Setor sucroenergético

Notícias

Usinas começam a encerrar moagem da safra 2014/15

A estiagem que prejudicou a produção da cana-de-açúcar em todo o Estado antecipará, em quase dois meses, o encerramento da moagem em usinas da região.

Segundo a Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo), uma companhia da microrregião de Piracicaba para as atividades ainda nesta semana e outra, localizada no município, conclui os trabalhos desta safra em, no máximo, 30 dias.

Todas as outras dez usinas da área de abrangência da cooperativa devem encerrar a moagem até 20 de novembro.

A Raízen, um dos principais grupos do setor, confirmou que duas de suas usinas finalizarão os trabalhos ainda neste mês.

Segundo a cooperativa, uma delas é a Santa Helena, que está localizada em Rio das Pedras.

Consequências

A conclusão desse processo antes do previsto traz prejuízos aos produtores rurais e também aos trabalhadores temporários dessas companhias, que começarão a ser dispensados dos cargos.

Um prejuízo direto para a economia da região que trará reflexos imediatos e também em médio prazo, comentou o presidente da Coplacana, Arnaldo Bortoletto.

“O fim da moagem antes do tempo previsto causa uma entressafra mais longa, o que prejudica o produtor, que fica mais tempo sem ter de onde tirar recursos. Isso afeta a renovação da área de plantio, pois os canavieiros terão menos dinheiro para reformar a lavoura e, consequentemente, terão menos produtividade na próxima safra”, afirmou.

Conforme Bortoletto, cada produtor, na entrega da cana à usina, recebe 80% do valor total da venda imediatamente, sendo que os 20% restantes são quitados entre os meses de janeiro, fevereiro e março.

Com a safra encerrada em outubro, não haverá recebimento de venda por pelo menos dois meses.

Sem recursos suficientes, os produtores devem adiar a reforma dos canaviais, aproveitando as plantas que já estão no solo em vez de substituí-las parcialmente, o que melhora a produção.

Segundo o presidente da cooperativa, há necessidade de reforma de 15% a 20% da área de plantio a cada safra.

Para o próximo ano, no entanto, menos de 10% da área plantada deverá passar por esse processo.

Outro impacto para a economia da região será a dispensa antecipada dos trabalhadores temporários das usinas.

Antes demitidos apenas em dezembro, muitos deixarão os postos de trabalho até o final deste mês.

“A dispensa dos temporários ao final da safra é esperada, mas dessa forma antecipada preocupa, pois o fim de ano gera 13º salário e outros benefícios. Os dispensados agora recebem seus direitos, mas até dezembro já não terão a mesma renda e a nova safra só começa em meados do próximo ano”, disse.

Somando-se as 12 usinas da região, serão cerca de 6.000 trabalhadores dispensados antes do esperado na região.

Sem incentivos

Além da quebra de safra provocada pela estiagem, o presidente da Coplacana voltou a alertar sobre os baixos preços praticados no mercado, o que tem inviabilizado a produção da cana-de-açúcar.

Segundo ele, o produtor vive uma das piores fases e tem grande dificuldade para sobreviver até maio de 2015, quando uma nova safra ganha força.

Bortoletto lembrou que, até o momento, não houve qualquer retorno do Governo Federal quanto ao pedido de subsídio à produção.

A categoria pede subvenção entre R$ 10 e R$ 12 por tonelada de cana-de-açúcar colhida — por pequenos produtores — como forma de amenizar os prejuízos do setor.

Hoje, conforme a Coplacana, em Piracicaba e 70 municípios de abrangência da entidade, existem 130 mil hectares de cana-de-açúcar plantada.

Em anos normais, a produtividade gira em torno de 78 a 80 toneladas por hectare.

Já neste ano, com a seca, a colheita tem ficado entre 62 e 65 toneladas por hectare plantado. (Jornal de Piracicaba 08/10/2014)

 

Queda nas exportações de etanol agrava crise do setor no Brasil

Custo baixo do produto norte-americano tirou a competitividade do nacional.

As exportações de etanol caíram mais de 50% neste ano. A queda do preço do milho diminuiu o custo do etanol de milho nos Estados Unidos e tirou a competitividade do produto brasileiro. A redução das vendas externas é mais um fator que colabora com a crise que o setor enfrenta em 2014.

A produção de etanol já ultrapassou os 18 milhões de litros, aumento de quase 5% em relação ao mesmo período de 2013. Enquanto as vendas no mercado interno têm ligeira queda, as exportações despencaram em 2014. No acumulado da safra, que teve início em abril, foram exportados 700 mil metros cúbicos de combustível, principalmente etanol anidro que é misturado à gasolina. O principal motivo para a redução das exportações é a produção de etanol de milho nos Estados Unidos.

- Estamos diante de uma safra muito boa de milho. Os preços do milho também caíram a quase metade do que eram há dois, três anos. Então o metanol americano se tornou extremamente competitivo e praticamente inviabilizou a entrada no metanol brasileiro no mercado norte americano – explica o diretor executivo da Bioagência, Tarsilo Rodrigues.

O presidente da Associação Brasileira do Agronegócio e especialista no setor sucroenergético, Caio Carvalho, afirma que a queda das exportações colaborou para aumentar a crise do setor.

- O preço da gasolina é definido pelo governo e ele coloca uma tampa na minha panela. Mesmo que eu estivesse exportando os preços estariam sufocados pela gasolina. Esta é a realidade da pressão que o setor sofre – afirma.

O setor sucroenergético aguarda por duas medidas do governo que podem aumentar a demanda por etanol: o aumento da mistura de álcool anidro na gasolina de 25% para 27,5% e o reajuste do preço da gasolina que deixaria o etanol mais competitivo.

