Setor sucroenergético

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Dilma tem pior votação do PT em 12 anos; SP empurra Aécio ao 2º turno

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, surpreendeu e ficou em segundo lugar na corrida ao Palácio do Planalto com 33,62% dos votos válidos. Com 99,34% das urnas apuradas, Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, ficou em primeiro lugar com 41,55% dos votos válidos, o pior desempenho do PT em 12 anos.

Já Marina Silva (PSB), que desidratou na reta final, ficou em terceiro com 21,29% dos votos.

A virada de Aécio na reta final da eleição tem forte influência no maior colégio eleitoral do país. No Estado de São Paulo, com quase 32 milhões de eleitores (22,4% dos 142,8 milhões de eleitores), o senador Aécio Neves conquistou mais de 10 milhões de votos, cerca de 44,25% dos votantes.

Considerado fora do jogo depois da morte de Eduardo Campos, o tucano ressurgiu das cinzas e garantiu na última hora a lógica da política brasileira desde 1994, com a polarização PT-PSDB, destaca a colunista da Folha Eliane Cantanhêde.

Já presidente Dilma teve desempenho próximo ao de Marina Silva no maior no Estado. A petista teve cerca de 5,9 milhões, ante 5,7 milhões da pessebista. Em 2010, quando Dilma disputou à Presidência com o ex-governador de São Paulo José Serra, eleito hoje senador com mais de 11 milhões de votos com 99,90% das urnas apuradas, a petista teve 46,9% dos votos.

Já em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral e Estado natal dos candidatos Aécio Neves e Dilma Rousseff, a petista levou a melhor. Com 99,99% das urnas apurados no Estado, Dilma teve 4,8 milhões de votos contra 4,4 milhões do tucano.

Na disputa estadual, Marina Silva venceu no Acre (Dilma ficou em segundo, e Aécio na sequência) e em Pernambuco (muito colada a Dilma, e Aécio ficou com míseros 5,9%) —o resto dos Estados do Nordeste ficou com a Dilma.

No consolidado do país, trata-se do pior desempenho do desde 2002, quando o ex-presidente Lula disputou à Presidência. Naquele ano, Lula teve 45,4% dos votos contra Serra. Quatro anos depois, Lula obteve 48,6% em disputa com Geraldo Alckmin (PSDB).

Para o diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, os resultados parciais das eleições vão ao encontro das últimas pesquisas feitas pelo Datafolha.

"O Aécio [PSDB] é mais forte para enfrentar Dilma [PT] no segundo turno. Fizemos um estudo e vimos que a curva de crescimento dele é maior que a de Marina [PSB], pois tem menos eleitores que não votariam de jeito nenhum nele. Mas vamos esperar o resultado das urnas", diz Paulino. (Folha.com 05/10/2014)

 

Crédito ficará restrito para o setor

Representantes de instituições financeiras acreditam que a tomada de crédito deve ficar cada vez mais restrita para o setor sucroenergético e as companhias que conseguirem financiamento tendem a balizar o mercado.

Para essas empresas, o investimento em competitividade é a saída para se manter durante a crise das usinas.

A avaliação foi dada ontem (2) durante debate promovido pela Demarest Advogados, com a participação de organizações como os bancos Rabobank e Credit Agricole, Unica, entre outras.

Para o presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari, a quantidade de subsídios dados ao segmento de combustíveis em benefício à gasolina, justificam o endividamento do setorcanavieiro ter atingido R$ 68 bilhões desde 2007. "O setor enfrentou desafios colossais nos últimos anos e ainda enfrenta", enfatiza. De acordo com o gerente de pesquisa do Rabobank, Andy Duff, na moagem de cana cerca de R$ 80 por tonelada correspondem apenas a pagamento de dívidas.

"Quando você vê a alavancagem da dívida subindo gradativamente e se foca apenas nos números, não é nada que não ocorra em outros setores. Mas pensando em no brasileiro, onde há problemas com falta de regras e de previsibilidade para investimentos, aqueles mesmos números tomam proporção muito maior", explica o CFO da Copersucar, Leopoldo Viriato Saboya.

De acordo com os executivos, ter uma base industrial agrícola não é o problema, considerando a estrutura econômica do segmento, porém, ressalta a extrema dependência bancária na qual o setor sucroenergético se instalou, fato que tem tornado cada vez mais difícil "vender o Brasil" [a produção nacional] lá fora.

Nos últimos anos, a dependência das usinas por medidas como o Programa de Sustentação de Investimento (PSI), do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), aumentou ainda mais, pois, para o diretor-geral do Grupo Tereos, Jacyr Costa Filho, a única forma de manter a competitividade é investindo na capacidade produtiva da indústria sucroenergética.

Entretanto, a crise foi descrita como uma curva de aprendizado e o setor tende a levantar mais forte.

"Entendemos que os ciclos fazem parte da vida no agronegócio", afirma o executivo do Rabobank. (DCI 03/10/2014)

 

Etanol de milho pode ficar bem mais barato

Estudo da INTL FCStone feito em seis polos produtores de milho do Brasil, alguns com unidades sucroenergéticas, apontou que a produção de etanol a partir do cereal junto com a cana-de-açúcar é viável economicamente, mas depende da região e do modelo utilizado para a produção.

O estudo sobre a viabilidade das chamadas usinas flexíveis abordou, além da questão regional, o período de processamento – de 120 dias, durante a safra de cana, ou de 345 dias incluindo a entressafra – bem como o tipo de usina previsto em um projeto.

Foram avaliados dois tipos de usinas flexíveis, ambas anexadas às usinas canavieiras: a tradicional, cujo processo de fabricação do etanol de milho é paralelo ao da cana e os combustíveis que se juntam apenas no final do processo; e a integrada, na qual o caldo do milho e da cana se juntam já na fermentação.

A usina tradicional tem um investimento estimado de R$ 98 milhões, para uma produção de 300 mil litros de etanol de milho por dia.

Já a usina integrada necessita de um investimento de R$ 65 milhões para a mesma produção, mas o rendimento industrial é mais baixo que o da tradicional.

Foram considerados, ainda, os custos adicionais necessários para que as usinas flexíveis operem o ano inteiro, de R$ 28 milhões para as tradicionais e de R$ 11 milhões a R$ 21 milhões para as integradas, valor que é variável dependendo ou não da necessidade de expansão.

