Setor sucroenergético

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Propriedades de terras na Amazônia

O ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, tem em mãos um estudo sobre propriedade de terras na Amazônia capaz de deixar os nacionalistas de cabelo em pé.

Nos últimos dez anos, os investimentos estrangeiros na compra de propriedades rurais na região passaram dos US$ 40 bilhões.

Um terço desse valor saiu de cofres chineses. (Jornal Relatório Reservado 30/09/2014)

 

Itochu avança na produção de soja

A Itochu avança a passos céleres no solo do Brasil.

A recente compra de 50% da produtora de soja Naturalle é apenas a raiz dos planos de expansão dos japoneses, a começar pela própria empresa.

A trading já teria acertado com a Axial, dona do restante das ações da Naturalle, uma opção para a compra integral do controle até 2016. A companhia é vista pelos nipônicos como um maná.

Neste ano, deverá produzir cerca de um milhão de toneladas de grãos.

Estudos feitos pela Itochu indicam que é possível duplicar esse volume em até três anos, combinando a compra de novas terras com o aumento da produtividade nas áreas de cultivo da Naturalle em Goiás, Minas Gerais, Bahia e São Paulo.

O objetivo é exportar a maior parte para o mercado asiático. Paralelamente, a Itochu mapeia o mercado brasileiro em busca de novas possibilidades de aquisição.

Olha especialmente para cooperativas do Centro- Oeste, mais suscetíveis ao assédio de grandes investidores. Neste caso, os japoneses não devem caminhar sozinhos.

Provavelmente, terão a companhia da Charoen Pokphand Group, um dos maiores produtores de grãos da Tailândia.

Itochu e Charoen já têm investimentos conjuntos em diversos países da Ásia. (Jornal Relatório Reservado 30/09/2014)

 

Açúcar: Preço mais salgado:

Os preços do açúcar iniciaram a semana mantendo a tendência dos últimos dias e fecharam em alta, diante de recompras técnicas e comerciais.

Na bolsa de Nova York, os lotes para março de 2015 fecharam a 16,80 centavos de dólar por libra-peso, elevação de 24 pontos ante a sessão passada.

Os baixos preços atraíram compradores e provocaram coberturas de posições vendidas por parte dos fundos. Além disso, a Tailândia deve entregar menos lotes na bolsa que o estimado, e há possibilidade de o açúcar do Centro-Sul do Brasil ser entregue.

Isso reduziria o estoque interno no país, o que também deu suporte às negociações, segundo Bruno Lima, da FCStone.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 1,43%, para R$ 45,47 a saca. (Valor Econômico 30/09/2014)

 

Preço do açúcar no mercado internacional está 15% menor na comparação com mesmo período de 2013

Em setembro, valor no mercado interno caiu 4,57%.

A expectativa de redução de 10% safra de cana-de-açúcar no Brasil não foi suficiente para impulsionar as cotações do açúcar no mercado internacional. Os preços estão em queda e a perspectiva é de que o valor seja 15% menor se comparado com mesmo período de 2013. O aumento de produção em outros países deixa o mercado com excesso de oferta, o que pressiona as cotações.

Da produção brasileira anual de 37 milhões de toneladas de açúcar, 60% são exportados. Segundo o trader da Sucden do Brasil, Eduardo José Sia, por enquanto, o mercado sinaliza que os preços devem continuar baixos.

– A tendência a curto e médio prazo, se confirmadas as novas safras internacionais, é de que os preços ainda continuem sob forte pressão, e se mantenham nos patamares atuais. Isto não é um fator otimista para o produtor brasileiro – diz.

Segundo o diretor da Job Economia, Julio Maria Borges, a esperança do setor é que o fim antecipado da colheita neste ano possa elevar as cotações.

– A gente acredita que a partir de outubro essa percepção de mercado deve mudar – afirma.

A previsão da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) é que o Centro-Sul do Brasil produza 31,3 milhões de toneladas de açúcar em 2014/2015, que se encerra oficialmente em março do ano que vem. O volume é quase 9% menor na comparação com as 34,3 milhões de toneladas de 2013/2014 por causa da forte seca no início do ano.

