Setor sucroenergético

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Cana sem açúcar

Os executivos da Abengoa Bioenergia, braço sucroalcooleiro do grupo, se sentem como trabalhadores no meio de um canavial. Passaram os últimos meses com um facão em cada mão, até conseguir reduzir as dívidas de curto prazo da empresa em 40%.

Suados, acharam que podiam até descansar. Mas os espanhóis querem mais.

A espanhola Talgo avalia a instalação de uma fábrica de equipamentos ferroviários no Brasil.

O grupo chegou a se candidatar à construção do trem-bala. Mas os espanhóis não gostam nem de lembrar que, um dia, levaram esse negócio a sério. (Jornal Relatório Reservado 08/09/2014)

 

Campo dividido

O agronegócio está dividido sobre a eleição. Produtores de etanol, em crise com o controle do preço da gasolina, gostam das promessas de Marina Silva sobre o incentivo às fontes renováveis. Mas pecuaristas e produtores de soja do Centro-Oeste temem seu passado ambientalista.

A CNA, também dividida, tenta se distanciar do debate. (Brasil Econômico 06/06/2014)

 

Usinas de cana do Brasil estocam açúcar e etanol antes de longa entressafra

Diante de um final antecipado para moagem de cana no centro-sul do Brasil, as usinas estão estocando açúcar e etanol, em preparação para uma entressafra mais longa do que o normal, uma situação que deverá sustentar os preços no próximo ano.

Os mercados de futuros refletem a tendência, com cotações do açúcar bruto muito mais altas para os contratos de 2015. Há um substancial "spread" de 200 pontos entre o contrato outubro de 2014 e março de 2015 na bolsa de Nova York.

"Se você segurar o estoque de açúcar, você consegue um preço melhor", disse o analista agrícola Claudiu Covrig, do provedor de dados Platts Kingsman, em Lausanne.

A atual fraqueza do açúcar, negociado perto de mínimas de sete meses em Nova York, reflete a abundante disponibilidade de curto prazo, no auge da colheita no maior produtor mundial, Brasil, além de estoques consideráveis na Tailândia, segundo maior exportador, e na China, líder na importação.

A associação da indústria de cana do centro-sul do Brasil, a Unica, estima que as usinas da principal região produtora do país terminem a moagem 30 dias mais cedo, em novembro, por causa de uma safra reduzida pela seca.

Algumas usinas já começaram a encerrar as atividades por causa de uma escassez de cana.

Fontes do mercado disseram que usinas brasileiras tinham cancelado vendas de 300 mil a 600 mil toneladas de açúcar, com previsão de entregas em semanas próximas, pagando multas de "washout" para capturar melhores retornos mais tarde.

Os retornos mais fortes e de maior liquidez que as usinas brasileiras estão recebendo a partir de vendas de etanol, em relação ao açúcar, também reduzirão a produção do adoçante nos últimos meses de esmagamento.

DEMANDA DE ETANOL

O presidente da consultoria Datagro, Plinio Nastari, disse que as usinas estão tendo um melhor retorno com a produção de etanol, vendido em termos equivalentes com o açúcar VHP entre 17,3 e 17,6 centavos de dólar por libra-peso. O VHP (Very High Polarized) está cotado atualmente em 15,3 centavos.

Um projeto de lei aprovado pelo Congresso brasileiro nesta semana aumentou o limite máximo para a mistura de etanol na gasolina, para 27,5 por cento, ante atuais 25 por cento, o que tem induzido usinas a estocarem etanol anidro na expectativa de maior demanda, disse a corretora Sucden Financial Sugar.

"As usinas, sem dúvida, vão se posicionar para o aumento da demanda de anidro que a medida poderia gerar, e possivelmente isso contempla estocagem durante o período de entressafra, o que coincide com o pico do período de viagens (de férias de verão) no Brasil", afirmou Nick Penney, da Sucden Açúcar financeiro.

Ainda é preciso, no entanto, que um estudo ateste a viabilidade técnica para a elevação da mistura pelo governo.

O mercado espera um aumento dos preços da gasolina no final do ano, possivelmente após a eleição presidencial de outubro, o que iria aumentar os retornos de vendas de etanol; acrescentaram as fontes.

Integrantes do mercado, no entanto, não esperam uma rápida recuperação dos preços do açúcar, devido a um excesso de oferta global.

Alguns operadores disseram que entregas substanciais da Tailândia e da América Central parecem prováveis contra o contrato outubro da bolsa de Nova York no vencimento, em 30 de setembro.