Para a implantação de usinas flexíveis foram consideradas as regiões de Cândido Mota (SP), Cascavel (PR), Dourados (MS), Lucas do Rio Verde (MT), Rio Verde (GO) e Uberlândia (MG), ou seja, com custo variável do milho e do combustível para a venda. (Agência Estado 04/10/2014)

 

Etanol: Preço sobe nos postos de São Paulo

O álcool subiu 0,11% nesta semana, com o litro comercializado, em média, a R$ 1,876, conforme pesquisa feita pela Folha em 50 postos de abastecimento da capital.

A gasolina ficou relativamente estável, com preço médio de R$ 2,859, embora, em 30 dias, tenha caído 0,69%. (Folha de São Paulo 04/10/2014)

 

Açúcar: Alta em NY

As cotações do açúcar demerara subiram na bolsa de Nova York na sexta-feira, impulsionadas por compras técnicas. Os lotes para maio fecharam a 16,70 centavos de dólar a libra-peso, alta de 34 pontos.

Na semana passada, os preços andaram "de lado", diante da entrega dos lotes comprometidos nos contratos para outubro e da espera por novos dados sobre oferta e demanda daqui até o início do próximo ano - quando o Centro-Sul do Brasil estará em entressafra, embora com altos volumes do produto em estoque. "O mercado tem se mantido, contudo, acima dos 16 centavos, com importante defesa deste nível por parte da compra", observou Bruno Lima, da FCStone.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,99%, a R$ 45,91 a saca de 50 kg. (Valor Econômico 06/10/2014)

 

Especialistas acreditam em redução nos estoques de açúcar

O diretor da Czarnikow Brasil, Tiago Medeiros, avalia que os estoques globais de açúcar devem começar a diminuir em nove a 12 meses, com o consumo "estrutural" dessas reservas se estendendo por quatro anos ou mais. Medeiros falou à Agência Estado, nos bastidores de seminário sobre o setor sucroenergético promovido pelo Demarest Advogados, em São Paulo.

Em julho, a Czarnikow projetou um déficit de 500 mil toneladas de açúcar na safra global 2014/15. A corretora britânica estimou consumo de 183,8 milhões de toneladas e uma produção de 184,3 milhões de toneladas de açúcar. O déficit de 500 mil toneladas é alcançado por conta da perspectiva de um desperdício de 1 milhão de toneladas.

Mais cedo, durante o mesmo evento, o diretor da divisão de cana-de-açúcar do Grupo Tereos, Jacyr Costa Filhoque os estoques globais de açúcar tendem a diminuir em seis meses e atingir um nível capaz de dar sustentação aos preços da commodity.

Projeção da Organização Internacional do Açúcar (OIA) aponta para superávit de 1,3 milhão de toneladas do alimento na safra global 2014/2015, iniciada ontem. O volume é menor que o de 4 milhões de toneladas registrado em 2013/2014 e o de 10 milhões de toneladas observado em 2012/2013.

Costa Filho comentou ainda estar mais "otimista para o etanol do que para o açúcar" no ano que vem. "Não tenho dúvida de que, com esse câmbio, será necessário um reajuste da gasolina", afirmou, referindo-se ao impacto da disparada do dólar ante o real sobre a importação de petróleo e o peso disso na balança comercial do País.

Guarani

O executivo reafirmou nesta quinta-feira que a Guarani, subsidiária do Grupo Tereos, deverá processar 5% menos cana na atual temporada do que o inicialmente previsto, num total de 20 milhões a 21 milhões de toneladas. Apesar da revisão para baixo, o volume supera as 19,7 milhões de toneladas de 2013/2014. A moagem menor deve-se à forte estiagem no início do ano. (Agência Estado 03/10/2014)

 

Deere quer alcançar Caterpillar no Brasil

Com os preços das commodities em queda, fabricantes de equipamentos agrícolas e de construção enfrentam um desafio crescente para ganhar mercado nos países emergentes. O maior exemplo é a Deere, que pretende ser um dos três principais produtores de máquinas de construção e de reflorestamento no Brasil até 2018, às custas da Caterpillar. As ações da Deere, que tiveram forte alta neste ano, mas já voltaram para níveis de um ano atrás, estão sendo negociadas perto de US$ 82 na bolsa americana. A analista do J.P.Morgan, JPM +2.48% Ann Duignan, prevê um preço-alvo de US$ 83 para a ação.

Mas, na semana passada, ela visitou as fábricas e um grande revendedor da Deere no Brasil e questiona se, considerando a concorrência, os investimentos da empresa americana no país irão dar o retorno esperado aos acionistas. A Deere está investindo US$ 124 milhões e a Hitachi outros US$ 56 milhões no Brasil. Duignan escreve:

“Um revendedor de equipamentos florestais e de construção observou que o faturamento foi de R$ 75 milhões em 2013, estimados R$ 155 milhões em 2014 e que a empresa está projetando R$ 290 milhões em 2015 (um crescimento composto perto de 100% em dois anos). A maior parte desse crescimento deve ocorrer às custas da Caterpillar, uma vez que os maiores clientes estão buscando opções. O revendedor disse também que, com o crescimento do negócio, o mercado de equipamentos usados terá que se desenvolver porque os altos custos tornam quase impossível a exportação dessas máquinas. A Caterpillar é a líder do setor de equipamentos para construção e reflorestamento na região, possuindo a maior participação de mercado nas duas principais categorias de equipamento [...]”

E, “em 2012, entre os 15 participantes do setor de escavadeiras no Brasil, a fatia da Deere ficou na 15ª posição”. Ela terá que ir de um volume de cinco escavadeiras em 2012 para mais de 700 para estar entre os três maiores. A Deere terá que concorrer com empresas chinesas competitivas como XCMG, Sany, Liugong e a firma britânica de capital fechado JCB, além de empresas com maior presença como Caterpillar, Komatsu, Volvo, Doosan e Hyundai.”

“No segmento de pás carregadeiras, o objetivo é certamente ainda mais difícil, já que a Deere estava na 18ª posição. A empresa vai ter que vender mais de 1.200 unidades por ano para ficar entre as três primeiras. Além disso, há muito mais concorrentes chineses no setor de pás carregadeiras e a Deere teria que ultrapassar nomes como Volvo (que também possui uma marca chinesa de preços menores, a SDLG) e a própria Caterpillar (com sua marca SEM),” escreve Duignan.