Preço interno em setembro

O açúcar cristal negociado no mercado interno registrou em setembro o menor valor desta safra, iniciada em abril. Também ficou abaixo do nível observado no mesmo período da temporada anterior. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o preço médio parcial da saca de 50 quilos em setembro é de R$ 44,67, 1,91% menor ante o de agosto (R$ 45,54/saca) e 4,57% inferior frente o de setembro de 2013 (R$ 46,81/saca), em termos reais.

Essa queda, associada à apreciação do dólar ante o real, fez com que a comercialização de açúcar no spot paulista perdesse na semana passada a vantagem que mantinha sobre as exportações há quase um ano. Pelos cálculos do Cepea, de 22 a 26 de setembro a média semanal do indicador de açúcar cristal Cepea/Esalq foi de R$ 44,38 a saca, enquanto as do contrato com vencimento em março na Bolsa de Nova York equivaliam a um preço médio de R$ 44,70/saca (+0,73%). (Rural BR 29/09/2014 às 19h: 20m)

 

Preços do etanol voltam a recuar nas usinas de São Paulo

Depois de esboçar valorização há algumas semanas puxada pela expectativa de forte quebra na safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul, o preço do etanol voltou a cair persistentemente nas usinas. Em 28 dias, a desvalorização do hidratado, que é usado diretamente nos veículos, foi de 5,1% na indústria em São Paulo, conforme o indicador Cepea/Esalq.

Apenas na última semana, a baixa chegou a 2,8%. Na remuneração das usinas, o hidratado chegou até a ficar atrás do açúcar bruto, que ontem foi beneficiado pela valorização do dólar e por alguma recuperação de suas cotações na bolsa de Nova York.

Além de uma demanda fraca, apesar dos preços nos postos mais convidativos, o etanol neste momento padece de estoques 1 bilhão de litros mais elevados que há um ano, segundo traders. Somando-se o hidratado e o anidro (usado na mistura com a gasolina), o volume total armazenado no Centro-Sul alcançou cerca de 9 bilhões de litros, ante 8 bilhões de um ano atrás.

A forte queda nos preços neste momento, segundo traders, se deve não somente ao fato de muitas usinas em dificuldades financeiras estarem liquidando seus estoques para pagar as contas. O que está acontecendo também é que usinas maiores e mais capitalizadas estão ficando sem capacidade de tancagem, uma vez que, além de volumes próprios, estão comprando o etanol a preços mais baixos no mercado, para vender na entressafra, quando se espera que os preços vão decolar.

No domingo, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) retomou sua campanha publicitária em tevês, rádios e internet para estimular o consumo de etanol pelo motorista. Em nota, a entidade, que representa as usinas do Centro-Sul, afirmou que, agora, o preço do etanol está mais vantajoso que o da gasolina ao consumidor em alguns Estados, mas que, mesmo assim, a demanda não reagiu como esperado.

"Isso reforça o nosso diagnóstico de que o contato direto com o público deve ser constante", afirma a presidente da Unica, Elizabeth Farina. Quando foi lançada pela primeira vez, em novembro de 2012, a campanha, enquanto foi veiculada, alavancou em 10% as vendas do biocombustível no Estado de São Paulo.

Nesta safra 2014/15 - de maio até a primeira quinzena de setembro -, as vendas de etanol hidratado realizadas no mercado interno pelas usinas do Centro-Sul caíram 4,86%, a 5,864 bilhões, segundo a Unica.

Nos postos, o preço do etanol hidratado vem subindo nas últimas semanas na maior parte dos Estados, segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP). Entre 21 e 27 deste mês, os preços médios na bomba subiram em 15 Estados. Em sete caíram e em cinco ficaram estáveis.

Em São Paulo, maior Estado consumidor de combustíveis do país, o preço médio do hidratado nos postos caiu 0,53%, a R$ 1,865 na última semana. Nesse Estado, abastecer com etanol está mais vantajoso do que com gasolina, pelo menos, desde maio. A paridade de preços entre os dois combustíveis ficou nesse período na casa dos 65% a 66%, com uma margem razoável, se for considerado que o uso do etanol é vantajoso quando seu preço equivale a menos de 70% do preço da gasolina.

