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Logo após as eleições, a Petrobras pretende retomar as negociações para a venda de sua participação no campo de Cuenca Astral, na província argentina de Santa Cruz.

A produção local é de aproximadamente 22 mil barris de petróleo por dia.

A operação pode chegar a US$ 350 milhões. Um dos candidatos é o empresário portenho Cristóbal López. (Jornal Relatório Reservado 02/10/2014)

 

Preço do açúcar cai 15% no mercado externo

A expectativa de redução de 10% safra de cana no Brasil não foi suficiente para impulsionar as cotações do açúcar no mercado internacional.

Os preços estão em queda e o valor já está 15% menor se comparado com mesmo período de 2013. O aumento de produção em outros países deixa o mercado com excesso de oferta, o que pressiona as cotações.

Da produção anual de 37 milhões de toneladas de açúcar, 60% são exportados. Segundo o trader da Sucden do Brasil, Eduardo José Sia, por enquanto, o mercado sinaliza com preços baixos.

"A tendência a curto e médio prazo, se confirmadas as novas safras internacionais, é de que os preços ainda continuem sob forte pressão, e se mantenham nos patamares atuais. Isto não é um fator otimista para o produtor brasileiro", diz.

Segundo o diretor da Job Economia, Julio Maria Borges, a esperança do setor é que o fim antecipado da colheita possa elevar as cotações. "A gente acredita que a partir de outubro essa percepção de mercado deve mudar", afirma.

A previsão da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) é que o Centro-Sul do Brasil produza 31,3 milhões de toneladas de açúcar em 2014/2015./Estadão Conteúdo. (Agência Estado 01/10/2014)

 

Preço médio do açúcar de setembro é o menor da safra 2014/15

Mesmo em meio às estimativas indicando menor produção de cana-de-açúcar para a atual temporada 2014/15, os preços da saca de 50 kg do cristal negociada no mercado spot paulista registraram, em setembro, a menor média desta temporada, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Desde o início oficial da safra, em abril/14, o açúcar vinha sendo negociado no mercado spot a preços superiores aos do ano passado, mas, em agosto/14, a média se igualou à do mesmo mês de 2013.

Em setembro, a média parcial do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq (estado de São Paulo) foi de R$ 44,75/sc de 50 kg, 1,73% menor que a de agosto/14 (R$ 45,54/sc de 50 kg) e 4,4% inferior à de setembro/13 (R$ 46,81/sc de 50 kg), em termos reais (valores corrigidos com base do IGP-DI de agosto/14). Segundo pesquisadores do Cepea, a redução nos preços nos spot pode estar associada à maior disponibilidade de açúcar branco nesta safra, ainda que a produção total tenha se retraído.

Nessa terça-feira, 30, o Indicador Cepea/Esalq fechou a R$ 45,57/sc de 50 kg, ligeira alta de 1% no acumulado do mês. Nos últimos dias, as chuvas verificadas nas regiões produtoras de cana do estado de São Paulo ocorreram em baixo volume, interrompendo por pouco tempo a moagem nas usinas. No geral, a oferta segue suficiente para atender à demanda, ao menos no curto prazo.

Quanto ao mercado internacional, as cotações voltaram a subir, influenciadas pela menor produção de cana no Brasil e também por notícias indicando aumento na demanda por açúcar na China. Pesquisadores do Cepea destacam que, esse cenário, atrelado à valorização do dólar frente ao Real, fez com que as exportações voltassem a ser mais vantajosas que as negociações no spot paulista, depois de aproximadamente um ano com o mercado nacional apresentando maior remuneração.

Cálculos do Cepea mostram que, de 22 a 26 de setembro, as exportações remuneraram 0,73% a mais que as vendas de açúcar no spot paulista. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 44,38/sc, as cotações do contrato com vencimento em março/15 da ICE Futures (Bolsa de Nova York) equivaleriam a um preço médio maior, de R$ 44,70/sc. Para esse cálculo, foram considerados US$ 71,76/t de fobização, US$ 65,00/t de prêmio de qualidade e R$ 2,4064 de dólar (CEPEA/ESALQ 01/10/2014)

 

Agronegócio é responsável por 50% do PIB de Mato Grosso, diz Imea

Dentre os estados brasileiros, MT é o que mais depende do agronegócio.

Cálculos do estudo foram feitos baseados em dados de 2007.

O Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio de Mato Grosso é de R$ 21 bilhões, conforme estudo do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), com dados referentes a 2007. O valor torna o agronegócio responsável por 50,46% do valor do PIB do estado, que é de R$ 41,5 bilhões no total.

Dentre os setores analisados, a agropecuária é responsável por 52,8% do PIB do agronegócio; a distribuição (logística, varejo) por 29,9%; a agroindústria por 11,8% e os insumos por 5,6%.

“A agroindústria e os insumos são os que menos geram riqueza no estado. A agroindústria do estado é pequena e, com relação aos insumos, o estado produz sementes, mas não produz fertilizantes e defensivos”, explica o superintendente do Imea, Otávio Celidônio. “Isso mostra a oportunidade de trazer indústrias para Mato Grosso, melhorando as condições de negócios no estado”, afirma.

Em comparação com outros estados, Mato Grosso é o que tem a maior participação do agronegócio no PIB. Em Santa Catarina, o percentual é de 46% (dados 2004), no Rio Grande do Sul é de 40,58% (dados 2003) e no Paraná é de 40% (dados 2004). “Se olharmos o agronegócio de outros estados, Mato Grosso é o estado que mais depende desse setor”, ressalta Celidônio.

Também foi verificado que o agronegócio mato-grossense desempenha um papel importante para as receitas públicas. Dos mais de R$ 3 bilhões de impostos indiretos gerados sobre a produção estadual em 2007, 54,2% foram oriundos do agronegócio (R$ 1,64 bilhões), sendo a maior parte com origem na agroindústria: R$ 957 milhões (58%).

No PIB brasileiro, a agropecuária é responsável por 24,4%, percentual menor que do estado, e a agroindústria por 32,2%, percentual maior que do estado. (G1 01/10/2014)

 

Queimadas e estiagem afetam safra de cana na região de Ribeirão Preto

SP registrou 2.981 incêndios em canaviais desde o início da safra, diz Unica. Proprietário afirma que teve 200 mil toneladas de cana perdidas com fogo.

As queimadas criminosas em canaviais e a estiagem prolongada afetam a safra de cana na região de Ribeirão Preto (SP). Segundo os produtores, a seca e o fogo destruíram várias plantações e agravaram ainda mais a crise econômica enfrentada pelo setor sucroalcooleiro. Os prejuízos devem comprometer também a preparação para a colheita de 2015.

Com balanço negativo, a moagem terminará em breve em uma usina de Pitangueiras (SP). A expectativa dos proprietários era chegar a 2,7 milhões de cana, mas a colheita vai ser menor que o previsto. “Vamos perder até 15% da produtividade e também na qualidade da matéria-prima”, afirmou o diretor da empresa, Antonio Tonielo Filho. Segundo ele, 200 mil toneladas de cana foram atingidas por queimadas criminosas.

Segundo a União da Indústria da Cana de Açúcar (Única), do início da safra até agora, São Paulo registrou 2.981 focos de queimadas em canaviais, número 140% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado.

Dessas queimadas, 5% atingiram áreas de plantação com cana antes de atingir a maturação ideal para o corte. “Afeta bastante a nossa produtividade porque você mata e pega ou a chamada cana planta ou cana brota, afetando a cana para o ano que vem, que automaticamente são atingidas porque não conseguimos controlar esse fogo”, comentou Tonielo Filho.

Queimada proibida

As usinas de São Paulo já colhem 85% da produção com máquinas e só usam o fogo para o corte da cana feito por trabalhadores, somente das 20h às 6h. As queimadas criminosas, segundo o diretor técnico da Única, Antonio de Pádua Rodrigues, também elevam os prejuízos dos produtores de açúcar e álcool. “Têm gastos com advogados, processos judiciais e pendências enormes, tanto com a Polícia Ambiental como com a Cetesb [Companhia Ambiental do estado de São Paulo], sobre um fogo criminoso, que não é de sua responsabilidade, mas que foi em sua propriedade e deverá responder por isso”, disse. As multas para queimadas não autorizadas em canaviais pela Secretaria de Meio Ambiente podem chegar a R$ 10 mil.

De acordo com Rodrigues, a chuva que começou a atingir a região no início da primavera e que provocou uma queda no ritmo da estiagem não deve ajudar na recuperação. “Se a chuva se mantiver pode haver uma melhora na produtividade da próxima safra, mas têm outros fatores que vão jogar a produção para baixo, principalmente a área que foi queimada, além do período de manejo, já que não houve plantio entre fevereiro e abril deste ano porque não houve chuva”, explicou.

