Setor sucroenergético

Notícias

Linha cruzada: Santa Terezinha e ADM

Sinal dos tempos: a Usina Santa Terezinha, um dos maiores produtores de etanol do sul do país, teria procurado a ADM em busca de um sócio.

Foi à deixa para que os norte-americanos oferecessem suas usinas no Brasil. (Jornal Relatório Reservado 20/10/2014)

 

Endividado, Grupo Virgolino de Oliveira pode não honrar dívida de aproximadamente US$ 600 milhões

Grupo vai anunciar nos próximos dias que não conseguirá honrar os títulos da dívida.

Uma das companhias mais tradicionais do setor sucroalcooleiro, o Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) vai anunciar nos próximos dias que não terá condições de arcar com os bonds (títulos de dívida) de US$ 600 milhões, afirmaram fontes ao 'Estado'. A família Ruette Oliveira, que por anos presidiu a Copersucar, contratou o banco americano Moelis para renegociar essas dívidas.

Altamente endividado, em cerca de R$ 1,8 bilhão, o grupo também está atrasando pagamento de fornecedores de cana-de-açúcar, afirmaram as mesmas fontes. A receita líquida de vendas na safra passada, a 2013/14, encerrou em R$ 1,4 bilhão. Procurado, o grupo não comentou o assunto.

No fim do primeiro trimestre deste ano, a companhia tinha anunciado ao mercado que teria condições de honrar esses compromissos. Dos US$ 600 milhões, metade desse valor tem vencimento em 2018 e a outra metade em 2022. No entanto, a má fase pela qual o setor passa, com a queda dos preços do açúcar no mercado internacional e baixas cotações do etanol, a companhia já não tem nem condições de bancar suas dívidas de curto prazo, informaram fontes. Os bônus de dívida do grupo já estão operando em um patamar bem abaixo do valor de face há vários dias, o que significa que embutem a perspectiva de a empresa não honrar seus compromissos.

"Os maiores credores do GVO são bancos, como Itaú, Bradesco e Santander, que também são credores de outras usinas que estão na mesma situação. A expectativa é de que o grupo negocie transformar essas dívidas em 'equities' (ações) ou bônus de subscrição (ações dentro de um prazo pré-estabelecido)", disse uma fonte familiarizada com o assunto.

Com quatro usinas no Estado de São Paulo, com capacidade de moagem total de 12 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra e de produção máxima de 1,1 milhão de toneladas de açúcar e 1,465 bilhão de litros de etanol, o grupo está entre os dez maiores do País.

Uma das fortes lideranças do passado, o Grupo Virgolino de Oliveira, que é um dos maiores acionistas da Copersucar, com cerca de 10%, hoje está relegado a segundo plano.

Expansão

Assim como boa parte dos grupos sucroalcooleiros, o GVO apostou na expansão do segmento, com investimentos em novas unidades produtoras antes da crise de 2008, quando o setor viveu um forte boom, impulsionado, sobretudo, pelo crescimento das vendas de carros flexfuel (abastecido com etanol e gasolina).

Outros grupos tradicionais, como o NovAmérica, tiveram de ser vendidos, e muitos estrangeiros que entraram no País com a aposta de que a demanda pelo etanol ia decolar dentro e fora do País, também se endividaram, como são os casos da Bunge, Biosev (do grupo Louis Dreyfus), Shree Renuka e Odebrecht Agroindustrial (ex-ETH). "Neste ano, havia uma expectativa de que usinas conseguiriam reduzir suas dívidas, o que não se concretizou. Muitas estão alavancadas e as estimativas 'mais otimistas' são de que mais grupos entrem com pedido de recuperação judicial nos próximos meses", disse uma fonte de uma importante companhia do setor.

A crise do setor começou a se agravar a partir de 2009 e a expectativa dos empresários era de que o governo brasileiro continuasse dando estímulos às usinas. Com preços do etanol atrelados à gasolina, as usinas têm se reunido em Brasília para pedir políticas mais claras ao setor, como o aumento do preço do combustível e da mistura de etanol à gasolina.

