Setor sucroenergético

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GSI é areia movediça para a AGCO

A norte-americana AGCO deverá vender a GSI, seu braço de equipamentos para armazenagem de aves e suínos no Brasil. As circunstâncias exigem o corte das gorduras.

Um dos maiores fabricantes de máquinas agrícolas do mundo, o grupo sofre com a retração do mercado brasileiro: neste ano, suas vendas devem cair 20%. (Jornal Relatório Reservado 18/09/2014)

 

Desemprego nas usinas reflete mais a mecanização

A queda no número de postos de trabalho nas usinas de açúcar e etanol do Centro-Sul ainda não reflete, em sua maior parte, a crise que afeta o setor desde 2008. Ela decorre principalmente da mecanização do plantio e da colheita da cana. A perspectiva, contudo, é que o efeito do fechamento de usinas na região comece a provocar mais demissões a partir de outubro, no fim da safra.

Dados do Ministério do Trabalho, compilados a pedido do Valor pela Unesp de Jaboticabal (SP), mostram que a média mensal de pessoas ocupadas nas fábricas sucroalcooleiras caiu 1,7% entre janeiro e agosto, para 80.039. É um percentual pequeno, considerando que, na mesma comparação, o número de pessoas ocupadas em todas as funções nas usinas da região recuou 6,2% e no corte manual da cana, 18,8%.

Até agosto, os dados do ministério ainda deixam evidente a substituição do corte manual da cana pela mecanização. O número de pessoas empregadas em todas as funções nas usinas reduziu-se em 31.148 de janeiro a agosto ante igual período de 2013. No mesmo intervalo, o número de trabalhadores em funções braçais ligadas ao corte e plantio caiu 31.358, para 135.507 pessoas. (Valor Econômico 18/09/2014)

 

Fim do corte manual extinguiu 87 mil vagas

Em seis anos, a mecanização das lavouras de cana-de-açúcar do Centro-Sul resultou em uma redução de 87.661 pessoas empregadas no setor. A grosso modo, o saldo é a diferença entre o que se reduziu entre 2007 e 2013 no número de ocupados no corte e no plantio manual da cana e o aumento dos empregados para operar máquinas no campo. No mesmo intervalo, o nível de mecanização canavieira avançou de 42% para cerca de 90% da área.

O diretor-técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antônio de Pádua Rodrigues, observa que, cada máquina substitui, aproximadamente, 80 cortadores de cana. Enquanto uma máquina colhe 600 toneladas da matéria-prima por dia, um cortador de cana colhe 8 toneladas diárias.

Conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) compilados pelo projeto de ocupação sucroalcooleira da Unesp de Jaboticabal (SP), em 2007 as usinas de cana da região empregaram, na média mensal, 284.853 trabalhadores canavieiros. Na média de 2013, esse número estava em 162.567 pessoas, uma redução de 122.287 postos, ou 42,9%. Enquanto isso, a mecanização abriu novas vagas, mas não suficientes para compensar totalmente a perda na área rural. Foram acrescidos no mesmo intervalo uma média mensal de 34.626 empregos ligados à mecanização.

Diante desse cenário, segundo Padua, a iniciativa privada e o poder público criaram programas para requalificar trabalhadores nos últimos anos para que pudessem atuar nas próprias usinas e em outras indústrias.

Uma das parceiras foi a Federação dos Trabalhadores Rurais do Estado de São Paulo (Fetaesp). O presidente da entidade, Braz Albertini, afirma que apesar da requalificação ter abrangido um número grande de trabalhadores, há uma boa parcela de ex-cortadores de cana que é analfabeta ou semianalfabeta, o que dificulta a qualificação e, consequentemente, a reinserção desse grupo no mercado de trabalho.

Albertini observa que muitos foram recolocados na construção civil, mas que nos últimos meses, até esse setor vem desacelerando. "É preciso lembrar que muitos desses trabalhadores eram de fora de São Paulo. No Estado, quase não se encontra pessoas para atuarem na lavoura". (Valor Econômico 18/09/2014)

 

Mecanização ainda puxa demissões nas usinas

Já significativa, a queda do número de postos de trabalho nas usinas de açúcar e etanol da região Centro-Sul apresentada nas estatísticas oficiais ainda não reflete, em sua maior parte, a crise que afeta esse setor desde 2008. A mecanização do plantio e da colheita da cana ainda representa o maior peso dessa retração. A perspectiva, contudo, é que o efeito do fechamento de usinas na região comece a emergir nas planilhas oficiais a partir do fim desta safra 2014/15, em outubro. Algumas demissões já começaram a ser feitas em setembro.

