Setor sucroenergético

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Terceiro turno

Se por acaso Dilma Rousseff não vencer as eleições, o jornalista Franklin Martins volta para a guerrilha em um dos veículos de comunicação alternativos mais aguerridos dessa campanha.

Promete não dar um minuto de paz à elite tucana. (Jornal Relatório Reservado 16/10/2014)

 

Credit Suisse reinicia cobertura de ações da Cosan

O Credit Suisse reiniciou a cobertura das ações da Cosan após a cisão da Cosan Logística, com recomendação "outperform" (equivalente à compra) e preço-alvo de R$ 45 por papel, segundo relatório assinado pelo analista Viccenzo Paternostro. "Com a cisão, a Cosan agora é principalmente uma empresa de energia, sendo a maior produtora do Brasil de açúcar e álcool, a terceira maior distribuidora de combustíveis, produtora dos lubrificantes Mobil e controladora da Comgás, maior distribuidora de gás do país", escreveu o especialista.

Segundo ele, esse perfil da Cosan atende completamente aos investidores de longo prazo, por considerar que ela tem uma posição de liderança nos segmentos em que está envolvida, abundância de oportunidades de crescimento e uma equipe de gestão focada na melhoria dos retornos.

Conforme Paternostro, há catalisadores evidentes para o papel: no segundo semestre de 2014 e em 2015, os resultados devem mostrar a manutenção do crescimento do volume de distribuição de combustíveis e da margem da Raízen Combustíveis; a recuperação dos preços do açúcar; a potencial mudança na política de preços de combustíveis no país; a melhora do volume e das margens operacionais no negócio de lubrificantes; a venda de terras a preços atrativos na Radar; e a potencial melhora de governança corporativa com a dupla listagem em bolsa.

O preço-alvo de R$ 45, que embute potencial de valorização de cerca de 25% ante os níveis atuais, leva em conta a média entre dois cenários traçados: um deles prevê a manutenção da política atual de preços (que resultaria em preço-alvo de R$ 40) e o outro contempla mudanças, passando pela paridade dos preços domésticos e internacionais (o que se refletiria em preço-alvo de R$ 50).

Já a Brasil Plural Corretora divulgou relatório referente às ações da América Latina Logística (ALL), em que ressaltou que o forte movimento vendedor recente cria um ponto de entrada e oportunidade de arbitragem nos papéis.

Segundo os analistas Rogério Araújo, Italo Ferrara e Lucas Barbosa, as ações da ALL têm classificação "overweight" (desempenho acima da média do mercado), com preço-alvo para o fim de 2015 de R$ 10,50 - potencial de valorização em torno de 85%.

A trajetória recente dos papéis da empresa esteve vinculada ao das ações da Cosan Logística, conforme os analistas da Brasil Plural. A desvalorização dos ativos dessa última empresa desde a estreia na bolsa, no início do mês, foi causada principalmente pelo movimento de venda por parte de investidores da Cosan - que no processo de cisão da companhia receberam automaticamente o papel relacionado a transportes - que não se interessaram em se expor ao segmento.

O "sell-off" começou antes mesmo da estreia da Cosan Logística, já que esses acionistas, segundo a corretora, assumiram posições "compradas" em papéis da Cosan e "vendidas" nos ativos da ALL. Nos atuais níveis de preço, a Brasil Plural sugere escolher a ação da Cosan Logística para "surfar" no investimento vinculado à fusão ALL-Rumo, ou então operar via compra desses papéis e venda dos da ALL.

A Cosan Logística foi criada para abrigar os ativos de transporte do grupo Cosan. Hoje, a empresa tem somente um ativo: a controlada Rumo. Essa, por sua vez, está em processo de fusão com a ALL - o que depende do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). É improvável que a fusão seja aprovada pela autarquia ainda neste ano, acreditam. Caso a operação não seja aprovada (o que é considerado improvável por eles), os analistas recomendam comprar a ação da ALL.

A equipe também enumera algumas considerações sobre o futuro da ALL e da Rumo. Apesar de considerarem que há algumas incertezas sobre as empresas, os analistas da Brasil Plural acreditam que o cenário para investimento é "confortável" levando em conta a relação entre risco e retorno. A equipe lembra que há um plano de investimentos entre R$ 5 bilhões e R$ 7 bilhões que pode ser anunciado oficialmente após a fusão, embora dependa de discussões sobre o aumento do prazo de concessão.

