Setor sucroenergético

Notícias

Belagrícola vai do campo à prateleira

Regularmente assediada por grandes multinacionais do agribusiness, como Cargill e ADM, a Belagrícola resiste aos forasteiros e segue sua carreira solo cercada de expressivas cifras.

Muito próxima de atingir, pela primeira vez, a marca de US$ 1 bilhão de faturamento, a empresa está prestes a tirar do forno um plano de investimentos da ordem de R$ 300 milhões para os próximos dois anos.

Oficialmente, a companhia nega os aportes. Mas, segundo fonte próxima à empresa, a Belagrícola pretende verticalizar sua operação, com a criação de um braço industrial e o ingresso no varejo. O projeto da empresa é produzir óleos e bebidas a base de soja, milho e trigo.

Nem tudo são flores nos campos da Belagrícola. A entrada no varejo alimentício é uma aposta motivada pela queda das margens de lucro e do ritmo de crescimento cada vez menor do mercado de soja.

Em 2011, o faturamento do grupo subiu 50%, muito em razão da exportação da commodity. Nos últimos dois anos, a média de aumento da receita não passou dos 16%. Esse resultado só não foi menor porque a Belagrícola tem conseguido manter um volume de exportações sempre acima dos US$ 500 milhões. (Jornal Relatório Reservado 24/10/2014)

 

Produção de açúcar sobe e venda de etanol cai

O relatório da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) sobre o desempenho da safra 2014/15 no Centro-Sul na primeira quinzena de outubro trouxe duas notícias ruins para as usinas. A primeira é que a produção de açúcar aumentou, o que pressionou os futuros já combalidos da commodity na bolsa de Nova York. A segunda é que, apesar de todos os esforços do setor e dos preços convidativos do etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, o motorista brasileiro parece relutante em deixar de usar a gasolina.

Nos primeiros 15 dias de outubro, a ausência de chuvas permitiu uma moagem acelerada de cana, o que resultou em mais oferta de açúcar e etanol. A produção da commodity cresceu 24,17% no período, e, no acumulado da safra, superou em 0,72% o produzido em mesmo intervalo de 2013/14.

Mesmo com os sinais de que a atividade das usinas do Centro-Sul deve arrefecer nas próximas quinzenas, o mercado em Nova York reagiu com pessimismo. Os contratos da açúcar para março caíram 2,06%, ou 34 pontos, a 16,16 centavos de dólar por libra-peso, o menor valor desde 2 de outubro.

Diante do momento ruim do açúcar, as usinas apostavam suas fichas no etanol, mas o consumo parece não estar reagindo. Assim como vem acontecendo desde o início da safra, em maio, a venda de hidratado pela indústria na primeira quinzena do mês caiu 1,82%, para 611,9 milhões de litros. No acumulado da temporada, a venda de hidratado caiu 4,8%, para 7,053 bilhões de litros. A expectativa do setor é de que o consumo mensal de hidratado saia do patamar de 1,1 bilhão de litros para níveis entre 1,2 bilhão e 1,3 bilhão de litros para escoar toda a oferta até abril do ano que vem, quando começa a moagem da nova safra.

A perspectiva, porém, é de que a quebra agrícola em São Paulo aumente nas próximas quinzenas e que a safra seja finalizada logo. Até 15 de outubro, 22 usinas haviam concluído a moagem, ante seis em igual período do ano passado. (Valor Econômico 24/10/2014)

 

Raízen começa a produzir etanol 2G em novembro

Entrou em fase de comissionamento, este mês, a unidade de produção de etanolde segunda geração da Raízen, empresa sucroenergética criada a partir de joint venture entre Shell e Cosan. A produção do biocombustível está prevista para final de novembro. A capacidade é para 40 milhões de litros anuais, segundo informação do diretor de Operações da companhia, Pedro Mizutani.

O projeto, que passou a funcionar junto à usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP), começou a ser construído em 2012 e ficou pronto em tempo recorde, custou R$ 230 milhões, investimento que contou com aporte do BNDES. O processo, a exemplo do que acontece com o empreendimento da GranBio, que iniciou operação um pouco antes, ainda em setembro, também usa enzimas da Novozymes. Boa parte dos estudos para obtenção do 2G foi desenvolvida, a partir de 2009, no Canadá, em subsidiária de biotecnologia da Shell. Pesquisadores da Raízen trabalharam um ano e meio naquele país. Foram exportadas 1 mil toneladas de bagaço para os experimentos.

