Setor sucroenergético

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Setor sucroenergético vive tormenta

Falta de política energética se soma a novas notícias ruins do mercado.

O mercado de açúcar segue praticamente inalterado, com preços do mercado futuro com pouca apreciação. O mercado físico expõe toda sua fraqueza, com açúcar sendo vendido praticamente ao custo de produção. E se o açúcar não vai bem, o etanol consegue ser ainda pior.

O mercado futuro do petróleo tipo Brent para entrega imediata acumula queda de 19,5% no trimestre e negociava até a última sexta-feira a US$ 84,50 o barril. "Com isso, pela primeira vez em muito tempo, o preço justo do litro da gasolina no Brasil coincide com o preço praticado na bomba, ou seja, de aproximadamente R$ 2,835. Agora não tem mais defasagem. O que passou, passou. O sangramento do caixa da Petrobrás como efeito, entre outras coisas, dessa política perversa comandada pelo Governo Federal, foi finalmente estancado", explica Arnaldo Corrêa, gestor de riscos em commodities agrícolas especialista no setor sucroalcooleiro.

O setor, que imaginava um ajuste nos preços dos combustíveis para que o etanol voltasse a ser competitivo, agora vai ter que conviver com os níveis atuais que não remuneram as usinas. O hidratado hoje é vendido com prejuízo médio de 5,5% em relação ao custo de produção, sem considerarmos o custo financeiro, segundo números da Archer Consulting - empresa de consultoria em mercados de futuros, opções, derivativos e planejamento estratégico para commodities agrícolas.

"Petróleo mais baixo significa que o etanol precisa ser mais baixo para não perder mercado; que remunerando mal implica em mais cana sendo transferida para o açúcar no mix do próximo ano, que se traduz em mais oferta de açúcar no mercado, que significa preços mais baixos. Num círculo perverso que inflige ao setor apenas as agruras sem ter aproveitado as vacas gordas porque a gasolina está congelada", conclui Arnaldo (Brasil Agro 22/10/2014)

 

Unica vê recuperação para o setor sucroalcooleiro em 2015

O presidente do Conselho Deliberativo da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Roberto Rodrigues, avalia que o cenário para o setor sucroenergético em 2015 é de "recuperação".

Em entrevista nos bastidores da 14ª Conferência Internacional Datagro Sobre Açúcar e Etanol, em São Paulo, ele disse os dois candidatos que disputam o segundo turno das eleições presidenciais sinalizaram apoio ao segmento. "O (senador pelo PSDB) Aécio Neves já declarou que dará atenção especial. Se a Dilma (Rousseff, do PT) for reeleita, eu tenho conversado com alguns de seus ministros, há um desejo de se criar condições para que o setor se recupere", afirmou Rodrigues.

Ele, que também é diretor do Centro de Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (GV Agro), comentou que a prioridade será a retomada da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina, mecanismo que devolveria competitividade ao etanol. (Agência Estado 21/10/2014)

 

Açúcar

Apesar do cenário positivo para o açúcar em 2015, devido ao deficit de 3,2 milhões de toneladas, a recuperação dos preços da commodity não deverá vir já nos próximos meses.

Quanto ao etanol, a chegada da entressafra, um período de recuperação de preços, ainda não é garantia de uma aceleração elevada.

Isso porque à estocagem de etanol feita pelas empresas durante a safra e a potencial importação do combustível dos Estados Unidos podem segurar um pouco esse movimento de alta, segundos os analistas do Rabobank. (Folha de São Paulo 23/10/2014)

 

Açúcar: Oferta menor

A divulgação de uma nova estimativa de produção no Brasil menor que projeções anteriores conduziu os preços do açúcar ao campo positivo ontem na bolsa de Nova York.

Maio fechou a 16,76 centavos de dólar por libra-peso, em elevação de 3 pontos.

No dia anterior, após o fechamento das negociações, a consultoria Datagro informou que reduziu tanto sua projeção para a moagem de cana no Centro-Sul do Brasil na safra atual, para 550 milhões de toneladas, quanto sua estimativa para a produção de açúcar, para 31,58 milhões de toneladas.

