Setor sucroenergético

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Etanol anidro é o que mais remunera no setor

A produção acumulada de etanol anidro atingiu 7,6 bilhões de litros na safra 2014/15 na região centro-sul, uma evolução de 5,3% em relação ao volume de igual período do ano passado.

É o produto que registra o maior percentual de crescimento nesta safra, aponta a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

A produção de etanol hidratado subiu para 10,4 bilhões de litros, com alta de 4,4%, enquanto a de açúcar foi a 23,4 milhões de toneladas, apenas 1,7% mais do que em igual período de 2013.

Julio Maria Borges, da JOB Economia e Planejamento, diz que, na verdade, esse avanço maior do etanol anidro é uma opção das usinas devido à melhor remuneração do produto, em relação aos demais no contexto atual do setor sucroenergético.

No início da safra, em abril, o açúcar para o mercado interno remunerava melhor do que o etanol hidratado, do que o açúcar para exportação e do que o açúcar VHP (para exportação), perdendo apenas para o etanol anidro.

Em maio e junho, no entanto, a remuneração do açúcar para o mercado interno superou também a do etanol anidro, condição que perdeu a partir de julho.

Acompanhamento de preços da JOB indica, no entanto, que o etanol anidro foi o produto que mais remunerou os produtores nos últimos três meses desta safra. Atualmente, essa remuneração supera em 7% a do açúcar para o mercado interno.

Este tem remuneração menor também em relação ao açúcar branco para exportação e ao etanol hidratado. A remuneração do açúcar para exportação é 2% acima da do açúcar comercializado no mercado interno, enquanto a do etanol hidratado é 1% maior.

O açúcar VHP para exportação é o produto que menos remunera nesta safra, em relação aos demais produtos, segundo Borges.

O preço do açúcar VHP, principal produto da pauta de exportações do setor de cana, equivale a 89% do preço do açúcar de mercado interno e não cobre os custos de renovação da lavoura, a depreciação e os juros.

O VHP está, neste momento, na condição de subproduto da agroindústria canavieira do Brasil. "Essa condição não é sustentável no médio prazo", afirma Borges. ((Folha de São Paulo 25/09/2014)

 

Com foco no etanol, indústrias baixam produção de açúcar

Redução na oferta de açúcar chegou a 17,09% na 1ª quinzena de setembro.

Moagem da cana chegou a quase 40 milhões de toneladas pelas indústrias.

Quase 40 milhões de toneladas (39,89) de cana-de-açúcar foram processadas pelas unidades produtoras da região Centro-Sul na primeira metade de setembro. O volume representou uma queda de 15,98% em relação ao total de 47,48 milhões de toneladas moído na quinzena anterior e 7,44% menor em relação ao valor observado no mesmo período de 2013 (43,10 milhões de toneladas), disse nesta quarta-feira (24) a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

No período que vai do início da safra até 15 de setembro, a moagem chegou a 412,68 milhões de toneladas, contra 408,54 milhões de toneladas verificadas em igual data de 2013, de acordo com o balanço apresentado pela entidade.

A produção de açúcar na primeira metade de setembro sofreu recuo significativo: atingiu 2,5 milhões de toneladas nos 15 primeiros dias do mês, ante 3,02 milhões de toneladas apuradas na quinzena anterior (queda de 17,09%) e 2,98 milhões de toneladas registradas no mesmo período da safra 2013/2014 – retração de 15,92%.

Em nota, o diretor técnico da UNICA, Antonio de Padua Rodrigues, associou a queda na produção de açúcar como reflexo da menor moagem na quinzena, além da decisão das empresas em priorizar a fabricação de etanol. Na avaliação do representante, as condições de demanda e os preços vigentes têm gerado incentivos econômicos à produção do biocombustível em detrimento ao açúcar.

Na primeira metade de setembro foram 43,99% da cana processada foram destinados à fabricação de açúcar.

Produções

De acordo com a UNICA, a produção de etanol alcançou 1,96 bilhão de litros nos primeiros 15 dias de setembro, ante 1,88 bilhão de litros apurados em igual período do último ano.

No acumulado desde o início da safra 2014/2015, a produção de açúcar alcançou 23,43 milhões de toneladas, enquanto a fabricação de etanol somou 18,11 bilhões de litros, com crescimento de 4,82% sobre o volume observado no mesmo período de 2013. (G1 24/09/2014

 

Setor assegura estoque para entressafra maior de cana

Com os prejuízos ocasionados pela estiagem, diversas usinas devem encerrar o período de moagem mais cedo. Neste contexto, lideranças do setor garantem que haverá mais de um bilhão de litros de etanol em estoque para a próxima entressafra, que será mais longa.

Além disso, o período de 2014/2015 conta com um agravante aos canaviais: o aumento das queimadas.

"A população está acostumada a associar a queima da cana com colheita e isso quase não existe mais. Justamente a mecanização gerou um excedente de palha que, combinada à seca, tornou o canavial mais suscetível a incêndios", explica a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina.

De acordo com a entidade, entre os meses de janeiro e junho o índice de chuvas foi 80% menor do que o esperado para o período, fator que colaborou para a ocorrência de queimadas classificadas pelo diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, como "criminosas". "Estamos no mês de setembro, o mercado está ofertado, a quebra agrícola não vai afetar a oferta", garante o diretor.

Apesar das quedas de preços ocasionadas pela safra, no etanol, os valores deste ano estão levemente superiores no comparativo anual. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram alta de 0,5% no anidro e 2% no hidratado entre os meses de abril e agosto deste ano, porém, queda na rentabilidade por conta dos custos de produção.

Danos

O diretor conta que um incêndio faz com que a cana seja colhida antes do período ideal, prejudicando a produtividade e os níveis de ATR [Açúcares Totais Recuperáveis] da produção. O menor prejuízo fica entre R$ 1.500 e R$ 1.700 por hectare. No caso de soqueiras ou brotos queimados, pode haver impacto para a oferta da cana na próxima safra.

