Setor sucroenergético

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Acre à distância

Marina Silva cogita encerrar a campanha com um grande evento em Rio Branco, no Acre.

A despedida caseira daria um apelo emocional ao ato.

No entanto, Walter Feldman defende que o palco final seja armado em São Paulo, aos olhos de todos.

Para ele, o Acre é um país longe do Brasil. (Jornal Relatório Reservado 29/09/2014)

 

Fundos: 1,5 bi para a agricultura

O grupo canadense Brookfield está levantando recursos para um novo fundo de investimento em fazendas no Brasil. Ele quer levantar 1,5 bilhão de reais para comprar áreas para produção de grãos e gado no Centro-Oeste.

O grupo já é um dos maiores proprietários agrícolas do país, com 230 mil hectares de terras em Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, onde produz soja, cana-de-açúcar e tem mais de 100 mil cabeças de gado.

A ambição é grande: o fundo que está sendo captado agora é duas vezes maior do que o primeiro levantado com o mesmo propósito, fechado em 2010. Procurada, a Brookfield não comenta. (Exame edição nº 1074)

 

Investidores estrangeiros voltam-se ao setor sucroenergético

Investidores estrangeiros que se afastaram das usinas brasileiras em decorrência da inação governamental em relação as políticas públicas que deixaram de ser implementadas a partir do início do segundo mandato do presidente Lula e que foram ampliadas por Dilma Rousseff, voltam-se novamente a este mercado.

A alavancagem para este movimento decorre do pronunciamento feito pela ex-ministra Marina Silva, candidata a presidente pelo PSB, feito no último dia 28 durante visita feita à Fenasucro em Sertãozinho.

Na oportunidade, de forma contundente, a candidata criticou a omissão da presidente da República que, deliberadamente, derrubou o mercado de etanol, impondo gravíssimos prejuízos à toda a cadeia produtiva sucroenergética e também à Petrobras.

Nesta última sexta-feira (26), durante evento promovido pelo Gesucro - Grupo de Estudos para Gestão Sustentável da Cadeia Sucroenergética, em Sertãozinho, o consultor Marcos Antonio Françóia, da MBF Agribusiness, revelou que tem sido consultado por representantes de grupos de investidores estrangeiros que voltaram a se interessar pelo mercado brasileiro.

“Logo após a Fenasucro fomos procurados por gestores que representam estes fundos e já estamos trabalhando na prospecção de negócios para eles”, revelou Françóia. A revista Veja, em sua edição deste final de semana, publica na coluna “Radar” notícia que evidencia esta nova tendência.

A íntegra da nota, com o sugestivo título de “Com açúcar”, é esta:

“A recente captação bilionária de recursos para novos fundos de private equity por instituições como BTG Pactual, Gávea, Pátria e GP já movimenta o mercado que olha para o longo prazo.

Um setor específico tem capturado o olho dos gestores – o de açúcar e álcool. As conversas entre as partes já começaram. A avaliação é que o setor vai crescer, sejam que for eleito presidente.

GESTÃO

No mesmo evento promovido pelo Gesucro, Renato Winogradow Vieira, diretor da DBW Databases, revelou que cresce o interesse dos empresários do setor sucroenergético em novas tecnologias para gestão e controle.

“Estamos percebendo grande interesse destes empresários principalmente em tecnologias que envolvem o ‘compliance’ fiscal, em razão da complexidade das leis e normas tributárias impostas pelos governos”, explicou.

Com o fim da CPFM o governo federal ampliou seu foco nas empresas para aumentar sua arrecadação de tributos. A utilização do sistema de controles eletrônicos através do sistema “Guardião” da Receita Federal tem obrigado as empresas a criarem estruturas novas e eficientes de gestão tributária.

“Quem não estiver atualizado com o que há de mais eficiente no mercado, corre o risco de acumular vultuosos prejuízos e até de encerrar suas atividades, tal é a sanha dos governos para aumentarem suas receitas tributárias”, acrescentou Renato Vieira. (Brasil Agro 29/09/2014)

 

Canavial de incertezas

Não é por acaso que a Usina de Açúcar Santa Terezinha (Usaçúcar) mantém a confortável posição de líder do setor de açúcar e álcool no sul do país. Seu faturamento, de pouco mais de R$ 2 bilhões em 2013, é 11 vezes superior à segunda colocada do ranking, a Sabarálcool. Mesmo assim, não se pode dizer que os anos têm sido bons para a Usaçúcar. Em 2013, por exemplo, a receita bruta da empresa teve uma variação negativa de 0,4% em relação ao ano anterior. Reflexos do atual momento do setor sucroalcooleiro, cujas companhias enfrentam perspectivas desanimadoras e um nível de endividamento cada vez maior - na média, a dívida do setor cresceu 19 vezes desde 2003.

Em 2007, impulsionado pelo crescimento das vendas dos carros flex, o setor vivia o auge da expansão no país. Vários grupos de grande porte entraram na onda - entre eles, a Odebrecht Agroindustrial, que investiu em nove usinas produtoras de etanol e açúcar. No entanto, a partir de 2008, a crise financeira internacional, a retirada de estímulos fiscais ao álcool e a política do governo de congelamento dos preços da gasolina fez com que o álcool perdesse a competitividade.

Como resultado, o retorno dos investimentos deixou de ser atraente e, hoje, o setor vive uma crise de endividamento. Em todo o Brasil, mais de 60 unidades de produção já foram fechadas e outras 60 estão em recuperação judicial, segundo a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). Entre as que restaram, a maioria respira por aparelhos - somente nos últimos dois anos, o setor perdeu 60 mil empregos. "A política governamental destruiu a cadeia de valor do setor de açúcar e álcool", reclama Antonio de Pádua Rodrigues, diretor técnico da Unica. "Neste momento, o setor está numa situação de sobrevivência."

Novidades promissoras

A saída para reverter esse cenário não é inatingível, mas exige boa vontade e coerência dos agentes públicos, segundo Pádua. Antes de tudo, é preciso definir o papel do etanol na matriz energética brasileira e estabelecer uma política de preços mais clara para a gasolina. "O mercado precisa de previsibilidade. Ninguém vai investir sabendo que a política para o setor pode mudar a qualquer momento", diz Pádua. Para ele, também é preciso levar em conta os benefícios do etanol, tanto no aspecto ambiental quanto no da saúde, por ser menos poluente. "Precisamos de uma política pública que dê preferência ao etanol."