O mercado espera, agora, novos dados sobre o processamento de cana na região, que serão divulgados hoje. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,25%, para R$ 48,57 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 23/10/2014)

 

Preços azedam sonho africano de exportar açúcar

A corrida do açúcar na África chegou ao fim.

Na maior parte dos últimos dez anos, empresas de dentro e fora da África investiram bilhões de dólares em projetos de produção de açúcar no continente, numa tentativa de aproveitar o crescimento da nova classe média africana. Hoje, usinas em muitos países estão às voltas com estoques insustentavelmente altos. O excesso de oferta vem forçando as empresas a reduzir a produção, suspender novos projetos e fechar usinas.

O culpado: importações baratas. Os países da África subsaariana importam cerca de 5 milhões de toneladas de açúcar por ano de países como Brasil, China e Índia. As importações - em geral pesadamente subsidiadas - são vendidas a preços menores que o custo de produção local, levando os países africanos a evitar o açúcar de seus vizinhos.

Só do Brasil, por exemplo, a África inteira importou 7,5 milhões de toneladas de açúcar entre abril de 2013 e março de 2014 (safra de 2013/14), um salto de 15,4% em cinco anos, segundo dados do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O Brasil possui um custo de produção bem menor que o africano, o que eleva sua competividade. Segundo Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro, especializada no setor sucroenergético, o custo de produção da África do Sul, por exemplo, é cerca de 20% maior que o do Brasil.

Os preços globais do açúcar caíram para US$ 0,135 a libra-peso em setembro na bolsa de futuros ICE, nos Estados Unidos, o menor nível desde abril de 2009. Ontem, o açúcar fechou a US$ 0,165 por libra-peso. A Organização Mundial do Açúcar estimou recentemente que o mundo terá um novo excedente de oferta do produto pelo quinto ano consecutivo no fim da safra de 2014/15, que começou neste mês.

Quatro anos atrás, preços elevados de açúcar estimularam o plantio em países produtores como Brasil, Índia e Tailândia, resultando no excedente atual.

Esse excesso de oferta, e os preços em queda, golpearam os exportadores de açúcar africanos. Uganda, Moçambique, Zâmbia e Malawi devem registrar excedentes na produção deste ano.

A segurança também é um problema. Os caminhoneiros abandonaram estradas propensas a emboscadas e sequestros no leste do Congo, Sudão do Sul e República Centro-Africana, encolhendo mercados antes expressivos.

Por outro lado, países relativamente estáveis, como Quênia e Ruanda, aumentaram impostos numa tentativa de proteger a indústria doméstica contra as importações, o que tornou esses promissores mercados quase inacessíveis aos países vizinhos.

Não era para ser assim. A nova classe média africana triplicou de tamanho desde 2000, segundo estudo recente do banco sul-africano Standard Bank. De olho nesse mercado crescente, multinacionais como a britânica Associated British Foods PLC e a indiana Mahakaushal Sugar & Power Industries Ltd. investiram na produção de alimentos processados que usam açúcar.

Analistas argumentam que o próprio continente tem potencial para abrandar o problema.

"Há um enorme mercado para o açúcar na África", diz Edward George, chefe de pesquisa do Ecobank, uma instituição pan-africana. "Os produtores precisam lidar com as barreiras comerciais, reduzir os custos de produção [...] e negociar mais entre eles."

O setor de açúcar na África, entretanto, parece estar cada vez mais em dificuldades.

Um dos incentivos originais à expansão era ganhar acesso ao mercado da União Europeia. Mas, até 2017, a UE, que compra da África cerca de 35% do açúcar que consome, vai dar fim às políticas de comércio preferencial que possibilitaram as importações da região, reduzindo ainda mais um mercado vital para as usinas africanas. A UE quer encorajar mercados mais livres de açúcar.

A produtora de açúcar Madhavani Group, da Uganda, e a tanzaniana EcoEnergy Africa suspenderam grandes projetos diante do cenário desfavorável, dizem executivos das empresas. Em agosto, a estatal queniana Muhoroni Sugar Co. parou de moer cana-de-açúcar depois de perder a disputa contra as importações baratas. A Muhoroni está entre as cinco usinas estatais do Quênia que possuem, juntas, uma dívida de US$ 500 milhões, segundo o Conselho de Açúcar do país.

