Setor sucroenergético

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Coamo

Uma das maiores cooperativas agrícolas do Brasil, com faturamento anual na casa dos R$ 8 bilhões, a paranaense Coamo vai invadir um feudo do Grupo AMaggi.

Prepara-se para instalar uma processadora de soja no Mato Grosso. (Jornal Relatório Reservado 15/10/2014)

 

Saudi Aramco

A Saudi Aramco pretende investir em biodiesel no Brasil. Os árabes já mantiveram contatos com a Petrobras Biocombustíveis. (Jornal Relatório Reservado 15/10/2014)

 

Estrangeiros mantêm forte investimento no agro brasileiro, diz Rabobank

Usinas de açúcar e etanol estão entre os principais alvos dos investimentos estrangeiros no agronegócio brasileiro.

O agronegócio brasileiro segue atraindo o interesse e o investimento de empresas estrangeiras. De acordo com dados consolidados pelo Rabobank, em 2013, 60% das transações de fusões e aquisições no país, assessoradas e concluídas pelo banco, foram realizadas com participação de companhias internacionais, principalmente norte-americanas e asiáticas. Em relação aos setores, 40% se referem a empresas de açúcar e etanol, 40% de grãos e 20% de proteína animal.

Para o Rabobank, uma das razões que favorece o aumento nas transações com participação estrangeira é o bom modelo de negócio e profissionalização do setor, apesar das dificuldades logísticas e da complexidade tributária do Brasil.

As empresas brasileiras evoluíram muito em controles e governança, nos últimos 10 anos. Isso é resultado do forte crescimento, do aumento da complexidade e da competição nos diversos setores do agronegócio, além do amadurecimento do empresariado – explica Rodolfo Hirsch, especialista em Mergers & Acquisitions do Rabobank.

Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), no ano passado, aproximadamente 50% das transações de M&A no agronegócio brasileiro contaram com o envolvimento de investidores estrangeiros (relativas a empresas de proteína animal, bebidas, insumos, lácteos, grãos, açúcar e etanol, alimentos e mídia agrícola). Esse número sobe para 70% só no primeiro semestre deste ano – referentes a empresas de grãos e açúcar e etanol, e a companhias de insumos agrícolas e alimentos.

O aquecimento pode ser visto nas diversas formas de aquisição e participação, pois ocorre em todos os setores do agronegócio e envolvem a entrada de players como tradings globais, sócios estratégicos e fundos de private equity. O segmento de fertilizantes líquidos, por exemplo, apresenta um crescimento expressivo. Mesmo sendo um nicho relativamente pequeno (apesar do alto investimento em tecnologia), ele vem atraindo muito o interesse de estratégicos e private equities – aponta Hirsch.

O desejo de estender a participação ao longo da cadeia de suprimento das principais commodities agrícolas, aumentar a diversificação geográfica, administrar o portfólio de commodities, assegurar canais proprietários de demanda e garantir o fornecimento de alimentos a longo prazo podem ser considerados também importantes motivos, que refletem o crescimento do interesse internacional em empresas brasileiras.

Os grandes players internacionais veem ótimas oportunidades no crescimento constante do agronegócio brasileiro.

O Rabobank conhece muito bem o setor, que continua atraindo investimentos de todos os continentes. O banco tem presença em 47 países, o que facilita ainda mais todo o nosso suporte de M&A para clientes de dentro e fora do Brasil, que estão otimistas com o mercado nacional – analisa Mark Abrams, responsável pela área de Mergers & Acquisitions do Rabobank na América Latina. (Rabobank 14/10/2014)

 

Gasolina sobra em posto, e álcool cai menos para o consumidor

Se já estava difícil para as usinas vender etanol nesta safra, a situação ficou ainda pior neste mês.

Além da já pouca competitividade do álcool, devido à retirada da taxa de tributação da Cide e à defasagem dos preços internos da gasolina ao longo do ano, a atual política de comercialização das distribuidoras e dos postos inibe ainda mais a venda do derivado de cana.

No pico da safra, o litro de etanol teve queda de R$ 0,06 na porta das usinas nas últimas dez semanas. Nos postos, o recuo foi de R$ 0,02.

