Setor sucroenergético

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Tereos & Petrobras: Mão no bolso

Está chegando à hora da verdade para a Tereos. Em 2015, a Petrobras Biocombustível concluirá o aporte de R$ 1,5 bilhão referente à compra de uma participação na Açúcar Guarani, dos franceses.

Após um longo período sem colocar a mão no fundo do bolso, a Tereos terá de mostrar o tamanho do seu apetite no Brasil. No setor, o que se diz é que não é dos maiores. (Jornal Relatório Reservado 13/10/2014)

 

Cosan vai "reestruturar" área de etanol, diz Ometto

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Até então relegada a segundo plano, a área de açúcar e etanol da Cosan deve voltar aos holofotes da companhia, que nos últimos anos iniciou um forte plano de diversificação dos seus negócios para energia e infraestrutura. Mais otimista com as perspectivas para etanol no Brasil, o presidente do conselho de administração da Cosan, Rubens Ometto Silveira Mello, afirmou que a companhia pretende anunciar no primeiro semestre de 2015 uma "reorganização" envolvendo esse negócio.

"Acho que [vamos anunciar] no primeiro semestre do ano que vem", disse o empresário, que participou da Maratona Valor PME, promovida pelo Valor na sexta-feira, em São Paulo. Ometto disse que a companhia, cuja receita líquida alcançou R$ 30 bilhões em 2013, tem um plano para essa reorganização e que ele será "em breve" detalhado. "É um projeto que está na nossa prancheta e a criança deve nascer", afirmou ele, quando questionado sobre um possível desmembramento da área de açúcar e etanol.

Na semana passada, a Cosan concluiu a separação de sua área de logística numa nova empresa, a Cosan Logística, que abriga os ativos da controlada Rumo e deve incorporar nos próximos meses os da América Latina Logística (ALL), após o parecer final do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A operação sucroalcooleira da Cosan está concentrada na Raízen, joint venture criada com a anglo-holandesa Shell. Devido aos anos consecutivos de rentabilidade baixa do negócio sucroalcooleiro - potencializado pelo controle dos preços da gasolina pelo governo -, o mercado passou a especular um possível desinteresse da Cosan por esses ativos, o que poderia resultar numa futura venda da operação para a Shell - ao permitir que a sócia exerça em 2020 a opção de compra, conforme acordo feito entre as companhias em 2010.

Ometto está, no entanto, otimista com a perspectiva de desempenho do setor de etanol nos próximos anos. Segundo ele, independente de quem for eleito para a presidência da República, já há sinalização de que "os erros que foram cometidos no passado" no controle do preço da gasolina não se repetirão.

"O etanol está amarrado à política de preços da Petrobras e a promessa dos dois candidatos são no sentido corrigir isso". De acordo com o empresário, mesmo no caso de reeleição da presidente Dilma Rousseff, muito criticada por defender esse controle nos combustíveis, as perspectivas são melhores. "As conversas têm sido na direção da alteração desse quadro".

Apesar dessa visão mais otimista, Ometto acredita que boa parte do setor sucroalcooleiro ainda vai levar alguns anos para retomar os investimentos devido ao elevado endividamento. "São poucas as empresas do setor que estão capitalizadas e com condições de retomar o crescimento". Segundo ele, a Cosan é uma delas. "Os outros vão precisar de dois ou três anos para recuperar as finanças".

O empresário afirmou que exercer controle excessivo na gestão é algo a ser evitado, tanto no setor privado quanto no público. Como um exemplo, Ometto citou a decisão que culminou no controle pela Petrobras dos preços dos combustíveis no país, em especial da gasolina. A política adotada tirou a competitividade do etanol e afundou o setor em uma crise, afirmou ele - O etanol (hidratado) tem um rendimento energético equivalente a 70% do rendimento da gasolina, por isso, seu preço ao consumidor final tem que ser inferior a 70% do preço do concorrente fóssil.

"Começamos a perceber que o negócio de açúcar e álcool estava indo para uma direção não saudável quando o governo começou a se intrometer e controlar os preços da gasolina", afirmou o empresário. Foi nesse contexto, disse, que a Cosan começou a "imaginar" como tornar mais estável. A solução encontrada foi diversificar os negócios, investindo em áreas como as de infraestrutura e gás natural. Para os próximos anos, afirmou ele, a perspectiva para o setor de etanol é melhor. (Valor Econômico 13/10/2014)

 

Cosan Logística estréia em baixa

A CosanLogística, união entre Rumo e ALL, estreou no pregão, na segunda-feira 6, sob o código RLOG3 com preço de abertura de R$ 4,35.

No primeiro dia de negociação, os papéis fecharam com recuo de 3,44%. No mesmo dia, as ações da ALL (que continuam a ser negociadas) recuaram 1,40% para R$ 6,33. Os papéis da Cosan caíram 3,39%, para R$ 36,13. (Isto é Dinheiro 11/10/2014)

 

Usina Carolo tem plano de recuperação aprovado por juíza

Empresa realiza normalmente a safra, diz administrador judicial.

