Setor sucroenergético

Notícias

Total e Raízen disputam cada litro de combustível da Ale

Quem vai ficar com a Ale?
A resposta só virá ao fim do leilão em que se transformou a venda da quarta maior rede de postos de combustíveis do Brasil.
A companhia, controlada pelos empresários Marcelo Alecrim e Sergio Cavalieri, permanece sobre o balcão desde o fim de 2013.
A francesa Total e a Raízen, leia-se Cosan e Shell, estão na disputa.
Segundo fonte do setor, o BTG Pactual também demonstrou interesse pela empresa no mercado, desconfia-se que o banco apenas representaria os interesses de um grupo estrangeiro ainda não presente no Brasil.
Se a Ale estivesse exposta na Sotheby´s, talvez o martelo já tivesse sido batido.
No entanto, as conversações têm sido marcadas por uma série de idas e vindas.
Na visão dos pretendentes à compra da Ale, Cavalieri e Alecrim são dois leiloeiros com uma dose de ganância além da conta. Procurada pelo RR, a Ale não confirmou as informações e garantiu que segue com o "plano de crescimento previsto para 2014".
A Total esteve muito perto de fechar a aquisição da Ale.
Chegou, inclusive, a firmar um contrato de exclusividade para negociar a compra da empresa, que venceu em fevereiro deste ano.
Os franceses aceitaram pagar a cifra de R$ 1 bilhão estipulada pelos donos da Ale. No entanto, de acordo com a mesma fonte, Alecrim e Cavalieri teriam inflacionado a pedida para algo perto de R$ 1,2 bilhão.
Foi a vez da Raízen concordar com as novas condições, mas a novela teria se repetido: na hora H, os controladores da Ale regatearam.
Segundo a fonte do RR, as conversações tanto com a Total quanto com Rubens Ometto prosseguem, porém num tom bem mais rascante.
Alecrim e Cavalieri valorizam ao máximo o mais cobiçado ativo do setor, a última das grandes distribuidoras nacionais ainda imunes ao processo de consolidação do setor.
Para a Total, de modesta presença no mercado brasileiro, a aquisição significaria o passaporte para o topo do comércio retalhista.
No caso da Raízen, por sua vez, a operação valeria um empate técnico com a Ipiranga, na vice-liderança do ranking. Ambas passariam a ter cerca de 14 mil postos, atrás apenas da BR, dona de 20 mil postos. (Jornal Relatório Reservado 29/10/2014)
 

Açúcar: Gangorra com o dólar

Se na segunda-feira o dólar subiu e derrubou o açúcar no mercado futuro, ontem a moeda americana recuou e impulsionou as cotações do produto na bolsa de Nova York, ainda refletindo a preocupação após a eleição de Dilma Rousseff para um segundo mandato.
Os lotes para maio fecharam em 16,43 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 9 centavos.
Na hora do fechamento da commodity, o dólar caía 1,4% ante o real.
A baixa volatilidade indica cautela entre os traders, já que, apesar da perspectiva de encurtamento da safra no Centro-Sul, a produção continua acima do ciclo passado.
Também há incertezas quanto à oferta na China, Tailândia e Índia.
No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,9%, para R$ 49,17 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 29/10/2014)
 

