Setor sucroenergético

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Açúcar seco e fino eleva risco de incêndios

A ocorrência de cinco grandes incêndios em terminais de açúcar em um pouco mais de um ano deve desencadear uma mudança no teor de umidade da commodity produzida pelas usinas do Centro-Sul.
Cada vez mais seco e fino, o açúcar gera uma nuvem de pó que aumenta o risco de incêndios. Em pouco mais de um ano, ao menos 320 mil toneladas foram queimadas em São Paulo e no Paraná. Ontem, um incêndio destruiu um armazém de açúcar em Santos. (Valor Econômico 21/10/2014)
 

Incêndios 'forçam' usinas a ajustar produção de açúcar

A ocorrência de cinco incêndios de grandes dimensões em terminais de açúcar em pouco mais de um ano deve desencadear uma mudança nos teores de umidade e granulometria (peso de grão) da commodity produzida nas usinas do Centro-Sul. Mais "seco e fino", o produto brasileiro, ao ser movimentado em grandes volumes, gera uma "nuvem" maior de pó de açúcar que eleva o risco de incêndios em ambientes de baixa umidade do ar e motores ligados a todo vapor. Desde junho de 2013, pelo menos 320 mil toneladas de açúcar foram queimadas em armazéns de São Paulo e do Paraná em virtude desses incidentes.
A temporada de sinistros foi aberta por um terminal rodoferroviário em Sarandi (PR), de propriedade da CPA Trading, a maior do Paraná. Em junho do ano passado, um armazém da empresa pegou fogo destruindo cerca de 50 mil toneladas de açúcar. Dali em diante, outros quatro incêndios afetaram o setor. O maior deles, ocorrido quatro meses depois, acometeu o terminal portuário da Copersucar, em Santos (SP), onde 180 mil toneladas da commodity viraram caramelo. Uma semana depois, um sinistro semelhante afetou o terminal da operadora logística Agrovia em Santa Adélia (SP), onde foram perdidas mais de 25 mil toneladas.
Neste ano, os acidentes voltaram a acontecer. Em agosto, a "vítima" foi o terminal da Rumo, empresa controlada pela Cosan Logística, em Santos. Um incêndio colocou em chamas 15 mil toneladas da commodity. Ontem, o armazém 3 do Terminal Exportador de Açúcar do Guarujá (Teag), com 50 mil toneladas, foi totalmente destruído.
Perícia feita pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT/USP) no terminal da Copersucar constatou que a hipótese mais provável é a de que o sinistro foi causado por uma fagulha vinda de um dos motores das esteiras que carregam o produto no armazém. O ambiente fechado e seco, saturado de pó de açúcar, foi altamente propício para o incêndio, explica o presidente da Copersucar, Paulo Roberto de Souza.
O executivo acredita que a tendência é que as usinas tenham que mudar os níveis de umidade e polarização do açúcar, possivelmente, já para a próxima safra. Além do açúcar VHP (Very Hig Polarization), algumas usinas sócias da Copersucar também produzem o VVHP (Very Very High Polarization), ainda mais "leve" do que o primeiro.
Por ser de melhor qualidade do que o açúcar demerara (que tem cor mais escura, menor granulometria e mais umidade), o VHP e VVHP recebem prêmios sobre a cotação da commodity (demerara) em Nova York. "No caso do VHP, esse prêmio é de 4%", diz o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues. Questionado se essas mudanças podem mudar os patamares de prêmio ao açúcar brasileiro, Rodrigues afirma que trata-se de algo novo e que o mercado vai ter que "rediscutir". "É preciso criar um padrão de granulometria, que hoje não existe", diz o executivo da Unica.
Na avaliação de Rodrigues, as usinas terão que fazer algum investimento para implementar essas mudanças. "Já há fábricas que estão adicionando água ou mel residual para elevar a umidade", cita Rodrigues. Ele acrescenta que a medida deve ser tomada para minimizar o inevitável, que o elevado volume movimentado de açúcar pelo Brasil, que é o maior exportador da commodity no mundo. Em dez anos, os embarques no país saíram de 15 milhões para 27 milhões de toneladas. "exportados anualmente. "A grande movimentação eleva muito a quantidade levantada de pó nos armazéns", diz.
Na CPA Trading, diz o presidente da companhia, Dagoberto Delmar Pinto, já houve mudança de regras para minimizar riscos de incêndios. Com nove grupos sucroalcooleiros de quatro Estados (PR, SP, MS e MT) em seu capital, a companhia discutiu com as usinas das quais origina açúcar e definiu conjuntamente que o produto com menos de 12% de umidade oferece riscos. "Até então, o açúcar chegava nos terminais com teor de umidade bem abaixo disso", resume Delmar Pinto.
As operações do Teag, operado conjuntamente pela americana Cargill e a sucroalcooleira Biosev, controlada pela francesa Louis Dreyfus, foram suspensas ontem, o que gerou o cancelamento do carregamento de açúcar de três navios que atracariam nos próximos dias. (Valor Econômico 21/10/2014)
 

