Setor sucroenergético

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Efeito Marina: Ações da Cosan valorizam 16% e da São Martinho 13%

Um grupo de ações tem se destacado na bolsa desde que a ex-senadora Marina Silva foi anunciada candidata a presidente da República, em agosto.

Os papéis de grandes produtoras de etanol, como Cosan e São Martinho, valorizaram 16% e 13%, respectivamente. No mesmo período, o Ibovespa subiu 3%.

Analistas acreditam que, se Marina vencer as eleições em outubro, essas companhias poderão ser favorecidas por uma preocupação maior do novo governo com energias renováveis — e com o reajuste do preço da gasolina. (Revista Exame 13/09/2014)

 

Sertãozinho quer ‘desapegar’ do etanol

Com duas usinas fechadas e indústrias à beira da falência, polo tecnológico do setor sucroalcooleiro tenta diversificar sua economia.

No norte paulista, costuma-se dizer que Sertãozinho produz e Ribeirão Preto leva a fama. Eliminado o exagero, esse polo tecnológico tem sofrido os efeitos da crise do setor do açúcar e álcool tanto quanto a vizinha mais rica. Duas de suas sete usinas fecharam - Albertina e Pignatta. Sem encomendas grandes desde 2009, as fábricas de máquinas e equipamentos demitiram 2 mil trabalhadores neste ano e vivem um delicado momento financeiro. A receita municipal caiu e arrastou a cidade 4º lugar no ranking nacional de qualidade de vida em 2007 para a 56ª posição, em 2011.

Sertãozinho procura agora descolar-se do etanol. Quanto mais investimento em subprodutos da cana, mais tecnologia incorporada e maior a chance de seus produtores darem a volta por cima. Nos últimos anos, têm se salvado os usineiros que investiram na cogeração de energia elétrica e os industriais que fabricaram máquinas para os setores químico e de petróleo. “A nossa saída é a diversificação”, afirmou o prefeito José Alberto Gimenez (PSDB), que calcula uma perda de 10% em repasses estaduais em 2014.

A cidade de 199 mil habitantes vive ainda em ambiente ainda nebuloso. De suas 550 empresas, cerca de 440 são do setor sucroalcooleiro e enfrentam as mesmas mazelas: o subsídio ao preço da gasolina, que tornou menos interessante o consumo de etanol no País, a quebra de safra por causa da seca e a queda da cotação do açúcar no mercado internacional. A ociosidade da indústria local chega a 60%, segundo a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), e são raros os dias em que os sindicatos locais não recebem dezenas de demitidos.

Na última quarta-feira, três homens esperavam a vez para rescindir o contrato de trabalho no Sindicato dos Metalúrgicos - Paulo Silva Gomes, 61 anos, e os filhos Alessandro, de 37, e Saulo, de 29, todos soldadores da HPB Energia até 21 de agosto. Eles constaram da lista de mais de cem demitidos. “Nos disseram que podiam nos recontratar no futuro. Mas estou muito preocupado”, disse Alessandro, pai de um bebê de 1 ano e 9 meses. “Digo aos meus filhos para não se assustarem. Claro que fiquei sentido. Mas já tive empresa e sei como é difícil levar o negócio adiante”, completou Paulo.

O administrador de empresas Paulo Junqueira, de 37 anos, procura emprego há dois anos, desde que foi demitido de uma multinacional. Casado e sem filhos, faz bicos como consultor enquanto sua mulher mantém um salão de beleza. “(A presidente) Dilma Rousseff acabou com a cidade, mas os usineiros também são culpados porque querem tudo de mão beijada do governo.”

Novos negócios: As usinas locais, neste ano de seca, vão antecipar a colheita em 40 dias e dispensar os trabalhadores temporários no fim de outubro. A saída para duas delas, São Francisco e Santo Antônio, ambas do Grupo Balbo, foi traçada na década passada. O grupo investiu na produção de açúcar orgânico, que deu origem à linha de alimentos Native, de levedura (proteína do açúcar) e na geração de energia. Mesmo com quebra de 8% da safra atual, três projetos continuam em curso: a produção de probiótico, de plástico biodegradável e de cera de açúcar.

A indústria de bens de capital da cidade sofre queda de 50% no faturamento em relação à década passada. Segundo Antônio Tonielo, presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise-Br), as pequenas quebraram. As grandes estão endividadas porque não há mais reformas de usinas nem novas unidades em construção.

Para Tonielo, a indústria de Sertãozinho paga caro pelo investimento pesado que fez no setor. Em meados da década passada, empregava 15 mil trabalhadores - 5 mil dos quais já foram dispensados. “A economia de Sertãozinho crescia em ritmo chinês de 2006 a 2008, de 10% a 12% ao ano. Era para termos 20 mil empregados hoje.” 

Boa parte das indústrias tenta diversificar sua produção. A Caldema chegou a fabricar de oito a dez caldeiras para a geração de energia por ano entre 2006 e 2008, quando tinha 600 empregados. Neste ano, fabricou três unidades e executou algumas reformas. Com 30 demissões recentes, sua folha de pagamentos encolheu para 500.

