Setor sucroenergético

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Açúcar: Alta volatilidade

O mercado do açúcar continua dividido entre fatores macroeconômicos e fundamentos imediatos, o que provocou forte volatilidade nos contratos futuros do produto ontem na bolsa de Nova York.

Os preços iniciaram a sessão em alta, acompanhando a tendência de recomposição dos valores nos mercados internacionais, voltaram ao campo negativo no meio do pregão e fecharam no campo positivo.

Maio fechou com alta de 12 pontos, a 16,91 centavos de dólar por libra-peso. As oscilações do petróleo influenciaram o açúcar.

O clima de aversão ao risco ainda dita o ritmo dos negócios nas bolsas, mas há um ligeiro alívio, após indicadores econômicos melhores.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o cristal subiu 0,59%, a R$ 47,68 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 17/10/2014)

 

Indústria de etanol de milho é viável, mas falta apoio

Duas usinas processam o cereal para a produção do combustível no estado.

A indústria de etanol de milho é viável em Mato Grosso, mas ainda não há apoio dos governos ao setor. É o que afirma a Associação dos Produtores de Soja e Milho do estado (Aprosoja-MT), em nota divulgada nesta quinta-feira (16/10).

A entidade destaca que a viabilidade da produção de etanol de milho no estado foi constatada em estudo feito pela consultoria Céleres. “Entretanto, não há apoio dos governos para os investimentos iniciais na industrialização”, diz Cid Sanches, gerente de Planejamento da Associação.

Apesar disso, diz a Aprosoja-MT, a indústria de etanol à base de cereais começa a crescer em Mato Grosso. Segundo a entidade, duas usinas estão esmagando milho para a produção de combustível no estado.

“Não é viável para o Centro Oeste e o Norte abastecerem veículos com gasolina no Brasil, a matriz energética destas regiões é o etanol”, diz Sanches, ainda de acordo com a nota. (Globo Rural 16/10/2014)

 

LDC pode sair da produção de laranjas

Ganha espaço na Louis Dreyfus Commodities (LDC) a possibilidade de a empresa abandonar por completo sua produção própria de laranjas no Brasil e ampliar ainda mais as apostas na comercialização de suco.

Até agora, a companhia francesa supre sua demanda por matéria-prima com produção própria, contratos plurianuais com citricultores independentes e no mercado spot.

A companhia é a terceira maior exportadora global da commodity, nas formas concentrada, congelada ou pronta para beber e reúne as atividades nessa frente no Brasil. Procurada, a Dreyfus preferiu não conceder entrevista. (Valor Econômico 16/10/2014)

 

Defasagem da gasolina deixa rombo de US$ 22 bi

Uma das necessidades do setor sucroalcooleiro era uma correção dos preços internos da gasolina com base nos do petróleo comercializado no mercado externo.

Os valores internos de negociações da gasolina vinham com uma defasagem de preços em relação aos externos desde 2011, quando o governo decidiu pelo fim da paridade dos preços praticados internamente com os externos.

A queda do petróleo no exterior praticamente elimina a necessidade desse ajuste, por ora, mas o estrago na caixa da Petrobras e dos produtores foi grande desde o período em que o governo adotou essa política.

A perda potencial de receitas da Petrobras, devido à não atualização dessa paridade, é estimada em US$ 12 bilhões pelo mercado, considerado o mês de agosto de 2011, quando terminou essa equivalência, até igual período deste ano.

A perda foi de US$ 0,10 por litro, atingindo R$ 0,20, com base em um câmbio médio de R$ 2,00 para o período.

Essas perdas se estenderam também para o etanol, cujas receitas ficaram ainda menores devido à retirada de R$ 0,28 por litro da Cide.

O resultado foi que a soma das perdas potenciais do etanol hidratado e do anidro ficou próxima de US$ 9,9 bilhões --R$ 19,8 bilhões.

Os preços artificiais da gasolina inibem uma recuperação das margens do etanol, que só passa a ser atrativo quando inferior a 70% do do derivado de petróleo.

A Petrobras terá um alívio com o fim desse descasamento dos preços internos e externos, mas o setor sucroalcooleiro continuará penalizado, ainda, pela retirada dos R$ 0,28 por litro da Cide.