Para complicar ainda mais a vida dos produtores de etanol, a gasolina teve recuo ainda maior do que o do derivado de cana, atingindo queda de R$ 0,03 no período.

Tomando como base as margens das distribuidoras e dos postos, que vêm subindo, a opção maior deles deveria ser para o etanol, mas ocorre o contrário.

Descontados impostos e outros custos, a margem atual das distribuidoras na revenda é de 9,42% na comercialização do etanol e de 5,30% na de gasolina. Já os postos têm margens de 17,70% na venda de álcool e de 14,40% na de gasolina.

Um dos motivos desse não repasse da queda dos preços do etanol das usinas para o consumidor seria uma aposta errada na evolução da demanda do mercado interno.

As distribuidoras acreditavam em uma recuperação do mercado nos últimos meses, o que não vem ocorrendo.

Fizeram encomendas de gasolina acima do que se está consumindo. Quem não retirar essa gasolina recebe uma multa. A saída foi reduzir o preço do derivado do petróleo para elevar as vendas.

Alguns postos de São Paulo comercializam a gasolina com queda de até R$ 0,10 por litro nas últimas semanas, aponta pesquisa da Folha.

A avaliação era de vendas maiores também para o etanol, cujas encomendas feitas às usinas cresceram. Mas algumas distribuidoras não retiraram o produto adquirido, deixando os estoques ainda maiores nas usinas.

Os dados de consumo de combustíveis indicam que o mercado realmente não está reagindo. Nos três primeiros meses do ano, o consumo médio mensal havia crescido 10% em relação a igual período de 2013. Nos meses seguintes esse percentual ainda foi positivo, mas recuou para 5% e nos últimos três meses o aumento é inferior a 2%.

Em São Paulo, por exemplo, a venda média de etanol ficou em 600 milhões de litros por mês, enquanto a de gasolina foi de 880 milhões. Apesar dos preços mais vantajosos do etanol, vende-se 1,5 litro de gasolina em São Paulo por litro de etanol comercializado.

A queda da demanda e à política de algumas distribuidoras de priorizar a gasolina vão elevar ainda mais os estoques de etanol, que já é grande devido à opção das usinas de produzir mais álcool neste ano, devido aos baixos preços do açúcar.

Uma redução de demanda agora vai jogar mais estoques para a entressafra, o período de melhores ganhos do setor.

Neste período, as pesquisas da Folha indicam que há vantagem no consumo de etanol sobre o de gasolina. O derivado de cana custa 65% do valor da gasolina. Pesquisas indicam que, quando o etanol vale até 70% do preço da gasolina, ele é mais vantajoso. (Folha de São Paulo 15/10/2014)

 

Venda de hidratado aos postos cresce 5% em setembro, diz Sindicom

De acordo com o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), as vendas aos postos cresceram 13,3% de janeiro a setembro ante igual período do ano passado, para 5,65 bilhões de litros.

Considerando-se apenas o mês de setembro, as associadas do Sindicom comercializaram 663,68 milhões de litros de hidratado (+5,3%) e 2,82 bilhões de litros de gasolina (+13,1%).

As associadas do Sindicom respondem por mais de 60% do mercado desse produto, usado diretamente no tanque dos veículos.

No caso da gasolina, ocorre o contrário. No acumulado de 2014 até setembro foram comercializados 21,44 bilhões de litros, queda de 4,2% frente os 22,39 bilhões de litros apurados nos nove primeiros meses do ano anterior. (Agência Estado 14/10/2014)

 

Insumos e grãos devem puxar fusões e aquisições, diz Rabobank

Impulsionadas pelos segmentos de insumos agrícolas, grãos e logística, as transações de fusões e aquisições no agronegócio brasileiro tendem a ganhar fôlego nos próximos meses, conforme o banco holandês Rabobank. A instituição tem em carteira 13 operações dessa natureza em andamento, que deverão ser concluídas entre o quatro trimestre deste ano e 2015.

Liderada pelo executivo Mark Abrams, a área de fusões e aquisições do banco na América Latina concluiu em 2013 no Brasil cinco transações, que totalizaram cerca de US$ 3,65 bilhões. Duas foram em açúcar e etanol (compra do controle da CMAA pela Indofood e a aquisição da usina Campestre pela Clealco), duas na área de grãos (aquisição do controle da Ceagro pela Mitsubishi e outra não revelada pelo banco) e uma na área de proteína animal (venda da Seara pela Marfrig para a JBS).