Diante da adversidade, algumas companhias - como a Usaçúcar - estão apostando na inovação para retomar o crescimento. Paulo Meneguetti, diretor financeiro e de suprimentos da usina paranaense, revela que a grande esperança está no etanol feito a partir de celulose. A Usaçúcar, diz ele, é acionista da CTC S/A, empresa focada no desenvolvimento de tecnologias canavieiras. "Já iniciamos a produção do etanol de biomassa em escala semi-industrial", diz Meneguetti. Já na área agrícola, a esperança está no desenvolvimento de novas variedades de cana, mais resistentes a pragas e doenças e com maior teor de sacarose.

Um dos setores que mais têm a ganhar com a evolução das tecnologias canavieiras é o deenergia elétrica. Não é por menos: a cada nova safra, são desperdiçadas aproximadamente 300 milhões de toneladas de bagaço de cana-de-açúcar. Se fosse reaproveitado em usinas de biomassa, esse material poderia gerar 30 milhões de MWh - quase um terço da produção anual de Itaipu. "Todas as usinas que processam cana são autossuficientes em energiaelétrica durante a safra", revela Meneguetti. Na Usaçúcar, as dez plantas industriais são autossuficientes e três delas têm contrato de venda de excedentes de energia.

O uso do bagaço de cana na produção de energia traz um benefício extra: a possibilidade de gerar energia no período das secas, quando os reservatórios das hidrelétricas atingem os níveis mais baixos. Entretanto, as políticas para o setor ainda são pouco convincentes para os investidores do setor. Uma ponta de esperança havia surgido em 2004, com o lançamento de um edital do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica (Proinfa). O programa prometia fomentar investimentos pesados em equipamentos por parte das usinas, especialmente em caldeiras, moendas, geradores de energia, transformadores e turbinas. Mas emperrou em detalhes técnicos. Os empresários queriam um alongamento de dois anos no prazo para o início da entrega da energia - até porque não havia tempo hábil para a fabricação dos equipamentos antes disso. Com o veto do Ministério de Minas e Energia, muitos dos projetos foram cancelados. "A Usaçúcar havia aprovado quatro projetos em quatro unidades industriais. Com aquela negativa, contratamos apenas um deles", afirma Meneguetti.

Agora, o setor aguarda uma nova sinalização do governo para, quem sabe, voltar a investir. "Precisamos de uma política específica para produção de energia a partir de biomassa", destaca Pádua, da Unica. Meneguetti concorda: "O potencial de produção de energia a partir de bagaço de cana no Brasil é muito grande. Só falta o setor ser visto como uma opção". (Revista Amanhã 25/09/2014)

 

Açúcar: Quarta alta

Técnica ou não, a elevação dos preços futuros do açúcar iniciada na última terça-feira não foi abalada na sessão de sexta na bolsa de Nova York, apesar das turbulências do mercado financeiro terem afetado várias commodities recentemente.

Na sexta-feira, os lotes do demerara para março de 2015 fecharam a 16,56 centavos de dólar a libra-peso, alta de 48 pontos.

Em quatro dias, o papel subiu 5,88%. A diminuição do ritmo da moagem de cana no Brasil indica que o país caminha para o início da entressafra.

Porém, alguns analistas afirmam que a valorização ainda é técnica, resultado de cobertura de posições vendidas, após o mercado bater no menor patamar em cinco anos.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o cristal subiu 0,81%, para R$ 44,83 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 29/09/2014)

 

Levantamento indica que há 30 usinas perto do default no país

A crise no setor sucroalcooleiro, que tem no controle dos preços dos combustíveis no país sua principal razão, pode levar à bancarrota mais usinas do país nos próximos seis meses. Levantamento feito pela consultoria Ricardo Pinto Associados (RPA), com sede em Ribeirão Preto (SP), indica que 30 usinas no Brasil estão inadimplentes há meses com o pagamento de fornecedores, insumos e outros débitos e poderiam requerer recuperação judicial. Dessas 30, sete já estão paradas, sem operar.

Juntas, elas somam uma capacidade de moagem próxima de 60 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra, segundo estimativas da RPA. "O prognóstico considera uma situação muito difícil para essas empresas se recuperarem nos próximos seis meses, intervalo no qual não se espera uma melhora para o preço do açúcar. Essas unidades também não vão conseguir aproveitar a alta esperada para os preços do etanol na entressafra, pois quase já não têm o que vender", explica o diretor da consultoria, Ricardo Arruda Pinto.

Ele observa que o levantamento não usa critérios contábeis, pois a maior parte dessas usinas não publica balanços auditados. "Fizemos levantamentos com fornecedores de matéria-prima e insumos. São usinas que estão atrasadas no pagamento e muito próximas de entrar em default", esclareceu.

Desse total de 30 usinas, oito estão na região Nordeste, em especial em Pernambuco e Alagoas. As outras 22 estão no Centro-Sul, sendo 14 em São Paulo - 7,5% do total de usinas do Estado, que soma 190 unidades, nos cálculos da consultoria.

O levantamento da RPA tem como ponto de partida a existência de 439 usinas sucroalcooleiras no país em 2000. Dessas, 96 foram afetadas de alguma forma pela crise, segundo Arruda Pinto. "33 estão apenas paradas, 31 estão em recuperação judicial, mas operando, 22 estão em recuperação e sem operar, e 11 entraram em falência e estão desativadas", resume. Ele observa que, por outro lado, entre 2006 e 2010, 103 usinas foram inauguradas no país.

A maior parte das 30 usinas que está na "corda bamba" tem capacidade de moagem máxima de 2 milhões de toneladas por safra, informa o diretor da consultoria. Segundo ele, 19 das 30 unidades pertencem a cinco grupos sucroalcooleiros com mais de uma usina.

Até o momento, a cana-de-açúcar proveniente das unidades fechadas está sendo processada por outras usinas, de acordo com Arruda Pinto. "Em algum momento, pode haver mais cana do que capacidade industrial de moagem. Daqui em diante, o setor pode voltar a ter cana bisada (que fica no campo de um ano para outro)", diz.

