Setor sucroenergético

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Marina e Aécio prometem liberar preço da gasolina se eleitos

Prejudicado pelo intervencionismo nos preços da gasolina, o setor sucroalcooleiro espera que uma mudança de governo na próxima eleição traga algum alívio. Pelo menos é o que os candidatos da oposição, Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), estão tentando passar de mensagem aos usineiros. O jornal Valor Econômico questionou os dois principais candidatos - Dilma Rousseff não respondeu às perguntas enviadas pela publicação - sobre suas propostas para o setor. Ambos falam em diminuição da interferência do governo com a volta da cobrança da CIDE sobre o combustível. Isso elevaria os preços da gasolina e do óleo diesel e tornaria o etanol mais competitivo do que está hoje.

Segundo o jornal, as respostas da campanha de Aécio, dadas pelo especialista em energia Adriano Pires, que está assessorando o candidato, foram mais "assertivas" do que as de Marina.

Desde julho de 2013 a alíquota da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre os combustíveis está zerada, o que diminui o repasse do aumento de preços para o consumidor final. Mas, com o preço da gasolina represado, a competitividade do etanol é prejudicada, assim como o caixa da Petrobras, que não pode repassar o aumento de custos ao mercado.

O candidato tucano defende uma volta gradual da cobrança da CIDE - imposto sobre o combustível que deixou de ser cobrado no ano passado como um mecanismo para conter a inflação. "Teremos de adotar uma política para escalonar a retomada da cobrança ao longo do tempo. Se voltar tudo, haverá impacto terrível na inflação." O candidato defende também o fim do controle de preços e incentivos à energia de biomassa.

Já Marina é a favor de um diferencial tributário para o biocombustível, e se mostrou também contra o controle do preço dos combustíveis fósseis e considera inaceitável o não aproveitamento da energia da biomassa da cana. Ela propõe, já no primeiro mês de mandato, uma reforma tributária para diferenciar a tributação de combustíveis fósseis de renováveis.

"Não vamos recorrer a intervencionismo para controlar os preços. Será a boa governança macroeconômica e os marcos regulatórios claros que se encarregarão de manter a inflação no centro da meta", disse a candidata do PSB. (Veja.com 18/09/2014)

 

BNDESPar injeta R$ 75 milhões no Centro de Tecnologia Canavieira

SÃO PAULO - O braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, a BNDESPar, aportou a primeira parcela de R$ 75 milhões no Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), uma empresa de pesquisa com foco em cana-de-açúcar e que tem em seu bloco de controle as gigantes Copersucar e Raízen (Cosan/Shell). No aumento de capital feito hoje, os demais acionistas do CTC injetaram R$ 7,5 milhões na companhia. 

Em março deste ano, a BNDESPar anunciou que investiria até R$ 300 milhões no CTC por uma participação acionária, na época, não revelada. Segundo apurou o Valor, até o momento, foram definidos dois aportes de R$ 75 milhões, um feito hoje e outro marcado para março de 2015, totalizando R$ 150 milhões, que dará direito ao BNDESPar de uma fatia de 19% do centro de pesquisa.

Os recursos vão compor o plano de investimentos de R$ 1,2 bilhão que será executado nos próximos cinco anos pelo CTC. O capital não será “carimbado” para um projeto específico. Mas servirá para dar sustentação aos programas de pesquisa prioritários da empresa. Entre eles, o desenvolvimento de variedades de cana mais produtivas (tanto por meio do melhoramento genético convencional quanto via biotecnologia) e a produção de um etanol celulósico economicamente viável. (Valor Econômico 18/09/2014 às 19h: 40m)

 

Melhor acima ou abaixo do solo?

Como (quase) tudo na campanha à Presidência, que mistura dados, boas intenções, meias verdades e manipulações, o suposto antagonismo entre etanol e petróleo tem engrenado discursos enviesados e promessas pouco consistentes.

É correto observar que um dos efeitos colaterais da política de preços da Petrobras – freio no repasse das flutuações internacionais do preço do petróleo para a gasolina e o diesel – é a concorrência desleal entre combustíveis fósseis e biocombustíveis, mais diretamente o etanol, porque o biodiesel só está disponível na mistura.