"A decisão do produtor vai depender muito do desempenho do clima entre os meses de janeiro e março", diz Pádua sobre o adiantamento no fim da moagem. Mesmo que as chuvas sejam regularizadas, o setor ainda não estará recuperado para o período de 2015/2016.

"A próxima safra vai começar nessas condições e até mais tarde do que o normal. As usinas terão que recorrer a financiamentos do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]. Não faltará oferta, mas não há uma linearidade, alguns produtores terão muito estoque e outros não. Em relação a esta safra, pode haver até mais fechamentos de usinas", completa o diretor.

Apesar destas condições, a Unica ainda aposta em uma safra mais alcooleira.

Políticas

Considerando uma entressafra mais longa, Pádua enfatiza a necessidade de políticas que garantam previsibilidade ao etanol e à bioenergia.

Na expectativa de redução das exportações, a Unica projeta diminuição de três milhões de toneladas na produção de açúcar e entre 1,2 e 1,5 bilhões de litros de etanol para o período de 2014/2015.

"Me preocupa o programa da presidente Dilma não mencionar o etanol e declarações de membros do governo dizendo que o Brasil tem suas reservas do pré-sal e a Petrobras vai expandir na produção de petróleo - que continuará sendo um combustível fóssil e poluente - enquanto o Brasil é um dos países com as condições mais favoráveis para a produção de agroenergia, que reduz emissões e contribui imediatamente com a redução de custos na saúde pública", diz Farina em entrevista exclusiva ao DCI.

Para a presidente, a solução da crise depende da condição climática - que há cinco safras não é regular - e de medidas governamentais concretas.

"Acho errada a visão que classifica o etanol como substituto do petróleo. A energia renovável é complementar e estende a vida útil dos combustíveis fósseis", critica.

Bioenergia

Segundo Elizabeth, entre 2013 e 2014 houve um crescimento na oferta de bioenergia e 40% das usinas já exportam para a rede, o suficiente para atender o consumo de oito milhões de residências. Com esta contribuição, no ano passado foi gerada uma economia de 7% para os reservatórios de água.

"Estamos falando de 40%, sendo que ainda temos todos os outros 60%, cerca de 200 usinas que poderiam participar disso se tivessem a oportunidade de entrar nos leilões com preços adequados para viabilizar reformas, modernizações nas caldeiras, de maneira que elas pudessem gerar energia para o abastecimento próprio e também exportar para a rede", explica.

A presidente defende o reconhecimento dos atributos positivos da bioeletricidade e se diz satisfeita com a presença do setor nas discussões de candidatos à Presidência. (DCI 24/09/2014)

 

MS: Arrendatários relatam possível ‘calote’ da Usina São Fernando

Produtores rurais de Dourados e também de Laguna Carapã acusam um suposto ‘calote’ por parte da Usina São Fernando, sediada em Dourados, com relação ao pagamento referente ao arrendamento de propriedades rurais dos dois municípios.

O caso que estaria acontecendo há meses deixou a maioria dos produtores ‘enrolados’ com suas finanças, como disse ao Dourados News o presidente do Sindicato Rural de Laguna Carapã, Luiseu Bortoloci.

“É verdade. Temos casos de produtores que estão há sete meses ou mais sem receber pelo arrendamento. A grande maioria recebe por meio de repasse mensal, mas há alguns que recebem anualmente. Essa situação deixou todo mundo enrolado. Porque temos compromissos com fornecedores de peças, postos de gasolina, e também consumo de energia”.

Em Dourados, integrante do Sindicato Rural que preferiu não se identificar, também confirmou a situação. “Inclusive isso já aconteceu em outras oportunidades. Não é uniforme, alguns estão menos e outros há mais tempo sem receber. Mas, é um problema complicado”, disse a fonte.

Ainda conforme as informações repassadas ao Dourados News, há 15 dias houve uma reunião entre os produtores arrendatários e a cúpula administrativa da Usina. Neste encontro, teria ficado estabelecido um prazo para que a questão fosse resolvida, ainda que gradativamente.

“Eles justificaram a situação dizendo que o principal motivo para o problema foi o atraso na colheita e no repasse de valores da produção de energia deles. Se comprometeram a resolver a questão e a pagar até o dia 10 de outubro. Vamos esperar esse prazo”, disse Bortoloci. “Se comprometeram em resolver e é isso que vamos aguardar”, completou a fonte em Dourados.

Procurada pelo Dourados News para comentar a situação, a Biosul (Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul) se pronunciou por meio da assessoria de comunicação que, por e-mail, informou apenas que “a Biosul não se pronuncia em casos específicos de uma única Usina e sim responde por todo o setor”.

O Dourados News procurou ainda a Usina São Fernando, e a reportagem foi orientada a encaminhar um e-mail com os questionamentos sobre o assunto. Isso foi feito de pronto, no entanto, até a publicação desta matéria, não houve retorno.

Conforme informações da própria empresa, disponibilizadas em página oficial na internet, a usina possui uma área plantada instalada de 60 mil hectares, sendo responsável por uma produção de 4,5 milhões de toneladas de cana de açúcar, 330 mil toneladas de açúcar e 150 mil metros cúbicos de etanol anidro.

Recentemente, a empresa teve parte de suas ações negociadas com um grupo dos Emirados Árabes Unidos. (Fátima News 23/09/2014

 

Açúcar atinge mínimas da safra no mercado paulista

Poucos negócios e pressão internacional reduzem cotações.

Os preços do açúcar no mercado de São Paulo atingiram as mínimas da safra 2014/2015, iniciada em abril. Foi o que informou nesta terça-feira (23/9) o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Nesta segunda-feira (22/9), o indicador medido pela instituição para o açúcar cristal atingiu cotação de R$ 44,24 a saca de 50 quilos.

“A participação de compradores nas negociações spot segue baixa no mercado paulista. Mesmo assim, bons volumes ainda têm sido fechados, sustentando a liquidez. As cotações internacionais também estão em queda – estimativas indicam excedente global de açúcar”, informaram os pesquisadores.

