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Safra trágica: Canaplan revela o tamanho da crise com série de indicadores

O sócio-diretor da Canaplan, Luiz Carlos Corrêa Carvalho, considerou “trágica” a situação da atual safra, cuja estimativa de moagem no Centro-Sul foi ajustada para 544 milhões de toneladas. No início da safra, em abril, a Canaplan foi a responsável pela estimativa mais próxima do resultado que está se desenhando para a safra atual, quando previu uma moagem de 540 milhões de toneladas.

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Carvalho comentou os dados apresentados durante a segunda reunião da consultoria, realizada na semana passada em Ribeirão Preto (SP). “A safra se desenhou até certo ponto como trágica. Com isso, o setor aumenta o endividamento de forma perigosa”, diz.

Além de um excessivo déficit de irrigação (veja os gráficos abaixo), os canaviais paulistas, que respondem por mais de 60% da produção nacional de cana-de-açúcar, sofreram com a queda de produtividade.

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Em todo o estado, as unidades registraram quedas de produtividade expressivas, entre 10 e 25%.

“Outros estados tiveram uma situação mais amena, mas o foco do problema da seca foi o estado de São Paulo”, contextualiza Carvalho.

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Outro dado que chama a atenção é a baixa produtividade do setor.

Enquanto que na safra 2013/14 mais de 34% das unidades do Centro-Sul registraram produtividades entre 80 e até 110 toneladas de cana por hectare (TCH), no ciclo atual, este número não chegou a 22%.

Aliás, o percentual de unidades com TCH abaixo 80 aumentou de 38,6% na safra 2013/14, para 68,2% no atual ciclo.

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Uma análise histórica da Canaplan evidencia duas fases distintas em relação à produtividade das usinas. A primeira, que vai de 2004 a 2010, caracterizada por valores de TCH que ultrapassam 85 toneladas/ha. A segunda, que vai de 2010 até a safra atual, apresenta números que não chegam a 80 toneladas/ha, e em alguns casos, mal conseguem atingir 75 toneladas/ha, como é o caso do ciclo 2014/15.

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“Estamos vivendo, além da queda de produtividade, uma queda de qualidade, o que tem a ver com o processo de mecanização extremamente agressivo que tivemos do ponto de vista da qualidade da cana”, explica.

“Houve uma mudança importante. O aprendizado é lento, mas mesmo com este aprendizado, e mesmo nos bons casos, vemos que o nível de impurezas vegetais acaba derrubando esta qualidade”, pontua. Por outro lado, a seca, que afetou a produtividade das usinas paulistas, também foi responsável por aumentar a qualidade de seus canaviais.

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Baixo desempenho agrícola

Na avaliação da Canaplan, nos últimos dez anos, as usinas têm registrado um desempenho agrícola nas safras que está aquém do esperado.

“Estamos vivendo este processo há certo tempo, com uma tonelada muito mais forte da tonelada final de ATR/ha. É uma queda importante, que tem um correlação direta muito mais forte com o rendimento agrícola do que, de fato, com o índice de ATR”, analisa o sócio-diretor da Canaplan.

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Processo involutivo

Carvalho também destacou o processo “involutivo” das últimas dez safras.

“As safras anteriores vinham num patamar de produtividade agrícola e de qualidade de cana muito melhores do que os que estamos vendo agora”, afirma.

O gráfico abaixo ilustra bem esta realidade.

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O executivo da Canaplan citou ainda o descompasso que há entre a área e a moagem de cana.

“A partir de 2010, há [um desiquilíbrio] impressionante da área em relação à produção. A área segue crescendo, mas não consegue acompanhar esta condição de produção, porque estamos realmente vivendo uma crise muito clara”, avalia.

Para ele, a crise caracteriza-se pela perda a qualidade, o que faz com que os custos cresçam de maneira significativa.