A recuperação judicial da Usina Carolo S.A. - Açúcar e Álcool, de Pontal, juntamente com seu Grupo Econômico, foi concedida na quinta-feira (9) pela juíza Carolina Nunes Vieira, da 1ª Vara Cível de Pontal. A dívida da empresa está estimada em R$ 800 milhões.

A Usina Carolo entrou com pedido de recuperação em janeiro deste ano. No dia 3 de setembro aconteceu a Assembleia Geral de Credores, em que estes aprovaram o plano de recuperação apresentado pela empresa.

“Com a aprovação, os credores estão dando a oportunidade da manutenção dos postos de trabalho e da geração de riquezas por meio dos tributos”, afirma o administrador judicial Alexandre Borges Leite.

“Sem contar a relevância social da atividade para a região”, completa.

Plano

No plano apresentado pela empresa, os credores foram divididos em três classes: trabalhistas, com garantia real e quirografários; e a dívida estimada em cerca de R$ 29 milhões, R$ 635 milhões e R$ 170 milhões, respectivamente

Segundo Leite, a Usina Carolo está trabalhando normalmente e encerrando a safra de cana-de-açúcar deste ano ;  A Cidade 11/10/2014)

 

Governo decide amanhã se vai unir PIS e Cofins

SIMPLIFICAÇÃO NA COBRANÇA de taxas e contribuições que espera sua vez desde 2012 depende de definição da presidente Dilma e de Mantega.

O governo prepara uma nova medida de estímulo à economia que pode ser anunciada ainda antes da realização do segundo turno da eleição. O pacote, que combina a unificação e simplificação de dois dos tributos mais complexos do Brasil, o PIS e a Cofins, está pronto para ser anunciado e depende de uma decisão da presidente Dilma Rousseff e do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que apesar de estar excluído de um eventual segundo mandato da petista, mantém o comando econômico.

O pacote tributário, se implementado, só entrará em vigor em 2015. Será o 35º na gestão Dilma. Uma reunião prevista para amanhã pode definir o anúncio da medida, defendida por todos os setores produtivos, em especial a indústria. A iniciativa está na gaveta desde o fim de 2012 por representar perda de arrecadação de R$ 10 bilhões, na projeção mais otimista, a R$ 30 bilhões, na mais pessimista.

A simplificação tributária é uma das principais medidas defendidas pelo candidato Aécio Neves (PSDB) e tem sido citada de forma recorrente por Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (1999-2003) e indicado pelo candidato do PSDB como seu ministro da Fazenda em caso de vitória tucana.

O governo faz um esforço para se aproximar do setor privado na reta final da campanha. A presidente Dilma e o ministro Mantega definiram, pouco antes do primeiro turno, que o Ministério da Fazenda deveria convidar empresários de diversos setores para fazer um balanço das medidas dos últimos quatro anos.

A ideia é "lembrar" esses segmentos de todos os esforços que foram feitos pelo governo e também definir o que precisa e pode ser feito ainda neste ano, ou no início de 2015, para aumentar a competitividade. Os encontros começaram na semana passada e vão continuar nos próximos dias. Durante a campanha, entre agosto e setembro, o governo lançou quatro pacotes de estímulos.

BENEFÍCIO PODE SER POR SETOR OU POR PRODUTO

O pacote do PIS-Cofins pode conter benefícios tributários horizontais (ou seja, para todos os segmentos), como é o caso da cesta básica, e verticais, beneficiando setores específicos. A preocupação do governo está relacionada com a diminuição dos atuais custos de produção e da carga tributária, reconhecidamente elevada no Brasil. As reduções de tributos já concedidas devem representar R$ 100 bilhões a menos na arrecadação deste ano.

CONFUSO E CARO

-Consideradas complexas por empresários e também pelo Palácio do Planalto, as cobranças do Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) são responsáveis por grande parcela das disputas tributárias envolvendo empresas e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.

-Na avaliação do Planalto, a desburocratização no recolhimento de impostos vai reduzir fortemente os custos produtivos no país. Juntos, os dois tributos respondem por quase 10% do custo de produtos e serviços no Brasil.

O QUE É ESPERADO

Quase certo

Isenção para produtos que fazem parte da cesta básica.

Muito provável

Isenção para o setor de etanol

Redução ou eliminação da incidência em óleo diesel.

O 35º PACOTE

Até agora, o atual governo anunciou 34 pacotes, principalmente focados em reduções de impostos, que representam R$ 100 bilhões em tributos neste ano. Só entre janeiro e agosto, a diminuição foi de R$ 63,2 bilhões, segundo dados da Receita Federal. (Zero Hora 13/10/2014)

 

MT: Uso de grãos para produção de etanol aumentou mais de 200%

Foram produzidos 818 milhões de litros de etanol de cana de açúcar. Devem ser produzidos 1,13 bilhões de litros de etanol nesta safra em MT.

A moagem da cana-de-açúcar em Mato Grosso atingiu 12,6 milhões de toneladas de março a setembro. Segundo o Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do estado de Mato Grosso (Sindalcool/MT), até o mês de setembro, o estado produziu 818 milhões de litros de etanol e 340,5 milhões de toneladas de açúcar, originados da cana-de-açúcar. O esperado para toda a safra é que sejam produzidas 16,7 milhões de toneladas de cana, que devem gerar 1,06 bilhão de litros de etanol.