No mercado internacional, os preços na bolsa de Nova York caíram cerca de 350 pontos nos últimos dois meses, de acordo com boletim recente divulgado pela Archer Consulting. O número equivale a uma perda de US$ 0,03 por libra-peso.

Na avaliação do diretor da consultoria, Arnaldo Corrêa, a expectativa de uma entrega volumosa do produto com origem na Tailândia é um dos principais fatores de pressão. Outro é a baixa demanda para exportações da commodity.

Nesta terça-feira, o contrato mais próximo - outubro de 2014 - ensaia uma recuperação. Por volta de 12h20, o papel mostrava alta de 50 pontos em Nova York (Ice Futures), cotado a US$ 0,1408 por libra-peso. (Globo Rural 23/09/2014)

 

Moagem de cana no Centro-Sul cai 7,44% na primeira quinzena deste mês

SÃO PAULO - O volume de cana-de-açúcar processado pelas usinas do Centro-Sul do Brasil totalizou 39,89 milhões de toneladas na primeira quinzena de setembro, queda de 15,98% em relação à quinzena anterior e de 7,44% ante o mesmo período da safra passada. As informações foram divulgadas nesta quarta-feira pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

No acumulado desde o início da safra 2014/15 até 15 de setembro, a moagem alcançou 412,68 milhões de toneladas de cana-de-açúcar. O volume é 1% superior ao do mesmo intervalo do ciclo passado, quando foram processadas 408,54 milhões de toneladas.

E os números continuam mostrando que, nesta safra, a cana está sendo prioritariamente destinada ao etanol em detrimento do açúcar, diz o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, em nota. A quantidade de açúcar produzida nos primeiros 15 dias do mês chegou a 2,5 milhões de toneladas ante 3,02 milhões de toneladas apuradas na quinzena anterior (queda de 17,09%) e 2,98 milhões de toneladas registradas no mesmo período da safra 2013/14 – retração de 15,92%. 

“As condições de demanda e os preços vigentes têm gerado incentivos econômicos à produção do biocombustível em detrimento ao açúcar”, acrescentou Rodrigues. 

De fato, na primeira metade de setembro a proporção de matéria-prima destinada à fabricação de açúcar totalizou 43,99%, recuo em relação aos 45,22% observados na quinzena passada e aos 49,28% verificados no mesmo período de 2013.

No acumulado desde o início da safra, a produção de açúcar alcançou 23,43 milhões de toneladas, 1,72% mais que no mesmo período do ciclo passado. 

Já a produção de etanol alcançou 1,96 bilhão de litros nos primeiros 15 dias de setembro ante 1,88 bilhão de litros apurados em igual período do último ano. Deste montante, 773,43 milhões de litros referem-se ao etanol anidro e 1,19 bilhão de litros ao etanol hidratado.

No acumulado da safra, a fabricação de etanol somou 18,11 bilhões de litros, com crescimento de 4,82% sobre o volume observado no mesmo período de 2013.

A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar processada atingiu 149,71 quilos na primeira quinzena de setembro, frente a 147,11 quilos por tonelada observado na mesma data da safra anterior.

No acumulado desde o início da safra, o teor de ATR por tonelada de matéria-prima totalizou 134,44 quilos, contra 131,40 quilos por tonelada na mesma data do ciclo anterior. (Valor Econômico 24/09/2014 às 16h: 03m)

 

Moagem de cana do centro-sul desacelera e impulsiona preço do açúcar

As usinas do centro-sul do Brasil reduziram a moagem de cana na primeira quinzena de setembro, em uma safra que deverá ser encerrada antes do habitual devido aos efeitos da seca, e priorizaram a produção de etanol em detrimento do açúcar, informou nesta quarta-feira a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Foram processadas 39,89 milhões de toneladas de cana na primeira quinzena de setembro, redução de 16 por cento ante a quinzena anterior e de 7,4 por cento ante o mesmo período da safra passada.

O açúcar bruto passou a subir na bolsa de Nova York após a divulgação dos dados de moagem da Unica. Às 13h26 (horário de Brasília), o ganho era de mais de 1 por cento, após ter registrado perdas mais cedo na sessão.

A produção de açúcar da região, que responde por 90 por cento da moagem de cana do país, atingiu 2,5 milhões de toneladas na primeira metade do mês, queda de 17 por cento ante a segunda metade de agosto e de 16 por cento ante o mesmo período da temporada anterior.

"Essa redução na produção de açúcar reflete a menor moagem na quinzena e o fato das usinas terem priorizado a fabricação de etanol", disse o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, em nota.

A entidade ressaltou que as condições de demanda e de preços têm gerado incentivo à produção do biocombustível, para o qual foram destinados 56 por cento da cana moída na primeira quinzena. Na segunda metade de agosto, 54,8 por cento da cana havia sido destinada para etanol. Um ano atrás, o mix era praticamente igual para os dois produtos.

Assim, a produção de etanol alcançou 1,96 bilhão de litros nos primeiros 15 dias de setembro, queda de 13 por cento ante a segunda metade de agosto e alta de 4,4 por cento ante um ano atrás.

ACUMULADO

Até o momento na safra 2014/15, as usinas do centro-sul esmagaram 412,68 milhões de toneladas de cana, ou 75,6 por cento da safra estimada em 545,9 milhões de toneladas, sob forte impacto de uma seca histórica em importantes regiões produtoras, especialmente no interior de São Paulo.

Em comparação, as usinas haviam processado 408,54 milhões de toneladas de cana no mesmo período de 2013/14, representando 68,4 por cento da safra recorde de 597 milhões de toneladas.

"A quantidade produzida até o momento não reflete a expectativa de menor oferta de cana-de-açúcar para essa safra", ressaltou Padua.

Segundo a Unica, nos próximos meses, com o término antecipado da safra em várias regiões, o impacto da seca sobre a produção ficará mais evidente.