A Brasil Plural ainda avalia que a ALL vai continuar com uma situação operacional ruim por causa do cenário de demanda mais fraca por grãos e pelos menores volumes de exportação do país, "o que deve continuar pressionando volumes e 'preços spot'". Mas os analistas veem como um mito a tese de que os volumes da ALL não vão mais crescer.

Sobre a geração de caixa da ALL em 2015, um ponto de insatisfação no mercado, a equipe se mostra otimista - apesar de dizer que eventuais investimentos e deterioração no cenário de açúcar e grãos podem adiar a melhora desse item. (Valor Econômico 16/10/2014)

 

Açúcar: Turbulência externa

Diversos fatores macroeconômicos e fundamentos imediatos derrubaram o açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York.

Os lotes para maio de 2015 fecharam em 16,79 centavos de dólar a libra-peso, com baixa de 28 pontos. Dados fracos da economia dos EUA levaram a uma onda de aversão ao risco que pesou sobre os mercados internacionais, inclusive o agrícola.

Um novo recuo do petróleo, a indefinição do cenário eleitoral no Brasil e a alta do dólar aumentaram a pressão sobre os preços do açúcar.

Além disso, o produto está remunerando mais que o etanol, o que pode fazer as usinas elevarem a produção, enquanto os estoques das tradings seguem altos.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,38%, para R$ 47,70 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 16/10/2014)

 

Abengoa prepara ampliação de usina de etanol

A Abengoa Bioenergia prepara a ampliação da capacidade de produção de etanol, bem como expansão da área de plantio de cana da usina São Luiz, situada em Pirassununga. A moagem de cana vai passar de 3,2 milhões de toneladas/safra para 4 milhões t/safra, enquanto a oferta de etanol saltará de 84 mil m³/safra para 105 mil m³/safra. Está previsto ainda a o incremento da potência na cogeração de energia, dos atuais 45,7 MW para 57,1 MW.

O investimento programado é de R$ 67,8 milhões, com execução de obras prevista para atendimento da safra 2014/2015. Desse montante, R$ 16,3 milhões serão destinados à parte da ampliação industrial. Os demais R$ 51,5 milhões irão para a área agrícola, sendo R$ 12,7 milhões para aquisição de máquinas - incluindo veículos e implementos - e R$ 38,8 milhões para implantação de novos canaviais. Haverá acréscimo estimado de 12.935 hectares de áreas.

Desse total, 71% serão de parcerias e 29% de novos fornecedores. O empreendimento compreende os municípios de Aguaí, Casa Branca, Mococa, Pirassununga, Porto Ferreira, Santa Cruz da Conceição, Santa Cruz das Palmeiras, Santa Rita do Passa Quatro, Santa Rosa do Viterbo, São José do Rio Pardo, São Simão e Tambaú.

A viabilidade ambiental do empreendimento foi aprovada em maio último pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) A Abengoa Bionergia pertence ao grupo espanhol Abengoa, mais conhecido no Brasil pelos investimentos em obras de transmissão de energia.

A companhia, uma das maiores produtoras de biocombustíveis da Europa, possui mais duas usinas de cana no Brasil, também situadas em São Paulo, nos municípios de São João da Boa Vista e Santo Antônio da Posse. Somente a primeira produz etanol, na faixa de 145 mil m³/ano. A segunda se dedica à fabricação de açúcar (Brasil Energia 15/10/2014)

 

Louis Dreyfus avalia mudanças nos negócios de suco de laranja

Os negócios da Louis Dreyfus Commodities ao longo da cadeia produtiva de suco de laranja passam por um novo processo de reestruturação. Terceira maior exportadora global da commodity, a multinacional francesa concentra no Brasil as atividades nessa frente, que têm sido foco de prejuízos e apresenta possibilidades restritas de melhora significativa no curto e médio prazos.

Ainda que a empresa tenha preferido não conceder entrevista sobre as mudanças em curso ou em estudo, fontes do segmento ouvidas pelo Valor afirmam que delas poderá resultar uma transformação radical. Conforme essas fontes, ganha fôlego a possibilidade de a Dreyfus abandonar por completo sua produção própria de laranja e ampliar ainda mais as apostas na comercialização de suco. Até agora, a companhia supre sua demanda por matéria-prima para a fabricação da bebida por meio de produção própria, contratos plurianuais com citricultores independentes e no mercado spot.