Para evitar uma “sangria” maior, a Caldema foi atrás de novas tecnologias. Fechou um contrato com a americana Foster Wheeler para produzir caldeiras que podem processar qualquer tipo de biomassa. Neste ano, a Caldema também fechou um contrato para produzir a caldeira para a primeira unidade de geração de energia a partir do lixo, em Barueri (SP).

Comércio: O comércio local não tem para onde correr e espera a recuperação da indústria e das usinas. O faturamento da Loja das Fábricas, fundada há 60 anos, caiu 10%. E a situação não ficou ainda pior porque o comerciante Jayme Moisés, de 87 anos, mantém as vendas “fiado”, com as compras anotadas em cadernetas. 

Domingos Carotine, de 70 anos, calcula queda de 70% no faturamento de sua loja de material de construção nos últimos três anos. Em 2011, empregava 30 pessoas - hoje, são 8. Com as vendas em queda, a receita para manter a loja fundada por seu pai nos anos 40, Carotine mantém o estoque para evitar a perda da freguesia. “Acredito que em três anos pode haver melhoria no movimento. Mas isso depende das eleições de novembro.” (O Estado de São Paulo 14/09/2014 às 14h: 21m)

 

Fechada há dois anos, usina Albertina virou sucata

Em recuperação judicial, empresa parou de processar 1,5 milhão de toneladas de cana e foi tomada pela ferrugem.

Nos canaviais de Sertãozinho, a paisagem mais triste se vê dos portões oxidados da Companhia Albertina. A usina próxima do distrito de Cruz das Posses, capaz de colher e processar 1,5 milhão de toneladas de cana, foi a primeira a quebrar depois da crise internacional de 2008. Em recuperação judicial desde então, a empresa fechou em fevereiro de 2012, logo depois do veto de seu principal credor à venda de seus ativos agrícolas por R$ 180 milhões. Mais de 2 mil empregados foram demitidos.

Conforme dados de 2009, a empresa deve um total de R$ 245 milhões a 460 credores. A única salvação para a usina seria um leilão, jamais convocado. Suas instalações em Sertãozinho acumulam mato e ferrugem e tornaram-se moradia de dez cães abandonados. Apenas oito vigias são mantidos como funcionários, além do administrador Marcos Fávolo. A usina, que processou 148,5 mil toneladas de açúcar e 33,8 milhões de litros de álcool na safra de 2008, já não tem condições de ser recuperada. Virou sucata, assim como suas colheitadeiras e seus caminhões, em cujas boleias crescem mudas de cana.

Seus três barracões de açúcar e os tanques de álcool permanecem vazios, e o posto de combustível exclusivo da usina acabou destruído. “Dá tristeza de ver a usina desse jeito”, afirmou o vigia Jacir Pereira dos Santos, que começou na empresa em 1990 como cortador de cana.

Seu colega Ailton de Oliveira preocupa-se com o fato de a empresa não recolher o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). “Para nós, está bom assim. Eles pagam direitinho. Mas, se eu for dispensado, só vou receber o FGTS se entrar na Justiça”, disse.

Desde o fechamento da usina, Viviane Carolo, a proprietária, não mais apareceu por lá, segundo os vigias. O Estado procurou o gestor financeiro da empresa, Marcelo Milliet, mas não obteve resposta. Em Sertãozinho, empresários locais costumam dizer que, se Viviane passar, “nóis cobra ela” (O Estado de São Paulo 15/09/2014)

 

Usinas carregam mais estoque de açúcar

Já de olho no bom retorno que estocar etanol para vender na entressafra tende a trazer, as usinas e tradings brasileiras também estão reforçando a estratégia de carregar estoques de açúcar. Muitas companhias que teriam de entregar a commodity em outubro estão rolando contratos futuros na bolsa para realizar a entrega apenas em março do ano que vem.

O ganho com esse adiamento, que atingiu 13% há cerca de três semanas, atualmente está em 9%, segundo Bruno Lima, consultor da FCStone. "Ainda assim, é uma boa rentabilidade, visto que é 9% com todos os custos cobertos", afirma.

A diferença de preço (spread) entre o contrato com vencimento em outubro deste ano e o de março de 2015 na bolsa de Nova York está em níveis altos, na cada dos 229 pontos, os maiores desde junho de 2008 - na sexta-feira, os papéis para outubro fecharam a 13,78 centavos de dólar por libra-peso e os com vencimento em março, a 16,32 centavos.

Mas, segundo Lima, o retorno dessa operação de "rolagem" caiu de 13% para 9% nas últimas semanas justamente porque muitas usinas fizeram essa operação, o que reduziu a disponibilidade de açúcar do Brasil para embarcar no próximo mês.

Com isso, o prêmio para os exportadores de açúcar bruto do Brasil entregarem em outubro, que há três semanas era negativo em 60 pontos, esteve na semana passada positivo em 65 pontos, um "incentivo" de quase 130 pontos, disse o especialista da FCStone. Enquanto isso, o prêmio para entrega em março do ano que vem ficou negativo em cerca de 40 pontos.