No acumulado da safra, a produção de açúcar está em 23,43 milhões de toneladas, alta de 1,72 por cento ante mesmo período na temporada passada. Já produção de etanol está 4,8 por cento superior na comparação dos dois períodos, tendo somado 18,11 bilhões de litros até a metade deste mês. (Reuters 24/09/2014

 

Usina da Mata planeja expansão na geração de bioenergia e etanol 2G

Na contramão da crise no setor sucroenergético, projeto recebe investimentos que superam R$ 140 milhões, com foco no aumento da capacidade produtiva e enfardamento de palha.

Em uma região paulista dotada de 19 unidades do setor num raio de 70 km, a Usina da Mata, localizada em Valparaíso, a 505 quilômetros de São Paulo, procura driblar a crise através de aumento na capacidade produtiva e exploração dos subprodutos da cana.

Os focos principais são a bioenergia e - em um segundo momento - etanol de segunda geração. Para tanto, está em andamento um aporte de R$ 140 milhões e, posteriormente, outros R$ 5 milhões com o objetivo de atingir a moagem de quatro milhões de toneladas de cana na safra 2016/2017.

"Só tem uma forma de driblar a crise: ganhando em eficiência. Tenho que aumentar em produtividade porque o mercado eu não domino", conta o superintendente da usina, Newton Chucri. Mesmo com as adversidades, o empreendimento vem de uma crescente em moagem, que deve ficar em torno de 2,75 milhões de toneladas no período de 2014/2015.

O advogado, que no decorrer de 18 anos de atuação na área agrícola virou usineiro, acredita que o setor tem sido represado pela gasolina.

"É o governo quem dita as regras", lamenta. Entretanto, mesmo sem se distanciar muito de uma divisão igualitária, a Usina da Mata está destinando 55% da matéria-prima para a produção do biocombustível na safra atual.

Para 2014, Chucri estima que sejam produzidas entre 170 e 176 mil de toneladas de açúcar e 35 milhões de litros de etanol. Toda a produção açucareira vai para o mercado externo, entre países asiáticos e do Oriente Médio, como os chineses e árabes. O refinamento é feito no país comprador. Já o etanol tem 100% da produção direcionada para a demanda doméstica.

Energia

A Usina ainda gera bioenergia através do bagaço da cana e exporta 20 megawatts/ hora para a rede. Após a moagem da cana, cerca de 40 mil toneladas de bagaço ficam em montes remanescentes ao lado da usina, volume suficiente para mais 30 dias de cogeração energética após o fim da safra. Trabalhadores da unidade contam que mesmo que chova o produto pode ser utilizado, a menos que o montante permaneça seis meses sem uso.

"A energia gerada pelo bagaço da cana é suficiente para abastecer uma cidade com cerca de 20 mil habitantes, do tamanho de Guararapes. Para ter uma ideia, Valparaíso tem 18 mil habitantes", explica o superintendente.

Inovação

O foco dos próximos investimentos, obtidos através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pelo Programa de Sustentação de Investimento (PSI), está na expansão da capacidade industrial como um todo, na compra de mais uma caldeira, um turbo gerador e uma moenda.

"Estou expandindo minha produção de açúcar e etanol, já que vou fazer isso parte da estratégia é gastar tudo de uma vez só" afirmou Chucri. "Pensar em começar a produzir etanol de segunda geração em um segundo momento e aumentar a cogeração de energia, recolhendo a palha que deixamos no campo", afirma o superintendente.

Sem revelar os valores de retorno financeiro, o executivo disse ao DCI que o projeto para recolhimento entre 50% e 55% da palha da cana-de-açúcar é autossustentável e suficiente para compensar os investimentos (DCI 22/09/2014)

 

CTNBio regula cana-de-açúcar geneticamente modificada

Decisão estabelece condições de isolamento e descarte para concessão de autorização de liberação planejada no meio ambiente.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação estabeleceu as condições de isolamento e descarte para concessão de autorização de liberação planejada no meio ambiente de cana-de-açúcar geneticamente modificada.

A decisão, publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta quarta-feira (24), definiu algumas condições a serem seguidas como: estabelecer, ao redor dos experimentos, bordadura com duas linhas de variedade de cana-de-açúcar não geneticamente modificada; manter, a partir da linha de bordadura mais externa, distância de três metros de outro cultivo de cana-de-açúcar e eliminar as panículas florais incipientes das plantas geneticamente modificadas.

Além disso, a resolução pede que o transporte da biomassa até os locais de descarte e a sua completa destruição seja de inteira responsabilidade da Comissão de Biossegurança da empresa e deverá ser feito em um veículo coberto com lona ou fechado (Agência Brasil 24/09/2014)

 

BNDES quer lançar fundo de debêntures de infraestrutura em 2015

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social pretende lançar um fundo de debêntures de infraestrutura em 2015, com recursos entre 800 milhões e 1 bilhão de reais, disse o chefe do departamento de Energias Alternativas do BNDES, Antonio Tovar.

"Até o fim do ano que vem, devemos ter uma carteira de debêntures que possa lastrear o fundo. Pela nossa perspectiva, isso pode acontecer ao longo do ano que vem", disse ele, a jornalistas, nesta quarta-feira, sobre o fundo que será voltado prioritariamente para investidor pessoa física.

A intenção é que o fundo seja composto por uma carteira diversificada de projetos com prazos de conclusão distintos e amortização das debêntures em datas diferenciadas para diluir o risco para o investidor.

Tovar disse ainda que o BNDES espera liberar cerca de 4 bilhões de reais em financiamentos para o setor de energia renovável em 2014, o que representa um aumento entre 10 a 15 por cento em relação ao liberado no ano passado. (Reuters 24/09/2014)

 

Enzimas ganham destaque no mercado

Ainda responsáveis por uma fatia robusta dos custos de produção do etanol celulósico, as enzimas começam a ter seu mercado expandido no Brasil, com a concretização dos projetos de usinas de segunda geração no país. Os próprios players nacionais estão entrando nessa disputa com o desenvolvimento de "coquetéis" próprios para extrair açúcares da celulose do bagaço e da palha da cana. Na mesa, um mercado com potencial de superar US$ 2 bilhões até 2022, grande parte dele no Brasil.