Tanto a produção própria, que ocupa mais de 30 mil hectares em fazendas localizadas sobretudo no interior de São Paulo - Estado que reúne o maior parque citrícola do planeta -, quanto a industrialização, dividida entre quatro unidades, são geridas pela Louis Dreyfus Commodities Agroindustrial S.A., controlada pela Louis Dreyfus Commodities Brasil S.A. E os resultados da subsidiária, cujo objeto social também inclui operações de importação e exportação e participações em outras sociedades, tem sido negativos.

Conforme balanço publicado no "Diário Oficial do Estado de São Paulo", a LDC Agroindustrial encerrou 2013 com prejuízo líquido de R$ 95,6 milhões e não conseguiu reverter a perda de 2012, que havia sido de R$ 114,7 milhões. Na mesma comparação, sua receita líquida cresceu R$ 100 milhões e alcançou R$ 1,2 bilhão. Nesse contexto, a controladora aprovou, no início deste mês, um aporte de R$ 100,6 milhões na subsidiária, mas não informou como os recursos serão utilizados.

Fontes do segmento afirmam que, quando Margarita Louis-Dreyfus esteve no Brasil, no fim do ano, não escondeu seu descontentamento com os resultados dos negócios na cadeia de suco de laranja. O foco da viúva de Robert Louis-Dreyfus, que atualmente participa ativamente das decisões estratégicas da múlti, estava na sucessão do comando da companhia no Brasil e nos prejuízos bilionários da Biosev (braço sucroalcooleiro do grupo com ações na BM&FBovespa). Mas nem por isso Margarita deixou de tentar entender melhor os motivos de resultados tão azedos no segmento de suco.

Margarita já sabia que a queda da demanda internacional por suco de laranja desde o início da década passada, puxada por expressivas retrações do consumo em mercados maduros como os Estados Unidos, estava dificultando a vida das grandes companhias exportadoras radicadas no Brasil. Mas, ainda assim, promoveu mudanças na gestão desses negócios - que envolveram inclusive a troca de executivos - e pediu providências capazes de melhorar os resultados da subsidiária.

O Valor apurou que, nesse sentido, consultores foram contatados para avaliar o valor das terras hoje ocupadas por seus cerca de 15 milhões de pés de laranja. Fontes atentas aos passos da empresa afirmam que uma eventual venda desses ativos não só serviria como fonte de recursos extras como pouparia gastos e preocupações em uma atividade que é considerada o ponto fraco da atuação da Louis Dreyfus na cadeia de suco. E, como projeta oferta abundante da fruta nos próximos anos, sem produção própria a múlti ficaria mais à vontade para expandir sua presença nesse mercado como trading, área na qual tem predicados reconhecidos até pelos rivais.

As mesmas fontes ressalvam que esse é um caminho que está sendo avaliado com carinho, mas que é sempre difícil entender os rumos da companhia no mercado de suco. Apesar de não ter concedido entrevista, a Louis Dreyfus Commodities informou, quando procurada pelo Valor, que "mantém seu compromisso com a citricultura brasileira e continuará atuando na indústria de sucos cítricos no país". E não foram poucas, nos últimos anos, as especulações de que a múlti poderia vender todo o negócio de laranja e suco. Quando a americana Cargill vendeu seus negócios no ramo no Brasil para Cutrale e Citrosuco, em 2004, para muitos a Dreyfus seria a próxima a pegar o mesmo bonde.

"A venda dos negócios da Cargill para Cutrale e Citrosuco é mais um sinal de que é preciso maior coordenação entre os produtores de laranja, seja em cooperativas, pools ou associação. E põe Citrovita e Dreyfus em xeque", afirmou ao Valor, na ocasião, Marcos Fava Neves, professor da FEA/USP e autor e organizador de diversos trabalhos acadêmicos e livros sobre a citricultura. Por esse e outros motivos, a Citrovita, controlada pelo grupo Votorantim, se uniu à Citrosuco, do grupo Fischer, em fusão anunciada em 2010.

Também começou a ser gestado em 2009 o Consecitrus, conselho idealizado para servir de ambiente para negociações entre citricultores e indústrias que fez sua primeira reunião formal na semana passada, tendo como pano de fundo a quarta safra seguida de laranja de margens apertadas ou negativas para os produtores independentes da fruta. E a Louis Dreyfus continua em xeque.