Governo prepara reajuste da gasolina, reunião será nesta sexta-feira

O governo espera acalmar o mercado financeiro com o anúncio, em breve, do reajuste dos preços dos combustíveis, informou uma fonte no governo. Em uma só tacada, a idéia é aplacar o mau humor do mercado e atender às necessidades de recomposição de caixa da Petrobras.
O Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, apurou, porém, que o reajuste deve ser menor do que vem pedindo a presidente da estatal, Graça Foster, nos últimos meses.
O Palácio do Planalto ainda não bateu o martelo sobre quando será o aumento de preço, mas o tema está na pauta da reunião do conselho de administração da companhia.
Na manhã seguinte ao resultado das eleições, a Petrobras divulgou dois comunicados positivos aos investidores, mas, ainda assim, as ações se mantiveram em queda durante o dia. As ações preferenciais caíram 12,33% e as ordinárias, 11,34%.
Antes da abertura das operações financeiras na BM&FBovespa, foi anunciada a descoberta de petróleo na perfuração do primeiro poço do super campo de Libra, pré-sal da Bacia de Santos, que já estava registrada desde sexta-feira, 24, na Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP).
A produção no pré-sal foi um trunfo usado na campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff, que promete transformar o petróleo em R$ 1,3 trilhão para a educação em 35 anos. Em seguida, a Petrobras comunicou a contratação de duas consultorias para investigar casos de corrupção na empresa, outro tema muito debatido nos últimos meses. Mas nada conteve a queda dos papéis.
Reunião
O reajuste dos combustíveis, que, pela perspectiva do governo, vai melhorar o ânimo do mercado, está na pauta da reunião do conselho de administração da próxima sexta-feira, dia 31.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já disse que aumentos de preços ocorrerão ainda em 2014, seguindo a tradição de conceder ao menos um reajuste a cada ano. Dentro do conselho de administração, no entanto, não há um consenso de que este seja o melhor momento.
"Os preços estão ajustados ao mercado internacional, não tem defasagem. Será que o governo vai reajustar com a inflação do jeito que está? A justificativa era a defasagem, agora não acho que o governo arriscaria a meta da inflação. Só vamos saber na sexta-feira", avaliou o conselheiro Silvio Sinedino, que representa os trabalhadores no colegiado.
A "extensa e dura" pauta prevista para a reunião do conselho passa também pela análise dos resultados da companhia no terceiro trimestre, mantidos em sigilo, e pelas novas denúncias de irregularidades decorrentes das investigações na Operação Lava Jato.
A partir de agora, diz Sinedino, a estatal deverá reforçar agendas positivas para reverter o que chama de "pessimismo" que se abateu na própria companhia e no mercado.
O anúncio de reajustes de preços, de investigação da corrupção ou de novas descobertas no pré-sal talvez não sejam suficientes para mudar o ânimo dos investidores. A percepção é que falta anunciar a adoção de uma política clara de variação dos preços, que torne os prazos e porcentuais dos reajustes previsíveis, diz Walter De Vitto, da consultoria Tendências.
A avaliação é que, reeleita, a presidente Dilma tende a prosseguir com a política de contenção dos preços dos combustíveis, o que, em sua opinião, impossibilita que a companhia aproveite ao máximo as oportunidades do mercado. (O Estado de São Paulo 28/10/2014)
 

Estudo aprova gasolina com 27,5% de etanol

O governo se prepara para dar uma boa notícia ao segmento sucroalcooleiro, que lhe fez forte oposição nas eleições. Em novembro, o Palácio do Planalto deve divulgar que um estudo técnico comprovou ser possível elevar a proporção de etanol anidro na gasolina para 27,5%, medida considerada fundamental para amenizar a crise das usinas.
O Valor apurou que o estudo, realizado pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras, já foi concluído e que os testes mostraram que os motores dos automóveis e motos movidos exclusivamente a gasolina suportariam perfeitamente a nova composição sem perda de eficiência. Hoje, o percentual de mistura está fixado em 25%. (Valor Econômico 29/10/2014)
 