Nos Estados Unidos, os produtores estão esperando lucros menores em 2015 e equipamentos são um dos primeiros investimentos que eles podem cortar, notou recentemente Bill Alpert numa outra matéria do semanário Barron’s, que previu problemas para a Deere, Potash e Monsanto, entre outras empresas. O artigo disse:

“A idade média dos tratores e colheitadeiras nos EUA é a menor em décadas, graças à enxurrada recente de lucros — lucros esses que fabricantes como a Deere incentivaram os produtores a gastar trocando anualmente seus tratores” (The Wall Street Journal 06/10/2014)

 

Desde agosto, John Deere demitiu 310 funcionários de fábrica no RS

Desligamento de 170 funcionários foi anunciado na quarta-feira (1º).

De acordo com a empresa, a queda nas vendas motivaram os cortes.

A John Deere anunciou na quarta-feira (1ª) a demissão de 170 funcionários de sua unidade em Horizontina, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul. Com isso, chegam a 310 o número de desligamentos na fábrica da empresa, como mostra a reportagem do RBS Notícias (veja o vídeo).

Na tarde desta quinta-feira (2), Odair Machado procurou o sindicato para assinar a rescisão contratual. Com necessidades especiais, eles estava há um ano e meio na linha de montagem da empresa. Sem aviso prévio, recebeu na quarta-feira (1º) a notícia da demissão. “Me pegou de surpresa. Foi bastante complicado para a gente, para a família”, disse.

O Sindicato dos Metalúrgicos ficou cheio de funcionários que foram rescindir o contrato de trabalho. “É uma decisão. A empresa não comunicou, não foi negociação. A gente vai mover ações, junto ao Ministério do Trabalho e junto ao Tribunal Regional do Trabalho, para que a empresa justifique essas demissões em massa”, disse o presidente do sindicato, Irineu Schoninger.

De acordo com a empresa, as demissões foram feitas em razão da previsão de queda de 15% nas vendas de máquinas agrícolas na América do Sul. A direção da John Deere afirma que vai manter os investimentos previstos no estado.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricante de Veículos Automotores (Anfavea), as vendas de máquinas agrícolas no mercado nacional caíram 18,9% de janeiro a agosto deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado (G1 3/10/2014)

 

Trabalhadores de canaviais poderão receber seguro desemprego na entressafra

Está pronto para entrar na pauta da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) projeto de lei de autoria do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) que concede seguro-desemprego, no período de entressafra, ao trabalhador rural que atua no cultivo de cana-de-açúcar.

Pela proposta (PLS 502/2009), até 2020, os trabalhadores receberão a cada intervalo de 12 meses, no período de entressafra, até três parcelas no valor de um salário mínimo. A proposta inicial previa parcelas de meio salário mínimo, mas foi alterada na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária. Com a alteração, os recursos para o pagamento do benefício virão do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Para receber o benefício, o trabalhador deverá ter renda familiar inferior a um salário mínimo; ter sido remunerado pelo cultivo de cana-de-açúcar nos seis meses imediatamente anteriores à data do requerimento de habilitação ao benefício; bem como não receber outro benefício da Seguridade Social.

O Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador definirá os períodos de entressafra das lavouras de cana-de-açúcar nas diferentes regiões produtoras do Brasil e poderá estabelecer, mediante resolução, outras condições indispensáveis ao recebimento do benefício.

Em relatório favorável na CAE, o senador Benedito de Lira (PP-AL) observa que a modernização tecnológica acelerou o processo de colheita da cana de açúcar, o que resultou em menor utilização da mão de obra desses trabalhadores.

"Desempregados, eles terão de buscar outras atividades profissionais. O seguro desemprego poderá contribuir para capacitá-los para o exercício de outras profissões", argumenta o senador.

Se aprovada na CAE, a proposta ainda será apreciada pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS), de forma terminativa (Agência Estado 03/10/2014)

 

Elevação de percentual de etanol na gasolina trará alívio para usinas

A Lei 13.033, sancionada pela presidente Dilma Rousseff anteontem e que eleva o percentual máximo de etanol na mistura com a gasolina de 25% para 27,5%, poderá aumentar a produção de álcool em mais de 1 bilhão de litros a partir da próxima safra. A estimativa é de Mário Campos, presidente do Siamig, o sindicato que reúne as indústrias sucroenergéticas e de fabricação de açúcar e álcool em Minas Gerais.

“Um alívio para o setor, pois vamos aumentar nosso mercado em 1,1 bilhão a 1,2 bilhão de litros por ano. A lei ainda ajudar a Petrobras a importar menos gasolina. Terceiro: haverá uso maior do combustível renovável, o que ajuda o meio ambiente”, listou o executivo. Mas a norma não vai interferir na produção deste ano em razão de dois fatores: o setor já está no fim da safra e trabalha com contrato de compra antecipada.

É importante frisar que a Lei 13.033 não determina o aumento do percentual de etanol no litro de combustível. Na prática, o texto mantém o piso da mistura do álcool em 18%, mas permite a alta do percentual dos atuais 25% para 27,5%. Para que isso ocorra, porém, será necessário um estudo técnico que já está sendo conduzido pelo governo federal. A expectativa dos produtores é que haverá viabilidade para a implementação da nova mistura.

Para fins de teste, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a BR Distribuidora, a vender até 535 mil litros de combustível composto por 72,5% de gasolina e 27,5% de etanol à Volkswagen e à Hyundai. “Nossa expectativa é que um relatório saia nas próximas semanas. Acreditamos que haverá viabilidade técnica para a mistura. O terceiro passo é a implementação da medida”, deseja Mário Campos.

O aumento na produção do álcool, contudo, depende de São Pedro. A forte estiagem que afeta todo o país há alguns anos e que secou até a nascente principal do Rio São Francisco, no início desta semana, prejudicou o plantio de cana-de-açúcar em Minas. De acordo com estimativa do Siamig, a queda na moagem será de 3% na atual safra, de 61 milhões de toneladas para 59,5 milhões toneladas.

DIESEL

A Lei 13.033 não se refere apenas à mistura de etanol na gasolina. O texto trata também do aumento no percentual de biodiesel ao óleo diesel, de 5% para 6%. A partir de 1º de novembro, contudo, o índice subirá para 7%. Entretanto, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) poderá reduzir a mistura para até 6%, a qualquer momento, desde que por motivo justificado.

