Setor sucroenergético

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Crise do setor sucroenergético tende a ser agravada

A vitoria de Dilma Vana Rousseff trouxe desconforto às lideranças da cadeia produtiva sucroenergética que apostaram em outras candidaturas com a esperança de mudanças para o setor que tem sido maltratado desde o início do segundo mandato do presidente Lula.

A situação se agravou quando Dilma Rousseff assumiu e tudo leva a crer que deve piorar ainda mais. Aos erros da inação governamental se somam os fiascos da tentativa de interlocução do setor com Brasília.

Em sua edição desta última sexta-feira (24) o jornal Valor Econômico publicou matéria, reproduzida abaixo, que mostra o erro admitido pelo ex-ministro da Agricultura do governo Lula, Roberto Rodrigues, que externou publicamente apoio à candidatura de Aécio Neves antes do 1º turno das eleições.

Roberto Rodrigues

“Ícone do agronegócio no país, ex-ministro do governo Lula e atual presidente do conselho de administração da maior entidade que representa usinas de cana-de-açúcar do país (Unica), Roberto Rodrigues chegou a causar apreensão do segmento sucroalcooleiro ao declarar seu apoio à candidatura presidencial de Aécio Neves (PSDB) em meio a uma relação já turbulenta com o governo Dilma.

Rodrigues reconhece que esse posicionamento possa gerar problemas em caso de reeleição da presidente, mas acredita que fez o que tinha que ser feito. "Declarei meu voto como pessoa física". Mas afirma sentir um certo arrependimento por ter revelado, também antes do primeiro turno, que o segmento sucroalcooleiro tinha uma inclinação pela então candidata Marina Silva. "Me arrependi porque não posso falar pelo setor. Aquela posição era de algumas pessoas, não de todas".

Ele lembra que pensou muito antes de revelar seu apoio a Aécio. "Mas fiz conscientemente, com base em um fato histórico". E faz um paralelo com o que aconteceu quando recebeu o convite do ex-presidente Lula para assumir o ministério da Agricultura, em 2003. "Eu disse ao Lula: não posso aceitar. Votei no Serra e trabalhei na campanha dele. E o Lula me respondeu: Mas a eleição já acabou!", diz Rodrigues, sem esconder sua admiração pelo ex-presidente. "Conhecendo bem a Dilma como conheço, essas coisas não serão misturadas. Mas é possível".

Ele observa, ainda, que as dificuldades da presidente em tratar o segmento sucroalcooleiro são anteriores à sua declaração de apoio a Aécio. "Não me parece que isso vai mudar devido a essa posição".

Questionada se o voto declarado de Roberto Rodrigues poderia atrapalhar as negociações sucroalcooleiras com o Planalto, a presidente-executiva da Unica, Elizabeth Farina, diz "não saber". "Mas acho que não, porque ele recebe sempre telefonemas do Mantega [ministro da Fazenda Guido Mantega] e do Mercadante [Aloizio Mercadante, ministro da Casa Civil]", afirma ela.

A entidade, que oficialmente mantém uma posição política neutra, há tempos revela suas insatisfações com a falta de medidas que ajudem efetivamente a produção de etanol. "Além disso, Roberto Rodrigues não é apenas membro do conselho da Unica, mas de várias outras empresas. Diferentemente do meu caso, que sou 100% do tempo dedicada à Unica", observa Elizabeth.

Segundo fontes do segmento, o próprio ministro Mantega já teria reconhecido, em reuniões a portas fechadas com usineiros, que o governo não deu a devida importância ao etanol. Há rumores de que ele já teria até se comprometido com reajustes gradativos da gasolina e com a retomada da cobrança da Cide na gasolina depois das eleições. Além dessas demandas, o segmento pede o estabelecimento de regras claras de precificação da gasolina e um amplo programa de financiamento de troca de caldeira nas usinas para permitir a elevação da produção de eletricidade a partir do bagaço”. (Brasil Agro 27/10/2014)

 

Sob ameaça, 30 usinas de cana do país têm dívida de R$ 11 bi

A crise que atingiu o setor sucroalcooleiro nos últimos seis anos afetou quase um terço das usinas do país.

Levantamento da RPA (Ricardo Pinto e Associados), de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo), mostra que 30 usinas estão prestes a pedir recuperação judicial. Juntas, as dívidas somam R$ 11 bi.

Essas empresas podem se juntar a outras 96, que já enfrentam problemas financeiros, algumas desde 2008, ano de início da crise econômica internacional.

Segundo a RPA, das 439 usinas do país, 343 operam, 33 estão paradas (estavam em recuperação judicial), 31 interromperam atividades, 22 operam em recuperação e dez foram à falência.