A bem da verdade, mesmo Cutrale e Citrosuco, empresas de capital nacional que lideram as exportações brasileiras e mundiais de suco de laranja - os embarques nacionais somaram 147 mil toneladas e renderam US$ 180 milhões em setembro, conforme a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) -, estão buscando formas de rentabilizar melhor suas operações. A Citrosuco, por exemplo, reduziu drasticamente suas compras no mercado spot paulista na atual temporada (2014/15).

Já a Cutrale partiu para a diversificação. A empresa ganhou espaço como trading de soja e, em parceria com o Grupo Safra, atualmente faz uma conturbada investida para adquirir a americana Chiquita, uma das maiores empresas globais de bananas. (Valor Econômico 16/10/2014)

 

Mantega não descarta aumento da gasolina, mas diz que decisão cabe à Petrobras

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje (15) que, embora o preço da gasolina no Brasil esteja, atualmente, maior do que nos Estados Unidos, ainda pode haver reajuste do combustível. Ele destacou que a decisão cabe à Petrobras.

"Havia defasagem e agora não há. O preço da gasolina está mais alto, então a Petrobras está ganhando com isso. Mas isso não significa que não haverá aumento. Isso é uma decisão da empresa", disse o ministro, ao ser perguntado por jornalistas, na chegada ao Ministério da Fazenda.

Nas últimas semanas, o ministro, que é presidente do Conselho de Administração da Petrobras, tem sinalizado que pode haver aumento da gasolina ainda este ano. (Agência Brasil 16/10/10/2014)

 

Previsão indica tempo mais seco para metade das áreas de café e cana

As previsões de chuvas que poderiam aliviar as áreas ressecadas de café e cana-de-açúcar do Brasil nos próximos 15 dias se deterioraram e agora espera-se que metade das lavouras nas principais regiões de cultivo do país permaneça seca, apontou nesta quarta-feira a empresa de meteorologia dos EUA Commodities Weather Group.

Depois que as duas culturas tiveram safras afetadas pela severa seca do início de 2014, a negociação de açúcar e café nas bolsas tem sido volátil, e os preços podem reagir ao atraso das chuvas de primavera, que vão ajudar a definir potencial das colheitas de 2015 no Brasil.

Os primeiros contratos do café e do açúcar operavam em baixa por volta das 12h50 (horário de Brasília), na bolsa de Nova York.

A CWG afirmou que as melhores chances de chuvas na previsão de 11 a 15 dias são de ocorrência de precipitações no sudeste de São Paulo, nordeste de Minas e Espírito Santo, o principal Estado produtor de café robusta.

"Entretanto, pelo menos metade das áreas de café e cana tem risco de não receber chuvas suficientes", afirmou o serviço de meteorologia. "Nossa previsão muda para chuvas principalmente no sul das áreas de cana e café em 11 a 15 dias."

Além disso, a CWG disse que as previsões para 16 a 30 dias para a região mais ao norte do cinturão agrícola do Brasil indicam condições mais secas.

A região do centro-sul do Brasil está no final da temporada de seca, que vai de abril a outubro, mas este ano tem sido particularmente duro para as lavouras de cana e café arábica.

Meteorologistas disseram que uma massa de ar seco nas regiões produtoras está empurrando as frentes frias para o oceano, dificultando a ocorrência de chuvas nas áreas agrícolas.

Temperaturas altas durante a tarde colaboram para estressar ainda mais as plantas. (Reuters 15/10/2014)

 

Risco de demissões na indústria preocupa campanha

Petistas contam com números positivos antes da eleição, mas empresários preveem cortes de pessoal em vários setores após segundo turno.

A campanha de Dilma Rousseff recebeu dados extraoficiais de que a geração de emprego em setembro virá melhor do que o esperado, superando a marca de 100 mil, mas está preocupada com recados de empresários do setor produtivo sobre a possibilidade de adoção de um plano de demissões depois do segundo turno.

Dados que serão anunciados nesta quarta-feira (15) pelo Ministério do Trabalho devem mostrar a criação de novos empregos com carteira assinada em número superior ao mês de agosto, quando foram geradas 101,4 mil vagas.

Além disso, assessores comemoravam informações preliminares indicando bons números em dois Estados-chaves na eleição: São Paulo e Pernambuco. No primeiro, Dilma perdeu para Aécio Neves (PSDB). No segundo, para Marina Silva (PSB).

