Setor sucroenergético

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Enche o tanque

Técnicos da área de energia têm uma nova justificativa para evitar um aumento do preço da gasolina, que desafogaria o setor sucroalcooleiro. Dizem que a seca reduzirá a produção de álcool e que temem uma avalanche de etanol importado dos Estados Unidos. (Felipe Patury Revista Época 20/09/2014)

 

“É preciso um “Proer” para o setor sucroalcooleiro”

O coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Rodrigues, que também preside a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), afirma que o setor passa por uma crise devido ao preço desfavorável do etanol em relação à gasolina.

A solução, defende, passa pela retomada da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), empréstimos do BNDES para modernizar as caldeiras e uma política governamental de longo prazo.

Para Rodrigues, a magnitude da ajuda necessária para o setor é equiparável ao Proer [Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional], implementado em 1995 no início do governo de Fernando Henrique Cardoso para sanear bancos em dificuldade. Roberto Rodrigues concedeu entrevista ao programa "Poder e Política", do UOL e da Folha, em 18.set.2014. A gravação ocorreu no estúdio do UOL em São Paulo.

A íntegra da entrevista está em: http://tvuol.uol.com.br/video/e-preciso-um-proer-para-o-setor-sucroalcooleiro-diz-rodrigues-318-04020D1A3368C0915326. (Folha.com 20/09/2014

 

Preço de combustível tem novo recuo em SP

Pesquisa da Folha apontou nova baixa para o valor médio do álcool, que recuou para R$ 1,877 por litro na cidade de São Paulo, 65,5% do valor da gasolina.

Para o consumidor, a queda mantém o etanol mais atrativo do que a gasolina, que tem média de R$ 2,865 por litro na cidade. (Folha de São Paulo 20/09/2014)

 

Seca leva usinas a encerrarem a safra antes

Cinco unidades da região de Ribeirão Preto já anunciaram decisão, tomada por causa da falta de cana-de-açúcar. Sem chuva, planta teve desenvolvimento prejudicado; Estado de SP registrou maior queda na produção.

Ao menos cinco usinas de cana da região de Ribeirão Preto vão antecipar a atual safra por causa da seca, uma das piores da história.

O problema, de acordo com as indústrias, é a falta de matéria-prima. A longa estiagem afetou a formação dos canaviais, pois as plantas não se desenvolveram.

Marcos Guimarães de Andrade Landell, pesquisador do IAC (Instituto Agronômico de Campinas), da Secretaria de Estado da Agricultura, disse que o principal fator para o não desenvolvimento ideal da cana foi a falta de chuvas nos meses de janeiro e fevereiro.

"É neste período [janeiro e fevereiro] que a cana mais cresce. São dias mais longos, temperaturas mais altas, com maior incidência solar. O que faltou foi a chuva", disse. "Esse deficit hídrico inibiu o desenvolvimento das plantas."

A usina São Francisco, em Sertãozinho, deve terminar a safra este ano no dia 20 de outubro. No ano passado, o encerramento ocorreu no dia 29 de novembro.

Jairo Balbo, diretor do grupo Balbo, que administra a usina, disse que a falta de chuvas prejudicou a lavoura. "Esperávamos mais [chuva], mas não veio. A produtividade caiu", afirmou.

A São Francisco moeu, em 2013, 1,301 milhão de toneladas de cana. Neste ano, a expectativa é 1,150 milhão.

Os reflexos da seca também serão sentidos na usina Pitangueiras, em Pitangueiras, que vai antecipar o fim da safra em ao menos 15 dias.

Prevista inicialmente para a segunda quinzena de novembro, a moagem deve terminar no final de outubro.

O gerente agrícola da usina, Eduardo Prezinhas, disse que em 2013 a moagem na unidade atingiu 2,32 milhões de toneladas. Neste ano, a previsão é moer 2,2 milhões de toneladas. "Houve queda na produtividade. Há menos cana para moer."

Na usina Tamoio, em Araraquara, a safra em 2013 terminou em 13 de dezembro. Este ano, a previsão é que a moagem siga até novembro.

Na usina Santa Adélia, em Jaboticabal, a safra passada terminou na segunda semana de dezembro. Na atual, será em 19 de novembro.

'SOCORRO'

Na usina da Pedra, em Serrana, a safra no ano passado terminou no dia 14 de dezembro. Neste ano, acabará no dia 1º de dezembro, graças à cana vinda de Santa Rosa de Viterbo. Caso contrário, as atividades seriam encerradas já em outubro ou novembro.

A operação, planejada desde o ano passado, não foi decidida por causa da seca, mas vai ajudar a unidade de Serrana a moer mais cana do que no ano passado.

"Há menos cana para moer neste ano", disse Marcos Paulo de Lima, supervisor de manutenção. "A opção da unidade em Serrana foi trabalhar com a cana que seria destinada para a usina em Santa Rosa, com o objetivo de otimizar os custos."

Num cenário sem o "reforço", a produtividade cairia em 2014. No ano passado a, moagem atingiu 4,13 milhões de toneladas. Este ano, deve atingir 4,60 milhões.

A Unica, instituição que representa as usinas, informou que duas unidades no Estado já encerraram a safra: uma na região de Piracicaba e outra em São João da Boa Vista (Folha de São Paulo 22/09/2014)

 

“Vamos dar atenção especial para o etanol”, diz Michel Temer

O vice-presidente Michel Temer (PMDB) se reuniu com empresários e lideranças políticas em Presidente Prudente, neste sábado (20). Ele declarou que o governo vai dar maior apoio para o setor do etanol.

“’É uma cadeia muito importante para o Brasil, que precisamos recuperar em momento de dificuldade”, falou, durante entrevista coletiva.

Após a reunião, Michel Temer fez caminhada pelo centro de Prudente. Durante o trajeto, conversou com comerciantes e clientes. (Portal Prudentino 20/09/2014 às 15h: 45m)

 

Esgoto tratado pode irrigar lavoura de cana

O esgoto doméstico, tratado, pode ser utilizado na irrigação de plantações de cana-de-açúcar. A viabilidade desse processo foi alvo de estudos em duas teses de doutorado defendidas na Feagri (Faculdade de Engenharia Agrícola), da Unicamp.

Segundo as pesquisas, a prática traz diversas vantagens, como economia de água, redução do consumo de adubo e diminuição da poluição.

Autor de uma das teses, Leonardo Nazário Silva dos Santos disse que para usar o esgoto como adubo é necessário que a plantação esteja próxima da área urbana e que as impurezas sejam retiradas.

Os pesquisadores não observaram alterações no índice de qualidade do solo. Além disso, os trabalhos mostraram que não houve alterações nas propriedades físicas do terreno cultivado.

No experimento de irrigação com água de esgoto, foi constatada, segundo ele, maior produtividade na comparação com o método tradicional de plantio. A produção pode ser até 25% maior.