A nova lei foi originada da Medida Provisória 647/2014, editada pelo Palácio do Planalto justamente para elevar a adição obrigatória de biodiesel ao óleo diesel. A bancada sucroenergética aproveitou o texto e conseguiu junto ao governo que a medida incluísse a possibilidade de aumento da porcentagem do etanol na gasolina.

Essa última mistura tem como um dos objetivos reverter as perdas do setor sucroalcooleiro no país. Os empresários do segmento enfrentam uma das piores crises. Para se ter ideia, desde 2007, mais de 50 usinas fecharam as portas apenas na Região Centro-Sul. Doze encerraram suas atividades de janeiro a este mês. Nos dois últimos anos, cerca de 60 mil empregos foram fechados. (TAG Distribuidora 06/10/2014)

 

Na contramão do país, PIB do agronegócio paulista pode esboçar reação

O PIB (Produto Interno Bruto) do agronegócio paulista, com queda de 1,3% ao ano desde 2010, caminha na contramão do dos demais Estados. O agronegócio brasileiro teve crescimento de 2,1% por ano nesse período.

A partir do próximo ano, no entanto, essa queda deve ser estancada e o setor poderá esboçar alguma reação.

A avaliação é de Antonio Carlos Costa, gerente do departamento de agronegócio da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Para essa análise, ele se baseia em esperadas mudanças em itens importantes para o agronegócio paulista, como a cana-de-açúcar.

Já o PIB do agronegócio nacional poderá interromper o período de crescimento devido às condições menos favoráveis do mercado externo.

"Mesmo sendo um Estado com alto grau de industrialização, São Paulo tem no agronegócio um setor bastante expressivo", diz Geraldo Barros, coordenador de pesquisas macroeconômicas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

O Cepea, com o apoio da Fiesp, fez um levantamento do setor e estimou o PIB do agronegócio paulista do ano passado em R$ 213 bilhões.

Ao atingir esse valor, o PIB do agronegócio paulista representa cerca de 20% do PIB do agronegócio brasileiro e 15% do PIB total paulista.

Os dados mostraram que a agroindústria é responsável por 41% do PIB do agronegócio do Estado. O percentual é inferior aos 43% do segmento de serviços, mas superior aos 10% do da agropecuária e dos 6% do de insumos.

Daí a preocupação da indústria com o agronegócio. Entender esses números ajuda a compreender o que vai acontecer também com o PIB do Estado, diz Costa.

Ele cita o exemplo do setor sucroalcooleiro, que representa 58% do PIB agrícola e 27% do da agroindústria.

Esse foi um dos setores responsáveis pela desaceleração do PIB do agronegócio paulista, mas poderá ter novo ânimo, devido à possibilidade de um reajuste da gasolina e da recomposição dos estoques mundiais de açúcar.

Barros destaca que a vantagem comparativa de São Paulo faz com que o agronegócio tenha uma predominância dos segmentos agroindustrial e de serviços.

A participação de apenas 10% do segmento da agropecuária no PIB paulista faz com que São Paulo processe e movimente um volume significativo de matérias-primas oriundas de outros Estados.

O PIB da agropecuária paulista (atividades dentro da porteira) atinge só 5,4% do PIB desse segmento no Brasil. Mas o PIB da agroindústria paulista representa 30% do PIB nacional do setor.

A agroindústria de São Paulo é liderada pela base agrícola, cuja participação é de 88,1% nesse segmento. Já a participação da base animal é de 11,9%, segundo Barros.

Nesse conjunto -bases agrícolas e animal-, a liderança fica com a indústria sucroalcooleira, que representa um quarto do PIB agroindustrial do Estado. Já bebidas e celulose e papel têm 12,4% e 12,3%, respectivamente.

No segmento de serviços, os destaques ficam para as atividades comerciais e financeiras, ambas com 20,5% do PIB desse segmento. (Folha de São Paulo 04/10/2014 Às 02h: 00m)

 

Alcoolduto de Ribeirão a Uberaba entra em fase de pré-operação

Começa este mês a fase de pré-operação do alcoolduto entre Uberaba e Ribeirão Preto. A informação foi confirmada pela Logum Logística, consórcio responsável pela execução do projeto. O processo de testes no trecho deverá ser concluído em 30 dias.

Na pré-operação, primeiramente será feito o carregamento com etanol dos quatro tanques do terminal de estocagem. Cada tanque tem capacidade para 6.000 metros cúbicos de combustível. Em seguida, o produto será bombeado para enchimento dos 146 quilômetros de duto entre Uberaba e Ribeirão Preto. Na etapa de testes, a vazão inicial será de 320 metros cúbicos por hora, mas a capacidade deverá atingir 750 metros cúbicos por hora quando o alcoolduto estiver em pleno funcionamento.

A previsão da Logum é concluir o processo pré-operacional em até 30 dias. O início da operação comercial do novo trecho está previsto para novembro deste ano, seguindo o cronograma divulgado em 2013.

Conforme o projeto inicial, o duto tem capacidade para transportar dois milhões de litros de etanol por ano. A projeção foi feita com base na produção oferecida atualmente na região, mas há planejamento para ampliação conforme a demanda das usinas.

O mesmo vale para o terminal de estocagem. A princípio, a unidade conta com quatro baias para receber os caminhões que trazem o álcool das usinas e também quatro tanques. No entanto, existe espaço suficiente para expandir a estrutura de acordo com a oferta do material.

O próximo trecho do alcoolduto será entre Uberaba e Itumbiara (GO). O projeto inclusive já foi aprovado no Conselho Municipal de Meio Ambiente. A proposta final é levar o duto até Jataí para permitir o transporte da produção de álcool do interior de Goiás até Paulínia (SP), onde começa o trabalho de distribuição do produto aos centros consumidores. A expectativa é concluir a implantação do projeto até 2017, com investimento total em torno de R$7 bilhões. (JM Online 03/10/2014)

 

Cientistas apontam soluções sustentáveis para desafios agrícolas

Saiba detalhes da pesquisa ganhadora desta edição deste ano do Prêmio Fundação Bunge na categoria Juventude.

Ante o aumento da demanda da população por alimentos, o conhecimento sobre o vasto e ainda pouco explorado universo dos microrganismos que habitam o solo e as plantas pode ajudar a incrementar a produção agrícola de forma sustentável. É o que afirma Fernando Dini Andreote, pesquisador da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) e ganhador da edição deste ano do Prêmio Fundação Bunge na categoria Juventude.