O barril de petróleo tipo Brent foi negociado nesta quinta-feira (16) a US$ 85,82, com alta de 2% em relação ao dia anterior, quando considerado o contrato de dezembro.

Esse valor registra queda, no entanto, de 23% ante outubro de 2013. Já o contrato de novembro do petróleo negociado em Nova York esteve em US$ 82,70 por barril, com alta de 1% no dia, mas queda acumulada de 17% em 12 meses.

Confinamento O número de animais confinados deve dobrar nos dez próximos anos no país, segundo avaliações do Rabobank, banco voltado para o agronegócio.

Quanto O confinamento nacional deverá subir dos 4,5 milhões de cabeças para 9 milhões de cabeças em dez anos. O confinamento deverá render 2,5 milhões de toneladas de carne por ano até 2023.

Investimentos Para atingir esse crescimento, o setor deverá investir US$ 500 milhões em novas infraestruturas. A demanda mundial por carne aquecida permitirá essa evolução.

Soja 1 As exportações de soja em grãos somaram 44,6 milhões de toneladas nos nove primeiros meses deste ano, com avanço de 9,9% em relação a igual período do ano passado.

Soja 2 Já as receitas somaram US$ 22,8 bilhões de janeiro a setembro, com avanço de apenas 6%. Isso mostra a queda dos preços médios das exportações, segundo a Secex.

Vendas A Syngenta vendeu US$ 3 bilhões no terceiro trimestre terminado no final de setembro, 3% mais do que em igual período do ano passado. As vendas de produtos de proteção das lavouras somaram US$ 2,4 bilhões.

Sementes A América Latina obteve 3% de crescimento nas vendas globais. No setor de sementes, a América Latina puxou as vendas da Syngenta, com crescimento de 1%. (Folha de São Paulo 17/10/2014)

 

Setor de açúcar do Paquistão articula com governo por melhoras na comercialização

Associação da Indústria de Açúcar do Paquistão exige menor interferência do Estado nos preços da comodity.

Paquistão exige do governo local medidas para facilitar a comercialização do produto.  Entre os pedidos estão a taxação para importação deste e o fim do dumping praticado com a commodity no mercado internacional.

“É função do governo garantir proteção aos interesses de todos os envolvidos nesta cadeia, investidores, produtores de cana-de-açúcar, usinas e consumidores. Precisamos de alterações nesse regime para que o setor de açúcar sobreviva”, publicou a associação em carta aberta.

O governo do país não agiu para facilitar o desenvolvimento do setor, sem medidas para avaliar os máximos valores da cana-de-açúcar e ainda com o controle dos preços do açúcar refinado.

Durante os últimos quartos anos, o preço do açúcar permaneceu desvalorizado causando a falência de várias usinas estabelecidas nas regiões Centro e Norte de Punjab. “Queremos assegurar que o fornecimento de açúcar ocorra em um mercado mais competitivo, fabricantes e agricultores devem receber o preço justo pela produção”, afirma a associação.

As usinas locais pedem auxílio do governo para que possam iniciar projetos de cogeração, para diversificar a produção, elevar o capital e minimizar a baixa disponibilidade de eletricidade no país. (Jornal Cana 16/10/2014)

 

Revista 'The Economist' declara apoio a Aécio

Publicação diz que país deve mudar para voltar a crescer.

A revista britânica "The Economist" que chegou às bancas ontem declarou seu apoio ao candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves. Com o título "Por que o Brasil precisa mudar", a reportagem é capa da edição latino-americana da revista, ilustrada com uma imagem que remete a uma Carmen Miranda triste, com a bandeira do Brasil como turbante e um chapéu de frutas murchas e estragadas. Na edição internacional da revista, o tema de capa é a epidemia de ebola.

Na reportagem sobre as eleições do Brasil, a publicação diz que Aécio merece ganhar, em vez da presidente Dilma Rousseff (PT), "porque promete colocar o Brasil de volta no caminho do crescimento econômico".

A reportagem merece destaque na seção Leaders, que é como um editorial da revista. No texto, a "Economist" afirma que "Aécio merece vencer", acrescentando que "a maior ameaça aos programas sociais é o mau gerenciamento da economia pelo PT".

