Setor sucroenergético

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Fundos de private equity de olho no setor de açúcar e etanol

A recente captação bilionária de recursos para novos fundos de private equity por instituições como BTG Pactual, Gávea, Pátria e GP já movimenta o mercado que olha para o longo prazo.

Um setor específico tem capturado o olho dos gestores – o de açúcar e álcool. As conversas entre as partes já começaram. A avaliação é que o setor vai crescer, seja quem for eleito presidente. (Veja.com 02/10/2014)

 

Dívida do setor sucroenergético chega a R$ 68 bi

O presidente da Datagro, Plínio Nastari, disse nesta quinta-feira, 2, que a dívida do setor sucroenergético passou de R$ 3,5 bilhões no início dos anos 2000 para R$ 68 bilhões agora.

O endividamento é resultado da perda de competitividade do etanol ante a gasolina e da crise enfrentada pelas usinas desde a crise do crédito de 2008.

"A solução (para reverter essa situação) passa por um mecanismo automático de reajuste de preço da gasolina e que seja duradouro", disse Nastari, que participa nesta quinta-feira de seminário promovido pelo Demarest Advogados, em São Paulo.

"A solução (para reverter essa situação) passa por um mecanismo automático de reajuste de preço da gasolina e que seja duradouro"

Segundo ele, os subsídios dados pelo governo ao combustível fóssil chegam, atualmente, a 16% do valor do produto. Indagado se o setor já passou pelo seu pior momento na atual crise, o presidente da Datagro apenas frisou que "é difícil dizer", pois dependerá da redução dos estoques mundiais de açúcar e da consequente elevação do preço da commodity. (Agência Estado 02/10/2014)

 

Unica não manifestará apoio a candidatos no 2º turno

A presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, disse nesta quinta-feira, 02, ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que a Unica não irá declarar apoio a nenhum candidato à Presidência da República, caso haja segundo turno. "Há opiniões pessoais, mas nós, enquanto entidade, não vamos declarar apoio a ninguém", comentou ela minutos antes de seminário sobre o setor promovido pela Demarest Advogados, em São Paulo. O primeiro turno das eleições será realizado no próximo domingo, 05, e a Única também não declara em quem vai votar.

Apesar da neutralidade da Unica, o setor de distanciou da candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff, e se aproximou da oposição. Em abril, o Broadcast revelou que os nomes considerados eram os do senador mineiro Aécio Neves (PSDB), e o do ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), morto em acidente aéreo em agosto. Desde então, também passou a ter maior interlocução com Marina Silva, que sucedeu Campos na chapa do PSB.

Recentemente, o presidente do Conselho Deliberativo da Unica, ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, declarou apoio ao presidenciável Aécio Neves durante entrevista ao Broadcast. "Essa é a opinião dele enquanto pessoa, até porque ele é presidente de outros conselhos", comentou Farina.

Projeto Agora

A presidente da Unica informou ainda que o Projeto Agora poderá voltar a funcionar neste mês de outubro, com uma "estrutura menor". Criado em 2009, o projeto tinha por objetivo fomentar a comunicação e o marketing do setor sucroenergético, mas acabou sendo suspenso em maio pela Unica, durante uma reestruturação orçamentária. (UNICA 02/10/2014)

 

Antecipação do fim da safra de cana pode afetar 35 mil trabalhadores em SP

O encerramento precoce da safra de cana-de-açúcar 2014/15 afetará 35 mil trabalhadores em São Paulo, seja com demissão antecipada ou com redução de benefícios, de acordo com a Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas paulista (Fequimfar), cuja base reúne 100 usinas no Estado.

"Se considerarmos a área rural, podemos falar em 200 mil pessoas que têm seus direitos, de alguma forma, ameaçados neste ano", afirmou ao Broadcast o secretário-geral da entidade, Edson Bicalho. "O cenário é extremamente preocupante", disse, ressaltando que, além da safra menor, é preciso considerar as dificuldades que o setor enfrenta nos últimos anos por causa da perda de competitividade do etanol.

