Setor sucroenergético

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ÚNICA: Inclusão de usinas no Reintegra é importante, mas insuficiente

SÃO PAULO - A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulgou há pouco nota na qual informa que as medidas anunciadas ontem pelo governo são importantes para o setor energético, mas ainda insuficientes para fazer frente à grave crise enfrentada pela indústria canavieira.

Em reunião extraordinária convocada ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, o governo anunciou que o açúcar e o etanol passarão a fazer parte do Programa Reintegra, que permite que algumas empresas brasileiras exportadoras recuperem até 3% da receita decorrente da exportação. As usinas que vendem ao exterior açúcar e etanol passarão a ser ressarcidas em 0,3% sobre as receitas decorrentes da exportação dos dois produtos. A partir de 2015, esse percentual subirá para 3%. A medida será enviada para assinatura da presidente Dilma ainda hoje e passará a valer a partir da publicação no Diário Oficial da União, segundo o ministro.

Mantega também anunciou a liberação de linhas de financiamento em “condições diferenciadas” para a construção de armazéns de açúcar no país. Mas, o assunto deverá ser aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião prevista ainda para este mês de setembro.

Na nota divulgada hoje à imprensa, a Unica afirmou que foram positivos os anúncios, mas acrescentou que é preciso uma visão de longo prazo para o setor, principalmente em relação ao etanol e à biomassa, “com políticas públicas claras, estáveis, consistentes e que possibilitem a recuperação da competitividade do setor e um ambiente propício a novos investimentos”. (Valor Econômico  11/09/2014)

 

Açúcar: Ladeira abaixo

A trajetória de queda dos preços do açúcar se aprofundou ontem na bolsa de Nova York diante de fatores técnicos e de fundamento.

Os lotes do demerara para março de 2015 fecharam em queda de 33 pontos, a 16,75 centavos de dólar a libra-peso. Segundo Gabriel Elias, da Olam International, as usinas do Centro-Sul estavam esperando uma reação do mercado, que não veio, e agora correm para fixar a venda da safra de 2014/15, que ainda está volumosa mesmo diante da seca.

Houve também influência do cenário externo, em que a incerteza sobre as medidas de estímulo do BCE reduziram o apetite por risco nos mercados financeiros e a alta do dólar pressionou as agrícolas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o cristal subiu 0,04%, para R$ 44,71 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 11/09/2014)

 

Novo incentivo não freia crise, dizem usineiros

Indústria sucroalcooleira elogia programa para estimular exportação, mas pede mais.

O setor sucroalcooleiro avaliou como positiva a decisão do governo de incluí-lo em programa de estímulo a exportadores, mas destacou que ela ainda é "insuficiente" para acabar com a crise vivida pelas usinas de açúcar e álcool no país.

As empresas defendem a definição de uma política de longo prazo para dar previsibilidade ao setor, com medidas como a volta da Cide (contribuição para regular preço de combustíveis), regras transparentes de reajuste da gasolina e fixação do papel do etanol na matriz de combustível do país.

A medida, antecipada pela Folha, foi confirmada nesta quarta-feira (10) pelo ministro Guido Mantega (Fazenda). O setor sucroalcooleiro passará a fazer parte do Reintegra, que devolve às empresas um percentual de suas exportações, na forma de créditos tributários.

O benefício também foi estendido ao setor de celulose.

Empresários do setor sucroalcooleiro disseram à Folha que a decisão tem importância e era reivindicada pelo setor, mas as empresas só vão voltar a investir com um cenário de previsibilidade.

Segundo eles, o setor sabe trabalhar com a incerteza do mercado, mas não com a do governo.

NESTE ANO

Segundo Mantega, produtores de açúcar e etanol serão beneficiados já neste ano, recebendo de volta 0,3% do que exportarem. No ano que vem, a alíquota do programa será de 3%, assim como para outros setores da economia beneficiados pelo programa.

"[O Reintegra] vai ajudar exportadores, a baratear exportação brasileira e compensar eventual valorização do câmbio", afirmou o ministro da Fazenda.

A medida é uma tentativa de aproximação do governo Dilma desse setor, que tem feito reiteradas críticas à política de retenção dos preços da gasolina e do nível insuficiente de investimento.

A candidata ao Planalto e principal rival de Dilma na disputa eleitoral, Marina Silva (PSB), havia feito um aceno ao setor há poucos dias, propondo medidas de estímulo à produção de etanol.

Segundo nota da Unica, entidade que reúne a indústria do setor, outra medida anunciada por Mantega na reunião de quarta-feira foi a liberação de linhas de financiamento em condições diferenciadas para a construção de armazéns de açúcar.

O assunto deve passar ainda pelo crivo do CMN (Conselho Monetário Nacional).