Crise acentuada

Segundo o consultor de agronegócios da Universidade de São Paulo (USP), José Carlos de Lima Júnior, as queimadas e o tempo seco vieram agravar a situação enfrentada pelo setor desde 2008. “Teve um baixo investimento a partir de 2008, com a crise econômica, e os investimentos em insumos também diminuíram após três anos de problemas climáticos. Em 2012 estiagem fora de época, em 2013 chuva acentuada e 2014 com seca”, comparou o pesquisador.

Pelo consumidor, o aumento no etanol deve ser sentido a partir do próximo ano, segundo Lima Júnior. “Vamos ser penalizados pela lei da oferta e demanda e temos baixa oferta do produto, além do que em 2015 está previsto um aumento no valor da energia elétrica e no petróleo, e a partir do momento que a gasolina aumenta, o etanol é reajustado por tabela”, afirmou. (G1 30/09/2014)

 

Demanda de recursos para estocagem de etanol atinge 100% do BNDES PASS

Foram formalizados 65 pedidos, com valor médio de R$ 31 milhões cada.

Objetivo do programa é dar fôlego às empresas produtoras, permitindo que elas carreguem seus estoques de etanol ao longo da safra.

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) informou nesta quarta, dia 1º de outubro, que os R$ 2 bilhões do Programa BNDES de Apoio ao Setor Sucroalcooleiro (BNDES PASS) foram utilizados em sua totalidade. Foram aprovadas ou contratadas até agora operações no valor de R$ 1,886 bilhão (94,3% do orçamento do programa), e outras, que somam R$ 114 milhões, estão em análise.

De acordo com o banco, em nota, os recursos totais do BNDES PASS equivalem a uma capacidade de retenção de estoques de cerca de 1,33 bilhões de litros de etanol anidro ao longo do período final de safra e entressafra – de dezembro deste ano até março de 2015. O cálculo leva em conta preço de anidro ao produtor de R$ 1,50 o litro.

O objetivo do programa é dar fôlego às empresas produtoras, permitindo que elas carreguem seus estoques de etanol de uma forma mais adequada ao longo da safra, sem causar depreciação nos preços do combustível neste período – afirma o BNDES.

Foram formalizados no âmbito do BNDES PASS 65 pedidos de financiamento, com um valor médio de R$ 31 milhões por pedido. Destes, 60 pedidos já foram aprovados e contratados e 5 estão em análise, devendo ser submetidos à diretoria do banco ainda no início deste mês. As liberações também estão previstas para serem processadas em outubro. (Rural BR 01/10/2014 às 18h: 21m)

 

Com demanda acelerada setor esgota linha de R$ 2 bi para estocagem de etanol

O setor sucroalcooleiro esgotou com cinco meses de antecedência os recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para o financiamento da estocagem de etanol. Com vigência programada até fevereiro de 2015, a linha já atingiu o comprometimento total do orçamento de R$ 2 bilhões e, desde o dia 19 de setembro, foi preciso suspender o protocolo de novos pedidos de financiamento.

A demanda foi mais acelerada do que em edições anteriores do Programa de Apoio ao Setor Sucroalcooleiro (PASS), mas o chefe do departamento de biocombustíveis do BNDES, Carlos Eduardo de Siqueira Cavalcanti afirma que já era esperado o comprometimento total dos recursos disponibilizados.

A ampliação da capacidade de armazenagem do biocombustível ajuda a reduzir a volatilidade de preço e contribuir para a manutenção da oferta de etanol durante os meses em que a produção é paralisada, na entressafra canavieira.

Cavalcanti avalia que “o setor precisa de linhas de financiamento competitivas” e o PASS se mostrou “um instrumento eficaz para dar fôlego financeiro para que as empresas possam enfrentar a safra de maneira adequada, sem que isso se reflita no aviltamento do preço etanol”.

Em outras linhas oferecidas pelo banco não é incomum a reclamação do setor sobre a dificuldade de acesso aos recursos, que acabam não sendo demandados em sua totalidade. É o caso do ProRenova que financia a renovação e implantação de canaviais e em 2012 e 2013 teve uma carteira abaixo da dotação.

