Setor sucroenergético

Notícias

Fábrica de tratores aceita sacas de café como pagamento

Como diz aquele reclame comercial, não está fácil para ninguém.

A chinesa LS Tractor, que abriu uma fábrica de máquinas agrícolas em Santa Catarina no ano passado, encontrou uma maneira inusitada de reduzir os estoques.

Está aceitando sacas de café como forma de pagamento. Já teria vendido mais de mil tratores nessas condições.

Consultada, a LS Tractor confirmou o modelo, mas não quis divulgar o número de operações fechadas “por uma questão de concorrência de mercado” (Jornal Relatório Reservado 31/10/2014)

 

Cutrale e Joseph Safra: os novos reis da banana

No Carnaval de 1949 Emilinha Borba fazia sucesso com a marchinha “Chiquita bacana lá da Martinica, se veste com uma casca de banana nanica”. E no ano de 1947 era registrada a marca Chiquita para as bananas, de uma empresa, a United Fruits que foi criada no ano de 1863, nos Estados Unidos. Essa empresa pertence agora a Chiquita Brands, a Cutrale Safra. Adquiriram com uma oferta hostil, com um ágio de 33,8%, perante a oferta que outra concorrente, a Fyffes da Irlanda havia feito em 7 de março de 2014.

O mercado mundial da banana calculado em US$ 7 bilhões, o Brasil o terceiro maior produtor da fruta, onde já fomos os primeiros. Hoje a Índia e o Equador nos ultrapassaram. A Cutrale, o maior exportador mundial de suco de laranja, agora entra também na banana e em outras linhas de saladas e snacks naturais.

O setor da laranja brasileiro tem sofrido constantes conflitos na desconexão das cadeias produtivas, quer dizer, confusão entre citricultores e processadores. E ao mesmo tempo o consumo mundial do suco cítrico tem caído à proporção de 2% ao ano. No caso da banana, o preço médio da fruta caiu 2,3% no ano passado. Entretanto, ocorreu na América Central, um grande ganho de produtividade, de sustentabilidade, e de acordos com Ongs, como a Rain Forest Aliance, e a própria Chiquita recebeu do Wal Mart o prêmio de melhor fornecedor sustentável do ano.

Fica agora uma questão: qual o impacto que essa aquisição poderá ter na orquestração da cadeia produtiva da banana, também no Brasil? Trará a cultura da Chiquita Brands contribuições para a questão da Cutrale, também na questão da laranja? Ao enfrentar competidores concentrados que vão direto ao mercado com suas marcas como a Dole, Del Monde, Fyffes e Noboa, e não atuam simplesmente com vendas e marketing de empresa para empresa, e sim de empresa ao consumidor, permitirá essa mudança, atrair e trazer uma cultura mais agressiva e competitiva para a companhia brasileira.

Poderão Safra e Cutrale enfrentar e consolidar mais uma organização brasileira no mercado global, ao lado de Budweiser, Burger King, Heinz, Swift e Pilgrims? Yes, nós temos banana, agora a maior companhia do planeta. O Vale do Ribeira, Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Minas Gerais, regiões produtoras expressivas brasileiras, fiquem de olho na banana, será que vamos exportar ou importar, eis a questão! (José Luiz Tejon Megido, Diretor Vice Presidente de Comunicação do Conselho Cientifico para a Agricultura Sustentável (CCAS), Dirige o núcleo de agronegócio da ESPM, Comentarista da Rede Estadão)

 

Para sobreviver setor canavieiro precisa se repensar e se reposicionar

A reeleição da presidente Dilma Rousseff traz a certeza de que os produtores e investidores da cadeia produtiva sucroenergética passarão por dificuldades piores do que as atuais. A extinção dos empregos se acentuará, mais usinas fecharão, aumentará o número das 70 que já estão em recuperação judicial, a indústria de base continuará convivendo com a falta de pedidos e a inadimplência imposta pelas usinas descapitalizadas.

A crise também se acentuará nos cerca de 1 mil municípios canavieiros nos 14 Estados que produzem cana e a transformam em açúcar, etanol e bioeletricidade. Os gestores públicos sabem que a procura dos serviços sociais e médicos destes municípios crescerá e tendem a entrar em colapso.