O foco principal do mercado mundial de açúcar agora está nos danos à produtividade agrícola no Brasil após a seca deste ano.

Covrig estima que os rendimentos deverão fechar a atual temporada com queda de 9,5 por cento, para 72,2 toneladas de cana por hectare.

A seca e o fim antecipado do processamento levaram analistas a cortar as estimativas de produção de açúcar do Brasil.

A Datagro reduziu sua previsão para a produção do centro-sul nesta temporada para 32,8 milhões de toneladas, ante 33,2 milhões. A Bioagência cortou a estimativa para 31 milhões de toneladas, versus 31,6 milhões anteriormente.

"Tem havido um déficit de água agudo em algumas regiões do Estado de São Paulo, e, se não chover, você não pode plantar cana", disse Nastari na quinta-feira. "Você vai ver os efeitos desta seca por todo o ano de 2015 e na colheita de 2016." (Nova Cana 05/09/2014)

 

Prêmios do açúcar em portos voltam ao azul

A diferença entre o preço do açúcar negociado no mercado futuro e o valor negociado nos portos (prêmio) voltou ao terreno positivo, após permanecer negativo desde o início da safra.

Na sexta-feira passada, o prêmio médio negociado para o embarque em setembro era de 20 pontos, enquanto o prêmio para embarque em outubro ficou em 40 pontos. Onze dias antes, o valor para entrega em setembro era negociado com um desconto entre 30 e 44 pontos, enquanto o açúcar para entrega em outubro variava de um desconto de 5 pontos para um prêmio de 3 pontos.

A valorização do prêmio é resultado de uma antecipação das tradings diante da decisão das usinas do Centro-Sul de cancelarem contratos para entrega no próximo mês, além da perspectiva de antecipação do fim da moagem da safra 2014/15. "Vamos ter um fim precoce desta safra e podemos ter um começo tardio da safra em 2015. Com a extensão da entressafra, a tendência dos prêmios é se fortalecerem antes da hora", explicou Gabriel Elias, analista da Olam International.

A alta também reflete o movimento de saída dos compradores da bolsa de Nova York em direção ao mercado físico brasileiro. Existe um certo receio em receber, no vencimento dos lotes da bolsa para outubro, o açúcar da Tailândia, que está deteriorado. (Valor Econômico 08/09/2014)

 

Brasil vê potencial para cana na África Etanol cana na africa

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) acaba de concluir um amplo estudo para o desenvolvimento de vários polos sucroalcooleiros no oeste da África, uma das regiões mais pobres do mundo. Pesquisadores da firma de consultoria Bain & Company e do escritório da advocacia Machado Meyer, que foram contratados para realizar o levantamento para banco estatal de fomento, percorreram o Senegal, Mali, Níger, Burkina Faso, Benin, Togo, Costa do Marfim e Guiné Bissau, ex-possessões francesas que constituíram a União Econômica e Monetária do Oeste Africano (Uemoa) em 1994, quando passaram a adotar uma moeda única, o franco CFA.

O bloco econômico africano é apoiado pela França, que lhe dá a grande vantagem econômica de manter um câmbio fixo com o euro. Mas isso não impede que a região exiba um dos mais baixos índices de desenvolvimento humano (IDH) do mundo, situação que pode piorar com o surto do vírus ebola nos países vizinhos, como Serra Leoa e Libéria. Juntos, os oito países da Uemoa reúnem um PIB de US$ 136 bilhões e têm um déficit na balança comercial de US$ 6,8 bilhões. Dos 100 milhões de habitantes, 36% apenas estão em áreas urbanizadas e o IDH médio da região é de 0,394 - indicador bem inferior ao do Brasil, que é de 0,730.

O levantamento feito pelo BNDES, que contou também com a contribuição da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), levou quase um ano para ser concluído e mapeou 11 potenciais polos agroenergéticos nos países-membros da Uemoa, que abrangeriam desde o plantio de cana até a produção de açúcar e etanol, além da instalação de usinas termelétricas, que gerariam energia a partir da queima do bagaço. A ideia é replicar o modelo brasileiro no oeste africano e que permite aliar a produção de um alimento, o açúcar, com a oferta de biocombustíveis (etanol) e a geração de energia elétrica.

De acordo com o estudo, existe na Uemoa um potencial para produção de 950 mil toneladas de açúcar, que poderiam injetar US$ 1 bilhão por ano na economia. Além disso, os polos agroenergéticos poderiam produzir 600 mil metros cúbicos de etanol e 310 GW de energia elétrica, que trariam, respectivamente, um impacto econômico de US$ 437 milhões e US$ 38 milhões por ano. "O impacto esperado é de 1% a 5% do PIB, sendo a maior parte decorrente da produção de açúcar", concluem os pesquisadores.