"Sob Dilma a economia estagnou e o progresso social desacelerou. Fora a Rússia sob sanção, o Brasil tem de longe a pior performance do clube do Bric (que inclui também Índia e China)", diz o texto, que cita as manifestações de junho de 2013, quando "mais de um milhão de brasileiros tomaram as ruas para protestar contra serviços públicos ruins e corrupção política".

A revista ressalta que dois terços dos brasileiros querem um novo presidente. E explica que 41,6% dos eleitores votaram em Dilma no primeiro turno. "Isso principalmente porque ainda não sentiram o esfriamento da economia em seu dia a dia - mas logo sentirão", diz o texto.

A revista cita os programas sociais do governo, como Bolsa Família e crédito educacional, mas ressalta que, apesar disso, "há falhas, tanto na economia como na política". "Ela fez poucos esforços para enfrentar os problemas estruturais do Brasil: sua pobre infraestrutura, altos custos, sistema tributário punitivo, montanhas de burocracia e um rígido código trabalhista copiado de Mussolini". Em vez disso, continua o texto, "ela reviveu o Estado corporativo do Brasil, concedendo favores, como benefícios fiscais e empréstimos subsidiados por bancos estatais inchados".

A publicação afirma que Dilma danificou a imagem da Petrobras e prejudicou a indústria do etanol ao segurar o preço dos combustíveis para evitar impacto na inflação, além de mencionar os escândalos na estatal: "Um escândalo de corrupção na Petrobras deixa claro que é o PT, e não seus oponentes como afirma Dilma, a que não se pode confiar o que já foi uma joia nacional".

Por outro lado, a "Economist" tece elogios a Aécio: diz que suas políticas vão beneficiar os brasileiros pobres e prósperos. Para a publicação, ele será capaz de fazê-lo graças a sua experiência como governador de Minas Gerais e de sua "impressionante equipe de assessores liderados por Arminio Fraga", quem, lembra a revista, "é respeitado pelos investidores".

A presidente Dilma criticou o apoio da "Economist" a Aécio:

Acho que as revistas do mundo inteiro, assim como as brasileiras, podem tomar as suas posições políticas. Sabemos muito bem que a "Economist" é ligada ao sistema financeiro.(O Globo 17/10/2014)

 

Governo ainda não descarta reajuste da gasolina

A queda no preço internacional do petróleo trouxe alívio ao governo, mas não o suficiente para tirar o reajuste nos preços dos combustíveis do horizonte pós-eleição. A avaliação inicial é que a situação da Petrobras melhora, pois a importação de gasolina deixou de dar prejuízos à companhia, mas o governo ainda tem que resolver o problema do etanol e também o caixa do Tesouro Nacional em 2015.

Por isso, a discussão que começa a se formar é de qual a melhor estratégia para os próximos meses: uma correção via aumento de preços na bomba, a volta da Cide, contribuição que incide sobre o preço dos combustíveis, ou mesmo os dois movimentos em momentos diferentes. A decisão será tomada de olho na inflação. Com o índice oficial, o IPCA, atualmente acumulando alta de 6,75% em 12 meses, acima portanto do teto da meta, a queda do petróleo dá tempo ao governo para postergar o reajuste para mais perto do fim do ano.

A área econômica discutiu no início do ano a volta da cobrança da Cide, mas o assunto foi deixado de lado pelo desgaste que um aumento de impostos traria em ano eleitoral. A contribuição foi reduzida a zero em junho de 2012 e pode voltar a ser cobrada três meses depois que o governo publicar a elevação da alíquota. No último ano em que houve o pagamento do tributo, a arrecadação chegou a R$ 9,152 bilhões, dos quais R$ 2,1 bilhões foram transferidos para estados e municípios.

O retorno da Cide é visto no governo como uma questão de tempo: será parte da pauta econômica de 2015. No contexto atual, o retorno da cobrança teria a vantagem de trazer recursos adicionais ao caixa do Tesouro Nacional no ano que vem, quando a própria presidente Dilma Rousseff já prometeu elevar o superávit primário para algo entre 2% do PIB e 2,5% do PIB.

Além disso, como é uma contribuição e é um valor fixo na composição do preço da gasolina, implica um sinal mais forte e seguro para a indústria do etanol, que ganhará alguma vantagem competitiva independente da política de preços dos combustíveis adotada pelo governo.