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“A queda da produtividade agrícola e da qualidade acabam trazendo uma inversão. Cai a produtividade, o custo sobe numa dinâmica muito perigosa”, alerta. (Matéria exclusiva NovaCana.com.br 29/10/2014)

ASSISTA O VÍDEO DA REPORTAGEM

 

Etanol

A mistura de 27,5% de álcool à gasolina deve aumentar o consumo de etanol anidro em 100 milhões de litros por mês.

Próxima safra Como principal reflexo, se a medida for anunciada agora, as indústrias poderiam se preparar para um novo patamar de consumo na safra 2015/16.

Investimentos O país já tem capacidade para elevar a produção, mas algumas usinas podem fazer investimentos marginais para se adequar à nova produção. (Folha de Saio Paulo 30/10/2014)

 

Açúcar: Na contramão do dólar

O açúcar demerara voltou a subir ontem na bolsa de Nova York, impulsionado pela queda do dólar frente o real.

Os lotes para maio fecharam a 16,60 centavos de dólar por libra-peso, em alta 17 pontos.

Na hora do fechamento, o dólar caía 1,21% no Brasil.

A queda reduz o incentivo à comercialização da produção brasileira, o que enxuga a oferta no mercado.

Rumores de que o governo poderá aumentar o preço da gasolina no Brasil e elevar a mistura de anidro na gasolina também deram fôlego.

O movimento ainda respondeu a uma cobertura de posições vendidas por parte dos fundos e à elevação dos prêmios do açúcar no mercado físico, que indicam demanda aquecida.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,05%, para R$ 49,19 a saca de 50 kg. (Valor Econômico 30/10/2014)

 

Menor oferta e entressafra mais longa sustentam açúcar

Estimativas indicando entressafra mais prolongada e a menor produção deaçúcar da atual temporada têm elevado os preços do cristal no mercado spot paulista desde o início deste mês. A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

De acordo com os pesquisadores, este cenário tem resultado em uma postura mais firme das usinas, que mantêm os valores pedidos nas negociações. Na segunda-feira, 27, o para o açúcar crital, com base em São Paulo, fechou a R$ 48,73 a saca de 50 kg, alta de 1,43% em relação à segunda anterior.

De acordo com dados da Unica, até a primeira quinzena de outubro, 22 usinas já haviam encerrado a moagem da atual safra (2014/15) na região Centro-Sul. No mesmo período da temporada passada, apenas seis unidades haviam finalizado o processamento. Além disso, o volume de cana moída foi 23% inferior na mesma comparação.

Em relatório recente, o banco holandês Rabobank avaliou que o cenário para o mercado internacional é de alta nos preços. A próxima safra, que vai de outubro a setembro, deve registrar um déficit de 3,2 milhões de toneladas.

Mas, pelo menos no curto prazo, uma recuperação nas cotações da commodity ainda é limitado, já que o mercado está relativamente abastecido. O que deve dotar as variações do mercado é a volatilidade do dólar. (Globo Rural 29/10/2014)

 

Etanol brasileiro perde espaço na Califórnia

Estado mais "verde" dos Estados Unidos, a Califórnia dá sinais de que as vantagens econômicas concedidas ao etanol de cana-de-açúcar do Brasil podem ter vida curta. Esse mercado, que já pagou prêmios altos ao etanol brasileiro por valorizar seus benefícios ambientais, começa a criar condições para equiparar o etanol de milho aos mesmos níveis de baixa emissão de CO2 que eram exclusivos até então do biocombustível brasileiro.

As dúvidas sobre a condição brasileira de abastecer a demanda californiana nos próximos anos, somadas ao forte lobby da indústria de etanol de milho dos EUA, influenciaram o Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia (CARB, na sigla em inglês) a propor a revisão de alguns critérios de medição dessa pontuação ambiental.

A revisão tende a beneficiar em cerca de 5 pontos o etanol de milho a partir de 2016. "Apesar de também melhorar a pontuação do produto brasileiro, o efeito prático disso é que tem sido possível cumprir o mandato na Califórnia com etanol de milho", diz o presidente da maior trading global de etanol, a Copersucar, Paulo Roberto de Souza.