Se durante os quatro anos do seu primeiro mandato e também durante toda a baixaria que marcou esta última campanha política a presidente nada fez e nada prometeu em favor do setor que já foi a vitrine brasileira no mundo em relação a produção de energia limpa e renovável, ninguém acredita que ela mude de postura agora, mesmo pouco menos da metade dos eleitores não votaram nela.

O PT marcha, célere, para seu projeto de se eternizar no poder. E consegue avançar não pelos seus méritos ou propostas e sim – como já afirmamos aqui – pela oposição medrosa e covarde que lhe fazem os políticos da base adversária. Base esta que se acomodou e que se mostrou extremamente frágil – haja vista a derrota de Aécio Neves em seu Minas Gerais, seu Estado natal – como oposição à roubalheira e aos sucessivos escândalos que são a marca do PT no poder.

Com a experiência de quem acompanha, há mais de 35 anos o setor canavieiro, vale ressaltar que a crise que aí está não pode ser colocada apenas no colo da presidente Dilma e do seu antecessor, o agora já virtual candidato à presidência da República em 2018, Lula.

O prof. Marcos Fava Neves, da USP, credita a culpa da crise à presidente na ordem de 70%. E, generoso, deixa os outros 30% às lideranças do setor, muitas das quais arcaicas – para não dizermos medievais! – que insistem em ocupar postos para os quais não têm a mínima aptidão e muito menos vocação.

A última grande tentativa de ocupar espaço nos principais foros políticos que decidem o futuro do País, foi a criação das “Frentes Parlamentares”. Em poucos dias, nada menos do que sete foram criadas. A falta de sinergia e entendimento entre os principais atores dos elos da cadeia produtiva enterraram de vez estas iniciativas.

Crise é um ideograma chinês que pode ser traduzido como risco e oportunidade. Pois bem, emergidos e submergidos na crise que aí está e que lembra muito bem o fim de outro ciclo como o da borracha, por exemplo, os produtores deveriam, através do bom senso e do respeito (valores que faltam à muitos dos nossos poucos líderes autênticos) tentar, primeiro, a conciliação entre os elos da cadeia produtiva.

Como falta visão estratégica e até informações aos nossos pretensos líderes, eles deveriam ter a humildade de procurarem se assessorar por quem, por experiência e conhecimento, possam levá-los e conduzi-los a um outro patamar, onde a negociação e os compromissos de sustentabilidade social e ambiental falam mais alto e podem se constituir no grande diferencial deste setor.

É ridículo e constrangedor ver lideranças do setor se limitarem a reivindicar, publicamente, o fim da CIDE como solução para a crise do setor. São os mesmos que aplaudem as migalhas que o governo faz de conta que concede ao setor para tentar levar a manada mais rápida para o abatedouro.

Dinheiro e lucro, por si só, não é, definitivamente, o que manda. Que o diga o ex-bilionário internacional Eike Batista, símbolo maior do empreendedorismo daqueles que foram ‘apoiados’ pelo governo que aí está. Ou então a lambança que envolve as maiores empreiteiras brasileiras e um bando de ladrões que se travestiram de políticos e tomaram de assalto aquela que ainda é a maior empresa brasileiro.

Em conversas informais, pelo menos um usineiro, daqueles de grosso calibre, afirma que vai suportar os reveses de não mais do que uma safra (a de 2014/2015). Depois disto, ele não vai resistir ao assédio e propostas que têm recebido de um grupo ligado a um grande político deste País. Segundo este mesmo empresário, outras grandes cinco usinas já estão na alça da mira da família deste político.

Quem viver, verá! (Ronaldo Knack é Jornalista e graduado em Administração de Empresas e Direito. É também fundador e editor do BrasilAgro; ronaldo@brasilagro.com.br)

 

Para aumentar arrecadação, governo estuda volta da cobrança da Cide

Diante das dificuldades para fechar as contas em 2014, o governo já estuda retomar a cobrança da Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide), tributo que incide sobre combustíveis. Criada em 2001 para financiar obras de infraestrutura, a Cide está zerada desde 2012. Na época, o propósito do governo foi evitar que os reajustes nos preços da gasolina tivessem impacto no bolso dos consumidores

O problema é que agora o quadro fiscal se agravou. A economia cresce muito pouco, a arrecadação perdeu fôlego e as despesas públicas continuam elevadas. Por isso, a retomada da Cide seria uma forma de reforçar o caixa da União num momento crucial.