Safra

Até a semana passada, dez usinas do Estado de São Paulo, maior produtor de cana-de-açúcar do País, tinham encerrada a moagem. A antecipação do fim da colheita reflete a seca na região Centro-Sul do País. No Centro-Sul, a seca deve reduzir em 9% o volume de cana processada, de 597 milhões de toneladas em 2013/14 para 546 milhões de toneladas agora, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica). (O estado de São Paulo 18/10/2014 às 02h: 04m)

 

Setor de cana precisa de pacote para se reerguer, diz consultor

Com uma dívida de R$ 60 bilhões e 67 usinas em recuperação judicial, o setor sucroenergético precisaria de um novo Programa Especial de Saneamento de Ativos (Pesa) e até 20 anos para ser restabelecido, na avaliação de Marcos Françóia, sócio e diretor da MBF Agribusiness. "O governo é o maior credor, com a dívida dos impostos, e tem de ajudar o setor", disse Françóia, durante seminário do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise), em Sertãozinho (SP).

O Pesa foi criado em 1998 e os produtores de açúcar e etanol conseguiram prorrogar as dívidas por até duas décadas, com juros de 3% ao ano. "O problema é que muitas empresas não honraram a dívida por incompetência na gestão, e não por problema financeiro", afirmou o consultor. Portanto, ele considera que a crise financeira de 2008, com mais de 30 usinas em recuperação judicial nos dois anos seguintes, era sistêmica e agravou a situação financeira do já combalido setor produtor de açúcar, etanol e energia.

Das 67 usinas em recuperação judicial, 38 estão no Sudeste, 14 no Nordeste, 13 no Centro-Oeste e duas no Sul, onde a produção se resume basicamente ao Paraná. Os dados da MBF apontam que quase 83% dessas usinas têm dívidas acima de R$ 100 por tonelada de cana processada, valor correspondente ao faturamento médio do setor, e em algumas a dívida supera R$ 400 por tonelada de cana.

A crise trouxe, segundo a MBF, a demissão de 100 mil trabalhadores diretos e outros 200 mil indiretos em um setor que emprega 1,5 milhão de pessoas diretamente e 2,5 milhões indiretamente. "Portanto, não adianta melhorar preço (dos combustíveis), porque qualquer política econômica daqui pra frente não vai melhorar o setor", afirmou Françóia. (O Estado de São Paulo 18/10/2014 às 02h: 03m)

 

Cana: investidor estrangeiro retorna, mas é cauteloso, diz consultor

Procura é por empresas com dificuldades financeiras mas boa capacidade operacional.

O sócio e diretor da MBF Agribusiness, Marcos Françóia, afirmou nesta sexta-feira (17/10) que os investidores estrangeiros voltaram a prospectar negócios no setor sucroenergético, mas sem a euforia ocorrida a partir de 2003, com o advento dos veículos flex fuel e as primeiras ofertas públicas de ações de companhias produtoras de açúcar e etanol. "Nós já tivemos reuniões com três grupos interessados e hoje o investidor é muito mais cauteloso", afirmou.

Françóia revelou que os investidores buscam companhias em dificuldades financeiras, portanto com valores baixos de ativos, desde que tenham boa capacidade operacional. Um deles, segundo o consultor, é uma família europeia do setor agrícola que pretende investir R$ 200 milhões em açúcar e etanol. Outro investidor é uma companhia com negócios em shoppings centers que comprou uma unidade produtora em leilão e pretende investir em energia elétrica cogerada a partir do bagaço para compensar a alta no preço do insumo prevista para 2015.

De acordo com o sócio e diretor da MBF, uma alternativa crescente de captação de recursos ao setor são os Certificados de Recebíveis de Agronegócio (CRAs), títulos de financiamento do agronegócio estruturados por instituições financeiras utilizados recentemente por grandes companhias do setor, como a Cosan e a Odebrecht Agroindustrial.

"É possível ampliar os CRAs para outras companhias inclusive as em dificuldades", afirmou. Ainda segundo o consultor, o etanol de milho em usinas anexas às processadoras de cana são boas opções para a produção de biocombustível na entressafra. (Agência Estado 17/10/2014)

 

Usina São Fernando inicia pagamentos aos arrendatários de Dourados e Laguna

Os arrendatários de terra das cidades de Dourados e Laguna Caarapã, que fornecem entre 45 mil e 47 mil ha de terras para a Usina São Fernando Açúçar e Álcool, localizada em Dourados, funcionar (está entre as maiores de Mato Grosso do Sul), começaram a receber no dia 10 de outubro a dívida, sendo alguns "com até oito meses de arrendamento de suas terras", afirmou uma fonte do Sindicato Rural de Dourados à reportagem do Capital News.

Alguns donos de terras já receberam tudo, outros ganharam boa parte, como informaram os sindicatos rurais de Dourados e Laguna Caarapã, que atua em defesa dos produtores rurais. A usina arrenda terras das regiões de Dourados e Laguna Caarapã.