A Califórnia estabeleceu a meta de reduzir em 10% as emissões de CO2 até 2020 (contados a partir de 2011). Mas, em vez de especificar o volume a ser misturado à gasolina ano a ano, como fazem outros Estados americanos, a Califórnia estabeleceu uma meta anual de redução de emissões, deixando para o mercado escolher como ela será cumprida - com etanol de cana, de milho ou biodiesel. Para isso, criou uma metodologia própria de classificação ambiental para cada combustível, que gera uma espécie de pontuação, conhecida como CI (Carbon Intensity).

Enquanto o CI da gasolina é de emissão de 99.18 gramas de CO2 equivalente por megajoule (MJ), o do etanol de milho americano é de 90.1 gramas e o do etanol de cana do Brasil pode variar de 58.4 a 71.3 gramas/MJ - a depender do nível de mecanização e de cogeração de energia elétrica da usina produtora.

Com essa melhor pontuação ambiental, o etanol de cana do Brasil passou a ser o preferido pelas misturadoras de combustíveis da Califórnia, já que, nesse caso, é preciso adicionar um volume menor de litros para cumprir a meta em relação ao etanol de milho. Por isso, elas vinham pagando prêmios elevados pelo etanol brasileiro. O pico foi alcançado em 2013, quando uma usina certificada do Brasil que exportava para a Califórnia chegou a obter uma remuneração R$ 242/m3 acima do que se tivesse vendido no mercado brasileiro e R$ 96 a mais do que se tivesse exportado, por exemplo, para outro Estado americano, como a Flórida. Em meados de 2013, verão americano, o etanol anidro na usina em São Paulo era negociado a R$ 1.300/m3.

Agora, além de as cotações do etanol americano estarem muito baixas nos Estados Unidos - o que torna o etanol de cana menos competitivo -, algumas usinas de etanol de milho vêm melhorando a pontuação ambiental na Califórnia. É o caso da gigante Pôet que obteve para uma de suas unidades um CI muito próximo ao do etanol de cana do Brasil, ao redor de 60 gramas/MJ, por ter incorporado inovações ambientais na planta. "Está chegando agora a oferta das usinas de etanol celulósico dos Estados Unidos. O etanol de cana não está mais sozinho", afirma o executivo da Copersucar, que controla nos Estados Unidos a trading de etanol Ecoenergy.

Neste ciclo 2014/15, o Brasil deverá exportar para a Califórnia metade das 363 milhões de litros que embarcou em 2013/14. Em 2015/16, esse volume deve se aproximar de zero, nas previsões da Copersucar. "O programa original da Califórnia indicava uma necessidade significativa de etanol de cana a partir de 2015 para cumprir o mandato. Com as novas discussões em andamento, essa necessidade surgiria apenas em 2018", avaliou Souza.

Há algumas semanas, o CARB consultou oficialmente a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), que representa as usinas do Centro-Sul do Brasil, sobre as condições de suprimento de etanol de cana nos próximos anos. O CARB estima uma demanda em 2020 para uma oferta de etanol do Brasil entre 3 bilhões e 6,6 bilhões de litros. O posicionamento da Unica, afirmou a entidade em nota, é que, "em havendo a demanda e os incentivos financeiros adequados, o setor no Brasil já demonstrou dinamismo suficiente para atender os volumes estimados".

O presidente da Copersucar explica que o encolhimento da produção de cana-de-açúcar no Brasil nas últimas safras vem influenciando as discussões na Califórnia. Há também o forte lobby das usinas de etanol de milho dos EUA.

Neste mês, o vice-presidente da associação que representa o setor (RFA), Geoff Cooper, publicou artigo no site da entidade no qual critica duramente a posição do CARB de achar que "o mercado será inundado de etanol de cana do Brasil".