Traders acreditam que, os atuais preços médios do etanol nos postos de São Paulo - de R$ 1,865 por litro - têm potencial para cair para um patamar entre R$ 1,77 e R$ 1,78 por litro, o que significaria uma paridade com a gasolina na casa dos 62%.

Na avaliação do diretor da trading de etanol Bioagência, Tarcilo Rodrigues, o consumidor final se acostumou com a paridade de 67%, presente no mercado praticamente desde abril, e, vai precisar, portanto, de um "solavanco" para reagir e substituir a gasolina pelo etanol.

Em relatório, o especialista da consultoria americana FCStone, Bruno Lima, explicou que o etanol hidratado está perdendo terreno até para o açúcar bruto, patinho feio do setor há alguns meses consecutivos. Conforme a consultoria, a alta dos preços em dólares do açúcar na bolsa de Nova York ocorrida no pregão de ontem veio acompanhada da desvalorização do real. "Com isso, a remuneração do hidratado passou a ficar 70 pontos abaixo da trazida pelo açúcar bruto", segundo a FCStone.

Apesar do cenário aparentemente sombrio para o etanol, a consultoria FG Agro, de Ribeirão Preto, afirma que sua "leitura" do mercado é de que as distribuidoras estão "atrasadas" na formação dos estoques. "Por outro lado, até outubro as usinas devem atingir o seu limite físico de estocagem".

"Se as distribuidoras aproveitarem este momento para recompor os estoques, a queda do preço na usina não deverá refletir em queda na mesma proporção no preço na bomba. Esperamos reajuste no preço da gasolina logo após a eleição. Ponderando esses aspectos, continuamos altistas para os preços do etanol para a entressafra", disse Luiz Gustavo Correa, diretor da FG Agro. (Valor Econômico 30/09/2014)

 

CMN inclui usinas de açúcar no programa de construção de armazéns

BRASÍLIA - O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou nesta segunda-feira que produtores rurais e cooperativas do setor de açúcar sejam incluídos no Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA), do governo federal.

Hoje, esse conjunto de linhas de crédito para armazenagem é restrita a grãos, mas era também uma demanda do setor açucareiro desde que a presidente Dilma Rousseff anunciou a criação do programa na safra passada (2013/14).

O PCA oferece juros de 4,5% ao ano, até 15 anos para pagamento e três anos de carência, e foi lançado com a intenção de reduzir o déficit de armazenagem existente hoje no país.

Antes de divulgar o número oficial, o governo antecipou que no primeiro ano de vigor do PCA foram contratados cerca de R$ 4,8 bilhões. O montante total disponível por ano safra é de R$ 5 bilhões até a safra 2017/2018. O desembolso do programa ainda não foi divulgado oficialmente.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já havia anunciado ao setor sucroalcooleiro que essa medida seria tomada para estimular a infraestrutura de armazenagem de açúcar. Anunciou também a inclusão dos exportadores de açúcar e etanol no Reintegra, que permite que algumas empresas brasileiras exportadoras recuperem até 3% da receita decorrente da exportação.

Em mais um voto agrícola desta segunda-feira, o CMN também permitiu que o Banco do Brasil passe a contratar operações de investimento pelo Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) na região Centro-Oeste do país com recursos provenientes de depósito à vista e poupança rural.

Atualmente, apenas recursos do Fundo Constitucional do Centro-Oeste poderiam ser utilizados para essa finalidade. Com isso, o programa ganhará mais recursos na região.

O CMN ainda justifica que a decisão vem complementar os recursos do FCO Rural para 2014, orçados em R$ 2,2 bilhões, uma vez que estes “serão insuficientes para aplicação na região [Centro-Oeste]”.

O Pronamp é voltado aos produtores com renda bruta anual de até R$ 1,6 milhão. A taxa base do programa é de 5,5% ao ano e o valor máximo individual é de R$ 385 mil por ano-safra. O prazo é de oito anos com carência de três. (Valor Econômico 30/09/2014)

 

Dólar ajuda a reduzir preço das commodities

Se os produtores já visualizavam uma série de problemas com a supersafra de grãos prevista para 2014/15, a situação fica ainda mais complicada com a "financeirização" atual do mercado.