Nos cálculos da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), entre 2012 e 2014, usinas que somam capacidade para moer 40 milhões de toneladas de cana foram desativadas e os equipamentos ficaram parados, ou seja, não foram desmontados e aproveitados em outras usinas. Segundo o diretor técnico da entidade, Antonio de Padua Rodrigues, 70% dessas usinas estão no Estado de São Paulo.

A perda de capacidade de moagem, no entanto, não vem apenas do fechamento de usinas, afirma Rodrigues. Ele explica que, com a colheita mecanizada, aumentou muito a quantidade de impurezas minerais que vão para a fábrica juntamente com a cana. "A matéria-prima vai com 8% a 9% de impureza, em alguns casos, acima de 10%", citou. Essa situação, acrescenta Rodrigues, impacta na indústria. "Estimamos que o efeito é uma perda de capacidade da ordem de 3%".

O diretor da Unica afirma que é difícil calcular a capacidade industrial instalada do setor, uma vez que essa capacidade é uma função também do número de dias de moagem, o que pode depender, portanto, da incidência de chuvas, das quebras de safra, entre outros imprevistos, como, por exemplo, a interrupção da moagem para manutenção durante a safra. Houve uma grande perda de capacidade com o fechamento de usinas, mas alguns grupos também expandiram suas unidades, observa Rodrigues. Ele estima que o limite industrial de moagem de cana do Centro-Sul esteja na casa das 600 milhões de toneladas de cana, considerando uma safra com condições favoráveis ao processamento. Neste ciclo 2014/15, a previsão da Unica é de um volume de 546 milhões. (Valor Econômico 29/09/2014)

 

CEF estuda como fazer pagamento aos credores da Usina Campestre

A CEF (Caixa Econômica Federal) estuda a melhor forma para fazer o pagamento aos trabalhadores e credores da Companhia Açucareira de Penápolis, a Usina Campestre. A previsão é que os R$ 55 milhões liberados pela Justiça comecem a ser usados para quitar as dívidas na próxima semana, em data a ser divulgada.

O dinheiro, que estava retido em virtude de recurso impetrado pelos acionistas da empresa, é referente ao primeiro pagamento realizado pelo Grupo Clealco pela UPI (Unidade de Produção Independente) da Campestre, vendida em 2013.

O gerente da agência, Sérgio Fiorelli, explicou que o montante será distribuído para 3.766 pessoas, entre ex-trabalhadores, credores e funcionários. O banco recebeu um ofício do Fórum de Penápolis, na tarde de quarta-feira, com autorização do juiz responsável pelo caso, Marcelo Yukio Misaka.

DEFINIÇÕES

"Os procedimentos foram encaminhados para outro setor da CEF, que está avaliando. Assim que se manifestarem a favor, vamos iniciar os pagamentos", explicou Fiorelli. "Vamos aguardar algumas definições administrativas do banco com respeito à forma como as pessoas sacarão o dinheiro. A única certeza que temos é que haverá um agendamento, garantindo tranquilidade e segurança das pessoas que receberão o que lhe é direito".

Com o agendamento, acredita o gerente, não haverá necessidade de os beneficiados se preocuparem. “Sabemos da importância deste dinheiro para as famílias e, por isso, queremos fazer de forma tudo organizada. (Folha da Região 27/09/2014)

 

Miss canavial sobre o clima

A candidata do PSB afirma que a posição do Brasil é de "VANTAGEM RELATIVA" diante de outros países no que toca ao desenvolvimento sustentável.

Por isso, o país está "credenciado a liderar o combate à mudança do clima" e a reduzir "A PATAMARES MÍNIMOS suas emissões de carbono, sem colocar em risco o crescimento econômico.

Marina critica o tratamento da política externa brasileira à questão da sustentabilidade. "Não restou à nossa diplomacia outra opção nas tratativas multilaterais que não fosse continuar a escudar-se em uma leitura estática do princípio das "responsabilidades comuns, porém diferenciadas", acomodando-se em parcerias com os grandes poluidores".

O programa de Marina lembra que, na contramão de países como Estados Unidos e China, que nos últimos anos anunciaram medidas para restringir emissões, e do Banco Europeu de Investimentos, que suspendeu o financiamento a usinas a carvão, o Brasil "aprovava o Código Florestal, autorizava o plantio de cana na Amazônia e decidia expandir as termelétricas".

A candidata ressalta que o Brasil tem uma matriz energética limpa (42% de fontes renováveis em 2013), mas lembra que essas fontes são sobretudo derivados da cana (39%) e energia hidráulica (26%).

Ela propõe ""aumentar a proporção de energias renováveis na matriz energética", "REDUZIR O CONSUMO ABSOLUTO DE COMBUSTÍVEIS FOSSEIS", "precificar as emissões de C02 no setor energético e trabalhar por sua redução" e ""recuperar e revitalizar a produção de biocombustíveis", entre outras medidas. (Zero Hora 28/09/2014)

 

O agronegócio perdeu o medo do PT

Para o "rei da soja", ERAÍ MAGGI, o governo entendeu que há espaço para grandes e pequenos produtores, e fortaleceu ambos.

"O pessoal do álcool é contra mesmo [o governo]. Eles não gostaram de sair do Ministério da Agricultura e ir para Minas e Energia. Foram disputar com petroleiro, aí não é justo.

Produtor de cana é agrícola, mexe com a terra.

Como fazer um comparativo de preço e equivalência com a gasolina?

Quando você segura o preço da gasolina, segura também o do etanol. É preciso encarar o biocombustível como uma alternativa ecológica também.

Agregar um outro valor ao produto, e a sociedade deve pagar um pouco por isso. Mas esse setor também se endividou muito lá atrás e não deu conta de se recuperar. (Folha de São Paulo 28/09/2014)

 

Passo para trás

Brasil começa a sujar matriz energética e destina só 1,4% do total global para energia renovável.

Até pouco tempo à frente na defesa da produção de energia de fontes renováveis, como etanol, biodiesel, eólica e solar, o Brasil está a poucos passos de sujar sua matriz energética. É o que aponta um amplo estudo sobre sustentabilidade e economia verde, feito pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), em fase de conclusão. Os motivos da mudança de prioridade, segundo a análise, seriam a descoberta e o início da exploração de grandes reservas de petróleo no pré-sal, o excesso de acomodação com as usinas hidrelétricas, além de aspectos tecnológicos e econômicos.