A seca que chegou a reduzir em até 40% a oferta de cana de algumas usinas do Centro-Sul, em especial as de São Paulo, deverá levar ao "último suspiro" um grupo de indústrias do setor, cujos problemas financeiros foram agravados com safras consecutivas afetadas por intempéries, custos altos e preços de açúcar e etanol em baixa. (Valor Econômico 18/09/2014)

 

Açúcar: Queda interrompida

Após dez sessões seguidas de queda, os preços do açúcar demerara sofreram uma correção e fecharam no campo positivo ontem na bolsa de Nova York.

Os lotes para março de 2015 subiram 8 pontos, para 16,25 centavos de dólar a libra-peso.

O mercado foi sustentado pelas expectativas que antecederam a divulgação do resultado da reunião do Fed, que deram impulso a diversas commodities ontem.

Também houve rumores não confirmados de que a China teria comprado navios de açúcar da Tailândia, apesar da qualidade inferior, aproveitando a onda de preços baixos, segundo Bruno Lima, da FCStone.

Além disso, cobertura de posições vendidas ajudou a dar impulso às negociações. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,41%, para R$ 44,47 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 18/09/2014)

 

Após guerra, agricultura familiar avança em Angola

Doze anos após o fim de sua guerra civil, Angola começa a ter avanços na agricultura familiar. Mas o desafio é grande: o país ainda importa quase tudo o que consome, de carnes a açúcar.

A explicação está na história. "A guerra fez com que as pessoas perdessem o interesse em trabalhar na terra. Elas começavam a plantar, mas logo precisavam sair do local e perdiam tudo", conta Kimputu Ngiaba, responsável pelo projeto Kukula Ku Moxi, em Malanje, norte do país.

Criado em 2009 pela Sodepac, órgão ligado ao governo, o programa conta com 700 famílias. Com orientações de agrônomos e a venda da produção à Biocom, usina de cana que fica ao lado da comunidade, a renda das famílias quadruplicou no período. (Folha de São Paulo 18/09/2014)

 

Conselho da Cosan aprova cisão parcial e incorporação de parcela pela Cosan Logística

Os Conselhos de Administração das empresas Cosan e Cosan Logística aprovaram protocolo e justificação de cisão parcial da Cosan e incorporação da parcela cindida pela Cosan Logística, conforme fato relevante divulgado ao mercado na noite de terça-feira.

"A parcela cindida da Cosan a ser incorporada pela Cosan Logística é constituída, exclusivamente, da participação societária detida pela Cosan na Cosan Logística, equivalente, nesta data, a 100 por cento das ações de emissão da Cosan Logística, as quais, em decorrência da cisão parcial, serão canceladas e, subsequentemente, emitidas novas ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal da Cosan Logística, as quais serão atribuídas aos acionistas da Cosan", disseram as empresas.

No âmbito da operação, serão emitidas 405.341.814 novas ações ordinárias da Cosan Logística e atribuídas aos acionistas da Cosan. Imediatamente após a implementação da cisão parcial, a Cosan e Cosan Logística terão os mesmos acionistas, com a mesma quantidade de ações em cada uma das companhias, afirmaram as empresas. (O Estado de São Paulo 17/09/2014)

 

Incêndio destrói área de 500 hectares em Sertãozinho

Causas das chamas ainda não foram descobertas; em Orlândia, fogo em canavial criou cortina de fumaça na rodovia.

Um incêndio destruiu 500 hectares de canaviais e de uma área de preservação ambiental, ontem, em Sertãozinho.

Bombeiros de Ribeirão Preto e de Sertãozinho tiveram muito trabalho para conter o fogo, que começou por volta das 17h de segunda-feira, ao lado da mata da Fazenda Experimental, próxima a Rodovia Carlos Tonani.

De acordo com os Bombeiros, o incêndio só foi totalmente contido 24 horas depois. O helicóptero Águia da Polícia Militar foi acionado para ajudar na identificação dos focos de incêndio.

Causas

“Não temos explicação para o que causou o incêndio. Foi um trabalho em equipe com um resulto positivo para conter o fogo. Fizemos o serviço com nossos caminhões e o apoio das usinas no combate às chamas”, explicou o tenente Fernando Roberto, do Corpo de Bombeiros de Ribeirão Preto. A mata da Fazenda Experimental não chegou a ser atingida pelo fogo.