O que está em questão não é uma disputa entre um segmento moderno – o sucroalcooleiro – e um retrógrado – o petroleiro. Em tese, os motores flex surgiram para administrar essa transição entre a economia do petróleo e uma etapa mais verde. É bom lembrar que, em 2006, quase houve desabastecimento de etanol no Brasil porque os usineiros, interessados em uma das maiores cotações do açúcar da história no mercado internacional, preferiam direcionar a cana ao produto – esse sim já uma commodity internacional – e não à fabricação do biocombustível.

Como se sabe, dois erros não fazem um acerto. O que era uma gestão para evitar oscilações bruscas nos preços internos se tornou uma armadilha contra o dragão da inflação que aprisionou também a cultura de consumo de um combustível menos poluente. Mas apenas elevar o preço da gasolina, tanto via alinhamento internacional quanto retomada da cobrança da Cide – tributo que nasceu com o objetivo de melhorar a infraestrutura viária e foi absorvido pelo esforço de garantir superávit primário – não vai garantir a retomada de consumo do etanol diante de uma eventual recuperação nos preços do açúcar. Se a transição não for bem conduzida, pode ter como resultado um aditivo na inflação – com consequências facilmente previsíveis depois deste ano de 2014. (Zero Hora 19/09/2014)

 

BNDES prevê investimentos de R$381 bi no setor de 2015 a 2017

Os investimentos no setor de petróleo e gás devem crescer 46 por cento no Brasil entre 2015 e 2017, frente 2011 e 2013, para 381 bilhões de reais, previu nesta quinta-feira o diretor das áreas de planejamento, pesquisa e acompanhamento econômico e gestão de riscos do BNDES, João Carlos Ferraz.

O executivo do banco estatal de fomento disse que os investimentos em óleo e gás nos próximos dois anos vão representar entre 12 por cento e 14 por cento da Formaçã logo bndso Bruta de Capital Fixo (FBCF).

Segundo Ferraz, ao avaliar investimentos, o BNDES irá priorizar aportes direcionados a inovação e desenvolvimento de tecnologia.

"A qualidade desses investimentos fará diferença", disse durante palestra em evento de petróleo no Rio de Janeiro, o Rio Oil&Gas. "O BNDES continuará a ser relevante."

O professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Edmar Almeida, também presente no evento, destacou a importância de encontrar meios para que empresas brasileiras de petróleo privadas tenham capacidade financeira para realizar seus projetos.

Segundo ele, após a crise que abateu a petroleira OGX de Eike Batista, rebatizada de Óleo e Gás Participações (OGXP3.SA: Cotações) e em processo de recuperação judicial, as empresas brasileiras do setor têm encontrado dificuldades de obter novos aportes.

Com a crise da OGX o mercado fechou, muitos fundos não querem investir mais", afirmou o professor.

"A principal fonte de recursos hoje é venda de ativos", disse. "Estamos assistindo empresas de capital nacional vendendo ativos para se financiar."

Recentemente a petroleira HRT Participações HRTP3.SA reduziu sua participação nos blocos Solimões, na Amazônia, para 49 por cento, deixando a parceira russa Rosneft como operadora da joint venture.

Ele destacou que essas empresas brasileiras hoje têm um papel muito importante para a exploração em terra no Brasil. (Reuters 18/09/2014)

 

Goiás é mercado promissor na produção de etanol 2G

Segundo o Sifaeg, algumas empresas no Estado já estão investindo no biocombustível, derivado do bagaço da cana.

O Brasil tem potencial para produzir 120 milhões de litros de etanol segunda geração por ano, produto derivado do bagaço e da palha de cana-de-açúcar. A informação é da pesquisadora da Embrapa Agroenergia, Dasciana Rodrigues. Para ela, este tipo de biocombustível poderá se tornar um dos combustíveis mais competitivos do mercado nos próximos anos.

Embora Goiás ainda não produza este tipo de biocombustível, o presidente-executivo dos Sindicatos da Indústria de Fabricação de Açúcar e de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar), André Rocha, acredita que a área é promissora.