Nas transações em gestação, o perfil é diferente, revela Abrams. O segmento de grãos e logística para grãos domina a pauta do Rabobank no Brasil, com 40% da carteira do banco. As operações de fusões e aquisições envolvendo empresas de insumos representam 30% dos negócios em trâmite na instituição no momento. A área de açúcar e etanol tem 20% da carteira e a de proteína e lácteos, 10%. "Até agora, foi anunciada uma operação. Até o fim deste ano, serão mais três ou quatro".

Além de envolverem diversos segmentos, as operações em carteira no Rabobank têm tamanhos diferentes. "Seus valores individuais variam de R$ 150 milhões a R$ 5 bilhões", detalha Rodolfo Hirsch, um dos especialistas desse departamento no banco.

Hirsch diz que, nos últimos dois anos, houve muita consolidação no segmento de fertilizantes. A norueguesa Yara liderou as transações no Brasil com a aquisição do negócio de adubos da Bunge e, mais recentemente, de uma participação majoritária na brasileira Galvani. Houve, ainda, a entrada da marroquina OCP International Cooperative no capital da Heringer, também brasileira "O cenário de preços mais baixos para os grãos em 2015 deverá trazer oportunidades de consolidação tanto em insumos, como nas tradings de grãos".

No segmento sucroalcooleiro, que nos últimos meses foi palco de grandes operações como a fusão das áreas de exportação de açúcar de Copersucar e Cargill, também há potencial para novas transações. O modo como as tradings que se tornaram também usinas de cana estão repensando suas estratégias está no centro dessas oportunidades, segundo Abrams. "Elas perceberam que não precisam ter tanta exposição para poder comercializar açúcar. Assim, estão tentando minimizar isso, tanto com venda de usinas como com a busca investidores para reduzir essa exposição", afirma ele.

O executivo acrescenta que os compradores desses ativos serão, em geral, as próprias usinas, mas que também há interesse de grupos estrangeiros que não estão no mercado brasileiro. "Há europeus, asiáticos e americanos".

Em lácteos e em derivados de trigo como biscoitos, há potencial para aquisições e também para acordos operacionais e comerciais que visem, por exemplo, inserir produtos mais sofisticados ainda não fabricados no país. Conforme Abrams, essas parcerias são o caminho natural para a entrada de novos players nessas áreas, ainda fragmentadas. (Valor Econômico 15/10/2014)

 

Preço do etanol ao consumidor sobe em 17 Estados

SÃO PAULO - Os preços do etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, subiram ao consumidor final de 17 Estados do país entre os dias 5 e 11 de outubro, segundo levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Ao motorista de 16 Estados, o preço médio do biocombustível recuou e em três e no Distrito Federal ficou estável.

A maior alta foi observada no Estado de Goiás, onde o preço médio do hidratado nos postos subiu 1,71%, a R$ 2,019 o litro entre 5 e 11 de outubro. A valorização, no entanto, não alterou a vantagem ao consumidor de usar etanol em relação à gasolina, uma vez que os preços do biocombustível se mantiveram equivalentes a 66,88% do preço da gasolina. Segundo o parâmetro mais aceito pelo mercado, essa vantagem existe toda a vez que esse percentual é inferior a 70%.

Em São Paulo, maior Estado consumidor de combustíveis do país, o preço médio do etanol ao motorista caiu 0,05%, a R$ 1,861 o litro. A paridade com a gasolina nesse Estado permaneceu em 65%. Nas últimas quatro semanas, a queda acumulada do hidratado nesse Estado foi de 0,74%.

Na usina em São Paulo, o litro do etanol hidratado vem caindo. Na semana entre 6 e 10 de outubro, o indicador Cepea/Esalq para esse biocombustível recuou 0,54%, a R$ 1,1394 o litro. Em quatro semanas, a queda acumulada é de 5,2%.