A expectativa é de que cerca de 70% das unidades produtoras de São Paulo terminem a moagem de cana em outubro, até dois meses antes do período normal. Essa perspectiva deve-se à falta de matéria-prima para ser processada, reflexo da forte estiagem no início do ano, que comprometeu o desenvolvimento dos canaviais. O fim antecipado da safra deve alongar o período em que as usinas ficarão paralisadas, já que a moagem da próxima temporada tende a começar somente entre março e abril do ano que vem. "Para as usinas, não compensa segurar o pessoal sem produzir durante uma entressafra de até seis meses", explicou Bicalho, lembrando que o espaço entre os ciclos de moagem fica, geralmente, entre dois e três meses. "Nossas maiores preocupações são com o 13º (Salário) e férias."

Além disso, "(o setor em) São Paulo tem uma grande parcela de migrantes, que vêm do Nordeste, do Norte", ressaltou Braz Albertini, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetaesp). As preocupações são de que esses pessoas retornem aos seus Estados de origem com recursos bem menores do que os inicialmente previstos. "Há uma parcela que fica (em São Paulo), mas a maioria volta."

Crise

Para especialistas ouvidos pelo Broadcast, a severa estiagem neste ano complicou ainda mais a situação do setor, já que existem outros fatores que vêm afetando os empregos em usinas há alguns anos, como a perda de competitividade do etanol e a mecanização das lavouras.

"Em 2007, 41,7% da área colhida em São Paulo foi de forma mecânica, com estimativa de 210 mil cortadores de cana. Agora, a mecanização é de 81,3%, e o número de cortadores caiu para 70 mil", disse Carlos Fredo, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. A mecanização dos trabalhos de corte se expandiu com força justamente a partir de 2007, quando foi firmado o Protocolo Agroambiental do Estado de São Paulo. Pelo documento, a queima da palha de cana deveria ser eliminada até 2014 em terrenos que permitem a operação de máquinas. No restante dos locais, o prazo vence em 2017.

Para um representante das usinas que não quis se identificar, todos esses fatores podem fazer com que o setor feche 2014 com o pior desempenho em termos de emprego desde a crise do final dos anos 1990, provocada pela superprodução de cana e derivados.

Em todo o Centro-Sul, a seca deve reduzir em 9% o volume de cana processada, de 597 milhões de toneladas em 2013/14 para 546 milhões de toneladas agora, de acordo com a Unica. A respeito do impacto da estiagem sobre os empregos em usinas, a entidade preferiu não comentar. (Agência Estado 02/10/2014)

 

Commodities em queda

Os economistas do Itaú que avaliam commodities revisaram para baixo as projeções de preço desses produtos. A queda neste ano é consistente e com fundamentos, segundo eles.

O ICI (Índice de Commodities Itaú) já recuou 15,5% neste ano e essa queda ocorre devido à combinação de surpresas na oferta global, dólar forte e crescimento econômico global em ritmo menor.

O índice de commodities da RC Consultores também aponta para novas quedas nos preços das commodities. É o terceiro mês seguido de recuo e o índice de setembro é 11% inferior ao pico registrado no final de junho. (Folha de São Paulo 03/10/2014)

 

Excesso de oferta derruba preço do etanol nos EUA e lucros do setor caem

Uma alta na oferta derrubou os preços do etanol nos Estados Unidos para os níveis mais baixos dos últimos quatro anos e reduziu os lucros de um setor que havia registrado ganhos robustos na maior parte do ano. Os futuros de etanol despencaram 28% em setembro, já que o recuo da demanda doméstica deixou os produtores americanos com seu maior estoque em mais de um ano. Os estoques em setembro atingiram seu nível mais alto desde março de 2013, segundo o Departamento de Informação sobre Energia dos EUA (EIA, na sigla em inglês). Embora a demanda pelo biocombustível, junto com a da gasolina no qual é misturado, normalmente caia após o verão americano, o recuo neste ano foi pronunciado.

"A demanda por gasolina despencou no início de setembro e a do etanol caiu junto", diz Geoff Cooper, vice-presidente sênior da Associação de Combustíveis Renováveis, que reúne fabricantes de etanol. Nos EUA, o etanol é produzido a partir do milho. Apesar do susto, o setor está acostumado à volatilidade e já enfrentou obstáculos maiores. Em 2012, muitos fabricantes tiveram perdas enormes e alguns deixaram de produzir etanol depois que os preços do milho saltaram para níveis recorde devido a uma grave seca nos EUA. Em 2008, várias empresas de etanol pediram recuperação judicial em face de uma alta semelhante.