O gerente do departamento de biocombustíveis Artur Yabe, afirma que a demanda mais acelerada desta edição do PASS está atrelada à quebra de safra e o consequente encurtamento da colheita de cana. “O recurso está sendo acessado no tempo correto. Com a safra acabando mais cedo as usinas vão precisar estocar mais cedo. Está dentro do que se esperava e é natural que este ano tenha ocorrido dessa forma”, pontua.

Mais 1,33 bilhões de litros em estocagem

O banco não revela o volume de estocagem que foi viabilizado através da linha, mas é possível ter uma estimativa utilizando os preços de referência do etanol combustível.

O BNDES define que o valor do financiamento equivale ao volume de etanol objeto da operação multiplicado pelo preço de referência, que é de R$ 1,50 para o litro de etanol anidro e de R$ 1,35 para o hidratado. Considerando uma média entre os preços, os R$ 2 bilhões financiaram a estocagem de aproximadamente 1,4 bilhão de litros do biocombustível. Esse volume é suficiente para atender 73% da demanda mensal de etanol no Brasil, considerando a média de consumo nos oito primeiros meses de 2014, de 1,9 bilhão de litros/mês.

Se considerada a destinação total do orçamento para armazenar o etanol misturado à gasolina, os recursos equivalem a uma capacidade de retenção de estoques de cerca de 1,33 bilhões de litros de etanol anidro. O volume corresponde a quase 40% do consumo de anidro na entressafra. Conforme o banco, esse impacto “é bastante significativo, se este volume for comparado ao consumo total de etanol anidro no período de dezembro de 2013 a março de 2014, situado em 3,6 bilhões de litros”.

Destino dos recursos

A maior parte dos recursos ficou concentrada nos três principais estados produtores de cana-de-açúcar. Foi demandado por São Paulo 63% do orçamento, Minas Gerais respondeu por 12%, Goiás por 8% e o restante distribuído entre os demais estados produtores.

O PASS atende tanto ao setor produtivo, quanto ao de comercialização e distribuição, no entanto, somente uma das empresas contempladas não tem ligação com o setor canavieiro.

Para a área de comercialização e distribuição foram destinados R$ 950 milhões. A Copersucar, trading com 47 usinas associadas e 50 parceiras, ficou com maior a parte destes recursos tendo recebido R$ 500 milhões. A segunda maior parcela ficou com a Raízen Combustíveis, braço de distribuição da gigante que detém 24 usinas, que recebeu R$ 400 milhões. Os R$ 50 milhões restantes foram contratados pela única estranha no ninho, a empresa distribuidora de combustíveis AleSat.

Em conversa com o portal novaCana, Cavalcanti e Yabe observaram que, embora a Copersucar e a Raízen Combustíveis não sejam produtoras de etanol, indiretamente estes recursos beneficiam a estocagem do setor produtivo através da quase uma centena de unidades a que estas empresas estão relacionadas.

Outros R$ 1,05 bilhão foram distribuídos de forma mais pulverizada para o setor produtivo entre usinas, destilarias e cooperativas de produtores. O banco não revelou quais foram as empresas beneficiadas, mas, como o portal novaCana noticiou, uma das operações foi realizada pelo grupo São Martinho. Em agosto a companhiaaprovou a contratação de R$ 56 milhões do PASS.

Apenas 5,7% dos recursos ainda estão sob análise

Ao todo foram 65 solicitações de financiamento encaminhadas, com um valor médio de R$ 31 milhões por pedido, das quais 60 já estão aprovadas e cinco estão em etapa final de análise. Entre as contratações pendentes apenas uma é superior a R$ 50 milhões e por isso depende da avaliação do BNDES, que está concluindo o processo. As demais operações, inferiores a R$ 50 milhões, são automáticas e já chegam pré-aprovadas pelas instituições financeiras credenciadas, sendo então remetidas para a aprovação da diretoria do BNDES.

Entre financiamentos aprovados e contratados já foram destinados R$ 1,886 bilhão, 94,3% do orçamento total, restando apenas R$ 114 milhões, equivale 5,7%, em processo de análise que deve ser completado ainda no início de outubro, com as liberações começando a ser processadas nesse mesmo mês.

“Essas operações sendo aprovadas ou contratadas vão ser processadas agora em outubro e serão importantes para fazer esse papel anticíclico no abastecimento [com o aumento da estocagem na entressafra]”, completou.

Próxima edição

Para 2015 ainda não há informações sobre a reedição da linha ou expectativa de dotação orçamentária. Os responsáveis pelo Departamento de Biocombustíveis afirmaram que em edições anteriores o PASS foi definido somente entre janeiro e março e, portanto, o debate sobre sua continuidade deve ficar para os primeiros meses de 2015.