Os números mais otimistas de emprego em setembro, que não devem superar, contudo, os do mesmo período no ano passado, servem como um alívio para o governo depois do que interlocutores petistas ouviram de alguns líderes do setor privado.

Empresários transmitiram a assessores presidenciais que o mercado piorou nos últimos meses e que os sinais de melhora ainda são tímidos, não deixando outra saída a não ser cortar mais empregos neste ano.

Houve a garantia, no entanto, de que nada drástico será feito antes de 26 de outubro, justamente para o setor privado não ser acusado de influenciar o eleitor contra a presidente. A lista de setores cujo perigo de demissão foi relatado ao governo inclui montadoras, fabricantes de autopeças, cadeia alimentícia e a construção civil.

Na semana passada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou, em reunião com petistas, que alguns setores estão com plano de demissão em andamento e que precisarão intensificá-lo se nada for feito.

Nos últimos meses, empresas começaram a recorrer a planos de demissão voluntária, estimular férias e a optar pelo chamado "lay-off" (suspensão temporária do contrato de trabalho) para reduzir produção diante de estoques altos e custos.

Como a legislação brasileira limita essa alternativa ao prazo máximo de cinco meses, a previsão é de demissão a partir de novembro. (Folha de São Paulo 16/10/2014)

 

Safra de cana terá queda de produtividade no Nordeste com a redução do ATR

Os produtores de cana também enfrentarão alta nos custos de produção.

Os efeitos do clima como sempre, têm preocupado os produtores de cana nordestinos. Ao contrário do que os produtores do Centro-Sul do país estão enfrentando com a estiagem prolongada, o produtor nordestino agora espera que a chuva cesse um pouco para que o valor dos Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) suba e a produtividade volte a lhe render, pelo menos um valor próximo de seus custos. Mas, ao que tudo indica, o setor sucroenergético, nesta safra 2014/15, será marcado pela queda nos índices de produtividade, embora o Nordeste tenha o que comemorar no que diz respeito ao desenvolvimento da produção depois de uma longa seca.

É o que mostra o boletim “Ativos da Cana-de-Açúcar”, elaborado pelo Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresa (Pecege), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Falta de chuvas no início do ano prejudicou a produção na região do Centro-Sul, fazendo com que as lavouras se desenvolvessem menos, o que trouxe queda de produtividade na região. No entanto, a situação contribuiu para a recuperação dos preços praticados no mercado para o açúcar e o etanol, visto que o valor do ATR elevou-se com a escassez de chuva.

No Nordeste, porém, o quadro é o oposto. A quantidade de chuvas é o que está fazendo com que a remuneração do produtor caia em função da queda da concentração do açúcar - ATR. “As chuvas estão fazendo nosso ATR baixar. Tem produtor comercializando sua cana a R$ 50,00 e R$ 52,00”, disse o presidente da União Nordestina de Produtores de Cana – Unida, Alexandre Lima, lembrando que o produtor é remunerado pela qualidade da matéria-prima expressa em quilo de ATR por tonelada de cana. Conforme explicou Alexandre, essa variação de preço não suporta o custo de produção que está em torno de R$ 87,00 na região nordestina.

Ainda de acordo com o estudo da CNA em parceria com o Pecege, da Esalq/USP, além da queda da produtividade, o produtor também terá que enfrentar uma elevação dos custos de produção. Segundo a pesquisa, os principais itens que irão influenciar esse aumento são: a queda da produtividade por hectare; elevação de pelo menos 8% nos salários dos trabalhadores do setor; e 8,5% de aumento no preço do corte, carregamento e transporte da cana (CCT).

“A tonelada de cana no Nordeste é comercializada a R$ 73,00 enquanto que o custo está em R$ 87,00. Já temos essa defasagem que até agora não conseguimos resolver. E agora temos essa expectativa de queda também do ATR”, comentou Alexandre Lima, frisando que a produção ainda não foi recuperada depois da última seca. “Esperamos que a chuva diminua um pouco para nos render um bom ATR, mas não podemos pedir muito porque acabamos de sair de uma seca”, brincou o dirigente, destacando que a chuva, pelo menos, fez com que a cana voltasse a se desenvolver.