De acordo com Ricardo Pinto, diretor da RPA, essas 30 usinas que operam no vermelho têm capacidade de moer 60 milhões de toneladas de cana por safra.

"São usinas que estão atrasando pagamentos de fornecedores, insumos, arrendamento de terras", afirmou.

Ele disse que as indústrias têm dívida maior que R$ 200 por tonelada de cana moída. Como têm um rendimento de R$ 110 por tonelada, será praticamente impossível quitar todas as pendências.

A situação se agravou neste ano por causa da falta de chuvas, que derrubou a produtividade nas lavouras.

Segundo a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), 22 unidades encerraram a atual safra. Nesta mesma época em 2013, apenas seis haviam parado as atividades. Isso ocorre porque há menos cana para ser processada.

A previsão é que até o final da safra sejam processadas 545,89 milhões de toneladas, o que representa queda de 5,88% em relação à safra passada, que atingiu moagem total de 580 milhões.

Diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues disse que o setor têm dívida total de R$ 79 bilhões -maior que o faturamento de uma safra toda (R$ 72 bilhões).

Sobre as usinas com risco de entrar em recuperação, ele argumenta que é possível contornar a situação.

Para ele, o cenário para a próxima safra é de reação dos preços por causa do possível aumento do valor da gasolina -quanto mais alto, melhor para o etanol.

"Os problemas foram agravados pelas condições climáticas [falta de chuvas], o que derrubou a produção", disse Carlos Roberto Ravanelli, gerente administrativo da usina Baldin, em Pirassununga.

Segundo ele, a recuperação judicial permite a reestruturação da empresa, que tem dívida de R$ 600 milhões.

Já outras usinas não conseguiram dar continuidade à produção, como a Jardest, de Jardinópolis, que paralisou as atividades em abril. Foram demitidos 378 trabalhadores. (Folha de São Paulo 27/10/2014)

 

Mais usinas deverão fechar, diz setor de etanol

Mais usinas fecharão caso o novo governo não altere sua política para o setor do etanol, segundo empresas e consultorias do segmento.

À falta de competitividade com a gasolina e o alto endividamento de muitas companhias somou-se a seca, que antecipou o fim da safra. Parte das empresas poderá não conseguir suportar a entressafra mais longa.

"Se for um governo que reconheça erros e que a situação é de emergência, ele poderá ser mais efetivo e focado em buscar soluções", diz o presidente de uma grande empresa do setor.

"Ainda tem muita gente importante para fechar, que não se espera que esteja em situação insustentável. Os nomes e a velocidade da lista dos que irão para recuperação judicial vai impressionar", afirma.

"Para quem já está no sufoco, será indiferente", diz outro executivo.

A Unica (entidade do setor) afirma que ainda não se pode prever quantas plantas poderão parar em 2015. No setor e em consultorias estima-se que ao menos dez usinas deixarão de processar por dificuldades financeiras.

De cerca de 330 usinas de açúcar e etanol da região centro-sul, 60% correm o risco de fechar as portas ou mudar de dono em dois ou três anos.

De 2008 a 2013, mais de 70 usinas foram desativadas no país e outras 67 entraram em recuperação judicial.

O segmento acusa o governo Dilma Rousseff de ter focado no pré-sal e deixado de lado as políticas pró-etanol.

Até 2008, as usinas se endividaram com empréstimos para expandir a produção e atender ao aumento da demanda por álcool, puxada pelos carros flex.

A partir de 2011, no entanto, sem reajustes de preços da gasolina, o etanol perdeu competitividade e muitas empresas não conseguiram honrar os compromissos.

Só com o fim da cobrança da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre a gasolina, o setor perdeu R$ 10 bilhões por ano, diz Antonio de Padua Rodrigues, diretor da Unica.

Apenas nos últimos dois anos, foram cortados 60 mil empregos diretos no setor produtivo, de acordo com dados da entidade.

Estiagem piora cenário

A seca que atingiu os canaviais e forçará uma entressafra maior neste ano será um agravante para parte dos produtores de açúcar e álcool.

"Há usinas que pararam [mais cedo neste ano] e que provavelmente não vão conseguir reiniciar em abril de 2015", diz Antonio de Padua Rodrigues, diretor da Unica.

"Acho que não serão muitas, mas também teremos usinas em dificuldades, que não vão honrar compromissos com arrendamento de terra ou fornecedores de cana."

Até 15 de outubro, 22 empresas concluíram a safra, segundo a entidade. Na mesma data do ano passado, apenas seis plantas haviam encerrado o processamento de cana.

Na região de Ribeirão Preto (SP), uma das principais produtoras do país, algumas fábricas já haviam concluído a moagem no fim de agosto.

Em anos considerados normais, a produção se estenderia até perto de dezembro.