“Existiram focos no brejo que fica na entrada da mata, mas ela foi preservada e contemos as chamas”, relatou o tenente.

O topógrafo Antônio Massari, 65 anos, costuma pescar em um riacho que corta a mata. O pescador lamentou a destruição causada pelo fogo.

“Foi um grande estrago. É lamentável eu não vejo explicação para isso, deve ter sido criminoso. Ainda bem que não atingiu a mata”, disse.

Uma das áreas de canaviais atingida pelo fogo, pertence a Usina São Francisco. A assessoria de imprensa da usina informou que os focos de incêndio foram controlados por caminhões-pipa.

 

Incêndio em Orlândia fechou Anhanguera

Ontem, um incêndio em um canavial às margens da Rodovia Anhanguera, no quilômetro 351, em Orlândia, provocou a interdição dos dois sentidos da pista por aproximadamente uma hora.

Os motoristas que passavam pelo local precisaram desviar por Sales Oliveira, aumentando o percurso em 15 quilômetros.

De acordo com a assessoria da Vianorte, concessionária que administra o trecho, as duas pistas foram liberadas logo depois que o fogo foi controlado e o trânsito flui sem congestionamento.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ontem, a temperatura máxima chegou a 32ºC em Ribeirão, Sertãozinho e Orlândia. A previsão do instituto para hoje é de temperatura máxima de 36ºC e mínima de 18ºC. (A Cidade 17/09/2014)

 

Trabalhadores e produtores de cana juntos em protesto contra Dilma

Trabalhadores de toda a cadeia produtiva sucroenergética voltam a se aliar com os produtores de cana e promovem na próxima quarta-feira (24) um ato de protesto em Ribeirão Preto. O movimento remete ao “Grito Pelo Emprego e Pela Produção”, promovido a partir de abril de 1999 e que resultou na alavancagem do ciclo virtuoso de crescimento do setor que dobrou de tamanho.

Este ciclo se extinguiu no início do segundo mandato do presidente Lula e a situação se deteriorou em razão da “teimosia” e “falta de compromisso e responsabilidade” da presidente Dilma Rousseff, segundo Antonio Vitor, organizador do evento. Ele preside o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação de Sertãozinho e Região, é vice-presidente da Força Sindical São Paulo e diretor de Assuntos Internacionais da Força Sindical Nacional.

“Não dá mais para suportar o descaso de ‘madame’ Dilma em relação aos biocombustíveis e a bioenergia. Além do que, o PT e os partidos que a apóiam, tomaram de assalto a Petrobras. E, descaradamente, todos assistimos a baixaria que ela transformou esta campanha política onde as mentiras se mesclam aos escândalos. Temos que dar um basta a tudo isto”, reclamou o sindicalista.

Sem adiantar o local onde será feito o ato público de protesto, Antonio Vitor apenas confirma onde será a concentração dos trabalhadores e dos produtores de cana: “A partir das 6h da próxima quarta-feira estaremos nos concentrando na confluência da Rodovia Atilio Balbo com o Anel Viário. De lá seguiremos em carreata em direção a um local estratégico em Ribeirão Preto”, adiantou.

“Estamos juntos e solidários em apoiar os candidatos que estão comprometidos com o setor sucroenergético. Bem como, estamos juntos para evitar que os escândalos, o descaso e a falta de compromisso com o setor canavieiro continuem provocando demissões, fechamento de usinas e de indústrias de base e levando o caos aos cerca de 1 mil municípios que produzem cana em 14 Estados brasileiros”, concluiu. (Brasil,Agro 18/09/2014)

 

Marina sugere liberação do preço da gasolina e Aécio promete volta da Cide

Com uma única certeza em mente - a de que só a derrota da presidente Dilma Rousseff nas eleições pode recuperar a produção de etanol no país -, os empresários do setor sucroalcooleiro esperam um apoio maior nos próximos quatro anos caso Marina Silva (PSB) ou Aécio Neves (PSDB) vença as eleições. Os três candidatos foram questionados pelo Valor sobre suas posições concretas diante das atuais demandas dos usineiros. A campanha de Aécio foi mais assertiva que Marina nas respostas. Dilma não respondeu.