Mesmo os produtores de países com baixo custo, como a África do Sul, que utiliza tecnologia e métodos mais avançados, não foram poupados do impacto do excedente global de açúcar.

Donald MacLeod, presidente do conselho de administração da Illovu Sugar Ltd., maior produtora de açúcar da África, disse que o açúcar importado barato estava criando dificuldades para a firma. E as vendas de açúcar da sul-africana Tongaat Hulett no Zimbábue caíram 25% na safra de 2013/14 em meio a um surto de importações baratas, informou a empresa. Suas operações em Moçambique também sofreram.

Os governos africanos estão tentando ajudar.

Em abril, pela primeira vez em quatro anos, a Comissão de Administração de Comércio Internacional da África do Sul impôs tarifas ao açúcar importado para amenizar seus efeitos sobre as usinas que concorrem com o Brasil, Tailândia e China. Mas em mercados como Quênia e Uganda, importações ilegais são reembaladas com embalagens locais para esconder a origem verdadeira, segundo autoridades do comércio.

O secretário de Agricultura do Quênia, Felix Koskei, disse que o governo trabalha num plano para quitar as dívidas das usinas numa tentativa de recuperá-las. Mas autoridades do setor de comércio dizem que as usinas do Quênia vão precisar de mais do que isso. A baixa produtividade resultante de métodos antiquados de plantio e processamento continuará a afetar o setor, dizem. (Valor Econômico 23/10/2014)

 

Unica defende presença do etanol brasileiro no programa da Califórnia

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA) enviou na quarta-feira (15/10) e na quinta (16/10), duas cartas formais ao Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia (California Air Resources Board – CARB); manifestando-se a respeito das novas metodologias para calcular os Efeitos Indiretos do Uso da Terra (ILUC) dos diferentes tipos de biocombustível e também da avaliação da disponibilidade de biocombustíveis para suprir o Programa Californiano de Padrão de Combustíveis de Baixa Emissão de Carbono (Low Carbon Fuel Standard - LCFS).

A primeira carta apresenta considerações sobre as mudanças no cálculo dos impactos indiretos da mudança do uso da terra associada a expansão da produção de etanol de cana-de-açúcar do Brasil, sob o ponto de vista de emissões de gases causadores do efeito estufa. Duas metodologias para calcular o ILUC dos diferentes biocombustíveis foram propostas, e a UNICA apresentou argumentos técnicos defendendo a abordagem que reduz as emissões indiretas de CO2, causadas pela expansão da cana no Brasil em cerca de 20% da proposta apresentada no inicio de 2014 (de 26,5 g/MJ para 21,3 g/MJ).

A segunda carta traz uma avaliação sobre o potencial de produção e exportações brasileiras de etanol. O CARB propõe que haja em 2020, uma disponibilidade do biocombustível a base de cana-de-açúcar, vindo do Brasil, entre 0,8 e 1,75 bilhão de galões (algo ente 3 e 6,6 bilhões de litros). A UNICA enviou comentários apoiando a manutenção desses valores. Apesar de a entidade não ter apresentado estimativas específicas, deixou claro que, havendo a demanda e os incentivos financeiros adequados, o setor já demonstrou dinamismo suficiente para atender os volumes estimados.

Dentre outros argumentos, a entidade brasileira mostrou o grande potencial de crescimento da oferta de etanol no Brasil, seja por meio dos ganhos de produtividade da atividade agrícola e industrial, destacando o etanol de segunda geração, seja pela possibilidade da expansão sustentável da produção de cana. A nota detalhou também os futuros investimentos em logística e infraestrutura, que irão aumentar a competitividade das exportações brasileiras, além da atual capacidade industrial ociosa e a da flexibilidade da indústria brasileira.

“O CARB deixou claro que precisava de um sinal forte do Brasil sobre esta disponibilidade de etanol de cana no mercado californiano, e procuramos demonstrar claramente a nossa capacidade em atender essa demanda. Além disso, nos colocamos à disposição para ajudar nos trabalhos sobre cenários econômicos para dar mais robustez às análises, se assim entendessem,” disse a representante da UNICA em Washington, Letícia Phillips.

