Setor sucroenergético

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Ometto aposta em retomada do setor qualquer que seja o resultado das eleições

Para o presidente da Cosan Dilma Rousseff prometeu reorganizar o setor de etanol

O presidente do conselho de administração da Cosan, Rubens Ometto Silveira Mello, disse acreditar na retomada do setor sucroenergético, independente do candidato que seja eleito para a presidência da República. Em entrevista ao Valor Econômico o empresário se mostrou otimista com a perspectiva do setor de etanol para os próximos anos.

Mesmo com o atual governo sendo alvo de duras críticas do setor de etanol, que responsabiliza a política econômica e energética pelo fechamento e deterioração financeira de diversas usinas, Ometto se diz esperançoso em caso de reeleição. Segundo ele, mesmo que a presidente Dilma Rousseff se mantenha no poder, o cenário de crise no setor deverá ser revertido.

“O setor de etanol está amarrado à política de preços da Petrobras em relação à gasolina e as promessas dos dois candidatos são no sentido de reorganizar isso e corrigir os erros que foram cometidos no passado”, afirmou Ometto.

Para o empresário, uma vez eleito o novo presidente, é esperado que ele adote medidas para equiparar os preços da gasolina ao mercado internacional e retomar a Cide – que dá igualdade de condições para que etanol e gasolina possam competir entre si.

“As conversas tem sido nesta direção. O presidente tem uma série de problemas e isso tem que ser encaixado no contexto global, mas eu tenho esta esperança”, respondeu Ometto sobre a postura esperada em caso de reeleição.

Ele defende que com a correção dos preços da gasolina e a retomada da Cide, o setor sucroalcooleiro poderia recuperar em cerca de 35% o preço do etanol. Ainda assim, considera que boa parte do setor levaria algum tempo para recuperar o fôlego e voltar a investir.

“O setor vai passar de um a dois anos para recuperar as finanças porque são muito poucas empresas do setor que hoje estão capitalizadas e em condições retomar o investimento”. A Cosan, através da subsidiária Raízen, seria uma das poucas já posicionada para retomar o crescimento.

A relação entre Dilma e Ometto

Em meados de 2013, após sair descontente de uma reunião com Dilma, o empresário ensaiou uma aproximação com o então governador de Pernambuco e pré-candidato à presidência, Eduardo Campos, do PSB.

Já durante a campanha eleitoral deste ano, em agosto, Ometto teve uma breve reunião com a presidente no aeroporto de Congonhas. Conforme noticiado pelo Valor, o encontro de 35 minutos teria tido como pauta doações para a campanha por parte do empresário, que por sua vez negociava com a presidente contrapartidas para apoiá-la financeiramente.

A segunda prestação de contas desta eleição feita pelos partidos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelou que a petista recebeu R$ 2 milhões em doações da Cosan. Já o candidato tucano à presidência, Aécio Neves, recebeu R$ 800 mil, enquanto a ambientalista candidata pelo PSB, Marina Silva – alçada à cabeça de chapa após a morte de Eduardo Campos – não recebeu doações da empresa de Ometto.

Veja o vídeo com a entrevista (Nova Cana com informações do Valor Econômico 13/10/2014)

 

Etanol no Brasil guiará mercado de açúcar

É provável que, nos próximos meses, poucas notícias influenciem mais os contratos futuros de açúcar em Nova York do que o cenário para o etanol no Brasil.

Sem considerar câmbio e notícias de outros países produtores da commodity, as medidas envolvendo o biocombustível após o período eleitoral brasileiro - sobretudo o reajuste do preço da gasolina e o aumento do percentual de mistura de anidro na gasolina - têm potencial para elevar as cotações do açúcar no exterior.

Ainda que ninguém saiba exatamente poderá acontecer, as usinas instaladas no país estão animadas. Afinal, o candidato do PSDB à presidência, Aécio Neves, já declarou inúmeras vezes que dará apoio ao etanol, enquanto o ministro da Fazenda do atual governo Dilma, Guido Mantega, sinalizou recentemente que será preciso reajuste a gasolina. Além disso, são sólidas as perspectivas de que haverá um aumento de 25% para 27,5% do percentual de mistura de anidro no combustível fóssil.

Bruno Lima, especialista em gerenciamento de risco da consultoria FCStone, diz que a safra nos principais países produtores de açúcar no ciclo mundial 2014/15, iniciado em 1º de outubro, ainda não começou efetivamente. Segundo ele, as notícias sobre estiagem também tendem a alterar pouco os rumos desse mercado. "O que não parece ainda 'precificado' são essas medidas para o etanol", avalia. Lima observa, no entanto, que esses anúncios dariam algum suporte aos preços da commodity em Nova York, mas ainda limitado por um mercado que, no momento, continua com superávit.