Cofco passa a controlar Nidera e Noble Agri

Em mais um caso de consolidação entre as tradings globais de agronegócio, a estatal chinesa Cofco anunciou ontem que concluiu as duas negociações que já havia anunciado neste ano: a aquisição de 51% Nidera, a maior trading de agronegócio da Holanda com volume de operações de US$ 17 bilhões, e de 51% do braço de agronegócio da asiática Noble Group, a Noble Agri, que no Brasil tem também usinas de cana-de-açúcar.
Com isso, a estatal estabelece canais de originação de commodities agrícolas na América do Sul e em outros importantes mercados produtores de grãos e fibras. Conforme comunicado da Cofco, as duas transações são as maiores aquisições internacionais da história da estatal e do mercado chinês de grãos e óleos vegetais. O investimento foi feito pela estatal chinesa e por um consórcio de investidores formado por Hopu Investment, Temasek, Standard Chartered Private Equity e IFC, braço de desenvolvimento do Banco Mundial. A chinesa contribuiu com 60% do investimento e o consórcio, com 40%.
A Nidera tem como carro-chefe a originação, processamento, comércio, estocagem e embarque de commodities agrícolas e produtos de bioenergia. Também distribui sementes, fertilizantes e defensivos.
Já a Noble Agri opera principalmente como trading agrícola com originação na América do Sul, Austrália, Índia, Leste Europeu e África do Sul. Em 2013, a Noble Agri movimentou quase 45 milhões de toneladas de produtos e gerou vendas superiores a US$ 15 bilhões. No Brasil, tem quatro usinas de cana-de-açúcar no Estado de São Paulo, que somam capacidade para processar 17 milhões de toneladas.
Com as transações, os ativos da Cofco vão superar US$ 57 bilhões. A capacidade de armazenagem será de 15 milhões de toneladas, a de processamento, de 84 milhões, e a de embarque em portos, de 44 milhões de toneladas. A receita agregada da nova Cofco vai alcançar US$ 63,3 bilhões, conforme comunicado da estatal.
Ao todo, a chinesa terá condições de movimentar 150 milhões de toneladas de produtos agrícolas por ano. A nova Cofco vai também deter sua própria plataforma de originação e rede de comercialização, envolvendo cultivo, compra, estocagem, logística e terminais portuários ao redor do mundo.
Com a operação, a Cofco espera estabelecer um canal de conexão entre grandes áreas de produção de grãos, incluindo a América do Sul e as regiões do mar Negro, e grandes áreas de consumo na Ásia, onde está o maior mercado e onde a demanda por alimentos tende a continuar crescendo, afirma a empresa. "Essas aquisições vão permitir à Cofco penetrar em plataformas de originação em áreas-chave do planeta e definir as bases para tornar a empresa a maior líder global no setor", disse o executivo da estatal, Frank Ning. (Valor Econômico 29/10/2014)
 