As companhias que produzem açúcar e têm capital aberto na BM&FBovespa já vêm há algum tempo sinalizando essa estratégia de estocar mais açúcar. No resultado do primeiro trimestre da safra 2014/15 - entre os meses de abril e junho -, o grupo São Martinho, por exemplo, apresentava um estoque de 153 mil toneladas da commodity, 113% mais que em igual período de 2013/14.

As usinas da Raízen, controladas por Cosan e Shell, também apresentaram no primeiro trimestre da safra estoques de açúcar 83,5% mais elevados, na casa de 800 mil toneladas. No caso da Tereos Internacional, que controla as usinas da Guarani, os estoques nesse mesmo intervalo subiram 27%, para 248 mil toneladas. Já a Biosev, segunda maior companhia sucroalcooleira do país, também mostrava ao fim do primeiro trimestre da temporada 2014/15 um estoque do produto 77,1% maior, de 238 mil toneladas. (Valor Econômico 15/09/2014)

 

Cargill pede indenização à Syngenta

A americana Cargill, uma das maiores empresas de agronegócios do mundo, entrou na sexta-feira com uma ação no tribunal do Estado da Louisiana pedindo indenização à Syngenta Seeds, braço do grupo agroquímico suíço, pela comercialização de uma semente de milho transgênica não aprovada na China.

O produto que está no centro das discussões é o milho Agrisure Viptera, também conhecido por MIR 162. Em comunicado, a Cargill confirmou que duas de suas instalações de exportação, em Reserve e Westwego, ambas na Louisiana, carregaram navios que seguiam para a China mas foram rejeitados, por conta da detecção da variedade da Syngenta.

"Ao contrário de outras empresas de sementes, a Syngenta não praticou uma administração responsável ao comercializar amplamente um novo produto antes de receber a aprovação de um mercado-chave de exportação, como a China", disse Mark Stonacek, presidente da Cadeia de Abastecimento de Grãos e Oleaginosas da Cargill na América do Norte. Na nota, o executivo afirmou, ainda, que a múlti suíça também "colocou em risco" a habilidade da agricultura dos EUA em servir os mercados globais, o que causou "danos significativos" à Cargill e à indústria agrícola americana.

Carregamentos dos EUA contendo milho MIR 162 têm sido rejeitados pela China desde o fim do ano passado. Estima-se que ao menos um milhão de toneladas da commodity tenham tomado o caminho de volta ao país. O fato de a variedade ser plantada em algumas localidades do Brasil também é apontado por especialistas como um fator que tem complicado as exportações do grão brasileiro aos chineses.

De acordo com a Cargill, um estudo da Associação Nacional de Grãos e Ração Animal estimou que os agricultores e exportadores americanos perderam até US$ 2,9 bilhões por conta do "ambiente de incerteza comercial". Stonacek destacou que a opção pela via judicial aconteceu depois de as conversas com a Syngenta terem se mostrado improdutivas.

À agência Dow Jones Newswires, a Syngenta disse que o processo "não tem mérito" e que tem sido "completamente transparente" em comercializar o trait ("evento" transgênico) nos últimos quatro anos. (Valor Econômico 15/09/2014)

 

Etanol vale 65% do preço da gasolina em SP

O preço do álcool começa a cair com menos intensidade na cidade  de São Paulo. Nesta semana, o preço recuou para R$ 1,879 por litro, 65% do valor da gasolina. Mesmo com queda menor, o etanol ainda é mais atrativo do que a gasolina para os consumidores paulistanos (Folha de São Paulo 13/09/2014)

 

Consultoria prevê safra de cana de 552 mi de t

A produtividade média do setor de cana-de-açúcar recuará para 69,5 toneladas por hectare na safra 2014/15, um volume inferior ao previsto no início da safra, de 71,3, e bem abaixo das 78,3 toneladas da safra anterior.

A estimativa é de Julio Maria Borges, da JOB Economia e Planejamento Ltda, que prevê, ainda, uma moagem de cana de 552 milhões de toneladas no centro-sul.

O motivo dessa redução de produtividade foi o clima seco até agosto, o que vai determinar uma redução da produção de açúcar para 32,3 milhões de toneladas.

A de etanol cai para 24,15 bilhões de litros. Desses, 13 bilhões são de álcool hidratado.

Borges reduziu a estimativa das exportações de açúcar para 22 milhões de toneladas, enquanto o consumo interno de etanol fica em 21,6 bilhões de litros. (Folha de São Paulo 13/09/2014)

 

O consumidor se deu mal

A taxa Selic, ditada pelo Banco Central, subiu de 7,3% para os atuais 11% desde março do ano passado.

É natural que esse aumento tenha impacto nos juros bancários, já que uma Selic maior encarece a captação dos bancos.

Mas um levantamento da Associação Nacional de Executivos de Finanças mostra que os juros ao consumidor cobrados pelos bancos cresceram mais do que a Selic. Os do cartão de crédito seguem inabalados, no posto de mais caros do país. (Revista Exame 13/09/2014)

 

OPORTUNISMO ENERGÉTICO - Túlio Milman

Esse negócio de salvar o planeta, a gente deixa para depois.