"Não sei como as usinas que não têm crédito nem estoque vão sobreviver durante esse período todo, vai ser uma situação bem difícil.". (Folha de São Paulo 26/10/2014)

 

O tamanho da crise do etanol

A crise que afeta as usinas de açúcar e álcool está longe do fim. Com a dívida 10% maior do que o faturamento que poderão alcançar, as usinas terão uma de suas piores safras dos últimos anos. A crise financeira mundial iniciada em 2008 tornou ainda mais difícil a situação das empresas brasileiras do setor sucroalcooleiro, que já começavam a pagar o preço da errática política do governo do PT para o etanol. Esse preço continua a aumentar. Como mostrou reportagem do Estado (21/10), com faturamento de R$ 70 bilhões no ciclo 2014-2015, as usinas deverão encerrar a safra devendo R$ 77 bilhões, de acordo com estimativa da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Tendo acreditado nas promessas do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tornar o Brasil o líder e o exemplo mundial na produção de energia limpa e renovável, as usinas investiram pesadamente entre 2003 e 2008 na expansão da capacidade de produção do etanol e, para isso, contraíram dívidas pesadas, que a maioria ainda não quitou.

O discurso ufanista do governo - que apontava as vantagens econômicas, ambientais e sociais do etanol de cana-de-açúcar sobre o similar americano produzido a partir do milho (com o desvio de boa parte da safra do grão que seria destinada para outras finalidades) - estimulava esses investimentos. Ao mesmo tempo, a política do governo de exigir das montadoras a produção de veículos bicombustíveis (flex) - que podem utilizar etanol, gasolina ou a mistura dos dois combustíveis em qualquer proporção - parecia assegurar um grande volume de vendas para o mercado doméstico. Somadas às possibilidades de conquista de fatias maiores no exterior, com a transformação do etanol brasileiro de cana em commodity negociável em qualquer mercado do planeta, as possibilidades de crescimento do setor pareciam imensas.

Tudo mudou de repente. Com a descoberta, em 2007, de grandes acumulações de petróleo e gás em águas profundas, na camada do pré-sal, o governo Lula viu ali um potencial político-eleitoral muito maior, e de efeitos mais rápidos, do que o oferecido pelo etanol. Até então no centro das preocupações do governo petista, a energia limpa e renovável, que vinha sendo alardeada como o combustível do futuro, do qual o Brasil seria o grande fornecedor mundial, deixou de merecer a atenção das autoridades.

Mas o pior ocorreu no governo Dilma. Com o aumento das pressões inflacionárias a partir de 2011, o governo passou a conter o preço da gasolina. Com isso, também o preço do etanol adicionado à gasolina passou a ser comprimido. Já o preço do etanol vendido na bomba, embora teoricamente livre, é dependente de uma relação inescapável: a eficiência energética do álcool corresponde a cerca de 70% da da gasolina, o que condiciona seu preço ao do derivado do petróleo.

Somada à excessiva e danosa interferência do governo no setor, a gestão financeira em muitos casos imprudente de muitas usinas - que continuaram a tomar dívidas para a mecanização da colheita, renovação do canavial e até expansão da capacidade - tornou os problemas ainda mais graves.

De acordo com o diretor técnico da Unica, Antonio de Pádua Rodrigues, há cerca de 375 usinas em operação no País. Dessas, ele estima que 30 talvez não tenham condições de moer cana na próxima safra, por causa de seu alto nível de endividamento. Desde 2008, entre 60 e 70 usinas encerraram suas atividades por problemas financeiros. Cerca de outras 70 operam em regime de recuperação judicial. Estima-se que, desde o início da crise, o setor de açúcar e álcool fechou 100 mil empregos diretos e 250 mil indiretos (de um total, respectivamente, de 1,5 milhão e 2,5 milhões).

Além da crise que se arrasta há seis ou sete anos, a seca reduziu a colheita de cana no Centro-Sul para 545 milhões ou 55o milhões de toneladas, cerca de 40 milhões do que se previa. Com isso, o fim da moagem será antecipado e, sem produtos para comercializar, o setor pode estar prestes a enfrentar uma das piores entressafras de sua história. (O Estado de São Paulo 25/10/2014 às 02h: 04m)

 

Demanda ainda fraca reduz os preços do etanol na usina

Os preços do etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, recuaram na última semana nas usinas em São Paulo. O indicador Cepea/Esalq para o biocombustível recuou 0,72% no intervalo entre os dias 20 a 24 deste mês na comparação com o período entre 13 e 17 de outubro, para R$ 1,1356 o litro.

A demanda pelo biocombustível ainda está abaixo do esperado pelas usinas, apesar dos preços convidativos do etanol nos postos e do lançamento pelo setor sucroalcooleiro de mais uma campanha de publicidade para estimular o consumo.