Ele destacou a escassez de etanol no mercado brasileiro e afirmou que importações são economicamente pouco competitivas com o etanol de milho. "Em 2011, o CARB projetava que as misturadoras da Califórnia usariam em 2014 de 80 milhões a 400 milhões de galões de etanol de cana na gasolina (de 300 milhões e 1,5 bilhão de litros). Mas de janeiro a agosto deste ano, as importações foram de apenas 7,9 milhões de galões (29,9 milhões de litros)", afirmou. (Valor Econômico 30/10/2014)

 

Usinas de cana da Índia elevarão produção de açúcar na nova safra

As usinas de açúcar no principal Estado produtor de cana da Índia deverão começar a moagem da nova safra dentro do cronograma, numa temporada em que a indústria do maior consumidor do mundo da commodity está prestes a produzir um excedente pelo quinto ano consecutivo, com aumento de 4 por cento na comparação com o ciclo anterior.

Um começo de moagem em tempo oportuno pode deprimir os preços locais, aumentar a oferta e forçar as usinas a fecharem acordos de exportação a valores mais baixos.

As usinas no maior Estado produtor de cana, Uttar Pradesh, entretanto, ameaçam suspender as operações, citando a inviabilidade de pagar preços da cana fixados pelos governos.

"O comissário de cana de UP (Uttar Pradesh) nos disse que as usinas têm assegurado ao governo do Estado que elas vão começar suas operações dentro do cronograma", afirmou o secretário de Alimentos, Sudhir Kumar, depois de uma reunião de autoridades de Estados produtores de açúcar.

A produção de açúcar do país deverá crescer 4 por cento, para 25,5 milhões de toneladas na temporada 2014/15, que começou oficialmente em 1 de outubro, disse uma autoridade do governo.

O volume supera o consumo local de cerca de 23 milhões de toneladas, acrescentou a autoridade, recusando-se a ser identificada porque não está autorizada a falar com a mídia.

Na nova temporada, o Estado de Maharashtra deverá produzir 9,1 milhões de toneladas de açúcar, enquanto Uttar Pradesh poderia produzir 6,2 milhões de toneladas, disse o funcionário.

A produção excedente poderia forçar o governo a dar incentivos para as exportações, uma vez que preços não são atraentes no mercado mundial, disse um comerciante de Mumbai.

A Índia é o segundo produtor global de açúcar, atrás do Brasil. ( O Estado de São Paulo 29/10/2014)

 

Seca eleva os preços agrícolas

Estiagem que atinge Regiões Sudeste e Centro-Oeste atinge lavouras de soja, milho, cana-de-açúcar e atividade pecuária, mudando calendários de safras, elevando custos de produção e diminuindo a oferta de commodities

A seca que atinge o Sudeste e o Centro-Oeste vem afetando diversas atividades agrícolas — sobretudo as de soja, milho, cana-de-açúcar e a pecuária bovina —, provocando o aumento de preços das commodities no atacado. Segundo o mapa de precipitações acumuladas do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC/INPE), o mês de outubro registra os menores níveis de chuvas nas duas regiões desde 2002. Além da estiagem, este ano há elevação da temperatura média, prejudicando ainda mais as lavouras. De acordo com o professor Lucílio Alves, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP), nas regiões produtoras de soja há preocupações especialmente no Oeste e Norte do Paraná e no Centro Oeste.

"Ainda não há informações quanto à perda na produção, nem avaliação do impacto financeiro, apesar de se saber que haverá necessidade de replantio em algumas áreas e atraso no desenvolvimento vegetativo", afirma, mencionando que os preços da soja no Brasil e nos Estados Unidos registraram alta no acumulado da semana passada. "De um lado, a demanda por soja em grão e derivados segue firme, em um cenário de estoques baixos no mercado spot. As condições climáticas foram desfavoráveis aos trabalhos de campo, atrasando a colheita americana e o cultivo brasileiro e dando sustentação aos preços, mesmo com estimativas apontando safra recorde global", diz.