O estado ainda tem a produção de etanol derivada de grãos, como o milho e o sorgo, e de acordo com Jorge dos Santos, diretor executivo do Sindalcool, já foram produzidos até o mês de setembro 26 milhões de litros de etanol proveniente de 46 mil toneladas desses dois grãos, diante dos esperados 66 milhões de litros de etanol de grãos para este ano.

Até o fim da safra em Mato Grosso, devem ser destinadas 144 mil toneladas de grãos para a produção de etanol, registrando um crescimento de 213,04% em relação a 2013, que moeu 46 mil toneladas de grãos com esse objetivo.

“O grande crescimento da produção de etanol pelos grãos se torna viável, uma vez que a cana-de-açúcar precisa de 18 meses para estar pronto para colher e o milho precisa de quatro meses de maturação, além de admitir estocagem por um bom período. Já a cana, logo após ser colhida, precisa que ser levada para a indústria”, explica dos Santos.

Na região oeste de Mato Grosso, estão as três maiores usinas de cana-de-açúcar, que ficam nas cidades de Barra do Bugres, Nova Olímpia e Campo Novo do Parecis. A indústria de Nova Olímpia, maior usina do estado, esmaga cerca de 7 milhões de toneladas por ano e já chegou a 60% desse total.

Ao final da safra de 2014, que acaba em março de 2015, o Sindalcool estima uma produção de 1,13 bilhões de litros de etanol, provienientes tanto de cana-de-açucar como de grãos. Mato Grosso tem um consumo atual de 600 milhões de litros de etanol, ocasionando um superávit de 513 milhões de litros, que é exportado para outros estados. (G1 10/10/2014)

 

Concentração de chuva em setembro atrapalha a moagem de cana em MS

A concentração de chuva em alguns dias de setembro fez com que as usinas sucroenergéticas do estado parassem a moagem entre cinco e seis dias no mês, prejudicando o ritmo de processamento da cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul. A avaliação foi feita nesta quinta-feira (9), pelo presidente da Associação dos Produtores de Bioenergia do estado (Biosul), Roberto Hollanda.

Segundo Hollanda, na segunda quinzena de setembro foram processadas 1,94 milhões de toneladas de cana, volume 19% menor do que no mesmo período da safra passada. No acumulado desde o início do ciclo em abril, as usinas sul-mato-grossenses já processaram 28,75 milhões de toneladas de matéria-prima, uma quantidade que está 8,13% abaixo da moída neste mesmo intervalo de tempo da temporada passada.

Com menor quantidade de cana-de-açúcar disponível, foi reduzida, conforme o presidente da Biosul, em 20% a produção de açúcar na comparação da parcial das duas safras, caindo de 1,09 milhão de toneladas no acumulado até o fim de setembro no ciclo 2013/2014 para 877 mil toneladas neste mesmo período da temporada 2014/2015.

Já a produção de etanol no acumulado desta safra atingiu 1,63 bilhão de litros, sendo 385,6 milhões de litros de anidro e 1,25 bilhão de litros de hidratado. O volume total do biocombustível é praticamente o mesmo, conforme os números da entidade, da parcial da temporada passada.

O presidente da Biosul diz que apesar da chuva ter atrapalhado o andamento da safra, que a boa notícia para o setor é a da manutenção da qualidade da matéria-prima em um patamar superior ao da temporada passada.

O índice que mede a qualidade da matéria-prima, o Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), atingiu 143,29 quilos por tonelada de cana na segunda quinzena de setembro, o que significa que está 5% maior do que foi registrado no acumulado da safra passada, que foi de 128,36 quilos por tonelada. (Agrodebate 10/10/2014)

 

17 ou 20 centavos? As urnas vão dizer - Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado futuro de açúcar em NY fechou a semana ligeiramente em alta comparativamente a anterior. O contrato com vencimento março de 2015 encerrou cotado a 16.54 centavos de dólar por libra-peso, 10 pontos acima do preço da sexta-feira passada. Os outros meses tiveram variações positivas de até 20 pontos na semana. Poucos negócios na exportação enquanto muitos traders estavam em Londres atendendo o Jantar Anual do Açúcar naquela cidade.

Os spreads no contrato de açúcar em NY estão alinhados como há muito não se via. Mostram um mercado em custo e carrego, coerente com a percepção de que não existe momentaneamente nenhuma preocupação com a oferta do produto. O março/maio, o maio/julho, o julho/outubro e o outubro/março 2016, estão todos refletindo um carrego ao redor de 10% ao ano. Águas calmas e boas oportunidades para os consumidores industriais capitalizados e com estrutura de armazenagem. O spread justifica.

Desanimadores para as usinas estão os preços do etanol anidro e hidratado pois despencaram este mês nada menos que 15% em dólares piorando ainda mais o retorno financeiro que já era ruim. Por outro lado, os preços mais baixos na bomba trazem a expectativa de maior consumo do produto e – quem sabe – mudar o hábito do consumidor que resiste voltar a consumir o etanol quando a paridade permanece por longo período acima dos 70%. Com a possível redução de 19% para 15% do ICMS sobre o etanol no estado de Minas Gerais, cujo projeto está sendo discutido na Assembleia Legislativa e deve ser votado ainda este mês, existe aí a possibilidade de um acréscimo significativo de consumo no segundo maior mercado consumidor do país. Comece a apontar os lápis.