- Hoje, na média, você não tem margem nenhuma. É muito desagradável para qualquer setor da economia e também para o setor produtor de etanol - diz Carvalho. (Rural BR 08/10/2014 às 19h: 05m)

 

Açúcar: À espera da Única

À espera de dados sobre a moagem de cana no Centro-Sul do Brasil, os preços do açúcar tiveram leve baixa na bolsa de Nova York ontem.

Os contratos futuros com vencimento em maio encerraram o pregão negociados a 17,14 centavos de dólar por libra-peso, ligeiro recuo de 8 pontos.

Conforme analistas, os traders aguardam os dados de moagem de cana na segunda quinzena de setembro, que serão divulgados hoje pela Unica.

As apostas do mercado para o volume de açúcar produzido no período já assumem que a colheita está chegando ao fim e que a cana está sendo cada vez mais direcionada à produção de etanol.

As estimativas para o dado giram entre 29 milhões e 36 milhões de toneladas.

Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 46,68 a saca de 50 quilos, valorização de 0,33%. (Valor Econômico 09/10/2014)

 

Setor sucroenergético terá queda de produtividade na safra 2014/15

O setor sucroenergético nesta safra 2014/15 será marcado pela queda nos índices de produtividade em consequência da escassez de chuva na  região Centro-Sul, que corresponde aos Estados de São Paulo e Paraná. É o que mostra o boletim “Ativos da Cana-de-Açúcar”, elaborado pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresa (Pecege), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Em razão desse quadro de estiagem que deve se agravar no verão, o levantamento Pecege/CNA avalia que a safra atual terá aumento nos custos de produção, tendência oposta àquela observada nas duas últimas safras. Ao mesmo tempo, a escassez de chuva deverá elevar os Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) da cana e, dessa maneira, contribuir para a recuperação dos preços praticados no mercado para o açúcar e o etanol, “suavizando os impactos negativos da esperada queda de rentabilidade dos produtos agroindustriais”, avalia o estudo.

“É importante lembrar que o produtor é remunerado pela qualidade da matéria-prima, expressa em quilo de ATR por tonelada de cana”, diz o estudo. Os dados sobre as variações das principais contas dos custos de produção foram estimados pelo Pecege/CNA com base nos índices de preços praticados entre abril de 2013 e março de 2014.

Os itens que mais irão influir no aumento dos custos de produção do setor sucroenergético, segundo o Pecege/CNA, são: queda de 6% na produtividade por hectare; elevação de 8% nos salários dos operários do setor; e 8,5% de aumento no preço do corte, carregamento e transporte da cana (CCT).  Além da cana, o Pecege/CNA avaliou também a situação do etanol e do açúcar VHP.

A projeção dos preços do etanol anidro, expectativa de aumento de 9,5%, foi baseada na variação do índice de preço Cepea/Esalq/USP entre abril de 2013 e abril de 2014. No caso do açúcar VHP – termo técnico para o açúcar não refinado -, a análise do Pecege/CNA indica que o preço vai aumentar 6,4%, com base no comportamento médio das cotações dos contratos futuros de dólar, com vencimento em outubro deste ano e março de 2015. Esta projeção toma por base os valores médios do câmbio fechado em outubro de 2013 e março de 2014.

A previsão é que o preço do etanol anidro na safra atual alcance R$ 1,5 mil por metro cúbico. O açúcar VHP deve chegar a R$ 800 a tonelada. “O cenário esperado indica que apenas produtores com alta produtividade agrícola, ou boas negociações de preço no pagamento da cana, conseguirão atingir rentabilidade”.

Em razão da importância do setor sucroenergético, a CNA encaminhou ofício aos ministros da Agricultura; das Minas e Energia; e da Casa Civil, destacando os resultados do estudo  e a necessidade de serem adotadas medidas capazes de tornar a atividade economicamente viável. (Valor Econômico 08/10/2014 às 11h: 51m)

 

Na primeira pesquisa, Aécio lidera

Levantamento encomendado pela revista ÉPOCA mostra vantagem do tucano de oito pontos sobre a presidente.

A primeira pesquisa divulgada após o primeiro turno das eleições mostra a virada do candidato Aécio Neves (PSDB). Ele aparece à frente da presidente Dilma Rousseff (PT) no levantamento encomendado pela revista ÉPOCA e feito pelo instituto Paraná Pesquisas.

Se a eleição fosse hoje, de acordo com a pesquisa, Aécio teria 49% das intenções de voto contra 41% de Dilma. Não sabe ou não responderam somam 10%. Em votos válidos, Aécio tem 54%, e Dilma, 46%.

O levantamento foi feito com 2.080 eleitores. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral, sob o número BR 01065/2014. O nível de confiança da pesquisa é de 95%, com uma margem de erro de 2,2% para mais ou para menos. Isso significa que a probabilidade de a realidade corresponder ao resultado dentro da margem de erro é de 95%.

A pesquisa foi divulgada no mesmo dia em que o tucano teve outras boas notícias: recebeu o apoio oficial dos ex-candidatos Pastor Everaldo e Eduardo Jorge e também do PSB, que no primeiro turno teve Marina Silva como candidata no primeiro turno (leia mais abaixo). Marina ainda não divulgou se vai apoiar o tucano.

Porém, mesmo sem o apoio oficial da ex-ministra, os votos que ela teve no primeiro turno parecem ter migrado para o tucano. “Podemos afirmar que Aécio Neves inicia o segundo turno com uma boa vantagem, porque herdou mais votos de Marina Silva. Vamos ver como o eleitor se comportará após o início do horário eleitoral gratuito”, afirma o economista Murilo Hidalgo, presidente do Paraná Pesquisas, à Época. (A Cidade 09/10/2014)

 

Chuvas generalizadas atingem áreas agrícolas só no fim do mês

Chuvas generalizadas e mais intensas deverão retornar às áreas agrícolas do Centro-Oeste e do Sudeste do país apenas a partir de 25 de outubro, e até lá o tempo mais seco continuará trazendo preocupação e transtornos para produtores de soja e de café.