Em consonância, Paulo Molinari, analista da consultoria Safras &Mercado ressalta que embora as pastagens e o plantio da safra de milho e soja estejam sofrendo com a estiagem, ainda é cedo para se falar em quebra de produção. "Basicamente não há cortes, mas haverá forte atraso na safra 2015de boi gordo e atrasos de plantio das safras de verão de soja e milho em varias localidades", diz. Segundo Roger Rodrigues, diretor da Aprosoja, há 25 dias que não chove no Mato Grosso, maior produtor de soja do país, o que já prejudica o rendimento agrícola da planta e provoca o atraso no plantio da chamada safrinha de milho do verão. "Em todo o estado, nesta época do ano, o plantio já teria avançado em 30% das áreas, mas hoje não ultrapassa 10%.

Fora isso, temos custos adicionais porque estamos refazendo o plantio em várias regiões, reforçando a aplicação de fertilizantes e outros insumos agrícolas", diz. O Indicador do boi gordo ESALQ/BM&FBovespa fechou em R$ 135,20 no último dia 21, o maior valor real da série do Cepea, iniciada em 1994. Segundo técnicos da instituição, os aumentos de preços foram resultado da menor oferta por causa da seca, que vem prejudicando as condições das pastagens e a engordados animais ao longo do ano. A valorização do boi gordo teve impacto sobre o preço da carne negociada no atacado da Grande São Paulo que também registrou alta. Os pesquisadores do Cepea afirmam que a seca também gera incertezas na produção de café arábica da safra 2015/16.

Produtores da Zonada Mata mineira e de Mogiana (SP) consultados pelo Cepea afirmaram que vem restringido as vendas do grão da temporada 2014/15, esperando a elevação de preços. Os volumes negociados caíram 20% em relação ao mesmo período do ano passado. As maiores preocupações dos produtores estão relacionadas às floradas da temporada 2015/16. Nesta mesma época, em outras safras com chuva regular, já eram observadas floradas em todas as regiões, o que não aconteceu este ano. O tempo seco vem antecipando o final da colheita de cana-de-açúcar na região Centro-Sul.

De acordo com a União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), 22 usinas e destilarias encerraram suas safras, registrando queda nos índices de produtividade agrícola de 7,2% sobre a safra 2013/2014. Por causa da seca, é esperada uma quebra de 50 milhões de toneladas na região, o que corresponde a10% da produção total. Segundo Alberto Figueiredo, diretor da Sociedade Nacional de Agricultura, daqui para frente o campo terá que se adaptar à escassez de recursos hídricos. "Precisamos adotar uma política nacional de recuperação de nascentes, riachos e rios, intensificando as ações de fiscalização para evitar a devastação das áreas, mas também oferecendo assistência técnica e orientação ao produtor, oferecendo compensações financeiras para quem desenvolve ações de preservação", afirma. (Brasil Econômico 30/10/2014)

 

Ebtida da ALL cresce 0,8% no 3º trimestre, para R$ 507,7 milhões

SÃO PAULO - A América Latina Logística (ALL) registrou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) consolidado de R$ 507,7 milhões no terceiro trimestre, leve melhora de 0,8% na comparação anual.

O Ebitda das operações ferroviárias subiu 0,5%, da Brado avançou 23,5% e da Ritmo recuou 28,6%, nos meses de julho, agosto e setembro. O volume transportado pela ALL Operações Ferroviárias avançou 4,4%, passando para 12.526 milhões de TKU (toneladas por quilômetro útil).

De acordo com a empresa, apesar de cenário operacional melhor no Porto de Santos (SP), após dois acidentes ocorridos no ano passado, a situação foi difícil em termos de demanda no trimestre, que afetou tanto os volumes transportados como as tarifas na malha ferroviária.

As condições do mercado de commodities agrícolas foram afetadas principalmente por um cenário bastante favorável de produção de milho nos Estados Unidos, que reduziu significativamente os preços internacionais do produto e a exportação de grãos no Brasil. Com uma oferta consistente de milho entre os principais produtores e exportadores, o cenário de concorrência aumentou no trimestre, derrubando a demanda de transporte e os preços de frete no mercado spot. A forte safra de milho americana também impactou as exportações brasileiras de etanol, uma vez que a produção naquele país é feita por meio da commodity e elevou a competitividade.