Fernando Muraro, da AgRural, de Curitiba (PR), diz que o campo vive um ano impecável. Brincando com o título da coluna, diz que, "ao contrário do que ocorreu nos anos anteriores, quando sempre houve um vaivém das commodities", este ano começou bem e está terminando bem no que se refere à produção. Ele se refere à safra norte-americana de grãos.

Muraro cita que os números da safra dos Estados Unidos prevista pelo Usda (Departamento de Agricultura dos EUA), embora recordes, já estão defasados na avaliação de parte do mercado.

Enquanto o governo norte-americano estima uma produção de 106,5 milhões de toneladas de soja, o mercado já prevê uma colheita de 108 milhões a 109 milhões. No caso do milho, a estimativa do mercado é de até 370 milhões de toneladas, acima dos 365 milhões do Usda. O resultado é uma queda acentuada nos preços.

Mas, além dessa retração provocada pelo recorde de produção, o setor vive uma pressão de baixa causada pela valorização do dólar.

"E essa financeirização afeta não só soja e milho, mas também as demais commodities, como açúcar, ouro, prata e minérios", diz Muraro. Com a alta do moeda, os investidores vão para o dólar e fogem das commodities.

Os dados são impressionantes. Desde 22 de maio, quando a soja atingiu o maior valor deste ano na Bolsa de Chicago --US$ 15,36 por bushel-- há uma queda de 40% no preço dessa commodity nas negociações da Bolsa.

No mesmo período, o dólar negociado no mercado futuro teve alta de 10%.

A supersafra e dólar estão provocando essa derrocada dos preços, segundo Muraro.

Ele acredita que só o câmbio já foi responsável pela queda de 10% nos preços da soja no mercado futuro.

Os produtores brasileiros também são prejudicados pela queda da soja na Bolsa de Chicago, mas a recuperação do dólar no mercado interno, embora ainda tímida, dá um pouco de alívio, já que eles recebem mais reais pelo produto, que tem como base a moeda norte-americana. (Folha de São Paulo 30/09/2014)

 

MS atinge produção de 1,51 bi de litros de etanol na safra 14/15

Mato Grosso do Sul já atingiu na safra 2014/2015, entre abril e a primeira quinzena de setembro, a moagem de 26,81 milhões de toneladas de cana e o processamento de 810 mil toneladas de açúcar e de 1,51 bilhão de litros de etanol.

Os dados são da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul). A entidade aponta que o volume processado de matéria-prima no acumulado deste ciclo é 7,32% menor em relação ao mesmo período da safra passada e o de açúcar produzido na parcial da safra ficou 18,98% abaixo do contabilizado no mesmo intervalo de tempo da temporada anterior.

Em contrapartida, o volume de etanol processado nestes sete meses é praticamente o mesmo da parcial do ciclo passado e o índice que mede a qualidade da cana, o Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) teve um aumento de 5% em relação ao do ciclo 2013/2014, atingiu os 137 quilos por toneladas de cana.

Na avaliação do diretor técnico da Biosul, Paulo Aurélio Vasconcelos, a escassez de chuvas na quinzena favoreceu a moagem. "Como esperado, a qualidade da cana vem melhorando em função do clima mais seco, com pouca incidência de chuva na quinzena, acreditamos que permaneça assim até o fim da safra, que pretende se estender até janeiro de 2015", concluiu. (Agrodebate 29/09/2014)

 

Após captar US$190 mi, usina de cana Coruripe dá receita de sobrevivência

O presidente da usina, Jucelino Sousa citou receitas advindas da cogeração de energia como motivos para a resiliência da empresa.

"Sempre buscamos atingir o máximo de produtividade na produção da cana-de-açúcar", afirmou o executivo

A Usina Coruripe, que está entre os dez maiores produtores de açúcar e etanol do Brasil, vive uma situação quase que sui generis no país. Ou "sobrevive", como prefere dizer o seu presidente, Jucelino Sousa.

A Coruripe, cuja unidade matriz é maior produtora de etanol e açúcar do Nordeste, contando também com outras quatro usinas no oeste de Minas Gerais, difere de boa parte de seus concorrentes no Brasil, sufocados com preços baixos de seus produtos, custos crescentes e quebras de safra de cana.