O candidato tucano, cuja assessoria designou o especialista em energia Adriano Pires para responder à reportagem, foi o que apresentou posicionamentos mais concretos sobre a volta da cobrança da Cide na gasolina, fim do controle de preços da gasolina e incentivos à energia de biomassa, apesar de a candidata Marina Silva, que respondeu diretamente por escrito aos questionamentos do jornal, ter reiterado que é a favor de um diferencial tributário para o biocombustível, é contra o controle do preço dos combustíveis fósseis e que considera inaceitável o não aproveitamento da energia da biomassa da cana.

Com um histórico consistente de defesa do ambiente e sustentabilidade, Marina Silva afirmou ao Valor, por e-mail que, se eleita, vai propor, já no primeiro mês de governo, uma reforma tributária que contemple critérios diferenciados de tributação entre os combustíveis fósseis e os renováveis, o que leva em conta as externalidades negativas dos fósseis.

A ideia é retomar a cobrança da Cide na gasolina, caso a candidatura do PSDB seja vencedora, afirma Adriano Pires, que está dando suporte à área de energia ao programa de governo de Aécio Neves. "O programa considera que o etanol tem que ter um diferencial tributário, por ser energia limpa e renovável. Como a Cide já existe, não tem sentido inventar outro mecanismo, sendo que esse que já funciona", detalhou Pires.

Ele esclarece, no entanto, que não será possível retomar de uma vez com a cobrança do valor "cheio" da Cide, que chegou a 28 centavos por litro em janeiro de 2013. "Teremos que adotar uma política para escalonar a retomada da cobrança ao longo do tempo. Se voltar tudo, haverá um impacto terrível na inflação", afirmou.

A Cide na gasolina e no diesel começou a ser reduzida pelo atual governo no começo de 2012 e foi zerada em julho de 2013, para amortecer os reajustes desses combustíveis feitos na refinaria nesse intervalo, lembra Pires. Com isso, o governo impediu que esse aumento chegasse nos postos de combustíveis, represando também os preços do etanol hidratado, que deixam de ser competitivos quando passam a equivaler a menos de 70% do preço da gasolina.

Mas não é só a volta da Cide que resolve o problema do setor. As usinas querem um fim ao controle dos preços dos combustíveis no país, ou ao menos uma regra clara de formação de preço.

Se eleito, Aécio tem a intenção de estabelecer um tempo de transição para equalizar os preços dos combustíveis fósseis com o preço internacional. Entre 1997 até o início do governo Lula, lembra Pires, os derivados de petróleo no Brasil eram reajustados no início de cada mês em função do preço internacional e do câmbio, por meio de uma fórmula paramétrica estabelecida na lei 9.478/97. "Talvez esse tempo de transição seja de três a quatro anos e, após esse período, deixaríamos os preços voltarem a flutuar conforme o mercado".

Assim como o programa de governo de Aécio Neves, o de Marina faz críticas ferrenhas à política de controle de preços dos combustíveis fósseis adotada pelo atual governo.

Apesar de não dizer claramente que os preços da gasolina vão voltar a flutuar ao sabor do mercado internacional caso assuma as rédeas do país em 1º de janeiro, Marina reafirmou que essa política causou imensos prejuízos à Petrobras e prejudicou também o setor sucroenergético ao impor uma concorrência desleal ao etanol.

"Além do mais, não foi eficiente para conter a inflação, porque apenas adiou o problema. Todo o mercado e a opinião pública sabem que, após as eleições, o governo terá que liberar os preços represados", afirmou Marina. Defendeu ainda regras transparentes e estáveis, "em sintonia com os mecanismos de mercado". Além disso, explica Marina, o intervencionismo para controlar os preços dos combustíveis sempre "cobra um preço logo adiante". "Não vamos recorrer a intervencionismos para controlar os preços. Será a boa governança macroeconômica e os marcos regulatórios claros que se encarregarão de manter a inflação no centro da meta", disse Marina.

Uma outra demanda das usinas de cana é a realização de leilões de energia separadamente por fonte (biomassa, solar, hidrelétrica, eólica). Questionada se atenderia esse pleito, a candidata do PSB apenas versou sobre a importância da energia vinda dessa fonte renovável, mas não cravou uma posição. "O potencial de produção de eletricidade a partir do bagaço e da palha da cana é estimado em 22 GW médios até 2022. Isso equivale a cinco usinas de Belo Monte (...). A oferta de bioeletricidade em 2013 representou uma economia de 7% da água dos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste", destacou Marina Silva.