A cotação das ações de algumas fabricantes de etanol caiu recentemente após apresentarem fortes altas no início do ano. As ações da Green Plains Inc., uma das maiores produtoras americanas, caíram 16% em setembro.

Para os consumidores americanos, a queda nos preços do etanol pode significar uma pequena economia no posto de gasolina, dizem analistas. A maior parte da gasolina americana contém no máximo 10% de etanol, fruto de uma exigência federal a partir de 2000 que elevou o percentual do aditivo na gasolina. O etanol é há muito considerado benéfico ao meio ambiente, além de ajudar a reduzir a dependência dos EUA do petróleo importado.

Mas os preços mais baixos do etanol são ruins, no curto prazo, para o deprimido mercado de milho americano. Os fabricantes de etanol estão começando a reduzir a produção em resposta às menores margens de lucro. Os produtores de milho esperavam que os fabricantes de etanol, que consomem mais de 33% da produção anual de milho dos EUA, pudessem ajudar a elevar os futuros do grão, que na terçafeira recuaram para o menor nível em cinco anos.

O setor de etanol nos EUA, que movimenta US$ 44 bilhões por ano, enfrenta ainda outros desafios. A Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) está avaliando a proposta de reduzir a exigência de mistura do etanol na gasolina, em parte pela fraca demanda por misturas contendo mais de 10% de etanol. A agência pode tomar a decisão final nas próximas semanas, segundo pessoa a par do tema.

Ontem, os futuros do etanol para entrega em outubro caíram 0,3%, para US$ 1,528 por galão, na Bolsa de Comércio de Chicago, o menor preço de um contrato de vencimento mais próximo desde junho de 2010.

Os preços do etanol caíram muito este ano devido ao recuo dos preços do milho com a safra recorde de 2013 e expectativas de uma produção ainda maior este ano. O milho barato permitiu margens de lucro maiores para os fabricantes de etanol.

A margem do setor caiu para cerca de seis centavos de dólar por litro no fim de setembro, ante o recorde de 54 centavos em abril, segundo o Centro para Desenvolvimento Agrícola e Rural da Universidade do Estado de Iowa. Michael Cosgrove, sócio da trading Vectra Capital, de Nova York, diz que os preços do etanol podem se recuperar se os processadores reduzirem mais a produção. "No curto prazo, podem cair um pouco mais, mas ficaria surpreso se eles ficarem muito baixos por muito tempo", diz.

Os produtores já cortaram a produção nas últimas semanas. Na semana terminada em 26 de setembro, a produção de etanol americana caiu para seu mínimo em seis meses, de 881 mil barris por dia, segundo a EIA.

Com o preço do etanol atualmente em cerca de 26 centavos de dólar por litro menor que o da gasolina, muitos refinadores irão misturar quanto etanol puderem, o que pode gerar algumas economias para os consumidores, dizem analistas.

Os futuros de etanol também foram deprimidos por um anúncio, em setembro, de que o governo brasileiro oferecerá benefícios fiscais ao setor de açúcar e etanol do país. As novas medidas criaram receios entre os operadores que o Brasil possa exportar etanol mais barato, prejudicando as exportações americanas.

Alguns analistas não acreditam que o Brasil possa causar um impacto significativo. As exportações americanas foram auxiliadas pela queda de preços, que atraiu compradores como Emirados Árabes, Filipinas e México. As exportações dos EUA cresceram 54%, para cerca de 1,6 bilhão de litros, no primeiro semestre de 2014 ante igual período de 2013, segundo a EIA.

As exportações dos EUA podem crescer mais nos próximos três meses porque a produção de etanol brasileira desacelera no quarto trimestre com o fim da safra de cana-de-açúcar, dizem analistas. Mesmo as exportações para o Brasil podem subir no fim do ano porque os produtores brasileiros estão enfrentando falta de matéria- prima devido à seca.

O analista Aakash Doshi, do Citigroup, prevê que as exportações americanas serão em média quase 7 centavos de dólar por litro mais baratas que as brasileiras, apesar do subsídio fiscal prometido.