"Espera-se que, com a medida, o Brasil possa ampliar a sua capacidade de armazenamento, atualmente em níveis bastante inferiores aos dos principais países produtores e exportadores de açúcar e, com isso, permitir melhores oportunidades de comercialização do produto", afirma a entidade. (Folha de São Paulo 11/09/2014)

 

Tereos e Sofiprotéol criam fundo de 37 milhões de euros para inovação

SÃO PAULO - A processadora de óleos Sofiprotéol e a Tereos criaram um fundo de venture capital na França para investir em projetos inovadores dedicados a agronomia, indústria alimentícia, nutrição e energia de biomassa. A CapAgro Innovation, como foi batizado o fundo, terá um orçamento inicial de 37 milhões de euros, valor que pode chegar a 60 milhões de euros, segundo informaram as empresas em nota.

Além da Tereos e da Sofiprotéol, a CapAgro tem ainda a participação da Bpifrance, do Crédit Agricole, por meio de sua subsidiária Crédit Agricole Capital Investissement & Finance e da AG2R-La Mondiale. A francesa Tereos controla no Brasil a Tereos Internacional, que tem capital aberto na BM&FBovespa e controla a sucroalcooleira Guarani.

O fundo CapAgro terá participações que vão variar entre 1 milhão de euros e 5 milhões de euros no capital de cerca de 15 empresas inovadoras envolvidas na reciclagem de materiais, proteínas vegetais e planta química ou a exploração dos recursos marinhos. O objetivo é que essas empresas tenham sede na Europa, em especial, na França. (Valor Econômico 10/09/2014 às 18h: 20m)

 

Setor sucroalcooleiro encolheu 20% nos últimos anos

Cerca de 100 mil postos de trabalho deixados de ser criados. Falta de política energética ajudou nesse declínio.

Com a divulgação da Agência acional do Petróleo (ANP) do consumo de combustíveis do mês de julho, o setor sucroalcooleiro começa a repensar o caminho que poderia ter trilhado não fosse a atual política de reajustes de preços, instaurada pelo governo federal.

De acordo com os números, foram consumidos 3,65 bilhões e litros de gasolina C (que contém o etanol anidro misturado) e 1,01 bilhão de litros de etanol hidratado. No acumulado de doze meses, compreendido pelo período de agosto de 2013 até julho de 2014, o consumo total alcançou 54,98 bilhões de litros, dos quais 11,84 bilhões de litros de hidratado, 10,78 bilhões de litros de anidro e 32,36 bilhões de litros de gasolina A (antes da mistura). Em um ano, o consumo nacional cresceu 8,70% em relação ao mesmo período do ano passado, ou seja, 4,4 bilhões de litros, 90,6% de etanol.

De acordo com o gestor de riscos da Archer Consulting, Arnaldo Corrêa, nesse ritmo de crescimento acelerado, que coloca o consumo acional crescendo à taxa média de 6,19% ao ano nos últimos cinco anos, "se mantida essa tendência, para o ano safra de 2015/2016, o Brasil vai precisar de pelo menos mais 24 milhões de toneladas de cana apenas para atender esse mercado".

O mix de combustíveis consumidos mantém o percentual de 41,1% para o etanol e 58,9% para a gasolina.

"Tivéssemos mantido as condições favoráveis de 2009, quando o etanol era responsável por 54,5% de todo o combustível consumido pela frota nacional (Ciclo Otto), somente a região Centro-Sul do país estaria moendo nessa safra corrente, de acordo com nosso estudo, 720 milhões de toneladas de cana", afirma ele.

Para isso, segundo esse estudo da Archer Consulting, teríamos mais de 30 novas usinas, investimentos próximos a 30 bilhões de dólares e a geração de mais de 100.000 novos postos de trabalho diretos e indiretos. "Somem-se os investimentos que não vieram, além do etanol que deixamos de vender no mercado interno, e chegamos à cifra de 50 bilhões de dólares que ficaram por investir", completa Arnaldo.

O que se viu foi o contrário de crescimento ou, pelo menos, estabilidade. "O setor encolheu pelo menos 20% nesses últimos anos, seja pelo fechamento de várias unidades industriais, seja pela falta de investimento coibida pela falta de política energética, pela falta de planejamento de longo prazo e pela falta de vergonha na cara do governo atual, formado em sua maioria por gente tecnicamente desqualificada", afirma (Brasil Agro 11/09/2014)

 

Mantega: Etanol e açúcar vão entrar imediatamente no Reintegra

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta-feira, ao chegar na sede da pasta, em Brasília, que o setor sucroalcooleiro poderá ser beneficiado “imediatamente” pelo Reintegra, que devolve parte do valor exportado na forma de crédito tributário. Isso acontecerá a partir de um decreto que a Fazenda redigirá. Ele, porém, não informou quando o decreto será publicado.

Este ano, a alíquota devolvida aos exportadores é de 0,3%. Em 2015, essa parcela subirá para 3%. A alíquota maior no próximo ano servirá “para compensar uma eventual valorização do câmbio”, acrescentou o ministro.