Há a informação de um dos motivos dos pagamentos terem sido efetivados é a usina, de propriedade de José Carlos Bumlai, ter passado 49% da indústria para as mãos de um grupo econômico de Dubai, nos Emirados Árabes. Conforme outra fonte, em virtude de o governo federal começar a promover o empréstimo de R$ 6 bilhões para as concessionárias de energia no País, a usina começou a receber dinheiro e conseguiu pagar os arrendatários.

Esta mesma fonte afirma que não sabe se houve a venda da família Bumlai para o grupo econômico árabe. “Sei somente que havia uma negociação”. (Capital News 18/10/2014)

 

Descaso com etanol extingue 300 mil vagas, diz consultor

Na contramão do que ocorre no mundo, governo brasileiro desestimula uso de energia limpa.

Enquanto o mundo segue investindo na diversificação de fontes de energia e combustíveis renováveis, buscando alternativas menos poluentes e mais econômicos, o Brasil, na contramão da história e do que os países desenvolvidos estão fazendo, abandonou sua política de incentivo ao etanol e investe todos os seus esforços no pré-sal. O resultado é o fechamento, desde 2007, de 58 usinas produtoras de álcool na região Centro-Sul, com a perda de mais de 30 mil postos de trabalho. Outras 12, sem condições financeiras, devem encerrar atividades ainda neste ano, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

O consultor na área de agronegócio Renato Fazzolari vai além. Segundo ele, esse erro estratégico adotado pelas autoridades não só inviabilizou a construção de cem usinas, como causou o fechamento de 70 unidades somando todo país, além da extinção de mais de 300 mil postos de trabalho entre diretos e indiretos.

Marcos Françóia, sócio diretor da MBF Agribusiness, disse na sexta-feira, durante seminário do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise), em Sertãozinho (SP), que o setor tem uma dívida de R$ 60 bilhões e 67 usinas em recuperação judicial. Os dados da MBF apontam que quase 83% dessas usinas têm dívidas acima de R$ 100 por tonelada de cana processada, valor correspondente ao faturamento médio do setor.

Em Minas Gerais, nos últimos cinco anos, oito usinas fecharam, desempregando 8.000 pessoas, principalmente em pequenos e médios municípios. Mesmo com esse cenário, o Estado produz hoje o dobro do etanol que consome, pois o preço do álcool não é vantajoso no Estado.

A produção é de 1,5 bilhão de litros por ano, sendo que o consumo é de 750 milhões de litros por ano. Em 2009, quando o incentivo à produção de etanol estava no auge, para cada 100 litros de gasolina vendidos no Estado, vendiam-se 40 litros de etanol. Hoje, para cada 100 litros de gasolina, saem 15 litros de etanol. Todas essas informações são do Sindicato da Indústria de Fabricação do Álcool no Estado de Minas Gerais (Siamig).

“A falta de continuidade de políticas públicas, em que os diversos governos começam e abandonam estratégias já em curso, é muito danosa para o país. Se você observar, nos últimos dois anos, o álcool sumiu dos noticiários e só se falou em pré-sal, sendo que o setor privado, principalmente no exterior, trabalha na busca de energias alternativas e menos poluentes”, ressalta o professor de administração pública da Faculdade de Economia da UFMG Ivan Beck.

‘O professor compara a questão da descontinuidade do investimento no etanol à falta de planejamento que leva hoje ao desabastecimento de água e até a um risco de apagão. “Há um equívoco de estratégias, uma aposta em modelos que não se sustentarão a longo prazo. Dizem que o petróleo ainda vai durar muito, mas não faz sentido deixar para procurar alternativas só quando ele estiver prestes a acabar. Além disso, a natureza tem se mostrado imprevisível. Vejam o exemplo da falta de água”, diz.

Cide

Uma das razões apontadas como responsáveis pela perda de competitividade do etanol frente à gasolina foi o fim da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). “Somos uma atividade privada, nosso custo aumenta ano a ano, até mais que a inflação, que, desde 2006, já acumula 55%. E a gasolina aumentou somente 16% nesse período”, compara o presidente do Siamig, Mário Campos. (O Tempo 19/10/2014)

 

Etanol continua atrativo em relação à gasolina

O patamar da relação entre o preço do etanol e o da gasolina diminuiu entre a primeira e a segunda semanas deste mês, passando de 65,94% para 65,31%, informou ontem o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), André Chagas. O resultado apurado no período é muito parecido ao da segunda semana de outubro de 2013, de 65,29%.