“Tem futuro e temos totais condições de explorar. É um produto derivado de qualquer tipo de biomassa, e matéria prima nós temos. Goiás já é o segundo maior produtor de cana-de-açúcar do País e futuramente pode, sim, ser um mercado bastante promissor”, alega.

Porém, na opinião do presidente-executivo da Sifaeg, ainda é cedo para saber quando o Estado começará a investir nesse segmento. “Está ainda na parte da pesquisa, em fase de maturação. Para a parte comercial, demora um pouco. Temos algumas empresas que já estão investindo e começarão a produzir o etanol 2 G já este ano. Mas em Goiás ainda temos de esperar para ver se será economicamente viável. É muito cedo”, relata.

A empresa de biotecnologia industrial Granbio é uma das pioneiras em âmbito nacional e já investe no biocombustível. Além disso, a companhia acredita que a nova tecnologia vai dobrar a fabricação brasileira de etanol em 20 ou 30 anos.

“Usando somente palha e bagaço, é possível aumentar em 50% a capacidade de produção do combustível, sem a necessidade de ampliar as áreas plantadas do canavial”, diz a empresa.

A Granbio explica que os custos de produção e comercialização serão menores. “Isso ocorre devido ao baixo preço da matéria-prima. À medida que a fábrica atingir 100% de sua capacidade, alcançaremos um custo mais competitivo que o do etanol de primeira geração”, informa a Ganbrio.

Segundo o diretor agrícola da GranBio, José Bressiani, esta é a solução mais promissora para o setor sucroalcooleiro. “Está ficando mais barato e eficiente, e não vai fazer mais sentido produzir álcool a partir do caldo da cana, que é nobre e rico em açúcar. Além disso, com uso da palha se pode aumentar a produção em até 45% sem aumento de área plantada e sem competição com alimentos. Há, ainda, cerca de 32 milhões de hectares de pastagens degradas que podem ser recuperados e plantados”, defende.

Dificuldades

Por outro lado, o coordenador do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia de bioetanol (CTBE), Antônio Bonini, ressalta que o 2G enfrenta algumas dificuldades. “Os principais desafios são: a logística, produção de enzimas e operação do processo”, diz. Algumas matérias-primas como: sorgo e resíduos florestais, também, podem ser utilizadas na elaboração do etanol de segunda geração. “O ideal é que o material esteja disponível em grandes quantidades e com preços baixos”, finaliza Bonini.

Por causa justamente do preço é que Goiás ainda não tem interesse na produção. O presidente-executivo do Sifaeg, André Rocha, lembra que o setor passa por uma crise. “O preço da energia está alto, outro setor que também passa por uma crise. Então, hoje está mais vantajoso vender o bagaço da cana-de-açúcar para o setor de energia do que para o etanol”, conta.

Para ele, o etanol primeira geração ainda tem muito para ser aproveitado em Goiás. “Temos de primeiro diminuir os custos na produção do etanol primeira geração, aumentar a eficiência porque ainda tem muitas fronteiras para ser exploradas. É um desafio. E a produção do etanol segunda geração também pode ser uma alternativa futuramente”, pontua. (O Hoje 18/09/2014)

 

Usina de etanol de milho deve estar em operação em 2016 em MS

Investimento na implantação do projeto será de US$ 140 milhões. Planta produzirá etanol, DDGS, CO2 e óleo de milho.

 Deve entrar em operação em 2016 a primeira usina de produção de etanol a partir de milho de Mato Grosso do Sul. A data foi apresentada nesta quarta-feira (17) em reunião entre diretores da empresa responsável pelo empreendimento, a Biourja do Brasil, e da Federação das Indústrias do estado (Fiems), em Campo Grande.

A usina da Biourja será instalada em Chapadão do Sul, a 333 quilômetros de Campo Grande. O investimento, segundo a direção da empresa, será de US$ 140 milhões no projeto, que deverá consumir cerca de 350 mil toneladas de milho por ano.

A planta, conforme os empreendedores, deverá produzir 150 milhões de litros de etanol por ano, 100 mil toneladas de farelo de milho de alto valor proteico (Dries Destilled Grain with Solubles – DDGS), 80 mil toneladas de CO2 e quase 20 mil toneladas de óleo de milho.