Modelo matemático estima a produção de cana sob diferentes condições climáticas

Os modelos de estimativa de produtividade agrícola utilizados hoje não conseguiram prever o rendimento da cana-de-açúcar na safra dos canaviais paulistas este ano em razão de uma das piores estiagens já registradas no Sudeste nas últimas décadas.
“Nem o mais pessimista dos cenários de condições climáticas projetados pelos modelos matemáticos chegou perto do que aconteceu na safra da cana-de-açúcar de São Paulo este ano”, disse Edgar Gomes Ferreira de Beauclair, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), à Agência FAPESP.
“As projeções climáticas para a safra da cana-de-açúcar no estado para este ano indicavam que haveria uma redução da disponibilidade hídrica para a cultura agrícola de cerca de 10% em relação a 2013. Tivemos, contudo, uma queda de mais de 50% de disponibilidade hídrica, dando origem ao pior cenário climático para a cana-de-açúcar cultivada em São Paulo observado nos últimos anos, com muito calor e pouca umidade”, avaliou.
No entanto, um modelo matemático de estimativa do potencial rendimento da cana-de-açúcar baseado em parâmetros climáticos – desenvolvido pelo pesquisador em colaboração com colegas do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) – conseguiu estimar a produtividade final da planta cultivada em São Paulo na safra atual com índice de acerto de mais de 90%.
Criado no âmbito de um projeto realizado com apoio da FAPESP, o modelo foi apresentado por Beauclair no 2nd Brazilian BioEnergy Science and Technology Conference (BBEST), que ocorreu de 20 a 24 de outubro em Campos do Jordão (SP).
“A previsão da produtividade final da cana-de-açúcar para a safra de São Paulo este ano era de 65 toneladas por hectare, em função do déficit hídrico”, disse Beauclair. “O modelo matemático que desenvolvemos conseguiu chegar muito perto dessa estimativa, apontando que a produtividade da planta no estado este ano seria entre 60 e 65 toneladas por hectare”, contou.
De acordo com o professor, o modelo começou a ser desenvolvido no início da década de 1980, quando era pesquisador do Centro de Tecnologia da Copersucar – atual CTC.
O objetivo, na época, era desenvolver um modelo de otimização de safra da cana-de-açúcar. A versão inicial do projeto, entretanto, esbarrava na falta de confiança dos cenários climáticos projetados.
“O modelo matemático desenvolvido na época teve o mérito de ser um dos pioneiros no Brasil, mas carecia de projeções mais confiáveis. Por isso, começamos a buscar um modelo mais crível de previsão para a formação de cenários de produção de cana”, afirmou.
Por meio da pesquisa de doutorado de Maximiliano Salles Scarpari, feita entre 2004 e 2006 e orientada por Beauclair, os pesquisadores chegaram a um modelo de previsão da maturação da cana-de-açúcar da espécie Saccharum spp. com até três meses de antecedência.
Nos últimos anos, com o projeto “Contribuição de produção de bioenergia pela América Latina, Caribe e África ao projeto GSB-Lacaf-Cana-I”, o modelo matemático foi aprimorado e passou a ser capaz de prever a produtividade de um canavial por hectare durante uma determinada safra.
Para fazer essas estimativas, o modelo se baseia em dados da produtividade do canavial na safra anterior e em indicadores de radiação solar e de déficit hídrico para a safra atual, obtidos a partir de previsões meteorológicas e de balanço hidrológico feitas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para diferentes regiões do país.
“Quanto maior a radiação solar e menor o déficit hídrico durante uma safra, maior será a produtividade da cana-de-açúcar plantada”, disse Beauclair.
“Com base nesses dois indicadores – que são cruciais para a cana –, o modelo consegue prever a produtividade de um canavial tanto em pequena como em larga escala”, afirmou.
Testes de projeções
De acordo com Beauclair, o modelo foi testado para estimar a produtividade de um canavial com 2 mil hectares na região de Pirassununga, no interior de São Paulo, durante as safras dos últimos cinco anos.
No teste, foram levantados dados de maturação, idade do canavial, solo, variedades de cana utilizada, florescimento da planta e aplicação de maturadores, além do tipo de manejo adotado.
“Essas variáveis são relativamente fáceis de ser avaliadas e, combinadas com dados climáticos, podem dar uma boa perspectiva do que vai acontecer”, disse Beauclair.
“Os modelos existentes hoje solicitam muitas variáveis, como a taxa de fotossíntese de um canavial, que é difícil de um produtor obter para realizar o planejamento de uma lavoura. Nosso modelo utiliza variáveis mais simples”, comparou.
Com técnicas de pesquisa de programação linear – em que as alternativas de aumento da produção em diferentes cenários climáticos são comparadas e testadas por recursos matemáticos e computacionais –, o modelo possibilitou planejar o manejo da lavoura para atingir os objetivos de produção, mantendo os mesmos parâmetros de variedade de cana e maturadores utilizados na safra anterior.
“Uma premissa do modelo desenvolvido é que, quanto mais dados do sistema de produção de uma área analisada e quanto menor a alteração dos parâmetros de uma safra para a outra, maior será a precisão da estimativa.”
“Considerando que os parâmetros de produção dos canaviais de São Paulo seguidos na safra atual não mudarão na próxima, é possível prever a produtividade da cana no estado com relativa precisão”, afirmou.
O modelo está sendo utilizado agora no âmbito do projeto Bioenergy Contribution of Latin America & Caribbean and Africa to the Global Sustainable Bioenergy Project (Lacaf-Cana), apoiado pela FAPESP no âmbito do Programa de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), para realizar a previsão de produção de cana-de-açúcar em Moçambique e Colômbia.
Iniciado em 2013, o projeto tem o objetivo de analisar as possibilidades de produção de etanol de cana-de-açúcar nesses dois países e também na Guatemala e na África do Sul.
“As condições climáticas e de solo de Moçambique e da Colômbia são muito diferentes das do Brasil”, avaliou Beauclair.
“Em Moçambique, o regime hídrico e climático são semelhantes ao do Cerrado brasileiro; o país precisará de irrigação para cultivar cana. Já a Colômbia tem uma outra condição hídrica, com situações de encharcamento, muitas vezes”, comparou.
De acordo com o pesquisador, o modelo faz projeções de diferentes cenários climáticos, sendo um primeiro mais otimista, o segundo intermediário e o terceiro mais pessimista.
A ideia, segundo ele, é que o modelo seja disponibilizado publicamente e possa ser adaptado a outras plantas usadas na produção de biocombustíveis, que não somente a cana-de-açúcar.
“Em princípio, o modelo pode ser adaptado para fazer estimativas de produção de qualquer cultura de biomassa”, afirmou.
O artigo Physiological model to estimate the maturity of sugarcane (doi: 10.1590/S0103-90162009000500006), de Scarpari e Beauclair, pode ser lido na revista Scientia Agricola. (Agência FAPESP 28/10/2014)
 