Para se ter uma ideia da ajuda potencial, a renúncia fiscal decorrente da Cide somente entre janeiro e setembro de 2014 é estimada em R$ 9,5 bilhões. Isso é mais do que o governo conseguiu arrecadar até agora com o novo Refis, programa de renegociação de dívidas com a Receita Federal, que ficou em R$ 8,7 bilhões.

PRESSÃO A MAIS NA INFLAÇÃO

Segundo técnicos da equipe econômica, no entanto, a retomada da cobrança não é algo simples. Isso porque ao aumentar a tributação sobre a gasolina, por exemplo, o governo criará uma pressão adicional sobre a inflação (que já está próxima do teto da meta), e tornará mais difícil a tarefa de recompor os preços do combustível, que estão defasados.

Assim, foram feitas pelo Ministério da Fazenda várias simulações com diferentes alíquotas para se analisar que impacto a medida teria na inflação e na arrecadação:

— É preciso ver os diferentes impactos que a medida vai ter na economia. A alíquota teria que ser calibrada de forma a não prejudicar o combate à inflação — explicou um técnico.

A volta da Cide também seria uma forma de agradar ao setor sucroalcooleiro. Os usineiros sempre criticaram a decisão do governo de zerar a Cide para gasolina e diesel, alegando que a medida desvalorizava a produção de energia limpa e renovável.

AJUDA PARA FECHAR AS CONTAS

O reforço da Cide no caixa poderia ajudar o governo a melhorar o desempenho do superávit primário (economia para o pagamento de juros da dívida pública). Entre janeiro e agosto, a poupança do setor público ficou em apenas R$ 10,2 bilhões, sendo que a meta fixada para o ano é de R$ 99 bilhões, ou 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos no país).

Diante da impossibilidade de cumprir a meta fiscal de 2014, a equipe econômica já tem pronta uma proposta de alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para ser enviada ao Congresso nas próximas semanas. Segundo técnicos, é preciso pedir ao Legislativo uma redução da meta para evitar o risco de descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). (O Globo 30/10/2014)

 

Etanol: Mercado da Califórnia começa a se fechar para etanol do Brasil

Estado mais "verde" dos Estados Unidos, a Califórnia dá sinais de que as vantagens econômicas concedidas ao etanol de cana-de-açúcar do Brasil podem ter vida curta. Esse mercado, que já pagou prêmios altos ao etanol brasileiro por valorizar seus benefícios ambientais, começa a criar condições para equiparar o etanol de milho aos mesmos níveis de baixa emissão de CO2 que eram exclusivos até então do biocombustível brasileiro.

As dúvidas sobre a condição brasileira de abastecer a demanda californiana nos próximos anos, somadas ao forte lobby da indústria de etanol de milho dos EUA, influenciaram o Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia (CARB, na sigla em inglês) a propor a revisão de alguns critérios de medição dessa pontuação ambiental.

A revisão tende a beneficiar em cerca de 5 pontos o etanol de milho a partir de 2016. "Apesar de também melhorar a pontuação do produto brasileiro, o efeito prático disso é que tem sido possível cumprir o mandato na Califórnia com etanol de milho", diz o presidente da maior trading global de etanol, a Copersucar, Paulo Roberto de Souza.

A Califórnia estabeleceu a meta de reduzir em 10% as emissões de CO2 até 2020 (contados a partir de 2011). Mas, em vez de especificar o volume a ser misturado à gasolina ano a ano, como fazem outros Estados americanos, a Califórnia estabeleceu uma meta anual de redução de emissões, deixando para o mercado escolher como ela será cumprida - com etanol de cana, de milho ou biodiesel. Para isso, criou uma metodologia própria de classificação ambiental para cada combustível, que gera uma espécie de pontuação, conhecida como CI (Carbon Intensity).

Enquanto o CI da gasolina é de emissão de 99.18 gramas de CO2 equivalente por megajoule (MJ), o do etanol de milho americano é de 90.1 gramas e o do etanol de cana do Brasil pode variar de 58.4 a 71.3 gramas/MJ - a depender do nível de mecanização e de cogeração de energia elétrica da usina produtora.