A empresa informou a Fiems que vai utilizar no Brasil a tecnologia de produção de etanol usada pelas usinas americanas e, com isso, promover uma maior organização da cadeia do milho no estado, que é um dos grandes produtores brasileiros do cereal.

O vice-presidente da BioUrja no Brasil, Marcos Machado, ressaltou que Chapadão do Sul foi escolhida para receber o projeto porque reuniu todas as condições para implantação da indústria.

“Encontramos as melhores condições devido à capacidade de produção de milho e de material humano para trabalhar na empresa. Nosso compromisso é formarmos o máximo de mão de obra dentro do município”, destacou, completando que a planta deve gerar 100 empregos diretos.

Estudo de impactos

No dia 31 de julho, a empresa fez à apresentação do Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do projeto de instalação da unidade a população de Chapadão do Sul. A audiência para a apresentação do Rima é uma das etapas que a empresa que pretende instalar o empreendimento tem de cumprir para obter o licenciamento ambiental para o projeto. (G1 18/09/2014)

 

Governo estuda ampliação do desconto do PIS-Cofins

O governo prepara medidas para ampliar e simplificar a possibilidade de abatimento de tributos federais, como PIS e Cofins, incidentes sobre insumos. A ideia é que as empresas gerem crédito tributário a partir do pagamento dessas contribuições sobre todos os insumos adquiridos e não apenas sobre aqueles utilizados na fabricação do produto final.

Pelo sistema atual, a concessão de crédito tributário só se aplica aos insumos incorporados ao produto final. No caso de uma fábrica de embalagem, por exemplo, a empresa tem direito ao crédito tributário sobre o papel usado na produção da embalagem, mas não sobre o papel usado no funcionamento do escritório.

No novo sistema, qualquer compra de mercadoria permitirá a geração de crédito, independentemente do uso do insumo no produto final. Em compensação, o abatimento do tributo será restrito ao valor efetivamente pago na compra dos bens usados como insumo. Antes, as empresas sujeitas à alíquota de 9,25% tinham direito a um crédito nesse percentual, não importando o valor do imposto pago na aquisição dos produtos.

Essa é a fórmula que o Ministério da Fazenda vem discutindo para simplificar o sistema. Ela acaba com a lista de insumos que podem ou não gerar créditos para abatimento de impostos. O modelo diminui o impacto fiscal da reforma sobre as contas públicas. A intenção é que o novo sistema funcione apenas a partir de 2016.

O governo sabe que perderá receita, por isso, as definições das alíquotas, que hoje são de 3,65% e 9,25%, e os limites de faturamento para adesão ao novo regime ainda estão sendo avaliados para que a perda fiscal possa ser absorvida. Nas primeiras propostas, o impacto superava R$ 15 bilhões. (Valor Econômico 18/09/2014)

 

Verão brasileiro terá chuvas acima da média, mas sem excessos, diz Somar

A primavera no Brasil terá uma regularização de chuvas apenas a partir da segunda metade de outubro; enquanto o verão brasileiro verá precipitações acima da média na maior parte do país, mas em volumes que não deverão ser excessivos ao ponto de trazer uma folga aos reservatórios de água para o período seco de inverno, afirmou a Somar Meteorologia em projeção nesta quinta-feira.

As chuvas apenas um pouco mais volumosas do que a média no verão ocorrerão com influência de um fenômeno El Niño mais fraco, mas ainda assim serão benéficas para a agricultura e vão melhorar o nível dos reservatórios, cessando temporariamente conversas sobre racionamentos.

O verão de 2014 foi um dos mais secos da história recente do país, trazendo o fantasma da falta d'água para a região metropolitana de São Paulo e problemas com geração das usinas hidrelétricas.

"No próximo verão, vamos ter bons episódios de chuvas, contudo não será nenhuma maravilha, não é chuva que regulariza sistemas, mananciais... tanto no Sudeste quanto no Centro-Oeste. Mas serão chuvas muito melhores que no verão de 2014", disse o meteorologista Marco Antonio dos Santos, da Somar.

Se o El Niño, que se caracteriza pelo aquecimento da superfície das águas equatoriais do Oceano Pacífico fosse forte, aí sim o centro-sul brasileiro teria chuvas expressivas, o que poderia dar folga aos reservatórios, enquanto o Nordeste sofreria com uma seca severa.