Construindo um cenário melhor para o próximo ano, cresce o consenso entre os analistas de mercado de que a safra de cana no Centro-Sul vai terminar mais cedo este ano e muitas empresas começam a trabalhar com o número máximo de moagem de 545 milhões de toneladas. Esse volume, se confirmado, representa uma redução de 8.71% em relação à safra 2013/2014. E para o próximo ano? Que volume é possível? Embora seja um pouco cedo para essas previsões, o fato é que ninguém espera expansão significativa. Os mais otimistas indicam um crescimento de 35 milhões de toneladas. Ou seja, 580 milhões de toneladas. Sabe o que significa isso né?

Devemos ter um consumo adicional de 1.1 bilhão de litros de etanol com a mudança da mistura de 25 para 27.5%. Além disso, uma elevação possível de consumo de etanol no Estado de Minas Gerais. Estima-se uma queda de 4.5% do preço do combustível na bomba naquele estado.

Por outro lado, o dólar mais forte em relação ao real inibe a alta de NY. Acredito que haverá uma resistência psicológica no nível de R$ 1.000,00 por tonelada FOB, atraindo muitas empresas para pensarem sobre seus hedges já a partir de maio/2015 para a safra 2015/2016.

Se Dilma for reeleita, o humor no mercado azeda, a falta de transparência e credibilidade do governo afasta investimentos e o dólar pode chegar, segundo alguns economistas, a R$ 2,5500. Se Aécio levar a faixa presidencial acredita-se num choque de eficiência com o Armínio Fraga no comando da economia e o dólar revisitando a faixa de R$ 2,2000. Desta feita, a resistência acima mencionada se converteria em 17 centavos de dólar por libra-peso como limite do mercado internacional (base maio) no cenário Dilma e quase 20 centavos de dólar por libra-peso no cenário Aécio.

Dólar a 2.5500 coloca a defasagem do preço da gasolina no mercado internacional em relação ao preço na bomba em mais de 18%. Com dólar a 2.2000 a defasagem míngua para 5%.

O humor do setor melhorou enormemente com o espetacular desempenho do Aécio. As pesquisas erraram feio e não conseguiram capturar o desejo de mudança do eleitorado. Erro grosseiro na metodologia. A eleição está muito longe de estar no papo para Aécio ainda.

Simulando que o candidato do PSDB consiga trazer para si 80% dos votos dados à Marina nos estados em que ele teve mais votos do que Dilma e, assumindo também, que nos estados em que Dilma teve mais votos que Aécio, ele consiga pelo menos 40%, Aécio vai precisar que pelo menos 6% daqueles que votaram em Dilma mudem seu voto. Considerando que 15% dos eleitores admitem mudar de votos de um para outro candidato, reside aí a esperança (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.)

 

Seca reduz receita do setor canavieiro em R$ 54 mi na região, diz Coplacana

Moagem da cana-de-açúcar terminará pelo menos 1 mês antes na cidade. Funcionários vão ser dispensados antes do previsto por falta de trabalho.

A quebra na safra da cana-de-açúcar causada pela estiagem severa enfrentada em todo Estado de São Paulo fez usinas de grande porte e fornecedores em Piracicaba (SP) e região terem a redução de até R$ 54 milhões na receita em 2014, segundo uma estimativa da Cooperativa dos Plantadores de Cana (Coplacana). Outro reflexo da falta d'água foi o adiantamento da moagem da cana, que irá terminar um mês antes nas usinas e dispensar trabalhadores antes do previsto.

O processo industrial da moagem da cana costuma ocorrer entre o começo de abril e o final de novembro mas, de acordo com o presidente da Coplacana, Arnaldo Bortoletto, algumas industrias já encerraram essa parte do trabalho no início de outubro e a maioria terminará o processo no início de novembro.

"Com a falta de chuva, a cana se desenvolveu cerca de 20% a menos, isso deixa todos os processos mais rápidos", explicou Bortoletto. O presidente ainda alerta para a questão dos trabalhadores, que serão dispensados do trabalho antes do previsto. "Os funcionários safristas serão dispensados mais cedo, infelizmente, porque o trabalho irá acabar", informou.

Bortoletto explicou ainda que a cana-de-açúcar na região rendeu menos devido ao volume de chuva ter sido cerca de 70% do normal. "Choveu 30% do esperado durante a época de desenvolvimento das plantações, com isso, elas perderam força", relatou o presidente. Com esse baixo desenvolvimento, o prejuízo financeiro também foi grande. "Somadas, uma usina de grande porte e os produtores que fornecem para ela podem ter R$ 54 milhões a menos na receita do ano", exemplificou.