Chagas ressaltou que os preços do álcool combustível seguem atrativos na comparação com os da gasolina. Em outro levantamento da Fipe, do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da segunda quadrissemana (últimos 30 dias terminados na quarta-feira, 15), o preço do etanol registrou variação negativa de 0,60%, ante recuo de 0,16% na primeira leitura do mês. Já o preço da gasolina cedeu 0,34%, depois de um declínio de 0,30%.

Para especialistas, o uso do etanol deixa de ser vantajoso em relação à gasolina quando o preço do derivado da cana representa mais de 70% do valor da gasolina. A vantagem é calculada considerando que o poder calorífico do motor a etanol é de 70% do poder dos motores a gasolina. Entre 70% e 70,50%, é considerada indiferente a utilização de gasolina ou etanol no tanque. (O Estado de São Paulo 18/10/2014 às 02h: 03m)

 

Setor em crise desde 2009

Em um universo de 435 usinas de açúcar e álcool no País, 44 foram fechadas na últimas cinco safras e outras 12 podem encerrar a moagem de cana em 2014/2015, extinguindo 100 mil postos de trabalho. Cerca de 70 estão em recuperação judicial.

A origem de todos os problemas está na política de controle de preços da gasolina imposta pelo governo, o que tira a competitividade do etanol nos grandes mercados consumidores de todo o País. (O Estado de São Paulo 18/10/2014 às 02h: 04)

 

Crise no setor sucroalcooleiro

Em crise, com fechamento de mais de 70 usinas, desde que o governo priorizou os derivados de petróleo na política energética e deixou em segundo plano o etanol, o setor sucroalcooleiro é responsável por mais da metade os pedidos de Lay off : 8.123 dos 14.624.

Para atenuar a crise, o governo elevou recentemente a mistura do álcool anidro na gasolina e, em meados deste ano, já havia liberado linhas de financiamento do BNDES para renovação de canavial e estocagem de etanol. (O Glçobo 18/10/2014)

 

Preço do açúcar deve subir, mas investimentos no setor ainda demoram

O cenário para o setor sucroalcooleiro poderia ser melhor com o esperado déficit mundial de açúcar a partir de 2015, mas as preocupações ainda não foram dissipadas.

Queda nos preços do petróleo, política cambial e falta de adoção de mecanismos que deem previsibilidade ao setor são pontos de preocupação. Somam-se a isso as incertezas do clima.

A avaliação é de Plinio Nastari, da Datagro, empresa que reunirá especialistas e representantes desse setor em São Paulo, na segunda (20) e na terça-feira (21), para discutir o momento difícil, principalmente no Brasil, e as perspectivas.

Nastari diz que, após quatro anos de uma produção mundial de açúcar acima do que é consumido, as coisas se invertem. O superavit dará lugar a um déficit, o que ocorrerá já a partir desta safra de 2014/15 —iniciada neste mês. Ainda há divergências sobre o tamanho desse déficit, mas poderá ser de até 3,24 milhões de toneladas, número estimado pela Datagro.

Esse déficit vai gerar uma redução dos estoques mundiais que, no final da safra, será de 42,8% do total a ser consumido, abaixo dos45,6% da safra que se encerrou.

E, sempre que a relação de estoques e consumo fica em 42%, ou menos, os preços começam a ficar mais firmes, segundo Nastari.

E quera vai fornecer açúcar ao mundo para suprir esses déficit? O Brasil, um dos responsáveis pelo superavit que chega ao fim, terá problemas.

A seca deste ano atrapalhou o desenvolvimento do canavial e haverá uma redução da cana com alta produtividade.

Além disso, a falta de umidade no solo inibiu a renovação dos canaviais. Nastari prevê que a renovação seja de 13% a 15% das lavouras, mas as estimativas eram de 17%.

Na próxima safra, as usinas não contarão com tanta oferta extra de cana-de-açúcar que sobra de um ano para outro. Nesta safra, esse volume foi próximo de 25 milhões de toneladas.

Além disso, a oferta de cana não deverá crescer na safra 2015/16, Ficará igual à desta ou até menor. A estimativa é de uma moagem de 550 milhões de toneladas em 2014/15. A Datagro deverá rever os dados da safra deste ano nesta segunda-feira (20).