Embora se espere um verão mais chuvoso no país, a Somar não descarta alguns períodos curtos de estiagem e alerta que o Rio Grande do Sul pode ver proporcionalmente menos chuva do que outras regiões, com um El Niño mais fraco.

Para exemplificar, em algumas áreas do centro-sul do Brasil, o próximo verão poderia ter chuvas acumuladas de 500 a 700 milímetros, ante uma média histórica de 500 mm e apenas 200 mm do último verão, disse Santos.

A temporada mais quente do Brasil em 2015, em resumo, seria muito semelhante à de 2013.

PRIMAVERA

No padrão climático do atual El Niño, as chuvas da primavera, prestes a começar, vão chegar com grande irregularidade nos próximos 30 dias, para Centro-Oeste e Sudeste, ficando mais concentradas no Sul.

Isso afetará o plantio do arroz e prejudicará as lavouras de trigo, especialmente as mais tardias, no Rio Grande do Sul.

No Centro-Oeste e Sudeste, até a regularização das chuvas, que deve ocorrer na segunda quinzena de outubro, o plantio das lavouras de verão, como soja, milho e feijão, além das hortaliças, será dificultado.

"Em São Paulo ainda chove um pouco melhor (no final de setembro), pois vamos ter a passagem de duas frentes frias, neste final de semana e no final de semana que vem, que trarão chuvas para o sul e leste de São Paulo, pegando um pouco do extremo sul de Minas Gerais", projetou Santos.

Uma regularização antecipada de chuvas de primavera, que não virá como o esperado anteriormente, diante do El Niño fraco, seria importante para produtores de soja anteciparem o plantio com vistas em uma segunda safra de milho --e algodão em algumas áreas-- semeada dentro da janela ideal de clima.

Mesmo assim, o plantio de soja da safra 2014/15 está começando em Mato Grosso, Estado que responde por cerca de 30 por cento da produção do grão no Brasil, o segundo produtor mundial atrás dos Estados Unidos.

Alguns produtores, portanto, estão arriscando plantar sem a regularização das precipitações, algo que não afeta as perspectivas gerais de uma safra recorde, com um forte crescimento de área e boa umidade esperada no verão.

Produtores de café e cana do centro-sul, afetados pela forte seca do início do ano e também por chuvas fracas nos últimos meses, também deverão ser beneficiados por maiores volumes de chuvas a partir de meados de outubro.

No caso do café, a colheita de 2014 está quase concluída, e os cafeicultores no maior produtor global esperam umidade para uma boa florada para 2015.

Na cana, chuvas antecipadas poderiam beneficiar o desenvolvimento da safra de 2015, embora possam afetar a parte final da moagem de 2014. (Reuters 18/09/2014)

 

Usinas a biomassa mantêm forte geração mesmo com safra menor de cana

A estimativa de uma safra de cana-de-açúcar quase 9 por cento menor neste ano não deverá ser suficiente para afetar a geração de energia das térmicas a biomassa, que aumentaram fortemente a geração de eletricidade no primeiro semestre na comparação com o mesmo período de 2013.

As usinas de cana-de-açúcar podem utilizar outras biomassas que não a de cana, como já vem acontecendo, para gerar eletricidade e continuar ganhando com a venda de energia em momento de alto preço no mercado de curto prazo.

Enquanto hidrelétricas enfrentaram altos custos para cobrir o déficit da geração causado pelo baixo nível dos reservatórios, termelétricas descontratadas ou que produzem excedente de energia, como as usinas a biomassa, obtiveram fortes ganhos no ano até agora.

De janeiro a julho, as usinas a biomassa geraram 28 por cento a mais de energia elétrica em relação ao mesmo período do ano passado. Cerca de 80 por cento dessas usinas utilizam bagaço de cana, segundo o gerente de bioeletricidade da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Zilmar de Souza.

A cogeração das usinas a biomassa começou mais cedo neste ano, com a utilização de sobras de cana da safra anterior. Como o valor da energia de curto prazo, conhecido como PLD (preço de liquidação de diferenças), já estava alto, as usinas de cana-de-açúcar usaram inclusive outras biomassas, como cavaco de madeira e casca de amendoim, para gerar mais energia e obter ganhos com a venda.