“Historicamente esse tipo de pauta começa a tomar forma no início do ano, no período de entressafra quando o setor vai estar avaliando medidas preventivas para o ano seguinte”, justificou Cavalcanti. (Nova Cana 01/10/2014)

 

Programa de estocagem de etanol tem boa procura

A edição de 2014 do " BNDES PASS", programa do banco de fomento voltado a financiar a estocagem de etanol, teve demanda para toda a sua dotação orçamentária de R$ 2 bilhões. Em comunicado, o BNDES ressaltou que o desempenho confirmou as expectativas iniciais. Ao todo, já foram aprovadas ou contratadas operações no valor de R$ 1,886 bilhão, ou 94,3% do orçamento do programa. Estão em análise operações que somam R$ 114 milhões.

Os recursos totais do BNDES PASS, se considerado o preço de R$ 1,50 por litro de etanol anidro pago ao produtor, equivalem a uma capacidade de retenção de estoques de 1,33 bilhão de litros do biocombustível que misturado à gasolina ao longo do intervalo que envolve fim de safra e entressafra - do mês de dezembro deste ano até março de 2015.

"O impacto do programa é bastante significativo, se esse volume for comparado ao consumo total de etanol anidro no período de dezembro de 2013 a março de 2014, situado em 3,6 bilhões de litros", informa o comunicado divulgado ontem pelo banco.

O objetivo do programa lançado pelo governo é dar fôlego às empresas produtoras de etanol. Com os recursos disponíveis, as usinas têm a possibilidade de carregar seus estoques de etanol de uma forma mais adequada ao longo da safra, de forma a evitar uma queda dos preços do biocombustível nesse período.

Foram formalizados no âmbito do programa 65 pedidos de financiamento, com um valor médio de R$ 31 milhões por pedido. Do total, 60 já foram aprovados e contratados e cinco estão em análise e deverão ser submetidos à diretoria do BNDES nos próximos dias. As liberações começarão a ser processadas ainda neste mês. (Valor Econômico 02/10/2014)

 

Com real fraco, defasagem da gasolina sobe em setembro

Puxada pela desvalorização do real ante o dólar, a defasagem dos preços internos da gasolina frente ao mercado internacional subiu significativamente ao longo de setembro. Nas contas da equipe de pesquisa de América Latina para os setores de óleo e gás do Credit Suisse Investment Banking, essa diferença aumentou para 21% no fim de setembro. No início do mês, a defasagem era de 10%. Já a Tendências Consultoria avalia que a defasagem chegou a 28%. A consultoria leva em conta, no entanto, a média dos preços do mês.

No caso do diesel, diz a equipe do Credit Suisse, a defasagem avançou para 10%, ante uma diferença de 7% entre preços apresentada no início de setembro. Para a Tendências, essa é diferença é menor, de 6,9% na média do mês. Em relatório enviado a clientes, a equipe do Credit Suisse Investment Banking, aponta a depreciação do real como a maior responsável pelo aumento significativo da defasagem nas últimas semanas, compensando os efeitos do recuo dos preços do petróleo no mercado internacional. A equipe calcula ainda que a cada 10% de desvalorização do real o lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da Petrobras é reduzido em US$ 5 bilhões ao ano - ou o equivalente a uma queda de 16%.

Alessandra Ribeiro, economista da Tendências, descarta um reajuste dos preços da gasolina ainda neste ano. Para ela, no caso de continuidade do governo atual, não haveria esse espaço, pois a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerraria o ano acima do teto da meta, de 6,5%. Em 12 meses, até agosto, o IPCA sobe 6,51%. Da mesma forma, ainda que a oposição fosse eleita, diz ela, faltaria incentivo ao governo atual para antecipar uma parte do ajuste, que, de qualquer forma, aceleraria preços já sob pressão.

Na visão de boa parte do mercado, a economia perdeu mais com a política de controle de preços dos combustíveis do que se os reajustes tivessem sido dados nos momentos oportunos. Da parte do governo, o temor com relação à inflação barrou a recomposição de preços e afetou a Petrobras. O setor de álcool também foi duramente atingido, ao ter que lidar com a gasolina subsidiada.