O trabalho compara os investimentos globais nas chamadas Novas Energias (NEs) agendados para 2014. Eles somam US$ 214 bilhões e a participação brasileira nesse total é de US$ 3,1 bilhões, 1,4% do total. Na comparação com outros emergentes, como a China, o Brasil fica muito atrás. O país asiático investirá US$ 56,3 bilhões (26%). A Índia também aparece na frente, com US$ 6,1 bilhões (2,8%).

Além disso, os autores destacam que, embora as fontes renováveis ainda sejam majoritárias na matriz energética do Brasil, respondendo por 79,3% da eletricidade consumida (dos quais 70,6% de origem hidráulica, especialmente grandes hidrelétricas), esse percentual foi bem maior em anos recentes. Em 2011, era de 88,9% e, em 2012, 84,3%.

"Num contexto mundial, em que uma prioridade estratégica visando ao desenvolvimento sustentável e ao longo prazo é priorizar o uso de energias renováveis, o Brasil caminha no sentido oposto, no que tange à composição de sua matriz", diz o estudo.

Para Aron Belinky, do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, um dos autores da pesquisa, o grande volume de hidrelétricas construídas no passado ajuda nessa acomodação. Ele cita perda de oportunidade em relação a etanol e biocombustíveis:

As hidrelétricas trazem uma tecnologia antiga, dos séculos XIX e XX. Não é tecnologia de ponta do século XXI. Por mais que esse tipo de energia não gere efeito estufa, tem impacto local muito grande junto a comunidades ribeirinhas, vegetação, animais etc. É uma tecnologia com uso limitado, que depende de grandes rios.

"O segmento de energias renováveis é um dos que mais têm crescido no mundo em termos de investimentos, enquanto no Brasil praticamente nada tem ocorrido", diz o estudo.

O técnico ressaltou que o Brasil entrou no século XXI como um país privilegiado no cenário energético, mas, na última década, essa posição vem mudando. Nesse período, o Brasil contou com políticas públicas voltadas às Novas Energias, como o Proinfa, que impulsionou a criação de 131 usinas (60 pequenas centrais hidrelétricas, 52 eólicas, 19 térmicas a biomassa), previstas para gerar 11,1GWh em 2014. A expectativa com base na observação do mercado atual das NEs - que não inclui a solar fotovoltaica - é que as eólicas mantenham um ritmo de contratação anual de 2GW a 2,5GW.

Já o setor de biomassa tem maior dificuldade em viabilizar contratações por causa do maior custo médio de usinas de cogeração (R$ 150/MWh contra R$ 130/MWh das eólicas) e menor priorização do governo. Mas há um potencial de geração de eletricidade a partir do bagaço de cana proporcional à evolução da safra e da produção de etanol.

O secretário de Energia do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura, reconheceu que a participação do Brasil no total de investimentos mundiais é pequena. Mas enfatizou que existe um ambicioso plano decenal para o período 2013-2023.

Vamos acrescentar 77 mil megawatts aos 127 mil existentes - disse, acrescentando que a projeção de aumento da produção de etanol, até 2023, é de 5,5% ao ano; de biodiesel, 6,4%.

Belinky destaca que não há dados comparativos sobre o Brasil porque é a primeira vez que esse tipo de pesquisa é feita. Mas ressalta que o Brasil está prestes a perder o bonde da História. (O Globo 28/09/2014)

 

Ribeirão Preto ainda mantém 65 fazendas do ciclo do café

Escondidas em meio à avalanche de cana-de-açúcar, 65 fazendas de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) ainda guardam características do tempo áureo do café, como casa sede, tulha, terreiro, capela e colônia.

Além de manter a história da formação econômica da cidade, as propriedades contam com moradores que ali nasceram e nunca viveram na área urbana do município, um dos mais populosos do Estado, com 658 mil pessoas.

São filhos de ex-colonos e, possivelmente, a última geração de pessoas que nasceram, cresceram, constituíram famílias e ainda vivem nas fazendas, erguidas entre o fim do século 19 e início do 20.

Os dados fazem parte de pesquisa que resultou no livro e documentário "Memória dos Cafezais: A Vida nas Fazendas", lançado na última sexta (26) em Ribeirão.

O projeto é de autoria de cinco pesquisadoras do IPCCIC (Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais). As fazendas, todas inseridas dentro do perímetro atual do município, foram mapeadas entre 2011 e 2013.

Segundo a arquiteta Ana Carolina Gleria, as propriedades foram georreferenciadas tendo como base um mapa da década de 1920.

O objetivo foi catalogar as que contavam com pelo menos um dos elementos do complexo cafeeiro (terreiro, tulha, casa de máquinas, colônia, casa sede e capela). Nem todas as fazendas, porém, contam com as edificações preservadas.

As tulhas (galpões para armazenamento dos grãos) das fazendas Serra e Iracema, por exemplo, que foram consideradas grandes núcleos produtores de café, estão completamente abandonadas.

Já na fazenda Cruzeiro, antiga Pau Alto, apenas a casa sede foi demolida. Uma vez por mês ainda há missa na capela, que ganhou ar-condicionado. "Não dá para negar a comodidade", disse Antonio Tomaz, 56, que mora na fazenda desde criança.

De acordo com as pesquisadoras, a preservação das fazendas está intimamente associada ao uso delas.

A Santa Luzia, por exemplo, deu espaço ao atual Restaurante da Tulha e é usada como pesqueiro, restaurante, espaço de eventos e também habitação.

Mas a riqueza visual das fazendas está nos pequenos detalhes do passado. A fachada da sede da São Sebastião do Lajeado, por exemplo, ainda conta com ornamentos feitos de madeira.