De uns tempos para cá, a defesa convicta da energia limpa foi sumindo dos discursos oficiais. Saudade dos tempos em que Lula e Dilma viajavam para o Exterior e ensinavam ao Obama e à Angela que o biocombustível era o caminho da salvação.

Etanol, luz e farol da humanidade.

Lula e Bush chegaram a defender juntos, uma parceria estratégica para o setor. Foi no longínquo 2007.

Então, de repente, o pré-sal caiu no colo de Brasília. Reservas gigantes de petróleo depositadas sob o solo pátrio.

E aquele discurso todo, aquela preocupação com o futuro limpo do planeta, foi pelo ralo.

Agora, tudo é pré-sal:

A educação das crianças, o remédio na hora, o gol do campeonato, a casa própria e o lugar no céu.

Só me resta lamentar. Reduzir a dependência planetária do petróleo deixaria uma dezena de ditaduras sem combustível. Grupos terroristas morreriam à míngua, povos oprimidos teriam alguma chance de liberdade. Sem falar nos ganhos ambientais. É verdade que vários avanços nessa área já foram feitos. A indústria do plástico é um exemplo positivo, mas ainda falta muito.

Nosso súbito amor pelo petróleo chegou a tal ponto, que o pré-sal virou astro da campanha eleitoral.

Vote nele. Afinal de contas, o petróleo é nosso, mesmo que a Petrobras seja deles. (Zero Hora 14/09/2014)

 

Terminal da Copersucar recebe primeiro carregamento de etanol

A Copersucar iniciou as operações do Terminal Copersucar de Etanol (TCE), em Paulínia (SP). Na terça-feira (09.09), o TCE recebeu seu primeiro carregamento do biocombustível, de 332 mil litros de etanol hidratado. No dia seguinte, mais 268 mil litros foram descarregados, totalizando 600 mil litros de armazenagem, parte dos 15 milhões de litros que compõem o primeiro lote de etanol, que será completado nos próximos dias.

Com investimentos de R$ 150 milhões e capacidade de armazenagem de 180 milhões de litros, o terminal permitirá operar, de maneira intermodal, os sistemas rodoviário e dutoviário. Isso será possível devido à sua interligação aos dutos da Logum, empresa da qual a Copersucar é uma das sócias, e ao sistema da Replan, da Petrobras. O duto que fará essa integração, de 1,9 km, é a próxima etapa do projeto.

Erguido em uma área de 356 mil metros quadrados de terreno próprio da Copersucar, o terminal conta com dez tanques de etanol, com capacidades de armazenamento entre 5 e 40 milhões de litros de etanol, além de 100 vagas para o estacionamento de caminhões. O volume total de movimentação previsto para o terminal nessa primeira fase é de 2,3 bilhões de litros de etanol por safra. Em termos de comparação, o volume equivale a quase 50% de todo etanol comercializado pela Copersucar na safra 2013/2014, de 4,9 bilhões de litros.

Sustentabilidade e eficiência

Devido à intermodalidade do terminal e sua integração com a Logum, o TCE permitirá uma significativa diminuição de viagens de caminhão por safra, uma vez que o etanol será transportado diretamente pelos dutos, com menor tempo de escoamento do biocombustível, maior economia de combustível e mais segurança nas estradas, representando expressivos benefícios para o meio ambiente e as comunidades. O investimento atende a critérios técnicos de excelência nos âmbitos operacional, tecnológico e ambiental. (Copersucar 12/09/2014)

 

Açúcar: A tempestade perfeita - Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY viveu mais uma semana daquelas que os produtores certamente gostariam que fossem apagadas de suas memórias. O vencimento outubro/2014, cuja expiração ocorre nesse final de setembro, encerrou a sexta-feira a inacreditáveis 13.78 centavos de dólar por libra-peso. Nos últimos 2 meses o vencimento outubro/2014 caiu mais de 350 pontos para desespero de muitas usinas brasileiras que ainda tinham razoável volume para ser fixado contra aquele mês. Agradeçam aos tailandeses por isso. Até que o outubro expire o show de horror deve continuar.

Uma desvalorização de mais de 20 % num período de dois meses, a maior desde o incêndio no terminal açucareiro da Copersucar quando o mercado negociou a 20.16 e depois mergulhou de cabeça para 15.89 centavos de dólar por libra-peso dois meses depois. Além disso, o mercado negociou a mínima de 13.75 centavos de dólar por libra-peso, o menor preço desde 12 de maio de 2010. Um espanto.

O spread outubro/marco que negociou a 250 pontos é o maior negociado nos últimos 10 anos em valores absolutos. Em termos relativos, o maior ocorreu em 29 de abril de 2008 quando o maio/2008 e julho/2008 negociavam, respectivamente, a 10,16 e 11,87 centavos de dólar por libra-peso, um carrego embutido de 153,65% ao ano.