Além de leilões exclusivos de biomassa, o candidato Aécio, garante Adriano Pires, se compromete a realizar leilões regionais de energia. "Não faz sentido produzir energia eólica na Bahia para trazer para São Paulo, que tem um grande potencial de geração de eletricidade a partir de bagaço de cana", justifica Pires.

Esse tipo de distinção, explica ele, vai levar a taxa de retorno dos investimentos a níveis "em linha" com a expectativa do setor. "Assim, conseguiremos gerar um novo ciclo de investimentos". Questionado se essa política poderia gerar aumento das tarifas de energia no país, Pires é categórico: "O custo maior de energia é não ter energia, que é o que o Brasil vive hoje", diz. Ele lembra que, há dois anos, o governo teve oportunidade de fazer leilões de biomassa a R$ 180 o megawatt/hora e achou caro. "Agora, estamos pagando R$ 800 o MWh", compara Pires.

Preço de energia, diz Pires, não se reduz com decreto e Medida Provisória. "Mas com diversificação de fontes, de forma perene e estrutural", disse o especialista.

Sobre o racionamento de energia ocorrido no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Pires reconhece que, quando os tucanos estavam no poder, de fato não foi feito o que se planejou. "O FHC não privatizou e não deixou as estatais continuarem investindo. Mas houve um aprendizado com esses erros", garantiu Pires.

A visão de Aécio, diz o especialista, é que o setor de energia precisa de planejamento e previsibilidade. "O atual governo planeja o café de amanhã na tarde de hoje", critica.

Marina defendeu ainda, assim como Aécio, o aumento da mistura do etanol anidro na gasolina. Ela afirmou que discutirá com o setor quais mecanismos imediatos e de mais longo prazo podem ser adotados. "O acréscimo do porcentual da mistura de etanol à gasolina, certamente, será uma das medidas a ser implementada", disse. "Nossa coligação assume o compromisso de fortalecer o etanol como fonte de combustíveis". (Valor Econômico 18/09/2014)

 

Transformação de microalgas em biofábricas de enzimas para etanol

Não é novidade que o mercado de biocombustíveis anda de olho nas microalgas. Pesquisas no Brasil e em outros países estão investindo na redução de custo para aproveitar a alta capacidade de produção de óleo e biomassa desses organismos microscópicos para gerar matéria-prima para indústrias de biodiesel, etanol e bioquerosene para aviões. Mas um estudo da Embrapa Agroenergia está tentando fazer algo diferente: usar as microalgas como biofábricas de um grupo de enzimas essencial para produzir o chamado etanol celulósico, também conhecido como etanol de segunda geração (2G).

Diferente do biocombustível encontrado hoje nos postos, que é produzido com o caldo da cana, o celulósico vem de materiais sólidos como bagaços, resíduos de madeira e capins. Para tanto, a celulose desses materiais precisa ser “quebrada” até que sejam obtidas moléculas de glicose, que depois serão fermentadas para dar origem ao etanol. As enzimas que os pesquisadores querem produzir com microalgas são as betaglicosidases, responsáveis pela última etapa de “quebra” da celulose.

Assim como os outros dois grupos de enzimas utilizadas na fabricação de etanol 2G, hoje, as betaglicosidases são produzidas por fungos, principalmente. A expectativa dos cientistas é que, obtê-las de microalgas reduza o custo. O pesquisador e líder do projeto, Bruno Brasil, da Embrapa Agroenergia, explica que o cultivo de fungos exige o fornecimento de alguma fonte de açúcar. As microalgas, por sua vez, realizam fotossíntese e, portanto, só precisam de luz e gás carbônico. Além disso, elas excretariam as enzimas no meio líquido em que forem cultivadas, o qual poderia, então, ser aplicado diretamente na biomassa pré-tratada.

O problema é que não se conhece microalgas produtoras de enzimas. Por isso, os cientistas da Embrapa estão modificando geneticamente uma linhagem delas, utilizando genes da biblioteca metagenômica da Embrapa Agroenergia. Mas há uma dificuldade: o conhecimento da genética das microalgas é ainda pequeno, principalmente se comparado com o de fungos. “Temos mais esse desafio, mas esperamos chegar a um modelo mais eficiente do que o tradicional”, diz o pesquisador.