Se for desconsiderada qualquer outra notícia externa ligada ao açúcar - oferta e demanda mundial ou câmbio -, o reajuste da gasolina e a elevação da mistura de anidro na gasolina teriam potencial para elevar as cotações internacionais do açúcar a patamar entre 17,50 e 18 centavos de dólar, nos cálculos de Lima. Ontem, em Nova York, os contratos para maio fecharam a 16,96 centavos.

No mercado, estima-se que o enxugamento da oferta de açúcar no Centro-Sul do Brasil em 2015 poderá chegar a 3,5 milhões de toneladas caso as duas medidas de apoio ao sejam adotadas. O cálculo considera demandas adicionais de 1,2 bilhão de litros de anidro e de 1 bilhão de litros e hidratado, que ganhará competitividade em caso de reajuste da gasolina.

Enquanto essas medidas continuam indefinidas, as usinas se concentram em tentar estimular o consumo de etanol hidratado. Nas últimas semanas, a Unica, que representa as usinas do Centro-Sul, relançou sua campanha publicitária em defesa do uso do biocombustível. A estimativa é que é preciso ampliar as vendas mensais de hidratado em 100 milhões de litros, para 1,2 bilhão, para que os preços sejam suficientes para cobrir os custos de carregar o biocombustível ATÉ a entressafra, que começará em dezembro.

Dados da Unica mostram que a demanda por hidratado nos postos segue em queda. Em setembro, foram 1,152 bilhão de litros, 1,8% menos que no mesmo mês de 2013. Desde o início da safra atual, em abril, as vendas estão 5% menores, em cerca de 6,4 bilhões de litros. Mas, segundo, Tarcilo Rodrigues, diretor da trading de etanol Bioagência, antes de tudo é preciso que o tamanho da safra de cana no Centro-Sul seja conhecido com precisão.

Ele explica que, neste momento, as previsões já divulgadas variam de uma moagem de 540 milhões a 560 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul. A estimativa que considera a necessidade de ampliar o consumo mensal de etanol em 100 milhões de litros leva em conta um processamento de 560 milhões de toneladas de cana. "Se a moagem efetiva for de 550 milhões, com um mix de 60% para o biocombustível, a produção seria reduzida em 480 milhões de litros, o que mudaria as projeções de oferta de etanol", diz Rodrigues. Ele acredita que até meados de novembro a safra estará mais clara - e as projeções serão mais consistentes. (Valor Econômico 14/10/2014)

 

Calor intenso ameaça agravar problemas em áreas de café e cana do Brasil

As altas temperaturas e a falta de chuva esta semana deverão afetar áreas de café e cana-de-açúcar do Brasil, ameaçando reduzir mais do potencial produtivo das lavouras, disseram meteorologistas nesta segunda-feira.

Os contratos futuros do café arábica e do açúcar bruto negociados em Nova York registraram altas por três semanas consecutivas e estão subindo novamente nesta segunda-feira, com maiores temores relacionados às chuvas de primavera, que estão atrasadas no país que é o maior produtor das duas commodities.

A umidade consistente ao longo dos próximos seis meses vai definir o tamanho das colheitas previstas para começarem, em sua maioria, no segundo trimestre de 2015.

A produção de café e açúcar do Brasil em 2014 foi dizimada por uma seca severa no início do ano. As precipitações também têm sido menores do que o normal no período mais seco, de abril e outubro, com áreas importantes de cultivos recebendo metade da umidade normal ao longo dos meses.

"Em São Paulo e Minas Gerais o tempo segue muito quente e sem nenhuma previsão para chuvas tanto para essa segunda-feira quanto para toda a semana", disse o agrometeorologista Marco Antonio dos Santos, da Somar.

Segundo o instituto, as temperaturas vão ultrapassar 34 graus Celsius em toda a região de cana e café, e chuvas são improváveis.

"Lavouras de café, cana de açúcar, laranja e demais culturas serão fortemente prejudicadas, havendo fortes quebras no potencial produtivo dessas lavouras", acrescentou.

A Somar e outros meteorologistas esperam que as precipitações mais fortes e generalizadas retornem somente depois de 23 de outubro, quando uma massa de ar seco sobre o Sudeste do Brasil será rompida. Isso permitirá que as frentes frias tragam umidade em uma região fundamental para a cana, café e laranja.

Um modelo de previsão estendida utilizado pelo serviço de meteorologia agrícola dos Estados Unidos Commodity Weather Group (CWG) mostrou chuvas de normais a acima da média de retornando à região cafeeira do Brasil em 11 a 15 dias.