"Algumas [usinas] até lamentam não terem feito investimento (em cogeração) no passado"

"A venda de energia responde por 10 a 12 por cento da receita de uma usina (de cana-de-açúcar) que exporta (energia). Ajuda a competitividade do setor como um todo", disse Zilmar de Souza.

O presidente da Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen), Newton Duarte, disse que a cogeração pode chegar a responder hoje por até 30 por cento do lucro das usinas de açúcar e álcool. "Algumas delas, inclusive, até lamentam não terem feito investimento (em cogeração) no passado", acrescentou.

Para o restante do ano, o ritmo forte da geração depende principalmente da manutenção de um preço alto de energia de curto prazo que motive a geração de excedentes, até mesmo utilizando outras biomassas, já que a safra de cana tende a ser prejudicada pela estiagem no país.

A estimativa da Unica é que sejam processadas 545,9 milhões de toneladas de cana na safra 2014/15, ante 597 milhões de toneladas na safra 2013/14.

"Pode ser que tenhamos, daqui para frente, não o mesmo perfil de geração do primeiro semestre. No entanto, como as usinas de cana também têm capacidade de trabalhar com outras biomassas, há alternativas para diminuir essa dependência", disse Souza.

Duarte, da Cogen, acrescentou que existem usinas bem administradas; que estão conseguindo reduzir os impactos negativos da seca sobre a safra, que têm bagaço estocado e que continuarão mantendo um ritmo intenso de geração de eletricidade até o ano que vem.

"Tem usinas que estão absurdamente estocadas de bagaço. Existem usinas que vão parar a safra em novembro, gerar até fevereiro, parar em março (para manutenção), e depois têm matéria-prima e biomassa para continuar gerando", disse.

Atualmente, algumas usinas a biomassa conseguem gerar energia até 11 meses por ano, segundo representantes do setor.

Um executivo de uma empresa do setor elétrico que trabalha com a venda de energia de térmicas a biomassa em seu portfólio minimizou a influência de uma safra menor de cana-de-açúcar no desempenho da geração elétrica das usinas.

"Tem usinas que estão absurdamente estocadas de bagaço."

Segundo ele, que pediu para não ser identificado, apesar da estimativa ser de que a safra de cana neste ano termine em outubro, um mês antes do normal, o menor volume de bagaço não é generalizado e não deverá reduzir fortemente a contribuição das térmicas a biomassa à matriz elétrica nacional.

O país tem 487 usinas a biomassa em funcionamento, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com capacidade instalada total de 12 gigawatts, respondendo por cerca 9 por cento da matriz elétrica brasileira.

Pelo menos no que depender do preço de energia de curto prazo, os usineiros deverão ter um incentivo para continuar gerando excedentes de eletricidade para venda. O preço de curto prazo está acima dos 700 reais por megawatt-hora (MWh) e deve continuar num patamar elevado enquanto houver falta de chuva e as represas das hidrelétricas não se recuperarem.

A geração termelétrica a biomassa ajudou a evitar a queda adicional de 11 pontos percentuais dos níveis das represas das hidrelétricas no Sudeste/Centro-Oeste, segundo Duarte, da Cogen. Isso porque quando as térmicas estão acionadas possibilitam redução da geração hidrelétrica para poupar os reservatórios. (Reuters 18/09/2014)

 

Agronegócio precisa ser mais apoiado, diz vice de Marina

O vice na chapa de Marina Silva (PSB), Beto Albuquerque, defendeu nesta quarta-feira, 17, que o agronegócio no Brasil "precisa ser tratado com respeito, mais apoiado e menos atacado". Ao participar da série 'Entrevistas Estadão', ele disse que o Ministério da Agricultura foi esvaziado politicamente e em termos orçamentários no atual governo, da presidente Dilma Rousseff (PT). "Um ministro da Agricultura não pode ficar um ano sem falar com a presidente", afirmou.