Usineiros esperam que recuperação da gasolina estimule consumo de etanol

Setor já perdeu 51 usinas e a capacidade de moagem foi reduzida em 48 milhões de toneladas.
Nas últimas seis safras o setor sucroenergético perdeu 51 usinas e a capacidade de moagem foi reduzida em 48 milhões de toneladas. Hoje, o setor segue em crise com preços baixos de açúcar e etanol, mas com perspectiva para que em 2015 a gasolina recupere o valor de mercado e estimule o consumo do biocombustível.
O foco das usinas na produção de etanol tem dois principais motivos: primeiro, o valor do açúcar no mercado internacional que está em queda. Usineiros esperavam pelo menos US$ 00,18 pelo quilo, mas a cotação está ao redor dos US$ 00,13. O segundo motivo é a aposta na recuperação dos preços da gasolina que pode estimular o consumo do etanol.
Em Goiás, ao contrário da safra passada, uma usina está produzindo na safra atual 55% de etanol e 45% de açúcar.
A gente esperava que a mudança do mix de produtos e a redução dos preços refletissem na bomba e, automaticamente, o volume viesse em maior escala também. Essa expectativa não foi correspondida por enquanto. Consumo maior, mas não depende do mercado, mas sim de políticas governamentais que ultimamente não vem colaborando com o setor – diz o gerente comercial da usina, Lucas Galdioli.
O gerente comercial explica que o setor está enfrentando a crise com foco em uma grande retomada do mercado, falta resgatar a confiança nos fundamentos básicos no conceito de livre comércio.
Não adianta o setor estar reduzindo o preço do etanol na bomba se a gasolina está acompanhando. Isso vai ser uma queda de braço eterna e a gente não vai sentir efeitos dessas mudanças – reforça.
Etanol e gasolina são considerados substitutos próximos, por isso devem estar alinhados na mesma política. O economista Raul Velloso explica que a regra básica é seguir a tendência internacional. Para isso o governo tem que retirar os subsídios considerados pelo economista como equivocados.
É preciso retirar esta intervenção equivocada do governo, que muitas vezes age assim no sentido populista, para agradar uns a custa de outros. O governo precisa se retirar desta intervenção equivocada para as coisas voltarem ao que seria normal – salienta. (Rural BR 20/10/2014 às 19h: 32m)
 

Biosev: causa de incêndio em terminal está sendo apurada

Em comunicado aos acionistas, a Biosev informou nesta segunda-feira, 20, que estão sendo apuradas as causas do incêndio que atingiu hoje, por volta das 5h30, um dos dois armazéns do Terminal Exportador de Açúcar do Guarujá (TEAG), joint venture entre Cargill e Biosev.
"A capacidade total dos dois armazéns que compõem o TEAG é de 110 mil toneladas e o armazém atingido estocava cerca de 50 mil toneladas de açúcar, dos quais aproximadamente 50% são de propriedade da Biosev. A área de carregamento não foi atingida", diz a empresa em nota.
Ainda conforme a Biosev, não houve feridos e o fogo, controlado, não atingiu o segundo armazém.
A companhia diz já ter identificado "capacidade contingente disponível para cobrir o período de interrupção das operações do TEAG". O terminal conta com seguro para as edificações, equipamentos e estoques e, de acordo com a Biosev, os trabalhos visam a "rápida recuperação das operações". (O Estado de São Paulo 20/10/2014 às 18h: 01m)
 