Andreote participou nesta semana do Seminário Produtividade Agrícola Sustentável, realizado em parceria com a Fundação Bunge com o objetivo de envolver pesquisadores do setor em discussões sobre o tema. Para ele, o microbioma do solo e das plantas pode guardar importantes respostas para os desafios do setor agrícola.

– No solo e nas plantas há a maior fonte de biodiversidade genética e metabólica do planeta: cerca de 1 bilhão de células vivas para cada grama de solo; são 30 mil espécies diferentes. A capacidade metabólica desses organismos precisa ser investigada para entendermos cada vez mais sobre como utilizá-la em benefício da produção sustentável – disse ele à Agência Fapesp.

Andreote esteve à frente da pesquisa Diversidade microbiana em solos com cultivo de cana-de-açúcar no estado de São Paulo: um enfoque biogeográfico, apoiada pela Fapesp, que identificou grupos de microrganismos e os correlacionou a fatores como o tipo de manejo da cultura, a natureza do solo e aspectos climáticos, como umidade e temperatura.

O trabalho constatou que há importantes diferenciações entre grupos de microrganismos em áreas distintas, ainda que com cultivos semelhantes.

– São diferenciações importantes, mais expressivas em fungos do que em bactérias, e nosso trabalho é entender se esses grupos, ainda que diferentes, têm as mesmas funcionalidades – disse.

A indução do crescimento de determinados microrganismos possibilitada pelo conhecimento sobre a microbiologia do solo pode facilitar a nutrição e o crescimento das plantas com recursos naturais da área, uma solução sustentável.

Andreote destacou no seminário que é preciso considerar também a ação integrada desses organismos.

– É necessário buscar conhecer funções do conjunto deles, não só de forma isolada, enxergar o grupo microbiano como um tecido que interage com o hospedeiro e encontrar funções que, quando se olha para cada componente, não são identificadas.

Nesse sentido, Andreote estuda também consórcios microbianos envolvidos na degradação do material presente nos resíduos biológicos agrícolas, especificamente restos da cultura de cana-de-açúcar e de milho.

Na pesquisa Microbial consortia for biowaste management: life cycle analysis of novel strategies of bioconversion (Microwaste), realizada por Andreote em parceria com pesquisadores da Netherlands Organisation for Scientific Research (NWO), a proposta é identificar os efeitos da incorporação dos resíduos agrícolas nos processos biogeoquímicos do solo.

– Buscamos entender como funciona a incorporação de resíduos de cana e milho no solo não pela ação de um organismo em específico, mas pela atividade conjunta da microbiota. A ideia é identificar grupos que têm atividades em conjunto e, por essa atuação complementar, aceleram o processo de incorporação – explicou.

Biodiversidade

De acordo com Andreote, a diversidade de microrganismos envolvidos nos processos metabólicos das plantas está relacionada à biodiversidade do ambiente em que a vegetação está inserida, o que evidencia ainda mais a importância que se deve ter com a sua preservação.

– A planta seleciona os microrganismos que vão se associar a ela. Se a biodiversidade do ambiente é alta, a seleção é mais eficiente. Se essa diversidade é reduzida, aumentam as chances de colonização por organismos oportunistas, os patógenos, o que explica a maior ocorrência de doenças em raízes em áreas de monocultura, pois a biodiversidade é restrita – disse.

Por isso, acredita o pesquisador, é preciso encontrar alternativas à tendência corrente de homogeneização dos sistemas.

– Se você troca uma área de vegetação nativa pelo cultivo de cana-de-açúcar, está homogeneizando o ambiente, ainda que não seja essa a sua intenção, e o levando a uma restrição, por meio de seleção natural, da biodiversidade que coloniza aquele ambiente – explicou, citando a rotação da cultura e o plantio direto como alternativas para manter a biodiversidade microbiana ativa no solo.

Para Hiroshi Noda, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) contemplado pelo Prêmio Fundação Bunge na categoria Vida e Obra, algumas lições podem vir dos procedimentos agroecológicos adotados pelos agricultores tradicionais no manejo das plantas.

– O desafio é aumentar os níveis de sustentabilidade agrícola face ao processo gradual de deterioração ambiental e desacelerar e estancar o processo de perda da agrobiodiversidade – disse no seminário.

Em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o Inpa utiliza estratégias de melhoramento genético e conservação in situ – que preserva a variabilidade genética das plantas cultivadas nas propriedades agrícolas em que são manejadas – de espécies hortícolas como abóbora, cubiu, ariá, feijão-macuco e feijão-de-asa na região amazônica.

Todas as ações de pesquisas levam em conta as práticas tradicionais locais, como o rodízio de áreas em produção e em pousio – a interrupção da cultura para um período de descanso. Na capoeira, área destinada a esse descanso, são introduzidas espécies selvagens em associação com o arranjo espacial das plantas.

– Essas estratégias tradicionais têm garantido a autossuficiência alimentar, a sustentabilidade no processo produtivo e a manutenção dos valores culturais dessas populações humanas – disse Noda.

O cientista destacou ainda características das formas de produção tradicionais que favorecem a conservação in situ.

– Nas áreas comunitárias onde ocorre o processo de conservação ou onde as espécies conservadas são compartilhadas pelas comunidades, com manejo e colheita comunitárias, há elevado nível de variabilidade genética mantida nos cultivos.

Os propágulos – sementes e mudas – compartilhados são incorporados e mantidos pelos agricultores.

– Esse compartilhamento dos recursos da agrobiodiversidade, por meio de uma rede sociocultural, reforça os mecanismos de manutenção da variabilidade genética e garante a segurança alimentar nas comunidades – explicou. (Rural BR 05/10/2014 às 15h 21m)

 

Arrancada de Aécio deve gerar reação positiva nos mercados

SÃO PAULO - A arrancada surpreendente do candidato Aécio Neves (PSDB) na reta final do primeiro turno para a eleição para a Presidência da República e sua confirmação na disputa no segundo turno com Dilma Rousseff (PT) devem levar os mercados a reagir positivamente na segunda-feira, com os investidores apostando na possibilidade de uma vitória da oposição.