Em um boletim nesta segunda-feira, o CWG disse que o retorno de águas tropicais mais quentes no Oceano Pacífico, na costa do Peru, ainda pode gerar um El Niño com padrões climáticos suaves, que tendem a promover chuvas no cinturão do café do Brasil.

"Estamos oscilando em torno do limite, por isso, se as condições levarem eventualmente a um fraco El Niño, isso significa condições mais úmidas para as regiões cafeeiras do Brasil", disse o meteorologista da CWG David Streit.

Quanto mais cedo as chuvas ocorrerem, melhor será para a produtividade das culturas.

O Conselho Nacional do Café do Brasil (CNC) confirmou que algumas floradas ocorreram nas regiões produtoras em setembro e outubro. Porém mais umidade é necessária para as flores se desenvolverem em frutos no próximo ano.

Meteorologistas da MDA disseram nesta segunda-feira que a seca no cinturão do café fez com que algumas floradas abortassem.

Os pés de café normalmente entram em floração após o início das chuvas. A maior parte da região do café não tem flor ainda.

O presidente do CNC, Silas Brasileiro, disse anteriormente que a safra 2015 de café do Brasil poderia cair abaixo de 40 milhões de sacas de 60 kg. Se isso acontecer, ela será a menor safra do país desde 2009. (Reuters 13/10/2014)

 

Pesquisa definirá pegada hídrica da cana irrigada no Brasil

Quantificar os volumes de água necessários para produção de cana-de-açúcar, etanol e açúcar nos diferentes sistemas de cultivo irrigados em condições de solo e clima característicos do Brasil – este é o objetivo de projeto liderado pela Embrapa e outras instituições de pesquisa. Os pesquisadores querem definir os volumes de água utilizados na produção de etanol, açúcar e cana-de-açúcar. Sabendo dos impactos do cultivo na cana sobre as bacias hidrográficas e recursos hídricos em geral das diferentes regiões produtoras, será possível, por exemplo, melhor subsidiar políticas ambientais e ajudar no avanço de marcos regulatórios para uma produção mais sustentável.

A pesquisa será feita em rede e engloba ações voltadas à competitividade e à sustentabilidade setorial. Com apoio do setor produtivo, em diversas usinas parceiras, os pesquisadores atuarão nos principais estados produtores de cana-de-açúcar – São Paulo, Pernambuco, Alagoas, Bahia, Sergipe, Piauí, Mato Grosso do Sul e Goiás.

Os resultados vão ajudar a formar um banco de dados e testar diferentes metodologias para quantificação de água usada na produção de etanol, entre elas o uso de sensoriamento remoto e imagens de satélite para cálculo das águas verde e azul. Serão conhecidos, também, os possíveis efeitos dos usos de diversas fontes de adubação e defensivos nos recursos hídricos.

Um dos diferenciais importantes dessa ação de pesquisa é que serão levantados dados específicos para cada região produtora separadamente, conferindo maior precisão e consistência aos resultados. Atualmente, estudos se utilizam de bases de dados gerais fornecidas pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Os cálculos dos volumes de água utilizados na produção de um produto podem ser realizados de diversas maneiras. Para este projeto, os pesquisadores elegeram a metodologia desenvolvida pela organização internacional Water Footprint Network (WFN), que também possui uma página em português – www.pegadahidrica.org.

No contexto da agricultura, a pegada hídrica é um indicador numérico que estima o volume total de água necessário para produzir um produto agrícola. Esse volume é a soma de três tipos de água definidos pela WFN da seguinte forma: água verde é a água natural da chuva contida no perfil do solo e que a planta naturalmente utiliza na fotossíntese e evapora; água azul se refere à água empregada no plantio por meio de irrigação; e água cinza é a água residual resultante do manejo da cultura, que pode carregar em si resíduos de fertilizantes químicos e agrotóxicos.

"Além dos dados gerais de produção das usinas, serão levantados dados específicos do sistema de produção, como tipos de defensivos, métodos de irrigação, entre outros. Em relação à água cinza, a maioria dos trabalhos leva em conta apenas a referente à adubação nitrogenada. Neste projeto, além do nitrogênio, buscaremos quantificar a água cinza também para fósforo e, pelo menos, herbicidas", adiantou o líder do projeto, o pesquisador da Unidade de Execução de Pesquisa (UEP) da Embrapa Tabuleiros Costeiros em Rio Largo (AL), Antonio Santiago.