Para recuperar o prejuízo desta safra, os produtores e as usinas torcem por chuvas constantes para os próximos meses, até fevereiro, para que o desenvolvimento das plantações seja compensado. "Não existe outra solução, senão a chuva", garantiu Bortoletto. Segundo ele, apesar das dificuldades do setor, o reflexo nos preços do açúcar e do etanol não serão grandes para o consumidor. "O aumento de preços está lento e deve ser insignificante", afirmou. (G1 12/10/2014)

 

Na nova composição da Câmara, mais da metade é ligada ao agronegócio

A bancada ruralista da Câmara dos Deputados saiu fortalecida destas eleições, de acordo com levantamento preliminar da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). No estudo, foram utilizados parâmetros e características dos eleitos a deputado federal que os ligam ao setor do agronegócio, considerando ainda as "bandeiras do setor" assumidas durante a campanha e o perfil dos eleitos, por exemplo, aqueles que declararam como ocupação a produção rural.

De acordo com a FPA, 263 dos 513 dos deputados federais eleitos (51%) estão ligados ao setor. Desse total, 139 (27%) já são membros da frente parlamentar e foram reeleitos; e 124 (24%) são novos deputados ligados à agropecuária. Atualmente, 191 deputados compõem a frente, que completa 205 membros, contando com os 14 senadores de mesmos princípios. A Agência Câmara ressalta que, entre os deputados ruralistas, está a senadora eleita pelo Espírito Santo, Rose de Freitas (PMDB).

Rose votou pela diminuição da proteção de florestas com a flexibilização da legislação, consolidada no voto pela aprovação do atual Código Florestal. A eleita senadora também abocanhou o maior montante de doações das empresas mineradoras, sendo um total de R$ 1,4 milhões, conforme levantamento do jornal Valor Econômico. Entre estas, constam doações feitas pela Copper Trading, empresa do setor que pertence a seu suplente, o empresário Luiz Pastore (PMDB), e ainda da Ibrame Indústria Brasileira de Metais S/A, e da Vale Energia S.A, por meio da Direção Nacional do PMDB. Os dados constam na segunda prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A bancada ruralista no Congresso Nacional é a principal responsável por beneficiar o agronegócio e os grandes empreendimentos, entre eles os do ramo da mineração, em detrimento do respeito aos direitos dos cidadãos ao meio ambiente e dos direitos dos povos tradicionais aos seus territórios. Não à toa, são os principais responsáveis por ofensivas constantes contra o direito à demarcação de territórios indígenas e de demais povos tradicionais, sustentando propostas como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 215/2000, que transfere do Executivo para o Congresso Nacional as decisões sobre as demarcações de terras indígenas, quilombolas e de unidades de conservação; a PEC 237/13, que permite o arrendamento das terras indígenas para grandes produtores rurais; e o Projeto de Lei 1610/96, que permite a mineração em territórios demarcados. (Século Diário 10/10/2014)

 

Recuperação do setor de máquinas agrícolas deve ocorrer em 2017

Segundo economista do banco, deve ressurgir necessidade de renovação de maquinário. 

A indústria de máquinas agrícolas deve ter uma recuperação apenas no ano de 2017. A avaliação foi feita nesta sexta-feira (10/10) pelo economista-sênior do banco Bradesco, Regina Helena Couto Silva.

Segundo ela, neste ano, a perspectiva é de uma retração de 15% nas vendas do setor, que vinha de patamares de desempenho mais altos. Para 2015, a expectativa é de uam queda em torno de 2,5%.

"Os produtores vinham renovando seus parques de máquinas desde 2007 e agora não há tanta necessidade. Ele não troca de maquinário todo ano", disse ela. A recuperação viria a partir de 2017 porque é quando seria iniciado um novo ciclo de renovação dos parques de máquinas. "A partir de 2017, que comprou máquinas lá em 2007 pode precisar novamente.

Regina Helena participou do Seminário de Planejamento Estratégico 2015, promovido pela Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas (CSMIA), da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), em São Paulo. Sua apresentação no evento se concentrou nas expectativas para as principais commodities agrícolas.

A economista reforçou o cenário de tendência de baixa para preços de grãos, em função da expectativa de grandes safras, principalmente, nos Estados Unidos e também no Brasil. "O consumo cresce, mas a produção cresce mais rápido e isso pressiona os preços."

Situação diferente, por exemplo do mercado global de açúcar, que tem expectativa de recuperação dos preços. Um dos fatores é a situação do setor de cana-de-açúcar no Brasil. "Os estoques globais estão caindo e o preço começa a subir. Mas ainda há algum suporte, o que evita uma puxada maior", disse ela.

Regina Helena destacou ainda a influência da produção brasileira também no mercado global de café, também com tendência de alta nos preços. De outro lado, ela ressaltou que o consumo de café é crescente, especialmente nas economias emergentes. (Globo Rural 10/10/2014)

 

Agrava-se crise na indústria de máquinas

Com a crise do agronegócio, indústrias de máquinas agrícolas de Matão (SP) adaptaram sua produção para evitar mais prejuízo e, agora, só produzem sob encomenda. O setor estima ter perdido 35% do faturamento nos primeiros oito meses deste ano.

A queda de faturamento em Matão segue uma tendência do setor, apontam dados da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos). Em julho de 2014, o faturamento dos produtores de máquinas no país foi 24,2% menor que no mesmo mês de 2013.