"O desafio é chegar a um preço comercial. Há muito ainda o que apreender", avalia o executivo que estima ainda mais dois ou três anos para que o 2G fique com custo equivalente ao de primeira geração. A palha também será uma das matérias primas utilizadas e foi criado inclusive um algoritmo capaz de determinar qual a melhor forma de transporta-la à usina. Dependendo da distância de onde vai ser recolhida poderá vir enfardada ou já misturada à cana. (Energia Hoje 23/10/2014)

 

Novozymes fará enzima para etanol 2G no Brasil

O presidente da Novozymes no Brasil, Pedro Luiz Fernandes, anunciou que a empresa de biotecnologia terá, em breve, fabricação local de enzimas para produção deetanol 2G no Brasil. A companhia dinamarquesa tem participação na americana Beta Renewables, detentora da tecnologia de produção de etanol de segunda geração.

Nos próximos 12 meses, estima de 20 a 25 novas usinas de 2G entrarão em operação no mercado internacional. Fernandes explica que o novo biocombustível não vai competir com o etanol tradicional. Vai ser uma produção complementar, segundo ele. Mas haverá sim, prevê, alguma competição por matéria prima celulósica (bagaço e palha) entre a produção de etanol 2G e a geração de energia elétrica nas usinas. Ele enxerga vantagem somente em contratos de longo prazo, obtidos em leilões para o mercado regulado.

Do contrário, para fornecimento ao mercado spot, valerá mais a pena destinar bagaço para o processo 2G. (Energia Hoje 23/10/2014)

 

Brasil dobrará importações de etanol na safra 2014/15, prevê Datagro

O Brasil deverá dobrar as importações de etanol na temporada 2014/15 na comparação com a safra anterior, para 600 milhões de litros, numa temporada de quebra de produção de cana devido à seca e com o setor se preparando para uma entressafra mais longa no centro-sul, avaliou nesta quinta-feira a consultoria Datagro.

Do total, a região centro-sul deverá importar 180 milhões de litros, e o Norte/Nordeste outros 420 milhões.

Na temporada passada, as importações do centro-sul, maior região produtora de cana, somaram 60 milhões de litros, enquanto as do Norte/Nordeste atingiram 250 milhões de litros.

"No centro-sul, (as importações) já começaram. No Norte/Nordeste, também", declarou o presidente da Datagro, Plinio Nastari, em entrevista ao Trading Brazil, chat da Thomson Reuters.

Tradicionalmente, o Brasil importa etanol dos Estados Unidos, o maior produtor global do biocombustível. (Reuters 23/10/2014)

 

Até 15 de outubro, 22 usinas encerraram moagem de cana no Centro-Sul

SÃO PAULO - Até o fim da primeira quinzena de outubro, 22 usinas de cana-de-açúcar do Centro-Sul haviam encerrado a moagem da safra 2014/15, número bem acima do observado no mesmo período do ano anterior, quando seis plantas haviam finalizado as atividades.

Conforme a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), essas 22 unidades processaram uma quantidade de cana-de-açúcar 23% menor na comparação com o registrado na safra 2013/14.

De acordo com o diretor-técnico da Unica, Antônio de Padua Rodrigues, os números preliminares de outubro mostram que a quebra agrícola deve ser ampliada em São Paulo nas próximas quinzenas. “Esse cenário já foi contemplado na revisão publicada há dois meses pela Unica, que não pretende divulgar nova estimativa até o final da atual safra”, afirmou Rodrigues.

De acordo com o levantamento realizado pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a produtividade agrícola dos canaviais colhidos no Centro-Sul em setembro totalizou 69,3 toneladas por hectare, contra 75,4 toneladas por hectare verificadas no mesmo período de 2013 (queda de 8,1%).

No acumulado desde o início da safra até o fim de setembro, a produtividade alcançou 76,3 toneladas por hectare, com retração acumulada de 7,2% em relação às 82,2 toneladas por hectare observadas até a mesma data do ano anterior.

Na primeira quinzena de outubro, a moagem de cana no Centro-Sul cresceu 25,74%, para 39,341 milhões de toneladas, segundo a Unica. Desde o início da safra, a moagem acumulada da matéria-prima aumentou 1,45%, a 480,7 milhões de toneladas.

A produção de açúcar subiu 24,17%, a 2,368 milhões de toneladas na quinzena, na comparação com igual intervalo da safra passada. No acumulado do ciclo, a fabricação da commodity subiu 0,72%, a 27,4 milhões de toneladas.