Já a varanda da sede da fazenda Santa Rosa tem os ladrilhos originais, enquanto que, na Boa Vista, os azulejos franceses ainda compõem o cenário da cozinha. (Folha de São Paulo 28/09/2014 às 02h: 00m)

 

No rastro dos agrotóxicos

Sistema integrado de informações referentes a defensivos químicos deve coibir aplicações excessivas ou irregulares em lavouras gaúchas;

A carência de informações precisas sobre venda e uso de defensivos no Estado, reconhecida pelos próprios órgãos de fiscalização, deve começar a ser revertida ainda neste ano. Inspirado em ferramenta criada no Paraná, o Sistema Integrado para Gestão de Agrotóxicos (Siga) passa pelos últimos ajustes para que possa ser utilizado até dezembro.

Quando estiver implantado, o projeto fornecerá estatísticas que permitirão à Secretaria da Agricultura ter uma noção mais aproximada do volume de químicos aplicados no Rio Grande do Sul. A plataforma facilitará a identificação de possíveis irregularidade no comércio e na utilização de produtos que ameacem à saúde e o ambiente. O Siga reunirá informações sobre os agrotóxicos cadastrados pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e que podem ser usados no Estado, revendas de defensivos e seus estoques e o cadastro dos profissionais habilitados a emitir receitas agronômicas. Será possível saber a quantidade de defensivos usada por cultura e região, identificando abusos.

Com o cruzamento de informações do banco de dados será possível, ainda, rastrear ilegalidades como o uso de produtos que não têm registro para determinada lavoura. O problema de aplicar o químico aprovado para uma cultura em outra é que não se sabe os efeitos sobre a produção, o ambiente e para o consumidor.

Se lá em Barra do Quaraí um agrônomo ou técnico deu receita de tantos litros de um produto específico para determinada cultura, no sistema vão aparecer informações como a dosagem recomendada e o nome do produtor – ilustra o diretor de defesa vegetal da Secretaria da Agricultura, José Candido Motta.

Situações como as que vêm sendo verificadas no centro do Estado, por exemplo, poderão ser coibidas. Na região, foi detectada a venda de grandes volumes de um produto aprovado apenas para cana-de-açúcar– cultura que ocupa área pequena no Estado – e outro específico para feijão e algodão, mas adquirido por produtores de arroz.

ATUAL FISCALIZAÇÃO É INSUFICIENTE, DIZ O MPE

O Siga poderá ser acessado pelo Ministério Público Estadual (MPE) e pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-RS), entidade responsável por fiscalizar os profissionais habilitados a emitirem o receituário agronômico. O presidente do Crea no Rio Grande do Sul, Alcides Capoani, alerta que quem for flagrado cometendo irregularidades estará sujeito a punições que vão de advertência até a cassação do registro profissional:

Além de combater o descontrole na comercialização, estaremos ajudando a garantir alimentos mais seguros para a sociedade – avalia Capoani

Para o promotor Carlos Paganella, coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Meio Ambiente do MPE, mapear regionalmente o uso permitirá uma fiscalização mais presente.

Poderemos ver dados por região e cidade, informações sobre receitas agronômicas expedidas e as quantidades e os tipos de venenos vendidos. Hoje, há um completo descontrole sobre isso – critica Paganella.

Hoje, a fiscalização cumpre a rotina de visitar cada revenda uma vez por ano. Nas propriedades, as vistorias ocorrem a partir de indícios de irregularidades.

No Paraná, produto para cana era usado em pastagens

Utilizado há quatro anos no Paraná, o Sistema de Monitoramento do Comércio e Uso de Agrotóxicos (Siagro) serviu de ponto de partida para o desenvolvimento do sistema gaúcho. O Siagro permitiu traçar um raio X da utilização e venda de defensivos agrícolas e coibir irregularidades e uso abusivo de produtos químicos nas lavouras paranenses.

É uma ferramenta fantástica em defesa da saúde pública por preservar o consumidor do uso excessivo de agrotóxicos e do emprego de produtos inadequados – avalia João Miguel Toledo Tosato, coordenador da fiscalização de agrotóxicos da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).

Com o Siagro se descobriu, por exemplo, que agricultores estavam fazendo até 10 aplicações de produtos para controle da lagarta da soja sem sequer ter sido comprovada a existência da praga na última safra. Com o sistema, também veio à tona o caso de um produto autorizado para lavouras de cana-de-açúcar e que estava sendo usado em pastagens.

O gado acaba ingerindo o veneno com o pasto, mas não existe estudo sobre os efeitos do resíduo na carne – alerta Tosato.

ASSOCIAÇÃO DE REVENDAS DIZ APOIAR A INICIATIVA

Entidade que engloba o comércio de defensivos, a Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) afirma apoiar o sistema prestes a ser implantado no Rio Grande do Sul. Uma das vantagens, de acordo com a entidade, é a possibilidade de ter informações de forma automatizada e padronizada.

Isso ajudará empresas regulares a melhorarem o negócio porque vão conseguir demonstrar à sociedade que cumprem a lei. Ao mesmo tempo, as que não se adequarem vão aparecer para a fiscalização – afirma Diogo Mazotini, gerente jurídico da Andav. (Zero Hora 29/09/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Quarta alta: Técnica ou não, a elevação dos preços futuros do açúcar iniciada na última terça-feira não foi abalada na sessão de sexta na bolsa de Nova York, apesar das turbulências do mercado financeiro terem afetado várias commodities recentemente. Na sexta-feira, os lotes do demerara para março de 2015 fecharam a 16,56 centavos de dólar a libra-peso, alta de 48 pontos. Em quatro dias, o papel subiu 5,88%. A diminuição do ritmo da moagem de cana no Brasil indica que o país caminha para o início da entressafra. Porém, alguns analistas afirmam que a valorização ainda é técnica, resultado de cobertura de posições vendidas, após o mercado bater no menor patamar em cinco anos. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o cristal subiu 0,81%, para R$ 44,83 a saca de 50 quilos.

Café: Seca no Sudeste: A falta de precipitações persistentes e volumosas na região Sudeste, que abriga o parque cafeeiro do Brasil, continua dando sustentação aos preços do café arábica na bolsa de Nova York. Na sexta-feira, os contratos do grão para março de 2015 fecharam em alta de 375 pontos, a US$ 1,9025 a libra-peso. Os boletins climáticos indicam que uma frente fria do Sul estava migrando para o Sudeste, mas ainda não se sabe se será forte o suficiente para chegar ao cinturão produtor de Minas Gerais e provocar chuvas fortes. Após um setembro pouco chuvoso, os traders esperam que o tempo mude na região em outubro, quando normalmente se encerra a época de florada dos cafezais. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o café arábica subiu 5,87%, para R$ 443,94 a saca.