O CARB vai finalizar essa rodada de atualizações até o fim do ano de 2014 para serem apresentadas ao seu Conselho em fevereiro de 2015. Por esta razão, com o objetivo de garantir o espaço para o etanol brasileiro dentro do LCFS, a UNICA acompanha de perto e participa de todo o processo. (UNICA 22/10/2014)

 

Safra de cana deve ficar em 544 mi de t no Centro-Sul, prevê Canaplan

As usinas e destilarias do Centro-Sul do Brasil devem encerrar a safra 2014/2015 com um processamento de 544 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, de acordo com a nova estimativa da Canaplan, divulgada nesta quarta-feira (22/10), durante a segunda reunião da consultoria, este ano, em Ribeirão Preto (SP).

O volume moído representará uma queda de 8,87% sobre as 596,94 milhões de t processadas na safra passada e ficará praticamente na meta de 540 milhões de toneladas estimadas pela Canaplan no primeiro encontro deste ano, em abril. À época, a consultoria previu ainda que o processamento variaria de 525 milhões de toneladas a 555 milhões de toneladas em 2014/15. Segundo o sócio-diretor consultoria, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, o processamento dessa cana deve proporcionar um total entre 73,5 milhões e 74,2 milhões de toneladas de Açúcar Total Recuperável (ATR) e a grande mudança durante a safra será o mix de destino da matéria prima.

A Canaplan reduziu de 45,2% para 43% o destino da cana para a produção do açúcar e ampliou de 54,8% para 57% o do etanol. "A queda nos preços do açúcar fez com que o etanol fosse priorizado", disse Carvalho. A produção de etanol deve variar de 25,57 bilhões de litros, na safra 2013/14 para entre 24,7 bilhões e 25 bilhões de litros na atual safra, ante uma estimativa anterior de 23,7 bilhões de litros feita em abril.

Já a produção de açúcar deve sair de 34,29 milhões para 30,8 milhões de toneladas entre as safras, segundo estimativa da consultoria. Na primeira projeção, a Canaplan esperava uma produção de 31,8 milhões de toneladas de açúcar. Se confirmadas as previsões, a queda produção de etanol será até 2,7% e a de açúcar deve diminuir em 10,2% entre as safras. (Agência Estado 22/10/2014)

 

S&P rebaixa ratings do Grupo Virgolino de Oliveira

A Standard & Poor's (S&P) anunciou o rebaixamento dos ratings do Grupo Virgolino de Oliveira (GVO) de B para CCC- em moeda estrangeira e de brBB- para brCCC em moeda nacional. A S&P ainda colocou a companhia sucroenergética em CreditWatch com implicações negativas, ou seja, com a possibilidade de um novo rebaixamento. Na segunda-feira, 20, a companhia confirmou ter iniciado uma reestruturação financeira junto aos detentores de US$ 735 milhões em bonds emitidos no exterior. No mercado, a sinalização é de que o deságio sobre os papéis possa chegar a 85% do valor dos títulos.

Segundo comunicado da S&P, o rebaixamento reflete a redução na disponibilidade de crédito para o GVO, o que dificulta sua capacidade para refinanciar vencimentos de dívida de curto prazo e financiar necessidades de capital de giro, com pressão na liquidez da empresa. "O GVO tem enfrentado dificuldades para rolar algumas dívidas e vem pagando gradativamente a dívida com a Copersucar. Ao mesmo tempo, sua geração de fluxo de caixa operacional será mais fraca em 2015 do que prevíamos anteriormente, por causa dos preços globais do açúcar e etanol historicamente baixos, os quais atualmente não indicam uma tendência de recuperação", informou a agência.

Ainda de acordo com S&P; o volume de moagem de cana-de-açúcar do GVO na safra 2014/2015 será menor do que o da safra anterior, para abaixo de 9,5 milhões de toneladas, em função da seca no Centro-Sul do Brasil. "Caso o GVO não consiga financiar seu capital de giro, isso lhe impedirá de investir nas plantações, diminuindo a produtividade e os volumes de safras futuras", informou. "O CreditWatch negativo reflete um possível rebaixamento adicional nos ratings se acreditarmos que um default é quase certo no caso de a empresa não conseguir refinanciar sua dívida de curto prazo, ou se acreditarmos que a GVO não realizará os pagamentos de juros referentes aos seus bonds em circulação, cujos vencimentos serão em janeiro e fevereiro de 2015", completou.