A esmagadora maioria dos traders e diretores comerciais de usinas, por mais pessimistas que pudessem ser com os caminhos que o mercado estava trilhando desde há algum tempo, está surpresa com a velocidade e a magnitude do declínio. Uma baixa de 52 meses é assustadora. A absoluta falta de demanda na exportação que o mercado tem experimentado, mais o fato de 2014 ter sido um ano particularmente difícil para as tradings, o que diminui o apetite delas para a tomada adicional de riscos e a natural postergação de novos negócios, culmina com um ambiente desfavorável para o setor sucroalcooleiro pela falta de política de um governo atrapalhado e extremamente medíocre, e no topo de tudo isso a ameaça de uma entrega volumosa de açúcar por parte da Tailândia. A tempestade perfeita. Só falta a Dilma ganhar as eleições.

Falar depois que aconteceu é fácil demais. Por isso, não podemos esquecer que o quadro que se pintava no início do ano safra era da possibilidade de seca, que se efetivou; uma produção de cana aquém da estimativa, que acabou se verificando mas sem grande impacto; e uma chance bastante razoável do El Nino, que não se concretizou. As fixações de venda contra a bolsa de futuros de NY por parte de algumas usinas foram empurradas com a barriga na esperança de que preços melhores ocorressem com a materialização das previsões.

Uma lição fica desse derretimento do açúcar em NY para muitas empresas: com gestão de risco não se brinca nunca. Nos meus tempos de trader nunca tive muita predileção por me apaixonar pela posição e tento sempre que posso passar esse recado. A lei de Murphy está sempre pronta para ser aplicada. E, como ela assevera, se alguma coisa pode dar errado, certamente dará. Mas o que ninguém esperava era um derretimento de 300 pontos em dois meses. E tem trader apostando que vamos ver apenas um digito ainda no outubro. Impressionante como esse cenário de filme do Bela Lugosi parece não ter fim. Por outro lado, eu vejo semelhanças entre o mercado e humores atuais com o de maio de 2010 quando NY negociou 13 centavos de dólar por libra-peso e muitos diziam que ia para 9 centavos.

Os demais meses de negociação também se desvalorizaram nesses dois meses, obviamente. O março/2015 caiu 263 pontos; o maio e o julho perderam 225 e 187 pontos, respectivamente. Mais adiante na curva, o março/2016 por exemplo, caiu 117 pontos.

Algumas notícias na semana também contribuíram para colocar mais lenha na fogueira. O etanol em Chicago quebrou o suporte de longo prazo a 1.8550 praticamente abrindo a possibilidade que esse etanol encontre o Brasil como destino final. O petróleo Brent caiu para abaixo de 100 dólares o barril, o menor preço dos últimos quinze meses. As perspectivas de reeleição da presidente Dilma aumentaram, o que deve ser desastroso para a Petrobras, e para a política de transparência na formação de preços dos combustíveis, tão necessária para que o setor sucroalcooleiro pudesse atrair novos investimentos. Refletindo o novo quadro na corrida eleitoral, o dólar explodiu e a bolsa de valores encerrou a semana no seu sexto dia consecutivo de quedas. Pelo andar da carruagem, em 2015, corremos o sério risco de sentirmos saudades de 2014. É desalentador.

Apenas por curiosidade: o volume total de moagem no Centro-Sul, até a segunda quinzena de agosto, publicado pela UNICA, mostra um total de 372 milhões de toneladas de cana. Nas últimas 6 safras, o valor acumulado até esse período representou em média, tirando os extremos, 61.5% do volume total da respectiva safra. Se isso se repetir, alcançaríamos um número de 605 milhões. Ou seja, se algum fundo estiver fazendo esse tipo de análise, certamente dará com os burros n’água. Seguindo o mesmo critério, a produção de açúcar seria de 34.8 milhões de toneladas e a de etanol 26.8 bilhões de litros. A UNICA, em sua ultima estimativa, apresenta um número menor em 3.4 milhões de toneladas de açúcar e 2.8 bilhões a menos de etanol.

Alguns leitores questionaram o número que publicamos aqui sobre o aumento de consumo de combustível nos últimos doze meses, um total de 4.4 bilhões de litros. Muito bem, vamos a eles. Primeiramente, os números são da Agência Nacional do Petróleo. O acumulado nos doze meses compreendidos entre agosto de 2013 e julho de 2014 é de 11.8 bilhões de litros de hidratado e 43.1 de gasolina C (que contem 25% de anidro). O total no período é de 54.98 bilhões de litros. No mesmo período do ano anterior, portanto entre agosto de 2012 e julho de 2013, o acumulado é de 10.0 bilhões de litros de hidratado e 40.6 bilhões de litros de gasolina C, um total de 50.58 bilhões de litros. Portanto a diferença entre os dois é de 4.4 bilhões de litros. Se compararmos esse número com as vendas de etanol publicadas pela UNICA, estaremos incorrendo num erro conceitual pois o número da ANP é o consumo de carburante no Brasil e o número da UNICA engloba apenas o Centro-Sul e inclui o não-carburante.

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Leilão de energia em novembro vira tábua de salvação do setor

Indústrias de máquinas esperam nova onda de encomendas das usinas, que têm obtido ganhos apenas na cogeração.