Até então, o mercado local contava com a presença quase que exclusiva da dinamarquesa Novozymes - que fechou contratos de fornecimento de enzimas para os dois principais projetos de segunda geração de biomassa de cana no Brasil, o da Granbio e o da Raízen (Cosan / Shell).

Nesta semana, chegou ao Brasil o diretor global para biocombustíveis avançados da americana Dupont, Jan Koninckx, que já se sentou à mesa com alguns potenciais parceiros para licenciamento da tecnologia para sua comercialização no mercado brasileiro, revelou o executivo em entrevista ao Valor.

Na primeira geração do etanol feito a partir de grãos, tais como milho e trigo, a americana se auto-denomina líder mundial no fornecimento de enzimas. Nos Estados Unidos, a empresa já comercializa um pacote tecnológico para extrair açúcares da biomassa do milho. E, após testes feitos com a biomassa da cana na unidade americana de demonstração da companhia e no laboratório da empresa em Paulínia (SP), a Dupont acredita estar pronta para lançar essa tecnologia também para o bagaço e a palha da cana, disse Koninckx.

Questionado se a entrada no mercado brasileiro não deveria ter ocorrido antes, o executivo afirmou que não se trata de uma corrida. "Ainda que estar na frente seja importante, não é o mais importante", assegurou. "Estamos muito confortáveis com esse mercado no longo prazo. Conhecemos todas as peculiaridades da biomassa da cana e estamos preparados".

Koninckx não revela quanto a companhia está investindo por ano em biocombustíveis. Mas essa é uma das áreas consideradas estratégicas pela empresa, que está concluindo globalmente a separação do negócio de químicos de um outro grupo de negócios - agricultura (sementes e defensivos), nutrição e saúde (alimentação e produtos nutricionais) e biociência industrial - nesta última, estão incluídos os biocombustíveis. Esse grupo formado por três áreas registrou uma receita de US$ 16,4 bilhões em 2013, equivalente a 45% de todas as vendas da companhia no mesmo ano (US$ 36 bilhões).

Liderado globalmente pela Novozymes, o mercado mundial de enzimas passou a ter a Dupont como vice-líder em 2011, quando a americana comprou a Danisco, especializada em enzimas e ingredientes alimentícios. A Dupont também está entrando na produção de etanol celulósico, com a construção de uma unidade que usará resíduos de milho, em Iowa, nos Estados Unidos. Os investimentos nessa planta superam US$ 200 milhões, segundo o executivo, e a expectativa é de que a construção seja concluída este ano.

Para o Brasil, por enquanto, a empresa fornecerá enzimas para segunda geração a partir de sua produção de outros países. Mas o executivo não descartou construir uma fábrica em território brasileiro, caso a demanda justifique o investimento.

Cálculos do mercado indicam que as enzimas ainda representam 40% do custo de produção do etanol celulósico, quando o ideal seria que não ultrapassassem 10%. De olho nas poucas opções disponíveis hoje no mercado para segunda geração em cana-de-açúcar, o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), uma companhia de pesquisa que tem no bloco de controle as gigantes Copersucar e Raízen, começou a desenvolver, em parceria com a Embrapa, enzimas próprias para este fim. O objetivo do CTC é que as usinas não fiquem dependentes da oferta de poucas empresas. (Valor Econômico 25/09/2014)

 

Faturamento do setor de máquinas cai 25% em agosto

Custo Brasil, crise do setor sucroenergético e problemas climáticos são apontados como responsáveis.

Grande vilão ainda é o Custo Brasil, que não favorece a indústria nacional.

O Custo Brasil tem feito com que a indústria nacional de máquinas perca espaço para os fornecedores estrangeiros. Dados divulgados nesta quarta, dia 24, pela Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), mostram que o faturamento do setor de máquinas e implementos agrícolas caiu 25% no mês de agosto.

Numa concessionária de Campinas, no interior de São Paulo, as máquinas têm ficado mais tempo no pátio. As vendas tiveram queda e a expectativa para os próximos meses também não é das melhores. Do local onde, em 2013, saíram 216 tratores, neste ano devem ser vendidos no máximo 190.

– A gente sabia que entre 5% e 10% seria a diferença a menos nas vendas. Mas, caiu bastante, bem mais do que a gente imaginava. Hoje, a queda nas vendas está entre 25% e 30% – informa o supervisor de vendas Devoncir Kuasne.

Para Kuasne, a queda se deve principalmente ao clima.

– O fator preponderante para a queda nas vendas, realmente, é a estiagem. Nós temos aqui casos, nossa região é composta de pequenos produtores e muitos dos nossos clientes perderam lavouras inteiras de milho, de hortaliças, por falta de água. Então, isso acarretou essa queda grande nas vendas – explica o supervisor.

A realidade de Campinas se estende para o todo o Brasil. Segundo o presidente, Carlos Pastoriza, a estiagem e a crise no setor sucroenergético, que atinge algumas regiões do país, são responsáveis apenas por uma parcela dessa estatística.

– O setor de equipamentos e implementos agrícolas ligados ao setor sucroenergético, é uma parcela importante da comunidade que a Abimaq representa, que é a totalidade dos fabricantes de máquinas e equipamentos brasileiros. Eu diria que eles devem representar, no seu conjunto, algo como 15% do faturamento do setor de máquinas e equipamentos. Na questão da estiagem, de fato, afetou algumas regiões no país de forma importante. Então, eu acho que essas duas coisas, de alguma forma, contribuíram para essa queda – reforça Pastoriza.

Para o presidente da entidade, o grande vilão ainda é o Custo Brasil, que não favorece a indústria nacional.