A maior praga da cana

Nos últimos quatro anos, o governo fez mais estragos nos canaviais do que todas as pragas que infestam as lavouras. Com uma diferença cruel: até o combate aos vírus e doenças gera empregos, enquanto a ação do Planalto já demitiu mais de 60 mil trabalhadores nos últimos dois anos, comprometendo diversos setores da economia no País inteiro. O trato das plantações paga uma diária para dois hectares trabalhados, durante o ano, não apenas na safra. A cada 100 mil hectares, R$ 14 milhões circulam na economia. Sem falar que cada hectare de cana recolhe de impostos para esse mesmo governo cerca de US$ 1.900 por ano, com a comercialização da cana, do açúcar, do etanol, da geração de eletricidade renovável e subprodutos.
Enquanto isso, o controle biológico da broca, a segunda praga mais importante (a primeira é o governo -- e não tem controle) custa R$ 20,00 por hectare, e o controle químico, R$ 80,00. O combate à ferrugem consome R$ 76,00; à cigarrinha, R$ 139,00, e ao Sphenophorus (bicudo da cana) R$158,00, incluindo a remuneração dos trabalhadores encarregados das aplicações, cuja folha de pagamentos representa 35% do custo do trato dos canaviais. Quase nada comparado ao fechamento de mais de 70 empresas, outras 63 em recuperação judicial e aos postos de trabalho extintos. Tudo para maquiar a inflação, subsidiando a gasolina e impedindo que ela dispute o mercado com o etanol.
Não é difícil perceber como age a maior praga da cana. Ela aposta na teimosia enquanto asfixia o maior programa de energia alternativa do mundo, outrora genuinamente nacional - mais do que o setor petrolífero, que sempre precisa da importação, nunca alcança a independência prometida e já deve US$ 60 bilhões à sociedade que o subsidia. A Nação assiste ao requinte de ver até de quem não tem carro obrigado a pagar essa conta. E vê todas as empresas fornecedoras do parque industrial sucroalcooleiro, um dos seus maiores clientes, amargando resultados negativos.
A Abimaq lamenta esse efeito, pois no momento em que a capacidade produtiva estaria num novo patamar, o setor sucroalcooleiro entra em crise e consequentemente cai a demanda para a área de manutenção e para a ampliação e novos projetos. As consequências são desastrosas, culminando com demissões e até fechamento de pequenas e medias industrias. É dificuldade muito grande para qualquer indústria promover alterações bruscas em seu portfólio de produtos, pois são necessários investimentos em novos projetos, capacitação de mão de obra, desenvolvimento de tecnologias e principalmente tempo para que esse novo produto seja aprovado pelo mercado. Diante dessas restrições, o processo se torna muito complicado, deixando o setor numa situação crítica e muitas vezes com poucas alternativas para a sobrevivência.
Para a entidade, as perspectivas ainda não são animadoras, porque os preços do açúcar e álcool estão baixos e sem definição clara de qual será o comportamento para os próximos meses ou até mesmo para o próximo ano. Outra agravante é que nesse momento não há nenhuma previsão de investimentos substanciais na área, o que deixa o setor ainda mais apreensivo.
Os efeitos nefastos dessa teimosia na região de Ribeirão Preto, maior produtora de cana, açúcar e álcool do mundo, se sucedem. Ela registrou, em setembro último, o pior saldo na geração de emprego com carteira assinada desde 2003. Em seus dez maiores municípios, a diferença entre admissões e demissões no mês foi negativa em 888 postos de trabalho, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do ministério do Trabalho. A indústria de açúcar e álcool demitiu 1.308 funcionários.
Teimosia, sim, porque, como o empresário Jairo Balbo já disse aqui, na história, não há registro de economia próspera controlada pelo estado. Nem na pré-história. Muito menos neste limiar de século 21. O Brasil testemunhou neste ano, um fato, no mínimo, vergonhoso por causa de sua política de controle da conta petróleo: a Petrobrás, que chegou a liderar o ranking das marcas mais valiosas da América Latina, despencou para o 7º lugar, atrás de cervejarias, por exemplo, que, obviamente, não são estatais nem têm sua produção definida pelo Poder: seus produtos têm preço, em vez de tarifa, e disputam o mercado em pé de igualdade -- e de lealdade -- com a concorrência. Assim, é impossível prever a médio e longo prazo o cenário para os combustíveis e para todas as fontes de energia no Brasil. O interesse do produtor é definido e invariável: produzir. Mas o do governo é... político. Não há como conciliar regras de mercado com interesses políticos. Nos países com economia de mercado, o petróleo não pertence a partidos políticos, mas à Nação. Aqui, a velha piada já se torna realidade: "Ou o Brasil acaba com os políticos ou os políticos acabam com as saúvas.".
Num quadro de incertezas e sem regras definidas, planejar o setor sucroenergético e todos os demais, ainda livres do Estado, é jogar na loteria, sempre arriscando cair no conto do bilhete premiado, porque o mercado dita as regras para todos, menos para as estatais, abrigadas no Poder. Poder que segura o preço dos derivados para segurar a inflação.
Assim, não há defensivo que defenda o povo dessa praga. (UDOP 20/10/2014)
 