Algodão: Recuperação em NY: Após seis quedas consecutivas, os contratos futuros do algodão acompanharam as demais commodities agrícolas e subiram na bolsa de Nova York na sexta-feira, revertendo parte das recentes quedas. Os lotes para dezembro fecharam com alta de 49 pontos, a 61,89 centavos de dólar por libra-peso. Houve influência do cenário externo, em que os investidores buscaram recuperar parte das perdas registradas na quinta-feira. Na ocasião, diversos ativos de risco cederam em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio e no Leste Europeu, além da perspectiva de uma alta dos juros nos Estados Unidos antes do esperado. Os fundamentos do mercado da pluma, porém, continuam "baixistas". No mercado interno, a pluma no oeste da Bahia foi negociada a R$ 53,57 a arroba, segundo a Aiba.

Soja: Colheita nos EUA: O cenário de oferta de soja nos EUA continua pesando sobre os preços na bolsa de Chicago. Os lotes para janeiro fecharam com recuo de 12,75 centavos, a US$ 9,1875 o bushel. As previsões climáticas para o Meio-Oeste americano para esta semana são de tempo ainda mais quente e seco do que na semana anterior, o que deve permitir o avanço da colheita. Com isso, também devem aumentar os relatos sobre os índices de produtividade, que até agora têm sido considerados surpreendentes. Alem disso, na semana passada, a agência estatal chinesa Xinhua indicou que o aumento do uso de tecnologia no campo no país deve reduzir a dependência da China de importações da oleaginosa. No mercado doméstico, o preço médio no Paraná apurado pelo Deral subiu 0,71%, para R$ 54,20 a saca. (Valor Econômico 29/09/2014)

 

Dilma e Marina enfrentam-se em debate

A sete dias da eleição, os três principais candidatos à Presidência da República se enfrentaram em confrontos diretos no debate ontem à noite, na TV Record. Logo na primeira oportunidade, a presidente Dilma Rousseff (PT) questionou mudanças de postura de Marina Silva (PSB), em estratégia que já é usada nas propagandas eleitorais da petista.

"A senhora mudou de partido quatro vezes. Mudou de posição de uma hora para outra em temas de extrema importância, como a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho], o Banco Central e o pré-sal", afirmou Dilma. "No debate da TV Bandeirantes, a senhora disse que tinha votado a favor da CPMF, mas os anais do Senado mostram que não", acusou.

Marina disse que mudou de partido para não mudar de "ideais e princípios". Disse que quando era senadora votou a favor da Contribuição Provisória sobre Movimentações Financeiras (CPMF) contra a vontade do PT, seu partido na época, como uma das fontes do fundo de combate à pobreza, proposto pelo ex-senador Antonio Carlos Magalhães (PFL).

"Mesmo com a oposição séria do PT, que na época diziam que eu estava favorecendo um senador de direita. E foi por isso exatamente que digo que não faço oposição por oposição, não só no caso da CPMF", afirmou, e citou outros projetos, como o protocolo de Kyoto. Marina não explicou, contudo, os votos contrários à criação da CPMF em outras ocasiões.

Dilma tentou questionar Marina novamente no segundo bloco de perguntas, mas foi impedida pelas regras do debate, que impedia fazer perguntas duas vezes ao mesmo candidato. A ex-senadora também mirou em Dilma quando teve a oportunidade de perguntar: disse que a mudança na política para o etanol fechou 70 usinas e 60 mil empregos. "O que aconteceu para que você mudasse o rumo da política do presidente Lula e causasse esse fracasso?"

A presidente rebateu dizendo que desonerou impostos do setor e aprovou legislação que permite aumentar de 25% para 27,5% o percentual de etanol na gasolina. "A política de etanol do meu governo foi baseada naquilo que você é contra: subsídio", afirmou Dilma. A presidente foi alvo na maioria das falas dos demais candidatos e pediu dois direitos de resposta, que foram negados porque a organização entendeu que não se tratavam de injúria à candidata.

Aécio Neves (PSDB), terceiro colocado nas pesquisas, não teve oportunidade de perguntar para as duas líderes no começo do debate. Suas falas foram concentradas na Petrobras - citou a empresa em duas das quatro vezes em que pode responder perguntas no primeiro bloco do debate. O tucano disse que a empresa está "sucateada" e é usada por um grupo político para se manter no poder e citou as denúncias de corrupção na estatal.

O presidenciável do PSDB disse que as denúncias de desvio feita por um diretor indicado pelo PT e mantido no governo (Paulo Roberto Costa) permitiriam colocar 40 mil crianças em creches e construir 50 mil casas. "É isso que a corrupção impacta na vida das pessoas", disse.

Dilma, em um pedido de resposta a ataques do pastor Everaldo (PSC) e Levy Fidelix (PRTB), disse que foi ela que demitiu Paulo Roberto Costa e que as investigações foram feitas pela Polícia Federal em seu governo. "Fui a única candidata a propor projetos de combate à corrupção, como, por exemplo, tornar caixa dois crime eleitoral", afirmou. Também questionou Aécio sobre a privatização da Petrobras, que o tucano negou.

O clima no estúdio em que foi realizado o debate esteve animado. Os convidados do PSB aplaudiram quando foi negado a Dilma direito de resposta porque o governo federal foi citado em um embate entre Marina e Aécio. A organização do evento entendeu que não houve difamação. Uma assessora de Dilma gritou "Que absurdo!", enquanto partidários de Marina aplaudiam.

A plateia riu quando Levy Fidelix disse que as Forças Armadas estão tão sucateadas que o Brasil pode ser invadido por bolivarianos. Riu também quando Luciana Genro (PSOL) respondeu a Eduardo Jorge (PV): "Não entendi teu risinho quando perguntastes se eu pudesse ser presidente. Eu tenho condição de ser presidente." Ele lhe havia questionado sobre o que Luciana faria em relação a política de precipitação de combustíveis fósseis. "Sem querer você respondeu", disse Eduardo Jorge. Mais risos na plateia.