Além dos efeitos do clima, as lavouras vão perder rentabilidade no próximo ano devido à redução dos tratos agrícolas. Os dispêndios com insumos estão de 28% a 30% inferiores aos do ano anterior, de acordo com Nastari.

Após uma entressafra prolongada, como vai ser a deste ano, parte das usinas deverá postergar o início da moagem para obter uma produção maior da matéria-prima. A reação do setor deverá começar pelo etanol.

Mesmo com a estimativa de déficit mundial de açúcar, o país não retomará os investimentos imediatamente, Isso só ocorrerá quando houver sinais de previsibilidade nos mecanismos de reajustes da gasolina e indicações de que o setor está livre de políticas intervencionistas, afirma Nastari.

O fundo do poço pode estar passando, mas o amadurecimento dos investimentos na indústria sucroalcooleiro do Brasil vai demorar de três a quatro anos.

A produção mundial de açúcar é de 170 milhões de toneladas na safra 2014/15, para um consumo de 173,2 milhões. O Brasil deverá produzir 35,7 milhões em 2014/15. Desse volume, 32,3 milhões virão da região centro-sul, segundo dados da Datagro. (Folha de São Paulo 18/10/2014)

 

Governo vai financiar expansão do etanol de milho, garante ministro da agricultura

O ministro da Agricultura, Neri Geller, disse neste sábado (18/10) que o governo vai financiar projetos de produção de etanol a partir de milho, especialmente em Mato Grosso, maior produtor nacional do grão. Segundo ele, a medida é importante para enxugar excedentes de produção que, só na safra 2013/2014, são estimados em mais de 15 milhões de toneladas.

"O etanol de milho é importante para dar sustentabilidade econômica para as regiões mais longínquas onde há problemas maiores de escoamento da produção", avaliou Geller, comentando que a intenção é viabilizar crédito a taxas abaixo da inflação.

O ministro reconheceu que há dificuldades, como acordos internacionais assinados pelo Brasil que restringem a produção de energia a partir de matérias-primas que são usadas na alimentação humana. No entanto, disse que questões como esta estão sendo superadas.

"Já há projetos que estão sendo liberados. Onde houver excedente, vamos liberar os financiamentos a partir do BNDES", garantiu o ministro, em entrevista por telefone a Globo Rural.

Nesta semana, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) divulgou uma nota avaliando que a tendência é de crescimento do etanol de milho, mas há a necessidade de apoio, especialmente em relação aos investimentos iniciais para o processo industrial. De acordo com a Aprosoja-MT, há duas usinas em produção, uma delas visitada pelo ministro neste sábado. Em 2015, outras três devem entrar em operação, de acordo com a entidade.

Neri Geller se disse otimista. "Tem duas usinas de grande porte funcionando, vários projetos em andamento. Creio que a partir do ano que vem, algumas delas vão iniciar obras e concluir em um curto espaço de tempo", afirmou. (Globo Rural 19/10/2014)

 

Acordo facilita a venda de tratores para agricultura familiar

Programa Mais Alimentos, do governo federal, oferece prazo de pagamento dez anos, com até três anos de carência e juros de 1% a 2%.

Um acordo de cooperação de vendas de máquinas com a Anfavea (Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores) para o Programa Mais Alimentos foi assinado hoje, em São Paulo, pelo ministro do Desenvolvimento Agrário Laudemir Müller. Por meio do programa, agricultores podem adquirir máquinas e veículos com preços especiais e condições de financiamento exclusivas, informa a Agência Brasil.

Criado em 2008, o programa facilita o acesso de agricultores familiares a equipamentos e implementos agrícolas que modernizam suas propriedades e favorecem o aumento da produção. O Mais Alimentos oferece prazo de pagamento dez anos, com até três anos de carência e juros de 1% a 2%. “A peça fundamental que organiza e explica o sucesso do programa é a capacidade que tivemos de desenvolver uma parceria entre os agricultores, o governo federal e a Anfavea. Esse trabalho ampliou a efetividade do programa de grande importância para a indústria e para a produção de alimentos”, disse o ministro.

Segundo a Anfavea, o objetivo do acordo é estimular o desenvolvimento da agricultura familiar e promover a modernização e produtividade da atividade rural. “É extremamente importante ter um programa voltado para a agricultura familiar no Brasil. Precisamos estimular o crescimento desse segmento com mecanismos que garantam o aumento da produtividade rural com equipamentos modernos e altamente eficientes”, disse Luiz Moan, presidente da Anfavea.