– São fatores que vão se acumulando ao longo do tempo. Nós temos basicamente duas razões importantes. A primeira é que com o Custo Brasil, os nossos equipamentos estão perdendo progressivamente competitividade em relação aos importados e, portanto, estão perdendo participação de mercado, market share no mercado como um todo. Só que esse processo de desindustrialização não está afetando só o setor de máquinas, está afetando nossos clientes, que também são indústrias, que usam nossos equipamentos para produzir os produtos deles. Então, quando o meu cliente deixa de vender o seu produto porque está chegando produto acabado de fora, automaticamente ele diminui a sua demanda por equipamentos – sintetiza. (Rural BR 24/09/2014 às 19h: 39m)

 

Confaz altera preço de referência de combustíveis

Para Pernambuco, por exemplo, o preço de referência da gasolina tipo C passará a ser de R$ 2,9680 por litro; e de R$ 3,1600 por litro no Distrito Federal.

O PMPF serve como parâmetro para a cobrança do ICMS retido pela Petrobras no ato da venda dos combustíveis aos postos de gasolina.

O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) divulgou nova tabela de preços de referência dos combustíveis. Decisão publicada no Diário Oficial da União estabelece mudanças no preço médio ponderado ao consumidor final (PMPF) para os combustíveis em oito Estados (AL, AM, PB, PE, PI, RJ, RN e SE) e no Distrito Federal, com validade a partir de 1º de outubro de 2014. A medida é assinada pelo secretário executivo do conselho, Manuel dos Anjos Marques Teixeira.

Para Pernambuco, por exemplo, o preço de referência da gasolina tipo C passará a ser de R$ 2,9680 por litro; e de R$ 3,1600 por litro no Distrito Federal. O PMPF serve como parâmetro para a cobrança do ICMS retido pela Petrobras no ato da venda dos combustíveis aos postos de gasolina.

Além da gasolina, a tabela do Confaz traz os preços de referência do diesel, gás liquefeito de petróleo (GLP), querosene da aviação, etanol, gás natural veicular (GNV), gás natural industrial e óleo combustível. (O Estado de São Paulo 24/09/2014 às 15h: 16m)

 

Gasolina argentina terá mais etanol

Mistura passará de 8% para 10% até dezembro.

Afetada pela crise energética que se agrava de forma persistente desde 2004, o governo da presidente Cristina Kirchner anunciou que vai misturar mais etanol à gasolina.

Dessa forma, o combustível que abastece os automóveis da Argentina - país que até poucos anos atrás era autossuficiente em combustíveis - passará a ter 8,5% de etanol em cada litro de gasolina até o fim do mês (hoje a porcentagem é de 8%). A proporção continuará aumentando, chegando a 9% em outubro, 9,5% em novembro e 10% em dezembro.

Com a medida, a Argentina - afetada pela escassez de dólares - poderá reduzir as importações de energia, que em 2013 consumiram US$ 12 bilhões. Os cálculos para este ano são de US$ 13 bilhões a US$ 15 bilhões.

O deputado kirchnerista e ex-vice-ministro da Economia Roberto Feletti afirmou ontem que a Argentina "terá dólares para funcionar até dezembro de 2015". Feletti, um dos principais referenciais do governo no Parlamento na área econômica, sustentou que nos próximos 16 meses o país terá as divisas suficientes para "pagar dívidas e importar". Coincidentemente, o mandato da presidente Cristina termina em dezembro do ano que vem.

As reservas do Banco Central argentino, que estavam em US$ 52,6 bilhões em 2011, ano da reeleição de Cristina, estão atualmente em US$ 28 bilhões. O orçamento de 2015 prevê o pagamento de quase US$ 12 bilhões em títulos da dívida pública. Líderes da oposição afirmam que Cristina Kirchner deixará o país "em estado de falência" para o próximo presidente.

Ainda ontem, a agência de classificação de risco Moody's fez um alerta sobre a "persistente deterioração" da economia argentina. Segundo a agência, os problemas econômicos poderiam "prejudicar grande parte do progresso social conseguido durante a última década".

Em relatório, a Moody's sustenta que a Argentina "é o país com maior risco. No último ano, a incontrolável inflação, as elevadas taxas de juros e a difícil situação de recessão forçaram os consumidores a reduzir drasticamente seus gastos".

Segundo a agência, "os empréstimos bancários estão diminuindo de 20% a 30%". Além disso, a agência disse que o calote parcial desde julho com os credores de títulos públicos argentinos reestruturados que residem nos Estados Unidos "limitará mais ainda as novas opções de financiamento para as empresas e levará a uma maior desvalorização do peso, fatores que acrescentam pressões inflacionárias". (O Estado de São Paulo 25/09/2014)

 

Começa a produção de etanol celulósico no país

A produção de etanol de segunda geração, a partir de açúcares extraídos da celulose presente em biomassas como o bagaço e a palha da cana, enfim saiu do campo das utopias no Brasil. E o pioneirismo coube mesmo à Granbio, como era esperado. A empresa de biotecnologia industrial controlada pela holding da família Gradin anunciou ontem o início da operação de sua primeira usina de etanol celulósico, em Alagoas.

Mais do que fruto de um novo processo de fabricação de biocombustíveis, o etanol celulósico é considerado por especialistas como uma das maiores inovações do setor de agronegócios nas últimas duas décadas. No mercado, estima-se que, no longo prazo, será possível aumentar em 50% a produção brasileira de etanol com a tecnologia sem o cultivo de um pé de cana a mais.

Batizada de Bioflex, a unidade da Granbio foi construída em São Miguel dos Campos, no interior alagoano. O cronograma original previa que o início das operações seria no primeiro trimestre deste ano, mas isso só aconteceu, de forma contínua, há dez dias, de acordo com Bernardo Gradin, presidente da companhia.

A jornalistas, o empresário disse que, até agora, os investimentos na empreitada superaram em 35% o valor projetado e alcançaram US$ 265 milhões - US$ 190 milhões na usina e US$ 75 milhões em uma planta de cogeração no mesmo complexo.