O vice de Marina também afirmou que a Embrapa foi fragilizada. Beto disse não ser ruralista, mas ressaltou que teria "muita honra" em ser. Afirmou que, em seu Estado de origem, Rio Grande do Sul, as pessoas reconhecem a importância do agronegócio para a economia e para a vida dos brasileiros.

Sobre a polêmica envolvendo o uso dos índices de produtividade como critério para reforma agrária, ponto colocado no programa de governo da candidata, Beto afirmou que a terra tem que exercer sua função social. Mas disse que a idéia da sua plataforma é usar o índice para "premiar"e não para punir. "O agricultor que não tiver produtividade vai ser desapropriado pelo mercado, não pelo governo", afirmou. Segundo Beto, o índice pode ser usado por exemplo como critério para fornecimento de crédito.

Questionado sobre a meta da candidata de assentar 85 mil famílias, Beto disse que o País não precisa mais dos "litígios do passado". Ele afirmou que a meta é possível, desde que tenha recurso destacado no orçamento.

Com relação ao receio do setor sobre a figura ambientalista de Marina, Beto argumentou ser algo que está se revertendo. "Quando ouvem Marina falar, mudam de ideia. Ela não é a radical que se plantou", disse. Beto reforçou o argumento da campanha de que a sustentabilidade já foi incorporada pelo setor e de que é possível aumentar a produção por ganhos de produtividade em vez de crescimento da área plantada. "Sustentabilidade e respeito aos direitos humanos estão no gene da sociedade", afirmou.

O vice também reafirmou que a coligação de apoio a Marina já se comprometeu a não alterar o Código Florestal, que foi um projeto criticado pela candidata. "Não há chance no nosso governo de reabrir discussão sobre Código Florestal", afirmou. (Agência Estado 18/09/2014)

 

Pela primeira vez, candidatos à Presidência procuram agronegócio

O setor de agronegócio vive momentos de indefinições e em busca de definições. O lado bom deste momento é que, pela primeira vez em um ano de eleições, os principais candidatos à Presidência da República procuraram as entidades de classe em busca de um programa de governo.

A avaliação é do ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues. "Antes, procurávamos os candidatos para sugerir pontos a serem incorporados no programa de governo e não éramos ouvidos."

Essa mudança de comportamento dos candidatos, diz, ocorre devido à mídia, que fez a sociedade entender a importância do agronegócio. Esta transferiu essa necessidade para a classe política.

O setor estará bem representado no próximo governo, segundo o ex-ministro.

Na previsão de Rodrigues, a reeleição de Dilma levará a senadora Kátia Abreu para o posto de ministro da Agricultura. Um governo da Marina da Silva terá Marcos Jank, enquanto o Aécio Neves prometeu um ministro forte e proveniente da classe rural.

O ex-ministro não arriscou um nome no caso da vitória do candidato do PSDB, mas especulações no mercado indicam que João Sampaio, ex-secretário de Agricultura de São Paulo, poderia fazer parte desse eventual governo.

Mas nenhum ministro vai resolver os problemas da agropecuária se nada mudar na estrutura do governo. Os instrumentos dos quais o ministro da Agricultura dispõe atualmente não são suficientes para um bom exercício. Quando se trata de portos, de estradas e até de aprovações de novos insumos para o setor, as decisões estão nas mãos de outros ministros. "É preciso que haja uma estratégia de governo e de planejamento conjunto", afirma.

Mas, só pelo fato de os candidatos estarem interessados no agronegócio, é provável que haja uma visão proativa.

Para mostrar esses momentos de indefinições e necessidade de correções de rumos, o setor se reúne neste sábado (20) em Campinas (SP) para apontar a perda de confiança na estrutura atual e o que tem de ser feito.

Rodrigues, presidente do Lide Agronegócios, que promove o evento, diz que é necessário o confronto das visões de interlocutores do governo e do setor acadêmico.

O momento é de derretimento dos preços das commodities, mas os custos continuam elevados. Diante desse novo cenário do agronegócio, é urgente uma solução para os principais problemas.

Entre eles, Rodrigues inclui logística, que afeta principalmente os produtores das novas fronteiras agrícolas.