Mantega já havia informado decisão ao Valor PRO, serviço de informação em tempor real do Valor,  na terça-feira. Ele também disse na ocasião que um outro setor será integrado ao regime, mas não informou qual.

Ao chegar à Fazenda, Mantega também foi questionado sobre a queda no emprego industrial, que segundo divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira caiu 3,6% em relação a julho do ano passado, a maior desde novembro de 2009.

De acordo com Mantega, “há uma rotatividade normal em alguns setores, mas o que importa é o saldo geral [do emprego], que está crescendo”. Ele acrescentou que o Brasil é “um dos países com menor desemprego no mundo”. (Valor Econômico 10/09/2014 às 10h: 38m)

 

Governo acena com mudanças para o setor sucroalcooleiro

Além da inclusão das empresas de açúcar e etanol no Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para as Empresas Exportadoras (Reintegra), o governo federal apontou também a possibilidade de implantar de uma nova política para o setor sucroalcooleiro a partir de 2015, caso a presidente Dilma Rousseff seja reeleita.

O aceno do Planalto ao setor ocorreu em meio ao flerte dos usineiros com a candidata de oposição Marina Silva (PSB) e o recado, na busca de maior proximidade com o setor, foi dado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A reaproximação do setor sucroalcooleiro foi ensaiada na noite de terça-feira, 09, por Mantega em conversa com dirigentes da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). Ele indicou que haverá estímulos ao etanol em um eventual segundo governo Dilma.

"O ministro sinalizou que, quando tivesse um cenário favorável, as políticas para o setor vão ser revistas", afirma ao Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, a presidente da Unica, Elizabeth Farina.

DURANTE A REUNIÃO MANTEGA PEDIU UMA APRESENTAÇÃO DETALHADA DOS PROBLEMAS ENFRENTADOS PELO SETOR

Na manhã de hoje, o ministro avançou e disse que o etanol e o açúcar entrarão no Reintegra "imediatamente". Segundo ele, a inclusão ocorrerá por meio de um decreto. Neste ano, a alíquota será de 0,3% sobre o valor exportado.

No ano que vem, para todos os setores, a alíquota será de 3,0%. "Isso vai ajudar exportadores, porque barateia a exportação brasileira e compensa eventual valorização do câmbio", justificou Mantega.

Estoques de açúcar

Outra medida anunciada ontem pelo ministro Mantega foi a liberação de linhas de financiamento em condições diferenciadas para a construção de armazéns de açúcar no País. Mas, o assunto deverá ser aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião prevista ainda para este mês de setembro.

Espera-se que, com a medida, o Brasil possa ampliar a sua capacidade de armazenamento, atualmente em níveis bastante  inferiores aos dos principais países produtores e exportadores de açúcar, e, com isso, permitir melhores oportunidades de comercialização do produto.

Segundo Elizabeth, "ninguém falou de eleição" durante a reunião com o ministro, mas Mantega reforçou a promessa de mudanças, ao deixar "em aberto" o que Dilma pode oferecer ao etanol.

A inclusão no Reintegra, porém, é vista como um paliativo diante dos problemas atuais da indústria da cana. "É uma medida relevante para o setor, mas é pontual e não resolve a nossa crise", afirma Elizabeth.

A deixa do governo

De acordo com a presidente da Unica, Mantega pediu uma apresentação detalhada dos problemas enfrentados pelo setor.

Elizabeth explicou os motivos da crise financeira dos usineiros, agravada pela falta de chuvas em grande parte do País, em importantes regiões produtoras de cana.

Foi em meio à apresentação que o ministro sinalizou a intenção do governo adotar medidas para retomar a competitividade do biocombustível em relação à gasolina.

Mantega, contudo, não antecipou quais medidas seriam anunciadas em um eventual segundo governo Dilma.

O setor cobra, entre outras ações, o retorno do Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), zerada para evitar alta no preço da gasolina, o que diminui a competitividade do etanol.

Outro pedido do setor é o aumento na proporção de etanol adicionado à gasolina, de 25% para 27,5%.

O Congresso já aprovou a elevação da mistura, mas a Unica, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) elaboram um estudo técnico para avaliar qual será o impacto, nos motores, do aumento de álcool anidro na gasolina.

O estudo deve ficar pronto em outubro e, caso a nova mistura seja autorizada pelos técnicos, poderá entrar em vigor em 2015.

Apesar do possível elevação da mistura de álcool na gasolina e a volta da Cide, os produtores de etanol cobram do governo a elaboração de uma política de longo prazo para o setor.

A definição do papel estratégico do biocombustível pelo Palácio do Planalto é vista como essencial para a retomada de investimento pelos empresários, que se aproximam de Marina Silva. (Agência Estado 10/09/2014

 

Pacote do governo inclui financiamento para armazéns de açúcar, diz Unica

A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) informou nesta quarta-feira que um pacote de medidas de ajuda ao setor, acordado com o Ministério da Fazenda na terça-feira, deverá incluir a liberação de linhas de financiamento em condições diferenciadas para a construção de armazéns de açúcar no País.