De acordo com a ALL, os investimentos das operações ferroviárias irão ultrapassar a projeção original de R$ 800 milhões para 2014 e deverão totalizar entre R$ 900 milhões e R$ 950 milhões no ano. O aumento reflete investimentos extraordinários.

Para o quarto trimestre, a empresa afirma que é difícil antecipar as condições da demanda de commodities agrícolas. Segundo ela, os volumes de exportações dependerão de decisões comerciais das traders e dos produtores. Para os volumes industriais, a ALL espera um cenário mais regular das exportações de etanol e as contribuições positivas dos volumes da Brado e Eldorado.

Brado e Ritmo

A subsidiária Brado continua a apresentar bons resultados neste trimestre. O volume de movimentação de contêineres subiu 24,5%, para 20,7 mil. O crescimento foi impulsionado pelo aumento de 44,8% no corredor de Bitola Larga e de 50,3% no corredor do Paraná. O volume transportado da Ritmo caiu 32,1%, para 14,8 milhões de quilômetros rodados. (Valor Econômico 30/10/2014)

 

Vendas de braço agrícola da FMC cresceram 3,5% no 3º tri de 2014

SÃO PAULO - O braço agrícola da multinacional americana FMC reportou hoje um aumento de 3,5% nas vendas durante o trimestre encerrado em 30 de setembro, em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, para US$ 548,8 milhões. A companhia é fabricante de defensivos agrícolas.

Já o lucro antes de juros e impostos (Ebit, na sigla em inglês) totalizou US$ 116,7 milhões no período, 2,2% acima do mesmo intervalo de 2013.

Os ganhos foram impulsionados principalmente pela América Latina, onde cresceu a demanda por herbicidas para o controle de plantas daninhas resistentes ao glifosato, informou a FMC. Entretanto, pesou negativamente a redução das vendas para o segmento de cana-de-açúcar no Brasil e a menor procura por inseticidas nos EUA.

"Até agora, 2014 tem sido um ano atípico para o segmento agrícola”, disse Pierre Brondeau, presidente e CEO da empresa, em comunicado que acompanhou o balanço divulgado nesta quarta-feira. O executivo lembrou que a primeira metade do ano foi caracterizada pelo frio prolongado na América do Norte, que diminuiu a pressão de pragas — e, consequentemente, a demanda por defensivos agrícolas. As boas condições de desenvolvimento da soja e do milho que vieram na sequência mantiveram baixas as compras de agroquímicos na região.

Apesar das incertezas em relação ao plantio de grãos ao redor do mundo, por conta da queda de preços da commodity, Brondeau disse que espera avançar em mercados como Argentina, México e Brasil. O executivo espera também demanda maior para os herbicidas de pré-emergência na América do Norte.

O lucro líquido total da FMC (que também atua nas áreas de saúde, nutrição e minérios) alcançou US$ 56,3 milhões no terceiro trimestre, bem acima dos US$ 17,9 milhões do mesmo período de 2013. A receita, por sua vez, totalizou US$ 1,015 bilhão, alta de 6% na mesma comparação. (Valor Econômico 29/10/2014)

 

Guarani: Usina Vertente recebe a certificação Bonsucro

A Usina Vertente, localizada em Guaraci (SP), acaba de receber a certificação Bonsucro. A usina é uma parceria entre o Grupo Humus e a Guarani, uma das líderes do setor sucroenergético do Brasil, que já obteve o certificado de sustentabilidade para outras duas unidades industriais em Olímpia e Severínia.

A conquista dessa certificação foi precedida por um processo de auditoria cuidadoso, conduzido por uma auditoria independente. A avaliação certifica a sustentabilidade da operação da empresa e a gestão e modelo de negócios.

Para Edilberto Bannwart, superintendente de Sustentabilidade, Qualidade, Saúde, Segurança e Meio Ambiente da Guarani, , o Bonsucro premia os esforços da empresa para minimizar os impactos ambientais, reforçando seu compromisso com o desenvolvimento sustentável. "A sustentabilidade é um requisito fundamental em nossa estratégia de negócios", diz Bannwart.