De acordo com a assessoria da Unicamp, as plantas irrigadas com esgoto se desenvolvem melhor, são mais altas e mais grossas. (Folha de São Paulo 22/09/2014)

 

Transporte de cana: MPT deve instaurar inquéritos contra pelo menos 15 usinas em SP

O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou nesta sexta-feira, 19, que deve instaurar inquéritos contra ao menos 15 usinas paulistas para investigar e discutir a regularidade do peso da cana transportada pelas companhias e preservar a segurança de trabalhadores do setor.

A medida ocorre após uma operação conjunta de procuradores do MPT de Bauru (SP) e da Polícia Rodoviária Federal na região de Avaré (SP), a qual apontou excesso de peso em torno de 50% acima do permitido em veículos que transportam cana para usinas da região.

As usinas não assinaram um termo para se adequar com a justificativa de que há uma orientação contrária da Unica

De acordo com o MPT, as usinas não assinaram um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) proposto para se adequar, com a justificativa de que há uma orientação contrária da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) à celebração de acordos relacionados à matéria. Procurada, a Unica ainda não se manifestou.

Os procuradores informaram ainda que, antes dos inquéritos, serão propostos novos TACs para a redução do peso da carga praticado atualmente. Se não houver acordo, o MPT informou que serão propostas ações civis públicas e a decisão sobre a legalidade de se transportar cana com excesso de peso passará a ser de responsabilidade do judiciário. (Agência Estado 19/09/2014)

 

Agronegócio só apoia Marina se ela reescrever programa

O coordenador do Centro de Agronegócio da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Rodrigues, diz ainda haver desconfiança a respeito de Marina Silva. Para que a candidata a presidente pelo PSB dissipe dúvidas, terá de "reescrever" parte do seu programa antes do final da campanha eleitoral.

Rodrigues foi ministro da Agricultura de 2003 a 2006, durante o primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. Em entrevista ao programa Poder e Política [http://www1.folha.uol.com.br/poder/poderepolitica/], da Folha e do "UOL", aponta dois aspectos principais que considera necessários para Marina conquistar o apoio mais amplo do setor de agronegócio.

Primeiro, esclarecer que a meta de "desmatamento zero" no programa de governo do PSB se refere a "desmatamento ilegal zero". Para ele, zerar o desmatamento é "um pouco utópico". Acredita que seja necessário "abrir algum cerrado" no Brasil para garantir o suprimento de alimentos no futuro.

Segundo, que o índice de produtividade de propriedades rurais (usado em casos de desapropriações) sirva para premiar quem consegue bons resultados, e não punir os que ficam para trás.

Rodrigues diz ter expressado essas condições nesta semana para Beto Albuquerque, candidato a vice-presidente na chapa com Marina Silva. "Ele concorda que o tema [desmatamento] deve ser trabalhado na linha da legalidade (...) [Sobre o índice de produtividade], foi mais enfático: disse que houve uma má interpretação. Falou que o objetivo é dar prêmios aos mais produtivos, em vez de castigo aos menos. O índice de produtividade será um bônus, não um ônus ao produtor".

Seria "ótimo" se Marina vocalizasse essas propostas, mas insuficiente para convencer o setor, diz Rodrigues. Para ele, "tem que reescrever o programa".

No primeiro turno da eleição presidencial, Roberto Rodrigues afirma que votará em Aécio Neves (PSDB). No segundo turno, se a disputa ficar entre Marina e Dilma Rousseff (PT), não revela sua preferência. Dá a entender que ele e muitos empresários do agronegócio vão aguardar mais compromissos de ambas as candidatas.

Diz que Dilma "não é" campeã de popularidade do setor. E que a petista e Marina Silva "têm que olhar para o setor com especificidades". Acha que a candidata do PSB parece ter demonstrado "uma disposição ao diálogo muito maior que no passado. (...) As pessoas aprendem mais, isso é possível, todo mundo vai para a frente". Mas ressalta: "É importante que a candidata [Marina] diga de maneira clara o que ele [Beto Albuquerque] está dizendo".

Com mais de 50 anos de atuação no agronegócio, Roberto Rodrigues defende fundir os ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento, da Pesca e do Meio Ambiente em apenas um: o Ministério da Agricultura, Floresta e Pesca. O objetivo seria reduzir a "dispersão de recursos" e harmonizar estratégias. Afirma ter ouvido uma concordância a respeito por parte de Beto Albuquerque.

Indagado sobre a antiga rixa entre ruralistas e ambientalistas, Rodrigues acredita que a aprovação do novo Código Florestal, em 2002, "arrefeceu" os ânimos ao estabelecer regras claras. Hoje haveria mais conhecimento sobre a importância do meio ambiente. "O produtor rural tem convicção de que (...) se não preservar o solo, tem erosão, se não cuidar na beira de rio, vai ter problema de desagregação. Então, ele virou um ambientalista", diz.

Rodrigues, que também preside a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), afirma que o setor passa por uma crise devido ao preço desfavorável do etanol em relação à gasolina. A solução, defende, passa pela retomada da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), empréstimos do BNDES para modernizar as caldeiras e uma política governamental de longo prazo.

Para Rodrigues, a magnitude da ajuda necessária para o setor é equiparável ao Proer [Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional], implementado em 1995 no início do governo de Fernando Henrique Cardoso para sanear bancos em dificuldade. (Folha de São Paulo 20/09/2014)

 

Cresce pressão sobre cotações do açúcar

Já pressionado diante da robusta venda de açúcar programada para o primeiro trimestre de 2015, o contrato do açúcar bruto para março na bolsa de Nova York pode sofrer mais desvalorização, caso seja baixo o volume de produto entregue na bolsa americana ao fim deste mês, quando expira a tela de outubro.

Na sexta-feira, os futuros para março caíram 15 pontos em Nova York, a 15,80 centavos de dólar por libra-peso, a quarta queda em cinco pregões. Na estimativa da trading inglesa Czarnikow, já pesa nessa desvalorização uma "rolagem" de cerca de 1 milhão de toneladas de açúcar do Centro-Sul que deveriam ser entregues aos compradores em outubro, mas tiveram a liquidação do contrato postergada para março, quando os preços sinalizam maior atratividade na comparação com a entrega no prazo mais curto.

Nas contas da Czarnikow, o volume a ser entregue na bolsa no fim deste mês é de 850 mil toneladas de açúcar, entre produto Tailandês e da Guatemala. O cálculo, que considera a quantia estocada nesses dois países, subtraído do volume já negociado, aponta que a Tailândia terá a entregar 600 mil toneladas e a Guatemala, 250 mil.

O produto das duas origens traz inconvenientes aos que devem receber o açúcar, segundo a analista da Czarnikow, Ana Carolina Ferraz. No caso do tailandês, o problema é a baixa qualidade do açúcar, que eleva custos de refino. Já o produto da América Central gera um custo maior de frete ao comprador, uma vez que está distante da demanda, sobretudo no Oriente Médio e na Ásia.