O financiamento ainda precisa ser aprovado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em reunião prevista ainda para este mês de setembro, segundo a Unica.

O pacote de ajuda inclui ainda a inclusão do setor no Programa Reintegra, um benefício criado pelo governo federal que possibilita que algumas empresas brasileiras exportadoras recuperem até 3 por cento da receita decorrente da exportação.

 

Estiagem reduz safra de cana e provoca demissões

Governo anuncia inclusão do setor sucroalcooleiro no Novo Reintegra.

A estiagem na região Sudeste atingiu em cheio a safra de cana-de-açúcar. Em São Paulo, que responde por 60% da produção nacional, 5,5 mil trabalhadores já perderam seus empregos com a antecipação em 30 dias do fim da safra 2014/2015, segundo a Cooperativa dos Plantadores decana do Estado (Coplacana). Historicamente, a colheita vai até o fim de novembro, mas, este ano, começou em agosto e deve acabar em outubro.

Pelas estimativas da Unica, que representa as principais usinas de açúcar e etanol da região Centro-Sul, e da Coplacana, a produção de cana deve apresentar queda de ao menos 20%, com algumas empresas amargando reduções de 30% a 40%. Com isso, segundo Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica, haverá uma redução de três milhões de toneladas na produção de açúcar e de 1,3 bilhão de litros de etanol. Ele, porém, minimizou os efeitos da crise na oferta de álcool combustível e de açúcar:

- Não vai haver efeito no abastecimento de açúcar e álcool, que será compensado com menos exportação.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem que o Reintegra será ampliado para os exportadores de etanol e açúcar. Hoje, o programa devolve tributos pagos na exportação, por meio de créditos tributários, até o limite de 0,3% do faturamento das empresas. Em entrevista ao GLOBO publicada na terça-feira, o ministro antecipou que, a partir de 2015, a alíquota será ampliada para 3%.

O etanol e o açúcar vão entrar no Reintegra imediatamente com o decreto que vamos fazer - explicou o ministro.

Para José Coral, vice-presidente da Coplacana, a situação do setor está tão difícil que nem a inclusão no Reintegra ajudará a resolver os problemas:

Mais uma vez o governo vem com uma medida tarde demais. Não há porque incentivar a exportação neste momento em que não temos oferta. A tendência para a safra do ano que vem é ainda pior.

Embora elogie a inclusão no Reintegra, a Unica diz que as medidas são "insuficientes para fazer frente à grave crise enfrentada pela indústria canavieira". (O Globo 11/09/2014)

 

Seca faz usina no interior de São Paulo demitir 500 funcionários e encerrar safra

Tratoristas, operadores de máquinas, funcionários administrativos e cortadores de cana dividiam uma longa fila, na manhã desta terça-feira, 09, em frente à Usina Vista Alegre, na zona rural de Itapetininga, região de Sorocaba. O grupo com mais de cem pessoas esperava a vez de assinar os documentos de dispensa. A empresa informou que, em razão da estiagem, a safra será encerrada mais cedo e, com a queda na produção, não tem como manter o quadro de colaboradores.

Metade dos mil trabalhadores está sendo dispensada. De acordo com a empresa, a estiagem causou uma redução de 40% na moagem prevista, de dois milhões de toneladas de cana. Houve redução proporcional na produção de açúcar, etanol e energia elétrica. Os baixos preços atuais do etanol também pesaram na decisão da empresa de enxugar os quadros. De acordo com a direção da usina, todos os direitos trabalhistas dos demitidos serão pagos. Parte dos trabalhadores pode ser recontratada na próxima safra, que terá início em maio.

Outras usinas do Estado de São Paulo também estão iniciando a entressafra mais cedo por causa da estiagem. Normalmente, as operações de colheita e moagem da cana seguem até o final de novembro. De acordo com a Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo (Coplacana), a falta de chuvas prejudicou o desenvolvimento dos canaviais e aumentou o custo operacional das usinas. A safra deve fechar com queda de 20% a 25% na produção.

Estimativa do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) aponta quebra acumulada até agosto, pico da safra, de 16%. A Associação da Indústria de Cana do Centro-Sul do Brasil (Unica) estima que as usinas da principal região produtora do país encerrarão a moagem trinta dias mais cedo por causa da safra reduzida pela estiagem. Na região de Ribeirão Preto, seis usinas já pararam a produção. (Agência Estado 10/09/2014)

 

Setor sucroenergético entra no Reintegra já este ano, diz Mantega

A entrada de empresas do setor de açúcar e etanol no programa Reintegra, de benefícios fiscais, será imediata, disse nesta quarta-feira o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao chegar na sede da pasta, em Brasília.