A S&P ameaça, ainda, rebaixar os ratings da GVO para CC se a companhia anunciar uma proposta de aditamento sob condições desfavoráveis ao investidor. "Ou reestruturação similar que classifiquemos como distressed". Uma nova posição sobre o CreditWatch deve ser anunciada nos próximos 90 dias. "Assim que tivermos uma visão mais clara sobre as negociações. (Agência Estado 22/10/2014

 

Banco prevê queda de custo para produtores no quarto trimestre

O quarto trimestre pode apresentar algumas reduções de custos dos insumos para os produtores, principalmente fertilizantes. Mas a tendência de queda de preços dos grãos permanece, principalmente para soja e milho. No caso do café, a florada das lavouras brasileiras vai determinar perspectivas de safra e de preços no mercado.

São perspectivas apontadas pelo relatório agrícola de outubro a dezembro do Rabobank, especializado em agronegócios. Para o setor de fertilizantes, o banco prevê que a cadeia deve trabalhar com estoques mundiais confortáveis. Isso devido a uma queda de preços das commodities, à perda de renda dos produtores e à demanda mais equilibrada.

No caso do Brasil, as importações têm crescido, o que também deverá manter as empresas com estoques confortáveis. Além disso, o país deverá ter uma redução de demanda no final do ano, gerando uma provável pressão para baixo dos preços. Tudo isso, no entanto, vai depender do comportamento do dólar, influenciado pelas eleições presidenciais.

Apesar do cenário positivo para o açúcar em 2015, devido ao deficit de 3,2 milhões de toneladas, a recuperação dos preços da commodity não deverá vir já nos próximos meses. Quanto ao etanol, a chegada da entressafra, um período de recuperação de preços, ainda não é garantia de uma aceleração elevada. Isso porque a estocagem de etanol feita pelas empresas durante a safra e a potencial importação do combustível dos Estados Unidos podem segurar um pouco esse movimento de alta, segundos os analistas do Rabobank.

O café, em alta nos últimos meses, poderá até ter uma recuperação maior de preços. Isso porque o mercado está de olho na florada das lavouras brasileiras. As chuvas esporádicas de agosto provocaram uma antecipação da florada, mas as plantas não seguraram as flores. A quebra de safra no ano passado foi compensada pelos estoques das anteriores. Um nova quebra em 2015, no entanto, vai afetar o fluxo de exportações, elevando os preços.

Quanto à soja, a produção mundial de 311 milhões de toneladas supera o consumo de 284 milhões em 2015. Esse superavit permite uma recuperação dos estoques, que podem confirmar as quedas de preços no setor.

No caso do milho, os analistas do banco consideram que os EUA recuperam parte da fatia do mercado internacional, o que dificultará ainda mais a recuperação das exportações brasileiras, que já são menores neste ano do que as do anterior.

Outra notícia ruim para o mercado é que os estoques mundiais de algodão poderão beirar os 20 milhões de toneladas, atingindo um volume recorde e puxando os preços para baixo. A saída para o Brasil é a concretização das perspectivas de um bom desenvolvimento macroeconômico no quarto trimestre deste ano, aponta o Rabobank. (Folha de São Paulo 23/10/2014)

 

Chuvas devem atingir áreas agrícolas do país entre 27 e 31 de outubro, diz Somar

Chuvas generalizadas devem ocorrer por todas as áreas agrícolas do Brasil, incluindo lavouras de café, cana e grãos, entre 27 e 31 de outubro, com a chegada de uma nova frente fria, afirmou a Somar Meteorologia nesta quarta-feira.

Atingido severamente pela seca este ano, o Estado de Minas Gerais, maior produtor de café do Brasil, já vai começar a receber mais chuvas nos próximos dias.

Entre 15 e 70 milímetros de precipitações são esperados a partir de 22 de outubro, até o dia 26.

Até 15 milímetros de chuvas atingiram o Estado nos últimos sete dias.

Chuvas mais fortes vão continuar até 11 de novembro.