Outro curinga para os preços do etanol é o sistema ferroviário americano. O clima extraordinariamente frio e a neve do último inverno contribuíram para grandes atrasos nos embarques do Meio-Oeste, o que reduziu a distribuição de etanol para os portos onde as refinarias misturam o biocombustível na gasolina para uso doméstico ou exportação. Um aperto na oferta elevou os preços dos futuros de etanol para US$ 3,517 por galão em abril, maior alta em mais de sete anos. Novos problemas nos transportes no próximo inverno podem fazer com que os preços subam de novo, dizem analistas. (Colaboraram Nicole Friedman, Amy Harder e Leslie Josephs) (Valor Econômico 03/10/2014)

 

Queda de preço atinge líderes do agronegócio

Uma relação de exportação de setembro dos 15 principais itens do agronegócio indica que o valor das vendas externas recuou para US$ 6,6 bilhões, 10% menos do que em igual período do ano anterior.

Desses produtos, sete deles ainda são negociados com valores médios superiores aos praticados no mesmo período do ano passado. Estão nessa lista, no entanto, produtos que têm uma participação pequena na balança comercial do setor.

A carne suína, por exemplo, teve valorização de 40% nos valores médios do mês passado em relação aos de igual período de 2013. As receitas do setor somaram, no entanto, US$ 143 milhões. O etanol é outro produto que está na lista das altas, mas as exportações de setembro se resumiram a U$ 79 milhões.

Os sete produtos que aumentaram de preços no mês passado no mercado externo somaram receitas de US$ 2,2 bilhões nas exportações -38% da soma total das vendas dos 15 produtos do grupo.

Já entre os produtos incluídos na lista dos que têm queda de preços, estão líderes do setor como soja e açúcar.

A soja em grão rendeu, no mês passado, US$ 1,25 bilhão, 27% menos que em igual período de 2013. Nesse mesmo período, os preços médios da soja exportada caíram 5%, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

O Brasil perdeu receitas também nas exportações de minério de ferro, cujos preços médios recuaram para US$ 67,3 por tonelada, conforme a Secex. Esse valor é 30% inferior ao de 2013

Já as importações de gasolina pesaram menos no mês passado, recuando para US$ 22,2 milhões, 30% menos do que em igual mês de 2013. O preço médio caiu 6%.

Em queda: Os economistas do Itaú que avaliam commodities revisaram para baixo as projeções de preço desses produtos. A queda neste ano é consistente e com fundamentos, segundo eles.

Surpresas: O ICI (Índice de Commodities Itaú) já recuou 15,5% neste ano e essa queda ocorre devido à combinação de surpresas na oferta global, dólar forte e crescimento econômico global em ritmo menor.

Mais quedas: O índice de commodities da RC Consultores também aponta para novas quedas nos preços das commodities. É o terceiro mês seguido de recuo e o índice de setembro é 11% inferior ao pico registrado no final de junho.

Não para: O preço do café não para de subir no mercado externo, puxando também as cotações do produto internamente. Em Nova York, o primeiro contrato fechou nesta quinta-feira (2) a US$ 2,09 por libra-peso, 4,1% mais do que no dia anterior. No mercado interno, a alta foi de 3,3%.

Algodão: A produção mundial sobe para 26,2 milhões de toneladas na safra 2014/15, segundo o Icac (comitê internacional do produto). Já o consumo fica em 24,4 milhões de toneladas.

Preços: O superavit de 1,8 milhão de toneladas na safra vai manter os preços enfraquecidos, segundo o comitê. A estimativa é de 75 centavos de dólar por libra-peso. (Folha de São Paulo 03/10/2014)

 

Datagro reduz previsão de produção de açúcar do Brasil para 35,7 mi t

A produção de açúcar do centro-sul foi estimada pela consultoria em 32,2 milhões de toneladas, ante 32,8 milhões na projeção anterior.

A consultoria previu a moagem de cana do centro-sul do Brasil 2014/15 em 552 milhões de toneladas, queda de 8 milhões de toneladas ante a projeção divulgada no início de setembro.

A Datagro estimou nesta quinta-feira a produção de açúcar do Brasil na temporada 2014/15 em 35,7 milhões de toneladas, ante 36,3 milhões de toneladas na previsão do final de agosto, com uma expectativa menor para a principal região produtora do país, o centro-sul, onde os trabalhos de moagem de cana caminham para a fase final.