Além de Goiás e São Paulo, é vantajoso ao consumidor abastecer com etanol em vez de gasolina em Mato Grosso e no Paraná, segundo ANP. (Valor Econômico 14/10/2014 às 15h: 04m)

 

CNA: Justiça embarga reeleição de Katia Abreu simpatizante de Dilma

Após primeira negativa, 7ª Vara do Trabalho de Brasília reconsiderou pedido feito pela Federação da Agricultura do Paraná.

A eleição da nova diretoria da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) para o triênio 2014-2017, prevista inicialmente para 14 de outubro, foi suspensa pela Justiça. Após negar uma primeira solicitaçãofeita pela Federação da Agricultura do Paraná (Faep), o juiz Ricardo Machado Lourenço Filho, da 7ª Vara do Trabalho de Brasília, reconsiderou o pedido e concedeu liminar que impede o processo eleitoral.

A Faep sustenta a existência de vícios na condução do processo, que teria favorecido os candidatos da chapa única, encabeçada pela senadora Kátia Abreu, presidente licenciada da CNA, e pelo presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado da Bahia (Faeb), João Martins da Silva Júnior, presidente interino da Confederação.

Na decisão, o juiz Ricardo Machado Lourenço Filho afirma que “Os documentos acostados revelam a existência de vícios no processo eleitoral em curso para escolha da diretoria e do conselho fiscal da requerida”. Ele ainda afirma que “Embora, no caso concreto, haja apenas uma chapa concorrendo à eleição, trata-se de resguardar o direito dos filiados à entidade de participarem de um processo eleitoral democrático e que atenda aos princípios da igualdade e do devido processo legal”.

Uma audiência inicial entre as partes foi marcada para 21 de outubro. (Canal Rural 10/10/2014)

 

Em MG, produtores suspendem a irrigação por falta de abastecimento

Mais de 150 municípios já decretaram situação de emergência. Muitos produtores estão sendo orientados a suspender a irrigação.

Em Formiga, Minas Gerais, tem produtor suspendendo a irrigação da lavoura para garantir o abastecimento das cidades.

No centro-oeste mineiro muitos córregos e rios secaram por causa da estiagem. A situação mais crítica é a do Rio Formiga, o principal reservatório está com apenas 30% da capacidade. Muitos fazendeiros e também a população da cidade, dependem dessa água para sobreviver.

Policiais do Meio Ambiente visitam as propriedades para pedir para pedir que a água seja economizada, o problema é que a principal atividade é a horticultura, onde as plantas necessitam de irrigação diária.

Paulo Sérgio Teixeira cultiva seis variedades de verduras. Nos canteiros ele manteve a irrigação, mas reduziu o tempo pela metade. Já a plantação de inhame não vê água há uma semana e o prejuízo é grande.

Para manter o cultivo e economizar água, muitos produtores têm investido na hidroponia, sistema onde a mesma água é reutilizada por até duas semanas.

Para fazer três estufas, Ângelo José Teixeira gastou R$ 60 mil. Por mês, o produtor está colhendo 9 mil pés de agrião, alface roxa e verde gastando oito vezes menos água do que no sistema convencional. Mesmo assim, ele conta que está preocupado. “Se terminar a água, não temos como trabalhar”, diz.

O norte de Minas Gerais também sofre com a falta de água. A hidrelétrica de Três Marias opera com pouco mais de 4% da capacidade e 155 municípios já declararam situação de emergência.

Os produtores contabilizam as perdas, este é o terceiro ano consecutivo de pouca chuva na região. As perdas na lavoura chegam a 90% e a pecuária também sofre bastante com a redução significativa do plantel. Rios e poços artesianos estão secando e a previsão de chuva para a região ainda não se confirmou.

Reinaldo Nunes de Oliveira, coordenador técnico da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), fala sobre o plantio de algumas culturas tradicionais da região, como o feijão e o milho, e o prejuízo dos produtores. (Globo Rural 14/10/2014)

 

Biomassa como solução para um país que desperdiça energia

A matriz energética limpa do Brasil é a maior e a melhor do mundo, com 26,2% de biomassa, sendo 16,1% cana-de-açúcar, 8,3% lenha/carvão e 1,8% lixívia. Entre 103 países, Rússia e Brasil têm 31% de toda a área florestal do planeta, enquanto a Europa ocidental já removeu 99,7% das nativas. Ainda nos acusam de desmatar. Essa área é de apenas 22 mil km², o que representa 0,3% do território nacional. Esse pequeno número é para alimentos, criação de cidades, estradas e indústrias.