Preço derruba receita do agronegócio no mês

As receitas com as exportações do agronegócio mantiveram ritmo de queda neste mês em relação a igual período do ano passado.
A Secex (Secretaria de Comércio Exterior) deverá divulgar no início de novembro uma redução de pelos menos 4% no valor acumulado das receitas dos dez principais produtos da balança comercial do agronegócio.
Essa queda ocorre devido à redução média dos preços praticados no mercado externo, principalmente nos dos grãos.
Essa queda só não é maior porque alguns produtos, como café e carnes, tiveram uma intensa recuperação de preços neste ano, puxando as receitas para cima.
Os dez principais produtos da balança do agronegócio deverão atingir US$ 5,4 bilhões neste mês, tomando como base o desempenho registrado até a semana passada. No mesmo período do ano passado, as receitas somavam US$ 5,7 bilhões.
A liderança nas exportações neste mês é do açúcar, cujas receitas com as vendas do produto bruto e refinado devem atingir US$ 1,15 bilhão, 5% mais do que em igual mês do ano passado.
Esse aumento financeiro vem do maior volume de açúcar embarcado neste mês, que deve superar em 12% o do ano passado. O preço médio do açúcar em bruto recuou 4%, enquanto o do refinado caiu 12% no mercado externo em relação a outubro do ano passado.
Dois outros produtos --café e frango-- vão render acima de US$ 600 milhões neste mês e ajudam a segurar a queda da balança do setor.
O café, cujo volume deverá atingir 3 milhões de sacas, vai render US$ 629 milhões, receitas que foram puxadas pelos preços médios.
O Brasil está exportando a saca de café por US$ 208, em média, neste mês, 43% mais do que em outubro do ano passado.
O frango, líder entre as exportações de proteínas, deverá atingir um volume de 335 mil toneladas, com receitas de US$ 657 milhões. Esse bom desempenho do produto se deve tanto ao aumento de volume quanto ao dos preços médios praticados no mercado externo. (Folha de São Paulo 29/10/2014)
 

Mercado do etanol segue desaquecido e com preços estáveis em São Paulo, aponta Cepea

Indicador teve queda de 0,7% na última semana no Estado.
O baixo interesse comprador e a retração de usinas mantiveram, por mais uma semana, os preços do etanol praticamente estáveis no mercado paulista. Entre 20 e 24 de outubro, o Indicador Cepea/Esalq do hidratado teve média de R$ 1,1356/litro (sem impostos), ligeira queda de 0,7% em relação à semana anterior.
Quanto ao anidro, o recuo também foi pequeno, de 0,6% em igual comparativo, com o Indicador na média de R$ 1,2979/l (PIS/Cofins zerados).
Segundo o Cepea, o número de negócios chegou a ser um pouco maior no início da última semana, mas, de quarta-feira em diante, distribuidoras voltaram a se retrair. Com os preços enfraquecidos, compradores postergaram os negócios, aguardando novas quedas.
Para os próximos dias, a oferta pode aumentar, dada a necessidade de unidades “fazerem caixa” para arcar com despesas de folha de pagamento em início de mês. (Rural BR 28/10/2014 às 15h: 31m)
 

Menor oferta valoriza açúcar cristal no spot

Entressafra prolongada e menor produção de açúcar da atual temporada têm elevado os preços.
Estimativas indicando entressafra mais prolongada e a menor produção de açúcar da atual temporada têm elevado os preços do cristal no mercado spot paulista desde o início deste mês, segundo informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Esse cenário tem resultado em uma postura mais firme das usinas, que mantêm os valores pedidos nas negociações.
Na segunda, dia 27, o Indicador Cepea/Esalq do açúcar cristal (mercado paulista), cor Icumsa entre 130 e 180, fechou a R$ 48,73 a saca de 50 quilos, alta de 1,43% em relação à segunda anterior.
De acordo com dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), até a primeira quinzena de outubro, 22 usinas já haviam encerrado a moagem da atual safra (2014/15) na região Centro-Sul.
No mesmo período da temporada passada, apenas seis unidades haviam finalizado o processamento. Além disso, o volume de cana moída foi 23% inferior na mesma comparação. (Rural BR 28/10/2014 às 11h: 35m)
 