Segundo analistas, a menor diferença de votos do candidato tucano para a presidente Dilma no primeiro turno deve fazer com que Aécio entre com maior força política no segundo turno. “Nas simulações para o primeiro turno, a diferença entre o candidato tucano e a presidente Dilma era de 15 a 20 pontos percentuais. Essa reviravolta coloca Aécio como um candidato mais consistente para vencer a eleição em um segundo turno e os mercados devem reagir a esse resultado, com bolsa subindo e dólar e juros caindo”, diz Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global Partners.

A perspectiva de um segundo turno para a eleição presidencial e o avanço de Aécio nas últimas pesquisas eleitorais levaram a uma recuperação da bolsa brasileira e do real na  sexta-feira.

O Ibovespa subiu 1,91%, encerrando a 54.534 pontos. O dólar também acompanhou esse movimento e fechou  em R$ 2,46 na sexta-feira, em queda de 1,19% , contribuindo com o recuo das  taxas dos contratos futuros de juros , principalmente nos vencimentos mais longos para 2017 e 20121, mais sensíveis ao cenário de maior aversão a risco. 

“O fato de confirmar o segundo turno com um candidato amigável ao mercado, que tem o Armínio Fraga como eventual ministro da Fazenda, traz pelo menos três semanas de esperança para a bolsa”, diz Otávio Vieira, sócio-gestor da Fides Asset Management. Um segundo turno com Aécio será mais bem visto pelo mercado do que com Marina Silva (PSB), considera, porque a candidata vinha mostrando fraqueza, enquanto a tendência de Aécio era ascendente. 

Vieira pondera que a decisão de Marina sobre apoiar ou não Aécio vai ser determinante para o movimento de preço. A economista-chefe da XP Investimentos,  Zeina Latif, considera que o mercado não conta com o apoio formal de Marina a Aécio. Em 2010, ela optou pela neutralidade. Agora, se o apoio vier, a reação será positiva. 

Zeina não arrisca um novo patamar para a bolsa, mas tem uma certeza: “a tendência é subir”. A disputa política interna deve pesar mais do que outras variáveis, a menos que haja um cenário externo muito menos favorável ou uma reavaliação negativa do Brasil pelas agências de rating. “A volatilidade vai ser o nome do jogo até o quadro ficar claro” , diz Zeina.

O economista-chefe da INVX Global Partners vê  uma disputa acirrada no segundo turno entre o candidato tucano e a presidente Dilma, destacando que ele tem como vantagem uma articulação política maior que Marina, o que facilitaria a aprovação de reformas. “Ele já foi presidente da Câmara dos Deputados e é próximo do PMDB, e teria mais capacidade para implementar mudanças.”

A pesquisa Ibope divulgada ontem mostra que Dilma venceria a disputa com 45% das intenções de voto contra 37% em ambas simulações com Aécio e Marina.

O  economista-chefe do Banco J.Safra, Carlos Kawall, destaca que o candidato tucano tem política econômica bem definida, que tem enfatizado a recuperação do tripé macroeconômico (baseado em câmbio flutuante, cumprimento da meta de superávit fiscal e da meta de inflação).

“A retomada do tripé macroeconômico é algo bem visto pelos investidores e, se isso se concretizar, o real tem espaço para se apreciar”, afirma Kawall. Para ele, o fato de o candidato tucano ter alguns nomes da equipe econômica já definidos pode levar o governo a dar mais clareza sobre a sua proposta de política econômica em  eventual segundo mandato. Por enquanto,  Dilma sinalizou apenas uma troca de comando no Ministério da Fazenda em eventual segundo governo.

Desde 2002, quando o dólar chegou a quase R$ 4, com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva para presidente da República, o mercado financeiro não era tão influenciado pelo cenário eleitoral.

Após um período de euforia com a arrancada de Marina na corrida eleitoral, após a morte de Eduardo Campos em 13 de agosto, a tensão voltou ao mercado desde meados de setembro com o crescimento de Dilma nas últimas pesquisas de intenção de voto.

Depois de atingir o pico no ano de 61.895 pontos, em 2 de setembro, a bolsa brasileira voltou a recuar com o temor de reeleição do governo e manutenção da atual política econômica, criticada pelo intervencionismo no mercado e manobras fiscais. Já o dólar chegou a alcançar R$ 2,4912 em 2 de outubro, maior patamar desde 8 de dezembro de 2008, em plena crise financeira mundial. (Valor Econômico 05/10/2014 às 21h: 31)

 

Isolada na OMC, Índia quer vantagens para desbloquear acordo

Uma solução rápida para superar o bloqueio da Índia ao acordo de facilitação de comércio parece cada vez mais difícil, ameaçando paralisar a Organização Mundial do Comercio (OMC) ainda por um bom tempo e levar mais países a buscar outras vias para aumentar suas exportações.

O pessimismo aumentou depois da falta de resultado de um encontro entre o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente americano, Barack Obama, na semana passada na Casa Branca. Apesar disso, a Índia ainda acha que tem poder de barganha para alcançar uma solução nas próximas semanas.

Importantes negociadores, porém, não veem a menor chance de que isso ocorra, diante das exigências dos indianos. Os EUA e outros países desenvolvidos insistem que o acordo de facilitação de comércio precisa ser desbloqueado para todas as outras negociações serem retomadas.

Sozinha, a Índia bloqueou em julho esse acordo para derrubar burocracia e outros entraves nas aduanas, que foi negociado em dezembro de 2013 em Bali (Indonésia). Insiste que antes seja encontrada também uma solução para os subsídios destinados à formação de estoques para segurança alimentar.

Na OMC, os países em geral reconhecem o direito dos governos de implementar políticas que considerem necessárias para assegurar a segurança alimentar de suas populações. A questão é como definir disciplinas para que isso ocorra sem causar mais distorções no comércio mundial e sem agravar a insegurança alimentar de outros países.

Nas intensas consultas que vêm sendo realizadas entre os países na OMC, a Índia mantém a tática de sempre pedir mais. A interpretação de importantes negociadores é de que o governo indiano quer carta branca para subsidiar à vontade a compra de estoques de arroz e de trigo via preços mínimos, e inclusive despejando os excedentes no mercado internacional, o que termina afetando exportações de outros países.

A Índia quer fazer isso sem ter qualquer risco de ser questionada na OMC, diz um importante negociador. Se não consegue isso, o país parece disposto a paralisar todo o resto das negociações. Para vários parceiros, porém, o preço dessa carta branca para a Índia é caro demais.