O fato é que, se a entrega física do açúcar for superior a 850 mil toneladas, o sinal ao mercado será o de que houve demanda pelo produto. Caso contrário, mais estoques estarão sendo empurrados para março. "Quanto menor a entrega este mês, maior a pressão sobre o contrato de março", disse Ana Carolina.

Ela lembra que há ainda pela frente sete pregões na bolsa de Nova York até o vencimento da tela de outubro. "Até lá, o cenário pode mudar, dada a volatilidade que vem marcando as sessões na bolsa nova iorquina". Na sexta, o contrato para outubro caiu 29 pontos, a 13,50 centavos de dólar por libra-peso.

Pode ser que parte das 850 mil toneladas sejam vendidas antes do fim deste mês. "Na última semana, a China comprou 100 mil toneladas do açúcar tailandês, pois as cotações caíram muito, a níveis que tornaram o produto mais atrativo, a despeito da qualidade menor", afirmou a analista. (Valor Econômico 22/09/2014)

 

Marcos Jank nega divergência entre Marina e agronegócio

Representante de Marina Silva (PSB) no 3º Fórum Nacional de Agronegócios do Lide, em Campinas (SP), Marcos Jank se empenhou em negar qualquer tipo de conflito entre a ex-ministra do Meio Ambiente e o setor agrícola e em citar os avanços da candidata a presidente no discurso aos produtores.

"Existe uma transformação grande na Marina de quando ela foi ministra do Meio Ambiente e agora, como candidata. Ela está mais aberta e observamos claramente que não há divergências entre Marina e o agronegócio", afirmou Jank, diretor global de assuntos corporativos da BRF, mas que fez questão de afirmar que falava no encontro apenas como conselheiro da candidata.

Jank reforçou o discurso feito pelo candidato a vice-presidente Beto Albuquerque (PSB) para mitigar os pontos polêmicos do programa de Marina, principalmente em relação à revisão dos índices de produtividade agropecuária para fins de reforma agrária. "O programa de Marina reconhece fortemente os ganhos de produtividade que houve na agricultura nos últimos anos e irá premiar o produtor", afirmou.

Além de avaliar que houve falta de gestão e um "engargalamento" nos ministérios para as políticas voltadas à área agrícola, o representante da candidata do PSB no encontro, que é especialista em negociações internacionais, fez ainda duras críticas às políticas do atual governo para o setor externo. "Infelizmente o Brasil desandou fortemente na política comercial por uma visão extremamente limitada, com privilégio a países da América do Sul, e perdemos a chance de fazer parte de megablocos comerciais", disse Jank.

O executivo, que também presidiu a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), pediu, por fim, políticas publicas concretas para o setor de etanol e criticou o controle de preços da gasolina, bem como o retorno da cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre o combustível de petróleo, medidas que tiraram a competitividade do etanol. "Existe um grande equívoco no governo para a área de agroenergia", concluiu. (O Estado de São Paulo 20/09/2014 às 15h: 36m)

 

Avanço da biomassa de cana ainda é tímido

Um avanço, mas insuficiente para estimular as usinas processadoras de cana-de-açúcar a investir em novos projetos ou na modernização de plantas antigas a fim de aumentar a oferta de energia por biomassa de cana. Assim a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) considera os preços do leilão de energia A-5 previsto para o fim de novembro. O aumento dos valores praticados até então foi de 37%, com a previsão de R$ 197 por megawatt/hora. Mas o fato de a biomassa de cana concorrer com fontes não renováveis, como o gás natural, não agradou.

O segmento inscreveu 15 projetos com apenas 2% da oferta total de energia do leilão, afirma Zilmar José de Souza, gerente de bioeletricidade da Unica. O número de inscritos pode ter sido menor do que seria se o preço fosse divulgado antes, não depois das inscrições, afirma o executivo. "O setor vinha de preços muito ruins e não esperava valores mais remuneradores", comenta. A situação representa uma recuperação em relação aos anos anteriores. Em 2012, por exemplo, o setor, que já havia entrado na crise por falta de correção dos preços de energia e do etanol, não apresentou projetos nos leilões.

Ainda assim, Zilmar não comenta se o preço é ou não suficiente para os projetos já existentes. "Varia conforme o empreendimento", diz o gerente da Unica, explicando que um peso importante no custo é a ligação com a rede de transmissão, que fica por conta do investidor. A diretora de uma usina da região central do Estado de São Paulo que pede para não ser identificada declarou ao Valor que as tarifas praticadas no fornecimento de energia juntamente com a falta de correção dos combustíveis - que afeta o etanol - tem obrigado a empresa a promover seguidos exercícios de redução de custo para evitar prejuízos no cumprimento dos contratos.

Para o consultor Carlos Delpupo, diretor da Keyassociados, os preços oferecidos começam a se aproximar do necessário para viabilizar os projetos na área de biomassa, mesmo nos casos de cogeração - em que o investidor produz energia a partir de rejeitos agrícolas e industriais, utiliza parte no autoconsumo e libera apenas o excedente para a rede de distribuição. Nas contas de Delpupo, o megawatt-hora deveria custar entre R$ 180 - para usinas muito eficientes e próximas da rede de distribuição - e R$ 200 para remunerar a geração por biomassa.

"A cana ficou mais competitiva", analisa Thais Prandini, diretora da Thymos Energia. "O preço começou a ficar interessante no leilão A-5." Apesar disso, a bioletricidade vai apenas "pegar carona" nesse leilão, diz, porque as condições continuam mais favoráveis às térmicas. Ela acha saudável ter a biomassa de cana na matriz, mas não criar dependência em relação a essa fonte. "É importante ter um pouquinho de tudo. Biomassa tem preço bom, mas uma sazonalidade que outras fontes não têm. Depende muito da safra. Não dispõe de total segurança, como a usina a gás."

O governo parece ter reconhecido que misturar fontes diferentes no mesmo leilão para competirem entre si não estava funcionando, mas a separação de fontes só ocorreu para valer no leilão de energia de reserva, marcado para outubro. "Um leilão que separa as fontes e não as coloca para competir entre si reforça a ideia de que vai haver um cenário muito claro do seu status na variedade da matriz energética brasileira", afirma Delpupo.

Segundo ele, isso permite fazer um planejamento melhor, porque assegura a participação de fontes variadas na matriz e reduz a dependência de uma ou poucas fontes. Se houvesse essa participação, o país não estaria vivendo, há dois anos, problemas com a geração hidrelétrica devido à escassez hídrica. Para o consultor, o problema da biomassa é a garantia da oferta do insumo principal - no caso do setor sucroenergético, a palha e o bagaço da cana.