Conforme a Unica, a produção de etanol subiu 41% na quinzena, para 1,913 bilhão de litros, enquanto que, no acumulado da temporada, o crescimento é de 6,67%, para 21,589 bilhões de litros. (Valor Econômico 24/10/2014)

 

Odebrecht Agro prevê usina de etanol celulósico em 2016

A Odebrecht Agroindustrial confirmou em seu relatório anual, divulgado no final da semana passada, a previsão de que sua unidade de etanol celulósico entrará em operação no final de 2016.

A expectativa é que a usina, a ser integrada com a primeira geração, tenha capacidade para fabricar aproximadamente 80 milhões de litros de etanol de segunda geração.

Nos cálculos da empresa, a produção de biocombustível da usina aumentaria em 30%, com o uso do bagaço e da palha da cana, aumentando a produtividade ao passo que extrai mais etanol a partir da mesma quantidade de biomassa.

“A nova tecnologia, quando concluída, trará ganhos expressivos à produção de etanol, em relação ao etanol de 1ª geração”, diz o relatório.

A iniciativa está sendo realizada pela Odebrecht Agroindustrial em parceria com a empresa dinamarquesa Inbicon.

Durante a safra foi concluída a segunda etapa dos testes para comprovar a viabilidade da tecnologia escolhida. A empresa enviou amostras de bagaço de cana de suas usinas à Dinamarca, para a planta de demonstração já montada. Alguns ajustes foram feitos para essa última etapa de testes.

Apesar das perspectivas positivas, a empresa informou que ainda não foi confirmada a competitividade do processo, por isso a instalação da usina ainda não é uma certeza.

Após a validação da tecnologia deverá ser formatado um projeto de viabilidade econômica para formalizar a continuidade da sociedade com a Inbicon na implantação e gestão da tecnologia.

Quando a fase de testes for concluída, terá demandado aportes de R$ 8 milhões, com recursos da Finep, via Programa de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (Paiss), do BNDES. (UDOP 23/10/2014)

 

Biotecnologia avança no setor de celulose

Quarto maior produtor mundial de celulose, o Brasil mantém essa posição há cinco anos graças aos investimentos em pesquisa e desenvolvimento, especialmente no campo do melhoramento genético do eucalipto, principal matéria prima para a celulose de fibra curta. Já se vão trinta anos desde que o cultivo de eucalipto para produção de celulose e papel passou por uma transformação radical, quando o plantio com sementes cedeu lugar ao de mudas clonadas de espécies selecionadas e melhor adaptadas ao clima e solo brasileiros. Hoje as pesquisas em biotecnologia se ampliaram e as grandes empresas do setor lançaram mão de novas tecnologias para aumentar sua competitividade, como a agricultura de precisão e robôs para monitoramento de florestas.

Caçula do setor no Brasil, a Eldorado Brasil Celulose, empresa controlada pela J&F Investimentos, dona da JBS, opera há dois anos em Três Lagoas (MS) e já é considerada uma das fábricas mais inovadoras do setor no mundo. Fruto de um investimento de R$ 6,2 bilhões, a unidade foi projetada para ter uma matriz energética sustentável, utilizando resíduos do processo produtivo da celulose para produzir toda a energia elétrica que consome. As caldeiras produzem 180 megawatts/hora de energia, sendo que 90 MW/h são consumidos na produção e o restante, comercializado. O controle da operação industrial é feito por sistemas automáticos e informatizados, que checam cada etapa da produção e antecipam possíveis falhas. Projetada para produzir 1,5 milhão de toneladas/ano de celulose, a fábrica já opera a 110% da capacidade e deve fechar 2014 com produção de 1,7 milhão de toneladas - 90% destinados à exportação.

"Somos uma empresa nova, operamos há sete trimestres e ainda estamos em consolidação da proposta estratégica. O plano é chegar a 4 milhões de toneladas de celulose até 2017, e a forma de se chegar lá é a partir da inovação", diz José Carlos Grubisich, diretor presidente da Eldorado. Com isso, chegará perto da produção da Fibria - maior produtora mundial de celulose, com 4,7 milhões de toneladas em 2013. A expansão da produção, segundo o executivo, se concentrará na unidade de Três Lagos. Considerado um gestor arrojado, Grubisich tem experiência em empresas inovadoras: anteriormente esteve à frente da petroquímica Braskem, onde desenvolveu o chamado plástico verde (polietileno feito a partir da cana-de-açúcar) e da empresa de bioenergia ETH, do grupo Odebrecht.