As exportações agrícolas indianas pularam de US$ 5 bilhões em 2003 para mais de US$ 39 bilhões no ano passado. O superávit é agora de US$ 20 bilhões. Neste ano, as vendas externas de carne bovina cresceram 18% e as de trigo, 75%.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) avalia que a Índia só conseguiu desempenho tão elevado graças ao enorme aumento de ajuda governamental para a agricultura, principalmente para arroz e trigo, sob o manto da segurança alimentar.

O apoio oficial indiano para a agricultura aumentou de US$ 68 bilhões, em 2009-2010, para US$ 85 bilhões em 2013-2014.

O governo indiano compra arroz e trigo diretamente dos agricultores com preço mínimo, oficialmente para formar estoques por razões de segurança alimentar. Esse preço mínimo aumentou 75% no caso do arroz e 40% no do trigo em seis anos. Os produtos são vendidos a preços mais baixos no mercado doméstico.

Essa política fez a produção se expandir. De um lado, não há armazéns suficientes para os estoques e parte dos produtos fica a céu aberto, estragando. De outro lado, as exportações aumentaram, a preços competitivos.

Em 2013, a Índia tornou-se o maior fornecedor agrícola para os países mais pobres do planeta, com vendas de US$ 5 bilhões, ou US$ 1 bilhão a mais que a União Europeia, o segundo maior exportador para esses mercados.

Conforme o USDA, nos últimos cinco anos os embarques agrícolas indianos para os países mais pobres aumentaram mais que o dobro da taxa da Indonésia - alta de 314% contra 133%.

A questão, agora, é que países como o vizinho Paquistão reclamam que a política de segurança alimentar indiana torna-se a insegurança alimentar dos outros.

Na semana passada, o ministro de Comércio de Ruanda, François Kanimba, ilustrou essa situação, afirmando ao "Financial Times" que os importadores de seu país compravam alimentos da Índia, como açúcar e arroz, a preços muito baixos. E que isso afetava o produtor local e complicava os esforços do país para construir sua própria segurança alimentar.

O diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, deverá convocar os 160 países-membros para um balanço na metade do mês. Estará em debate o que fazer sobre o tratado de facilitação de comércio, com vários países dispostos a ir adiante através de acordo plurilateral, pelo qual entra quem quer. Mas o impacto persistirá sobre decisões do Acordo de Bali (incluindo benefícios para os países mais pobres), a Rodada Doha, e também para a função negociadora da entidade.

A negociação de um plano de trabalho até o fim do ano para a retomada de Doha, a fim de liberalizar o comércio agrícola, industrial e de servicos, está hoje quase totalmente comprometida. E aumenta o risco de maior desengajamento dos países em relação ao sistema multilateral de comércio. (Valor Econômico 06/10/2014)

 

A hora das tecnologias verdes

As tecnologias verdes estão ganhando importância como alavanca de crescimento da economia global. Elas já movimentam um mercado de € 200 bilhões em todo o mundo. Entre os anos de 2008 e 2011, esse mercado avançou a uma taxa anual de 10%. Para efeito de comparação, no mesmo período a economia global cresceu abaixo de 3% ao ano. Enquanto isso, no Brasil, as tecnologias de produção mais eficientes e de menor impacto ambiental representam 0,8% do PIB e movimentam € 8 bilhões por ano. Impulsionado pelo setor de biocombustíveis e energia renováveis, o Brasil é o 4º país no ranking de vendas de tecnologias verdes em relação ao PIB. Na Dinamarca, país que lidera o ranking, o mercado "verde" já representa 3,1% do PIB, segundo estudo da WWF em parceria com a consultoria Roland Berger.

Apesar de estar bem posicionado, o Brasil apresenta crescimento muito inferior em relação ao mercado global e ao seu potencial. Enquanto na China, nos Estados Unidos e na Alemanha o mercado de tecnologias verdes cresce mais de € 16 bilhões ao ano desde 2008, o mercado brasileiro cresce na casa dos € 500 milhões. A situação se repete quando analisamos o crescimento relativo. China e Alemanha tiveram um incremento das vendas de tecnologias verdes em relação ao PIB de 1,2 e 0,3 ponto percentual, respectivamente, entre 2008 e 2011. Em contrapartida, o Brasil não apresentou crescimento e, na verdade, registrou uma leve desaceleração.

Se o país conta com uma série de vantagens comparativas, como um diversificado potencial bioenergético, ventos e radiação solar abundante, o que justifica a reduzida representatividade do Brasil nessa área? Muitos empresários alegam que a inexistência de um arcabouço institucional e regulatório, a baixa competitividade das tecnologias verdes em relação às tradicionais e a dificuldade de acesso a financiamento explicam esse quadro.

A transição para uma economia verde pode ser iniciada dentro dos padrões atuais de mercado.

Tais entraves, porém, não são obstáculos intransponíveis. O país já apresenta um arcabouço institucional e contexto de mercado favorável para as tecnologias verdes, em maior ou menor grau, dependendo da indústria em questão. A Política Nacional de Resíduos Sólidos demanda a estruturação de uma cadeia produtiva; a micro-geração distribuída por consumidores de energia a partir das fontes solar e eólica já foi regulamentada pela Agência Nacional de Energia Elétrica; e o cenário de oferta restrita de energia e água são incentivos inequívocos para projetos de eco-eficiência nas indústrias.

Outro exemplo marcante vem da área de transporte. Montadoras justificam que a baixa penetração de veículos elétricos no país é fruto da carga tributária que incide sobre esses veículos, o que faz com que o valor aqui no Brasil seja o dobro do valor do bem no porto de origem. Outro argumento é a existência de uma indústria nacional de biocombustíveis como o etanol. Entretanto, a existência de uma matriz elétrica limpa, programas como o Inovar Auto e o interesse e capital para inovação das "utilities" de energia formam um ambiente de negócios atrativo para a inovação. Somam-se os ganhos econômicos do lado do consumidor e do país. Com eficiência energética cinco vezes maior que os veículos convencionais, o consumidor economiza na hora de encher o tanque. Já o país ganha com a redução das emissões de poluentes e da dependência de combustíveis fósseis. O entrave, neste caso, parece ser a ausência de um modelo de negócio.