Thaís entende que no leilão de energia de reserva o governo está oferecendo um grande estimulo para o desenvolvimento da energia solar. "O preço separado no leilão de energia de reserva é para desenvolver a solar", afirma. Ela questiona porque a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) não abriu também o leilão para fontes como eólica, cujo custo é mais baixo e ajudaria a reduzir o preço médio final.

De acordo com Zilmar, o setor pode responder rapidamente à necessidade de oferta de energia se os preços se tornarem mais competitivos. Não só pela instalação de novos projetos - paralisados há três anos devido aos preços baixos da energia e do combustível - como também pela adequação de usinas que hoje não exportam energia para a rede. A Unica calcula que das 389 usinas que produzem energia para autoconsumo, apenas 170 fornecem para a rede. As demais poderiam fazê-lo se encontrassem preços favoráveis que permitissem a modernização de suas instalações e justificassem o investimento. (Valor Econômico 22/09/2014)

 

Projetos para fontes limpas ganham espaço

Compartilhar: Em meio à séria possibilidade de falhas na oferta de energia no próximo verão, investir em inovação e em novas fontes renováveis é mais do que recomendável. Apesar de alguns ainda estarem distantes da viabilidade econômica, o volume de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação em energia limpa vem ganhando consistência e cifras cada vez maiores.

A sofisticação das tecnologias envolvidas também. O que ainda distancia o país dos bons exemplos globais é a viabilização comercial e em escala de várias tecnologias desenvolvidas dentro de universidades federais e estaduais em parceria com os 126 centros de pesquisa e desenvolvimento das concessionárias de energia do país. Hoje são 62, entre 34 distribuidoras, 21 geradoras e sete transmissoras realizando projetos de P&DI para redes elétricas inteligentes (REI) ou correlatos, com investimentos que superam R$ 1 bilhão. A estimativa é de que esse valor chegue a R$ 3 bilhões no biênio 2013 e 2014, segundo estudo da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI).

Considerando a totalidade dos projetos de P&D da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em andamento, atualmente são 1.545 em execução envolvendo temas como fontes alternativas de geração de energia, gestão de bacias e reservatórios, meio ambiente, segurança, eficiência, planejamento e operação de sistemas, supervisão, controle e proteção, qualidade dos serviços e medição, dentre outros, que somam R$ 4,2 bilhões, segundo levantamento da Aneel a pedido do Valor.

A agência exige que as elétricas invistam 1% da receita operacional líquida em inovação. Só em geração de energia renovável, de 2008 a 2013 foram catalogados 273 projetos em dez temáticas, que vão das estruturas para instalação de usinas eólicas, passando pela solar (18 projetos em andamento), biogás (23) até a geração de energia a partir das ondas do mar.

O Grupo AE Brasil é uma das dez empresas citadas com distinção no mapeamento feito pela ABDI e investiu R$ 40 milhões em 2013 em P&DI em 24 projetos. Já a Energisa, que possui capacidade total para gerar 373 megawatts de potência, sendo 163 MW vindos de usinas hidrelétricas, 150 MW de eólicas e 60 MW de termelétricas (com uso de bagaço de cana), está desenvolvendo novas tecnologias para construção de mais quatro usinas eólicas, duas solar e uma PCH (pequenas centrais elétricas com capacidade de gerar até 30 MW e que causam baixíssimo impacto ambiental). A entrega dessas usinas significará mais 350 MW para a empresa que há mais de 20 anos aposta na P&DI para geração de fontes de energia limpa.

Só no desenvolvimento e implantação da tecnologia e estrutura das usinas solares em projeto, estima-se que a Energisa deva gastar entre R$ 160 milhões e R$ 180 milhões. "Essas usinas nos darão condições de participar do primeiro leilão exclusivo de energia solar que acontecerá em outubro", afirma Eduardo Mantovani, diretor-presidente de geração da Energisa.

O executivo garante que se todos os projetos de energia renovável que estão sendo desenvolvidos pela empresa hoje fossem executados consumiriam nada menos do que R$ 1,6 bilhão.

Para estruturar o foco de suas ações na utilização de fontes primárias de energia, a Cemig fez, entre 2010 e 2012, um amplo levantamento de todas as alternativas possíveis considerando as características naturais do Brasil. "Queremos nos posicionar como o maior grupo integrado de geração, distribuição e transmissão de energia da América Latina até 2020"; diz Alexandre Maia Bueno, diretor de tecnologias alternativas energéticas da empresa mineira. (Valor Econômico 22/09/2014)

 

Fila para carregar açúcar aumenta para 37 navios

O total de navios que aguardam para embarcar açúcar nos portos brasileiros aumentou de 27 para 37 na semana encerrada em 17 de setembro, de acordo com levantamento feito pela agência marítima Williams Brasil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 6 de outubro.

Foi agendado o carregamento de 1,31 milhão de toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 1,04 milhão de t, ou 80% do total. Paranaguá responderá pelos 20% restantes (265,20 mil t). Em Santos, o terminal da Copersucar deve embarcar 256,30 mil t. No da Rumo, os embarques devem somar 724,16 mil t, e no da Cargill, 131,43 mil t no período analisado.

A maior quantidade a ser exportada é da variedade VHP, açúcar bruto de alta polarização, com 1,25 milhão de toneladas. Os embarques do cristal B-150 somam 39,50 mil toneladas e os do tipo A-45, 24 mil t. O A-45 e o B-150 são exportados ensacados. (Agência Estado 19/09/2014)

 

Carros híbridos recebem estímulo do governo com redução de imposto

A importação de carros híbridos ficará mais barata até o fim de 2015, decidiu na quinta-feira (18) a Camex (Câmara de Comércio Exterior). O imposto será reduzido dos atuais 35% para alíquotas de 0%, 2%, 4%, 5% e 7%.

A alíquota mais alta será aplicada no veículo que entrar no Brasil totalmente montado. Se o fabricante trouxer o carro desmontado poderá ter o imposto reduzido, dependendo da quantidade de itens e de mão de obra que agregar no Brasil. O imposto também vai variar de acordo com a eficiência energética. Ou seja, de acordo com a economia que cada modelo alcançar por quilômetro rodado.

O híbrido é o veículo que tem dois motores - um elétrico e outro a combustão, que se encarrega de abastecer o elétrico. Quando o veículo atinge baixa velocidade o motor elétrico entra em ação. Os veículos têm de possuir capacidade de transporte de, no máximo, seis pessoas para ter direito ao desconto, que valerá até 31 de dezembro do ano que vem.

A resolução é uma vitória, sobretudo, da Toyota, que há meses tentava convencer o governo a dar o benefício para veículos como o Prius, o primeiro híbrido do mundo, vendido há anos na Europa e Estados Unidos.