Os preços baixos do etanol e do açúcar, somados ao pedido de recuperação judicial da Aralco e o anúncio da Virgolino de Oliveira de que considera reestruturar suas dívidas, elevaram o risco sistêmico do segmento sucroalcooleiro. Diante disso, a agência de classificação de risco Fitch colocou em observação negativa as notas de crédito de Biosev, Jalles Machado, Tonon Bioenergia e USJ Açúcar e Álcool, o que implica revisão para possível rebaixamento.

De acordo com a Fitch, as companhias do segmento têm enfrentado dificuldades para obter capital de giro e cana-de-açúcar de terceiros. A agência de classificação de risco espera ainda a continuidade da pressão no fluxo de caixa e na liquidez dessas empresas nos próximos 12 meses. (Valor Econômico 27/10/2014)

 

Etanol de cereais é alternativa para milho produzido em Mato Grosso

Quem aposta no setor ainda acha que faltam incentivos para avançar. Produção poderia aumentar se houvesse demanda, diz Glauber Silveira.

A indústria ainda está moendo a cana-de-açúcar para produzir etanol. Na entressafra de cana, as usinas flex de Mato Grosso começam a moer a partir de novembro milho para fabricar etanol. As duas usinas flex – que moem cana-de-açúcar e milho – do estado estão localizadas em São José do Rio Claroe Campos de Júlio e mais uma usina está sendo adaptada para moer milho no sul do estado.

No ano passado, o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) confirmou a viabilidade das usinas flex no estado. O estudo revelou que o negócio seria rentável com o milho valendo até R$ 20 a saca. Hoje, o grão vale bem menos que isso na região deCampos de Júlio, onde a usina do município processa aproximadamente 100 mil toneladas do grão por ano e produz 380 mil litros de etanol por dia.

Diante das perspectivas vantajosas deste investimento, o ministro da agricultura, Neri Geller, também se diz favorável à instalação de mais plantas deste tipo no estado. "Nós não financiávamos indústria de etanol em função de acordos internacionais que foram assinados. E nós conseguimos junto com a casa civil, hoje o Ministério da Agricultura dá parecer favorável e o recurso está disponibilizado para que as usinas flex possam se instalar principalmente aqui no norte de Mato Grosso”, afirma.

Para Glauber Silveira, presidente da Câmara Setorial da Soja, é preciso incentivar o uso do milho como matéria-prima para a produção do combustível. “Na região Oeste, produzimos em torno de 40 milhões de toneladas de milho. Poderíamos estar produzindo nestas regiões 80 milhões de toneladas, porque temos áreas que poderíamos estar usando. Não estamos produzindo mais milho porque uma tonelada a mais de milho e o preço cai. Essa é a grande sacada, que os americanos já fizeram. Por que não estar aproveitando o excedente do milho nacional e estar produzindo etanol de milho?”, analisa.

Além de aproveitar o excedente, a transformação de milho em etanol também poderia reduzir a dependência das exportações do cereal. O presidente da Aprosoja-MT, Ricardo Tomczyk, informa que o estado teve duas safras com alta produção de milho, sendo que a última gerou de 17 a 18 milhões de toneladas. “Nós não temos consumo para isso, nosso consumo é mais ou menos na faixa de 3 milhões de toneladas e isso nos torna um grande exportador, principalmente de milho em grãos, porém com uma situação logística de distância de portos bastante complicada, que nos tira competitividade. Isso pressiona os preços do milho, não remunerando adequadamente o produtor”, destaca.

Sem preço, os produtores não veem motivos para aumentar os investimentos no cereal. “Área tem, mas depende de preço e ver a rentabilidade do produtor, já que trabalhamos com várias culturas, é difícil aumentar, mas se o preço for bom, convém para nós”, ressalta o produtor rural Elton Zanella.

Consolidada nos Estados Unidos, a produção de etanol de milho também gera renda com subprodutos, pois gera como resíduo o DDG, sigla em inglês para “grãos secos por destilação”, que é usado para alimentação animal. O DDG é a melhor forma de agregar valor ao milho, segundo Jorge dos Santos, diretor executivo do Sindálcool. “Não há dúvida de que esse é o futuro. Os Estados Unidos começaram com isso e nós temos mais tecnologia que eles. Em termos de produção de etanol, é um processo inexorável notadamente em Mato Grosso, que é o maior produtor brasileiro de milho”, diz. (G1 25/10/2014)

 

Bolso e ambiente ganham com adoção de práticas sustentáveis

CARRO

Outra substituição sustentável e que pode fazer bem ao bolso é a opção pelo etanol no lugar da gasolina. Para ser financeiramente vantajoso, o litro do etanol deve custar até 70% do preço da gasolina.