Após ampliar por dois seguidos anos a moagem de cana --atingindo recentemente sua capacidade total instalada de 13,5 milhões de toneladas-- e elevar o faturamento em 10 por cento ante o ano anterior, para 1,6 bilhão de reais na última safra, a Coruripe conseguiu em meados de setembro captar 190 milhões de dólares em uma operação sindicalizada de financiamento a exportações coordenada pelo Rabobank.

"Nenhuma empresa do segmento, por mais estruturada financeiramente que esteja, consegue passar incólume por esse cenário que já dura quatro anos de preços deprimidos...", afirmou Sousa, à Reuters.

"Talvez tenhamos um pouco mais de resiliência devido a alguns fatores, que, da mesma forma, são percebidos em alguns poucos grupos que também estão conseguindo sobreviver. Veja bem que digo sobreviver, pois ninguém está crescendo no setor", acrescentou ele, em entrevista por email.

Entre os fatores chave para o desempenho da Coruripe, o executivo destaca a existência de receitas advindas da cogeração de energia, a perseverança quanto aos investimentos na manutenção do canavial, elevando a sua produtividade, a utilização plena da capacidade instalada e uma rígida disciplina orçamentária para controlar custos.

"Obviamente, um histórico irrepreensível de crédito é fundamental", completou Sousa, ressaltando que a empresa conseguiu o refinanciamento de suas necessidades para a safra 2014/15 antes mesmo do início da safra no Nordeste.

Essa condição se sobressai em um setor; que, de 2008 a 2013, registrou o fechamento de mais de 70 usinas no Brasil, segundo a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), tendo como uma de suas principais dificuldades a impossibilidade das companhias de repassar custos de produção ao etanol, com o controle dos valores da gasolina pelo governo, que acaba atuando como um teto para a cotação do biocombustível.

Na esteira da crise global de 2008, segundo a Unica, mais de 60 unidades produtoras entraram em recuperação judicial, considerando as empresas em operação e as inativas, num mercado global com seguidos excedentes de açúcar, que colabora para aprofundar os preços do adoçante.

Segundo Sousa, as unidades da Coruripe --que juntas produzem quase 1 milhão de toneladas de açúcar e pouco menos de meio bilhão de litros de etanol-- não são as mais novas ou mais modernas, mas são eficientes e operam em plena capacidade, um trunfo do grupo, que também coloca como prioridade as operações no campo.

"Sempre buscamos atingir o máximo de produtividade na produção da cana-de-açúcar, seja na cana própria seja com nossos fornecedores, antes de ampliarmos nossas unidades ou pensarmos em greenfields", afirmou o executivo, destacando que isso evitou que a companhia carregasse o ônus de investimentos em capacidade ociosa.

Além disso, disse Sousa, as unidades em Minas Gerais são próximas uma das outras, "ajudando-nos a capturar as sinergias advindas do conceito de cluster".

No caso da matriz, situada no município de Coruripe, em Alagoas, a empresa é beneficiada por investimentos feitos em irrigação ao longo de décadas, o que "ameniza os efeitos do maior flagelo da região, que é a inconstância de chuvas".

Questionado se a situação financeira da Coruripe a credenciaria para ser uma companhia consolidadora, capaz de realizar aquisições, Sousa não descartou essa hipótese, desde que haja oportunidade de sinergias, mas adotou cautela diante da situação do mercado.

"O segmento vai passar inexoravelmente por uma reorganização e nos vemos como parte desse processo e como players que estarão no jogo quando as adversidades forem superadas. Temos enormes oportunidades de crescimento orgânico e será nisso que nos concentraremos assim que as perspectivas do segmento melhorarem...", afirmou.

Entretanto, frisou o presidente da Coruripe, "o momento e as perspectivas atuais indicam que essa é uma realidade que ainda vai demorar um bom tempo". (O estado de São Paulo 29/09/2014 às 18h: 10m)

 

Aumentam as exportações agropecuárias da Índia

A Índia superou a Austrália e se tornou o sétimo maior país exportador de produtos agropecuários do mundo em 2013, de acordo com levantamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Em 2003, os indianos ocupavam a 13ª posição nesse ranking.

O salto, segundo o órgão americano, foi turbinado por subsídios e resultou de um incremento de 21,3% ao ano na década, o maior em um grupo de grandes exportadores que inclui o Brasil. Puxada pela soja em grão, a taxa média anual de crescimento das exportações brasileiras do setor no intervalo foi de 14,9%.