No caso de um reajuste na bomba, sem mudanças na tributação, o Tesouro Nacional ganha indiretamente via dividendos, se houver uma melhora nos resultados da Petrobras, e pelo aumento no recolhimento de tributos pela estatal. Mas o impacto é muito inferior ao que pode proporcionar a Cide.

Por outro lado, a correção via preços vai melhorar o caixa da Petrobras. Há aqui uma outra consideração a ser feita: a queda nos preços do petróleo no mercado internacional é vista como uma tendência de longo prazo. Ou seja, no momento em que a estatal aumenta a sua produção, receberá menos pelo barril e terá reduzida sua capacidade de financiar os investimentos previstos. Um aumento no preço da gasolina na refinaria poderia suavizar esse impacto.

No caso do etanol, a elevação dos preços vai recompor a margem do setor em relação à gasolina, mas esse diferencial pode ser novamente corroído por uma política de preços que segure os reajustes no ano que vem.

O governo federal vem sinalizando que mudará sua política em relação ao etanol. O aumento da mistura na gasolina, de 25% para 27,5%, por exemplo, deve ser resolvido logo após as eleições, já que a pesquisa encomendada pelo governo para determinar os eventuais ganhos da medida e impacto sobre a durabilidade dos motores dos veículos está adiantada.

A política de represamento de preços da gasolina fez o governo da presidente Dilma Rousseff perder apoio entre o setor sucroalcooleiro. O segmento reclama da falta de prioridade e tem comparado as decisões do atual governo com as do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

As tentativas de reaproximação se intensificaram às vésperas da eleição presidencial. Além do aumento no percentual de mistura do etanol à gasolina, o governo autorizou o financiamento para o armazenamento do açúcar, uma reivindicação do setor, e estuda fazer leilões de energia específicos para a biomassa. (Valor Econômico 17/10/2014)

 

Brasil pode aumentar dependência de importação de fertilizantes, diz Embrapa

País consome atualmente em torno de 32 milhões de toneladas por ano, das quais 75% são importados

Com 75% dos fertilizantes usados no país adquiridos no exterior,  o Brasil enfrenta o risco  de aumentar a cada ano a importação do produto se não forem feitos novos  investimentos na produção nacional, disse nessa terça, dia 14, José Carlos Polidoro, vice-líder da Rede BrasilFert, criada em 2009 pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para pesquisas na área.

Para Polidoro, o Brasil precisa de uma política nacional sobre o assunto, como tem para outros setores do país, porque, segundo ele, é um setor que requer altíssimos investimentos no processo de mineração e fabricação.

O vice-líder lembrou que, em 2010, o governo elaborou um Plano Nacional de Fertilizantes que, entretanto, não chegou a ser implementado. O plano abrangia ações para incentivar investimentos no setor, visando a ampliar a produção nacional. O Brasil consome atualmente em torno de 32 milhões de toneladas de fertilizantes por ano, das quais 75%  são importados, segundo a média dos últimos cinco anos. Os demais 25% são produzidos no país, o que corresponde a cerca de 10 milhões de toneladas.

Polidoro explicou que a tendência é aumentar o percentual de importação se não houver investimentos, porque enquanto o mundo aumenta, em média, o consumo de fertilizantes, anualmente, em 2%, o Brasil aumenta 4%.

Nós somos, hoje, o quarto maior consumidor mundial – afirma.

Pesquisador da Embrapa Solos, Polidoro informou que a Rede FertBrasil objetiva estimular e promover a inovação tecnológica  em  fertilizantes tanto no país, como na América Latina. Ele esclareceu que o incentivo ao aumento da produção  cabe ao governo, por meio dos ministérios da Agricultura e de Minas e Energia, para buscar a realização de um plano nacional de fertilizantes.

Para a Rede FertBrasil, ele acentuou que o mais importante é evitar desperdícios no uso  dos fertilizantes  na agricultura. O pesquisador diz que do total de fertilizantes aplicado hoje na agricultura, em torno de 40% são perdidos de várias formas no solo por falta de uma tecnologia adequada.