O ânimo do empresariado de Sertãozinho só melhora quando o assunto é o leilão de compra de energia nova, marcado pelo Ministério de Minas e Energia para o próximo 30 de novembro. No curto prazo, a iniciativa traz perspectivas de registro ou ampliação do lucro para as usinas e de novas encomendas de equipamentos para a indústria local de bens de capital. Para os sindicatos, surge como possível reversão da onda de desemprego no setor sucroalcooleiro.

“Com um contrato como esse, o usineiro consegue crédito e vai direto para a indústria encomendar novas caldeiras”, explicou Antônio Tonielo, conhecido em Sertãozinho como Tonho, presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise-Br). “Se conseguir gerar energia antes de 2019, poderá vender a eletricidade no mercado livre, que paga preço mais alto, por um bom período”, completou Sidnei Galloro, gerente comercial da Caldema Equipamentos Industriais.

O risco, segundo os empresários, está em uma nova postergação desse leilão, o A5, previsto inicialmente para 12 de setembro. Outra ameaça estaria no preço máximo a ser definido. Se a remuneração for menor do que R$ 180 por megawatt (MW), as usinas dificilmente vão se interessar pelo negócio.

A Usina São Francisco, do Grupo Balbo, considera o leilão uma “sacada genial” para reativar o setor. Pioneira no ramo, investiu R$ 65 milhões desde 1987 na cogeração de energia. Atualmente, gera 22 megawatts médios, dos quais 16 são transferidos para o sistema. Do resultado líquido do grupo, no azul, 90% vêm da cogeração de energia. A expectativa de Jairo Balbo, diretor industrial da São Francisco, é de preço em torno de R$ 195 por megawatt (MW) - abaixo do mercado livre.

“Nossa contribuição é importante porque geramos energia na seca, quando os reservatórios das hidrelétricas estão baixos”, afirmou. “O novo leilão não afasta a necessidade de o governo definir a matriz energética. O setor sucroalcooleiro gera 1 milhão de empregos, e a Petrobrás, cerca de 60 mil.”

Para as usinas, a geração elétrica tornou-se “tábua de salvação” nos últimos anos, segundo Tonielo. Com a competitividade baixa do álcool nos postos de combustíveis e os preços do açúcar em queda no mercado internacional, a oferta de eletricidade tem garantido o lucro das usinas que investiram nesse ramo - 384 das cerca 450 do País. “É onde o usineiro tem ganhado.”

Segundo Galloro, o leilão tenderá a ditar o investimento do setor nos próximos anos. Muitas usinas poderão tirar de suas gavetas projetos desenhados em meados da década passada, quando o governo estimulava o setor. A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) prevê que, em 2020, a contribuição do setor será de 13.158 MW médios, o equivalente a 14% da matriz energética brasileira. Hoje, não passa de 6,99%, ou 9.726 MW, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

“O resultado do leilão definirá se a usina vai tirar da gaveta seu projeto de investimento em energia”, afirmou. “Se o leilão fracassar, o setor sucroalcooleiro vai para o vinagre.”

Linhas

Embora seja sinônimo de bom negócio, a geração de energia não está isenta das queixas dos usineiros, ainda frustrados com a resistência do governo federal em organizar leilões específicos para o setor. Tonielo critica também o fato de caber às usinas, e não ao governo, o investimento nas linhas de transmissão até a conexão com o sistema integrado nacional.

Não se trata apenas do custo de milhões de reais, lembra ele, mas também da “dor de cabeça” causada pelo traçado, que muitas vezes corta mais de uma fazenda. “Já houve caso de o linhão passar no meio de um curral. Mesmo perdendo a causa na Justiça, o fazendeiro esperou o pessoal da obra com o revólver na mão”, disse (O Estado de São Paulo 15/09/2014)

 

Monitorar a fertilidade do solo pode reduzir custo de produção

Fazer o monitoramento da fertilidade do solo da propriedade pode reduzir o custo de produção, tanto por meio de análise de solo, quanto por análise foliar.

Uma boa análise de solo ajuda o produtor a adubar corretamente e obter maiores produtividades

Antes de cultivar qualquer espécie (milho, soja, braquiária solteira ou consorciada e cana), o agricultor precisa saber minimamente duas coisas: qual a característica física do solo (teor de argila), porque isso impacta diretamente na dose de fósforo que será aplicado no solo; e como está a fertilidade do solo, que é definida por meio da análise química.

Fazer o monitoramento da fertilidade do solo da propriedade pode reduzir o custo de produção, tanto por meio de análise de solo, quanto por análise foliar, que auxilia a tomada de decisão para o agricultor definir qual fonte, quantidade e momento de aplicação do adubo na safra seguinte.

Mas como agir, quais os passos o produtor e o técnico devem seguir? Confira o que diz o pesquisador Carlos Kurihara, da Embrapa Agropecuária Oeste (Dourados, MS), que atua na área de Fertilidade do Solo.