Segundo o USDA, os embarques da Índia renderam mais de US$ 39 bilhões no ano passado, ante menos de US$ 5 bilhões dez anos antes. O superávit do país no setor cresceu cerca de dez vezes no intervalo, para quase US$ 20 bilhões, e as vendas continuam aquecidas. Neste ano, suas exportações de carne de búfalo já aumentaram 18%, enquanto as de trigo cresceram 75%. A Índia também se tornou um "player" de peso nos mercados de arroz, açúcar, e algodão. Também cresceram suas fatias nas exportações de farelo de soja e milho.

No caso da carne de búfalo, os embarques indianos só perdem, em 2013 e neste ano, para as vendas de carne bovina do Brasil. Segundo o USDA, a carne de búfalo da Índia tem preços muito competitivos. Mas, no caso de produtos como arroz e trigo, o órgão americano realça que o desempenho do país foi impulsionado por subsídios. Conforme estimativas, o apoio oficial indiano para a agricultura aumentou de US$ 68 bilhões, em 2009-2010, para US$ 85 bilhões em 2013-2014. (Valor Econômico 30/09/2014)

Impacto da queda dos preços será mais forte na safra 2015/16

"As coisas aconteceram muito rapidamente", afirma Fernando Muraro, da AgRural.

A confirmação da boa safra e a forte queda nos preços; só vão afetar a intenção do plantio no Brasil na safra 2015/16. A atual já está definida.

A área se mantém, mas a rentabilidade do produtor brasileiro com soja e milho vai recuar no período 2014/15. Na avaliação da AgRural, as receitas dos produtores de Mato Grosso do Sul com soja, que foram de R$ 900 por hectare nesta safra que se encerrou, caem para R$ 480 na que se inicia.

Esses valores se referem aos proprietários de terra. Os que fizeram arrendamento para o plantio vão ter margem bem menor. A rentabilidade recuaria de R$ 400 por hectare na safra 2013/14 para R$ 100 na 2014/15.

Os efeitos desse recuo de preços já começarão a ser sentidos na queda de área de milho na safrinha. (Folha de São Paulo 30/09/2014)

 

Marina diz que Dilma quer 'tirar proveito eleitoral' ao relembrar CPMF

Petista acusa a ex-senadora de ter sido contrária à criação da contribuição.

Candidata do PSB votou contra PEC, mas apoiou regulamentação.

A assessoria da campanha de Marina Silva, candidata do PSB à Presidência da República, afirmou nesta segunda-feira (29) que a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, quer "tirar proveito eleitoral" ao relembrar a posição da ex-senadora à época da aprovação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) pelo Congresso, na década de 1990.

O assunto foi discutido neste domingo (28) por Dilma e Marina durante debate entre presidenciáveis na TV Record. A petista acusou a ex-senadora de ter votado contrariamente à criação da CPMF, o que Marina nega. "Me estarrece que a senhora não se lembre como votou quatro vezes contra a criação da CPMF", disse a presidente. "Atitudes como essas produzem insegurança. Governar o Brasil requer firmeza, coragem, posições claras e atitude firme. Não dá para improvisar”, concluiu. Marina rebateu: "eu me lembro exatamente quando votei a favor."

"O caso da CPMF é mais um ato da incansável campanha de fofocas e mentiras do PT, que distorce a história para tentar tirar proveito eleitoral", diz a nota divulgada nesta segunda.

Ao dizer ter sido favorável à CPMF, Marina Silva, segundo a assessoria, se refere à aprovação da lei que regulamentou a contribuição, em outubro de 1996. A lei detalhava o funcionamento do imposto e determinava que a alíquota de 0,2% passaria a ser cobrada em janeiro do ano seguinte.

No entanto, Dilma Rousseff se baseia em outra votação para dizer que Marina Silva foi contra a CPMF. A ex-senadora rejeitou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 40/1995) que instituiu a contribuição, em novembro de 1995. O texto autorizava a União a criar a CPMF, mas vinculava sua cobrança à aprovação de uma lei para regulamentá-la.