Nesse sentido, a luta da Rede FertBrasil, em parceria com outros órgãos de pesquisa, desenvolvimento e transferência de tecnologia do Brasil, é aumentar a eficiência e o aproveitamento do fertilizante, seja ele importado ou não. Quanto maior for a eficiência, menor será o custo da produção agrícola no país. Outro desafio é zerar o desperdício.

Polidoro destacou também que no Brasil existem várias fontes de nutrientes que não são utilizadas na indústria convencional de fertilizantes por limitações tecnológicas. Ele citou, entre elas, fontes minerais e orgânicas, como a cama de frango (resíduos da produção de frango de corte), que a Política Nacional de Resíduos Sólidos determina, inclusive, que tenham uma destinação correta e não sejam mais dispostas no ambiente.

A Rede FertBrasil busca superar esses entraves tecnológicos, com tencologias mordernas para viabilizar fontes alternativas para a produção de novos fertilizantes no país. Ele ressaltou que se todos os resíduos orgânicos e minerais fossem aproveitados para a produção de  fertilizantes, isso reduziria a importação.

Não diminuiria acentuadamente, mas em torno de 10% a 20%  da demanda poderiam ser cobertos com esses novos fertilizantes – explica.

Segundo Polidoro, entre 8 e 9 milhões de toneladas de cama de frango são produzidos por ano no país. Se elas forem misturadas com outra parte de fertilizante convencional mineral, se produz um fertilizante organomineral granulado, que é um fertilizante ecologicamente correto, porque faz a reciclagem de resíduos. 

A rede está procurando ainda desenvolver novas formas de produção de fertilizante convencional a partir de fontes minerais que não são aproveitadas atualmente na indústria brasileira. Entre essas fontes estão o potássio e o fósforo, minerais encontrados em várias regiões brasileiras.

É preciso que sejam viabilizados processos químicos e biológicos para desenvolver rotas tecnológicas que possibilitem o aproveitamento dessas rochas que são encontradas no país para a produção de fertilizantes – diz.

Mapeamento feito pelo Ministério de Minas e Energia identificou que o Pará e Mato Grosso são estados que apresentam ocorrência dessas fontes minerais, mas necessitam de inovação tecnológica que viabilize a produção.

O Rio de Janeiro vai sediar a partir da próxima segunda, dia 20, o 16º Congresso Mundial de Fertilizantes. Será a primeira vez que esse evento ocorre no Brasil. Polidoro informou que 350 especialistas em fertilizantes do mundo, em várias áreas do conhecimento, participarão do congresso. Durante o evento, serão apresentados os trabalhos efetuados pela Rede FertBrasil e pela Embrapa Solos.

A  Rede FertBrasil tem 300 pesquisadores, sendo metade da Embrapa e 50% de outros institutos de pesquisa,  universidades e fundações de apoio ao desenvolvimento agropecuário de todo o país.

Segundo o Ministério da Agricultura, há possibilidade de ser elaborado um novo Plano Nacional de Fertilizantes ou mesmo de se implantar o que foi feito em 2010. (Rural BR 16/10/2014)

 

Bancos e etanol injetam dinheiro na reta final da campanha de Aécio

Uma injeção de recursos já na reta final da campanha presidencial está ajudando o candidato Aécio Neves (PSDB) a levar a disputa com a presidente Dilma Rousseff (PT) até o último instante, e erodindo a vantagem financeira da atual mandatária.

Muitos dos bancos, das empreiteiras e empresas de etanol que lideraram as contribuições a Aécio dobraram a aposta no senador mineiro no mês passado, quando sua disparada nas pesquisas pouco antes do primeiro turno o transformou de carta quase fora do baralho a adversário real.

A arrecadação total de Aécio quase duplicou em setembro, chegando a cerca de 140 milhões de reais, de acordo com o tesoureiro de campanha, José Gregori.

"Vimos as contribuições de muitos dos mesmos doadores acelerando", disse Gregori em entrevista por telefone. "Instituições financeiras, prestadores de serviço e empreiteiras… não esperaram até o segundo turno para doar."

Os novos recursos ajudaram a bancar uma intensificação na campanha de Aécio, aumentando a exposição do ex-governador de Minas Gerais e o colocando em um empate técnico com Dilma a pouco mais de uma semana do segundo turno.