Antes de chegar à etapa industrial, o processo de pesquisa e desenvolvimento começa nos laboratórios da empresa, na produção das mudas clonais de eucalipto. A Eldorado trabalha com um banco de matrizes e produz mudas por meio de técnicas de reprodução e seleção genética, mas o objetivo da empresa, nos próximos cinco anos, é patentear o primeiro clone próprio. Num horizonte de 15 anos, a meta é patentear o clone geneticamente modificado. "Serão novas variedades de eucalipto, mais produtivas e adaptadas ao clima e ao solo da região de Três Lagoas", diz Grubisich.

Do laboratório para o campo, o plantio recorre a técnicas de agricultura de precisão e, desde o ano passado, vem utilizando veículos aéreos não tripulados (drones) para monitorar as florestas. "Fomos pioneiros no setor florestal em aplicar essa tecnologia em larga escala. Hoje, já são 98 mil hectares de eucalipto monitorados por imagens fornecidas pelos drones", afirma. Juntas, as tecnologias já permitem uma produtividade da ordem de 42 metros cúbicos de madeira por hectare/ano, acima da média do setor no Brasil, que é de R$ 38 metros cúbicos/hectare/ano.

Uma das empresas brasileiras mais tradicionais do segmento de papel e celulose, a Klabin está apostando na produção de celulose de fibra longa como estratégia para os próximos anos. A empresa investirá R$ 5,8 milhões em nova fábrica no município de Ortigueira (PR). Prevista para ser inaugurada no primeiro semestre de 2016, a unidade terá capacidade para produzir 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano, sendo 1,1 milhão de toneladas de celulose de fibra curta e 400 mil toneladas de celulose de fibra longa. Parte dessa celulose será convertida em fluff, material utilizado na produção de fraldas descartáveis e absorventes. (Valor Econômico 24/10/2014)

 

Etanol, uma oportunidade para o Brasil: Julio Bueno

O título desse artigo pode levar o leitor a acreditar que foi enviado, em uma máquina do tempo, para a década de 70. Mas, como é frequente no Brasil de hoje, o presente ainda não conseguiu equacionar questões mal resolvidas no passado.

O etanol é um exemplo inequívoco dessa persistência em manter como problema o que, sabidamente por todos, deveria ser visto como solução. Lançado nos meados dos anos 70, o Proálcool tinha a ambição de se tornar uma alternativa aos combustíveis fósseis, contribuindo para o superávit da nossa balança comercial.

Muitos recursos e energia foram despendidos para colocar o etanol em condições de competitividade com a gasolina. Na década de 90, o Brasil virou exemplo para o mundo. Em particular, nos EUA, o nosso outrora Proálcool se tornou uma referência de um programa alternativo de energia bem sucedido. A indústria automotiva contribuiu muito ao lançar os veículos flexíveis, que podem alternar, de acordo com os desejos do usuário,etanolhidratado e gasolina. Hoje, no entanto, há uma enorme crise do setor. Segundo dados da Única, desde a crise financeira mundial em 2008 até 2013, mais de 70 usinas já fecharam as portas no Brasil. Somente na região Centro-Sul, outras 12 unidades devem encerrar suas atividades em 2014.

Apenas nos últimos dois anos, houve perda de mais de 60 mil empregos diretos no setor, que está endividado, com grande parte da sua receita comprometida com o pagamento de juros. Apesar de todas as vantagens já conhecidas para o etanol e do nosso pioneirismo no desenvolvimento desse combustível, motivos econômicos e tecnológicos nos levaram à crise atual. Sabe-seque, para ser competitivo, o etanol hidratado precisa ter um preço no patamar de, no máximo, 70 % do praticado para a gasolina. Portanto, se o preço da gasolina estiver muito baixo, o preço do etanol também será muito baixo.

E é exatamente isso que aconteceu no Brasil nos últimos anos, quando o governo não permitiu que a Petrobras reajustasse seus preços de acordo com o mercado internacional. Mais ainda: a Cide, que é um imposto também utilizado para dar competitividade ao etanol e que, segundo estimativas, hoje deveria estar em torno de R$ 0,50/l, está zerada. Além disso, essa contribuição também foi criada para reduzir a volatilidade dos preços dos combustíveis, atuando como um colchão anticíclico, mas não tem cumprido essa função de reduzir as incertezas do setor.