O setor sofre ainda da ausência de uma política de renda, que incorpore crédito, seguro e preço, bem como de uma política comercial. Quanto a esta última, Rodrigues, que foi ministro no primeiro mandato de Lula (2003-2006) diz que "não há cabimento ficar pendurado no Mercosul e não fazer acordo com União Europeia, China e outras regiões. Não é necessário um abandono do Mercosul, mas um redesenho".

Rodrigues destaca ainda a necessidade do desenvolvimento de tecnologias, que são a alavanca da produtividade. A tecnologia tem de ter um peso maior no Estado, mas não deve ficar restrita à Embrapa, mas aos demais órgãos, hoje praticamente sem recursos e desmontados.

Um dos grandes problemas no setor é o de governança. Enquanto o mundo todo tem um órgão só decidindo sobre políticas agrícolas, de floresta e pesca, o país divide essas decisões por várias pastas.

"É um desperdício de Orçamento e de trombadas de decisões. O ministro da Agricultura deveria ser o gerente de uma estratégia do governo". (Folha de São Paulo 19/09/2014)

 

Commodities Agrícolas

Café: Conab "baixista": Pressionados pela última estimativa da Conab para safra de café arábica do Brasil, os contratos futuros do grão com entrega para dezembro caíram 365 pontos no pregão de ontem na bolsa de Nova York e fechara a US$ 1,8120 por libra-peso. Trata-se do menor valor em seis semanas. Divulgada na última terça-feira, o último relatório da Conab estimou que a produção brasileira da commodity em 2014/15 totalizará 45,1 milhão de sacas. Esse número frustrou os analistas e irritou entidades de classe tais como o CNC e a CNA, que alegaram que as informações por elas recebidas de cooperativas e de produtores dão contam de uma quebra de safra de 30%, devido à estiagem que atingiu o país. No mercado doméstico, o café também caiu. O indicador Cepea/Esalq aponta retração de 1,09%, para R$ 419,53 a saca.

Laranja: Combate ao greening: Depois de cinco sessões de quedas, os futuros de suco de laranja fecharam em alta ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para janeiro de 2015 fecharam a US$ 1,446 a libra-peso, ganho de 75 pontos. Os operadores viram com bons olhos o anúncio de uma linha de crédito do governo dos EUA para os produtores da Flórida combaterem o greening, que tem comprometido a produção do segundo maior parque citrícola do mundo. Não foi divulgado o valor, mas o secretário da agricultura Tom Vilsack havia falado no início do ano que os recursos seriam de US$ 25 milhões. Embora a medida possa retomar a produção no Estado, deve levar tempo para que a oferta volte a se recompor. No mercado interno, o preço da laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq subiu 1,18%, para R$ 10,31 a caixa.

Trigo: Vendas em baixa: A baixa competitividade do trigo dos EUA voltou a pesar ontem sobre as negociações do cereal nas bolsas americanas, onde o grão fechou em queda. Em Chicago, os contratos para março de 2015 fecharam com recuo de 10,5 centavos, a US$ 5,0575 o bushel. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento fecharam em baixa de 12,5 centavos, a US$ 5,7725 o bushel. Na semana até dia 11, os exportadores dos EUA venderam 314,5 mil toneladas de trigo, 54% e menos que na semana anterior. O dado confirma que o país está perdendo competitividade no mercado mundial do cereal, que é vendido mais barato no Leste Europeu. No Rio Grande do Sul, o preço médio da tonelada apurado pelo Cepea /Esalq caiu 1,95%, para R$ 452,38.

Preços do produto SP: Alta em agosto: O IqPR, índice de preços recebidos pelos produtores agropecuários de São Paulo calculado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), encerrou agosto com variação positiva de 0,99%. Com esse resultado, o indicador passou a registrar alta acumulada de 11,54% no período de 12 meses terminado em agosto. A valorização do mês passado foi puxada pelo comportamento das cotações no grupo formado por seis produtos de origem animal. Em média, a alta no grupo foi de 1,72%, com destaque para os aumentos observados nos mercados de carne suína (10,53%) e carne de frango (7,86%). No grupo composto por 14 produtos de origem vegetal, a valorização média foi de 0,75%, impulsionada, basicamente, por produtos como laranja destinada à indústria (14,23%) e café (11,39%). (Valor Econômico 19/09/2014)