Aécio já conquistou muitos investidores e líderes empresariais prometendo restaurar a disciplina fiscal, conter a inflação e reanimar estatais para tirar a economia brasileira da recessão.

Ainda assim, será difícil superar o superávit de financiamento acumulado por Dilma nos primeiros meses da campanha, impulsionado pela vantagem natural do exercício do cargo e de ter liderado as pesquisas iniciais.

As políticas de insenções fiscais e os empréstimos baratos a setores econômicos selecionados também formaram uma base de apoio leal para a presidente em algumas indústrias.

Dilma e o comitê nacional do PT tinham arrecadado mais de 185 milhões de reais até o início de setembro, segundo os dados de campanha mais recentes publicados pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Mas desde então a porta-voz do PT se recusou a comentar o financiamento e recusou um pedido de entrevista com o tesoureiro de campanha de Dilma.

Aécio e o PSDB levantaram cerca de 71 milhões de reais até o começo de setembro. À época, ele tinha cerca de 15 por cento das intenções de voto e parecia fora do segundo turno, bem atrás da candidata do PSB, Marina Silva.

Muitos dos maiores apoiadores de Aécio também apoiavam Marina quando as pesquisas a mostravam com chances maiores de derrotar Dilma, mas à medida que ela perdia a dianteira, no final de setembro, sob uma saraivada de ataques, eleitores e doadores em busca de um novo presidente debandaram para o lado de Aécio.

ÂNSIA POR MUDANÇA

Uma análise do financiamento das campanhas mostra que Aécio se saiu melhor com setores descontentes com o que vêem como políticas excessivamente rígidas de Dilma.

Os produtores de etanol, por exemplo, passaram anos se queixando por não poderem competir com a gasolina porque o governo Dilma segurou os preços oficiais dos combustíveis e descartou um imposto já tradicional da gasolina para controlar a inflação.

Embora Aécio só tenha atraído um quarto das contribuições destinadas aos principais concorrentes à Presidência, segundo os dados mais recentes sobre financiamento público, na indústria de etanol ele empata com Dilma.

A Copersucar, maior exportadora brasileira de açúcar e etanol, doou 1 milhão de reais à campanha de Aécio e nada para Dilma. Representantes da empresa e da maioria das outras companhias mencionadas na reportagem não responderam perguntas sobre suas contribuições.

Uma vitória de Aécio também poria fim a anos de relacionamento tenso e muitas vezes hostil entre o governo e os bancos privados.

Dilma acusou estas instituições de cobrar taxas de juros exorbitantes e advogou empréstimos agressivos de bancos públicos em segmentos que considera mal atendidos pelos credores particulares.

Um das peças de propaganda da campanha petista alerta para um Banco Central legalmente independente mostrando uma sala escura repleta de banqueiros tramando enquanto a comida desaparece da mesa de uma família.

Aécio se deparou com um apoio generoso no setor financeiro, incluindo contribuições de 700 mil e 500 mil reais do Banco BMG e da seguradora Porto Seguro SA PSSA3.SA, que não doaram a Dilma.

"BOLSA-EMPRESÁRIO"

A presidente tem tido mais sorte com as empresas que se beneficiaram de uma onda de novos empréstimos do BNDES ao longo dos últimos 12 anos de governo sob o comando do PT.

Dilma e Lula estimularam o banco de desenvolvimento a emprestar liberalmente para os assim chamados campeões nacionais, como a cervejaria AmBev SA ABEV3.SA e a processadora de carne JBS SA JBSS3.SA, que utilizaram os empréstimos subsidiados para concretizar uma série de fusões no Brasil e no exterior.

Aécio e seu provável ministro da Fazenda, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, questionam o papel atual do BNDES, prometendo mais transparência e o fim do que classificam como "bolsa-empresário".

O Grupo JBS deu pelo menos 25 milhões de reais para a campanha de Dilma, quase cinco vezes mais que sua contribuição a Aécio, de acordo com os dados públicos mais atuais, e a Ambev e suas subsidiárias entraram com 8 milhões de reais, mais do que o dobro do que ofereceram ao mineiro.

Mesmo atrás da presidente em termos de financiamento oriundo das maiores empresas brasileiras, Aécio amealhou mais que o dobro de Dilma em contribuições de doadores individuais, em parte devido ao amplo apoio dos brasileiros mais ricos.