Pesadas e consistentes chuvas são necessárias para reduzir o que pode ser o maior déficit hídrico já registrado em Minas Gerais e despertar as floradas para a safra de 2015.

As chuvas também são importantes para favorecer o plantio de milho e soja da safra 2014/15. As atividades registram atrasos em muitas áreas do país. (Reuters 22/10/2014)

 

Usinas de cana fecharam 6 mil vagas em setembro

O efeito da crise no setor sucroalcooleiro ficou mais evidente nos números de emprego referentes a setembro do que a mecanização dos canaviais. Em um mês, mais de seis mil postos de trabalho foram fechados em usinas de cana-de-açúcar do Centro-Sul, a maior parte de cortadores de cana, mas também com dispensas nos departamentos ligados à mecanização agrícola.

Em setembro, o setor empregou em todas as funções, em média, 481.187 pessoas, recuo de 1,25%, ou 6.131 vagas em relação a agosto, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) compilados pelo projeto de ocupação sucroalcooleira da Unesp de Jaboticabal (SP). Em relação a setembro do ano passado, houve queda de 8,4%, com fechamento de 44.452 vagas. No acumulado dos nove meses do ano, o número de trabalhadores no setor caiu 32.626, ou 6,5% abaixo do registrado no mesmo intervalo de 2013.

Os trabalhadores que lidam diretamente com o corte da cana foram os mais afetados em setembro. O número de pessoas empregadas nessa atividade recuou 2,3% no mês em relação a agosto e 21,15% na comparação com setembro de 2013. No acumulado do ano, a queda foi de 19%, com 31.985 vagas a menos.

Apesar de em menor escala, o número médio de empregados nas funções ligadas à mecanização também caiu mês passado, para 74.149 pessoas, recuo de 695 vagas, ou 0,9%, na comparação com agosto. Em relação a setembro de 2013, houve aumento de 1,85%, com acréscimo de 1.353 vagas. No acumulado do ano, esse contingente de trabalhadores subiu 4,2%, para 72.334 pessoas, 2.931 vagas acima do observado em igual período de 2013. (Valor Econômico 23/10/2014)

 

Governo segura divulgação de dados que podem afetar campanha de Dilma

Estatísticas sobre 7 milhões de alunos e resultado da arrecadação de tributos em setembro ficam para depois da eleição. Órgãos responsáveis apontam questões administrativas, técnicas e legais para justificar adiamento.

Por decisão do governo federal, o país chegará ao segundo turno da eleição presidencial no domingo sem ter dados atualizados sobre o desempenho dos alunos em português e matemática e a arrecadação de tributos, estatísticas potencialmente negativas para a campanha da presidente Dilma Rousseff.

Como a Folha informou, também só serão divulgados depois da eleição dados sobre o desmatamento e um novo estudo sobre o contingente de pobres e de miseráveis.

Avaliações independentes ou informações oficiais já publicadas sinalizam que os indicadores mostrarão piora nessas duas áreas.

Diferentes instituições do governo Dilma Rousseff responsáveis por esses dados apontam questões técnicas, administrativas ou legais para explicar o que houve.

No caso da educação, tradicionalmente até agosto são apresentados os resultados de um exame nacional aplicado, a cada dois anos, a mais de 7 milhões de alunos.

Em setembro, o Ministério da Educação divulgou indicador que usa como base a prova de 2013 e a taxa de aprovação dos alunos --o Ideb--, sem mostrar qual foi o resultado em cada âmbito.

Assim, não é possível saber como está o nível atual dos estudantes brasileiros em português e matemática.

Por meio de dados secundários do próprio ministério, é possível estimar que os estudantes do ensino médio tiveram notas piores na prova nacional, mas menor reprovação nas escolas.

Os colégios nesse nível de ensino são mantidos majoritariamente pelos Estados, mas cabe à União induzir melhorias no sistema.

Já os alunos do ensino fundamental devem ter obtido desempenho positivo nas duas matérias.

Associação de funcionários do Inep (órgão que organiza a prova) divulgou carta pedindo autonomia ao órgão e "proteção frente a demandas de caráter privado".

O professor da USP Ocimar Alavarse, especialista em avaliações educacionais, afirma que o intervalo entre a aplicação da prova (novembro de 2013) e a divulgação dos resultados (provavelmente novembro de 2014) "limita a análise" dos dados.