Expansão

Santiago argumenta que nos últimos quinze anos a área de cultivo cresceu vertiginosamente no Brasil, ocupando novas áreas de produção denominadas como de ‘expansão', que diferem das tradicionais, principalmente, em relação ao volume de precipitação, levando os produtores da cultura a utilizarem a técnica da irrigação.

"No caso específico do Nordeste brasileiro, houve migração do cultivo das áreas tradicionais – Mata Atlântica litorânea – para áreas interiores dos Tabuleiros Costeiros, que se caracterizam por serem planas e apresentarem longos períodos de estiagem. Como consequência, tornou-se muito comum atualmente o uso de irrigação em significativa porcentagem da área de produção canavieira", explica.

Avaliar e quantificar o impacto dessa irrigação sobre as bacias hidrográficas e os mananciais nas regiões de produção é uma das principais metas da pesquisa.

Resultados

Além da definição dos volumes de água utilizados na produção de etanol, açúcar e cana-de-açúcar, o projeto busca outros resultados importantes, tanto do ponto de vista científico quanto ambiental. Uma das metas é formação de um banco de dados extensivo e preciso sobre o tema, além de promover a comparação de diferentes metodologias para quantificação de água usada na produção de etanol, entre elas o uso de sensoriamento remoto e imagens de satélite para cálculo das águas verde e azul.

Para subsidiar políticas ambientais e ajudar no avanço de marcos regulatórios para uma produção mais sustentável, o projeto busca conhecer, com auxílio de programas de modelagem matemática, os possíveis impactos do cultivo na cana sobre as bacias hidrográficas e recursos hídricos em geral das diferentes regiões produtoras.

Esses resultados possibilitarão o avanço do conhecimento e aumento da eficiência do uso da água em bacias hidrográficas e nas áreas produtoras de cana. Serão conhecidos, também, os possíveis efeitos dos usos de diversas fontes de adubação e defensivos nos recursos hídricos.

Para o pesquisador Fábio Scarpare, integrante do Programa de Avaliação da Sustentabilidade do CTBE, a rede está muito bem articulada e com parceiros e líderes de planos de ação bastante comprometidos. O CTBE fará levantamentos de campo para obter dados específicos sobre a pegada hídrica cinza em São Paulo e Goiás. "É muito estimulante integrar um projeto em rede dessa natureza e com escopo metodológico bem definido. Com certeza será uma relação de ganha-ganha para todos os parceiros e especialmente para a sociedade brasileira", acredita. (Embrapa 13/10/2014)

 

Brasil sobe em ranking de energia renovável

Segundo a consultoria EY, país é o 9º mercado mais atrativo para o investimento estrangeiro, graças aos leilões de energia solar e eólica.

O Brasil é apontado como o nono país do mundo mais atraente para investimentos em geração de energias renováveis, segundo o ranking Renewable Energy Country Attractiveness Index, da consultoria EY, que analisa o mercado de fontes limpas em 40 países. O ranking leva em consideração potencial de mercado, capacidade instalada, política setorial, cenário macroeconômico, infraestrutura e custo local de capital. "Pela primeira vez o Brasil configura no top 10 do ranking, graças a algumas características positivas do mercado", afirma Mário Lima, diretor de consultoria em sustentabilidade da EY. Segundo ele, há potencialidades brasileiras que vêm despertando o interesse de grandes investidores estrangeiros como o leilão de reserva energia solar, programado para o próximo dia 31 de outubro. De acordo com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o leilão registrou 400 projetos de energia solar fotovoltaica, que totalizam 10.790 megawatts (MW) de energia.

"Além disso, o Brasil tem como meta aumentar de três para 12 megawatts a participação da energia eólica na matriz energética nacional nos próximos dez anos", ressalta, mencionando que o anúncio de linhas de crédito com taxas atrativas por parte do BNDES e a curva de aprendizado das empresas que atuam no país também contribuem para beneficiar ainda mais o ambiente de negócios do país. "A tendência é que com os investimentos feitos pelo governo, o preço da energia solar caia pela metade em quatro ou cinco anos", afirma, frisando que por permitir uma instalação mais rápida, a energia solar passou a ser vista como principal alternativa no Brasil. Entre os pontos negativos brasileiros, Lima menciona a burocracia, carga tributária e os problemas de infraestrutura e logística.

Para o especialista, a política de conteúdo local, que obriga que 60% dos fornecedores da indústria sejam nacionais, precisa ser flexibilizado. "A indústria nacional ainda não domina certas tecnologias de geração de energia renováveis, exigindo mais tempo e investimentos para o desenvolvimento de projetos", explica. De acordo com Lima, apesar do grande potencial climático, a geração de energia solar ainda não deslanchou no Brasil porque falta realizar o mapeamento, com medição histórica, de locais com potencial para geração. Ele menciona que ainda não há clareza sobre o futuro da geração de energia solar no país. "Em breve teremos o primeiro leilão reserva, mas sem definição de metas, como foi estabelecido para a energia eólica, indicando o que se espera da fonte solar nos próximos dez anos", diz. Para o especialista da EY, há um grande potencial de negócios da geração de energia por biomassa de cana-de-açúcar.