Governo vai viabilizar expansão do etanol de milho, garante ministro

O ministro da Agricultura, Neri Geller, disse neste sábado (18/10) que o governo vai financiar projetos de produção de etanol a partir de milho, especialmente em Mato Grosso, maior produtor nacional do grão. Segundo ele, a medida é importante para enxugar excedentes de produção que, só na safra 2013/2014, são estimados em mais de 15 milhões de toneladas.
"O etanol de milho é importante para dar sustentabilidade econômica para as regiões mais longínquas onde há problemas maiores de escoamento da produção", avaliou Geller, comentando que a intenção é viabilizar crédito a taxas abaixo da inflação.
O ministro reconheceu que há dificuldades, como acordos internacionais assinados pelo Brasil que restringem a produção de energia a partir de matérias-primas que são usadas na alimentação humana. No entanto, disse que questões como esta estão sendo superadas.
"Já há projetos que estão sendo liberados. Onde houver excedente, vamos liberar os financiamentos a partir do BNDES", garantiu o ministro, em entrevista por telefone a Globo Rural.
Nesta semana, a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) divulgou uma nota avaliando que a tendência é de crescimento do etanol de milho, mas há a necessidade de apoio, especialmente em relação aos investimentos iniciais para o processo industrial. De acordo com a Aprosoja-MT, há duas usinas em produção, uma delas visitada pelo ministro neste sábado. Em 2015, outras três devem entrar em operação, de acordo com a entidade.
Neri Geller se disse otimista. "Tem duas usinas de grande porte funcionando, vários projetos em andamento. Creio que a partir do ano que vem, algumas delas vão iniciar obras e concluir em um curto espaço de tempo", afirmou. (Globo Rural 18/10/2014
 

Queda do petróleo e do etanol limita alta do açúcar

O diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, avaliou nesta segunda-feira (20/10) que a alta dos preços do açúcar prevista para este segundo semestre foi atenuada pela queda das cotações do petróleo e do etanol. "O petróleo caiu 20% em dois meses e o etanol, 15%", afirmou ele ao Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, antes do início da 14ª Conferência Internacional Datagro Sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo.
Em maio, durante evento na capital paulista, Corrêa disse que as cotações da commodity poderiam superar os 20 centavos de dólar por libra-peso nos últimos meses do ano. Hoje, contudo, o açúcar bruto negociado na Bolsa de Nova York gira em torno de 16 centavos a 17 centavos de dólar por libra-peso.
Naquela ocasião, havia temores com relação à quebra de safra no Brasil e com a possibilidade de El Niño, que acabou não se concretizando. O fenômeno climático poderia provocar chuvas em excesso no momento da colheita de cana no Centro-Sul do Brasil, prejudicando os trabalhos. (Agência Estado 20/10/2014)
 