O desenvolvimento desses núcleos sucroalcooleiros demandaria um investimento total de US$ 3,2 bilhões. Os países mais beneficiados seriam o Benin e Senegal, que poderiam receber, respectivamente, investimentos de US$ 512 milhões e US$ 663 milhões. Em terceiro lugar viria o Togo, onde poderiam ser investidos US$ 425 milhões, proporcionando um crescimento do PIB de 5%, o maior impacto entre todos os oito países do bloco econômico. Outros países que também apresentam potencial são Burkina Faso, Costa do Marfim e Níger, nos quais poderiam ser investidos US$ 412 milhões, US$ 410 milhões e US$ 397 milhões, respectivamente.

"A intenção foi mostrar que essa é uma região viável da África", afirma Marcelo Alves, chefe do departamento de infraestrutura do BNDES. Segundo ele, no memorando assinado pelo governo do Brasil com a Uemoa, o banco brasileiro de fomento não se compromete a financiar os projetos. "Não temos esse compromisso", diz Alves. O papel do BNDES é o de identificar oportunidades que podem interessar às empresas brasileiras, que têm expertise no setor agroenergético, como fabricantes de bens de capital.

A produção de biocombustíveis, contudo, é criticada por aqueles que defendem que as áreas agriculturáveis deveriam ser destinadas prioritariamente à produção de alimentos, especialmente na África, onde a fome ainda é o problema mais sério. "Sabemos que existe essa crítica", responde Alves. A ideia é mostrar o contrário, que os polos agroenergéticos podem ser uma solução.

O projeto na África originou-se ainda das visitas do ex-presidente Luiz Ignácio Lula da Silva ao continente. Segundo o diretor do BNDES, uma das preocupações do Ministério das Relações Exteriores (MRE), que procurou o banco de fomento para a realização do estudo, foi tentar mostrar que não existe essa dicotomia, entre a produção de alimentos e combustíveis, no modelo desenvolvido no Brasil em torno da indústria de cana-de-açúcar.

Os polos agroenergéticos formam um "tripé", afirma Alves, que podem satisfazer tanto a necessidades de alimentos, permitindo que esses países substituam a importação de açúcar, como também proporcionar a oferta de combustíveis e energia, que são essenciais para o desenvolvimento industrial desses países. A energia, por exemplo, é necessária para os projetos de irrigação, nos quais poderiam ser plantados outros tipos de lavoura.

"Esses países africanos não trocariam terras destinada à produção de alimentos para produção de biocombustíveis", afirma o sócio da área de Infraestrutura do escritório Machado Meyer, Fábio Falkenburger. Uma das inspirações para a proposta defendida pelos consultores brasileiros foi o conceito de "zonas de desenvolvimento especiais" disseminado pelo ministro da Agricultura da Nigéria, Akinwunmi Adesina, afirmam Fernando Martins, sócio da Bain & Company responsável pelo projeto e Luiza Mattos, gerente da firma de consultoria.

O ministro nigeriano, que tem doutorado pela Universidade de Purdue, nos EUA, implementou políticas para fortalecer a agricultura familiar e conquistou o respeito internacional. Seu movimento, a Aliança para uma Revolução Verde na África (AGRA, na sigla em inglês), lançada em 2007 com o objetivo de retirar milhões de agricultores da pobreza e da insegurança alimentar no continente, é apoiada pela Rockfeller Foundation e pela fundação mantida por Bill Gates. (Cenário MT 05/09/2014)

 

EUA investindo tecnologia para transformar restos de milho em combustível

Fábrica poderá processar 750 toneladas de restos de milho por dia.

A corrida por formas sustentáveis de gerar energia não é apenas modinha. Além de fazer os ecochatos pararem de reclamar, também é essencial para que uma nação mantenha seu nível de independência com relação as outras. Energia é poder.

Até agora, os maiores esforços na produção de biocombustíveis estavam concentrados no bom e velho processo de converter o açúcar das plantas em etanol (nosso querido álcool). Entretanto, se quisermos que os biocombustíveis um dia representem algo de significativo frente aos combustíveis fósseis, precisamos aprender a produzir energia feita de alguma coisa que já não possa ser usado como comida, nem por nós, nem por nossos animais. Isso significa trabalhar com algo que não seja açúcar.