Na verdade, a formação de preços dos derivados de petróleo no Brasil é desconhecida, fazendo com que não haja previsibilidade nos preços do etanol. O setor também tem problemas tecnológicos a enfrentar. A produção de etanol em 1969 era de 2400 l/ha. Hoje é de 7000 l/ha. Avançamos pouco e precisamos, no mínimo, dobrar este indicador. Hoje, temos a concorrência como etanol do milho, produzido em larga escala nos EUA, já desenvolvido geneticamente. Há um esforço no Brasil de se fazer um processo semelhante com o etanol de cana.

A expectativa é que, quando isto ocorrer, a nossa produtividade se torne muito maior, pelas vantagens que a cana apresenta, quando comparada ao milho. É também importante o desenvolvimento de etanol de segunda geração, a partir de bagaços e folhas. O Brasil precisa, assim, voltar a fortalecer o setor de etanol. Para tanto, devem estar disponíveis os financiamentos para a renovação e ampliação dos canaviais. É preciso aumentar os investimentos no desenvolvimento tecnológico do setor e agir, na esfera internacional, para tornar esse combustível uma commodity, com padrões de qualidade e preço estabelecidos. E, por fim, é necessário corrigir as distorções de preço de combustíveis, razão principal para a crise atual.

Julio Bueno: Secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do Rio de Janeiro. (Brasil Econômico 24/10/2014)

 

Oceano azul de oportunidade com uso massivo do GNV - Ricardo Vallejo

Consultor de Negócios de GNV na Companhia de Gás de São Paulo (Comgás).

Os EUA e países da Europa que adotaram o Gás Natural Veicular (GNV) perceberam que desenvolver tecnologias para ouso desse combustível é o melhor "remédio" para diminuir a poluição e diversificar a sua matriz energética. Vale lembrar que os países da Europa são referência no uso deste combustível e os eventos mais importantes para o mercado de GNV acontecem nesse continente. Se ele é moderno, econômico, abundante, disponível e menos poluente, por que insistem em ignorá-lo em algumas regiões do Brasil?

Em um mercado menos maduro, o Brasil trava uma batalha diária para o desenvolvimento do GNV. Depois de enfrentar uma crise em 2008 e perder espaço no mercado, a iniciativa privada vem tentando erguer o setor com campanhas de esclarecimentos e condições especiais, que visam facilitar o acesso ao produto. Em paralelo, as reservas mundiais de gás natural aumentaram muito nos últimos anos e, aqui no Brasil, a oferta interna cresce em ritmo acelerado, especialmente coma descoberta do pré-sal. Mesmo diante de um cenário promissor, a produção do energético é superior ao aumento do consumo.

Atualmente, só na área de concessão da Comgás — a maior distribuidora de gás natural canalizado do país e que atua em 177 municípios do estado de São Paulo — o consumo diário de GNV é de 680 mil metros cúbicos por dia, nos 302 postos da área de concessão da companhia. Esse mês, a Associação dos RádioTaxistas de São Paulo (Artasp), realizou um "Rally do Combustíveis" na capital paulista, reunindo três veículos movidos à gasolina, etanol e GNV. A competição comprovou quero dar com Gás Natural Veicular é 61,1% mais econômico que a gasolina e 59% mais barato que o etanol.

O carro movido à gasolina apresentou uma média de R$ 0,565 /km rodado, a etanol R$ 0,537 /km rodado e a GNV, R$ 0,22 /km rodado. Comparativamente, o GNV apresentou o melhor custo, benefício e performance. Alguns motoristas alegam ter medo de fazer a conversão porque ouviram dizer que o GNV estraga o carro. Isso é um mito! Na prática, o motor pode ter uma vida útil até maior. Se a conversão for bem feita — realizada em um lugar credenciado, com produtos de qualidade — o desgaste do motor é menor. Atualmente, para fazer a conversão, o motorista gasta, em média, R$ 4 mil no kit mais moderno, chamado de geração cinco.

Quem roda, em média, cinco mil quilômetros por mês, equivalentes a160 quilômetros por dia, consegue recuperar o investimento em aproximadamente seis meses. Do lado das montadoras, o cenário não é muito diferente. Algumas marcas apostaram nesse mercado e incluíram itens de fábrica que permitem o uso do energético nos veículos. Há alguns anos, a Fiat lançou o Siena Tetrafuel, que roda com gasolina, etanol e GNV.