Desmatamentos programados são autorizados por lei. A maioria não sabe que 55% do oxigênio do planeta é produzido por algas marinhas e não pelas árvores. A Amazônia Legal brasileira representa 6,8% da superfície do planeta e não é o pulmão do mundo, mas sim os oceanos. Em nosso país, desperdiça-se Biomassa energética.

Se fossem aproveitados os resíduos da cana-de-açúcar por meio de uma lei que ainda não existe, geraria 20% de toda a demanda elétrica do Brasil. Isso foi descoberto em 2011, em pós-doutorado da Unicamp, e ainda não sabemos quem impede de se reduzir apagões evitando um anunciado racionamento de energia. Estima-se um total anual de 21 milhões de toneladas de resíduos de serrarias, da indústria moveleira e madeireira, de acordo com outro doutorado, esse da UnB.

Esse potencial pouco aproveitado tem 4,1 Mega TEP (tonelada equivalente de petróleo) ou 1,4% de toda oferta interna de energia no Brasil em 2013. Lenha é material lignocelulósico que, ao queimar, gera calor, vapor e potência nas indústrias, empresas de serviços e domicílios, entre elas madeira plantada ou nativa, cavaco, carvão, briquetes, poda urbana e resíduos florestais-agrícolas, além de entulho de madeira da construção civil.

A novidade é o cavaco de eucalipto e o pinus, que, embora custe 33% mais que a lenha (US$ 80/ton — US$ 60/ton), reduz energia e custos da empresa. No entanto, o cavaco no Brasil é ruim, por ter serragem e casca. A má gestão das lenhas vem causando sérios prejuízos.

Estudos da disciplina de biocombustíveis da UnB revelam essas causas como lenha úmida, madeiras de baixo poder calorífico, descontrole da carga dos caminhões, compra errada por volume (metro estéreo) ou massa (kg ou ton.) e não pela energia da lenha. Além do frete, de até 120km entre o campo e a caldeira, que dobra o preço da lenha.

O usuário consome energia e paga por algo que não sabe, perdendo dinheiro. São perdas de 5% a 20% dos custos de geração de calor. Assim, a compra anual de 25 mil estéreos de eucalipto, ou US$ 625 mil, pode perder US$ 125 mil/ano. Não são mais de 10 as grandes indústrias que fazem cálculos termodinâmicos e financeiros da energia, entre elas agroindústrias que demandam vapor na cocção de alimentos, como carnes.

A maioria não contabiliza prejuízos, alegando serem teorias acadêmicas e ser caro contratar um gerente. Eles não sabem que universidades geram esses relatórios com baixo preço, aliviando RH e infraestruturas da empresa. No caso da UnB, é o Laboratório de Tecnologia da Madeira, do Departamento de Engenharia Florestal.

Outro índice é a relação custo-benefício, ou seja, um mínimo de 2,2kg de vapor gerado para cada kg de madeira queimada; menos que isso, começam os prejuízos da empresa. A razão do crescimento da Biomassa é o alto preço do óleo combustível (BPF) usado nas indústrias. Assim, o preço do quilo de vapor gerado é de R$ 30 para cana; R$ 33 para eucalipto e R$ 77 para o BPF de petróleo, 2,3 vezes mais caro e em extinção.

Além da economia, a bioenergia alivia o Desmatamento, uma vez que não é cortada lenha da mata nativa. No aspecto de área plantada, temos 7,2 milhões de ha com eucalipto e pinus, entre outros, sendo 16% para siderurgia/carvão vegetal e 4% de lenha sólida de madeira. A maior parte segue para fazer papel. A Europa consome por ano 10 milhões de toneladas de pellets/briquetes.

A exportação do Brasil para essa região para cada milhão de tonelada daria receita posto cliente de US$ 230 milhões, o que não é desprezível, pela matéria-prima quase grátis e por termos 60 fábricas semiociosas. Faltam desburocratizar o setor e empresários mais preparados. Casas de alimentos, como padarias, pizzarias e restaurantes, exigem profissionalismo em bioenergia, o que enseja melhorias.