O BNDES é o grande parceiro financeiro da GranBio no projeto. Liberou para seu desenvolvimento, por meio do PAISS (programa voltado a projetos inovadores com cana), um financiamento de R$ 300 milhões, e injetou outros R$ 300 milhões na empresa via BNDESPar. O braço de participações do banco deverá aportar mais R$ 300 milhões na Granbio e, com isso, passará a deter uma fatia de 15% em seu capital.

Os parceiros esperam que essa capitalização dê fôlego aos planos de companhia de investir cerca de R$ 4 bilhões em dez anos na construção de 12 usinas de etanol de segunda geração. A unidade que começou a operar faz parte desse pacote.

Há duas semanas, também entrou em operação a primeira unidade de etanol celulósico dos EUA. Desenvolvido em parceria por DSM e Poêt, esse projeto utiliza a biomassa do milho. Unidades da espanhola Abengoa e das americanas DuPont e Quad County Corn Processors poderão ser inauguradas ainda neste ano naquele país. No Brasil, a próxima planta a entrar em operação deverá ser da Raízen, situada em São Paulo.

A pioneira brasileira Bioflex tem capacidade para fabricar 82 milhões de litros de etanol celulósico por ano, mais que a unidade de DSM e Poêt nos EUA (75 milhões). E a usina alagoana foi projetada para ser expandida em 25% e alcançar 100 milhões de litros a partir de investimentos considerados "marginais". Isso deverá acontecer, segundo Gradin, após um ano de operação.

A planta usará como matéria-prima palha e bagaço da cana recolhidos de usinas parceiras na produção de primeira geração. Entre elas, a principal é a Caeté, do grupo Carlos Lyra. Atualmente, o intervalo de tempo entre a entrada da biomassa na usina e a saída do etanol celulósico pronto para venda é de cinco dias. Gradin estimou que em um mês, com o aumento da utilização da capacidade da fábrica, esse tempo diminuirá para três dias.

Ocorre que, diferentemente do etanol de primeira geração, que leva oito horas para ser produzido porque é feito a partir dos açúcares "explícitos" no caldo da cana, o etanol de segunda geração demanda um processo industrial muito mais complexo para "revelar" os açúcares contidos dentro da celulose.

Atualmente, detalhou Gradin, a palha da cana entra na fábrica e fica quatro horas no pré-tratamento, quando a estrutura da biomassa é "rompida" para abrir as fibras de celulose. Em seguida, as enzimas entram em ação (atualmente por 32 horas), no processo de hidrólise. Com isso, as fibras são "quebradas" em açúcares mais simples de serem fermentados.

Ainda assim, o processo de fermentação demanda mais 72 horas e depois é sucedido pela destilação, que leva mais 3 horas. Hoje, a fábrica está operando com 20% da carga. Em seis meses, quando a ociosidade estiver mínima, a empresa também poderá calcular os custos exatos de produção por litro. Gradin disse que em um ano espera fabricar o etanol celulósico na unidade a custos 20% mais baixos que os do convencional.

O empresário deverá anunciar em breve o nome do parceiro da segunda usina de etanol celulósico da GranBio, cuja localização também é mantida em segredo. Apesar de ter gastado na primeira unidade mais do que o orçado, nas próximas fábricas, superada a curva de aprendizado industrial, a economia tende a ser de pelo menos 30%.

Na usina alagoana, o orçamento estourou por uma série de fatores, a começar a mudança no escopo da cogeração de energia. O plano original era produzir eletricidade para consumo próprio da fábrica, mas a companhia decidiu criar, por meio de uma Sociedade de Propósito Específico com o grupo Carlos Lyra, a Companhia Energética de São Miguel (CESM), com capacidade duas vezes maior de geração de vapor. Além de atender à demanda das duas usinas (Caeté e Bioflex), a nova empresa vai "exportar" 135 mil megawatts-hora por ano.

Também foram feitos ajustes na própria fábrica. O sistema de alimentação do pré-tratamento da biomassa teve que ser expandido, o que demandou R$ 10 milhões adicionais. Houve, ainda, a necessidade de aportes em evaporadores de vinhaça, uma vez que seu uso para fertiirrigação não foi possível na dimensão que a empresa esperava.

E foi preciso fazer outras modificações na planta para implementar melhorias observadas na operação de uma unidade na Itália da Beta Renewables que usa a mesma tecnologia adotada pela Granbio. "São modificações naturais no processo de inovação" disse Gradin. (Valor Econômico 25/09/2014)

 

Locomotiva ‘verde’ começa a circular no Brasil

Testes bem-sucedidos com biodiesel ampliam potencial de seu uso.

A tendência inovadora mundial de movimentar trens com biocombustíveis deu um passo importante no Brasil: após uma série de testes desenvolvidos em suas locomotivas produzidas na fábrica de Contagem (MG), a GE Transportation concluiu seu programa de validação do uso de biodiesel, que agora poderá ser o combustível utilizado em suas máquinas. Além de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o que contribui para a proteção do meio ambiente, o biocombustível gera economia de recursos – uma boa notícia, considerando que aproximadamente um terço das despesas das empresas de linhas férreas se relaciona a custos operacionais e de combustíveis.

As perspectivas são animadoras: atualmente o biocombustível é a terceira maior fonte de energia do Brasil e pode passar ao segundo lugar já em 2020. E, com o tempo, pode ganhar escala suficiente para superar o petróleo do ponto de vista econômico. Isso porque proporciona maior autonomia ao modal ferroviário, reduzindo a necessidade de importação de combustível. A legislação brasileira já obriga, desde julho, que o diesel derivado do petróleo venha com 6% de biodiesel (chamado de B6 pela porcentagem da mistura). E em novembro esse porcentual deverá chegar a 7%. Com a ampliação do uso do biodiesel, o país deixará de importar 1,2 bilhão de litros de óleo diesel por ano, segundo cálculos do Ministério das Minas e Energia.

Do ponto de vista ambiental, quando atingirmos 10% do combustível misturado (B10), a redução de hidrocarbonetos pode chegar a 10%, o que representa 12,5 mil toneladas a menos na atmosfera. E a redução poderá ser de 25 mil toneladas quando a mistura chegar a 20%.