Com essa melhor pontuação ambiental, o etanol de cana do Brasil passou a ser o preferido pelas misturadoras de combustíveis da Califórnia, já que, nesse caso, é preciso adicionar um volume menor de litros para cumprir a meta em relação ao etanol de milho. Por isso, elas vinham pagando prêmios elevados pelo etanol brasileiro. O pico foi alcançado em 2013, quando uma usina certificada do Brasil que exportava para a Califórnia chegou a obter uma remuneração R$ 242/m3 acima do que se tivesse vendido no mercado brasileiro e R$ 96 a mais do que se tivesse exportado, por exemplo, para outro Estado americano, como a Flórida. Em meados de 2013, verão americano, o etanol anidro na usina em São Paulo era negociado a R$ 1.300/m3.

Agora, além de as cotações do etanol americano estarem muito baixas nos Estados Unidos - o que torna o etanol de cana menos competitivo -, algumas usinas de etanol de milho vêm melhorando a pontuação ambiental na Califórnia. É o caso da gigante Pôet que obteve para uma de suas unidades um CI muito próximo ao do etanol de cana do Brasil, ao redor de 60 gramas/MJ, por ter incorporado inovações ambientais na planta. "Está chegando agora a oferta das usinas de etanol celulósico dos Estados Unidos. O etanol de cana não está mais sozinho", afirma o executivo da Copersucar, que controla nos Estados Unidos a trading de etanol Ecoenergy.

Neste ciclo 2014/15, o Brasil deverá exportar para a Califórnia metade das 363 milhões de litros que embarcou em 2013/14. Em 2015/16, esse volume deve se aproximar de zero, nas previsões da Copersucar. "O programa original da Califórnia indicava uma necessidade significativa de etanol de cana a partir de 2015 para cumprir o mandato. Com as novas discussões em andamento, essa necessidade surgiria apenas em 2018", avaliou Souza.

Há algumas semanas, o CARB consultou oficialmente a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), que representa as usinas do Centro-Sul do Brasil, sobre as condições de suprimento de etanol de cana nos próximos anos. O CARB estima uma demanda em 2020 para uma oferta de etanol do Brasil entre 3 bilhões e 6,6 bilhões de litros. O posicionamento da Unica, afirmou a entidade em nota, é que, "em havendo a demanda e os incentivos financeiros adequados, o setor no Brasil já demonstrou dinamismo suficiente para atender os volumes estimados".

O presidente da Copersucar explica que o encolhimento da produção de cana-de-açúcar no Brasil nas últimas safras vem influenciando as discussões na Califórnia. Há também o forte lobby das usinas de etanol de milho dos EUA.

Neste mês, o vice-presidente da associação que representa o setor (RFA), Geoff Cooper, publicou artigo no site da entidade no qual critica duramente a posição do CARB de achar que "o mercado será inundado de etanol de cana do Brasil".

Ele destacou a escassez de etanol no mercado brasileiro e afirmou que importações são economicamente pouco competitivas com o etanol de milho. "Em 2011, o CARB projetava que as misturadoras da Califórnia usariam em 2014 de 80 milhões a 400 milhões de galões de etanol de cana na gasolina (de 300 milhões e 1,5 bilhão de litros). Mas de janeiro a agosto deste ano, as importações foram de apenas 7,9 milhões de galões (29,9 milhões de litros)", afirmou. (Cenário MT 30/10/2014)

 

Apesar da desvalorização dos grãos, ganho da Bunge cresce

Puxado pelo melhor desempenho da operação de açúcar e bioenergia, o resultado líquido global da americana Bunge foi positivo em US$ 294 milhões no 3º trimestre fiscal de 2014, encerrado em 30 de setembro, e reverteu o prejuízo de US$ 148 milhões registrado no mesmo período de 2013. Nos nove primeiros meses do ano, a companhia acumulou lucro líquido de US$ 569 milhões, 238% maior que em igual intervalo do ano passado.

A receita líquida da Bunge no trimestre foi a US$ 13,6 bilhões, 7,4% abaixo de igual trimestre de 2013. Nos nove meses do ano, a receita foi a US$ 43,9 bilhões, ante US$ 44,9 bilhões de igual intervalo de 2013.

No segmento de agronegócios, o resultado operacional sofreu um recuo significativo de US$ 318 milhões no terceiro trimestre de 2013, para US$ 186 milhões no mesmo período deste ano. De acordo com o CEO da companhia, Soren Schroder, esse desempenho reflete uma desaceleração provocada pela queda nos preços internacionais no intervalo, especialmente na América do Sul.