A situação foi classificada como séria pelo presidente da Associação dos Plantadores de Cana da Paraíba (Asplan); Murilo Paraíso. Para ele, as expectativas só demonstram a necessidade de serem adotadas medidas capazes de tornar a atividade economicamente mais viável. “Grande parte desse problema da remuneração do produtor vem da falta de uma regulamentação para o setor e das medidas políticas do governo que opta pela compra do petróleo no mercado internacional ao invés de valorizar a produção do etanol internamente. Se a produção do etanol fosse importante para o governo, o pagamento de nossa cana também seria melhor", conclui Murilo. (Paraíba Total 15/10/2014)

 

Caminhos alternativos para o suprimento energético : Juan Galan

Líder da Divisão de Distributed Power da GE para o mercado brasileiro.

A estiagem vivida em diferentes regiões brasileiras e a consequente redução do volume de água observada nos reservatórios de grandes usinas hidrelétricas reforçam a necessidade de alternativas em geração de energia que possam atuar deforma coordenada e complementar ao parque de geração existente. Hoje, 71% da capacidade teórica de geração energética no Brasil provem de usinas hidrelétricas. Em um país com dimensões continentais como o nosso, tal cenário é preocupante.

Estima-se que, em seis anos, a demanda global por energia aumentará em 35%. Para 2050, a projeção da EPE é de crescimento na ordem de300% em relação ao consumo atual. Em função disso, é cada vez mais comum que países invistam em projetos de geração distribuída, um modelo em que a energia é produzida no próprio ponto de uso ou próximo a ele. A modalidade representa hoje cerca de 39% do montante de geração de energia adicionada em termos globais e é amplamente utilizada em outros países como alternativa para garantir a estabilidade e redundância de sistemas de geração de energia.

No Brasil, o modelo desponta como alternativa altamente eficaz e financeiramente acessível. Há um potencial enorme a ser explorado nos setores industrial e comercial, por exemplo. É possível suprir energia elétrica e térmica por meio de sistemas customizados, conhecidos por Centrais de Cogeração de Energia, que podem ter eficiência de até 90%. O mercado potencial para cogeração com gás natural, por exemplo, é de cerca de 3.500 MW somente no Sudeste e no Centro-Oeste, segundo informações da Cogen (Associação da Indústria de Cogeração de Energia).

O modelo de produção ainda pode ser utilizado de modo complementar aos sistemas de geração a partir da força dos ventos. A energia eólica tem um perfil de produção variável ao longo das horas do dia e dos dias do ano, requerendo, portanto, uma regulação ou complemento de outra fonte para garantir-lhe o status de energia firme. As tecnologias empregadas em sistemas de geração distribuída são um excelente coadjuvante a esses sistemas, garantindo maior qualidade da energia entregue e previsibilidade e segurança operacional ao sistema.

De forma análoga, o modelo de geração descentralizado pode representar um importante alívio em sistemas de distribuição densamente congestionados, como é o caso de grandes metrópoles. Pequenas centrais de geração de energia alocadas em pontos estratégicos permitem aliviar os sistemas de distribuição ao mesmo tempo em que promovem maior regulação e qualidade na energia fornecida. Esse conceito tem sido empregado com grande sucesso em metrópoles como Nova York e Cidade do México.No Brasil, a geração distribuída tem a seu favor a abundância de recursos renováveis que podem ser utilizados como combustível, como o lixo depositado em aterros sanitários e os resíduos orgânicos restantes da produção de açúcar e etanol.

Ou seja, ainda é preciso fazer a lição de casa e diversificar a matriz energética, fortalecendo o sistema como um todo. Priorizar a geração distribuída e promover mudanças que favoreçam o sistema pode ser um dos caminhos alternativos. Naturalmente, esse não é o único caminho, mas é uma das opções possíveis em um momento em que o sistema de geração energética do país encontra-se sobrecarregado e operando em seu limite. (Brasil Econômico 16/10/2014)

 

Fábricas de SP fecham seis mil postos em setembro

O nível de emprego na indústria paulista caiu 0,34% em setembro, série com ajuste sazonal, de acordo com pesquisa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). A retração indica o fechamento de seis mil postos de trabalho em relação a agosto. A perda de vagas em setembro foi menor do que a registrada em agosto, quando 15 mil trabalhadores do setor perderam os empregos. Apesar disso, a queda no mês passado tem um "significado diferente", uma vez que setembro é uma época em que a indústria costuma contratar profissionais para atender a demanda de fim de ano.