ECONOMIA

Outra informação que será divulgada apenas após as eleições é o resultado da arrecadação de tributos em setembro. Mantida a tendência recente, a arrecadação será menor do que a esperada pela gestão Dilma.

O anúncio normalmente ocorre até o dia 25. Em abril, maio e junho, porém, foi feito após essa data (nos dias 27, 26 e 28, respectivamente).

Na aferição do desmatamento da Amazônia, cujos resultados são divulgados todo mês, apenas em novembro serão publicados os dados de agosto e setembro.

Segundo análise da ONG de pesquisa Imazon, a taxa subiu 191% se comparado os bimestres de 2013 e 2014.

Outra divulgação postergada foi o estudo do Ipea que analisará o número de miseráveis no país. Um diretor chegou a pedir afastamento devido à decisão.

Segundo pesquisa do Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade), houve, no ano passado, pequeno aumento no número de indigentes. A informação já foi usada pelo tucano Aécio Neves em sua campanha. (Folha de São Paulo 23/10/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Oferta menor: A divulgação de uma nova estimativa de produção no Brasil menor que projeções anteriores conduziu os preços do açúcar ao campo positivo ontem na bolsa de Nova York. Maio fechou a 16,76 centavos de dólar por libra-peso, em elevação de 3 pontos. No dia anterior, após o fechamento das negociações, a consultoria Datagro informou que reduziu tanto sua projeção para a moagem de cana no Centro-Sul do Brasil na safra atual, para 550 milhões de toneladas, quanto sua estimativa para a produção de açúcar, para 31,58 milhões de toneladas. O mercado espera, agora, novos dados sobre o processamento de cana na região, que serão divulgados hoje. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,25%, para R$ 48,57 a saca de 50 quilos.

Café: Chuva no Brasil: O clima úmido em regiões produtoras de café do Brasil abriu espaço para mais uma forte queda dos preços da commodity ontem na bolsa de Nova York. Março fechou com desvalorização de 845 pontos, a US$ 1,953 a libra-peso. No início da sessão, as cotações até que esboçaram uma reação, mas a indicação de que novas chuvas devem voltar a cair no Sudeste brasileiro na semana que vem esfriou o ímpeto dos investidores e abriu espaço para vendas de posições dos fundos. O registro de chuvas e temperaturas mais amenas na região têm tirado o suporte dos preços, mas produtores afirmam que muitas perdas ocorridas até agora para a safra 2015/16 são irreversíveis. No mercado interno, o preço do café de boa qualidade apurado pelo Escritório Carvalhaes variou entre R$ 480 e R$ 490 a saca de 60,5 quilos.

Cacau: Ligeira alta: As cotações do cacau registraram leve avanço ontem na bolsa de Nova York, impulsionadas mais por movimentos técnicos do que por fundamentos. Os contratos da amêndoa com vencimento em março fecharam com alta de US$ 1, a US$ 3.090 a tonelada. As compras não tiveram potencial suficiente para impulsionar mais o mercado, já que a colheita de cacau está avançando no oeste da África, onde se concentra a produção de cerca de dois terços da safra mundial. As preocupações em torno de eventuais efeitos da epidemia de ebola no mercado continuam oferecendo sustentação aos contratos. No mercado interno, o preço médio do cacau nas praças de Ilhéus e Itabuna mantiveram-se em R$ 110 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Poucas oscilações: O algodão registrou poucas oscilações na bolsa de Nova York ontem, mas fechou com ligeira alta. Os lotes para março de 2015 fecharam o pregão com valorização de 1 ponto, a 61,92 centavos de dólar por libra-peso. A colheita está avançando no sul dos EUA (onde se concentram as lavouras da pluma no país), favorecida pelo clima seco. Para as próximas semanas, porém, estão previstas algumas chuvas, o que pode aumentar o atraso dos trabalhos. Os fundamentos da atual temporada, porém, continuam "baixistas", à medida que a China reforça sua política de redução de importações para aumentar a venda de algodão armazenado nos estoques públicos. No oeste da Bahia, a arroba da pluma foi negociada a R$ 51,58, conforme a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba). (Valor Econômico 23/10/2014)