"Só estamos dançando conforme a música. Não podemos continuar produzindo sem ter comprador", diz Roberto Luiz Cadioli, diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) em Matão. Com 80 mil habitantes, a cidade tem cerca de 70 indústrias e é um polo de implementos agrícolas do país.

De janeiro a agosto deste ano, o município registrou a abertura de 120 postos de trabalho, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. No mesmo período de 2013, haviam sido 569.

A maioria das indústrias do município produz máquinas para o setor sucroalcooleiro, um dos mais afetados.

"Sabíamos que a situação seria complicada, pois as usinas já estavam em crise. Mas a estiagem prejudicou a todos e atingiu laranja e café, que também são nossos compradores", afirma Cadioli.

Segundo ele, a mudança atinge ao menos 80% das indústrias do município. Além disso, elas reduziram a carga horária para evitar demissões. O efeito se faz sentir no comércio local, que perdeu vagas entre janeiro e agosto.

O presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis, Antonio Eduardo Tonielo Filho, diz que para algumas indústrias a queda de faturamento chega a 60%, e alerta: "O próximo ano vai ser difícil para nós" (Folha de São Paulo 11/10/2014)

 

Esalq: influenciando o cotidiano de brasileiros há mais de um século

A contribuição da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) à agricultura brasileira começou no momento em que foi concebida, no fim do século 19, e não se interrompeu um único dia na distribuição de conhecimentos e aperfeiçoamentos técnicos e científicos sobre plantio, manejo de culturas, criação, colheita, armazenamento e aproveitamento tecnológico de produtos. 

O sucesso do agronegócio - decisivo para a estabilidade da balança comercial do País - necessitou da articulação de políticas públicas e estratégias que contaram com apoio e incentivo de ações originadas na Esalq. Destaque para os indicadores de preços para commodities agrícolas, que viraram referência no mercado, o acompanhamento de valores de fretes e tarifas de armazenagem e os cursos de extensão presenciais e a distância.

Nesses 80 anos da USP, foram várias as contribuições da Esalq ao cotidiano do cidadão brasileiro. Na década de 1960, a oferta de hortaliças era sazonal pois dependia de importação de genótipo europeu e americano. A introdução de genótipo adaptado permitiu a obtenção de muitas verduras e hortaliças, que hoje chegam à mesa do consumidor praticamente sem restrições regionais. Isso também vale para frutas, tanto de clima tropical como temperado - nos anos 1950, maçãs e peras só eram obtidas por importação de países vizinhos do Cone Sul. O método científico aplicado à agricultura, ação pioneira da Esalq, permitiu alcançar uma produtividade até quatro vezes maior que a observada até os anos 1950. Destaque para as culturas de cana-de-açúcar, milho, sorgo, algodão, soja, citros, entre outras. 

A introdução e adaptação de raças de animais para leite, carne e ovos foram outra notável contribuição dos primeiros professores da Esalq e ajudaram a tornar o Brasil o maior exportador de carne do mundo. 

Esses ganhos de produtividade agrícola e pecuária decorreram de pesquisas de manejo de solos e nutrição de plantas e animais que mudaram o status das explorações, trocando o ambiente extrativista por padrões internacionais de produtividade sustentável. 

Já a área florestal foi revolucionada por pesquisas da Esalq, com a introdução de espécies adaptadas que fomentam as ricas indústrias de papel, energia, madeira certificada, móveis e recomposição florestal, tendo como principal objetivo a redução do desmatamento e proteção do solo e dos recursos hídricos. A degradação dos recursos florestais só foi desacelerada nos anos 1990, também após pesquisas na Esalq que contribuíram para elaborar o atual Código Florestal Brasileiro. 

A indústria de açúcar e álcool garantiu sua fundamentação a partir de referências científicas e tecnológicas da Esalq que permitiram melhor exploração da cultura de cana e ganhos importantes em eficiência na fermentação industrial. Mais tarde, essa tecnologia auxiliou a implementação da indústria de oleaginosas e Biodiesel e subprodutos desses processos produtivos foram viabilizados como substratos para geração de energia renovável, produção animal e outros fins. 

A área de defesa sanitária agrega outra importante contribuição da escola, sobretudo no controle de doenças. Foi graças à pesquisa com carvão da cana-de-açúcar, por exemplo, que em 1985 resolução da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo restringiu o plantio no Estado de variedade de cana muito sensível à doença. Do mesmo modo, pesquisa com o cancro cítrico levou São Paulo a tornar mais restritivas, em 1999, as normas de erradicação da doença. Houve contribuições emblemáticas também para a formação de políticas públicas com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, por meio do Zoneamento de Risco Climático empregado para concessão de financiamentos e contratação de seguros agrícolas, com a Agência Nacional de Águas, para obtenção de outorga para captação de água para projetos de irrigação, e com o Ministério de Desenvolvimento Agrário, no monitoramento da safra. De maneira mais abrangente, o ambiente técnico, acadêmico e profissional da Esalq foi determinante para formar a Embrapa, que se tornou importante instituição da área da agricultura tropical, contando com grande número de egressos da Esalq em seus quadros. 