Antes de seguir para o debate, Dilma deu uma entrevista em um hotel no centro de São Paulo, na qual disse que seu governo é suficiente para apresentar as propostas de um eventual segundo mandato. Ela afirmou que não é necessário registrar um programa de governo porque suas propostas já são conhecidas pelo eleitor.

"O documento é uma estrutura composto do alicerce, que é meu governo, das diretrizes e de todas as novas propostas", disse.

Segundo a presidente, não é necessário formular um documento. Dilma disse que é uma pessoa moderna e a modernidade "não é calhamaço feito de papel"; que existem "várias formas de comunicação" e que lhe interessa se comunicar com o eleitor.

Já Aécio recorreu à memória de dois ex-presidentes, Juscelino Kubitschek e Tancredo Neves para buscar um último respiro na disputa, sobretudo entre os eleitores do Estado, e conseguir uma virada que lhe garanta presença no segundo turno.

A uma semana das eleições, o candidato escolheu um dos cenários mais tradicionais de Minas Gerais, a cidade histórica de São João del Rei, para cumprir uma agenda que misturou festa familiar com campanha eleitoral. Aécio e a mulher, Letícia Weber, batizaram seus filhos, os gêmeos Bernardo e Júlia, numa cerimônia com poucos amigos e familiares.

Dentro da Igreja Nossa Senhora do Pilar, uma obra do início do século 18, Aécio, com Bernardo no colo, ao lado da mulher, levando Júlia, disse aos repórteres: "Sou ou não sou um vitorioso? Não preciso nem disputar eleição."

Depois da cerimônia, Aécio seguiu para um galpão improvisado nos fundos de um posto de combustível na cidade para fazer campanha. "Há 60 anos, coube a Juscelino Kubitschek, sob a descrença de muitos, vencer as eleições e permitir ao Brasil iniciar um próspero ciclo de desenvolvimento e de industrialização", disse ele, em um galpão cheio de correligionários, moradores e pessoal de sua campanha. (Valor Econômico 29/09/2014)

 

Perda de meta tira US$ 40,7 bi da Petrobras

Cifra deixou de entrar no caixa da empresa no ano passado com falhas para atingir meta de produção de petróleo. Lucro teria sido 116% maior; encomendas atrasadas e escassez de leilões de novas áreas explicam falta de êxito.

Em 2009, a Petrobras previu produzir 3,655 milhões de barris de petróleo e gás natural por dia em 2013, em média, no Brasil e no exterior.

Questões operacionais, políticas e de gestão impediram-na de chegar à meta, e a média diária foi de 2,539 milhões de barris. Com a diferença, a empresa deixou de faturar US$ 40,7 bilhões.

Se a produção tivesse crescido como o esperado, a receita da Petrobras em 2013 teria sido 28,8% maior, chegando a US$ 182,3 bilhões. A conta considera o preço do barril de petróleo a US$ 100.

De janeiro a agosto, a "perda" de receita é de US$ 25,4 bilhões. A produção média diária em oito meses é de 2,611 milhões de barris, uma alta de 2,8% ante 2013.

Neste ano, a Petrobras quer produzir 7,5% mais, ou 2,729 milhões de barris por dia.

"Mesmo com duas plataformas recém entregues, não vejo como atingir a meta", diz Flávio Conde, analista-chefe da Gradual Corretora.

Segundo cálculos do professor do Insper e sócio da M2M Escola de Negócios Eric Barreto, feitos a pedido da Folha, com a produção em 3,655 milhões de barris, a Petrobras teria lucrado 116% mais no ano passado.

Investidores receberiam US$ 8,7 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio, em vez dos US$ 4 bilhões distribuídos.

PROBLEMAS

Diversas causas explicam a dificuldade em avançar.

"A indústria que fornece equipamentos para petroleiras está muito demandada no mundo, atrasando encomendas", diz o analista.

Além disso, lembra Conde, leilões de áreas de petróleo, que ocorriam anualmente, tornaram-se irregulares.

O último leilão que ofereceu áreas na bacia de Campos, de onde vem mais de 70% da produção da Petrobras, foi em 2007, impedindo a exploração em novos reservatórios na região. A produção do pré-sal, de quase 600 mil barris por dia, só deu para repor a queda em Campos.

O aumento da produção é fundamental para a companhia reduzir o seu endividamento até o fim de 2015, um compromisso assumido pela presidente da empresa, Maria das Graças Foster.

O patamar ameaça seu "grau de investimento", que significa baixo risco de calote. Se perder a classificação, a Petrobras terá de pagar mais juros ao captar dinheiro para investimentos.

A outra opção para melhorar as suas contas seria "convergir" o preço dos combustíveis no Brasil com a cotação internacional. Mas isso depende do aval do governo.

"A defasagem dos combustíveis está entre 12% e 15%. Com a dificuldade política de um reajuste, elevar a produção é urgente", diz Barreto.

PRESSÃO

A Folha apurou que o ministro da Fazenda e presidente do conselho da Petrobras, Guido Mantega, costuma cobrar o aumento de produção nas reuniões mensais do colegiado, lembrando que, se a produção tivesse crescido, as finanças estariam melhores.

Para garantir a entrega dos navios plataforma no prazo, Graça tem visitado estaleiros. Em julho, esteve nos polos navais em Rio Grande e em Charqueadas (RS) para cobrar agilidade, já que a entrega de equipamentos de plataformas enfrentava atrasos.

"Aumentar a produção é uma obsessão para Graça", disse um empresário do setor naval que pediu anonimato.

Segundo Barreto, a produção maior ajudaria a Petrobras a aproximar-se dos indicadores médios de grandes petroleiras mundiais. (Folha de São Paulo 28/09/2014)

 

Sob pressão, produtores de suco de laranja dos EUA buscam novos clientes

Abatidos por uma queda na demanda por suco e por uma praga devastadora, os produtores de laranja da Flórida estão pedindo ajuda de alguém com superpoderes. Seu nome: Capitão Citrus.

No início do mês, o Departamento de Citros do Estado americano reformulou seu mascote com a ajuda da Marvel Entertainment. O personagem foi de uma laranja com uma capa com capuz verde segurando uma caixa de suco para um jovem musculoso vestido com a roupa justa típica de super-heróis em amarelo e laranja. Ele é energizado pelo sol.