De acordo com o ministério, na safra passada, os fabricantes de tratores venderam 19 mil unidades para a agricultura familiar. “E a expectativa é de que na safra 2014/2015 esse número chegue a 20 mil”, prevê o órgão.

Atualmente, segundo o ministério, o programa tem 525 empresas cadastradas participando do programa. Em seis anos de existência, 80 mil tratores foram comercializados e financiados 47 mil veículos de transporte de carga. (Brasil Agro 17/10/2014)

 

Estiagem prejudica a safra de cana produzida em propriedades de SP

Quebra da safra é calculada em mais de 20% no noroeste do estado. Redução da área de plantio deve afetar a safra de 2015.

A colheita da cana de açúcar irá terminar antes do esperado em São Paulo. Os agricultores estão no final da colheita em Araçatuba. A razão é a forte estiagem que prejudicou a safra.

A seca deve provocar uma quebra de cerca de 50 milhões de toneladas na safra de cana-de-açúcar no centro-sul do Brasil. Essa quantidade equivale a 10% da produção. Mas em alguns locais a perda é ainda maior. A colheita da cana deveria se estender até o mês de dezembro no noroeste de São Paulo, mas já está terminando agora em outubro. A quebra da safra por conta da seca é calculada em mais de 20% na região.

O presidente da Associação dos Produtores de Cana de Araçatuba, Fernando Girardi, aponta os efeitos da falta de água na produtividade da lavoura. “Embaixo, a cana tem um desenvolvimento normal. Quando vai subindo, ela tem um encurtamento do caule. Esse encurtamento em relação ao normal caracteriza a perda de produção”, diz.

A seca afetou também as áreas de renovação dos canaviais. Por falta de chuva, a cana plantada no mês de julho não se desenvolveu. Além disso, a área de plantio diminuiu e deve afetar a safra do próximo ano. “O setor leva de três a quatro anos. Essa retomada não é imediata”, alerta Girardi.

Os problemas ligados ao mercado do açúcar e do etanol não são novos. Desde 2007, 70 usinas fecharam na região centro-sul e 65 estão em processo de recuperação judicial.

Assista ao vídeo com a entrevista com o produtor de cana e presidente do conselho da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Roberto Rodrigues, que explica o que está acontecendo com o setor.

O petróleo atravessa uma fase de baixa no mercado internacional, o que torna a margem de preço entre o etanol e a gasolina mais apertada. Outro agravante é que os preços internacionais do açúcar também estão baixos. Desde 2010, as cotações já caíram quase 40% (Globo Rural 19/10/2014)

 

Pelo sim, pelo não - Arnaldo Luiz Corrêa

O mercado de açúcar em NY fechou a semana praticamente inalterado. O vencimento março de 2015 apreciou apenas 8 pontos (menos de dois dólares por tonelada) encerrando a semana cotado a 16.62 centavos de dólar por libra-peso enquanto os demais vencimentos não emplacaram dois dígitos de variação positiva. O mercado físico expõe toda sua fraqueza negociando na semana que se encerrou 50 mil toneladas de VHP para embarque outubro com um dilatado desconto de 125 pontos da tela de março. Isto é, açúcar sendo vendido praticamente ao custo de produção.

Se o açúcar não vai bem, o etanol consegue ser ainda pior. Explico: o mercado futuro do petróleo tipo Brent para entrega imediata acumula uma queda de 19.5% no trimestre e negociava nesta última sexta-feira a US$ 84.50 o barril. Com isso, pela primeira vez em muito tempo, o preço justo do litro da gasolina no Brasil coincide com o preço praticado na bomba, ou seja, de aproximadamente R$ 2,835. Agora não tem mais defasagem. O que passou, passou. O sangramento do caixa da Petrobrás como efeito, entre outras coisas, dessa política perversa comandada pelo ex-ministro em exercício Guido Mantega, foi finalmente estancado.

Para o setor, que imaginava um ajuste nos preços dos combustíveis para que o etanol voltasse a ser competitivo, agora vai ter que conviver com os níveis atuais que não remuneram as usinas. O hidratado hoje é vendido com prejuízo médio de 5.5% em relação ao custo de produção, sem considerarmos o custo financeiro.

Petróleo mais baixo significa que o etanol precisa ser mais baixo para não perder mercado, que remunerando mal implica em mais cana sendo transferida para o açúcar no mix do próximo ano, que se traduz em mais oferta de açúcar no mercado, que significa preços mais baixos. Num círculo perverso que inflige ao setor apenas as agruras sem ter aproveitado as vacas gordas porque a gasolina está congelada.