A resolução é uma vitória, sobretudo, da Toyota, que há meses tentava convencer o governo a dar o benefício para veículos como o Prius

O Prius custa hoje mais de RS$ 120 mil no Brasil. A Toyota ainda não definiu os novos preços. A Ford também possui uma versão do Fusion híbrida.

Segundo nota da Camex, a redução do imposto "faz parte de um conjunto de medidas necessárias para a criação de um mercado e atração de investimentos para produção nacional de veículos que usem novas tecnologias de propulsão".

100% elétrico

Ficou fora da resolução publicada pela Camex o carro 100% elétrico, que precisa ser abastecido em tomadas. Sobretudo o grupo Renault-Nissan brigava pela a redução de imposto também para esse tipo de veículo. Mas, segundo os dirigentes do setor, o governo mostrou preocupação com a infraestrutura necessária para o abastecimento desse tipo de carro. (MDIC 19/09/2014)

 

Com pré-sal, governo deixa etanol de lado

Setor enfrenta o pior dos cenários, que vai de demissões à falta de crédito; 34 usinas fecharam em 7 anos.

SÃO PAULO - Os negócios ligados ao etanol já foram mais prósperos. O cenário, hoje, é de insatisfação, principalmente dos produtores, que reclamam da falta de incentivo do governo e culpam o subsídio à gasolina como um dos responsáveis pelo retrocesso do setor. Desde 2007, 58 usinas fecharam as portas na região centro-sul – 34 delas em São Paulo. Isso sem contar as empresas que deixaram de produzir etanol para se dedicar ao açúcar.

O derivado da cana foi alardeado pelo governo mundo afora como alternativa sustentável aos combustíveis fósseis. Surgia como esperança de mudança no cenário econômico brasileiro. Junto houve o incentivo ao aumento da frota flex e a perspectiva de exportação do etanol brasileiro.

Pré-sal: Veio então a euforia com os resultados do pré-sal – de 2010 a 2014, a média de produção cresceu dez vezes, chegando a 411 mil barris de petróleo por dia, que representa 20% de toda a produção nacional. O etanol foi para segundo plano.

“A crise do álcool começou em 2010, com a implantação da política de controle de preço de gasolina e diesel para segurar a inflação de energia”, diz Adriano Pires, presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura. “Ao segurar o preço da gasolina na bomba dos postos, a Petrobrás teve prejuízo.”

O consumidor preferiu a gasolina ao álcool depois que o derivado de petróleo ficou sem aumento do preço na bomba Em 2009, 80% dos veículos s flex usavam álcool. No fim de 2012, a adesão caiu para 27%. Para o motorista, só vale à pena usar o etanol se o preço for até 70% abaixo da gasolina, pois o combustível da cana rende menos.

“No ano passado, a crise ainda se agravou devido ao clima”, diz Elizabeth Farina, presidente do União Nacional das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica). Em alguns lugares, choveu muito acima de média, em outros, muito abaixo, e ainda houve geada. O País ficou sem estoque para exportação.

No campo, a crise levou a demissões, problemas de salário e falta de crédito. Até as usinas que migraram para o açúcar se deram mal . “O preço da bolsa do açúcar em Nova York não cobre os custos da produção”, diz Gustavo Diniz Junqueira, presidente da Sociedade Rural Brasileira. “Não sabemos qual será a saída para essa crise”, diz Elizabeth. Mas o sonho do etanol virar commodity ainda está longe de se concretizar. (O Estado de São Paulo 20/09/2014 às 14h: 02m)

 

O setor de açúcar e álcool não pode ser negligenciado

Às vésperas das eleições e após o flerte da candidata Marina Silva (PSB) com os produtores de cana-de-açúcar, o governo lembrou-se do setor sucroalcooleiro, em crise há anos. Com a justificativa de compensar as usinas exportadoras pela valorização do câmbio, o Ministério da Fazenda anunciou a inclusão do açúcar e do etanol no programa Reintegra, que até o fim do ano assegura a restituição da parcela de 0,3% do faturamento com exportação de manufaturados, alíquota que deve passar a 3% em 2015.

A medida é considerada positiva pelo setor, mas seus efeitos a curto prazo podem ser quase nulos, pois a alíquota de restituição é baixa e as exportações de açúcar e de etanol caíram com a diminuição da demanda ou a perda de competitividade interna e externa. A alegada "compensação" pela valorização do câmbio está muito aquém da necessária.

Entre janeiro e julho, as exportações de açúcar de cana em bruto foram de US$ 3,871 bilhões, 19,48% inferiores às de igual período de 2013. É pior a situação do etanol: a receita de US$ 628,4 milhões teve queda de 52% em relação a 2013.

Há problemas acumulados, como o alto nível de endividamento e a seca prolongada. Segundo a consultoria Datagro, a produção açucareira da safra 2014/2015 deve ser de 32,8 milhões de toneladas, inferior à expectativa. Como as cotações do açúcar no mercado global têm oscilado muito, as usinas poderão se voltar mais para o etanol, mas a produção (de até 24 bilhões de litros) depende de ajuste no preço da gasolina.

A questão é estrutural. A presidente da Unica, Elizabeth Farina, reivindica uma definição do "papel estratégico do etanol para o País". Para o ex-ministro Roberto Rodrigues, há um problema grave de renda no setor, que só poderia ser resolvido, no curto prazo, com o retorno da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), que foi reduzida a zero para evitar o aumento do preço dos combustíveis.

Ao adiar o reajuste dos preços dos derivados de petróleo, o governo prejudicou a competitividade do etanol, cujo preço deve corresponder a 70% do da gasolina. E como os custos da produção de etanol subiram, a situação é insustentável na maioria dos Estados produtores.

Um aumento da adição de etanol à gasolina foi prometido, mas está em estudos pela Unica, pela Anfavea e pelo Inmetro. Isso não passa de um agrado do governo ao setor sucroalcooleiro e não basta para compensar as perdas de um segmento negligenciado nos últimos anos. (O Estado de São Paulo 20/09/2014 às 02h: 12m)

 

Preços da gasolina nos EUA caem US$0,09 nas duas últimas semanas, diz pesquisa

A média de preços do galão de gasolina nos Estados Unidos caiu 0,09 dólar nas últimas duas semanas, por conta da última série de quedas dos preços do petróleo, de acordo com pesquisa Lundberg divulgada neste domingo.

Os preços caíram para uma média de 3,37 dólares por galão de gasolina regular, de acordo com a pesquisa conduzida em 19 de setembro. Isso amplia o declínio nos preços para 13 semanas, disse a Trilby Lundberg. O preço do galão caiu 0,34 dólar nesse período.

Houve uma queda de 13 por cento no preço do petróleo desde junho. Enquanto esse declínio levou os preços da gasolina para baixo, dois novos fatores causaram o corte dos preços nas bombas nas últimas duas semanas, de acordo com a Trilby Lundberg.