Fitch rebaixa nota de crédito do Grupo Virgolino de Oliveira

SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Fitch rebaixou as notas de crédito do grupo Virgolino de Oliveira (GVO) e da Virgolino de Oliveira Finance em moeda estrangeira para “CC” de “B-“. A Fitch também rebaixou o rating em escala nacional de longo prazo da GVO para “CC(bra)” ante “BB+(bra)” e dos créditos associados da Virgolino Finance para “CC/RR4”, ante “B-/RR4”. A perspectiva negativa do rating foi removida.
Em nota, a agência afirma que a revisão se deve ao comunicado feito pelo grupo de que contratou a assessoria financeira da Moelis & Company e jurídica da Santos Neto Advogados e Kirkland & Ellis LLP para renegociar os débitos com credores.
Conforme a Fitch, essas negociações podem resultar na conversão de débitos em ações do grupo e/ou redução no valor das atuais dívidas a pagar.
A agência afirmou ainda que o pedido de recuperação judicial pela Aralco, feito neste ano, torna difícil para a GVO obter letras de crédito para assegurar empréstimos da Copersucar, cooperativa na qual o grupo é um dos maiores acionistas, com 11%. Os empréstimos da Copersucar são necessários para financiar capital de giro. "As dificuldades da GVO no curto prazo refletem baixos preços de açúcar e etanol, combinados com a forte seca no Estado de São Paulo, onde o grupo detém 4 usinas de cana". Conforme a Fitch, essa condição pode impactar a moagem de cana para 2015.
A agência disse ainda que os ratings da companhia podem ser rebaixados novamente se a empresa não pagar dívidas ou pedir formalmente recuperação judicial.
Uma elevação da sua nota de crédito é improvável neste momento, segundo a Fitch, dada as dificuldades da empresa de arcar com seus compromissos. "Uma grande injeção de capital ou venda da companhia poderia ser vista positivamente", afirmou a agência. (Valor Econômico 20/10/2014 às 19h: 07m)
 

Datagro corta previsão de safra de cana-de-açúcar do Brasil para 607 milhões de toneladas

Redução se deve aos impactos da estiagem no Centro-Sul do país, principal região produtora.
A Datagro cortou nesta segunda, dia 20, sua previsão para a safra de cana-de-açúcar no Brasil de 612 milhões de toneladas estimadas em agosto para 607 milhões de toneladas. Conforme o presidente da consultoria, Plínio Nastari, a redução se deve aos impactos da estiagem no Centro-Sul do país, principal região produtora.
Com relação aos produtos, a fabricação de açúcar foi revisada de 36,3 milhões para 35,1 milhões de toneladas. No caso do etanol, passou de 25,9 bilhões para 26,6 bilhões de litros, reflexo do mix de produção mais alcooleiro, com 55% da oferta de cana indo para o biocombustível.
Conforme Nastari, das 607 milhões de toneladas de cana haverá 82,2 milhões de toneladas de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), que são usados para produzir açúcar ou álcool.
Pior crise do setor
Segundo Nastari, o setor sucroenergético brasileiro vive a pior crise de sua história, causada pelos preços pouco atrativos do açúcar, pela rápida mecanização e "por políticas públicas distorcidas".
De acordo com ele, a perspectiva é de que haja um déficit de açúcar no ano que vem, após quatro ciclo seguidos de superávit. Isso, entretanto, não se refletirá em apreciação dos preços da commodity porque os estoques ainda estão elevados mundo afora, explicou. Por fim, Nastari comentou que é necessário "melhorar a percepção da sociedade sobre as vantagens energéticas e ambientais do etanol".
Redução no Centro-Sul
O Centro-Sul do Brasil processará 550,2 milhões de toneladas de cana na safra 2014/2015, que se encerra oficialmente em março do ano que vem. O volume é inferior as 552 milhões de toneladas estimadas anteriormente. A Datagro cortou a estimativa para produção de açúcar no Centro-Sul de 32,3 milhões para 31,6 milhões de toneladas. Já a de etanol foi revisada para cima, passando de 24 bilhões para 24,4 bilhões de litros.
Nastari comentou, ainda, que a produtividade dos canaviais atinge uma média de 78 toneladas por hectare no Centro-Sul, abaixo dos 85 t/ha em 2013/14. Além disso, seis milhões de toneladas de cana devem ficar em pé no campo (cana bisada) para serem processadas somente em 2015/2016.
Também foi divulgada a primeira estimativa da Datagro para a moagem de cana em 2015/2016, ciclo que se iniciará somente em abril do ano que vem. A consultoria espera processamento de 520 milhões a 560 milhões de toneladas no Centro-Sul, com 56,5% da oferta de matéria-prima para etanol. Com um nível de Açúcar Total Recuperável (ATR) estimado em 135 kg por tonelada de cana, é esperada uma produção de 31,3 milhões de toneladas de açúcar.
Déficit global
A consultoria estima um déficit de 3,24 milhões de toneladas de açúcar na safra global 2014/2015, que teve início em 1º de outubro. Trata-se do primeiro déficit após uma série de ciclos de superávit. Em 2013/2014, por exemplo, que terminou em 30 de setembro, o excedente foi de 2,18 milhões de toneladas.
Gasolina
De acordo com Nastari, a defasagem do preço da gasolina no Brasil ante o praticado no mercado internacional gerou impacto de R$ 8,6 bilhões para a balança comercial do País de janeiro a setembro deste ano. O cálculo, segundo ele, leva em conta uma defasagem média de 17,8% neste período.
Segundo ele, a recente queda das cotações internacionais do petróleo reduziram a defasagem, mas ela ainda existe. Atualmente, pelos cálculos da Datagro, a gasolina no Brasil custa 2,4% menos do que no exterior. Nastari concluiu dizendo que a isenção da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina gera um impacto de R$ 9,6 bilhões na arrecadação. (Rural BR 20/10/2014 às 16h: 32m)
 