Uma frente fria trouxe baixas temperaturas e ar seco para o Brasil central nos últimos dias, inibindo a formação de nuvens.

"Chuva definitiva mesmo somente no final de outubro", disse o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Somar Meteorologia, nesta quarta-feira.

O clima seco deverá se prolongar pelos próximos dias, acrescentou.

"Há a possibilidade para pancadas de chuvas isoladas neste próximo final de semana sobre o Sudeste e Centro-oeste, contudo, serão muito pontuais e de baixa intensidade, não garantindo que venham a ocorrer sobre as áreas desejadas", disse Santos.

Na avaliação do meteorologista Alexandre Nascimento, da Climatempo, as chuvas de outubro ainda estão dentro de uma média histórica. Mesmo assim, só deverão ganhar força ao fim de outubro.

"Ainda tem chuva neste mês, mas é só nos últimos 10 dias", disse ele.

Após algumas pancadas em Mato Grosso na segunda quinzena de setembro, as chuvas no principal Estado produtor de soja do país cessaram, interrompendo o trabalho de semeadura da oleaginosa, que já havia começado em muitas regiões.

"Agora está todo mundo parado com o plantio. A temperatura está muito alta. A disponibilidade de água no solo é baixa", contou à Reuters o agricultor Emerson Zancanaro, de Nova Mutum, na região central de Mato Grosso.

Segundo ele, muitas das áreas já plantadas ainda devem suportar o estresse hídrico, porque a soja já tem estatura suficiente.

Algumas lavouras, no entanto, onde as sementes ainda não brotaram, podem ter que ser replantadas. "São casos isolados", ponderou.

O plantio em Mato Grosso atingiu cerca de 4,5 por cento da área total projetada até a semana passada, segundo relatório mais recente do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Especialistas dizem que a paralisação dos trabalhos de plantio no Centro-Oeste, no momento, ainda não ameaça o desenvolvimento dentro da janela ideal de clima.

O Brasil deverá colher um recorde de mais de 90 milhões de toneladas de soja este ano, indicam projeções de diversas consultorias.

CAFÉ

O tempo seco dos últimos dias no cinturão cafeeiro do Sudeste do Brasil também tem levado preocupação para o mercado, em um período em que devem começar as floradas que vão gerar os grãos a serem colhidos em 2015.

A cotação do café arábica atingiu esta semana a maior cotação desde janeiro de 2012 na bolsa de Nova York, tendo a falta de chuvas no Brasil como um de seus principais fatores de alta.

Segundo Santos, da Somar, as chuvas nas principais regiões de café deverão retornar a partir do dia 18 de outubro, mas ainda de maneira irregular.

"Enquanto isso, a seca pode fazer um belo estrago", afirmou.

Na terça-feira, a cooperativa Cocatrel, de Três Pontas (MG), disse que o potencial de sua safra de café em 2015 já é 30 por cento menor que o da safra 2013, quando 1,5 milhão de sacas foram colhidas.

A partir de novembro, ressaltou Santos, o quadro deve mudar bastante nas regiões agrícolas do centro do país, que passarão a ter precipitações regulares, com volumes que podem ficar acima da média histórica, devido à ocorrência de um fenômeno El Niño fraco.

"Quando a chuva começar, não para mais. Aí, a probabilidade de novos veranicos (períodos curtos de estiagem) é muito pequena", disse o agrometeorologista. (Reuters 08/10/2014)

 

Inflação acima da meta vai segurar gasolina

Avanço de 6,75% em 12 meses pode levar governo a aplicar reajuste abaixo de 4%.

O avanço da inflação em 0,57% em setembro levou o IPCA, medido pelo IBGE, a superar o teto da meta do governo — de 6,5%—, ficando em 6,75% no acumulado dos últimos 12 meses. De acordo com analistas, o resultado, a apenas três meses do fim do ano, pode reduzir a margem de manobra do governo para aplicar um reajuste à gasolina acima dos 4% de 2013. Conforme já anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, o reajuste deve sair logo depois das eleições. Nos últimos meses, a boa safra de cana-de-açúcar vem contribuindo para que os preços do etanol, e por consequência, da gasolina registrem uma inflação bem abaixo da oficial. No ano, os preços dos combustíveis para veículos subiram apenas 0,31%, bem abaixo dos 4,61% do IPCA geral.

Mesmo com a expressiva defasagem entre custos de produção dos combustíveis e o retorno financeiro no mercado doméstico; associada à discrepância com relação aos preços da gasolina no mercado internacional, a tendência é a de que o governo considere como prioridade manter a inflação na meta e leve para o finzinho do ano o aumento da gasolina a um reajuste bem mais discreto. "É difícil imaginar que se corrija o preço represado todo de uma vez. O que pode acontecer é, chegando mais perto do fim do ano, com uma noção mais clara dos riscos de a inflação estourar ou não o teto da meta, o governo autorizar um reajuste", avalia o superintendente adjunto de Inflação do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV/ Ibre), Salomão Quadros.

Para o economista, no entanto, dificilmente teremos uma repetição do reajuste aplicado no ano passado. "O aumento deve ser menor do que os 4% ou acontecer no meio do mês de dezembro, para que seus efeitos sobre a inflação sejam diluídos e não haja riscos de o teto da meta ser superado"; completa Quadros, salientando que o IPCA pode continuar a subir nos próximos meses, novamente, pressionada pela expansão nos preços de alimentos, serviços e energia elétrica. Enquanto os reajustes não são autorizados pelo governo, a briga de preços entre donos de postos têm pressionado o valor do produto na bomba.