A Lundberg disse que as refinarias migraram agora para a gasolina misturada de inverno, cuja fabricação é mais barata. Enquanto isso, o etanol, que as refinarias misturam com gasolina, também viu os preços caírem, o que levou a preços menores nos postos de gasolina.

Esses fatores, junto com mais quedas nos preços do petróleo, podem manter os preços da gasolina mais baixos no curto prazo. (Reuters 21/09/2014 às 16h: 49m)

 

‘Brasil precisa exportar know-how para abrir mercado’

Ex-ministro diz que nações não trocam de matriz energética se não houver maior número de produtores no mundo.

SÃO PAULO - O etanol passou os últimos anos longe dos holofotes. Desde o Proálcool dos tempos da ditadura militar, o programa de combustível a base de cana-de-açúcar vive seu pior momento e o programa de Biodiesel foi completamente abandonado pelo atual governo, segundo o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues.

“Temos de exportar know-how para ter mais gente produzindo etanol”, afirma. Rodrigues, em seus tempos de ministro de Luiz Inácio Lula da Silva, fez um giro pela Ásia, considerada então o grande mercado para o etanol brasileiro, e ouviu de uma autoridade oriental que eles só cogitariam mudar a matriz energética baseada em combustíveis fósseis se pudessem comprar álcool de vários países. Ou seja, é preciso criar uma base produtora mundial para que o etanol seja visto como alternativa energética.

Hoje, segundo Elisabeth Farina, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, 10% do etanol brasileiro é exportado. Para Farina, a maior preocupação com diversificação da matriz energética no mundo pode ser vantajosa para o etanol, fonte limpa, que pode colaborar na redução de emissões de carbono. “Ainda há espaço para crescer”, disse. “O cenário internacional é importante.” (O Estado de São Paulo 20/09/2014 às 14h: 11m)

 

Roberto Rodrigues: Tecnologia em prol da sustentabilidade

A combinação de técnicas de melhoramento genético é valiosa opção para preservar o meio ambiente e, ao mesmo tempo, alimentar a todos.

A agricultura vai enfrentar diversos desafios no século 21. De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a população mundial deve chegar a 9 bilhões de pessoas em 2050. Esse crescimento demográfico vai impor a necessidade de produzir mais alimentos e fibras sem aumentar muito as fronteiras agrícolas, preservando o meio ambiente e em um cenário de redução da força de trabalho rural.

Nos países em desenvolvimento, projeções apontam que a produção de cereais e de proteína animal, por exemplo, teria que quase dobrar. Para resolver essa equação de acordo com os preceitos da sustentabilidade, uma das alternativas mais óbvias é aumentar a produtividade.

O uso de tecnologias inovadoras na agricultura é fundamental para atingir esse objetivo e, sem dúvida, a biotecnologia é uma ferramenta poderosa. Dados do mais recente relatório do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia mostram que os transgênicos, desde sua introdução, em 1996, deram importante contribuição para alcançar essa meta.

Desde aquele ano, quando começaram os plantios de variedades transgênicas, a produção de grãos e fibras teve um incremento de 377 milhões de toneladas: se não fosse isso, seriam necessários 123 milhões de hectares adicionais para obter o mesmo desempenho.

Na safra 2006/2007 aqui no Brasil, imediatamente antes da aprovação do primeiro milho transgênico pela CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), a produtividade do cereal foi de 3,6 mil kg por ha (hectare) de acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento.

Na safra 2013/2014, a previsão é que esse número seja de 5,1 mil kg por ha. Cerca de 81% das lavouras da commodity foram plantadas com variedades geneticamente modificadas no último ano. Da mesma maneira, a soja em 1997/1998 rendia 2,3 mil kg por ha; hoje, 3 mil kg por ha, com uma taxa de adoção de sementes transgênicas superior a 90%.

Esses dados apontam para uma significativa contribuição da biotecnologia para a produtividade do milho e da soja no país. Claro que essa não é a única causa, mas seu peso é expressivo.

Aliás, os transgênicos otimizaram o uso de insumos agrícolas. As características já introduzidas pela transgenia, tolerância a herbicidas e resistência a insetos, permitem ao agricultor maior flexibilidade e segurança no manejo. É claro que quanto mais tecnologias estiverem disponíveis, maior o potencial produtivo. Especialmente nas zonas tropicais, a competitividade do agronegócio está ligada à aplicação de ferramentas tecnológicas para superação de limitações e adição de novas funcionalidades.

Cientistas de todo o mundo estudam plantas com características complexas modificadas, cuja expressão envolve vários genes, a exemplo da tolerância a seca, a inundações e ao solo com alta salinidade. O futuro também aponta para a criação de outros transgênicos --cana-de-açúcar, eucalipto, laranja, trigo, feijão, berinjela, além dos tradicionais soja, milho e algodão-- que contenham propriedades agronômicas, nutricionais ou sintetizem compostos medicinais.

No Brasil, instituições públicas e privadas de pesquisa e ensino desenvolvem novas variedades por meio da engenharia genética. A combinação de técnicas de melhoramento genético convencionais e biotecnológicas é uma valiosa opção para garantir a segurança alimentar, preservar o meio ambiente e, ao mesmo tempo, alimentar a todos.

ROBERTO RODRIGUES, 71, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, é embaixador especial da FAO (braço da ONU para agricultura e alimentação) e presidente da Academia Nacional de Agricultura. Foi ministro da Agricultura (governo Lula. (Folha de São Paulo 22/09/2014)

 

Estudo diz que Brasil terá papel global estratégico

Em 2035, o Brasil será um país autossuficiente na área de energia, líder na exploração de petróleo em águas profundas e dotado de uma ampla rede de fontes renováveis que o colocarão em uma posição estratégica no planeta. O cenário traçado faz parte do estudo "World Energy Outlook", desenvolvido pela Agência Internacional de Energia (AIE), que aponta a China e a Índia como os principais mercados demandantes de fontes energéticas nas próximas décadas.

No caso do Brasil, a AIE destaca a descoberta de novas jazidas nos campos de pré-sal e a diversidade de fontes renováveis, no caso, eólica, biomassa e solar, capazes de suprir as limitações do potencial hidrelétrico, hipótese admitida pelo governo federal. Porém, alerta a agência, o Brasil terá pela frente o desafio de oferecer os serviços de energia a preços acessíveis, o que exigirá vultosos investimentos.

As conclusões da AIE estão alinhadas com os investimentos previstos para os próximos anos, revela Altino Ventura, secretário de planejamento estratégico do Ministério de Minas e Energia (MME). Na semana passada, o ministério divulgou o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2023), que prevê investimentos da ordem de R$ 1,263 bilhão para os próximos 10 anos, montante que deve representar 2,5% do PIB acumulado no período 2014-2023 ou 11,6% dos investimentos totais do país.