O potencial para o uso de biocombustíveis tem muito espaço para crescer: estudo do Renewable Energy Police Network 21, entidade sediada na França que congrega empresas, universidades e órgãos governamentais dedicados ao estudo das energias renováveis, revela que atualmente os biocombustíveis são responsáveis por suprir apenas 2,3% da demanda mundial do setor de transportes. E a inovação extrapola os sistemas convencionais: pesquisadores do Georgia Institute of Technology, por exemplo, desenvolvem um biocombustível de alta energia, capaz de substituir, no futuro, os caríssimos combustíveis para mísseis e foguetes, com sua química elaborada a partir do pineno, material encontrado em óleos essenciais de árvores como os pinheiros. Literalmente, o céu é o limite. (Época Negócios 23/09/2014)

 

Contratação de crédito agrícola no Brasil cresce 19% em julho e agosto

Mais de R$ 29 bilhões foram destinados aos produtores nesses dois meses da safra 2014/2015.

Os recursos aplicados no crédito rural do País para agricultura empresarial em custeio, investimento e comercialização atingiram R$ 29,137 bilhões, nos meses de julho e agosto deste ano, o que corresponde a 19% do total programado para o ano safra 2014/2015, de R$ 156,139 bilhões. O valor consta no Plano Agrícola e Pecuário (PAP) anunciado em maio deste ano pelo governo federal.

“As contratações do crédito agrícola nesses dois primeiros meses somaram R$ 29,13 bilhões e seguem em ritmo forte. Esse resultado demonstra um ambiente tranquilo e de confiança, tanto dos agentes financeiros quanto dos tomadores de crédito, os agricultores”, disse o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Neri Geller.

As contratações para o médio produtor, no âmbito do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) subiram 27% em relação ao ciclo agrícola anterior, alcançando R$ 2,474 bilhões nesses dois meses para os recursos para custeio. Já para operações de investimento, o programa aplicou R$ 563,6 milhões, ou seja, 17% a mais que igual período do ano passado. O Pronamp, ao todo, conta com R$ 16,105 bilhões para a safra atual.

Entre os programas na modalidade investimentos, os financiamentos destinados ao Programa de Sustentação do Investimento (PSI-BK) contabilizaram R$ 2,363 bilhões para a aquisição de máquinas agrícolas dos R$ 5,5 bilhões programados pelo PAP 2014/2015.

O Programa de Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) totalizou R$ 1,204 bilhão as operações internalizadas do Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Já o Programa ABC (Agricultura de Baixo Carbono) respondeu por R$ 425,1 milhões, 77% a mais em relação a aplicação da safra 2013/2014 (R$ 240 milhões).

A avaliação é realizada mensalmente pelo Grupo de Acompanhamento do Crédito Rural, coordenado pela Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. (MAPA 24/09/2014)

 

Commodities Agrícolas

Café: Seca no Sudeste: Os preços do café arábica na bolsa de Nova York marcaram a terceira elevação seguida, diante da previsão de tempo seco no Sudeste e da redução das vendas por parte dos produtores. Os contratos do grão para março de 2015 fecharam a US$ 1,9325 por libra-peso, alta de 820 pontos. Os produtores aproveitaram a janela de preços altos e engordaram seus caixas, e agora devem reduzir as vendas com foco no desenvolvimento da nova safra, avalia Rodrigo Costa, diretor de commodities da Newedge. Os fundos especulativos estão comprados, de olho nas previsões para os próximos dez dias de clima seco com chuvas isoladas e insuficientes na maior parte do cinturão produtor do Brasil, afirma. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica subiu 2,16%, para R$ 434,56 a saca.

Cacau: Nova disparada: O mercado do cacau retomou ontem a escalada de alta dos preços na bolsa de Nova York em meio ao avanço do ebola no oeste da África. Os lotes para março de 2015 fecharam a US$ 3.318 a tonelada, alta de US$ 60. Relatos das autoridades sanitárias sobre as perspectivas de aumento dos casos da doença na região alimentam a incerteza entre os traders. A preocupação é com a entrada do vírus na Costa do Marfim, maior produtor da amêndoa, e um eventual fechamento dos portos. Teme-se também que as recentes chuvas abundantes na região favoreçam o avanço da doença da podridão parda nos cacaueiros, afetando a produtividade. No mercado interno, o preço médio em Ilhéus/Itabuna subiu para R$ 115 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Quinta queda: A indicação de que a China importará em 2015 metade do volume de algodão que se previa continua pressionando os preços na bolsa de Nova York. Ontem, os lotes para dezembro fecharam em 61,57 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 126 pontos, o menor valor em cinco anos. O país asiático assinalou que deve importar até 894 mil toneladas da fibra sem impostos. A China já vem reduzindo as compras de algodão do exterior, mas não se esperava uma mudança dessa proporção. Por outro lado, a atual escassez da pluma nos EUA pode segurar a queda das cotações, observa Bruno Zanutto, da FCStone, já que só podem ser entregues na bolsa lotes produzidos no país. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o algodão com pagamento em oito dias subiu 0,09%, a R$ 1,6813 a libra-peso.

Milho: Possível atraso: A mera possibilidade de leves atrasos na colheita de milho nos EUA foi suficiente para dar impulso ao cereal ontem na bolsa de Chicago. Os lotes para março de 2015 fecharam a US$ 3,4225 o bushel, alta de 4 centavos. O clima deve se manter seco no cinturão do milho do país, com pequena possibilidade de precipitações isoladas, segundo a agência DTN. Além disso, questões de mercado também podem atrasar a retirada do milho dos campos nos EUA. Nos próximos dias, os produtores podem dar preferência à colheita e à comercialização de soja para aproveitar enquanto as cotações da oleaginosa estão mais remuneradoras. Já o milho ficaria armazenado. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o cereal recuou 0,05%, para R$ 22,09 a saca. (Valor Econômico 25/09/2014)