Análise do solo e foliar

Com a análise de solo, o produtor rural conhece a fertilidade de cada gleba de sua propriedade e, com isso, consegue-se definir a adubação do próximo cultivo de forma racional. O primeiro passo, em termos de fertilidade do solo, é corrigir a acidez do solo com calcário.

– Não adianta aplicar adubo sem corrigir a acidez, porque o agricultor vai jogar dinheiro fora – afirma Carlos Kurihara.

Em geral, o período indicado para a análise de solo é no outono/inverno. O objetivo é dar tempo para que o agricultor aplique o calcário no solo, que deve reagir antes do cultivo da soja na safra de verão. Com base na análise de solo, também será definido se outro insumo de extrema importância deverá ser aplicado: o gesso.

– O gesso beneficia o aprofundamento do sistema radicular, o que faz a planta aguentar alguns dias a mais em condições de estiagem prolongada – explica.

Kurihara lembra que, na Região Sul de Mato Grosso do Sul, é muito comum ocorrer estiagem prolongada em dezembro e janeiro, período em que a soja já está em pleno florescimento. É quando a soja mais demanda nutriente e a perda de água do solo por evaporação e da planta por transpiração é muito elevada.

– Mas, se a planta tiver um sistema radicular mais desenvolvido, mais aprofundado, beneficiado pelo gesso, haverá menos perda de grãos do que em uma área de soja que não teve aplicação de gesso – ressalta.

Aplicado o calcário e o gesso, o produtor já pode pensar em aplicar o adubo. Com a análise de solo, será possível saber qual a dose ideal de adubo, a melhor fonte e o melhor momento de aplicação.

A análise do solo pode ser realizada a cada três anos. Neste prazo, os teores de nutrientes já terão mudado bastante, dependendo também do manejo que o agricultor faz em sua lavoura.

A análise de folhas é feita em épocas previamente padronizadas e pode ser realizada de três em três anos, assim como a análise de solo, por serem complementares. Mas não é necessária a análise das duas culturas.

De posse da análise de folha, o extensionista pode fazer a interpretação via faixa de suficiência e também pode fazer a interpretação pelo método DRIS. Um método complementa a informação do outro.

Sistema Convencional X SPD

No Sistema Plantio Direto (SPD), há o acúmulo gradativo de matéria orgânica, decorrente da deposição de resíduos culturais na superfície do solo, um dos princípios básicos do sistema (os outros dois são o não-revolvimento do solo e a rotação de culturas). Segundo Kurihara, isso permite um ambiente melhor em termos de fertilidade e de eficiência no uso de nutrientes, especialmente o fósforo.

O resultado é a menor perda do adubo fosfatado e, em função da cobertura do solo com palhada, o solo conserva a umidade por um período maior de tempo. Essa umidade é importante para o sistema radicular absorver a água, como também para transportar o nutriente do solo para chegar até a superfície da raiz.

Apesar do solo ser rico em fósforo, com a baixa umidade o nutriente não consegue ser transportado para o sistema radicular. O resultado é uma planta com desenvolvimento menor e, consequentemente, com uma produção de grãos menor.

Adubação fosfatada corretiva no SPD

A partir de três anos de pesquisa em Dourados, realizado pelo pesquisador Carlos Kurihara e acadêmicos orientados por ele, foram definidos critérios para adubação fosfatada corretiva de acordo com o nível de correção desejada. Os critérios são os seguintes: anualmente colocar uma quantidade um pouco maior de adubo fosfatado na linha de semeadura da soja para que sobre um pouco de adubo. Dessa forma, ao longo de três a quatro anos, a correção fosfatada será realizada de forma gradativa.

Considerando que a soja é cultivada num espaçamento de 45 centímetros normalmente, espera-se que ao longo de quatro anos, adubando-se o solo com um pouco mais de fósforo na linha, haja uma boa correção da camada superficial (de 0 a 10 cm).

Nesse trabalho também foi desenvolvida pela pesquisa da Embrapa Agropecuária Oeste uma tabela com a dose de adubo que deve ser aplicada no solo para fazer a correção adequada, usando-se fonte solúvel, de acordo com o nível em que o agricultor deseja aumentar a disponibilidade de fósforo no solo (mg/dcm³).

A tabela estará disponível em Circular Técnica que será publicada em breve no Portal da Embrapa Agropecuária Oeste no menu Publicações.

– Incentivado pelo pesquisador Luís Armando Zago, que captou essa demanda em conversa com agricultores, desenvolvemos esse trabalho, justamente no momento em que eu estava conduzindo um experimento de adubação fosfatada. Aproveitamos para conciliar a demanda dos produtores com o trabalho que já estava em andamento – diz Kurihara

Adubação na sucessão soja com milho-braquiária

Outro trabalho de pesquisa realizado por Kurihara em parceria com Gessí Ceccon, engenheiro agrônomo e analista da Embrapa Agropecuária Oeste foi a adubação na sucessão soja com milho-braquiária. As pesquisas foram conduzidas em Dourados  durante quatro safras de milho safrinha e de soja. A escolha do município foi por ter um solo bastante argiloso, cerca de 60% de argila.