Para chegar a esses números, o governo federal estimou PIB médio de 4,7% ao ano, índice considerado "otimista" por Ventura, mas que não invalida a execução do programa. "Temos uma taxa de crescimento populacional de 1% ao ano e nosso consumo per capita de energia é de apenas 2500 KWhora/ano e até 2050 continuaremos crescendo em demanda energética. Como temos fontes renováveis abundantes e excelentes expectativas com o pré-sal, deveremos nos tornar exportadores de energia e mudar o atual quadro, em que importamos 14% da energia usada", afirma.

Hoje, o Brasil importa eletricidade do Paraguai, gás natural da Bolívia e carvão mineral de diversos países, volume que aumentou este ano em função da estiagem que obrigou o acionamento além do previsto das termelétricas. De acordo com o PDE, serão investidos R$ 879 bilhões (69,3%) na exploração de petróleo e gás; R$ 301 bilhões (23,9%) em hidrelétricas e R$ 82 bilhões (6,5%) em biocombustíveis, em especial no etanol e derivados do bagaço de cana.

Até 2023, estarão concluídas as maiores hidrelétricas, como Belo Monte e Jirau, e haverá expansão de 70 mil km de linhas de transmissão, que permitirão um aproveitamento de 170 mil MW. "Mas, a partir de 2025, chegaremos ao limite na construção de novas hidrelétricas e teremos de partir para o desenvolvimento de novas fontes renováveis, reservando parte dos combustíveis fósseis para as termelétricas e usando eólica, solar, biomassa e nuclear como complementares", afirma Ventura.

Para o engenheiro Erik Rego, professor da Poli-USP e sócio da consultoria Excelência Energética, há grande potencial para a expansão da energia eólica, que hoje responde por apenas 2.202 MW (1,7%) da capacidade instalada de geração de energia. "Por estarem situados no litoral árido do Nordeste, onde estão os melhores ventos, os parques ocupam terras baratas, o que dá vantagem competitiva e atrativa para os investidores", afirma. Há também espaço para a expansão da energia solar, embora o Brasil esteja em descompasso na produção de painéis, mercado dominado pela China.

O BNDES já anunciou que irá dispor de uma linha de crédito, com juros entre 2,3% a 5,5% ao ano para empresas dispostas a investir em parques solares. Mas, diz Rego, o principal incentivo deveria ser para consumidores nas áreas urbanas, uso que poderia estar mais disseminado se não houvesse a posição contrária dos governos estaduais, que não abrem mão da cobrança do ICMS (que representa 1/3 do valor da conta). Ventura, do MME, admite o problema, e espera que os governos tenham "mais bom senso" e encontrem uma saída em médio prazo.

Embora esteja alinhado com as conclusões da AIE, o consultor Martiniano Lopes, da área de energia da KPMG, receia que as normas regulatórias de exploração do pré-sal inviabilizem a entrada de capital estrangeiro, o que frustraria as expectativas do governo federal. "A obrigatoriedade da participação de 30% da Petrobras na exploração pode desestimular o capital estrangeiro, já que países como o México e do continente africano oferecem condições mais favoráveis", afirma. Lopes lembra também que o cenário mundial pode mudar muito em razão do desenvolvimento nos EUA do gás de xisto, que hoje já representa 44% do gás natural usado pelas empresas locais. (Valor Econômico 22/09/2014)

 

Valor de terras sobe 300% em 10 anos

Mapeamento realizado pelo Banco do Brasil mostra que o preço do hectare saltou da média de R$ 2,6 mil para R$ 10,6 mil entre 2002 e 2013.

O movimento de alta no preço das commodities agrícolas na última década puxou também o valor da terra no Brasil. O preço do hectare para a agropecuária no disparou 308%, saltando da média R$ 2,6 mil para R$ 10,6 mil entre 2002 e 2013.

O crescimento foi mapeado pelo Banco do Brasil, em um estudo inédito elaborado com base em dados recolhidos por seus 260 técnicos espalhados por todas a regiões e obtido pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

O diretor de Agronegócios do Banco do Brasil, Clenio Severio Teribele, avalia que o encarecimento da terra revela o avanço patrimonial dos empresários do campo.

"Isso mostra um ganho que até agora era pouco visível", afirma. "A valorização da terra foi extraordinária na última década".

O aumento mais significativo do custo do hectare foi verificado na pecuária. A terra para a criação de gado ficou 343% mais cara, passando de R$ 1,5 mil, em 2002, para R$ 6,8 mil no ano passado.

A terra para a lavoura teve uma valorização de 245% no mesmo período - de R$ 5,7 mil para R$ 19,8 mil. A diferença entre os preços para cada ramo ocorre em razão da utilização de máquinas e fertilizantes, por exemplo, como é o caso da agricultura, o que eleva o gasto necessário para viabilizar as lavouras.

Norte. Entre as regiões, o destaque foi a disparada nos preços do Norte (509,7%), onde o hectare agrícola passou de R$ 995 para R$ 6,06 mil. Para a criação de gado, o custo da terra saltou 365,79%. O Banco do Brasil avalia a alta como reflexo da migração da fronteira agrícola a partir do Centro-Oeste. "O mundo está descobrindo a Região Norte", diz Teribele.

Apesar do aumento patrimonial dos produtores do Norte, o Ministério da Agricultura trabalha com uma redução de 9,7% do valor bruto da produção (VBP) para a região neste ano. Em 2013, a pecuária e a agricultura do Norte atingiu R$ 19,68 bilhões em VBP. A estimativa do ministério é uma geração de riqueza no campo de R$ 17,7 bilhões em 2014.

Enfraquecimento. O recuo na renda indica a tendência de queda no preço das commodities no mercado internacional e deve ser mantida, avalia o acompanhamento feito pelo Banco do Brasil. "As análises das consultorias que indicam isso estão muito alinhadas com o que temos acompanhado no dia a dia", diz o gerente executivo de Agronegócios do banco, Ivandré Montiel da Silva.

O diretor Clenio Teribele concorda com a avaliação do mercado de que as commodities estão perdendo fôlego depois de uma década de preços crescentes. Mas avalia que os preços devem se estabilizar acima da média de anos anteriores ao boom iniciado em 2001, a partir da intensificação do apetite da China por carne e grãos. "As commodities vão ter pressão de preço (em 2014 e 2015), mas vão se manter acima da série histórica", prevê.

Crédito. Movida pela intensa movimentação, a carteira atual de crédito agrícola do Banco do Brasil atingiu R$ 157,2 bilhões em junho de 2014. O financiamento do banco na agropecuária saltou 835% em relação aos R$ 16,8 bilhões de 2002. O crescimento, destaca Teribele, não acompanha o movimento do agronegócio para as novas fronteiras agrícolas do País.