Mesmo com o IPCA de setembro dos combustíveis marcando retração de 0,05% no mês, sendo 0,07% da gasolina e 0,01% do etanol, Salvador registrou expansão de 10,22% no preço dos combustíveis. A gasolina subiu 10,98% e o etanol 12,12%. Presidente do Sindicombustíveis Bahia, José Augusto Costa diz que a alta observada no mês é resultado da recomposição dos preços, que tiveram fortes quedas em junho e julho. "Os preços praticados em setembro são os mesmos de novembro de 2013. No meio do ano, a concorrência levou os postos a abaixarem os preços e agora estão retomando os valores. Além disso, o consumo tem caído.

“O brasileiro tem viajado menos", diz. Com exceção da Grande Vitória (ES), que registrou uma alta de 1,02% no preço dos combustíveis no mês — 1,11% da gasolina e 0,32% do etanol —, as demais 11 regiões pesquisadas pelo IBGE — 13 no total — tiveram queda nos preços dos combustíveis. Goiânia foi a que se destacou, com uma retração no mês de 7,03%, sendo que a gasolina registrou uma queda de 7,09% e o etanol de 9,68%. (Brasil Econômico 09/10/2014)

Exportação do agronegócio do Brasil recua 4,6% em 12 meses; setor de cana pesa

As exportações do agronegócio do Brasil atingiram 97,88 bilhões de dólares no intervalo de 12 meses até setembro, queda de 4,6 por cento na comparação com o mesmo período anterior influenciada principalmente por uma derrocada acentuada dos embarques de açúcar, apontaram dados do Ministério da Agricultura nesta quarta-feira.

As vendas agropecuárias do Brasil responderam apor 41,1 por cento do total exportado pelo país; que somou 238,16 bilhões de dólares em 12 meses, baixa de 0,6 por cento em relação ao período anterior.

Os embarques de açúcar e etanol caíram 31,2 por cento no período, para 10,9 bilhões de dólares, com recuos em volumes (-19,8 por cento) e dos preços de vendas (-14,2 por cento), e a indústria sucroalcooleira apresentando-se como aquela com pior desempenho entre os grandes setores do agronegócio, segundo os números do ministério.

As exportações de açúcar do maior exportador global da commodity caíram 27 por cento na mesma comparação, para 9,8 bilhões de dólares, à medida que os embarques refletiram uma menor oferta em função da quebra de safra no centro-sul e também um interesse de venda limitado, por conta dos preços mais baixos diante da robusta oferta da commodity no mercado internacional.

As vendas externas de milho também caíram de forma acentuada, após o Brasil exportar volumes recordes no ano passado. Entre outubro de 2013 e setembro de 2014, o Brasil exportou o equivalente a 4,35 bilhões de dólares do cereal, baixa de 36,8 por cento, com um recuo nos volumes e nos preços.

As exportações do agronegócio no acumulado de 12 meses só não recuaram mais porque setores como a soja estão exportando valores recordes --em 12 meses, somaram 32,57 bilhões de dólares (grão, farelo e óleo), alta de 6,6 por cento na comparação com o período anterior.

Os embarques de carnes subiram no período 3,1 por cento, para 17,24 bilhões de dólares, com impulso da carne bovina, cujas vendas acumularam alta de 11,6 por cento, para 7,13 bilhões de dólares. (Reuters 08/10/2014 às 19h: 01m)

 

Receita agrícola deverá recuar no país em 2015, confirma consultoria

A receita bruta dos principais produtos agrícolas cultivados no Brasil deverá somar R$ 293,5 bilhões em 2014, conforme cálculos atualizados divulgados ontem pela GO Associados. O montante, recorde, representa um aumento de 7,8% em relação à estimativa da consultoria para o valor nominal da produção em 2013 (R$ 272,2 bilhões). Sobretudo em virtude da atual tendência de queda dos preços internacionais dos grãos, a receita agrícola conjunta projetada para 2015 pela GO é de R$ 290,5 bilhões, 1% menos que neste ano.

Carro-chefe do agronegócio brasileiro, a soja deverá registrar, conforme a consultoria, receita de R$ 94,4 bilhões em 2014, 15,5% acima do ano passado (R$ 81,7 bilhões). Mas, apesar de a GO prever um incremento de 5,1% na colheita do grão no país em 2015, para 91 milhões de toneladas - a Conab projeta quase 95 milhões -, o valor da produção estimado para o ano que vem é de R$ 89,3 bilhões, um recuo de 5,4% em igual comparação.

No caso do milho, a receita estimada para este ano é de R$ 36,3 bilhões, 6,2% menor que a de 2013 (R$ 38,7 bilhões), e a de 2015 foi calculada pela GO Associados em R$ 34,8 bilhões, novamente mais baixa (4,1%). A consultoria acredita que a colheita do cereal alcançará 81,4 milhões de toneladas no ano que vem, quase 4 milhões a mais que em 2014.

Ainda para 2014, a empresa prevê incrementos do valor nominal da produção de algodão (14,8%, para R$ 3,1 bilhões), arroz (14,9%, para R$ 10,8 bilhões), trigo (26,2%, para R$ 5,3 bilhões), café (18,2%, para R$ 20,8 bilhões), fumo (4,3%, para R$ 7,3 bilhões) e laranja (31,4%, para R$ 15,9 bilhões). Em campo negativo também estão o feijão (queda de 2,3%, para 8,6 bilhões) e a cana (queda 0,6%, para R$ 51,1 bilhões).

Para 2015, além das quedas estimadas para soja e milho, a GO Associados também projeta receitas mais baixas que as previstas para este ano para algodão, trigo e laranja (0,6%, para R$ 15,8 bilhões. Mas vê aumentos para arroz, feijão, café, cana e fumo. (Valor Econômico 09/10/2014)

 

Modelo matemático para diluir agrotóxicos diminui risco de contaminação ambiental

Para os pesquisadores, o contágio das fontes de água doce naturais está resultando em um passivo ambiental elevado que põe em perigo os ecossistemas terrestres.