Para este projeto de pesquisa, a Embrapa Agroenergia conta com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e está negociando uma parceria com a Fundação Universidade Federal do Rio Grande (FURG). Na opinião do professor Luis Fernando Fernandes Marins, que deve desenvolver protocolos de transformação das microalgas, o trabalho se destaca por integrá-las ao conceito de biorrefinarias. O gás carbônico gerado no próprio processo de produção do etanol pode ser injetado no reator e utilizado como fonte de carbono para o crescimento das microalgas.

Outras iniciativas

A Embrapa também está desenvolvendo tecnologia para cultivar microalgas em um efluente da produção de etanol – a vinhaça –, com o objetivo de obter matéria-prima para biocombustíveis. Os cientistas já estruturaram uma coleção com 50 cepas de microalgas, das quais quatro são capazes de crescer em vinhaça. A equipe, agora, está trabalhando no sequenciamento do genoma das linhagens mais promissoras e na caracterização da biomassa por elas produzida. (Embrapa 17/09/2014)

 

Com investimentos na cana-de-açúcar, Angola espera reduzir dependência das importações

Primeira unidade produtora do país africano iniciou operações neste ano.

Angola deve importar em 2014, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), 225 mil toneladas de açúcar. Esse cenário começa a mudar com a primeira unidade produtora de cana-de-açúcar do país, que está em funcionamento desde julho na cidade de Cacuso, província de Malanje. A Biocom, Companhia de Bionergia de Angola, também deve gerar energia elétrica para mais de 300 mil pessoas e produzir etanol para abastecer o mercado local.

Em Cacuso, a usina transformou o cenário, trazendo esperança de desenvolvimento para a região, ainda rodeada de vilarejos muito pobres. A unidade da Biocom recebeu investimento de US$ 750 milhões, sendo que quase todo maquinário da indústria é de fabricação brasileira.

– A tecnologia é 98% brasileira. Todos os equipamentos vieram do Brasil, somente as centrífugas de açúcar são suecas – explica o diretor industrial da Biocom, Eliandro Romani.

A primeira produção a entrar em funcionamento foi a de energia elétrica, através da queima do bagaço da cana e de resíduos de madeira, que garante a autossuficiência de energia da usina, e já está sendo comercializada para abastecer a região. Segundo dados do governo de Angola, apenas um terço da população do país tem energia elétrica em casa.

–Já estamos exportando na média de 18 megawatts por hora, abastecendo as cidades de Cacuso e Malanje. Nesta safra devemos exportar 120 giga de energia elétrica. Na maturidade, devemos abastecer uma cidade de 335 mil habitantes – explica Romani.

Ainda em 2014 devem sair da usina recém inaugurada 18 mil toneladas de açúcar, do tipo cristal. Até 2019, serão 256 mil toneladas por ano, produção que deve abastecer 70% do mercado nacional, que hoje importa todo o açúcar que consome de países como Brasil, África do Sul e Portugal. O produto deve ser destinado à indústria alimentícia, redes de supermercados e até mesmo ao comércio informal.

Segundo o diretor da Biocom, Carlos Henrique Mathias, o grupo também está de olho no mercado internacional.

–Há uma previsão de duplicação de produção. Essa duplicação não só atenderia toda a demanda de Angola, como o país passaria a ser um exportador importante dentro do continente africano – avalia.

Já o etanol deve começar a ser processado até o final do ano. A usina deve ser inaugurada oficialmente na segunda quinzena de outubro, com um total de 2 mil funcionários e 94% da mão de obra angolana.

Fechamos uma parceria com o Senai, no Brasil, que ficou sete meses formando e capacitando 350 angolanos para atuarem na indústria como torneiros, mecânicos, eletricistas, operadores industriais. A Biocom é um marco para o país. A questão da formação é algo novo, que as pessoas daqui não conheciam. Todo o trabalho é feito junto com os angolanos para que eles possam cada vez mais assumir posições de liderança dentro da nossa empresa _ afirma o diretor de Sustentabilidade e Pessoas, Fernando Koch.

Foi o que aconteceu com João Bernardo Passi dos Santos, ex-combatente da guerra, que hoje trabalha no recrutamento de pessoas.

–Hoje nós já somos capazes de produzir o nosso alimento. A Biocom é um exemplo dessa renovação de Angola. Nós temos hoje um país novo, um país próspero, um país que sai de cinzas pra uma esperança. (Canal Rural 17/09/2014 às 19h: 44m)

 

Agronegócio

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) apontou que a evolução global do Produto Interno Bruto (PIB) do Agronegócio foi de 1,9% no primeiro semestre, puxada por agropecuária 4,9% no período, enquanto agricultura subiu 0,6%.