Elevação da carga tributária pode ser "inevitável" em meio à correção de rota

O ajuste fiscal esperado para o segundo mandato de Dilma Rousseff pode, segundo economistas, contemplar um aumento da carga tributária. A elevação é vista como algo "inevitável" por Bernard Appy, sócio da LCA Consultores e ex-secretário-executivo do Ministério da Fazenda, que participou ontem de evento em São Paulo. Para ele, a elevação da Cide (contribuição sobre combustíveis), dentre outros impostos, deve abrir espaço para a melhora da situação fiscal.
Também presente no debate, Raul Velloso, consultor econômico especializado em contas públicas, enxerga a possibilidade de aumento da carga tributária, que pode, segundo sua avaliação, ir além da recomposição da Cide. "A volta da CPMF não está descartada", afirmou. Velloso ressaltou, no entanto, que sem uma crise internacional que a justifique, a recriação da contribuição pode enfrentar barreiras no Congresso.
Para Appy, a volta da Cide é importante para dar competitividade ao setor de álcool, enquanto a CPMF seria uma possibilidade, embora politicamente difícil.
Ao discorrer sobre outros tributos, Appy disse que um imposto sobre grandes fortunas - em voga atualmente em razão dos estudos de Thomas Piketty, economista francês especialista em desigualdade - não funcionaria, pois tem uma eficácia ruim em todo lugar onde é aplicado. No lugar do tributo, afirmou Appy, seria mais recomendável um aumento da alíquota do imposto sobre heranças, atualmente em 4%, o que considera "baixíssimo".
Para Appy, elevar a alíquota para algo entre 10% e 15% seria uma boa alternativa e não geraria nenhuma fuga de capital do país. "É um imposto socialmente justo, não tem nada de errado nele e todo mundo usa."
O economista da LCA afirmou ainda que a estrutura de política fiscal brasileira conspira contra o crescimento de longo prazo, justamente por se basear em ajustes feitos via aumento de carga tributária e corte de investimentos públicos. Para sair desse ciclo, diz, é preciso reagir às restrições fiscais, aumentando a carga tributária, mas sinalizando que esse aumento será desfeito no longo prazo, revertendo o que hoje é o padrão brasileiro. (Valor Econômico 29/10/2014)
 

Governo admite alta do juro ainda em 2014

Copom deve manter taxa básica nesta quarta, mas assessores presidenciais não descartam elevação em dezembro. Há temor de efeitos do deficit público e do dólar na inflação; avaliação é que cenário depende de reação a novo ministro.
Na primeira reunião após a reeleição de Dilma Rousseff, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central deve manter nesta quarta (29) os juros básicos da economia em 11% ao ano, mas assessores presidenciais não descartam uma alta no último encontro do ano, em dezembro.
Segundo a Folha apurou, o Planalto espera terminar 2014 sem novos apertos na política monetária, mas há uma preocupação no governo com dois indicadores da economia: a taxa de câmbio e o resultado das contas públicas.
Para assessores, a combinação de um dólar em alta nas próximas semanas e de novos deficit primários do setor público pode gerar mais combustível para a inflação nesta reta final do ano e início de 2015, quando começa o segundo mandato de Dilma.
Nesse caso, o Copom teria de avaliar a necessidade de antecipar um aperto na política monetária, que o mercado estava prevendo apenas para 2015. Uma sinalização de que esse cenário está dentro do radar do BC pode ser dada na ata do comitê sobre a decisão de hoje, que será divulgada na próxima semana.
O temor do governo é que a inflação entre mais pressionada no ano de 2015. Em setembro, o IPCA chegou a 6,75% no acumulado em 12 meses. A expectativa do mercado é que o indicador permaneça acima do teto até novembro e recue para 6,44% só em dezembro. Previsões que podem não se concretizar.
Ontem, o dólar fechou em queda, na casa de R$ 2,47. O cenário, contudo, ainda é de instabilidade e só deve se normalizar quando Dilma definir a nova equipe econômica.
Uma ala do governo defende ainda o anúncio de medidas fiscais para reverter o quadro de contas públicas no vermelho --nos últimos quatro meses, o Tesouro não conseguiu economizar para pagar os juros da dívida e registrou déficit primários.
Para um assessor, está nas mãos do Planalto a definição sobre os juros no final do ano. A avaliação é que, caso o mercado se acalme com o nome do futuro ministro da Fazenda e seja divulgado um ajuste fiscal crível, o cenário para a inflação ficará benigno e dispensará um aperto imediato na política monetária.
Em sua mais recente previsão, o BC projetou inflação de 6,3% no fim de 2014, mas com um dólar a R$ 2,25. O aumento de 10% na cotação desde então é suficiente para estourar o limite da meta.
O mercado também aguarda uma definição sobre a diretoria do BC.
Os membros do Copom, funcionários públicos de carreira, são os mesmos desde 2012. Três diretores têm tempo de casa para se aposentar: Altamir Lopes (Administração), Sidnei Marques (Organização do Sistema Financeiro) e Luiz Edson Feltrim (Relacionamento Institucional). (Folha de São Paulo 29/10/2014)
 