A produção de açúcar do centro-sul foi estimada pela consultoria em 32,2 milhões de toneladas, ante 32,8 milhões na projeção anterior, impactada por uma menor moagem em função da seca que afetou as lavouras de cana este ano.

Segundo o diretor da Datagro, Guilherme Nastari, o ajuste na produção foi feito com base nas análises de campo realizadas pelas equipes da consultoria.

"A qualidade da cana está ruim, este é o efeito da seca até agora", disse ele à Reuters, após palestra no Congresso Internacional de Bioenergia, em São Paulo.

A produtividade agrícola da safra do centro-sul até o momento na safra tem uma média de 76 toneladas de cana por hectare, o que representa uma queda de 11,5 por cento ante o mesmo período do ano passado.

A consultoria previu a moagem de cana do centro-sul do Brasil 2014/15 em 552 milhões de toneladas, queda de 8 milhões de toneladas ante a projeção divulgada no início de setembro, por conta da seca.

No Brasil, incluindo o Nordeste, a projeção de moagem foi reduzida para 609,5 milhões de toneladas, versus 612 milhões de toneladas na previsão anterior.

A Datagro estimou ainda a produção de etanol do centro-sul em 24,02 bilhões de litros, estável ante previsão de setembro. No caso da produção brasileira do biocombustível, a consultoria vê 26,1 bilhões de litros, versus 25,9 bilhões na projeção anterior. (O Estado de São Paulo 02/10/2014 às 19h: 24m)

 

Bolsa adia negociação de ações da Cosan Logística

A BM&FBovespa informou ontem que foi adiado para segunda-feira o início de negociação em bolsa das ações de emissão da Cosan Logística (ou Cosan Log) e também o início da negociação da Cosan com cisão dos ativos de logística. Na quarta-feira, o grupo de origem sucroalcooleira havia divulgado que a Cosan Logística começaria a ser negociada ontem em bolsa, com o código RLOG3.

"O adiamento se deu em função da necessidade de adequação pela BM&FBovespa nas posições em contratos de opção, a termo e de empréstimo destes ativos", diz o aviso da bolsa ao mercado. "A BM&FBovespa está tomando todas as providências e fornecendo as orientações aos participantes do mercado para que este fato gere o menor impacto possível."

Até hoje, informou a bolsa, a ação da Cosan continua sendo negociada com o código CSAN3 - sendo que nos pregões de ontem e hoje, complementou a Cosan, o papel será negociado como uma cesta composta por uma ação da Cosan e uma ação da Cosan Log.

Segundo a Cosan, as ações da Cosan Logística serão listadas no Novo Mercado, segmento de padrões mais rígidos de governança corporativa e que permite apenas a existência de ações ordinárias.

A cisão dos ativos foi proposta pela administração da Cosan após o acordo de fusão entre a Rumo e o grupo de ferrovias América Latina Logística (ALL). A união das empresas ainda está sendo analisado e depende de aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). (Valor Econômico 03/10/2014)

 

Área irrigada no Brasil é de apenas 8%

Dados foram divulgados nesta quinta, dia 2, no Encontro de Irrigantes, no Rio Grande do Sul.

Irrigação aliada a agricultura de precisão é a principal estratégia dos participantes.

O Brasil tem apenas 8% cento da área plantada irrigada, mas o ideal seria pelo menos 20%. Os dados foram apresentados nesta quinta, dia 2, em Cruz Alta, no noroeste do Rio Grande do Sul, durante o segundo Encontro de Irrigantes, do Clube da Irrigação. O evento reuniu pesquisadores, técnicos e produtores para debater sobre as tecnologias e manejos que podem alavancar a produtividade da soja e do milho.

O presidente do Sindicato Rural de São Sepé, José Aurélio Silveira, diz que no município, a área irrigada chega a 20 mil hectares no arroz e 60 mil na soja. O dirigente espera levar do evento ferramentas para aumentar a produção.

– Nós acreditamos que com o uso de novas tecnologias iremos consolidar a área de soja. Poderemos aliar a pecuária. Queremos que o produtor tenha diversificação e tenham garantia de renda, mesmo em períodos de estiagem – salienta Silveira.