O modelo já vem de fábrica com o kit para gás e, por enquanto, essa é a única marca que aposta no produto. A GM, Ford e Volkswagen não têm carros convertidos de fábrica. O GNV precisa deixar de ser o energético do futuro e deve ser percebido como uma alternativa disponível, abundante e econômica, frente aos demais combustíveis. Voltando ao começo desse texto, se as montadoras, e até mesmo os motoristas, observarem o modelo de mercado Europeu perceberão que há um "Oceano Azul" a ser explorado. (Brasil Econômico 24/10/2014)

 

Camil perto de comprar empresa no Peru

A brasileira Camil Alimentos, maior beneficiadora de alimentos da América Latina, com receita anual de R$ 3,5 bilhões, está prestes a escrever mais um capítulo de sua agressiva estratégia de crescimento por meio de aquisições. Neste momento, está a um passo de comprar, por US$ 29,3 milhões, a peruana Romero Trading, que detém marcas de açúcar, arroz e outros grãos.

As duas companhias assinaram um contrato de compromisso de compra e venda em 19 de setembro. Conforme informações que constam em informações fornecidas pela Camil a investidores, a operação deverá ser concluída até 1º de dezembro deste ano.

A Romero Trading pertence ao Grupo Romero, que fatura mais que US$ 4 bilhões por ano e tem operações em diversos segmentos no país andino, tais como logística e produção de etanol.

Nos últimos anos, a Camil adotou uma forte estratégia de aquisições de marcas e empresas, tanto no Brasil como na América Latina. Em 2013, incorporou a fluminense Carreteiros Alimentos, que estava em recuperação judicial. Um ano antes, havia comprado a Docelar Alimentos, da Cosan, e todas as marcas de açúcar de varejo que a ela pertenciam, entre as quais a líder União.

Na área de pescados, a empresa já é dona da marca uruguaia Saman, da chilena Tucapel e da peruana Costeño. Em 2011, a Camil também adquiriu, na América do Sul, as marcas Pescador, Alcyon e Navegantes, enquanto no Brasil comprou a Coqueiro. Com a aquisição da Romero Trading, vai incorporar ao seu portfólio peruano marcas de arroz, açúcar e grãos como Paisana, La Serranita, Don Calixto e Arroz do Norte.

Com essa expansão, a Camil já detém onze unidades de beneficiamento de grãos no Brasil, dez no Uruguai, três no Chile, duas no Peru e uma na Argentina, além de três plantas de processamento de pescados e seis plantas de processamento de açúcar, sendo três próprias e três subcontratadas, situadas no Brasil.

No segundo trimestre de seu atual exercício, encerrado em 31 de agosto, a Camil Alimentos registrou lucro líquido de R$ 33,348 milhões, 23,4% acima do obtido no mesmo intervalo do ano passado. No primeiro semestre do ano fiscal, o resultado líquido subiu 2,2% em relação a igual período de 2013, para R$ 73,516 milhões.

O desempenho trimestral teve um grande peso da redução de despesas operacionais e com vendas. As despesas financeiras também caíram no período, de R$ 53,9 milhões para R$ 51,2 milhões, enquanto as receitas financeiras ficaram praticamente estáveis em R$ 19 milhões. No trimestre, houve também um menor peso do recolhimento de imposto de renda e contribuição social - de R$ 8,9 milhões para R$ 6,3 milhões.

A receita líquida do segundo trimestre do ano fiscal registrou leve aumento de 0,28%, para R$ 895,343 milhões. No semestre, subiu 4,3%, para R$ 1,82 bilhão. A dívida bancária em 31 de agosto era de R$ 690 milhões, 15,5% acima da observada em 28 de fevereiro deste ano. A empresa tem no seu balanço debêntures que somam R$ 757 milhões.

Apesar da expansão e dos resultados registrados, o grupo Arfei, que controla a empresa, estaria disposto a vender sua participação no negócio caso receba uma boa oferta, apurou o Valor. O Gávea, que participa da companhia por meio do Fundo de Investimentos Camil, também pretende sair do negócio. Procurada, a Camil confirmou a operação com a Romero Trading, mas não comentou a intenção dos controladores de vender suas participações. (Valor Econômico 24/10/2014)

 

Sustentabilidade, uma missão de Estado

O sentimento de mudança consagrado na opinião pública e a complexidade do quadro político e econômico contratada para 2015 oferecem ao Brasil e ao novo governo oportunidade ímpar. É hora - para o bem do País - de reconstruir o pacto nacional, de contornarmos a simplificação ideológica, de erigir uma visão de futuro comum a partir de convergências e racionalidades.