Para os dois candidatos, a maior fonte de doações é de longe a indústria da construção, que usufrui de projetos de infraestrutura bancados pelo governo e contabiliza cerca de metade das contribuições para cada campanha.

Até o início de setembro, a Andrade Gutierrez tinha dado quase 17 milhões de reais para Dilma e cerca de 12 milhões para Aécio. A OAS, maior doadora do setor, ofereceu 30 milhões de reais à presidente, mais de cinco vezes mais que a doação para seu concorrente.

Em comunicados distintos, representantes de Ambev e Andrade Gutierres disseram que as companhias visam apoiar o debate democrático ao doar para vários partidos. (O Estado de São Paulo 16/10/2014 às 17h: 24m)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Alta volatilidade: O mercado do açúcar continua dividido entre fatores macroeconômicos e fundamentos imediatos, o que provocou forte volatilidade nos contratos futuros do produto ontem na bolsa de Nova York. Os preços iniciaram a sessão em alta, acompanhando a tendência de recomposição dos valores nos mercados internacionais, voltaram ao campo negativo no meio do pregão e fecharam no campo positivo. Maio fechou com alta de 12 pontos, a 16,91 centavos de dólar por libra-peso. As oscilações do petróleo influenciaram o açúcar. O clima de aversão ao risco ainda dita o ritmo dos negócios nas bolsas, mas há um ligeiro alívio, após indicadores econômicos melhores. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o cristal subiu 0,59%, a R$ 47,68 a saca de 50 quilos.

Café: Ainda a seca: A falta de chuvas nas regiões produtoras de café do Brasil devem provocar perdas irreversíveis, o que reforça a tendência de alta dos preços na bolsa de Nova York. Os lotes com vencimento em março fecharam ontem a US$ 2,2105 a libra-peso, alta de 115 pontos. A Somar Meteorologia prevê que as precipitações voltarão ao país na próxima semana, acumulando 20 a 50 milímetros no período. Porém, as chuvas só devem voltar com volume e constância a partir do dia 27. Como em setembro houve chuvas irregulares e em outubro, quase nenhuma precipitação, estima-se que será preciso muita umidade para recompor o déficit hídrico dos cafezais. O mercado interno esteve semiparalisado, com cotações nominais do café de boa qualidade entre R$ 520 e R$ 530 por saca de 60,5 kg, segundo o Escritório Carvalhaes.

Trigo: Cobertura de posições: Apesar dos fundamentos baixistas, os contratos futuros do trigo tiveram alta ontem na bolsa de Chicago, em meio à forte influência de fundos e especuladores. Os papéis para março subiram 10,75 centavos, a US$ 528,75 o bushel, o maior patamar desde 10 de setembro. A valorização foi impulsionada por coberturas de posições vendidas pelos fundos e recompras técnicas de especuladores, que buscaram recuperar parte das perdas sofridas com a desvalorização de diversos ativos no mercado financeiro. As negociações têm sofrido forte influência da atuação dos fundos, que têm recorrido ao mercado agrícola em busca de um "porto seguro". No Paraná, a realização de leilões de Pepro vem elevando as cotações. O indicador Cepea/Esalq para o cereal no Estado subiu ontem 0,8%, a 534,08 a tonelada.

Preços ao produtor em São Paulo: Alta no campo em SP: O IqPR, índice de preços recebidos pelos produtores agropecuários de São Paulo pesquisado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) da Secretaria da Agricultura do Estado, encerrou setembro com alta de 0,88%. No período de 12 meses encerrado em setembro, a alta acumulada do indicador chegou a 9,83%. Segundo o IEA, a maior valorização entre os 20 produtos pesquisados (14 de origem vegetal e seis de origem animal) foi a da banana nanica (17,4%), em decorrência da seca que prejudicou a oferta no Vale do Ribeira. Também subiram de forma expressiva a carne de frango (10,31%), a laranja para mesa (6,69%), o leite cru resfriado (5,57%), a carne bovina (5,06%) e a carne suína (4,88%). Entre os produtos que caíram, os destaques são o trigo (19,98%), os ovos (16,71%) e a batata (11,54%). (Valor Econômico 17/10/2014)