O pesquisador e consultor técnico da Mosaic, Luiz Eduardo Vilela, apresentou estratégias para reduzir custos e aumentar a produtividade, com o aprofundamento das raízes no solo.

– Se existe uma raiz mais profunda no solo, será necessária menos água, que tem impacto direto no manejo da irrigação devido ao custo da energia para fazer a irrigação nessas áreas. É importante identificar os problemas na propriedade, além de fazer amostragem de solo em profundidade. Em sistema de plantio direto recomendamos fazer estratificação de 0 a 10 centímetros, de 10 a 20, 20 a 40, e alguns casos até de 40 a 60 centímetros de profundidade. Assim é possível identificar se tem restrição de crescimento de raiz do ponto de vista químico – explica Vilela.

A irrigação aliada a agricultura de precisão é a principal estratégia defendida pelos participantes do Clube da Irrigação para aumentar a produtividade dos grãos. O clube pretende expandir os resultados para o maior número de regiões do Estado. Segundo o coordenador do clube, João Telles, o desafio é vencer os gargalos que impedem o avanço mais rápido da irrigação. Ele também destaca que apenas 8% da área do país tem irrigação, o que equivale a seis milhões de hectares, mas o potencial é muito maior.

– Temos potencial, sem danos ambientais a atingirmos perto de 30 milhões de hectares de irrigação, o que vai corresponder a quase 40% da nossa área cultivada. Temos um grande desafio e a gente sabe o que a irrigação pode trazer para sociedade como todo. Vamos ter que nos especializar, usar tecnologias em áreas que já temos. Acreditamos que a irrigação junto a agricultura de precisão são as duas ferramentas que vão nos ajudar a chegar a esses índices – conclui. (Rural BR 02/10/2014 às 20h: 06m)

 

Apagar com gasolina

A política de combustíveis tem feito várias vítimas. A mais prejudicada é a indústria do etanol, com 70 usinas fechadas e um futuro opaco. A Petrobras tem perdas que pioraram muito no mês de setembro pela alta do dólar . A conta petróleo é a que mais pesa na balança comercial. Em cinco anos, as vendas de etanol caíram 35% e as de gasolina subiram 68%. Perde também a qualidade do ar.

A proposta de zerar a Cide eliminou uma fonte de financiamento do setor de infraestrutura de transportes , outro prejudicado pela política de subsidiar o consumo da gasolina. Mas nenhum setor sofreu impacto maior do que o do etanol. De setembro de 2009, quando quase se igualou ao consumo de gasolina no país, até julho de 2014, último dado divulgado pela ANP , as vendas de etanol caíram 35%: de 315 mil barris/dia para 205 mil. No mesmo período, o consumo de gasolina disparou 68%, de 330 mil para 555 mil (vejam no gráfico). E ao contrário da lógica econômica, a Petrobras perde mais quanto mais vende.

Como o Brasil não produz toda a gasolina que consome, parte tem que ser importada. A estatal paga mais caro do que pode cobrar das distribuidoras, cerca de R$ 0,20 por litro no cálculo da consultoria GO Associados. O setor sucroalcooleiro viveu um período de euforia quando pareceu a solução perfeita por motivos ambientais e econômicos . O Brasil produziria o combustível para as próprias necessidades e para exportar . A crise de 2008 pegou o setor no meio de investimentos para os quais havia se endividado no exterior . Com a crise , o preço do petróleo desabou e as fontes de financiamento para a energia limpa secaram. A redução do preço do barril de óleo barateou também os derivados de petróleo , e cresceu a atração pelo combustível fóssil.

Esse é o pano de fundo internacional. O pior golpe, no entanto , foi a decisão do governo de subsidiar a gasolina, desequilibrando artificialmente a competição entre etanol e combustível fóssil. Segundo dados da Unica, entidade que representa o setor , desde setembro de 2008, início da crise internacional, mais de 70 usinas fecharam as portas . Somente nos últimos dois anos, houve o corte de 60 mil postos de trabalho . O governo , ao mesmo tempo que estimulou a venda de carros , reduziu impostos sobre a gasolina e controlou seus preços . Em 2009, a Cide recolhia R$ 0,28 por litro do combustível. Em 2012, o imposto foi zerado e permanece assim até hoje.