Modelo da Embrapa calcula os valores adequados para diluição de agrotóxicos sem prejuízo à água.

A mais recente edição da Spanish Journal of Agricultural Research, revista científica do Instituto Nacional de Investigación y Tecnologia Agraria y Alimentaria do Ministério de Economia e Competitividade espanhol, traz um modelo matemático capaz de estimar o volume de água cinza necessário para diluir misturas de agrotóxicos na água e minimizar os riscos ao ambiente aquático. A novidade foi desenvolvida por pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

O termo “água cinza” é usado para se referir à água residual de diferentes processos, desde a que foi utilizada no banho até a da produção industrial. Na agricultura, é um dos componentes da pegada hídrica, a soma de todo o consumo de água envolvido na produção, incluindo a verde, vinda da chuva e contida no solo, a azul (da irrigação) e a cinza, que assimila a carga de pesticidas e fertilizantes.

O artigo: A mathematical model to estimate the volume of grey water of pesticide mixtures, de Lourival Paraíba, Ricardo Pazianotto, Alfredo Luiz, Aline Maia e Claudio Jonsson, da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna (SP), apresenta cálculos com valores de concentrações letais de diversos agrotóxicos em organismos indicadores da qualidade hídrica, como algas, peixes e microcrustáceos, chegando aos volumes de água necessários para diluir a carga dos pesticidas e minimizar os riscos para a vida aquática e o homem.

Para os pesquisadores, a contaminação das fontes de água doce naturais está resultando em um passivo ambiental elevado que põe em perigo os ecossistemas terrestres. Além disso, o crescimento da produção agrícola por conta da expansão da produção global de recursos de energia biológica evidencia o risco de escassez de água.

– Em qualquer sistema agrícola sustentável, para a manutenção da vida em todas as suas dimensões, é necessário manter a qualidade de água doce – disse Paraíba.

O modelo da Embrapa calcula os valores adequados para diluição de agrotóxicos sem prejuízo à água. Tradicionalmente, para fazer esses cálculos é necessário conhecer a carga de pesticidas usada no cultivo e os limites máximos de resíduos na água. Mas nos cultivos agrícolas brasileiros são utilizados vários pesticidas cujos limites permitidos em água não estão definidos. Além disso, o procedimento clássico não considera em seus cálculos o efeito dessa água residual em organismos aquáticos.

O modelo matemático desenvolvido pelos pesquisadores da Embrapa estima o volume de água cinza que deveria ser necessário para proteger as espécies aquáticas sensíveis e indicadoras da qualidade da água do ambiente, de acordo com critérios estabelecidos pela União Européia.

Foram consideradas as características físico-químicas dos pesticidas, as doses recomendadas e as concentrações que causam efeitos letais em 50% da população de organismos aquáticos indicadores da qualidade da água. Dessa forma, foi proposto um método numérico que estima o volume total de água necessário para diluir concentrações de misturas do conjunto total de pesticidas utilizado em um cultivo agrícola. Além de estimar o volume de água que seria necessário para diluir, ao mesmo tempo, todos os pesticidas que poderiam ser encontrados, o modelo também inclui um indicador numérico que exprime o volume de água cinza que seria produzido por cada pesticida.

De acordo com Paraíba, esses valores poderiam ser informados nas embalagens dos pesticidas, orientando o produtor sobre quais são os volumes de água cinza decorrentes da utilização do produto.

– Isso possibilitaria a redução desses volumes. Seria como o que faz o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), ao indicar o consumo de energia de uma lâmpada ou de um eletrodoméstico – exemplificou. (Rural BR 08/10/2014 às 13h: 11m)

 

Fiscalização flagra 122 caminhões de cana acima do peso permitido por lei

Uma fiscalização do Ministério Público do Trabalho (MPT) na região Centro-Oeste Paulista flagrou em dois dias caminhões canavieiros transportando carga acima do permitido por lei. Em alguns casos, o volume de cana a mais chegava a 60 toneladas. O peso máximo permitido para esses caminhões é de 74 toneladas. Em 123 veículos fiscalizados, 122 ultrapassavam 100 toneladas de carga.

A capacidade varia de acordo com o modelo e a quantidade de eixos. Para fazer o transporte é preciso uma autorização fornecida pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Durante a fiscalização do MPT, em parceria com a Polícia Rodoviária Federal, esse foi um dos quesitos analisados.

Em uma usina que fica em Lins (SP), a carga sai da cidade de Uru. Já nos primeiros minutos de fiscalização na terça-feira (7), dois caminhões foram encontrados sem a autorização especial de transporte, já que os documentos não estavam com os motoristas. Além disso, um dos caminhões não tinha placas e, de acordo com o documento do veículo, o veículo estava rodando desde maio deste ano.

O motorista declarou ao procurador do MPT que é comum o veículo transportar em torno de 110 toneladas, sendo que o veículo tem capacidade para 74 toneladas. “De cara já da para verificar que ele está com excesso de carga. O motorista já declarou que costumam carregar 110 toneladas. Uma situação que coloca em risco o motorista e os demais veículos que transitam na rodovia, além de estragar o asfalto, que não foi feito pra suportar esse peso que os caminhões transportam”, afirma o procurador do MPT, Marcos Vinícius Gonçalves.

Na usina foi feita a pesagem dos caminhões. Em um dos caminhões, o volume chegou a 123 toneladas. Depois, procuradores e policiais seguiram para o escritório da empresa, onde pegaram depoimentos e analisaram documentos.