Isso acontecerá a partir de um decreto que a Fazenda redigirá. Ele, porém, não informou quando o decreto será publicado. Segundo a Unica, a medida deve ser encaminhada para assinatura da Presidente da República ainda hoje (10/9) e passará a valer assim que publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Este ano, a alíquota devolvida aos exportadores é de 0,3%. Em 2015, essa parcela subirá para 3%. A alíquota maior no próximo ano servirá “para compensar uma eventual valorização do câmbio”, acrescentou o ministro.

Uma fonte disse à Reuters que o programa de restituição tributária custará cerca de 900 milhões de reais em receitas ao Estado.

Histórico do programa

O Reintegra foi anunciado inicialmente pelo governo em 2011. Foi uma das principais medidas do Brasil Maior - que foi um pacote de "bondades" para estimular a competitividade da indústria brasileira em um momento de dólar estava baixo. O programa valeu até o fim de 2013, perdendo a validade no início deste ano.

Entretanto, após uma série de reuniões com empresários e com a presidente Dilma Rousseff, em junho deste ano, o governo anunciou o retorno do Reintegra - que passou a valer com um um percentual de crédito tributário de 0,3% em 2014. O programa passou a ser permanente, mas a alíquota poderá variar a cada ano. (Reuters 10/09/2014)

 

Ilhas de emprego no Interior do país

Puxados pelo agronegócio e pela construção civil, pequenos municípios registraram maior ocupação formal do que conhecidas cidades, prejudicadas pela crise na indústria.

O aquecimento do mercado de trabalho nos últimos sete meses deste ano colocou Altamira, no Pará, Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul, e Bebedouro, em São Paulo, no mapa das 10 cidades com mais oportunidades de emprego com carteira assinada do país. Dados do Cadastro Geral de Empregos e Desempregos (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), compilados pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) revelam que as cidades do interior estão na frente, inclusive, de conhecidos polos de atração de mão de obra, como Contagem (MG), São Bernardo do Campo (SP), Rio de Janeiro( MG) e Manaus (AM). A presença do agronegócio no interior, a migração de empreendimentos imobiliários para as cidades menores, a expansão do setor de serviços, com o aumento da renda média do trabalhador, e a atração de projetos especiais — caso de Altamira, coma Usina de Belo Monte — ajudam a explicar essa pujança interiorana.

Em contraposição, a perda de ritmo da produção industrial e o consequente desaquecimento do mercado de trabalho, além da restrição ao crédito que tem reduzido o consumo das famílias e o faturamento do varejo, vem fazendo com que cidades dinâmicas percam o antigo status. "Os dados do Caged são compatíveis com a Pesquisa Mensal do Emprego do IBGE, que vêm mostrando que há uma perda de fôlego do emprego nas grandes cidades e fora delas há um crescimento um pouco mais vigoroso", aponta Rodrigo Leandro de Moura, economista da FGV. Por trás das 9,2 mil vagas abertas em Altamira, de janeiro a julho, está a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que vem arregimentando, especialmente, profissionais da construção civil. O projeto colocou a cidade na quinta posição em abertura de postos formais de trabalho. Na lista das 10cidades mais dinâmicas também aparecem Santa Cruz do Sul (RS) e Bebedouro (SP).

Ambas têm no agronegócio as bases de seu desenvolvimento. A primeira com o fumo, e a segunda coma indústria de sucos de laranja e da cana-de-açúcar. Mesmo reconhecendo que o agronegócio é o carro-chefe, o diretor do Departamento de Desenvolvimento Econômico de Bebedouro, Lucas Seren, conta que a cidade tem uma nova aposta: a atração de empresas de logística. "Este é um período em que o agronegócio gera muito emprego na região, mas a cidade tem buscado se deslocar dessa economia de única via. Por sua localização, entre a Rodovia Armando Sales de Oliveira e a Brigadeiro Faria Lima, Bebedouro tem se consolidado como centro logístico, atraindo, inclusive, grupos que transportam marcas internacionais, como a Tracbel", diz Seren, que destaca ainda o aquecimento da construção civil na cidade, envolvida em obras públicas e empreendimentos imobiliários. Em trajetória oposta, Ipojuca, em Pernambuco, aparece no topo da lista das cidades que mais fecharam postos de trabalho.

Lá foram extintas 12,3 mil vagas de janeiro a julho, impacto da finalização de obras na Petroquímica de Suape e na Refinaria Abreu e Lima. Para Rodolfo Guimarães, diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos da Agência Estadual de Planejamento e Pesquisas de Pernambuco (Condepe/Fidem), a entressafra da cana-de-açúcar também contribuiu para a queda na geração de empregos no primeiro semestre do ano, tanto no interior, como na capital. Recife registrou o encerramento de 6,2 mil postos em sete meses. " Os dados do Caged sobre a Zona da Mata pernambucana e sobre a Região Metropolitana são prejudicados pela sazonalidade da colheita da cana. De março a agosto é o período de entressafra, onde há uma forte redução no uso de mão de obra", diz Guimarães, apontando o peso da cultura para o aumento de receita e empregos no comércio recifense.