Se o produtor optar pela adubação em apenas uma das culturas ou fizer uma única adubação por ano, ele pode aplicar o adubo no cultivo do milho da safra antecedente, ou então, a lanço no período de outono/inverno. Se o agricultor fizer o contrário, empregando todo o adubo previsto na sucessão soja/milho segunda safra no cultivo da leguminosa, o que implicaria no cultivo de milho safrinha sem adubo, pode haver prejuízos no rendimento de grãos do milho, uma vez que esta gramínea apresenta limitações para o aproveitamento do efeito residual do fertilizante aplicado na soja.

Adubação nitrogenada no milho segunda safra

Também em parceria com Gessí Ceccon, estudos mostram que é possível estimar qual o nível ótimo de adubação nitrogenada em milho safrinha; aplicada tanto em semeadura quanto em cobertura do milho safrinha, de acordo com o custo do adubo nitrogenado no ano que o agricultor está trabalhando e também da  expectativa do preço do grão de milho que será colhido naquela safra.

Quanto maior o custo do adubo, menor será a recomendação de adubação nitrogenada, porque a margem de lucro será menor. Quanto maior a expectativa de preço do grão de milho, maior poderá ser o investimento em adubação nitrogenada.

Por meio de cálculos matemáticos, os pesquisadores conseguiram estimar qual é a melhor dose de adubo nitrogenado para cada cenário de preço de adubo e preço de milho.

– Para um patamar de 8,5 mil quilos de grãos por hectare, os trabalhos têm demonstrado que a adubação nitrogenada em torno de 40 a 50 kg de nitrogênio é bastante interessante, porque se tem uma margem de lucro boa – exemplifica o pesquisador da Embrapa. 9Canal Rural 14/09/2014 às 15h: 41m)

 

Commodities Agrícolas

Café: Acomodação em NY: Os preços do café arábica tiveram pouca oscilação na sexta-feira diante de pressões do cenário externo e dados sobre os fundamentos. Os lotes para dezembro caíram 90 pontos, a US$ 1,8455 a libra-peso. A incerteza ante os próximos passos do Federal Reserve provocou cautela entre os investidores e deu impulso ao dólar, elevando a pressão sobre as commodities agrícolas. Os traders seguem em busca de pistas sobre o potencial produtivo da safra 2015/16 no Brasil. A Conab divulgou na sexta-feira uma estimativa de 48,834 milhões de sacas, sendo 35,875 milhões apenas do tipo arábica, alta de 13%. Os traders aguardam agora a revisão da estimativa da Conab para a safra atual, que será divulgada amanhã. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica subiu 0,48%, para R$ 424 a saca.

Laranja: Cautela internacional: As cotações do suco de laranja caíram na sexta-feira na bolsa de Nova York sob forte influência do cenário financeiro internacional, mesmo em meio a uma ameaça de ciclone na Flórida. Os lotes para janeiro de 2015 fecharam em baixa de 55 pontos, a US$ 1,484 a libra-peso. Os investidores adotaram uma postura mais cautelosa ante a expectativa de que o Federal Reserve sinalize o início de um aperto monetário nos EUA logo. A perspectiva também deu impulso ao dólar, o que aumentou a pressão sobre as commodities agrícolas. Esse cenário pesou mais que a indicação de 20% de chances de formação do ciclone até domingo na Flórida, que abriga o segundo maior parque citrícola do mundo. No mercado interno, a laranja para a indústria, segundo o Cepea/ Esalq, permaneceu em R$ 10,30 a caixa.

Soja: Fôlego técnico: Os contratos da soja subiram na bolsa de Chicago na sexta-feira em um dia de recomposição de perdas e expectativa com o clima no cinturão produtor dos Estados Unidos. Os lotes para entrega em novembro subiram 3,75 centavos, a US$ 9,8525 o bushel. No dia anterior, as cotações tiveram forte queda em reação às estimativas de produção de soja nos EUA e no mundo divulgadas pelo Departamento de Agricultura (USDA). Na sexta, os traders recompraram algumas posições buscando recompor perdas. Colaborou para o movimento a possibilidade de geada nas regiões produtoras, principalmente no norte do país. Porém, o potencial de perda às lavouras foi minimizado pelas agências de meteorologia. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq em Paranaguá manteve-se em R$ 62,94 a saca.

Trigo: Oferta global elevada: As negociações do trigo nas bolsas americanas focaram-se nas estimativas de oferta do USDA e levaram os preços à quinta queda consecutiva. Em Chicago, os lotes para dezembro fecharam com recuo de 7 centavos, a US$ 5,025 o bushel. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os papéis com o mesmo vencimento fecharam em queda de 13 centavos, a US$ 5,9325 o bushel. O órgão manteve sua previsão para a safra americana em 55,24 milhões de toneladas, mas elevou sua estimativa global para 719,95 milhões de toneladas, principalmente com incremento a partir do Leste Europeu, onde o cereal é ofertado a preços mais competitivos. No mercado doméstico, o preço médio do trigo no Rio Grande do Sul apurado pelo Cepea/Esalq manteve-se em R$ 467,90 a tonelada. (Valor Econômico 15/09/2014)