Em 2013, na conta de especialistas, a defasagem de preço da gasolina doméstica chegou a dezembro perto de 24%, já incorporados reajustes dados ao longo do período. Se ela fosse corrigida, a inflação teria fechado o ano acima de 6,5%, e não em 5,9%. Naquele ano, a União deixou de arrecadar mais R$ 11,5 bilhões por ter reduzido a zero a alíquota da Cide. (Valor Econômico 02/10/2014)

 

Cosan Logística estréia na bolsa após acionistas aprovarem cisão

Os acionistas da Cosan Indústria e Comércio aprovaram ontem em assembléia geral extraordinária a cisão dos ativos de logística da companhia. Eles serão incorporados pela recém-criada Cosan Logística, que será lançada hoje na bolsa e já é alvo de cálculos de preços pelo mercado.

Na BM&FBovespa, o papel terá o código de RLOG3. O preço de abertura, diz a empresa, "refletirá a proporção relativa de 10,53% aplicado ao preço de fechamento da ação da Cosan" ontem. Por isso, a Cosan Logística deve abrir o pregão a R$ 3,92.

Com a nova companhia, os atuais donos dos papéis da Cosan passarão a ter duas opções diferentes para investimento: a Cosan (também chamada de Cosan Energia pelos diretores do grupo) e a Cosan Logística, ambas listadas em bolsa.

A separação dos ativos e incorporação deles pela nova empresa é um passo para o grupo receber a participação na empresa de ferrovias América Latina Logística (ALL), ainda não efetuada. Segundo os diretores, a cisão servirá para que o mercado tenha mais clareza ao investir nos negócios da companhia daqui em diante.

O valor da parcela cindida, de acordo com laudo de avaliação contratado pela Cosan, corresponde a R$ 1,059 bilhão. Com isso, o valor da Cosan diminuirá de R$ 4,691 bilhões para cerca de R$ 3,632 bilhões.

A Cosan Logística nasce com apenas uma controlada: a Rumo Logística. Mas, no futuro, deve contar também com a participação na ALL - que ainda precisa de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Caso a fusão seja realmente aprovada, a participação da Cosan na Rumo diminuiria de 75% para 27,4% - abrindo espaço para os acionistas da ALL, que terão 63,5% da "nova Rumo". Cosan e os atuais sócios dela na Rumo (TPG e Gávea) terão a maioria do conselho de administração da Rumo: onze dos 17 membros.

E o modelo societário da Cosan Logística pode passar por nova reorganização. Em fevereiro, os diretores da Cosan já informaram que a Rumo fará abertura de capital (após o aval do Cade) para incorporar a ALL, como determina a legislação brasileira. Após o processo de abertura, a Rumo pode receber ainda novo aporte de capital, já que, segundo informou na época Marcos Lutz, presidente da Cosan, o grupo cogita fazer uma emissão de ações para atrair um "investidor estratégico" para a empresa.

De qualquer forma, o mercado já calcula os valores justos no futuro para cada companhia. "A análise detalhada do 'valuation' resulta na nossa preferência pela Cosan Energia, dada a fundação sólida e a resiliência de alguns dos principais segmentos e também por conta de catalisadores mais claros e da maior visibilidade relativamente à Cosan Logística neste momento", escreve o analista Valder Nogueira, do Santander, em relatório desta semana.

Segundo ele, o Ebitda de logística será de apenas 6,7% do total da companhia. "Nossos preços-alvo implícitos para o final de 2015 são de R$ 44,40 (potencial de alta de 26%) para Cosan Energia (todos os ativos atuais exceto a participação na Rumo) e de R$ 6,20 (potencial de alta de 34%) para Cosan Logística (já considerando a incorporação da ALL pela Rumo)", diz. "A nosso ver, o mercado ajustará o preço da Cosan Logística inicialmente olhando o valor implícito da Cosan Logística no valor da ação da ALL", afirma. (Valor Econômico  02/10/2014)

 

Mais dez anos de expansão do campo no país

Ainda são contínuos e expressivos os avanços previstos pelo governo para as ofertas dos carros-chefes do agronegócio brasileiro no longo prazo, conforme projeções atualizadas pela Assessoria de Gestão Estratégica do Ministério da Agricultura.

Em seus cálculos mais conservadores, o estudo aponta, por exemplo, que da safra 2013/14 (já encerrada) até o ciclo 2023/24, a área plantada de grãos deverá aumentar 17,8% no país, para 67 milhões de hectares. A produção, por sua vez, tende a avançar mais na comparação (30,4%) e chegar a 252,4 milhões de toneladas, em uma conta que embute um desejável ganho de produtividade.