Contrato com empresários paulistas reativará usina de açúcar no Ceará até 2016

Adece celebrou, na quarta-feira passada, contrato de comodato com grupo de empresários paulistas.
O setor canavieiro da região do Cariri poderá ser reativado com a criação de nova empresa que será responsável pelo funcionamento da Usina Manoel Costa Filho, em Barbalha, a Golden Nordeste. Há mais de uma década desativada, nesta semana foi fechado contrato de comodato entre a Agência de Desenvolvimento do Ceará (Adece) e empresários de São Paulo, para cessão da Usina e gestão do grupo em 120 dias. Depois de várias empresas negociando a compra da usina com o Estado, que adquiriu o empreendimento em leilão por R$ 15,4 milhões há mais de um ano, esse foi o grupo que mais avançou nas negociações.
Empresários de São Paulo já chegaram a realizar pelo menos três visitas técnicas em Barbalha, para avaliar as condições de funcionamento do empreendimento, criado em 1973. Grande parte do maquinário deverá passar por um processo de recuperação e modernização. Conforme o regime de comodato, será feito levantamento técnico da usina durante quatro meses, para viabilizar a sua recuperação.
A meta é possibilitar um plano de revitalização da fábrica, para só então reiniciar a produção, principalmente de açúcar. Um dos problemas é que a matéria-prima praticamente deixou de ser produzida na região, para dar sustentabilidade à empresa. O presidente da Adece, Roberto Smith, disse que a meta é realizar investimentos na recuperação da usina e também incentivar o setor produtivo, por meio de parceria com o governo do Estado.