"No segundo semestre, o dinheiro volta a correr na região e é escoado para o comércio da capital", afirma o especialista, ponderando que o varejo de Recife vem sentindo, nos últimos meses, os impactos da retração do consumo das famílias e dos investimentos. "Existe uma acomodação dos investimentos, especialmente os da construção civil na capital". Já a retração da indústria vem trazendo reflexos para o mercado de trabalho de Manaus e Contagem, que registraram, respectivamente, o fechamento de 8,3 mil e 5,6 mil postos. Responsável por mais da metade das vagas de emprego da capital amazonense, a Zona Franca perdeu, nos últimos sete meses, mais de 4,8 mil vagas. Superintendente da Suframa, Thomaz Nogueira minimiza os efeitos.

Segundo ele, dos 23 subsetores industriais da região, apenas seis estão em declínio: "A indústria de motocicletas, que usa mão de obra intensiva, preocupa mais. Mas, o setor de eletroeletrônicos tem segurado os empregos". Ainda assim, ele acredita que a retração da atividade industrial pode ter impactado Manaus: "Cada emprego aberto no polo gera cerca de cinco vagas nos serviços. (Brasil Econômico 11/09/2014)

 

Agrinvest atravessa uma entressafra de boas notícias

A esta altura, o investidor norte-americano Robert Ellis deve estar se gabando ainda mais da decisão de deixar o solo brasileiro. Dono do fundo Ridgestone Capital e um dos mais agressivos traders do mercado agrícola norte-americano, Ellis livrou-se de uma batata quente ao vender a Agrinvest.

Deixou o escaldante tubérculo – leia-se recorrentes prejuízos e uma dívida de complexa negociação no colo de Roberto Martins e dos demais investidores que assumiram o controle da proprietária de terras e produtora de grãos há cerca de dois anos.

Desde então, Martins e seus parceiros já gastaram praticamente metade desse tempo tentando encontrar um sócio capaz de revigorar a empresa e bancar os planos de expansão engavetados após a saída de Ellis.

Até agora, no entanto, acumulam apenas frustradas negociações, as mais recentes com as tradings japoneses Mitsui e Mitsubishi.

A Agrinvest já investiu mais de US$ 100 milhões, mas, quase uma década após a sua criação, segue longe do breakeven. Um antigo parceiro do fundo Ridgestone Capital no Brasil, que participou do negócio na partida, lembra ao RR que, pelas projeções feitas pelos norte-americanos, a esta altura a receita da empresa estaria próxima de R$ 1 bilhão.

Não se sabe ao certo que adubo Robert Ellis usou em suas estimativas, mas o fato é que esses números jamais foram colhidos.

Neste ano, a venda de grãos, notadamente soja e milho, deverá render à Agrinvest um faturamento em torno de R$ 300 milhões. Não é uma cifra desprezível, sobretudo porque representará um aumento das vendas de quase 50% em relação a 2013.

O problema é escassez de rentabilidade. Em 2013, a empresa chegou a ter um lucro pequeno, em torno de R$ 5 milhões.

Mas, ao longo deste ano, tem voltado a operar no vermelho. O Ridgestone deixou outras indesejáveis heranças.

Entram neste rol os contratos de arrendamento de aproximadamente 80 mil hectares de terras, com duração média de 12 anos. Se, em condições normais de temperatura e pressão, estes acordos são um maná por garantir uma produção de mais longo prazo, em momentos de entressafra financeira tornam-se algemas nos pulsos dos acionistas da Agrinvest, devido à baixa flexibilidade para renegociação.

Além disso, a empresa provavelmente terá de renegociar a segunda rolagem de uma dívida de US$ 26 milhões, referente a uma emissão de títulos privados no exterior conduzida em 2010 pelo fundo norte-americano. (Jornal Relatório Reservado 11/09/2014)

 

Uma conta de R$ 26,4 bi para o novo governo

Herança da próxima administração é resultado de ações de estímulo ao setor produtivo como a desoneração tributária e o programa de restituição de tributos para exportadores.

O futuro presidente herdará da atual gestão uma conta de R$ 26,4 bilhões relacionada a duas das principais ações do governo federal para estimular o setor produtivo: a desoneração tributária sobre folha de pagamento, dada a 56 segmentos da economia, estimada em R$ 23,4 bilhões no próximo ano, e a reedição do Reintegra, o programa de restituição de tributos para exportadores. O custo do programa, em 2015 é calculado agora em R$ 3 bilhões, por causa da inclusão de mais R$ 950 milhões em créditos a serem dados ao setor sucroalcooleiro, confirmada ontem pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega. Além disso, o próximo governo terá que lidar como custo financeiro dos empréstimos subsidiados dados pelos bancos públicos a diversos setores econômicos. Nesse caso, não há números oficiais disponíveis. Uma das estimativas mais citadas foi feita em agosto pelo economista e professor da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, Nelson Barbosa, de R$ 30 bilhões por ano.