O Banco do Brasil, porém, não regionaliza os dados de crédito para mapear se ele acompanha o aumento do preço da terra, por exemplo, da Região Norte. O banco argumenta que muitas empresas atuam em diversas regiões, mas solicitam financiamento na suas sedes. "Nossa principal garantia (a ceder empréstimos) não é a quantidade de terra, mas o referencial técnico", diz o diretor (O Estado de São Paulo 19/09/2014)

 

Camex reduz imposto de importação de tratores

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) reduziu o Imposto de Importação incidente sobre alguns tipos de fertilizantes, tratores rodoviários para semirreboques e sobre automóveis de passageiros de cilindradas entre 1.000 cm3 e 3.000 cm3, com capacidade para até seis pessoas. A medida consta de resolução publicada no Diário Oficial da União que altera a Lista Brasileira de Exceções à Tarifa Externa Comum do Mercosul (Letec).

No caso dos tratores, dois tipos enquadrados como ex-tarifários tiveram a alíquota do imposto, que era de 35%, zerada. Já os automóveis de passageiros foram classificados em diferentes ex-tarifários, beneficiados com a redução da alíquota original de 35% para vários outras menores. Veículos desmontados com sistema de tração elétrica, por exemplo, tiveram a tarifa zerada. Alguns tipos semidesmontados serão taxados a 5% e a 2%. A tarifas reduzidas valem por 12 meses. Os fertilizantes contemplados na resolução, que consistem em adubos minerais ou químicos, também tiveram a alíquota de importação zerada - antes era de 6%.

A resolução da Camex ainda retira da Letec quatro outros itens: monocloroacetato de sódio; alguns tipos de pentóxido de difósforo e ácido fosfórico; diamantes, mesmo trabalhados, mas não montados nem engastados; e montanha-russa com percurso superior ou igual a 300m. (Agência Estado 19/09/2014)

 

Açúcar garante melhor remuneração a produtores do Oeste de MT

Estado vai produzir mais de 400 mil toneladas de açúcar, diz Sindálcool.

Preços pagos por açúcar e etanol ao produtor estão estáveis.

Com a safra de cana-de-açúcar em andamento em Mato Grosso, o açúcar tem remunerado melhor os produtores do estado. Segundo o Sindicato das indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindalcool), o estado vai produzir nesta safra mais de 400 mil toneladas de açúcar e mais de um bilhão de litros de etanol.

Em Campo Novo do Parecis, região Oeste, o produtor rural Fernando Luis Giacomet acredita que até o final da safra devem ser produzidas 160 mil toneladas de cana-de-açúcar, que serão vendidas a uma cooperativa no município. A cooperativa reúne 49 produtores da região.

A expectativa de produção da cooperativa é de 1,5 milhão de sacas de açúcar, 30 mil sacas a mais que no ano passado. Cerca de 25% desse volume serão destinados para a produção de açúcar. Os preços estão estáveis e seguem o mesmo patamar que no ano passado.

“Hoje o açúcar está remunerando um pouco melhor porque fazemos um mercado regional em Mato Grosso, Acre,Rondônia, Amazonas. Então o açúcar remunera um pouco melhor que o etanol, na faixa de R$ 50, R$ 55, R$ 54 a saca de 50 quilos”, diz o presidente da cooperativa, Luis Carlos Loro.

Este ano a produção de etanol deve chegar a 160 milhões de litros do combustível, 7% a mais que o ano passado. O álcool anidro e o hidratado são vendidos para as distribuidoras de combustível. O mercado está estável, segundo o presidente da usina.

“Hoje o mercado está operando em cerca de R$ 1,40 centavos e daí as distribuidoras com seus custos de logística repassam aos postos, que tem outros custos e acaba virando o preço final de bomba que conhecemos”, diz o presidente da cooperativa. (G1 20/09/2014)

 

Commodities Agrícolas

Café: Incerteza com safra: As cotações do café arábica recuaram na bolsa de Nova York na sexta-feira com a pressão da alta do dólar e o impacto "baixista" da estimativa da Conab para a safra 2015/16, que estimulou vendas dos fundos especulativos. Os lotes para março de 2015 fecharam em queda de 315 pontos, a US$ 1,822 por libra-peso. A estatal prevê que o país deve colher 48,8 milhões de sacas de café, muito acima do que vem sendo especulado entre os produtores e traders. Para analistas, a perspectiva da Conab não tem relação com a realidade, já que a região produtora do Brasil continua com pouca umidade, e avaliações independentes indicam que apenas metade dos cafezais teve florada. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica teve queda de 1,09%, para R$ 419,53 a saca.

Cacau: O ebola, mais uma vez: A epidemia de ebola na África Ocidental voltou a ser motivo de especulação no mercado do cacau na bolsa de Nova York. Os contratos para março de 2015 fecharam com alta de US$ 59, a US$ 3.217 a tonelada. Em agosto, o mercado assistiu a um movimento semelhante. Os traders alegam que os casos do vírus estão em países fronteiriços com a Costa do Marfim, maior produtor global de cacau, e um avanço da epidemia poderia causar problemas na produção e na exportação. Desta vez, o gatilho para a renovação dos temores foi uma reportagem sobre o tema no "Financial Times", segundo Thomas Hartmann, da TH Consultoria. No mercado doméstico, o preço médio da arroba negociada em Ilhéus/Itabuna seguiu a bolsa e subiu para R$ 108, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Demanda fraca: Os futuros do algodão registraram queda expressiva na sexta-feira na bolsa de Nova York conforme a colheita americana avança e não há sinais de reação da demanda internacional. Os contratos para dezembro fecharam em baixa de 66 pontos, a 64,39 centavos de dólar por libra-peso. Embora os estoques da fibra nos EUA estejam baixos, a demanda também não tem demonstrado reação, mesmo em meio aos baixos preços negociados no mercado futuro. Isso tem impedido uma reação das cotações. As negociações do algodão também foram influenciadas pela elevação do dólar na comparação com diversas moedas emergentes. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias teve alta de 0,05%, para R$ 1,683 a libra-peso.

Trigo: Baixa atratividade: A crescente falta de interesse mundial pelo trigo dos EUA voltou a pesar sobre os negócios do cereal nas bolsas do país na sexta-feira. Em Chicago, papéis para março de 2015 fecharam a US$ 4,91 o bushel, recuo de 14,75 centavos. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os lotes com igual vencimento fecharam a US$ 5,66 o bushel, queda de 11,25 centavos. O recuo de mais de 50% nas vendas americanas do cereal há duas semanas reforçou a impressão de que grandes importadores têm evitado a oferta americana por causa de seu alto preço. A valorização do dólar nos últimos dias impede que a queda dos preços torne o trigo dos EUA mais competitivo no mercado internacional. No Paraná, o preço médio da tonelada apurada pelo Cepea/Esalq caiu 0,06%, para R$ 518,36. (Valor Econômico 22/09/2014)