Seca: Chuva prevista em áreas de café e cana

Chuvas moderadas começaram a quebrar a tendência de tempo quente e seco nas áreas de café e cana, provavelmente marcando o início de condições mais chuvosas de primavera nas próximas semanas, disseram meteorologistas. As altas temperaturas no período da tarde, vão prevalecer, mas chuvas deverão voltar para as regiões centrais e Sudeste do Brasil já na próxima semana. (Reuters 21/10/2014)
 

De mãos dadas com o agronegócio

Após a intensa procura por apoio do setor por parte dos candidatos, líderes rurais esperam avanços nas políticas voltadas ao campo.
Um dos setores mais assediados pelos candidatos durante o primeiro turno da eleição presidencial, o agronegócio segue com grande expectativa de avanço nas políticas públicas para a atividade e com seus representantes divididos entre as propostas de Aécio Neves (PSDB) e da candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT).
Além de promessas e elogios feitos ao setor durante eventos como a sabatina promovida pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), em Brasília, em agosto, os vencedores do primeiro turno fizeram de palanque outro reduto do campo: a Expointer, em Esteio. Aécio e Dilma estiveram no Parque de Exposições Assis Brasil no mesmo dia (5 de setembro), para prestigiar o Estado, os agropecuaristas e tentar angariar votos.
Para o ex-ministro da Agricultura e atual presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, o setor será tema prioritário ao futuro presidente, seja ele qual for o vencedor do pleito:
Há consciência unânime de que o agronegócio é uma força importantíssima para a economia e para o plano social do país.
Também ex-ministro da Agricultura, o diretor do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (GV Agro) e presidente do conselho deliberativo da União da Indústria de Cana-de -Açúcar (Unica), Roberto Rodrigues, avalia que o segundo turno "é outra eleição" e explica as razões de seu apoio para Aécio:
É o candidato cuja agenda mais se aproxima do programa apresentado pela Abag (Associação Brasileira do Agronegócio) aos presidenciáveis. Ele restabeleceu o que, para nós, é essencial: uma estratégia voltada ao agronegócio, vinda do presidente da República.
Senadora pelo PMDB e reeleita à presidência da CNA na semana passada, Kátia Abreu está entre os líderes rurais de maior expressão com apoio declarado a Dilma. Kátia é apontada até como futura ministra em caso de vitória da petista. Em carta enviada ao colunista da revista Veja Rodrigo Constanino, quando migrou para o PMDB (da base de apoio a Dilma), a senadora justificou a mudança e a preferência pela presidente:
Não se trata de adesão incondicional, e sim do reconhecimento pessoal à presidente que fez pela agropecuária do país, em dois anos e meio, mais do que seus antecessores fizeram em duas décadas. Entre as iniciativas, listo a reforma do Código Florestal, inimaginável cinco anos atrás, e o freio às demarcações irresponsáveis de terras indígenas. (Zero Hora 21/10/2014)
 