De acordo com a pesquisa da ANP (Agência Nacional do Petróleo) em setembro, o litro da gasolina comum custava em média R$ 2,963 no país, e o do etanol, R$ 2,005, numa proporção de 67,6%.

Mas, por Estado, a mesma pesquisa mostrou que só valia a pena usar etanol (do ponto de vista financeiro) no mês passado em Mato Grosso, Paraná e São Paulo.

O veículo pode ainda ser substituído por uma bicicleta, principalmente em cidades com ciclofaixas. (Folha de São Paulo 27/10/2014)

 

Com maior espaço no varejo brasileiro, suco de laranja estimula novas apostas

Decrescente desde o início da década passada no mercado internacional, a demanda por suco de laranja integral, sem adição de água ou açúcar, continua a dar sinais de que tem potencial para crescer no Brasil. Apesar de ainda enfrentar na arraigada "cultura do espremedor" e nos preços mais elevados que o de bebidas concorrentes fortes barreiras no país, o suco de laranja pronto para beber, sob o apelo da praticidade, lentamente conquista consumidores em grandes capitais e no interior de São Paulo, Estado que abriga o maior parque citrícola do planeta.

De olho nesse potencial, a Cooperativa dos Agropecuários Solidários de Itápolis (Coagrosol), um dos municípios que lideram a produção paulista de laranjas, é o mais recente exemplo de um grupo de porte ainda pequeno que começou a explorar esse mercado ou passou a direcionar uma parte maior da oferta de suco integral ao varejo doméstico. Na semana passada, lançou a marca Direto da Fruta em um supermercado da rede gaúcha Zaffari na capital de São Paulo e já espera que as vendas no país superem as exportações pela primeira vez desde sua fundação, em 2000.

Reginaldo Vicentim, vice-presidente da Coagrosol, lembra que, quando seu pai e outros 34 produtores criaram a cooperativa, o foco era única e exclusivamente o mercado externo. Nos últimos anos, em virtude da lei que obriga prefeituras a adquirirem parte de suas compras de alimentos de agricultores familiares, o mercado interno começou a ganhar importância. E agora, com vendas no varejo, o front doméstico conquistou um status mais estratégico.

Atualmente, a Coagrosol produz 40 mil litros de suco de laranja por mês e seu faturamento está estimado em R$ 21 milhões em 2014 - cerca de 50% do total já proveniente das vendas no país, ancoradas nas prefeituras. Segundo Vicentim, os 350 cooperados que hoje fazem parte do grupo, que colhem 600 mil caixas de 40,8 quilos de laranja em uma área de atuação que envolve uma dezena de municípios, já têm condições de ampliar o fornecimento de frutas para a produção de 1 milhão de litros de suco de laranja por mês se houver demanda.

Desde o início das atividades, as frutas colhidas pelos citricultores do grupo são processadas em equipamentos de terceiros, inclusive das grandes indústrias - Cutrale, Citrosuco e Louis Dreyfus Commodities, que dominam os embarques brasileiros e globais de suco de laranja. "Temos que apostar no mercado interno, que ainda é pouco explorado. Não é fácil, porque a cooperativa é pequena, mas temos um produto de qualidade e podemos crescer", afirma Vicentim.

Paulo Celso Biasioli, que no passado foi executivo de grandes indústrias e hoje é sócio da Crop Consultoria, lembra que entre as dificuldades enfrentadas por players de pequeno porte nessa área estão a carga tributária, os custos elevados de embalagens e transporte e a própria instabilidade do sabor da bebida produzida, que pode variar conforme a época do ano. "O problema da qualidade é inevitável. Para contorná-lo, é preciso investir em estocagem. O problema é que, muitas vezes, esse custo é transferido ao produto final, que fica caro ao consumidor".

Conforme o consultor, há capacidade disponível em fábricas de suco instaladas em São Paulo e em outros Estados para fomentar muitas outras iniciativas como a da Coagrosol. Em seus cálculos, as extratoras já instaladas podem esmagar mais de 400 milhões de caixas de laranja por ano. A CitrusBR, entidade que representa Cutrale, Citrosuco e Dreyfus, estima que, no total (incluindo empresas não associadas), menos de 260 milhões de caixas serão processadas nesta safra 2014/15 em São Paulo e no sul de Minas Gerais, que respondem por mais de 90% da produção nacional de suco. O volume previsto inicialmente era maior, mas houve perdas por causa da estiagem.