A Bonsucro é uma organização global sem fins lucrativos, sediada em Londres e criada em 2006 com o objetivo de reduzir os impactos ambientais da produção de açúcar e etanol a partir da cana-de-açúcar. Na prática, o certificado Bonsucro reconhece a adequação das práticas de produção do açúcar e etanol aos pré-requisitos estabelecidos para as esferas legais, de meio ambiente (biodiversidade e impacto ao ecossistema), direitos humanos, qualidade e melhoria contínua, entre outros.

As empresas certificadas ainda têm seus produtos enquadrados em diferentes requisitos de qualidade e são reconhecidas por países da União Europeia, que seguem a Política de Combustíveis Renováveis. Essa política afirma que até 2020, 10% do combustível utilizado pelos países do bloco devem ser produzidos a partir de fontes renováveis%B%B. É um cenário que pode oferecer novos mercados para o etanol brasileiro.

Natasha Schwarzbach, Diretora de Engajamento da Bonsucro, declarou: "Parabenizo a Usina Verente pela conquista. Ela passa a integrar a lista crescente de membros certificados pela Bonsucro e que fazem parte dos 3,7% que compõe a área mundial de cana cultivada e aos 3,37% da produção mundial de cana. Damos as boas-vindas à Usina Vertente como membro da Bonsucro e agradecemos seu empenho e dedicação pela busca da sustentabilidade a partir de nossa organização". (Assessoria Usina vertente 29/10/2014)

Preço-teto para a biomassa no leilão A-5 é elevado para R$ 209/MWh

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou na quarta-feira (29/10), em reunião pública de sua diretoria, uma nova versão do edital do leilão A-5/2014, objetivando permitir a inclusão de três novas hidrelétricas no certame, que acontecerá em 28 de novembro próximo.

Na mesma oportunidade, a ANEEL promoveu também alterações nos preços-teto do leilão. Para o produto disponibilidade termelétrica, no qual a fonte biomassa concorrerá com gás natural e carvão, o preço-teto foi ajustado de R$197/MWh para R$ 209/MWh, um acréscimo de 6%.

As Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e as hidrelétricas abaixo de 50 MW de potência instalada também tiveram seu preço-teto ajustado de R$ 158/MWh para R$ 164/MWh.

No leilão A-5/2014 serão negociados contratos de 25 anos de duração, com início de suprimento em 2019. A fase de cadastramento já está encerrada, sendo que a EPE recebeu o pedido de cadastramento de 32 projetos a biomassa em geral, totalizando 1.917 MW de oferta, conforme quadro abaixo.

O montante de 32 projetos cadastrados inclui todo tipo de biomassa, não somente aquela advinda do setor sucroenergético. Conforme mencionado, estes projetos cadastrados estão passando ainda pelo processo de habilitação junto à EPE. (UNICA 29/10/2014)

 

Definidas novas regras de fiscalização para seguro rural

Medida tem como objetivo comprovar informações nas apólices. Resolução publicada no DOU estabelece pontos.

A fiscalização das operações de subvenção econômica ao prêmio do seguro rural tem novas regras. A partir de agora, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) vai avaliar o recebimento da subvenção federal por parte do produtor. A metodologia utilizada na apuração será a amostragem probabilística, e as seguradoras tem prazo menor para envio de documentos.

É o que estabelece resolução publicada no Diário Oficial da União na sexta-feira passada (24), disse a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja/MT).

Essa checagem será agrupada por unidades da federação e sociedades seguradoras. A fiscalização será feita com amostragem aleatória simples de, no mínimo, 1% das operações.

De acordo com o diretor do Departamento de Gestão e Risco Rural do Mapa, Ricardo Gomes, para dar celeridade ao processo, o envio de documento será de forma digital. “Antes, as seguradoras demoravam até 40 dias para enviar os documentos comprobatórios das operações fiscalizadas. Agora esse prazo é 15 dias, sob pena de suspensão no programa”, afirmou.