Como calor firme, ausência de fumaça, menor preço que eletricidade ou GLP, instalações ambientais e empregados fichados. Além de depósito e lenha em pedaços, onerando custos. No entanto, esse setor cresce, devido à competição por clientes. Para finalizar, existe o desmanche da indústria do etanol no Brasil, pela política energética equivocada, ao não se pagar os produtores um preço mínimo nas 400 agroindústrias da cana. Foram fechadas 50 delas nos últimos anos.

Esse etanol nasceu em 1975 e atende hoje uma frota de 32 milhões de automóveis. Isso constitui grave erro de gestão pública, pois 1,5 milhão de empregos diretos e famílias dependem do setor. Em benefício da matriz energética e da sociedade, esse cenário ameaçador deve ser removido (Luiz Vicente Gentil é Ph.D da Universidade de Brasília (Correio Braziliense 14/10/2014)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Incerteza com ebola: As preocupações com o surto de ebola no oeste da África deram novo impulso ao mercado do cacau ontem, que ignorou a queda no processamento na Europa. Os contratos para março negociados na bolsa de Nova York fecharam com alta de US$ 41, a US$ 3.079 a tonelada. Notícias de casos fora da África preocupam investidores, que temem que as medidas tomadas pela Costa do Marfim, maior produtor de cacau do mundo, não sejam suficientes para evitar o vírus. A alta reverteu a queda do início do pregão, reflexo da redução anual de 1,1% na moagem da amêndoa na Europa no terceiro trimestre. No mercado doméstico, o preço médio ao produtor na Bahia variou entre R$ 107 e R$ 108 a arroba, de acordo com Thomas Hartmann, da TH Consultoria, sediada em Salvador.

Soja: Avanço técnico: O mercado da soja registrou a segunda alta seguida ontem na bolsa de Chicago, resultado de compras de fundos especulativos e de indústrias da China. Os lotes para janeiro fecharam com avanço de 20 centavos de dólar, a US$ 9,7325 o bushel. O dia foi de fortes movimentos especulativos em várias commodities agrícolas, o que provocou altas generalizadas. Houve notícias também de que esmagadoras chinesas compraram lotes nos EUA e venderam posições no mercado chinês para travar margens. A demanda pela oleaginosa americana está em alta. Na semana até o dia 10, as exportações do país cresceram 43%. Porém, a perspectiva é que a oferta desta safra cresça mais que a demanda. No mercado interno, o preço médio no Paraná, apurado pelo Deral/Seab, subiu 0,26%, para R$ 54,45 a saca.

Milho: Disparada em Chicago: Os preços do milho dispararam ontem na bolsa de Chicago em meio a intensas compras especulativas por parte dos fundos. Os contratos do cereal para março fecharam a US$ 3,7 o bushel, elevação de 11,5 centavos. Alguns analistas citam o atraso na colheita nos EUA como motivo para as recentes valorizações do cereal no mercado futuro. Porém, não há consenso sobre o motivo, já que o atraso ainda não tem potencial para causar grandes prejuízos. Até domingo, a colheita havia alcançado 24% da área plantada no país, 20 pontos menos que a média histórica. Nesta semana, porém, as chuvas que vinham interrompendo as atividades devem dar uma trégua em áreas do Meio-Oeste. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa subiu 2,14%, para R$ 22,87 a saca.

Trigo: Na esteira do milho: Os futuros do trigo seguiram os demais grãos e fecharam em alta ontem nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes para março tiveram valorização de 4,25 centavos, a US$ 5,2125 o bushel. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento registraram alta de 5,75 centavos, a US$ 5,915 o bushel. Os preços chegaram a registrar queda nos primeiros minutos de negociação diante de indicações climáticas favoráveis nos EUA. As recentes chuvas nas áreas produtoras americanas, nas grandes planícies, devem favorecer as lavouras em desenvolvimento. Porém, ao longo do dia, o mercado seguiu os preços do milho, com o qual concorre no setor de ração. No mercado interno, o preço no Paraná, apurado pelo Cepea/Esalq, caiu 0,15%, a R$ 529,09 a tonelada. (Valor Econômico 15/10/2014)