Estima-se que o processamento para a produção de suco integral pronto para beber destinado ao mercado interno absorverá apenas 2 milhões de caixas, suficientes para a fabricação de cerca de 16 milhões de litros. Fontes do segmento projetam que, com desoneração, embalagens adequadas e melhor estrutura de distribuição, as vendas no país poderão representar, no futuro, 20% da produção total. E há outros players, além da Coagrosol, interessados em que esse crescimento se confirme.

Com sede em Jarinu, na região de Campinas, a Natural One, é um deles. Liderada pelo empresário Ricardo Ermírio de Moraes, filho de Ermírio Pereira de Moraes e ex-executivo da Citrosuco, a empresa é mais diversificada, com um leque mais amplo de bebidas e sucos de outros sabores, mas também tem feito uma forte investida para elevar as vendas de suco de laranja 100% no varejo doméstico. Um dos diferenciais do produto da marca é a embalagem. Diferentemente da Direto da Fruta, da Coagrosol, ou mesmo de marcas tradicionais como Fazenda, que usam embalagens cartonadas, ou Xandô, vendidas em garrafas de plástico, a Natural One aposta no pet asséptico, em tamanhos diferenciados - há uma versão de 4 litros, por exemplo.

E, de acordo com o consultor Paulo Biasioli, que também é diretor-executivo da Associação de Citricultores da Região de Limeira (Alicitros), há iniciativas que ganham corpo em Bebedouro, também no interior paulista, e em municípios do Paraná, no Rio Grande do Sul e na Bahia, entre outros. (Valor Econômico 27/10/2014)

 

BSBios prepara aumento do volume de produção em 17%

A elevação da participação do biodiesel na fórmula do óleo diesel de 6% para 7% (o chamado B7), que começará a vigorar no dia 1 de novembro, fará com que as empresas do setor preparem-se para atender ao incremento da demanda, como é o caso da BSBios. O grupo pretende passar a atual capacidade de produção de 340 milhões de litros anuais, para aproximadamente 400 milhões de litros em 2015, um crescimento de cerca de 17%.

O diretor-presidente da BSBios, Erasmo Carlos Battistella, informa que a ampliação será feita nas unidades já existentes localizadas em Passo Fundo (RS) e Marialva (PR). O objetivo é manter a empresa entre as três maiores produtoras de biodiesel no Brasil. A companhia está em fase de detalhamento da iniciativa e ainda não possui o cálculo consolidado do investimento necessário para levá-la adiante. Em 2014, a BSBios projeta comercializar entre 300 milhões a 320 milhões de litros de biodiesel, contra aproximadamente 280 milhões de litros verificados no ano passado.

Battistella destaca que a evolução de mercado propiciada com o B7 será muito importante. No entanto, o empresário acrescenta que após as eleições, independentemente do resultado da disputa, os agentes do segmento tentarão discutir com o governo a criação de uma política de longo prazo, com previsibilidade. O executivo salienta que o País não chegou nem perto de atingir todo o seu potencial quanto ao consumo de biodiesel. De acordo com o dirigente, que também é presidente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), é possível alcançar uma participação de 10% do biocombustível na fórmula dobiodiesel, até meados do ano de 2018, e até 20% em longo prazo, entre 2025 e 2030. Esse tempo seria fundamental para a cadeia agrícola preparar-se para produzir as matérias-primas necessárias.

Segundo Battistella, atualmente cerca de 80% do biodiesel nacional é fabricado através da soja e o restante é complementado com outras oleaginosas e gordura animal. Se houver uma política consistente, com maior incremento do percentual do biocombustível, a tendência é diversificar a utilização das matérias-primas com o aproveitamento de culturas como a da canola, girassol, pinhão manso, entre outras. Apesar dessa perspectiva, o empresário enfatiza que a soja sempre terá um papel relevante dentro do segmento, pois o Brasil deverá consolidar-se como o maior produtor mundial desse grão.

Outro interesse da BSBios é quanto à produção de biolubrificantes, que podem ser utilizados, por exemplo, como óleo hidráulico para a área industrial. Battistella diz que as pesquisas sobre o assunto avançaram, entretanto não foi determinada a rota tecnológica a ser seguida. Nesse trabalho, a empresa conta com o apoio da sua parceira Petrobras, que em 2011 adquiriu, através de sua subsidiária integral Petrobras Biocombustível, 50% do capital social da BSBios. Recentemente, o Tribunal de Contas da União (TCU) realizou uma auditoria para analisar a associação das companhias. Battistella informa que o assunto já foi finalizado e é aguardada agora a publicação do relatório do tribunal. O empresário ressalta que a BSBios não teve acesso à análise do TCU. Conforme o dirigente, a investigação não afetou a parceria ou o planejamento das companhias. "E eu acredito que isso é salutar para mostrar que a Petrobras fez um negócio correto, um negócio bom", sustenta. Battistella foi o palestrante da reunião-almoço promovida pela Câmara Brasil-Alemanha, nessa quinta-feira, no Salão Nobre do Hotel Paza São Rafael, em Porto Alegre. (Jornal do Comércio 24/10/2014)

 

Preços da gasolina nos EUA caem para menor patamar em quase 4 anos

A média de preços do galão de gasolina nos Estados Unidos caiu 0,18 dólar, nas últimas duas semanas, para o menor nível em quase quatro anos, impulsionada por uma queda acentuada dos preços do petróleo, segundo pesquisa Lundberg divulgada neste domingo.