O candidato mais promissor é a celulose, um robusto polímero de açúcares que dão as plantas o poder de crescerem muito altas. Quebrar a celulose em açúcares (que depois podem ser convertidos em etanol) não é muito fácil economicamente falando, apesar de muito esforço já ter sido feito para encontrar algum processo que possa funcionar adequadamente. Uma boa saída é utilizar as enzimas de bactérias e fungos que normalmente são responsáveis pela decomposição da madeira.

Mirando nessa nova forma de produção de energia, os EUA anunciaram a implantação da primeira fábrica em escala comercial no país com essa capacidade. O Projeto Liberdade foi instalado em Iowa e é resultado de umajoint venture entre as agências de energia Americana e Holandesa. A planta, com capacidade pra processar até 750 toneladas de resíduos por dia, poderá trabalhar com praticamente qualquer material não comestível proveniente das lavouras de milho: casca, caroço, caule e folhas. Apesar de a intenção ser a de usar os resíduos da produção local de milho, é possível que a fábrica também funcione com outras fontes de celulose, como gramíneas.

A Agência de Energia dos EUA divulgou que o Projeto Liberdade é a primeira de três fábricas planejadas para o futuro próximo. Juntas, as fábricas terão a capacidade de produzir mais de 340 milhões de litros de etanol por ano. Tudo muito bonito não fosse o fato do próprio governo americano ter divulgado que seriam produzidos mais de 4 bilhões de litros ainda em 2013. Parece que eles também estão “correndo atrás da máquina” por lá.

Dito isso, testar como a digestão da celulose em escala industrial se mantém é muito importante para entender se esse tipo de processo pode se sustentar e ser competitivo perante os combustíveis fósseis. (Meio Bit, 07/09/2014)

 

Sistemas do Mapa oferecem mais transparência

Desde ontem (4) qualquer usuário pode consultar quais são as unidades fabris produtoras de açúcar e etanol , assim como as empresas comercializadoras de etanol. Essa consulta está disponível no SapCana, Sistema de Acompanhamento da Produção Canavieira, que é responsável pelo cadastramento de unidades e pelo registro, via on-line, de seus informes sobre moagem de cana-de-açúcar, industrialização e comercialização dos produtos.

O SapCana está disponível no site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) desde 2009, mas até então era restrito apenas para uso interno. O sistema é utilizado por empresas do agronegócio, por pesquisadores de universidades, sindicatos do setor e outros órgãos do governo. Atualmente são 390 unidades cadastradas no sistema.

Segundo o coordenador no Departamento de Cana-de-açúcar e Agroenergia (DCAA) da Secretaria de Produção e Agroenergia (SPAE) do Mapa, Moacyr Júnior, com a nova função, além das consulta pública o usuário e também poderá emitir o comprovante de cadastro da instituição. “O sistema está em constante atualização. Estamos agora estudando uma forma de disponibilizar mais documentos e relatórios para pesquisa”, explicou.

Os usuários do Sistema de Agrotóxicos Fitossanitários (Agrofit) agora podem contar com uma nova ferramenta de pesquisa em consulta aberta. A função permite a busca de rótulos, bulas, atos e certificados dos agrotóxicos, tanto do Mapa quanto do Ministério da Saúde (Anvisa) e do Ministério do Meio Ambiente (IBAMA). De acordo com o fiscal federal agropecuário do Mapa, Álvaro Inácio, chefe da Divisão de Fiscalização de Agrotóxicos, essa disponibilização do material para consulta é um reflexo do trabalho do Ministério para ser transparente com a sociedade. “Essa nova funcionalidade é importante na implantação da Lei de Acesso à informação, para divulgar informações que até então estavam restritas”, afirmou.

Atualmente o Agrofit tem 1.683 produtos cadastrados e é o principal sistema que estudantes, professores, engenheiros florestais, engenheiros agrônomos, instituições de pesquisa e pesquisadores em geral usam para obter informações sobre agrotóxicos. (MAPA 05/09/2014)

 

Como Marina ganha apoios

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, tenta ampliar alianças com setores que antes combatia.