"O país precisa desenvolver novas tecnologias que diminuam os custos dessa fonte de energia, conferindo também mais eficiência a ela", argumenta. Lima também aponta para a potencialidade existente no nicho das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs), já que o país tem grande potencial fluvial. "Mas para essas alternativas avançarem é necessário desenvolver soluções de crédito para a geração distribuída de energia". Segundo Mário Lima, a China desponta no ranking da EY porque estabeleceu metas para limpar sua matriz energética e reduzir a emissão de poluentes, investindo muito em energia solar e eólica. Já os Estados Unidos estão atravessando um período de transição que visa tornar sua indústria mais competitiva, diminuindo os subsídios direcionados ao setor de energia. "Lá está em discussão a necessidade de mudança. Ao contrário do Brasil, a política energética é de competência dos estados e não do governo central e esse cenário de transição apresenta grandes oportunidade de negócios", afirma. (Brasil Econômico 14/10/2014)

 

Commodities Agrícolas

Café: Clima preocupa: As cotações do café arábica abriram as negociações na bolsa de Nova York em alta ontem diante dos temores com a safra 2015/16 no Brasil, mas vendas técnicas reverteram a tendência à tarde. Os lotes para março de 2015 fecharam a US$ 2,22 a libra-peso, queda de 220 pontos. A preocupação com os cafezais no Brasil é crescente. Previsões indicam que o tempo deve ser ainda mais quente e seco no cinturão produtor nesta semana. Em Minas Gerais, a umidade do ar deve ficar abaixo dos 20% na maior parte Estado até quarta-feira, quando há previsão de chuvas "passageiras" no sul e na zona da mata mineiros. O mercado interno manteve-se semiparalisado, com cotações nominais, e o café de boa qualidade foi negociado entre R$ 520 e R$ 530 a saca de 60,5 kg, de acordo com o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Queda brusca: Os preços do cacau registraram forte queda na bolsa de Nova York ontem, devolvendo a alta da sessão anterior. Os contratos da amêndoa com vencimento em março de 2015 fecharam em US$ 3.038 a tonelada, queda de US$ 85. O mercado tem se dividido entre a pressão dos fundamentos, já que a colheita da safra 2014/15 está em curso na África Ocidental e deve superar o volume colhido na temporada anterior, e as especulações em torno da epidemia de ebola na região. Houve também um reposicionamento dos fundos à espera dos dados de moagem de cacau no terceiro trimestre na Europa que serão divulgados hoje. No mercado interno, o preço da amêndoa nas praças de Ilhéus e Itabuna ficou em R$ 104 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Alta expressiva: Os futuros de soja subiram de forma expressiva ontem na bolsa de Chicago diante da perspectiva de mais atraso na colheita nos EUA e com o impulso do cenário macroeconômico. Os lotes para janeiro fecharam em alta de 22,75 centavos, a US$ 9,5325 o bushel. As chuvas devem continuar fortes no cinturão produtor dos EUA até metade desta semana, afetando os trabalhos de campo. Além disso, a China informou que importou 52,7 milhões de toneladas de soja até setembro, alta de 15,3% ante igual período de 2013. A queda do dólar também contribuiu para a alta, já que a moeda americana mais barata torna o grão dos EUA mais competitivo. A sessão teve baixa liquidez por causa de um feriado no país. O indicador Cepea/Esalq para a soja em Paranaguá permaneceu ontem em R$ 61,17 a saca.

Trigo: Impulso do dólar: As cotações do trigo subiram ontem nas bolsas americanas sob efeito da desvalorização do dólar. Em Chicago, os lotes para março de 2015 fecharam a US$ 5,17 o bushel, alta de 7,5 centavos. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os contratos com igual vencimento subiram 7 centavos, a US$ 5,8575 o bushel. A alta do cereal teve influência direta da queda do dólar, que torna o produto dos Estados Unidos mais competitivo no mercado internacional. A desvalorização do trigo na Europa por causa da perspectiva de aumento da safra local também colaborou para manter o cereal em baixa nos EUA. No mercado interno, o preço médio do trigo no Paraná apurado pelo Departamento de Economia Rural (Deral), da Seab, manteve-se em R$ 30,61 a saca. (Valor Econômico 14/10/2014)