Os investimentos históricos na Esalq pela USP e por agências de fomento do governo e da iniciativa privada resultaram em ganhos que permitiram alcançar padrões de nutrição da população relevantes à soberania nacional. (O Estado de São Paulo  11/10/2014 às 10h: 39m)

 

A ajuda espantosa da Petrobrás à Bolívia – Editorial O Estado de São Paulo

Além dos empréstimos tomados pelo governo para socorrer as distribuidoras de energia elétrica, a um custo estimado pelo TCU em R$ 26 bilhões, os contribuintes terão de arcar com uma benesse internacional concedida pela administração petista: a Petrobrás pagou à Bolívia, em setembro, US$ 434 milhões mais do que o previsto no contrato de fornecimento de gás ao País. A explicação da Bolívia para exigir a "indenização" é que o gás exportado para o Brasil é "rico", com componentes nobres usados na indústria petroquímica, mas se destinou à geração de energia térmica. O pagamento é retroativo, relativo ao período de 2008 a 2013.

A operação causou espanto até na esfera oficial. "A associação entre o pagamento do 'gás rico' e o problema de energia no Brasil foi imediata", disse uma fonte do governo ao jornal Valor (9/10). "Não havia por que pagar por um produto que o Brasil não utilizou e que não estava previsto em contrato."

A Petrobrás atendeu a uma reivindicação do governo de Evo Morales feita na era Lula. O valor da operação permite presumir que o pagamento foi endossado pelo conselho de administração da estatal, presidido pelo ministro Guido Mantega.

A decisão é esdrúxula, pois, prejudicada pelo represamento de preços de combustíveis e devendo mais de R$ 300 bilhões, a Petrobrás tem sérios problemas financeiros.

Segundo analistas, a estatal cedeu porque teria levado em conta a necessidade de a Bolívia entregar o gás prometido a uma termoelétrica de Cuiabá. Foi rápido o acordo entre o presidente da fornecedora boliviana YPFB, Carlos Villegas, e o diretor da Área de Gás e Energia da Petrobrás, José Alcides Santoro, para indenizar a Bolívia. O governo Morales ameaçava não atender a termoelétrica de Cuiabá. O Brasil e a Argentina não estão na lista de prioridades da YPFB, por isso se negocia novo acordo com a empresa boliviana.

É ominosa a submissão do governo brasileiro às pressões da Bolívia. Pode-se compreender a tentativa de assegurar o fornecimento de gás para evitar o racionamento, mas não por meio de uma negociação nebulosa. Contratos bilaterais devem atender aos interesses das partes e basear-se em critérios técnicos. Reivindicar pagamento retroativo assemelha-se mais a uma extorsão.

Em 2006, o Brasil aceitou um valor simbólico na expropriação de ativos da Petrobrás pelo governo Morales, invocando razões diplomáticas. Hoje, não há diplomacia que justifique o saque no caixa da Petrobrás. (O Estado de São Paulo 12/10/2014)

 

Como roubaram a Petrobrás – Editorial O Estado de São Paulo

Começam a brotar os detalhes daquele que se afigura como um dos maiores escândalos de corrupção da história brasileira - o assalto à Petrobrás, que teria movimentado ao menos R$ 10 bilhões. Os mais recentes depoimentos dos principais personagens desse escabroso esquema, montado para drenar os recursos da maior empresa estatal do País, revelam a quem foi repassado o produto do roubo - e, mais uma vez, como tem sido habitual ao longo dos governos lulopetistas, aparecem fartas digitais do PT.

Fica cada vez mais claro que figuras de proa desse partido - muitas das quais já foram presas por corrupção - permitiram na última década o arrombamento dos cofres do Estado por parte de delinquentes, servindo-se desse dinheiro para financiar seu projeto de poder.

À Justiça Federal no Paraná, Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobrás e um dos pivôs do escândalo, confirmou que uma parte do dinheiro desviado financiou as campanhas do PT, do PMDB e do PP em 2010.

Contando detalhes que só quem participou da operação poderia conhecer, Costa revelou que de 2% a 3% dos contratos superfaturados eram desviados para atender os petistas. Segundo ele, várias diretorias da estatal eram do PT. "Então, tinha PT na Diretoria de Produção, Gás e Energia e na área de Serviços. O comentário que pautava a companhia nesses casos era que 3% iam diretamente para o PT", relatou o ex-diretor, em depoimento gravado. No caso de sua diretoria, Costa afirmou que os 3% eram repartidos entre o PP, ele e o doleiro Alberto Youssef, o outro operador do esquema. Já a Diretoria Internacional repassava os recursos desviados para o PMDB, segundo disseram Costa e Youssef.

Costa afirmou que o contato dos diretores envolvidos nos desvios era feito "diretamente" com João Vaccari Neto, tesoureiro do PT. O nome de Vaccari Neto foi confirmado por Youssef, que também prestou depoimento à Justiça Federal.