“Em uma amostragem de 123 veículos, 122 ultrapassaram a casa das 100 toneladas e, alguns deles, chegando a 50, 60 toneladas a mais do que o permitido por lei”, garante o procurador José Fernando Maturana, que diz ainda que foram descobertas algumas irregularidades na jornada de trabalho dos motoristas.

“Agora, na quinta-feira (9), nós marcamos uma audiência com eles, em que daremos oportunidade para adequarem a sua conduta. Se aceitarem, faremos um termo de ajustamento de conduta, caso contrário o MP ingressará com ação civil pública”, completou o procurador.

As autorizações especiais de transporte estavam arquivadas no setor de transporte, mas deveriam estar nos veículos porque servem para fiscalização da PRF.

Nesta quarta-feira (8), um caminhão com 23 toneladas acima do permitido foi fiscalizado e a usina multada pela Polícia Rodoviária Federal que acompanha a operação, já que o veículo havia transitado pela BR-153. Os procuradores do trabalho também verificaram uma fazenda em Promissão. Em uma frente de trabalho, o horário e espaço de vivência estavam corretos, mas o banheiro irregular. Apesar disso, não houve notificação ou multa. Um Termo de Ajustamento de Conduta será discutido para tentar resolver o problema.

A usina responsável informou por meio de nota, que no momento da fiscalização estava sendo feita a limpeza diária dos banheiros e que em seguida os itens seriam recolocados. Quanto ao excesso de peso dos caminhões, a usina afirmou que irá intensificar investimentos de transporte para se adequar por completo. (G1 08/10/2014)

 

Linhas aéreas de açúcar

O Boeing 737 vermelho e branco não parecia ser diferente das demais aeronaves na pista do aeroporto internacional de Orlando. Mas, num dia claro de julho deste ano, o avião se tornou o primeiro voo comercial movido a um novo combustível feito a partir da cana de açúcar.

O voo de passageiros, operado pela empresa brasileira GOL, de tarifas econômicas, partiu da Flórida com destino a São Paulo usando uma mistura de combustível comum com 10% de bioquerosene.

Em meados deste ano o farnesano (ou bioquerosene) se tornou o terceiro tipo de combustível renovável destinado à aviação a ser aprovado pela agência ASTM International, responsável pela padronização na indústria, além daqueles criados a partir de algas e de sementes, aprovados nos anos recentes.

Linhas aéreas mais comerciais estão pensando em usar o bioquerosene em alguns voos, disse John Melo, diretor executivo da Amyris, empresa de biotecnologia com sede na Califórnia e responsável por desenvolver o bioquerosene numa joint venture com a gigante francesa Total.

Em setembro, a alemã Lufthansa operou um voo de Frankfurt a Berlim abastecido com bioquerosene, que pode ser misturado diretamente com o combustível de jato à proporção de 10% sem causar nenhuma alteração nas aeronaves, nos motores e no equipamento de abastecimento.

Biocombustíveis renováveis destinados à aviação trazem a difícil promessa de oferecer mais segurança energética, reduções na emissão de carbono e preço baixo – uma preocupação cada vez mais aguda conforme as autoridades reguladoras internacionais se preparam para implementar regras mais rigorosas.

A indústria global da aviação também estabeleceu uma ambiciosa meta de redução nas emissões de carbono, incluindo um corte de 50% até 2050 em relação ao volume emitido em 2005.

Para alcançar esses objetivos, os combustíveis renováveis podem ser parte do quebra-cabeça. O bioquerosene pode reduzir a emissão de gases-estufa em até 80% se comparado em estado puro aos combustíveis derivados do petróleo, de acordo com a Amyris. Combustíveis renováveis como o farnesano “ajudariam a reduzir o volume total de emissões de carbono da aviação comercial”, disse a Federal Aviation Administration, agência do governo dos Estados Unidos encarregada de supervisionar o setor.

Entretanto, há importantes obstáculos para aumentar a popularidade dos biocombustíveis na aviação, principalmente o alto custo e as barreiras para a produção em massa.

Eles também trazem preocupações com a substituição do cultivo de alimentos e o desmatamento. Os biocombustíveis de aviação “não são uma solução mágica”, disse Ben Schreiber, diretor de programas para o clima e a energia do grupo ambientalista Amigos da Terra. “Eles logo se tornam um fator negativo se tentamos produzir demais.” Empresas aéreas como a United, KLM e Alaska Airlines já operaram voos abastecidos com óleo feito de algas, óleo vegetal de cozinha usado e plantas como camelina e mamona.. Mas, apesar da animação inicial, as empresas aéreas comerciais não adotaram os biocombustíveis em larga escala, principalmente por causa do alto custo.

Mas o farnesano pode ser mais comercialmente viável porque é produzido numa fábrica da Amyris no Brasil, que conta com uma política robusta e infraestrutura para promover e produzir biocombustíveis.

A fábrica da Amyris no estado de São Paulo tem capacidade para a produção de 50 milhões de litros por ano. Atualmente, a empresa fornece combustível renovável aos ônibus municipais brasileiros.

O Brasil é o maior produtor mundial de cana de açúcar e o segundo maior produtor de etanol. A maioria dos veículos leves nas ruas e estradas brasileiras pode funcionar com etanol, feito da cana de açúcar doméstica.

Graças à sua grande estrutura existente para os biocombustíveis, o Brasil pode produzir milhões de litros de bioquerosene, disse Melo. A distribuição não é problema. O farnesano poderia ser facilmente distribuído às empresas aéreas para o reabastecimento, disse ele.

Daniel Rutherford, diretor de programas do Conselho Internacional para os Transportes Limpos, destacou que, ao avaliar os benefícios gerais de um biocombustível para o meio ambiente, “o mais importante é como o combustível é produzido”. Ele acrescenta que a indústria brasileira da cana de açúcar é altamente produtiva e utiliza pouco os combustíveis fósseis. Entretanto, a melhor maneira de “evitar a escolha entre o cultivo de alimento ou combustível” seria produzir biocombustíveis destinados à aviação a partir de sobras como casca de milho e de árvore, por meio de uma tecnologia que ainda está em desenvolvimento, disse ele.