No início dos anos 80, surgiu nos Estados Unidos a Rainbow Coalition, a coalizão arco-íris, que aglutinou militantes e intelectuais num poderoso movimento que privilegiava a ação política direta em detrimento da atuação partidária. Quem liderou a iniciativa foi o reverendo Jesse Jackson, que tentou chegar à Presidência em 1984 e 1988. Tinha cunho progressista e pregava uma nova política, reunindo sob o slogan um amplo leque de interesses. No Brasil, uma articulação parecida surge agora pelas mãos da candidata Marina Silva. Como Jackson, a presidenciável é um fenômeno que desafia analistas e assusta adversários. Em duas semanas de campanha oficial, ultrapassou Aécio Neves e emparelhou com Dilma Rousseff, vencendo em todas as simulações de segundo turno. Sob ataques cada vez mais duros de tucanos e petistas, Marina se movimenta com rapidez no tabuleiro eleitoral.

Uma análise detalhada dos atos oficiais de campanha ajuda a entender onde e como Marina tem buscado apoio para sua candidatura. Como dispõe de pouco tempo para expor suas ideias até a eleição de outubro, a presidenciável concentra esforços. Além de fincar o pé em Pernambuco, para tentar alavancar seu nome na região Nordeste, a candidata dedicou a maior parte da agenda a caminhadas, encontros e entrevistas à mídia no Sudeste. Esteve em São Paulo, onde lançou o programa de governo, e também no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul, terra do vice, Beto Albuquerque. A aposta foi certeira. Nas pesquisas, Marina abriu vantagem sobre Dilma e Aécio justamente nos dois maiores colégios eleitorais do País.

Na capital gaúcha, Marina foi estender a mão ao agronegócio, um dos setores mais resistentes à candidata. Ao lado de Beto, visitou na quinta-feira 4 uma feira agropecuária na região metropolitana de Porto Alegre. Os dois também se reuniram, por mais de uma hora, com dirigentes do segmento na sede da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), onde discutiram temas sensíveis como a demarcação de terras indígenas, o código florestal e os transgênicos. "Os representantes do agronegócio disseram que foi muito bom ouvirem minhas propostas por mim mesma, não pelo que liam ou ouviam falar", afirmou.

Marina repetiu o que consta em seu programa de governo. Defendeu a fusão das políticas florestal, fundiária e da pesca em um mesmo Ministério da Agricultura, e a priorização das obras de infraestrutura logística para atender o agronegócio, com destaque para a construção de ferrovias, portos e sistemas de armazenagem. Esse foi o segundo evento ligado ao agronegócio nesse pouco tempo de campanha. No dia 28, Marina participou da Fenasucro, tradicional feira de tecnologia sucroalcooleira, em Sertãozinho, no interior paulista. Em discurso, atacou a falta de planejamento de longo prazo para o setor energético e elogiou a produção local de energia a partir de bagaço e da palha da cana, como um exemplo a ser seguido pelo restante do País. Foi aplaudida.

A agenda de compromissos de Marina tem sido discutida diariamente pela coordenação de campanha. Discursos e imagens são sempre gravados e editados para o programa eleitoral na tevê. A ideia é dar a dimensão da amplitude de acordos feitos pela candidata, procurando desfazer a pecha de uma Marina radical e intransigente. O mesmo raciocínio tem sido usado para reforçar o comprometimento da candidata com a manutenção de políticas sociais à população de baixa renda. Sempre que pode, Marina lembra sua sofrida trajetória de menina pobre criada num seringal no Acre, o que funciona como uma espécie de "selo de pobreza". Se o PT de Dilma conseguia colar em Aécio boatos sobre o fim do Bolsa Família, com Marina a estratégia não surte efeito. Além de garantir que vai manter o programa, a candidata prometeu estender o benefício a mais dez milhões de brasileiros que ganham até meio salário mínimo. Foi para falar ao eleitorado nordestino, que mais depende dos programas sociais, que Marina visitou o Centro de Tradições Nordestinas numa de suas incursões em São Paulo.

O comando de campanha de Marina prevê para os próximos dias colocá-la em contato com os evangélicos, público importante de sua base de sustentação. Esse encontro já deveria ter acontecido, mas foi suspenso após a repercussão negativa do episódio envolvendo a divulgação de uma versão do programa de governo com artigo de apoio à união homoafetiva. O artigo foi retirado após queixas públicas do pastor Silas Malafaia, o que provocou a reação dos movimentos LGBT. Marina atribuiu o problema a uma "falha processual na editoração" do programa, mas o estrago foi feito e deixou patente a opção dela por uma agenda moral absolutamente conservadora. "Essa agenda repele igualmente a legalização do aborto, a descriminalização da maconha e, obviamente, o casamento gay", ressalta o cientista político Antonio Lavareda. "Curiosamente, a mesma Marina conservadora esbanja um charme de candidata antissistema que é escolhida pelos jovens que se contrapõem ao atual modelo político", diz.