Dilma admite indícios claros de desvios na Petrobras

Dilma: "os indícios são claros de que houve desvio ou não teria havido delação premiada".
A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, evitou responder diretamente sobre a acusação do ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa envolvendo a ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann. Segundo reportagem publicada neste domingo pelo jornal "O Estado de S. Paulo", Costa informou que o esquema de corrupção na estatal repassou R$ 1 milhão à campanha de Gleisi ao Senado, em 2010.
Dilma repetiu no fim da tarde, em coletiva, que há evidências de que houve desvios na Petrobras, mas ressaltou que ainda precisam ser investigados quem estava envolvido e qual foi o montante desviado. "Não se sabe nem quanto (foi desviado) nem quem fez (os desvios)", disse Dilma.
"O que temos até agora são vazamentos, vaza de tudo que é lado. Agora, não se sabe se esses vazamentos são efetivos", acrescentou. "Os indícios são claros de que houve desvio ou não teria havido delação premiada."
Questionada por que então levantou no último debate de TV o caso do vazamento do nome do ex-presidente do PSDB, já morto, Sérgio Guerra, Dilma disse ter sido uma resposta aos ataques do adversário tucano Aécio Neves. "Eu questionei: 'O mesmo tratamento que você dá a algumas pessoas ligadas ao PT você vai dar ao Sérgio Guerra?".
Dilma afirmou na entrevista que "o pau que bate em Chico bate em Francisco" e que, "se os vazamentos forem pertinentes, todo mundo está comprometido". Mas deu a entender que não se pode basear decisões apenas nos vazamentos da delação premiada de Paulo Roberto Costa.
A presidente reclamou de ela e o PT não terem acesso aos depoimentos de Costa, apesar de terem dirigido representações ao Ministério Público e ao Supremo Tribunal Federal. "Se eu não posso saber, por que alguém pode? Se eu tenho interesse direto no sentido de proteger o governo. Não tenho curiosidade mórbida", argumentou.
Dilma repetiu ainda que tem um compromisso com a resolução do caso e ressarcimento da Petrobras dos recursos desviados. "Acho fundamental, e vamos tomar todas as medidas nesse sentido, para garantir o ressarcimento e que quem desviou dinheiro seja punido", afirmou. (Agência Estado 20/10/2014)
 

Estiagem que dói no bolso

Falta de chuvas já se reflete nos preços de alimentos, como o café, que subiu 60% no atacado.
A falta de chuvas já se reflete nos preços de alimentos, e especialistas afirmam que isso será percebido no IPCA-15, a ser divulgado hoje pelo IBGE. Projeta-se alta de até 0,83% do grupo alimentação, que havia dado uma trégua entre junho e agosto. No Sudeste, café, carne e leite sentem mais a estiagem. A safra de cana-de-açúcar também será afetada. Já no Centro-Oeste, o plantio da soja foi adiado por causa da seca, enquanto no Sul esse atraso ocorreu com o arroz pela razão oposta: excesso de chuva.
Levantamento feito pela consultoria MB Agro a pedido do GLOBO, com base em dados do mercado, como do Cepea, mostra que o volume de chuvas no período entre janeiro e setembro deste ano foi de 457 milímetros no município de Guaxupé (MG), com forte produção de café, 58% menor que os 1.087 milímetros de igual período do ano passado. O preço do café no atacado, por sua vez, saltou 60% entre setembro de 2013 e setembro de 2014.
Em Rio Verde (GO), com pecuária forte, o volume de chuva nos nove primeiros meses deste ano foi 38% menor que em igual período de 2013, enquanto o preço da carne bovina subiu 24% entre os meses de setembro do ano passado e deste ano. Já em Uberlândia (MG), com pecuária leiteira, o volume de chuva recuou 45%, enquanto o preço do leite caiu 4%, nas mesmas bases de comparação. Na Região Centro-Oeste, a estiagem levou ao adiamento da plantação da soja.
- No caso do café, é possível observar que uma menor quantidade de chuva acabou levando a um aumento de preço. Na carne bovina e no leite, a falta de chuvas teve influência no preço porque o clima seco prejudica as pastagens, mas não foi o fator determinante. Houve aumento das exportações de carne para a Rússia e expectativa maior de consumo interno, enquanto no leite o preço da ração caiu, o preço no mercado internacional está menor e a captação está maior - explica o engenheiro agrônomo Francisco Queiroz, analista da MB Agro e responsável pelo levantamento.
"Trajetória de alta até o fim do ano"
Tomate, hortaliças, frutas, tubérculos, além de feijão, frango e carne bovina, apontam especialistas, estão mais caros nas gôndolas dos supermercados desde o início deste mês. Segundo Leonardo França Costa, economista da Rosenberg Associados, a pressão do grupo alimentação na inflação deve continuar pelo menos até dezembro. Ele projeta alta de 0,83% do grupo no IPCA-15, contra avanço de 0,28% no mês passado e retração de 0,32% em agosto. Já Fábio Romão, economista da LCA Consultores, estima variação de 0,82% nos alimentos:
- É uma trajetória de alta daqui até o fim do ano. Historicamente, os alimentos ficam mais caros no último trimestre, mas há a seca neste ano. Então, é a sazonalidade majorada pelo clima.
Em pesquisa divulgada ontem, a Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP) confirma essa previsão. O custo de vida do paulistano subiu 0,63% em setembro frente a agosto. Das nove categorias pesquisadas, foi a de alimentação e bebidas que mais colaborou para o resultado, com alta de 1,39%, contra decréscimo de 0,20% um mês antes. Esse resultado, segundo a Fecomércio, deveu-se aos aumentos nos preços da carne bovina e das frutas, de 3,17% e 4,13%, respectivamente. (O Globo 21/10/2014)
 