O processo decisório para as empresas está numa encruzilhada vitimado por indefinições no cenário político até que o País escolha o próximo presidente. Caso o vencedor seja o candidato Aécio Neves, do PSDB, os rumores que circulam no mercado acerca das pessoas que fariam parte de sua equipe - caso seja eleito - trazem conforto e a esperança de mudanças qualitativas na condução de políticas de fomento para o setor sucroalcooleiro. A permanência de Dilma seria um desastre uma vez que seu governo já provou que é incompetente e infestado de mafabés que não possuem nenhum plano de governo, apenas um projeto de poder perpétuo.

Pelo sim, pelo não, se assumirmos a saída do PT do governo a percepção do mercado é de que assistiríamos a entrada de um grande fluxo de investimento estrangeiro o que deve pressionar a taxa do dólar. Seria prudente que as usinas olhassem com atenção as cotações de NY convertidas em reais por tonelada. Na média dos dois últimos anos ela foi de R$ 872 por tonelada, atingindo o pico de R$ 1.000 por tonelada. Com o dólar tendo altas repentinas e aceleradas de maneira pontual, há de se aproveitar os momentos em que uma eventual fixação de venda FOB represente esses valores.

Mas, o mercado de açúcar em NY pode subir também. Não necessariamente com esse dólar. Algumas estratégias básicas usando opções e aproveitando a baixa volatilidade negociada podem capturar essas situações caso tenhamos uma apreciação dos preços em função do quadro fundamentalista que se desenha para o futuro próximo: a) uma safra 2015/2016 que na melhor das hipóteses chegaria a 550-560 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul, b) o primeiro déficit mundial de açúcar depois de 3-4 anos que, segundo um banco europeu, pode alcançar 3.5 milhões de toneladas; c) menor renovação dos canaviais dos últimos anos por falta de investimento; d) aumento da mistura de anidro na gasolina que passa de 25% para 27.5% causando um incremento no consumo de 1.1 bilhão de litros.

A bandeira vermelha (sem conotação política) que tremula nesse caso é, como dissemos acima, uma queda acentuada do petróleo no mercado internacional, que altera essa equação provocando uma mudança vigorosa no mix de produção.

Acredito que teremos um mercado muito mais sensível e atento a arbitragem entre açúcar e etanol. Nunca as opções foram instrumentos tão necessários num cenário indefinido como este que estamos encarando. Pelo sim, pelo não convém ficar atento (Arnaldo Luiz Corrêa é diretor da Archer Consulting - Assessoria em Mercados de Futuros, Opções e Derivativos Ltda.

 

Agronegócio salva ano da Bolsa com IPO da Ourofino

Oferta inicial de ações da empresa de saúde animal, única lançada na Bovespa este ano, levantou R$ 418 milhões.

A Ouro Fino Saúde Animal garantiu na sexta-feira a primeira estréia de uma empresa brasileira na BM&FBovespa em 2014, ao precificar sua oferta de ações no topo da faixa estimada, resultado surpreendente diante de mercado bastante volátil este ano,por incertezas sobre cenário externo e especulações sobre a sucessão presidencial. A empresa vendeu 15,46 milhões de ações a R$ 27 cada, operação que movimentou cerca de R$418 milhões, liderada pelos bancos JP Morgan, Itaú BBA, Bradesco BBI e BB Investimentos.Do montante levantado, R$106,44 milhões (3,94 milhões de papéis) correspondem à venda de ações novas, a oferta primária, cujos recursos serão canalizados para o caixa da companhia e serão usados para reduzir dívidas e expandir negócios.

No prospecto preliminar da oferta, a Ouro Fino afirmou que pretende se expandir para mercados como Colômbia e México. Outros R$ 311,54 milhões (11,54 milhões de papéis) são da venda de ações dos sócios fundadores Norival Bonamichi e Jardel Massari, também conselheiros de administração. A companhia estreia no pregão da Bovespa na próxima terça-feira (21), negociada sob a sigla OFSA3. Com sede em Cravinhos (SP), a Ouro Fino se apresenta como a maior empresa nacional do mercado de saúde animal da América Latina, especializada em vacinas para bovinos, equinos, aves e suínos, e produtos veterinários para animais de estimação. Fundada em 1987, a empresa é uma das que mais crescem no mercado veterinário do País.

