ao ano. Mas tu tens que estar com teus documentos em dia, com os impostos em dia, área liberada, tem que ser acessível para ser inspecionado – relata o usuário.

Em três anos, o programa dobrou a área irrigada no Rio Grande do Sul, que hoje é de cerca de 200 mil hectares. Além dos incentivos financeiros, o governo do Estado estabeleceu uma licença ambiental direta. O coordenador do programa, o agrônomo André Sant'ana Stolaruck lembra que alguns incentivos foram dados pelo Estado, principalmente em relação à agilidade das licenças.

Enquanto os incentivos públicos para a irrigação não chegam para os agricultores de todo o país, fica o pedido para os próximos governantes.

– É um dos países que mais chove no mundo e tem vocação agrícola. Reservando essa água do período chuvoso para o período seco, temos condições de quintuplicar nossa produção – alerta Vitor Simão. (Canal Rural 04/09/2013 às 21h: 03m)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Excesso de oferta: Os preços do açúcar demerara seguiram os fundamentos e caíram pelo segundo dia seguido ontem na bolsa de Nova York. Os contratos para março de 2015 fecharam a 17,29 centavos de dólar por libra-peso, recuo de 30 pontos. Muitos fundos anteciparam o período de rolagem de posições, o que ampliou o spread (diferença de preços) entre os lotes para março e os com vencimento em outubro deste ano para 216 pontos, o maior valor do spread entre a primeira e segunda tela desde 2008, segundo Bruno Lima, da FCStone. O movimento também reflete a tendência das tradings e usinas em apostar em entregas para o próximo ano, à espera de preços melhores. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal em São Paulocaiu 0,86%, para R$ 45,13 a saca de 50 kg.

Cacau: Novo recuo: Pelo terceiro dia seguido, as cotações do cacau na bolsa de Nova York fecharam ontem no campo negativo. Os papéis para entrega em dezembro encerraram com recuo de US$ 14, a US$ 3.132 a tonelada, pressionados por notícias de entradas de cacau no Oeste da África e liquidação de posições por parte dos fundos. O recuo dos últimos dias ocorreu após o mercado atingir os maiores valores em três anos na semana passada, em patamares considerados de "sobrecompra", segundo alguns analistas. Houve ainda influência da valorização do dólar ante as moedas de países emergentes, o que costuma reduzir a atratividade da commodity. No mercado interno, o preço médio do cacau em Ilhéus/Itabuna caiu R$ 1, para R$ 107, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Otimismo crescente: As previsões climáticas favoráveis para o desenvolvimento das lavouras de soja nos EUA mantiveram a pressão sobre os preços na bolsa de Chicago, que ontem recuaram novamente. Os lotes para novembro fecharam a US$ 10,0325 por bushel, queda de 16,75 centavos. O cinturão do Meio-Oeste deve continuar exposto a temperaturas e umidade adequadas na próxima semana, segundo a empresa de meteorologia DTN. O clima tem sido favorável desde agosto e 72% das áreas plantadas estão em condições ótimas a excelentes, conforme o USDA. A oferta de soja no mundo deve ser ainda maior, considerando a perspectiva de aumento da área plantada na América do Sul. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para a soja em Paranaguá caiu 6,66%, para R$ 62,94 a saca.

Milho: Condições favoráveis: As cotações do milho cederam ontem pelo quarto dia seguido na bolsa de Chicago. Os contratos para dezembro fecharam com queda de 5,5 centavos, a US$ 3,465 por bushel. Estão cada vez menores os riscos de geada no cinturão produtor dos EUA, no Meio-Oeste do país, assim como a possibilidade de atrasos significativos na colheita. As condições das lavouras americanas estão correndo na contramão da tendência sazonal e melhoram a cada semana, o que tem feito as consultorias privadas estimarem uma safra cada vez maior no país. Até domingo, 74% das áreas plantadas com milho nos EUA estavam em situação ótima a excelente, segundo relatório do USDA de terça-feira. No mercado doméstico, o indicador Esalq/ BM&FBovespa recuou 1,41%, para R$ 21,93 a saca. (Valor Econômico 05/09/2014)