Os protestos que tomaram as ruas do País em junho de 2013 foram convocados pelos jovens, os mesmos que agora preferem votar em Marina. Mas esses mesmos eleitores são a favor do casamento gay, da legalização do aborto e da descriminalização da maconha. Apesar de Marina ter ideias conservadoras sobre esses temas, ela não perde os jovens e ainda ganha o público evangélico, que costuma decidir seu voto baseado numa agenda moral ortodoxa que repele qualquer liberalização. A presidenciável concentra também o voto nacionalista do eleitor do PSB, enquanto carrega as expectativas liberalizantes dos agentes do mercado financeiro e de grande parte da indústria. Essa estranha capacidade de se manter acima de tamanhas divergências, mesmo sem negá-las, faz com que Marina atraia para si o voto dos ambientalistas e do agronegócio ou dos nacionalistas e dos liberais. Cores, credos e orientações convergem numa só direção, quando deveriam se anular. O que os une é um único sentimento: o da mudança. Por quanto tempo ela conseguirá manter essa espécie de coalizão é uma incógnita. (Isto é Dinheiro 06/09/2014)

 

Commodities Agrícolas

Café: Realização de lucros: Os futuros do café arábica cederam na bolsa de Nova York na sexta-feira diante da busca dos fundos pela realização dos lucros registrados no dia anterior. Os contratos para dezembro fecharam a US$ 1,9805 por libra-peso, baixa de 440 pontos, quebrando o patamar de suporte de US$ 2 a libra-peso. A liquidação de posições ocorreu após a Volcafe, divisão de café da trading ED&F Man Holdings, elevar sua previsão para a safra do Brasil em 2014/15 de 45,5 milhões de sacas para 47 milhões de sacas. Desse volume, 29,5 milhões de toneladas deverão ser de café arábica, estima a companhia. Por outro lado, a trading apontou para a possibilidade de um déficit ainda maior de oferta na safra 2015/16. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica caiu 0,3%, para R$ 446,96 a saca.

Cacau: Superávit global: Os preços do cacau recuaram na bolsa de Nova York na sexta-feira pelo quarto dia seguido, ainda por causa da perspectiva de superávit de oferta global. Os lotes para dezembro fecharam com recuo de US$ 30, a US$ 3.102 a tonelada. Desde segunda-feira, a commodity acumulou baixa de US$ 127. A sequência foi desencadeada pela divulgação de uma estimativa da Organização Internacional do Cacau de excedente de 40 mil toneladas em todo o mundo até o fim da safra 2013/14. Até então, a entidade previa um déficit do produto em 75 mil toneladas. O dado impulsionou uma série de liquidações de posições por parte dos fundos. No mercado interno, o preço médio em Ilhéus/Itabuna ficou em R$ 106,50 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Movimento técnico: Os preços da soja subiram em Chicago na sexta-feira, após duas fortes quedas seguidas, em um movimento técnico de retomada de posições. Os contratos para novembro encerraram com avanço de 18,25 centavos, a US$ 10,2150 por bushel. A alta ocorreu mesmo diante de novas estimativas positivas para a safra americana. A Informa Economics estimou uma produção de 105,49 milhões de toneladas em 2014/15, 18% acima do colhido no ciclo anterior. Outra consultoria, a FCStone, está ainda mais otimista: previu 108,9 milhões de toneladas para os EUA. Mesmo assim, a expectativa de que geadas atinjam o norte do país esta semana podem adicionar tensão às negociações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca no Paraná registrou alta de 0,66 %, a R$ 59,35.

Trigo: Influência dos grãos: O trigo acompanhou os demais grãos na bolsa de Chicago e também registrou valorização na sexta-feira, diante de especulações sobre a safra americana e o conflito entre Rússia e Ucrânia. Em Chicago, os lotes para dezembro fecharam em alta de 5 centavos, a US$ 5,3525 por bushel. Em Kansas, onde se negocia o cereal de melhor qualidade, os papéis de mesmo vencimento subiram 8,25 centavos, a US$ 6,2850 por bushel. A elevação do trigo também encontrou suporte nas notícias vindas do Leste Europeu, que podem aumentar a atratividade do cereal americano. Uma delas é a possibilidade de a Rússia restringir suas exportações. No Paraná, a saca de 60 quilos da commodity foi negociada à média de R$ 31,24, queda de 1,23%, conforme o Departamento de Economia Rural (Deral). (Valor Econômico 08/09/2014)