A assessoria de Marina Silva confirmou que a candidata foi contrária à PEC e justificou dizendo que o texto não definia claramente o destino dos recursos e possibilitava a distorção da finalidade da cobrança.

Dilma também acusa a candidata do PSB de ter sido contrária à prorrogação da vigência da CPMF, em 1999. Na ocasião, Marina votou a favor da proposta na comissão mista criada para analisá-la, mas foi contrária quando o texto chegou ao plenário porque os senadores aprovavam emendas que, em sua avaliação, desfiguraram a proposta inicial, diminuindo os recursos que seriam destinados ao Fundo de Combate à Pobreza, segundo a assessoria.

A campanha petista também diz que Marina Silva foi contrária à segunda proposta de prorrogação da CPMF, desta vez em 2002. A assessoria da ex-senadora, contudo, informou que ela não estava presente na votação em primeiro turno da PEC e que, no segundo turno, votou favoravelmente.

A proposta que prorrogaria pela terceira vez a CPMF foi derrotada pelo Senado em 2007, quando Marina Silva era ministra do Meio Ambiente. (G1 29/09/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Preço mais salgado: Os preços do açúcar iniciaram a semana mantendo a tendência dos últimos dias e fecharam em alta, diante de recompras técnicas e comerciais. Na bolsa de Nova York, os lotes para março de 2015 fecharam a 16,80 centavos de dólar por libra-peso, elevação de 24 pontos ante a sessão passada. Os baixos preços atraíram compradores e provocaram coberturas de posições vendidas por parte dos fundos. Além disso, a Tailândia deve entregar menos lotes na bolsa que o estimado, e há possibilidade de o açúcar do Centro-Sul do Brasil ser entregue. Isso reduziria o estoque interno no país, o que também deu suporte às negociações, segundo Bruno Lima, da FCStone. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 1,43%, para R$ 45,47 a saca.

Café: Incerteza com clima: Os preços do café arábica negociado na bolsa de Nova York encontraram mais um impulso ontem após um fim de semana com chuvas abaixo do esperado no Sudeste do Brasil. Os contratos de café para março de 2015 fecharam a US$ 1,954 a libra-peso, elevação de 515 pontos. Os mapas meteorológicos apontam para a possibilidade de chuvas nos próximos dias na região produtora, mas ainda de intensidade incerta. Por enquanto, as precipitações têm sido insuficientes para atenuar o déficit hídrico pelo qual passam os cafezais do país desde o início do ano e ainda há preocupações com possíveis prejuízos ao potencial produtivo da próxima temporada. No mercado doméstico, o preço do café de boa qualidade apurado pelo Escritório Carvalhaes ficou entre R$ 460 e R$ 470 a saca de 60,5 quilos.

Soja: À espera do USDA: A pressão sobre a soja negociada na bolsa de Chicago foi quebrada ontem por um reposicionamento dos investidores à espera de novos dados do USDA. Os lotes da oleaginosa com vencimento em janeiro fecharam a US$ 9,3225 o bushel, com alta de 13,50 centavos. Hoje, o órgão americano divulga estimativa para os estoques de passagem entre a safra 2013/14 e 2014/15, feita em 1º de setembro. Há expectativas de que o balanço tenha ficado em 3,53 milhões de toneladas. Apesar do volume historicamente baixo, analistas dizem que a expectativa serviu apenas para reposicionamento dos fundos, uma vez que a nova safra começa a entrar no mercado e o dado já tem pouco impacto. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca em Paranaguá caiu 1,04%, para R$ 61,17.

Trigo: Valorização nos EUA: As cotações do trigo subiram ontem nas bolsas americanas entre movimentos técnicos e preocupações pontuais com a oferta global. Em Chicago, os lotes para março de 2015 fecharam em US$ 4,94 o bushel, alta de 6,5 centavos. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento subiram 3,25 centavos, a US$ 5,7025 o bushel. Há preocupações com a Austrália, onde as plantações se desenvolvem em meio a um clima ainda seco. Já na Europa, o problema é o excesso de chuvas. Os traders também estão atentos à descoberta do USDA de uma variedade transgênica que foi utilizada em uma lavoura pela Universidade Estadual de Montana. No mercado interno, o preço médio do trigo no Paraná subiu 0,2%, para R$ 29,75 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 30/09/2014)