Otimismo

Há 15 dias, a equipe de São Paulo esteve em Barbalha. Pequenos produtores locais, a exemplo do presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Francisco Pereira, se animam com a ideia de funcionamento da agroindústria.
Pereira destaca a necessidade de propiciar condições para pequenos produtores. Desde que a usina foi desativada, aconteceu uma saída em massa de trabalhadores de Barbalha para fazendas do Sul e Sudeste e até mesmo do interior da Bahia tem sido frequente. "O produtor vê essa possibilidade com alegria. Uma alternativa que, dando certo, fará com que os produtores permaneçam em sua terra", diz ele.
Nos últimos anos, houve grande redução do plantio de cana-de-açúcar no Cariri, gerando o fechamento da maioria dos engenhos. Atualmente são apenas dois em funcionamento, e Barbalha passou a contar, desde julho deste ano, com a Fábrica-Escola de Cana-de-Açúcar, para processamentos dos derivados do produto e possibilitar a formação de novos técnicos.
Funcionamento
A expectativa dos investidores é que a usina seja recuperada e volte a funcionar até 2016. Até lá, conforme estimativas, os investimentos na recuperação dos equipamentos poderão chegar a R$ 35 milhões.
Cerca de R$ 170 milhões serão investidos, incluindo o incentivo ao pequeno produtor. A Agência deverá concentrar 10% das ações do empreendimento.
Equipamento teve seu auge na década de 1970
A Usina Manoel Costa Filho começou a operar em Barbalha em 1973 e paralisou suas atividades, no ano de 2004, com um grande passivo de dívidas com os funcionários. Muitos deles ainda não chegaram a receber os seus direitos, e outros, conforme o Sindicato dos Trabalhadores Rurais local, receberam parte da dívida.
A meta é colocar a usina para funcionar em 2016, para a produção de até 600 toneladas de açúcar por ano, além de outros derivados da cana. A agroindústria chegou a representar na década de 80, auge da produção, cerca de 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), do Ceará.
Implantada na região por Fernando Júlio Maranhão, por três décadas incentivou o cultivo e foi responsável por 4 mil empregos diretos e indiretos, 500 deles na usina, número que deverá ser reduzido pela metade com a modernização dos equipamentos. O declínio da usina aconteceu também num momento em que houve maior restrição no plantio. Com isso, houve o favorecimento da migração do trabalhador rural para outros Estados. (Dário do Nordeste 28/10/2014)
 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Gangorra com o dólar: Se na segunda-feira o dólar subiu e derrubou o açúcar no mercado futuro, ontem a moeda americana recuou e impulsionou as cotações do produto na bolsa de Nova York, ainda refletindo a preocupação após a eleição de Dilma Rousseff para um segundo mandato. Os lotes para maio fecharam em 16,43 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 9 centavos. Na hora do fechamento da commodity, o dólar caía 1,4% ante o real. A baixa volatilidade indica cautela entre os traders, já que, apesar da perspectiva de encurtamento da safra no Centro-Sul, a produção continua acima do ciclo passado. Também há incertezas quanto à oferta na China, Tailândia e Índia. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo subiu 0,9%, para R$ 49,17 a saca de 50 quilos.
Cacau: Níveis de maio: O mercado do cacau registrou a segunda forte queda consecutiva ontem na bolsa de Nova York conforme avança a colheita no oeste da África. Os contratos com vencimento em março de 2015 fecharam em US$ 2.913 a tonelada, com baixa de US$ 44. Os valores do produto esta semana voltaram para patamares que não eram registrados desde maio. O clima permanece firme nas áreas produtoras de Costa do Marfim e Gana, o que favorece o avanço da colheita e a secagem das amêndoas. O recente recuo dos preços também está relacionado à expressiva liquidação de posições por parte de fundos que estavam comprados. No mercado interno, o preço médio do cacau nas praças de Ilhéus e Itabuna manteve-se em R$ 107 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.
Soja: Aperto momentâneo: Os preços da soja registraram mais um dia de alta ontem na bolsa de Chicago, refletindo a situação do mercado nos EUA e movimentos de fundos. Os lotes para janeiro fecharam em baixa de 2,25 centavos, a US$ 10,15 o bushel. Nos EUA, os produtores têm resistido a comercializar a nova safra por causa do baixo retorno, o que dá sustentação às cotações. Boa parte do pouco volume negociado irá para exportação, o que reduz a oferta interna. Além disso, a demanda das processadoras dos EUA está aquecida e sustenta os preços do farelo, que por sua vez dão mais um impulso à oleaginosa no mercado futuro. Compras por parte dos fundos também intensificam a valorização. No mercado doméstico, o preço médio da saca no Paraná apurado pelo Deral/ Seab subiu 3,21%, para R$ 59,80.
 
Trigo: Receio com qualidade: Os futuros do trigo subiram ontem nas bolsas americanas por conta da preocupação com a qualidade das lavouras dos EUA. Em Chicago, os contratos para março de 2015 fecharam a US$ 5,445 o bushel, com alta de 8 centavos. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os lotes para igual prazo de entrega fecharam a US$ 6,06 o bushel, alta de 7,5 centavos. Na segunda-feira, após o fechamento, o USDA informou que 59% da área plantada nos EUA com trigo de inverno estava em situação boa a excelente, abaixo dos 61% observados na mesma época do ano passado. O plantio ocorreu em meio a chuvas no país, o que leva os traders a temerem pela qualidade do cereal. No mercado interno, o preço médio do trigo no Paraná apurado pelo Cepea/Esalq subiu 1,5%, para R$ 544,32 a tonelada. (Valor Econômico 29/10/2014)