A soja deverá manter sua posição como produto mais importante do setor no país, com projeções de incrementos de área e produção. Em 2023/24, a cultura poderá ocupar 40,4 milhões de hectares, 34% mais que em 2013/14, e a colheita poderá registrar alta de 37%, para 117,8 milhões de toneladas.

Também são positivas as estimativas do ministério para as ofertas de algodão, arroz, milho, trigo, cana, café, leite, açúcar, laranja e carnes bovina, suína e de frango. (Valor Econômico 02/10/2014)

 

Novo vídeo da campanha "Etanol, o combustível completão", lançado no intervalo do Fantástico

A Unica lançou no último domingo (28/09), durante o primeiro break do programa Fantástico da Rede Globo, uma nova fase da campanha publicitária “Etanol, o combustível completão.” Focada principalmente no estado de São Paulo, a ação tem como objetivo reforçar os impactos positivos do etanol para a economia e o meio ambiente, e incentivar seu consumo.

A campanha

Com o slogan “Coloca Etanol; o combustível completão”, já utilizado nas fases anteriores da campanha e que intensifica o posicionamento do biocombustível e seus inúmeros benefícios; a estratégia de comunicação é composta por um filme de 30” para TV aberta e a cabo, patrocínio de programas de televisão e rádio, jingle marcante, ações online e presença em redes sociais.

Com um tom leve e uma linguagem bem-humorada, o filme mostra um pai dirigindo com seus dois filhos no banco traseiro do carro. De repente, em uma rua tranquila, o automóvel para sozinho, as portas travam automaticamente e o computador de bordo começa a conversar com eles, como se fosse a consciência do carro. Ela incentiva a escolha do etanol no abastecimento do veículo como uma opção inteligente e reforça todas as vantagens do produto. Até os carros de hoje, cheios de tecnologia, já sabem quanto o etanol é melhor. (ÚNICA 01/10/2014)

 

Improvisos e falta de clareza atrapalham busca por combustível melhor.

A política de combustíveis no Brasil continua errática e com alto grau de improvisação. Exemplo mais recente é a lei já aprovada que autoriza o aumento do teor de etanol anidro de 25% para 27,5%, desde que testes comprovem viabilidade técnica. Uma lei condicional! Não seria mais lógico primeiro fazer todas as avaliações e, se aprovada a nova mistura, então encaminhar projeto de lei ao Congresso Nacional?

Motores modernos têm condição de lidar com esse aumento de mistura sem problema de partida a frio ou falhas de aceleração. Os testes conduzidos pela Petrobras deverão indicar isso, mas ninguém deu atenção aos motores antigos com carburador ou injeções de combustível de primeira geração.

Além disso, o consumo pode aumentar marginalmente. A gasolina padrão prevista no Inovar-Auto, que determina os limites de emissões e metas de eficiência energética, contém apenas 22% de etanol. Com 25%, o motorista já perde um pouco em consumo; com 27,5%, mais ainda.

De um lado, regra da gasolina 100% aditivada é adiada para 2015; do outro, governo autoriza aumento do teor de etanol para 27,5%

FÁBRICAS ACOMODADAS, GOVERNO ATRAPALHADO

O governo tem feito trapalhadas. Em meados do ano, resolveu estimular a melhoria relativa de consumo/autonomia entre etanol e gasolina em motores flex, porque a indústria se acomodou e hoje mal consegue manter a paridade esperada de 70%. A nova lei sinaliza apenas que "poderá" haver abatimento de imposto para veículos que alcançarem relação acima de 75%.

Com a tendência de aplicação de turbocompressor, particularmente ótimo em motores flex, por aproveitar bem melhor as características químicas do etanol, não seria difícil atingir a meta, embora a custo maior. Porém, enquanto não for divulgado quanto cairia o imposto e se o incentivo vale por versão, modelo ou média de tudo que produz, nenhuma fábrica vai se mexer. Algumas estão até contrariadas, em especial as que, por pura miopia, têm motores bicombustível com desempenho sofrível quando bebem etanol.

MELHORIAS À FRENTE

No recente Seminário Internacional de Combustíveis, organizado pela AEA em São Paulo, ficou explícita a discórdia entre governo, agência reguladora (ANP) e Petrobras -- a responsável, na prática, por toda a gasolina vendida no país. Em dezembro de 2009, decidiu-se que o Brasil passaria a trabalhar só com gasolina aditivada em janeiro deste ano, assim como na maioria dos países com grandes frotas. A proposta não foi concretizada e acabou adiada para julho de 2015. Ou seja: uma finge que regulamenta e a outra finge que não entende.