Os preços caíram 0,18 dólar para uma média de 3,08 dólares por galão de gasolina regular, segundo o levantamento quinzenal realizado em 24 de outubro, o menor preço desde dezembro 2010.

A queda reflete a redução dos preços do petróleo, que têm sido pressionados por amplos estoques globais e demanda fraca nos últimos quatro meses.

"A principal razão dos preços da gasolina estarem mais baixos é que os preços do petróleo caíram", disse a Trilby Lundberg.

O preço da gasolina caiu de um pico de 3,72 dólares em maio deste ano e é 0,29 dólar menor do que o mesmo período do ano passado, afirmou a pesquisa.
O preço mais alto no país foi registrado em São Francisco de 3,45 dólares por galão, com o menor preço em Memphis, de 2,73 dólares. (Reuters 26/10/2014)

 

Embrapa aposta na agricultura sustentável

"A inovação é o motor do desenvolvimento em mercados abertos, dinâmicos e intensivos em conhecimento", afirma Maurício Antônio Lopes, presidente da Embrapa. A estatal é exemplo da capacidade de transformação econômica da pesquisa e desenvolvimento (P&D). Nos últimos 40 anos, a ciência aplicada ao solo e às lavouras tornou o Brasil um dos maiores produtores globais de alimentos.

Com o avanço contínuo da ciência, o país enfrenta o desafio de acompanhar a velocidade de criação e, ao mesmo tempo, encontrar respostas para uma nova fronteira tecnológica: a agricultura sustentável. "O Brasil pode destacar-se no desenvolvimento de tecnologias e técnicas de manejo sustentáveis. Possuímos conhecimento, recursos naturais e mercado consumidor para justificar os investimentos", acrescenta Lopes.

Essa combinação poderosa fomenta a pesquisa. "O país tem toda condição de ser protagonista na economia verde. O desenvolvimento sustentável é a única saída para o globo e dependerá de muita inovação", destaca. Para ele, é importante o país definir suas prioridades em P&D, já que o orçamento é limitado e não é possível abarcar todos os segmentos. "Não dá para ser bom em tudo. Teremos de escolher áreas que nos dão vantagens comparativas e competitivas em relação a outros países", afirma.

Lopes defende a pesquisa pública como forma de garantir que o dinheiro aplicado retorne à sociedade. "As empresas privadas não vão se interessar por muitas linhas de pesquisa, especialmente as de longo prazo e com mais retorno social do que financeiro", explica.

Os estudos de agricultura sustentável, como a utilização de sistemas integrados de plantio, pecuária e manejo florestal são um bom exemplo disso. Segundo Lopes, é natural que as empresas concentrem seus esforços em defensivos, sementes e biotecnologia. "A pesquisa engajada com o planejamento econômico sempre dependerá de recursos públicos."

Lopes argumenta que as empresas precisam investir mais em P&D para fortalecer o orçamento global de cada setor produtivo. Como exemplo, cita o agronegócio brasileiro, cuja pesquisa é extremamente dependente do orçamento público. O investimento global em P&D corresponde entre 1,3% e 1,4% do PIB agropecuário, releva Lopes, quase 60% do total aplicado vem do orçamento da Embrapa. O poder público financia um pouco mais de 20%, o que eleva o financiamento estatal para mais de 80%. As empresas privadas respondem, historicamente, por menos de 20%. "Essa relação precisa mudar."

O orçamento da Embrapa em 2014 será de R$ 2,4 bilhões, dos quais, 70% do valor são destinados à folha de pagamento. Outros 30% são para investimentos e infraestrutura (Brasil Agro 24/10/2014)

 

Basf corta previsão para 2015, se preparando para fraqueza em mercados

A Basf, maior empresa química do mundo em vendas, cortou previsão de lucro para 2015 diante de fraca demanda nos mercados europeus e disse nesta sexta-feira que medidas de reestruturação vão apoiar o resultado a partir de 2017.

A Basf, cujos produtos incluem revestimentos para automóveis, espumas químicas e conversores catalíticos, cortou a estimativa para o crescimento da produção química global em 2015 para 4 por cento, ante 4,9 por cento anteriormente.