A Amyris pesquisa a tecnologia por trás do farseno há mais de oito anos, recebendo financiamento inicial de firmas de private equity e investimento. Nos anos mais recentes, a empresa recebeu do departamento de energia do governo americano concessões no total de US$ 10 milhões para o desenvolvimento da tecnologia de fermentação.

O bioquerosene, ou farnesano, é produzido por meio de um processo de fermentação no qual a levedura desenvolvida pela empresa consome o xarope da cana de açúcar para produzir um hidrocarboneto chamado farneseno. Por meio da hidrogenação, os átomos de hidrogênio são acrescentados para converter o farneseno numa molécula chamada farnesano, que compõe o bioquerosene renovável usado para abastecer jatos. Melo destacou que a Amyris estava trabalhando numa tecnologia capaz de produzir o farnesano a partir de outras fontes, como o lixo orgânico.

Com o bioquerosene, “não há nada impedindo o seu desenvolvimento, seja do ponto de vista técnico ou da indústria da aviação”, disse Steve Csonka, diretor executivo da Iniciativa de Combustíveis Alternativos para a Aviação Comercial, uma coalizão de empresas ligadas à indústria aérea, centros de pesquisa e agências do governo.

De acordo com testes rigorosos realizados por fabricantes de aeronaves como a Boeing, o farmesano e outros tipos de biocombustível para jatos apresentam desempenho superior ao do combustível comum.

Sua queima também é mais limpa do que a dos combustíveis convencionais, disse Julie Felgar, diretora administrativa de estratégias ambientais e integração para a Boeing Commercial Airplanes. Graças ao intenso escrutínio, os biocombustíveis destinados à aviação precisam “apresentar desempenho igual ou superior ao dos combustíveis comuns”, disse ela.

Trata-se de uma exigência considerável, pois o combustível para aeronaves é mais complexo do que o combustível para carros e veículos terrestres.

Mas, para a Amyris e outras fabricantes de biocombustível para a aviação, o maior desafio está em reduzir o custo.

A empresa não divulgou o preço cobrado por litro de farmesano, mas Melo alegou que este seria equivalente ao do combustível comum em questão de dois a três anos. A Amyris disse esperar que o governo americano derrube políticas protecionistas que podem prejudicar o combustível feito de açúcar nos EUA.

Se o preço do farnesano cair, o biocombustível para a aviação pode ser adotado por grande parte das empresas aéreas, disse Melo. “Não será uma questão de optar pelo combustível renovável, e sim de optar pelo melhor produto”, disse ele. (The New York Times 08/10/2014)

 

Presidente da Transpetro é alvo de ação

O Ministério Público Federal em Araraquara (SP) apresentou à Justiça Federal ação de improbidade administrativa contra o presidente da Transpetro, Sérgio Machado, o prefeito de Araçatuba, Cido Sério (PT), nove empresas e mais 16 pessoas por fraude em licitação para compra de 20 comboios destinados ao transporte de etanol na hidrovia Tietê-Paraná, um negócio de R$ 432 milhões. O procurador Paulo de Tarso Garcia Astolphi, um dos seis que assinam a ação, disse que o MPF pedirá investigação da Polícia Federal e compartilhamento de documentos apreendidos na Operação Lava-Jato para saber se o esquema de corrupção denunciado por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, operação, se estendeu à Transpetro. Costa era conselheiro da Transpreto.

Para o MPF, houve direcionamento na licitação para beneficiar o consórcio Estaleiro Rio Tietê, formado pela SS Administração e Serviços, Estaleiro Rio Maguari e Estre Petróleo e Gás. Segundo o procurador, antes de a licitação ser lançada, o consórcio arrendou uma área em Araçatuba e, no contrato de arrendamento, informou que o objetivo era se tornar fornecedor da Transpetro.

O elo com a Lava-Jato é Alexandre Bruno, que foi gerente do contrato da Transpetro, representando o consórcio. Eles se apresentava em redes sociais como consultor e sócio do Pragmática, o grupo de empresas ligadas a Costa e gerenciado por um de seus genros, Humberto Mesquita.

A Estre Ambiental, holding que administra a Estre Petróleo e Gás, aparece na Lava- Jato como uma das que pagou à Pragmática. Segundo a empresa, o contrato era para integração de sistemas de gestão e vigorou em 2010 e 2011.

- Um dia antes da abertura oficial dos envelopes, foi anunciado no site da Transpetro o menor preço da licitação - disse o procurador.

A Transpetro afirmou que não houve desvio de recursos e que foi pago só o sinal, de R$ 21,9 milhões (garantido por fiança bancária), e o saldo do primeiro comboio, entregue em julho último. Procurado, o consórcio não se manifestou. (O Globo 09/10/2014)

 

Uso de hidrovia em SP para na Justiça

Com seca, navegação na Tietê-Paraná está parada, e empresas de transporte de carga pleiteiam indenização

Problema está na diferença do custo dos fretes rodoviário e pelo rio; Cesp diz que segue determinação do NOS.

O baixo nível dos rios que impede a navegação em parte da hidrovia Tietê-Paraná foi parar na Justiça por causa dos prejuízos às empresas que transportam suas cargas por esse meio.

A Caramuru Alimentos, companhia nacional de capital fechado e a mais afetada, processou a estatal paulista Cesp. Pleiteia uma indenização de R$ 24,7 milhões. O processo está em fase inicial e a Cesp não informou se já foi notificada.

Outras companhias também prejudicadas são as gigantes globais ADM e Louis Dreyfus, apurou a Folha.

As três transportam soja e derivados do Centro-Oeste pela hidrovias até o interior de São Paulo.