Tarefa nada fácil. Os brasileiros reclamam o direito de sonhar com um mundo melhor. Divididos não iremos a lugar nenhum. Aos vitoriosos no pleito de 26 de outubro o dever de superar a perspectiva de projeto de poder, de recompor a esperança na desacreditada democracia representativa. Difícil, mas não impossível, em especial se cada setor, cada agente de reflexão contribuir sincera e generosamente para o diálogo. E isso passa necessariamente pela construção de novos paradigmas.

O processo civilizatório e os valores universais são o canal natural por onde deve trafegar essa incumbência. Só uma sólida base de valores poderá produzir um norte único compartilhado, capaz de agregar os brasileiros em torno de um projeto comum de sociedade.

A agricultura apresenta-se naturalmente para esse diálogo. Com humildade, pré-requisito de quem busca a convergência. Mas também com a responsabilidade que emana do seu significado para a formação da riqueza, a inclusão social e o balanço ambiental do País. Cabe assumir a sustentabilidade enquanto norte de uma nova agenda nacional. E eliminar a incômoda dicotomia (indicadora de subdesenvolvimento) que tenta separar a agricultura tecnificada sustentável da não tecnificada.

A fim de repactuar o diálogo entre as demandas do campo e os mais legítimos anseios urbanos, propomos que o novo governo encaminhe ao Congresso Nacional uma PEC introduzindo a sustentabilidade como "missão de Estado". O projeto brasileiro precisa ser norteado por conceitos e seus significados, hoje mitigados pela peleja política.

A sustentabilidade não é um critério que separa grandes e pequenos, ricos e pobres, capitalizados e excluídos. Sustentabilidade - na ótica consagrada pela ONU na Rio+20 - é um fundamento com três pilares interdependentes, de igual peso estrutural: o econômico, o social e o ambiental. Sustentabilidade não é conceito ou valor que tenha dono. Situá-la no espectro ideológico é destrutivo e desvirtua a qualidade do debate brasileiro. Sustentabilidade é mandato civilizatório, a ser exercido com inteligência, abrigando a dinâmica de processos.

Não se trata de medir tamanho, mas de aferir corretamente o grau de responsabilidade social, ambiental e de segurança econômica de cada ator. E de produzir políticas públicas que ao mesmo tempo estimulem a inclusão social e o aprimoramento do sistema.

Trata-se de pacto inadiável.

A ONU convoca o Brasil a produzir, nos próximos 20 anos, 40% da demanda suplementar de alimentos, fruto do aumento da renda, e da população mundial, que crescerá de 7 para 9 bilhões de habitantes, até 2050. E há outra agenda premente: o contingente de 800 milhões de seres humanos ainda hoje em estado de insegurança alimentar.

A História abre ao Brasil - dono de vocação diferenciada para a agricultura - uma janela generosa, de proporções inéditas. Diante dela se alinham as dimensões política e estratégica; e oportunidades científicas, profissionais, empresariais e sociais capazes de iluminar a trajetória de todo um povo.

Os especialistas debatem a construção de um "Indicador para a Agricultura Sustentável", já que as ferramentas disponíveis não conseguem captar as transversalidades que irrigam a economia. Eles estimam que o peso real do setor na vida nacional já supera a marca de 25% do PIB convencional.

Reunidos em torno da parceria Fórum do Futuro, FGV-Agro, Embrapa e universidades voltadas para a agropecuária, os economistas lembram: a "agricultura é vida". E lamentam a precariedade da imagem projetada da atividade sobre o ambiente urbano.

A agricultura é também um ativo histórico: comemora 514 anos de contribuição estruturante para o Brasil. Nesta nova era, em que os recursos naturais se transformam na nova moeda da economia mundial, é ainda um passaporte seguro na direção de uma sociedade melhor, mais inclusiva, mais sustentada.

É nosso papel acolher a agenda da opinião pública urbana brasileira e mundial: 1)Democracia alimentar - preço ao consumidor; 2)balanço ambiental da atividade; 3)dignidade social do processo de produção; 4) repercussão do alimento sobre a saúde. Cumprir essa pauta cidadã é uma empreitada colossal. Muitos ficarão surpresos ao descobrir que o Brasil já é um exemplo de agricultura sustentável. Hoje produzimos muito mais em espaços cada vez menores. A ciência e a tecnologia e a boa gestão no campo explicam a mágica.