De qualquer forma, a atual gasolina S50 (50 ppm de enxofre), de melhor qualidade e obrigatória desde 1º de janeiro último, evoluirá dentro de menos de um ano (se não houver outro atraso), graças a aditivos detergentes e dispersantes para limpar e manter limpos injetores, válvulas, câmaras de combustão e coletores. Além de tentar prever a forma como o mercado reagirá a uma gasolina 100% aditivada, o seminário também debateu a qualidade mínima desses aditivos, os riscos de uso em excesso e a descontaminação das estruturas de transporte.

As distribuidoras deverão se preparar para uma guerra de comunicação ainda maior em meados do próximo ano. Há aditivos específicos de redução de atrito entre pistões e cilindros, com potencial de discreta melhora de desempenho e até de consumo, que se somam aos aditivos detergentes-dispersantes. Cada uma terá de convencer o consumidor que a sua gasolina é superior à do concorrente. (UOL Economia 01/10/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Estoques ainda altos: Os preços do açúcar demerara recuaram ontem na bolsa de Nova York diante da percepção de estoques ainda elevados no mundo e sob pressão da alta do dólar. Os lotes para maio de 2015 fecharam a 16,36 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 33 pontos. As entregas dos lotes de outubro foram as menores desde 2011, o que sinaliza que a demanda pode voltar em breve. Além disso, a Tailândia também conseguiu vender volume significativos de seu produto no mercado físico. Porém, analistas avaliam que ainda há muito açúcar disponível entre vendedores e compradores. "O cenário de médio prazo que existia antes da entrega permanece", avalia Bruno Lima, da FCStone. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo caiu 0,24%, para R$ 45,46 a saca de 50 quilos.

Café: Chuva e especulação: O mercado do café rompeu ontem a barreira "psicológica" dos US$ 2 por libra-peso na bolsa de Nova York com especulações sobre potenciais prejuízos para a safra 2015/16 por causa do clima seco no Brasil. Os lotes do arábica para março de 2015 fecharam a US$ 2,045 a libra-peso, avanço de 705 pontos. Não há previsão de chuvas significativas para a região produtora do país nos próximos dias. Se a estiagem se prolongar em outubro, as floradas ocorridas até agora podem em parte ser abortadas. O clima de incerteza está deixando os produtores mais retraídos, reduzindo a oferta imediata e abrindo espaço para a especulação dos fundos. No mercado interno, o preço do café de boa qualidade apurado pelo Escritório Carvalhaes foi negociado entre R$ 480 e R$ 490 a saca de 60,5 quilos.

Cacau: Forte queda: A disparada dos preços do cacau nas últimas duas semanas não se sustentou. Ontem, os contratos da amêndoa para março de 2015 negociados na bolsa de Nova York fecharam com queda de US$ 117, a US$ 3.142 a tonelada. Os fundos especulativos buscaram realizar os lucros de setembro. Os temores de um avanço do ebola sobre os países produtores na África não se concretizaram até o momento, tirando o "prêmio de risco" sobre os negócios. Houve pressão também da Costa do Marfim, onde as entradas de cacau nos portos subiram para 1,7 milhão de toneladas em 2013/14. Além disso, o governo marfinense aumentou o preço mínimo de intervenção, o que pode elevar a entrada de recursos no mercado local. Internamente, a arroba em Ilhéus/Itabuna caiu para R$ 113, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Movimento técnico: Os preços do algodão subiram ontem na bolsa de Nova York, recuperando-se do menor patamar em cinco anos registrado no fechamento de terça-feira. Os lotes para dezembro fecharam com alta de 79 pontos, a 62,16 centavos de dólar por libra-peso. A valorização foi mais de caráter técnico, em um movimento dos fundos de recompra de posições, do que impulsionada pelos fundamentos. Os estoques globais continuam elevados e ainda há um sentimento "baixista" no mercado por causa da indicação da China de redução das importações em 2015. A alta do dólar no mercado também reduz o potencial de valorização dos futuros da pluma. No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para o algodão com pagamento em oito dias caiu 0,33%, para R$ 1,6661 a libra-peso. (Valor Econômico 02/10/2014)