O problema consiste na diferença do custo do frete. Segundo a consultoria Mind Estudos e Projetos, o transporte rodoviário é até 38% mais caro do que o hidroviário, numa simulação da soja embarcada em Sorriso (MT), um dos maiores polos produtores de grãos do país.

A Mind estima que em toda a cadeia (produtores, empresas de navegação e outros elos) a perda de faturamento chega a R$ 700 milhões.

A Camamuru carrega sua soja destinada à exportação de Goiás até o noroeste paulista por hidrovia. Depois, a embarcava em trens. Agora, todo o percurso tem de ser feito por caminhão.

O pano de fundo da disputa está uma disputa com o governo federal, que quer priorizar a geração de energia.

Já o Estado de São Paulo coloca todos os seus esforços para manter o abastecimento de água para o consumo humano --que tem prioridade, assegurada em lei em caso de extrema escassez.

A Cesp, porém, não tem autonomia para decidir o quanto quer gerar de energia.

O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) define a carga de energia de cada usina e quais hidrelétricas e termelétricas vão produzir primeiro. O critério é o custo da energia --que é repassado à conta do consumidor. A fonte hídrica é mais barata.

Em meio à contenda, a profundidade para navegação da hidrovia foi reduzida de 3 metros para 1 metro, o que impede a passagem de balsas maiores. O problema ainda afeta outros setores, como celulose, açúcar e álcool, que também usam a hidrovia.

As empresas que operam na hidrovia esperavam movimentar 6 milhões de toneladas de grãos e farelo de soja, destinados sobretudo à exportação. Transportaram apenas 1 milhão nesta safra.

Quase toda a soja já foi escoada. Resta, porém, nos armazéns a maior parte da segunda colheita anual de milho (17 milhões de toneladas, ao todo). A hidrovia é uma das rotas utilizadas.

Breno Raemy, da Mind, diz que o custo mais alto "atrapalha ainda mais o setor, que já vive uma fase difícil com a supersafra americana", o que derrubou as cotações da soja. "É um problema para o país. São menos divisas que entram num período ruim para a balança comercial."

Procurada, a Louis Dreyfus não comentou. A Caramuru não quis se pronunciar, pois a questão está na Justiça. A ADM não respondeu às questões enviadas à empresa.

A Cesp disse que opera suas usinas "de acordo com determinação do ONS, que faz a gestão dos níveis dos reservatórios". (Folha de São Paulo 09/10/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: À espera da Única: À espera de dados sobre a moagem de cana no Centro-Sul do Brasil, os preços do açúcar tiveram leve baixa na bolsa de Nova York ontem. Os contratos futuros com vencimento em maio encerraram o pregão negociados a 17,14 centavos de dólar por libra-peso, ligeiro recuo de 8 pontos. Conforme analistas, os traders aguardam os dados de moagem de cana na segunda quinzena de setembro, que serão divulgados hoje pela Unica. As apostas do mercado para o volume de açúcar produzido no período já assumem que a colheita está chegando ao fim e que a cana está sendo cada vez mais direcionada à produção de etanol. As estimativas para o dado giram entre 29 milhões e 36 milhões de toneladas. Em São Paulo, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal ficou em R$ 46,68 a saca de 50 quilos, valorização de 0,33%.

Cacau: Início de safra: O início da colheita da safra principal da temporada 2014/15 de cacau no oeste da África começou a fazer efeito nas negociações dos futuros da amêndoa na bolsa de Nova York, num momento em que as especulações sobre os impactos do ebola sobre a comercialização da commodity perderam força. Ontem, os lotes de cacau para entrega em março encerraram o pregão negociados a US$ 3.020 a tonelada, queda de US$ 14. Conforme analistas, esse recuo reflete a expectativa de colheitas recorde em Gana e em Costa do Marfim, países que respondem por dois terços da produção mundial de cacau. No oeste da África, o clima tende a se manter favorável ao desenvolvimento das lavouras e à colheita nos próximos dias. Em Ilhéus e Itabuna, na Bahia, o preço médio do cacau caiu 2,8% para R$ 104 a arroba.

Soja: Clima favorável: Pressionadas pela expectativa de clima favorável para a colheita nos EUA, as cotações da soja recuaram ontem na bolsa de Chicago. Os contratos futuros com entrega em janeiro fecharam o pregão negociados a US$ 9,4350 por bushel, desvalorização de 5,75 centavos de dólar. Nesta semana, as regiões norte e noroeste do cinturão produtor dos EUA, que abrigam mais da metade das plantações do Meio-Oeste americano, deverão ter um clima seco e favorável ao avanço das máquinas nos campos, de acordo com a empresa de meteorologia DTN. Neste momento, porém, a colheita ainda está atrasada na comparação com o mesmo período da safra passada. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para as cotações da soja entregue no porto de Paranaguá ficou estável, a R$ 61,17 a saca de 60 quilos.

Milho: Colheita atrasada: Na contramão do que aponta o quadro global de oferta e demanda, os preços do milho voltaram a subir na bolsa de Chicago ontem. Os contratos futuros da commodity com entrega em março encerraram a sessão a US$ 3,565 por bushel, alta de 3 centavos de dólar. No mercado, a valorização do milho nos últimos dias reflete a preocupação com o atraso na colheita nos EUA. Até domingo passado, os trabalhos estavam atrasados em 15 pontos percentuais ante a média das últimas cinco safras e haviam atingido 17% da área plantada. Apesar desses temores, a expectativa é que a recomposição de oferta global de milho, que já provocou forte baixa nas cotações do grão neste ano, se confirme. No mercado doméstico o indicador Esalq /BM&FBovespa para o milho ficou R$ 22,04 a saca ontem, alta de 1,15%. (Valor Econômico 09/10/2014)