O departamento, que é financiado por impostos sobre as laranjas produzidas na Flórida, espera que uma série de revistas em quadrinhos personalizadas do Capitão Citrus atuando com os populares personagens Vingadores da Marvel ajudará a formar uma nova geração de consumidores de suco de laranja.

Com cada vez mais americanos ignorando o suco de laranja, os produtores estão buscando formas de atualizar a imagem do produto. À medida que os consumidores se conscientizam sobre a importância de uma dieta equilibrada, o conteúdo de açúcar do que já foi um dos principais itens do café da manhã nos Estados Unidos acabou prejudicando sua reputação como uma bebida saudável. E ele está perdendo espaço nas prateleiras de bebidas para novatos como a água de coco, sucos de frutas exóticas como açaí e romã e bebidas energéticas.

O consumo de suco de laranja nos EUA caiu 45% de seu pico em 1998, recuando de 22 litros por pessoa ao ano 16 anos atrás para 12,1 litros em 2012, segundo os dados mais recentes do Departamento de Agricultura americano, o USDA.

A popularidade em queda do suco de laranja representa um desafio para a PepsiCoInc., produtora da popular marca Tropicana, e para a Coca-Cola, dona das marcas Minute Maid e Simply nos EUA.

Nos resultados financeiros do segundo trimestre, divulgados no fim de julho, a Coca-Cola informou que o volume de vendas da categoria de bebidas não gaseificadas, que inclui chás, águas, bebidas esportivas e sucos, cresceu 5% no mundo durante o trimestre. O crescimento não foi uma consequência das vendas de sucos da empresa, que registraram uma queda de 1% "em função do aumento de preços feito na América do Norte para cobrir a alta nos custos de produção".

A Pepsi não divulga os resultados de sua divisão de sucos separadamente.

Os produtores de suco de laranja dos EUA estão pagando mais pela fruta em função da oferta limitada provocada pelo "greening", doença causada por uma bactéria que prejudica o crescimento da laranja e vem destruindo as safras americanas.

Na safra que termina este mês, a Flórida registrou sua menor produção em 29 anos. E os consumidores estão pagando mais. Nas quatro semanas terminadas em 30 de agosto, os preços do suco de laranja foram, em média, US$ 6,46 por galão ( ou US$ 1,70 por litro) , alta de 4,5% ante o mesmo período de 2013, segundo dados da Nielsen.

A Coca-Coca elevou as vendas de sua divisão de sucos no ano passado depois de introduzir novas misturas na marca Simply, com combinações de laranja com banana e limonada com blueberry, informa a empresa.

As empresas de bebidas estão experimentando diluir o suco para torná-lo mais atraente aos consumidores preocupados com seu alto teor de açúcar. A Pepsi vende o Trop50, que é promovido como uma versão alternativa de sua linha tradicional de sucos da marca Tropicana com menos açúcar e calorias, adoçado com estévia. A Coca-Cola oferece uma versão de 50 calorias do Minute Maid que tem apenas 42% de suco de laranja.

Tanto a Pepsi quanto a Coca-Cola já batalham contra um fraco crescimento nas vendas de seus principais refrigerantes, já que cada vez mais consumidores decidem evitar as bebidas açucaradas. A resposta da indústria de bebidas para essa mudança de comportamento — aumentando o leque de novas opções, incluindo bebidas energéticas e águas vitaminadas — está servindo para acelerar o declínio do suco de laranja, dizem analistas.

Em agosto, a Coca-Cola anunciou a compra, por US$ 2,15 bilhões, de uma fatia de 16,7% da produtora de bebidas energéticas Monster Beverage Corp.

Também de olho em diversificação, o grupo paulista Cutrale, um dos maiores produtores e processadores de laranja do mundo – e principal fornecedor das marcas de suco da Coca-Cola – propôs a compra da gigante americana produtora de bananas Chiquita Brands International.

A lista crescente de opções no mercado vai dificultar a recuperação das vendas de suco de laranja mesmo se o medo do açúcar diminuir, dizem analistas.

"Há o risco de o suco de laranja se tornar um produto de nicho", diz Ross Colbert, estrategista global de bebidas do Rabobank em Nova York. Porém, o suco de laranja ainda representa um mercado de US$ 3,5 bilhões nos EUA e os fabricantes não vão desistir dele.

"A categoria [de sucos] nos oferece uma grande oportunidade de continuar nossos planos de diversificação, seja através da adição de extensões de linhas existentes, novas opções de sabor ou a criação de opções mais leves", disse um porta-voz da Coca-Cola. A empresa também está se expandindo em outras áreas, como a de água de coco. Em novembro, a Coca-Cola completou a aquisição da Zico, um fabricante de água de coco feita de concentrado que oferece vários sabores. A Pepsi adquiriu a fabricante de água de coco pasteurizada O.N.E. em 2012.

O maior fator de vendas do suco de laranja — que ele é uma boa fonte de vitamina C — foi ofuscado nos últimos anos pela crescente aversão dos americanos por produtos com alto conteúdo de açúcar. Um copo de suco de laranja contém cerca de 22 gramas de açúcar, quase a mesma quantidade encontrada em um barra de chocolate.

É aí que o Capitão Citrus entra em ação. O personagem está visitando escolas na Flórida para ensinar sobre o valor nutricional do suco de laranja. A agência estatal de citros também produziu comerciais para a televisão louvando o suco de laranja como uma bebida para qualquer hora do dia.

Os sucos pasteurizados explodiram nos EUA nos anos 80, com a ajuda de um grande esforço de marketing para promover as vantagens de um suco que nunca foi congelado. Hoje, o suco de laranja reconstituído, ou feito a partir de concentrados, é responsável por apenas 40% do mercado de suco de laranja, ante 48% há dez anos. A fatia de sucos de frutos e vegetais no mercado americano de bebidas, calculado em dólares, caiu de 24% em 1999 para 17%. A categoria de bebidas energéticas e esportivas aumentou de 5% para 16% do mercado no mesmo período.

"Não sei como reverter [a queda] do consumo de sucos", diz Dan Sleep, diretor da Agência de Desenvolvimento Estratégico do Departamento de Agricultura da Flórida. Hoje, "há um número imenso de opções para escolher" (The Wall Street Journal 29/09/2014)