Os tentáculos do esquema não se limitavam às diretorias da Petrobrás. Em 2004, segundo declarou Youssef, os "agentes políticos" envolvidos no escândalo pressionaram o então presidente Lula a nomear Costa para a Diretoria de Refino e Abastecimento, ameaçando trancar a pauta do Congresso. "Na época, o presidente ficou louco e teve de ceder", disse o doleiro. Esse relato, se confirmado, revela como a máfia instalada na Petrobrás se sentia à vontade para manipular até mesmo o presidente da República e o Congresso em favor de seus interesses criminosos. E essa sem-cerimônia talvez se explique pelo fato de que membros proeminentes do próprio partido de Lula, a julgar pelos depoimentos, estavam cobrando pedágio e se beneficiando da roubalheira na estatal.

Os depoimentos de Costa e de Youssef foram os primeiros dados à Justiça depois do acordo em que decidiram contar tudo o que sabem em troca de redução de pena. Se oferecerem informações falsas, perderão imediatamente o benefício - logo, os dois têm total interesse que sua delação seja levada a sério.

Além disso, ambos ofereceram atas e documentos que, segundo eles, comprovariam as reuniões da quadrilha, os esquemas de pagamento e as transações para lavagem de dinheiro em empresas offshore. As autoridades sabem que estão lidando com material explosivo. Segundo a defesa de Youssef, ele e Costa foram apenas operadores do esquema - os verdadeiros líderes "estão fora desse processo, são agentes políticos".

Diante da enorme gravidade dos fatos até aqui relatados, e ante a certeza de que se trata apenas de uma fração de um escândalo muito maior, seria legítimo esperar que Lula e a presidente Dilma Rousseff viessem a público para dar explicações convincentes sobre o envolvimento de seus correligionários nos crimes relatados. No entanto, Dilma preferiu queixar-se do vazamento dos depoimentos de Costa e de Youssef - como se o mais importante não fosse o vazamento, pelo ladrão, de dinheiro da Petrobrás. Já a reação de Lula foi típica daqueles que se consideram moralmente superiores: ele se disse "de saco cheio" das denúncias de corrupção contra o PT. Pois os brasileiros podem dizer o mesmo. (O Estado de São Paulo 12/10/2014)

2ª REUNIÃO CANAPLAN - 22.OUT.2014 - RIBEIRÃO PRETO

Commoditites Agrícolas

Café: Vendas de fundos: A valorização do dólar em relação a outras moedas no mercado internacional motivou uma onda de vendas por parte de fundos de investimentos e determinou a queda das cotações do café na quinta-feira na bolsa de Nova York, informou a agência Dow Jones Newswires. Os contratos com vencimento em março encerraram a sessão negociados a US$ 1,2785 por libra-peso, queda de 185 pontos, enquanto os papéis para entrega em maio recuaram 190 pontos, para US$ 1,3020. Apesar dos baixos estoques globais do produto, as previsões de boa safra no Brasil pressionam as cotações, conforme traders nova-iorquinos. No mercado doméstico, a saca de 60,5 quilos de café de boa qualidade saiu entre R$ 280 e R$ 290, conforme o Escritório Carvalhaes, de Santos.

Algodão: Consumo desacelerado: Os preços do algodão na bolsa de Nova York tiveram forte queda na quinta-feira com o sinal de que os mais altos preços em dois anos estão desacelerando as exportações dos EUA. Os papéis com vencimento em maio fecharam ontem em 81,82 centavos de dólar por libra-peso, queda de 115 pontos. Também ajudaram a sustentar a queda a avaliação de que o ganho no dólar vai reduzir o apelo pelas commodities como alternativa de investimento. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, informados pela Bloomberg, as exportações americanas na semana encerrada em 25 de fevereiro foram de 133 mil fardos, menos da metade da média semanal registrada neste ano. No mercado interno, a arroba do produto fechou em R$ 44,80 em Rondonópolis, segundo o Imea/MT.

Soja: Piso em três semanas: A valorização do dólar, o avanço da colheita na América do Sul e o limitado interesse de importadores determinaram a queda das cotações da soja na quinta-feira na bolsa de Chicago. Segundo a Dow Jones Newswires, os contratos com vencimento em março fecharam a US$ 9,3250 por bushel, baixa de 22 centavos de dólar, ao passo que os futuros para entrega em maio recuaram 21,50 centavos de dólar, para US$ 9,42. É o mais baixo patamar de preços em três semanas, e se a demanda chinesa não reagir novas retrações poderão acontecer, conforme traders em Chicago. Em Rondonópolis (MT), as ofertas de compra e venda pela saca de 60 quilos ficaram em R$ 29, de acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Trigo: Exportações menores: Sinais de que a demanda por trigo americano também pode declinar sustentaram a queda do trigo na quinta-feira nas bolsas americanas. Os futuros para maio na bolsa de Chicago fecharam em US$ 5,0225 o bushel, queda de 13,50 centavos, e o mesmo vencimento em Kansas encerrou o pregão em US$ 5,0775, recuo de 10,25 centavos. Segundo informações do departamento de agricultura dos Estados Unidos, reportadas pela Bloomberg, os exportadores americanos venderam 101,585 mil toneladas na semana finalizada em 25 de fevereiro, queda de 73% em relação à semana anterior. No mercado interno, a saca de 60 quilos do cereal fechou o dia de ontem em queda de 0,46% em R$ 23,91, segundo o Deral, da Secretaria de Agricultura do Paraná. (Valor Econômico 13/10/2014)