"As razões para este desenvolvimento econômico global fraco são óbvias: a dinâmica de crescimento reduzido de mercados emergentes e um atraso na recuperação da economia europeia", disse o presidente-executivo Kurt Bock.

Às 7h23 (horário de Brasília), as ações da Basf caíam 2,8 por cento.

A Basf reduziu a previsão para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em 2015 para 10 a 12 bilhões de euros, ante 14 bilhões de euros projetados previamente, e em linha com as expectativas do mercado.

Enquanto a Basf conta com a Ásia para o crescimento, a Europa é o seu mercado mais importante, respondendo por mais da metade das vendas do grupo.

A companhia de 150 anos, a primeira a fazer de fertilizantes nitrogenados produtos de massa cerca de um século atrás, disse que a reestruturação de seus negócios de produtos químicos de papel, aditivos plásticos e pigmentos contribuirá com cerca de 500 milhões de euros para o lucro a partir de 2017.

A empresa disse que o atual programa de eficiência estava à frente do previsto, tendo um efeito sobre o lucro até o final de 2015 que seria 300 milhões de euros superior ao projetado.

O lucro do terceiro trimestre antes de juros e impostos (Ebit) ajustado por itens extraordinários subiu para 1,84 bilhão de euros, acima da estimativa média de 1,74 bilhão em uma pesquisa da Reuters com analistas. (Reuters 24/10/2014)

 

Commodities Agrícolas

Cacau: Forte queda: Em um dia de desvalorização para várias commodities agrícolas, o cacau recuou de forma expressiva na sexta-feita na bolsa de Nova York com vendas técnicas e com o avanço da colheita. Os lotes para março fecharam em queda de US$ 62, para US$ 3.035 a tonelada. Nas sessões anteriores, as cotações subiram em meio a compras especulativas, o que favoreceu uma busca dos fundos pela realização dos lucros na sexta. Os fundamentos também têm favorecido cotações mais baixas, uma vez que a colheita continua avançando no oeste da África e aumentando a pressão das entradas da amêndoa nos portos. No mercado interno, o preço médio em Ilhéus/Itabuna ficou em R$ 110 a arroba na quarta-feira, de acordo com o último dado disponível da Central Nacional de Produtores de Cacau.

Café: Dança da chuva: A divulgação de previsões de chuva para o último fim de semana na sexta-feira desencadeou uma série de vendas de contratos de café na bolsa de Nova York, derrubando as cotações. Os papéis para março fecharam com recuo de 175 pontos, a US$ 1,9575 a libra-peso. Para Minas Gerais, o Inmet indicou que deveriam ocorrer chuvas moderadas a fortes no sul e centro do Estado. Para São Paulo, a previsão da Somar Meteorologia era de clima mais úmido e menos quente, mas com precipitações fracas e isoladas. Mesmo que as previsões tenham se confirmado, o volume de chuvas ainda não é suficiente para amenizar a seca nos cafezais. Segundo a Cooxupé, várias áreas em MG estão com déficit hídrico superior a 150 milímetros. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica caiu 2,4%, a R$ 446,22 a saca.

Algodão: Vendas aquecidas: O mercado do algodão ampliou os ganhos de quinta-feira e registrou na sexta-feira mais uma alta na bolsa de Nova York, ainda sob influência do aumento das vendas externas dos EUA. Os contratos para março subiram 29 pontos, a 62,17 centavos de dólar por libra-peso. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou que, entre 10 e 16 de outubro, os americanos acertaram a exportação de 78,8 mil toneladas da pluma, dez vezes mais do que na semana anterior, apesar da valorização da commodity no período na comparação com a semana anterior. O aquecimento das vendas americanas foi avaliado como um sinal positivo, em meio a um cenário de baixa demanda diante da perspectiva de menor importação chinesa. O indicador Cepea/Esalq para a pluma subiu 0,09%, a R$ 1,6482 a libra-peso.

Soja: Recuo em Chicago: Os futuros da soja caíram na sexta-feira na bolsa de Chicago sob pressão dos fundamentos e com uma acomodação por parte dos investidores, após fortes altas especulativas. Os lotes para janeiro fecharam a US$ 9,8325 o bushel, queda de 16,75 centavos. O clima favorável para o avanço da colheita nos EUA e para o plantio no Brasil favorecem a queda dos preços. Apesar do recuo de sexta, os contratos do grão subiram 23,5 centavos na semana em meio a turbulências no mercado financeiro internacional. Essas altas foram resultado de recompras por parte dos fundos, que aumentaram sua posição comprada líquida em 43% na semana encerrada dia 21. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a oleaginosa no Paraná subiu 0,51%, para R$ 60,98 a saca. (Valor Econômico 27/10/2014)