A companhia, que faturou R$384 milhões em 2013, tem como sócia desde 2007 a BNDESPar, braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O IPO da Ourofino na Bovespa foi viabilizada pelas novas regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para abertura de capital de pequenas e médias empresas, que faturam até R$ 500 milhões por ano. O último IPO da Bovespa foi o da operadora de viagens CVC, que promoveu sua abertura de capital em 5 de dezembro do ano passado. Nesse período, importantes empresas sinalizaram que fariam uma oferta pública, como Votorantim Cimentos, Azul Linhas Aéreas, Ouro Verde, Sascar e JBS Foods, mas nenhuma operação foi confirmada.

Das 353 empresas listadas na BM&FBovespa, menos de 20 são pequenas e médias.A listagem da Ourofino supre uma lacuna na Bovespa, abrindo oportunidade aos investidores de participar diretamente do sucesso do agronegócio brasileiro comprando ações de suas melhores empresas.Hoje o setor tem como companhias abertas na Bolsa empresas como a Cosan, São Martinho, Tereos, Vanguarda Agro, SLC Agrícola, ALL Logística e a Fertilizantes Heringer. (Reuters 20/10/2014)

 

Commodities Agrícolas

Laranja: Consumo pressiona: Os preços do suco de laranja recuaram na bolsa de Nova York na sexta-feira, com o esvaziamento dos temores em relação à chegada de um furacão próximo à região citrícola da Flórida e a retomada das atenções ao baixo consumo. Os contratos para janeiro fecharam a US$ 1,374 a libra-peso, queda de 15 pontos. Nos dias anteriores, a aproximação do furacão Gonzalo deu sustentação aos preços. Como a tempestade se afastou da costa leste dos EUA na sexta, os traders voltaram a negociar os lotes por valores mais baixos, sob a influência do decrescente consumo de suco nos EUA - em 2013/14, foi o menor em 16 safras. No mercado interno, o preço da laranja destinadas às indústrias apurado pelo Cepea/Esalq se manteve em R$ 10,18 a caixa de 40,8 quilos.

Algodão: Queda em Nova York: Os preços do algodão seguiram a tendência das "soft commodities" na bolsa de Nova York e registraram queda na sexta-feira, a quarta consecutiva para a pluma. Os contratos com vencimento em março de 2015 fecharam em 61,73 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 2 pontos. O mercado da fibra foi pouco afetado pela volatilidade internacional e segue pressionado conforme avança a colheita do produto nas lavouras americanas. Nos últimos dias, as chuvas deram uma trégua nas áreas produtoras dos Estados Unidos, o que favorece o trabalho das colheitadeiras. A demanda pela fibra do país foi baixa na semana anterior, e contribuiu para derrubar as negociações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias recuou 0,17%, a R$ 1,6541 a libra-peso.

Soja: Tempo favorável: As cotações da soja cederam na bolsa de Chicago na sexta-feira, já que os investidores voltaram a dirigir suas atenções aos fundamentos após uma semana de muita especulação. Os contratos para entrega em janeiro fecharam com queda de 14,5 centavos de dólar, a US$ 9,5975 o bushel. Sem novos impulsos do mercado financeiro, as atenções se voltaram para os mapas climáticos dos EUA, que apontam um tempo mais seco no Meio-Oeste do país. Sem chuvas, os produtores devem acelerar a colheita da safra 2014/15. O clima também deverá ficar mais favorável para o andamento do plantio no Centro-Oeste do Brasil, com a previsão de chuvas na região para essa semana. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a soja no Paraná caiu 0,47%, para R$ 59,09 a saca.

Milho: Otimismo com colheita: As previsões climáticas favoráveis à colheita nos Estados Unidos também pressionaram os preços do milho na sexta-feira na bolsa de Chicago. Os lotes para março de 2015 fecharam em US$ 3,6125 o bushel, queda de 4 centavos. A empresa de meteorologia DTN estimou que "o tempo deve permanecer seco em toda a parte central dos EUA durante a próxima semana até dez dias". Até o dia 12, a colheita registrava um atraso de 20 pontos percentuais na comparação com a média histórica, mas estima-se que os produtores tenham reduzido essa diferença com a melhora das condições climáticas. Apesar da pressão, alguns analistas veem pouco espaço para quedas mais agudas nas cotações da commodity. No mercado doméstico, o indicador Esalq/ BM&FBovespa subiu 4,03%, para R$ 23,74 a saca. (Valor Econômico 20/10/2014)