Barbosa defende a manutenção dos financiamentos, mas o controle do seu custo de forma a acomodá-lo no (exíguo) espaço fiscal existente. A decisão de incluir o setor sucroalcooleiro no Reintegra, segundo Mantega, tema mesma motivação que levou o governo a reeditar o programa em junho passado: tentar alavancar a competitividade do setor exportador. "Isso (a reedição do Reintegra) vai ajudar os exportadores porque barateia a exportação brasileira e compensa uma eventual valorização no câmbio", declarou ontem o ministro. Na última terça-feira, Mantega antecipou a medida ao setor, em uma reunião convocada pelo próprio Ministério com a presidente da União da Indústria da cana-de-açúcar (Unica), Elizabeth Farina, e representantes das usinas. Os dois produtos receberão o mesmo benefício garantido aos demais setores incluídos no programa: em 2014, as empresas do setor serão ressarcidas em 0,3% sobre as receitas decorrentes da exportação de açúcar e álcool.

Em 2015, o benefício subirá para 3%. O Reintegra ressurgiu por intermédio de uma emenda incluída na Medida Provisória 651, em tramitação no Congresso Nacional e entrará em vigor assim que ocorrer a publicação do decreto que o regulamentará, prevista para os próximos dias. Seu objetivo é anular parte dos resíduos tributários embutidos nos custos de produtos exportados ao longo da cadeia produtiva. Especialistas em comércio internacional defendem a medida. "A reedição do programa é fundamental. O mais importante é a sinalização dada pelo ministro da Fazenda em sua declaração: a preocupação com o câmbio, que está supervalorizado", diz a advogada Cynthia Kramer, do escritório L.O. Baptista-SVMFA. Em nota, a Única informou que o ministro também se comprometeu com a liberação de linhas de financiamento em condições diferenciadas para a construção de armazéns de açúcar no país. A entidade classificou as medidas como "importantes", mas "ainda insuficientes para fazer frente à grave crise enfrentada pela indústria canavieira".

A desoneração da folha de pagamentos (que substituiu a contribuição de 20% ao INSS sobre folha por outra, de 1% a 2% sobre o faturamento), tornou-se permanente, segundo o governo, a pedido dos próprios empresários e trouxe como benefícios a manutenção do emprego e da competitividade das empresas integrantes dos 56 segmentos beneficiados. Mas, na avaliação do especialista em contas públicas da consultoria Tendências, Felipe Salto, a medida não teve o impacto desejado sobre a economia. "De 2011 a 2013, a América Latina cresceu em média 3,5%, enquanto o Brasil cresceu apenas 2%. É um indicativo de que as medidas representaram mais intervenção do governo na economia, com custos para os cofres públicos e não trouxeram o retorno esperado".

Já o consultor e especialista em temas industriais Edgar Pereira defende a desoneração como um eficiente mecanismo de simplificação tributária e afirma que ele teve impacto, reduzindo custos. Mas faz uma ressalva: "Teria sido mais adequado que o governo agisse diretamente sobre a variável-problema ao invés de recorrer a políticas de transferências de renda a setores: o câmbio apreciado. O correto seria deixar o câmbio flutuar. Se fosse permitido, flutuaria para cima", avalia. O ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Babosa, em estudo produzido no último dia 8 de agosto, afirma que ainda será necessário à frente ampliar o volume de recursos das instituições financeiras oficias, sobretudo do BNDES, para financiar o aumento de investimento no Brasil. Mas seu custo precisa ser reduzido. (Brasil Econômico 11/09/2014)

 

Vem aí o pneu verde, feito de matéria-prima derivada da cana

Petroquímica brasileira Braskem faz parceria com empresa de biotecnologia dos Estados Unidos e com a Michelin para desenvolver e comercializar isopreno renovável.

Os pneus são feitos de borracha desde 1988, quando o inventor escocês John Boyd Dunlop criou uma roda com câmara de ar inflável para o velocípede do seu filho. Antes as rodas eram de madeira ou ferro, o que causava grande desconforto em ruas esburacadas.

Agora a petroquímica brasileira Braskem, do grupo Odebrecht, anunciou que está criando um novo material derivado da cana-de-açúcar para a produção de pneus.

A empresa fez uma parceria com americana Amyris, que atua no setor de biotecnologia, e a fabricante francesa de pneus Michelin, para desenvolver e comercializar isopreno renovável, matéria-prima que será utilizada na fabricação de pneus e outras aplicações de borracha.

As companhias irão trabalhar em conjunto no desenvolvimento de uma tecnologia para utilizar açúcares de plantas, como os da cana-de-açúcar e de fontes de celulose, para produzir o isopreno renovável.

"A Amyris vai dividir seus direitos de comercializar a tecnologia de isopreno renovável desenvolvida sob sua colaboração com a Braskem. A Michelin manterá certo acesso preferencial, mas não exclusivo, ao isopreno renovável a ser produzido com a tecnologia", afirmaram as empresas.