De acordo com o levantamento realizado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon), de janeiro a setembro o setor manufatureiro paulista encerrou 38 mil vagas de trabalho, o equivalente à queda de 1,44%. Na avaliação do diretor do Depecon, Paulo Francini, embora o ano para o emprego na indústria seja ruim, projetar o cenário futuro é uma "tarefa complexa" dado a incerteza do cenário eleitoral. "O ano é muito atípico, primeiro porque existe um decréscimo da indústria de transformação que foi muito além do projetado inclusive por nós. E segundo porque é um ano atípico pelo fato político que ele carrega", avaliou em nota.

O segmento de açúcar e álcool foi responsável por 1.308 das demissões registradas em setembro, enquanto a indústria de transformação fechou 4.692 postos de trabalho. De janeiro a setembro, o setor sucroalcooleiro ainda mantém um saldo positivo de 12.461 contratações. Já o restante da indústria registra 50.461 demissões.

Das 36 regiões consideradas na pesquisa, 25 reduziram o quadro de funcionários na indústria, sete contrataram e quatro mantiveram-se estáveis. A região cuja indústria mais contratou em setembro foi Franca, com uma variação positiva de 1,46%, impulsionada pelos setores de artefatos de couro e calçados (2,96%) e produtos diversos. (Valor Econômico 16/10/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Turbulência externa: Diversos fatores macroeconômicos e fundamentos imediatos derrubaram o açúcar demerara ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para maio de 2015 fecharam em 16,79 centavos de dólar a libra-peso, com baixa de 28 pontos. Dados fracos da economia dos EUA levaram a uma onda de aversão ao risco que pesou sobre os mercados internacionais, inclusive o agrícola. Um novo recuo do petróleo, a indefinição do cenário eleitoral no Brasil e a alta do dólar aumentaram a pressão sobre os preços do açúcar. Além disso, o produto está remunerando mais que o etanol, o que pode fazer as usinas elevarem a produção, enquanto os estoques das tradings seguem altos. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,38%, para R$ 47,70 a saca de 50 quilos.

Cacau: O fantasma ebola: Os investidores do setor de cacau ignoraram o clima de aversão ao risco nos mercados financeiros ontem e, assombrados pelo avanço da epidemia de ebola no oeste da África, conduziram os futuros da amêndoa a outra alta na bolsa de Nova York. Os lotes para março fecharam em US$ 3.122 a tonelada, avanço de US$ 43. Ainda não foram registrados casos na Costa do Marfim. Porém, a preocupação é tanta que a Fundação Mundial do Cacau doou US$ 680 mil para combater a doença na África. Além disso, em um evento do setor em Copenhague, a indústria Mars estimou que será preciso aumentar a oferta global em 500 mil toneladas em cinco anos para acompanhar o consumo mundial de chocolate. No mercado doméstico, os preços na Bahia ficaram entre R$ 109 e R$ 110 a arroba, segundo a TH Consultoria.

Soja: Pressão em Chicago: Os contratos futuros de soja reverteram parte da valorização das sessões anteriores e registraram queda ontem na bolsa de Chicago. Os lotes para janeiro fecharam em US$ 9,61 o bushel, com recuo de 12,25 centavos. O mercado financeiro foi marcado por fortes quedas devido ao clima de aversão ao risco após dados ruins da economia dos EUA. Nos últimos dias, os grãos têm oscilado sob forte impacto do cenário financeiro, que busca nas commodities um "porto seguro" ante a fraqueza nos mercados, diz Pedro Dejneka, da AGR Brasil. A colheita nos EUA, ainda que atrasada, também pressiona as cotações. Os trabalhos devem secacelerar nesta semana com o clima mais seco no Meio-Oeste. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a saca em Paranaguá manteve-se em R$ 61,17.

Milho: Queda expressiva: As cotações do milho cederam ontem na bolsa de Chicago ante um cenário externo de aversão ao risco e com a pressão da colheita nos EUA. Os lotes para março de 2015 fecharam em US$ 3,605 o bushel, queda de 9,5 centavos. A colheita nas lavouras americanas ainda está atrasada. Na comparação com a média histórica, os trabalhos têm um atraso de 20 pontos. Porém, o ritmo deve aumentar esta semana com um clima mais seco no Meio-Oeste. Daniel Flynn, da Price Futures Group, diz que os produtores temem que o avanço da colheita aumente ainda mais a pressão no mercado. O cenário de aversão ao risco nos mercados internacionais também colaborou para a pressão sobre as cotações. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o milho caiu 0,39%, para R$ 22,78 a saca. (Valor Econômico 16/10/2014)