De acordo com estimativas da Cepea, o PIB do agronegócio devera avançar 3,8% em 2014, um pouco abaixo dos 3,9% registrados em 2013. (G1 18/09/2014)

 

Índia terá excedente de açúcar pelo 5º ano consecutivo em 14/15, diz associação

A Índia, segundo maior produtor de açúcar do mundo depois do Brasil, deverá produzir um excedente do produto pelo quinto ano consecutivo, apesar de chuvas irregulares em importantes áreas de cultivo, disse uma associação da indústria nesta quarta-feira.

O país do sul da Ásia deverá produzir entre 25 milhões e 25,5 milhões de toneladas em 2014/15, a partir 1º de outubro, em comparação com uma demanda local de cerca de 23 milhões de toneladas, disse a Associação Indiana de Usinas de Açúcar em um comunicado.

A produção excedente poderá pressionar os preços locais e aumentar os prejuízos de usinas de açúcar endividadas, levando o país a manter as exportações para reduzir o crescente estoque. (Reuters 17/09/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Queda interrompida: Após dez sessões seguidas de queda, os preços do açúcar demerara sofreram uma correção e fecharam no campo positivo ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para março de 2015 subiram 8 pontos, para 16,25 centavos de dólar a libra-peso. O mercado foi sustentado pelas expectativas que antecederam a divulgação do resultado da reunião do Fed, que deram impulso a diversas commodities ontem. Também houve rumores não confirmados de que a China teria comprado navios de açúcar da Tailândia, apesar da qualidade inferior, aproveitando a onda de preços baixos, segundo Bruno Lima, da FCStone. Além disso, cobertura de posições vendidas ajudou a dar impulso às negociações. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,41%, para R$ 44,47 a saca de 50 quilos.

Café: À espera de chuvas: O mercado do café arábica oscilou sem uma direção definida ontem na bolsa de Nova York, com os investidores em compasso de espera, aguardando notícias que indiquem o potencial de produção da safra 2015/16 no Brasil. Os contrato para entrega em dezembro fecharam com recuo de 40 pontos, a US$ 1,8485 a libra-peso. De acordo com a Somar Meteorologia, a frente fria que sai da região Sul deve provocar precipitações na região Sudeste neste sábado. Ainda há dúvidas, no entanto, sobre o volume, a intensidade e o local em que essas chuvas devem ocorrer. Os fundos aproveitaram a incerteza para tentar embolsar os ganhos do dia anterior. No mercado doméstico, o preço do café de boa qualidade apurado pelo Escritório Carvalhaes oscilou entre R$ 450 e R$ 460 a saca de 60,5 quilos.

Cacau: Novo salto: Apesar da perspectiva de excedente de oferta de cacau nesta safra, as cotações da amêndoa tiveram ontem a quarta alta seguida na bolsa de Nova York. Os lotes para março de 2015 fecharam com elevação de US$ 71, cotados a US$ 3.126 a tonelada. A incerteza entre os traders antes da divulgação da decisão do Fed deu impulso aos preços. Também houve uma revisão para baixo da produção da Costa do Marfim. Alguns analistas consideram ainda a epidemia de ebola em países próximos à região produtora da África como um estímulo a compras especulativas. Ontem, a Agriterra informou que reduziu suas operações em Serra Leoa por causa do vírus. No mercado interno, a arroba do cacau negociado em Ilhéus/Itabuna manteve-se em R$ 106, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Trigo: Resultados mistos: Os preços do trigo tiveram diferentes resultados ontem nas bolsas dos EUA, com o mercado dividido entre compras técnicas e pressões decorrentes de notícias sobre queda na demanda. Em Chicago, os papéis para março de 2015 fecharam com elevação de 3,5 centavos, a US$ 5,1625 o bushel. Já em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os lotes com o mesmo prazo de vencimento fecharam com recuo de 1,25 centavo, a US$ 5,8975 o bushel. Os fundos buscaram cobrir posições vendidas após uma sequência de sete quedas seguidas. Porém, notícias de que o Egito, maior comprador mundial de trigo, acertou novas importações do cereal de fora dos EUA impediram uma alta expressiva. No mercado interno, o preço médio da saca de trigo no Paraná apurado pelo Deral/Seab subiu 0,53%, para R$ 30,31. (Valor Econômico 18/09/2014)