Apostando no potencial das tecnologias verdes, várias organizações empresariais têm explorado a possibilidade de novos modelos de negócio. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) desenvolveu um modelo para destravar projetos de eficiência energética. Já o Instituto Ethos lançou o projeto "Negócios Sustentáveis: transformando ideias em modelos inovadores", que conecta empresas com especialistas em design, branding, modelagem de negócios e finanças para desenvolvimento de um modelo de negócio sustentável com a mesma solidez dos negócios tradicionais. O objetivo é que tal modelo funcione nos padrões atuais de mercado e sem a necessidade de desenvolvimento de novas tecnologias ou alterações do marco legal. A iniciativa baseia-se na premissa de que o desenvolvimento de modelos de negócios pioneiros e de sucesso incentivam a transformação da regulação e dos mecanismos de mercado.

Nesse primeiro ano, o segmento de gestão de energia foi apontado como o mais atrativo, seja pela presença de um arcabouço regulatório favorável, como pela existência de linhas de financiamento com taxas subsidiadas. Esses fatores, somados às sinergias das empresas participantes, possibilitam que um negócio sustentável seja tão ou mais competitivo que os modelos tradicionais. Entre as oportunidades avaliadas destacam-se a microgeração distribuída solar, eficiência térmica na indústria e geração de energia por meio de resíduos sólidos urbanos. Somente a microgeração e geração distribuída possuem potencial de atingir 67 milhões de consumidores, atraindo investimentos de R$ 48,9 bilhões até 2030, segundo estudo da consultoria DNV Kema.

O desenvolvimento de um negócio sustentável, competitivo e escalável demonstra a empresários, governo e sociedade civil que a transição para uma economia verde pode ser iniciada dentro dos padrões atuais de mercado. Por meio de iniciativas pioneiras cria-se não apenas uma nova via de desenvolvimento para a indústria nacional, mas também um instrumento que proporciona vantagem competitiva no momento em que houver uma transformação institucional favorável. (Valor Econômico 06/10/2014)

 

Goldman Sachs projeta piso de US$90 para preço do petróleo Brent

O banco Goldman Sachs projetou o piso para os preços do petróleo Brent em 90 dólares por barril no médio prazo, depois que o contrato global de referência para a commodity caiu na semana passada para o menor nível desde junho de 2012.

Em dois relatórios publicados esta semana, o banco de investimentos manteve sua previsão de 12 meses para o preço do Brent em 100 dólares por barril, mas disse que "há riscos de que nossa previsão seja redirecionada para baixo caso o crescimento da demanda continue desacelerado".

O novo piso para o Brent está baseado nos 95 dólares por barril, em média, necessários para equilibrar as contas dos membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), disse o banco.

Uma maior produção de óleo de xisto nos Estados Unidos e uma menor interrupção na produção da Líbia, do Irã e da Nigéria adicionam pressão sobre os preços do petróleo, afirmou.

"Embora nossa convicção na previsão de 100 dólares por barril esteja se esvaindo, particularmente devido à falta de sinais tangíveis da uma aceleração sequencial no crescimento da economia global, nós não perdemos convicção o suficiente para mudar nossas previsões".

O petróleo Brent caía para perto de 92 dólares por barril nesta sexta-feira, em uma série de quatro sessões consecutivas de queda que jogou os preços no menor patamar desde 2012, com oferta abundante e um dólar forte continuando a afetar as cotações. (Reuters 03/10/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Alta em NY: As cotações do açúcar demerara subiram na bolsa de Nova York na sexta-feira, impulsionadas por compras técnicas. Os lotes para maio fecharam a 16,70 centavos de dólar a libra-peso, alta de 34 pontos. Na semana passada, os preços andaram "de lado", diante da entrega dos lotes comprometidos nos contratos para outubro e da espera por novos dados sobre oferta e demanda daqui até o início do próximo ano - quando o Centro-Sul do Brasil estará em entressafra, embora com altos volumes do produto em estoque. "O mercado tem se mantido, contudo, acima dos 16 centavos, com importante defesa deste nível por parte da compra", observou Bruno Lima, da FCStone. No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,99%, a R$ 45,91 a saca de 50 kg.

Café: Realização de lucros: Após a disparada dos preços do café nos quatro primeiros pregões da semana passada, os fundos embolsaram parte dos lucros obtidos e derrubaram as cotações na bolsa de Nova York na sexta-feira. Março fechou a US$ 2,103 a libra-peso, queda de 220 pontos. O movimento, porém, não foi suficiente para levar os preços abaixo de US$ 2 a libra-peso, patamar de suporte, segundo Kash Kamal, analista da Sucden Financial. A seca no Sudeste brasileiro deve se manter neste início de semana, apesar do avanço de uma frente fria sobre a região. Os boletins meteorológicos devem voltar a pautar as negociações nesta semana, acredita Rodrigo Costa, da Newedge, em Nova York. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica subiu 0,85%, para R$ 501,20 a saca.

Cacau: Piso em três semanas: Os preços do cacau recuaram pela quarta sessão seguida na sexta-feira na bolsa de Nova York, com as atenções dos investidores mais voltadas aos fundamentos. Os contratos para março fecharam a US$ 3.036 a tonelada, queda de US$ 35. Embora novos casos de ebola estejam sendo registrados fora da África, os investidores acreditam que a doença não representa uma ameaça às vendas de cacau no oeste do continente, ao menos por enquanto. Espera-se que os produtores da Costa do Marfim iniciem em breve a colheita da safra principal, que deve superar o volume do ciclo passado. Porém, o Goldman Sachs avalia que a "probabilidade de déficit" tem crescido por causa da demanda. No mercado interno, o preço médio da arroba em Ilhéus/Itabuna caiu a R$ 109, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: De olho no USDA: Os investidores do mercado da soja já começaram a especular sobre as próximas projeções de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), o que direcionou os futuros do grão para o campo negativo na sexta na bolsa de Chicago. Janeiro fechou a US$ 9,205 o bushel, recuo de 12,5 centavos. Os analistas acreditam que o USDA elevará sua estimativa para a colheita americana em seu próximo relatório mensal, que sairá na sexta-feira. A Informa Economics divulgou que prevê uma produção de 109,3 milhões de toneladas, quase 4 milhões a mais que o projetado pela consultoria no mês anterior. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a soja no Paraná recuou 0,27%, para R$ 58,59 a saca 60 quilos. (Valor Econômico 06/10/2014)