Mas precisamos avançar. E isso exige compreender as demandas nas áreas de infraestrutura, da segurança jurídica; valorizar a ação dos centros de pesquisa, das universidades e da Embrapa, vital para instruir a qualidade do desenvolvimento a que todos aspiram.

Urge aproximar os jovens urbanos das áreas de tecnologia dos desafios da agricultura sustentável. Aferir a qualidade dos processos e exibir os dados cientificamente referenciados atrairão para esta proposta brasileiros de todas as orientações.

Produzir mais alimentos em espaços menores, aumentando a produtividade e intensificando a sustentabilidade, num contexto de aumento da demanda e escassez da oferta, espelha inegavelmente um dos mais portentosos desafios da História da humanidade.

O Brasil não se pode furtar aos compromissos com a segurança alimentar e com o planeta. Desde que movido por planejamento, gestão, capacidade científica e tecnológica, e por uma base de valores capaz de pacificar, de harmonizar de forma inteligente os brasileiros, seus sonhos e seu papel na cena internacional (Alysson Paolinelli e Roberto Rodrigues são ex-ministros da Agricultura e, respectivamente, presidente do Fórum do Futuro e coordenador da FGV-Agro. O Estado de São Paulo 23/10/2014)

 

Commodities Agrícolas

Café: Mercado intempestivo: As chuvas voltaram à região produtora de café no Brasil, mas o volume ainda é baixo e as precipitações podem ter vindo tarde demais para recuperar os estragos das últimas semanas. Essa percepção tem dividido o mercado e ontem deu suporte para os contratos para março fecharem em alta de 220 pontos, cotados a US$ 1,975 a libra-peso. Os mapas da Climatempo indicam que pancadas de chuva devem cair no sábado no oeste de Minas Gerais, e no domingo devem avançar para o centro-sul do Estado. Há analistas que apostam que uma eventual regularização no regime de chuvas pode derrubar as cotações, mas não há consenso sobre essa visão. No mercado doméstico, o preço do café de boa qualidade apurado pelo Escritório Carvalhaes segue entre R$ 480 e R$ 490 a saca de 60,5 quilos.

Cacau: Apesar da moagem: O mercado ignorou ontem a notícia de queda da moagem de cacau na Ásia no terceiro trimestre e conduziu os preços da amêndoa ao campo positivo na bolsa de Nova York. Os contratos para março fecharam em US$ 3.097 a tonelada, alta de US$ 7. Associação do setor informou que as indústrias asiáticas processaram 5,9% menos cacau entre julho e setembro ante igual período de 2013. O trimestre foi misto: também houve processamento menor na Europa, mas a moagem cresceu na América do Norte. Do lado da oferta, recentes chuvas na África Ocidental podem atrasar o secagem do cacau recém-colhido e a entrega da produção nos portos. No mercado interno, a arroba em Ilhéus/ Itabuna ficou em R$ 110 na quarta-feira, último dado disponível da Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Vendas americanas: O aumento do volume de algodão negociado pelos exportadores dos EUA na semana passada deu impulso aos preços da pluma ontem na bolsa de Nova York. Os lotes para março subiram 4 pontos, a 61,88 centavos de dólar por libra-peso. Entre 10 e 16 de outubro, os americanos acertaram a exportação de 78,8 mil toneladas de algodão, dez vezes mais do que na semana anterior, conforme levantamento semanal divulgado pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). O aumento do volume negociado ocorreu mesmo com a alta da fibra no período, na comparação com a semana anterior. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,55%, para R$ 1,6467 a libra-peso. O recuo é de 1,49% desde o início do mês.

Soja: Negócios da China: A divulgação de dados sobre a demanda da China por soja ampliou a turbulência do mercado futuro do grão ontem na bolsa de Chicago e fez as cotações dispararem. Os lotes para janeiro fecharam com alta de 30,25 centavos, a US$ 10,00 o bushel, o maior valor desde 8 de setembro. Em relatório semanal de vendas externas dos EUA divulgado ontem, o USDA informou que foi acertada a exportação de 1,7 milhão de toneladas do grão para o país asiático entre 10 e 16 de outubro. O mercado estranhou o número, já que o órgão não fez nenhum aviso de venda ao mercado externo de lotes com mais de 100 mil toneladas da oleaginosa no período, como é obrigado a fazer. No mercado doméstico, a soja foi negociada a R$ 52,67 a saca na Bahia, segundo a Aiba, associação local de produtores. (Valor Econômico 24/10/2014)