As alterações na fiscalização consideram os relatórios da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que fiscalizava desde 2007 esses procedimentos. “Vamos ajustar um termo de cooperação com o setor de estatística da Conab para auxiliar nesse trabalho”, pontuou.

De acordo com o coordenador da comissão de Política Agrícola da Aprosoja, Adolfo Petry, por ser um produto novo para os produtores de Mato Grosso, o seguro rural precisa ser aprimorado. “Defendemos melhoria na cobertura do seguro além de maior abrangência quanto às perdas. Vejo que este diagnóstico é uma forma inicial de avançarmos nesse assunto”, afirmou em comunicado da entidade.

A normativa completa pode ser acessada diretamente no Diário Oficial da União. (G1 29/10/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Na contramão do dólar: O açúcar demerara voltou a subir ontem na bolsa de Nova York, impulsionado pela queda do dólar frente o real. Os lotes para maio fecharam a 16,60 centavos de dólar por libra-peso, em alta 17 pontos. Na hora do fechamento, o dólar caía 1,21% no Brasil. A queda reduz o incentivo à comercialização da produção brasileira, o que enxuga a oferta no mercado. Rumores de que o governo poderá aumentar o preço da gasolina no Brasil e elevar a mistura de anidro na gasolina também deram fôlego. O movimento ainda respondeu a uma cobertura de posições vendidas por parte dos fundos e à elevação dos prêmios do açúcar no mercado físico, que indicam demanda aquecida. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,05%, para R$ 49,19 a saca de 50 kg.

Café: Piso em um mês: As cotações do café fecharam no campo negativo ontem na bolsa de Nova York, revertendo a alta do início da sessão. Os lotes do arábica para março fecharam em US$ 1,9395 a libra-peso - o menor valor desde 26 de setembro -, com recuo de 270 pontos. Os traders tentam estimar o tamanho do impacto da falta de chuvas nos últimos meses na Região Sudeste para a produção da safra 2015/16, que começará a ser colhida, o que provoca forte volatilidade nas negociações. O Inmet prevê para hoje chuvas moderadas a fortes em Minas Gerais e no centro e norte do Espírito Santo. Porém, produtores e analistas reforçam que já ocorreram perdas irrecuperáveis para a próxima safra. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica recuou 2,18%, para R$ 438,83 a saca.

Soja: Disparada especulativa: Os preços da soja voltaram a subir ontem na bolsa de Chicago, alavancados por compras especulativas de fundos. Os papéis para janeiro fecharam em US$ 10,49 o bushel, elevação de 34 centavos. Os produtores dos Estados Unidos têm resistido em comercializar a safra nova do país, limitando a oferta disponível. Compradores com necessidade imediata têm fechado a compra do farelo de soja a preços mais altos. Desde o início do mês, o produto já se valorizou em 30%, segundo a Granoeste Corretora, do Paraná. A divulgação da ata do Fed no fim da sessão adicionou gás às negociações da oleaginosa No mercado doméstico, o indicador para a soja no Paraná apurado pelo Cepea/Esalq registrou queda de 0,21%, para R$ 62,02 a saca.

Milho: Forte valorização: Os preços do milho tiveram forte alta ontem na bolsa de Chicago em meio a um misto de compras especulativas e da resistência dos produtores americanos em comercializar sua safra, embora a produção seja recorde nessa temporada. Março subiu 10,50 centavos de dólar, a US$ 3,885 o bushel. O mercado passou por um "rally" na última hora de negociações logo após o Fed divulgar a ata do comitê de política monetária do país, em que confirmou o encerramento do programa de compras de ativos no fim de outubro. As expectativas com o fim do ciclo de afrouxamento monetário levaram os fundos a recentemente recomprarem posições no mercado de grãos e sustentarem as cotações nas últimas semanas. No Paraná, a saca do grão foi negociada ontem em alta de 3,45%, a R$ 18,87, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 30/10/2014)