Commodities Agrícolas

Cacau: Foco na demanda: Os preços do cacau tiveram leve alta ontem na bolsa de Nova York em um dia de poucas oscilações ante indicações divergentes sobre os fundamentos. Os lotes para março fecharam com recuo de US$ 2, a US$ 3.100 a tonelada. Na semana passada, dados de moagem de cacau do terceiro trimestre indicaram baixa demanda na Europa, mas mostraram atividade mais aquecida na América do Norte. Espera-se agora pelos dados de processamento da Ásia para reavaliar o nível do consumo. Os temores sobre eventuais efeitos do ebola na produção e na comercialização continuam dando suporte às cotações. No mercado interno, o preço médio em Ilhéus e Itabuna ficou em R$ 107 a arroba na sexta-feira, de acordo com o último dado disponível da Central Nacional de Produtores de Cacau.
Algodão: Colheita nos EUA: As cotações do algodão voltaram a ceder ontem na bolsa de Nova York, marcando a quinta sessão seguida de desvalorização da pluma no mercado futuro, conforme a colheita da safra 2014/15 avança nos Estados Unidos, recompondo os estoques internos. Os lotes para março fecharam com queda 3 pontos, a 61,70 centavos de dólar por libra-peso. O foco dos traders se mantém no ritmo de colheita das lavouras dos EUA, cujos fundamentos são os que mais influenciam a bolsa. Após o fechamento do pregão, o USDA informou que a colheita continua com leve atraso ante a média histórica, e as plantas em campo continuam com qualidade estável. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,05%, a R$ 1,655 a libra-peso.
Soja: Clima favorável: O clima favorável para a colheita nos EUA e o plantio no Brasil deu um alívio para os investidores do mercado de soja ontem e pressionou os preços do grão na bolsa de Chicago. Os lotes para entrega em janeiro fecharam em US$ 9,5225 o bushel, recuo de 7,5 centavos. O tempo seco no Meio-Oeste dos Estados Unidos deve continuar até o fim da semana, permitindo o avanço da colheita de soja no país. Segundo o USDA, a retirada da soja das lavouras alcançou 53% da área plantada nos EUA até domingo, mas ainda está um pouco atrasada ante a média histórica. No Brasil, o clima mais úmido deve colaborar para o avanço da semeadura no Centro-Oeste. No mercado doméstico, o preço médio da soja no Paraná apurado pelo Deral caiu 1,67%, para R$ 55,41 a saca.
 
Milho: Alta técnica: Embora o mercado do milho esteja submetido às mesmas influências que a soja por causa da colheita concomitante nos EUA, ontem os preços do cereal se descolaram dos da oleaginosa e tiveram leve alta. Os contratos para março fecharam em US$ 3,6175 o bushel, elevação de 0,5 centavo. Alguns analistas acreditam que a cotação do milho esteja próxima de um patamar "mínimo" na bolsa, uma vez que já está abaixo do custo de produção nos EUA e deve desestimular o plantio na próxima safra, como apontou a Informa Economics. Diante da incerteza sobre o rumo do mercado, os investidores buscaram recomprar posições, mesmo com um clima favorável nos EUA para o avanço da colheita. No mercado doméstico, o indicador Esalq/ BM&FBovespa subiu 0,38%, para R$ 23,38 a saca. (Valor Econômico 21/10/2014)