A gasolina passou a não acompanhar os preços internacionais — a diferença ainda é de 12% — e o etanol perdeu a preferência entre os motoristas daqui. Desperdiçou-se a vantagem de o Brasil ter uma frota de carros flex e estrutura de distribuição de etanol. —O etanol tem rendimento 30% menor que a gasolina. Então ele precisa ter um preço inferior para ser competitivo. Por isso, o congelamento tem sido determinante — explicou a presidente da Unica, também economista, Elizabeth Farina. Além disso , explicou Elizabeth, com a crise , canaviais envelheceram, por falta de renovação e investimentos , e ficaram mais sensíveis às chuvas fortes e às secas . O setor alcooleiro se divide entre a produção de açúcar e a de etanol.

A queda dos preços das commodities afetou também o açúcar . A rentabilidade caiu. Há apenas um alívio: a crise energética tem sido boa para as usinas que produzem energia com o bagaço da cana, cerca de 40% do parque industrial. Elas conseguem vender a eletricidade excedente para a rede e se beneficiar do alto preço da luz. Mas os estragos da atual política são muito superiores a eventuais ganhos. (O Globo 03/10/2014)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Novo recuo: Os preços futuros do cacau seguiram a tendência dos últimos dias e fecharam ontem no negativo pela terceira vez seguida na bolsa de Nova York. Os lotes com vencimento em março de 2015 fecharam o pregão a US$ 3.071 a tonelada, queda de US$ 71. O recuo começou na quinta-feira, conforme os investidores foram percebendo que o risco de o ebola prejudicar o comércio de cacau na oeste da África é pequeno. A Costa do Marfim, maior produtor da amêndoa do mundo, tem adotado medidas para evitar a entrada da epidemia. Os agricultores do país começam a colheita neste mês, e a expectativa é que a produção neste ciclo supere a anterior. No mercado interno, a arroba em Ilhéus/Itabuna caiu para R$ 111, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Estoque recorde: Os contratos do algodão na bolsa de Nova York mudaram de lado ontem e recuaram sob pressão dos fundamentos. Os lotes para dezembro fecharam a 61,85 centavos de dólar por libra-peso, queda de 31 pontos. Os elevados estoques globais, principalmente na China, e a perspectiva de redução das compras do país asiático em 2015 mantêm as cotações perto das mínimas em cinco anos. O volume de algodão armazenado no mundo alcança níveis recorde, diz o Comitê Consultivo Internacional do Algodão (ICAC). A pluma deve demorar para retomar a participação de mercado perdida para as fibras sintéticas, segundo o ICAC. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,35%, a R$ 1,6602 a libra-peso.

Soja: À espera da colheita: Os contratos futuros da soja registraram a segunda alta consecutiva ontem na bolsa de Chicago diante de um reposicionamento por parte dos fundos, que estão à espera de novos dados sobre a colheita nos Estados Unidos. Os contratos da oleaginosa para entrega em novembro fecharam com variação positiva de 0,84%, ou 7,75 centavos, a US$ 9,245 o bushel. Após os preços baterem no nível mínimo que os fundos vinham buscando nos últimos dias, em US$ 9 o bushel, esses agentes do mercado entraram montando novas posições e cobrindo as posições vendidas. Os operadores aguardam por novos relatos sobre a colheita americana que, até a última semana, estava com leve atraso. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a soja no Paraná subiu 0,09%, a R$ 58,75.

Trigo: Vendas aquecidas: Apesar da elevada oferta global de trigo, a notícia de que os exportadores americanos venderam na semana passada mais cereal do que o esperado deu fôlego aos contratos futuros da commodity ontem na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em março subiram 3,75 centavos de dólar a US$ 4,96 o bushel. O relatório semanal de exportações divulgado ontem pelo USDA revelou que o país acertou a comercialização de 741 mil toneladas durante a semana de 19 a 25 de setembro. Os analistas esperavam um volume entre 250 mil e 600 mil toneladas. As vendas ganharam impulso após os preços do trigo caírem para o menor patamar em mais de quatro anos em Chicago. No Paraná, a saca do cereal subiu ontem 0,03%, a R$ 29,81, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 03/10/2014)