A Amyris, que tem sede no Vale do Silício, fornece alternativas sustentáveis para uma ampla gama de produtos derivados do petróleo. Ela utiliza sua plataforma de biologia sintética industrial para converter açúcares vegetais em uma variedade de moléculas - blocos de construção flexível que pode ser utilizado numa vasta gama de produtos.

O isopreno convencional é um composto orgânico tóxico que é utilizado na fabricação do poliisopreno, a borracha. O produto também é usado como catalisador para a obtenção de outros compostos químicos.

No Brasil, cerca de 100 milhões de pneus entram no mercado a cada ano. Cerca de 60% são fabricados no País e o restante vem do exterior.

Para o consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, a parceria é mais um exemplo que amplia o leque de opções em que a cana pode trazer contribuições significativas, um horizonte que vai muito além das commodities açúcar e etanol.

“A diversidade desse mercado é enorme e a oportunidade é gigantesca para o setor sucroenergético. O desafio é tornar o produto viável comercialmente para produção em grande escala,” afirma Szwarc. Para ele, além da demanda crescente por bioplásticos, o uso da cana para fabricação de matéria-prima em pneus tem o apelo da sustentabilidade. “Do ponto de vista ambiental, as vantagens de se produzir um produto renovável são muito maiores, principalmente quando comparadas ao uso de um derivado de petróleo,” explica.

"Esta parceria permitirá a ambas as empresas continuar a tradição de inovação da Michelin na indústria de pneus e expandir a plataforma industrial de biotecnologia da Amyris para novos produtos," disse John Melo, CEO da Amyris. Segundo ele, a demanda crescente por isopreno e a vontade de ampliar as fontes de matérias-primas sustentáveis criam uma grande oportunidade para a Amyris trazer para o mercado soluções renováveis como o pneu feito de isopreno a partir da cana, o que também poderia ajudar a reduzir a volatilidade dos preços.

A Amyris e a Michelin informaram que dividirão os custos e recursos técnicos para desenvolver a produção do isopreno, que deve ser comercializado a partir de 2015. Pelo acordo, a Michelin compromete-se com o escoamento do produto por um período de dez anos, enquanto a Amyris mantém o direito de vender o isopreno para seus clientes.

A tecnologia da Amyris, usada atualmente para produzir, em escala comercial, uma molécula com 15 átomos de carbono chamada farneseno, também pode converter açúcares de plantas em isopreno, uma molécula contendo cinco átomos de carbono e que constitui o principal ingrediente para produção de borracha sintética. Tradicionalmente, o isopreno tem sido obtido como um sub-produto da produção de etileno ou a partir de resíduos de refinaria. (Agência Estado 10/09/2014)

 

Commodities Agrícolas

Café: Movimento técnico: O café arábica registrou expressiva queda na bolsa de Nova York ontem, sob pressão de movimentos técnicos e do baixo apetite por ativos de risco no cenário internacional. Os papéis para dezembro encerraram com perdas de 5,89%, a US$ 1,8125 a libra-peso, o menor valor desde 8 de agosto. Analistas dizem que o mercado está sobrevendido, o que pode estimular um movimento reverso nas próximas sessões de cobertura de posições vendidas. Até o momento, os operadores têm dado pouca atenção à situação climática em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo, que têm enfrentado dias de forte seca, sem perspectiva de melhora no curto prazo. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq registrou baixa de 4,94% para a saca de 60 quilos, a R$ 406,62.

Algodão: Safra menor: O algodão seguiu na contramão da maior parte das commodities agrícolas e fechou em alta ontem em Nova York, sustentado pela perspectiva de redução da safra americana. Os contratos para dezembro encerraram com avanço de 2,05%, a 67,14 centavos de dólar por libra-peso. Desde o início da semana, a pluma já subiu 4,4%. Em seu último relatório de acompanhamento de safra, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) indicou que as plantações de algodão no país perderam qualidade pela quarta semana consecutiva. Agora, 49% das áreas plantadas estão em condições boas a excelentes, e essa deterioração eleva o potencial de perda produtiva. Na Bahia, a arroba da pluma foi negociada a R$ 52,91 ontem, conforme a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Soja: À espera do USDA: As cotações da soja registraram poucas oscilações na bolsa de Chicago ontem, com os traders à espera do novo relatório de oferta e demanda mundial que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) divulgará hoje. Os lotes para novembro fecharam com leve alta de 1 centavo, a US$ 9,9375 por bushel. Os analistas avaliam que o órgão aumentará sua projeção para a produtividade nos EUA para cerca de 46 sacas por hectare. Os traders já veem um potencial maior, mas preferem antever uma dado menor porque a colheita está incipiente e porque o órgão costuma ser "conservador", avalia Alvaro Ancede, corretor do The Laifa Group, em Chicago. No mercado interno, o preço médio da soja no Paraná recuou 0,74% para R$ 53,86 a saca, segundo levantamento do Deral/Seab. (Valor Econômico 11/09/2014)