Ele mencionou que, no Brasil, o menor nível de vendas antecipadas das novas safras foi o menor em muitos anos, enquanto que, na Argentina, os produtores seguram soja como forma de se proteger contra a inflação e a desvalorização da moeda local.

"Ajustando para impactos temporários, os resultados do agronegócio estão dentro das nossas expectativas. A transição de um cenário de oferta apertada para abundância de grãos e óleos vegetais tornaram a comercialização mais lenta, criando um ambiente desafiador", disse.

Já no segmento de açúcar e bioenergia, que vinha trazendo más notícias, a multinacional conseguiu reverter o prejuízo operacional de US$ 19 milhões do terceiro trimestre de 2013 para um lucro operacional de US$ 44 milhões no mesmo intervalo deste ano.

Conforme comunicado da Bunge a investidores, houve uma melhora nos preços do etanol no Brasil, assim como nas vendas de energia a partir de biomassa. A companhia destacou, ainda, a contribuição positiva de sua nova planta de etanol de milho na Argentina. "Estamos a caminho de finalizar o ano com resultado operacional e fluxo de caixa livre neutros nesse segmento". Schroder disse, porém, que o ambiente de mercado e as eleições no Brasil complicaram os esforços para concluir a revisão das operações sucroalcooleiras no Brasil. Mas ele reafirmou que a intenção não mudou e que continua olhando todas as possibilidades.

Na esteira das operações mais fracas com grãos, os negócios com fertilizantes também declinaram. O lucro operacional dessa unidade foi a US$ 12 milhões no trimestre, 20% abaixo dos US$ 15 milhões registrados em igual período de 2013. O segmento de "Food & Ingredients" manteve seu resultado operacional estável em US$ 74 milhões na comparação trimestral. (Valor Econômico 31/10/2014)

 

Bunge registra lucro líquido de US$ 294 milhões no 3º trimestre fiscal

SÃO PAULO - A multinacional americana Bunge registrou no terceiro trimestre fiscal de 2014 um lucro líquido de US$ 294 milhões, revertendo o prejuízo do US$ 148 milhões que havia registrado no mesmo período do ano passado e também melhorando a performance do trimestre anterior, quando obteve lucro líquido de US$ 288 milhões.

Segundo informe financeiro divulgado nesta manhã, a companhia obteve nos nove meses acumulados deste ano lucro líquido de US$ 569 milhões, ante o acumulado de US$ 168 milhões para o mesmo intervalo de 2013.

A receita com vendas da multinacional ficou em US$ 13,6 bilhões no terceiro trimestre fiscal deste ano, resultado inferior aos US$ 14,7 bilhões do terceiro trimestre fiscal de 2013. Assim, o desempenho das vendas no acumulado de nove meses também sofreu impacto negativo, recuando de US$ 44,9 bilhões em 2013 para US$ 43,9 bilhões no intervalo deste ano.

No setor de agronegócios, a receita com vendas sofreu um recuo significativo de US$ 318 milhões no terceiro trimestre de 2013 para US$ 186 milhões no mesmo período deste ano. O segmento de açúcar e bioenergia, por sua vez, conseguiu reverter o prejuízo de US$ 19 milhões no terceiro trimestre de 2013 para um lucro de US$ 44 milhões no deste ano. As vendas de fertilizantes recuaram de US$ 15 milhões para US$ 12 milhões e o de Food & Ingredients manteve-se estável em US$ 74 milhões na comparação trimestral dos dois anos.

Conforme a Bunge, o resultado é reflexo  direto da desaceleração das vendas de grãos diante da queda nos preços internacionais, especialmente na América do Sul. Segundo o balanço financeiro, no Brazil “experimentamos o menor nível de vendas de novas safras em anos, enquanto que na Argentina os produtores estão segurando soja  como forma de se proteger contra a inflação e a desvalorização da moeda”.

Soren Schroder, CEO da companhia, afirmou que os resultados do terceiro trimestre foram inferiores aos do ano passado, mas que a Bunge está posicionada fortemente para atender ou ultrapassar as expectativas para o ano.

“Ajustando para impactos temporários, os resultados do agronegócio estão dentro das nossas expectativas. A transição de um cenário de oferta apertada para abundância de grãos e óleos vegetais forçaram a queda de preços e a comercialização mais lenta dos agricultores na América do Sul, criando um ambiente desafiador de mercado no terceiro trimestre”. (Valor Econômico 30/10/2014)

 

Preços do petróleo caem por dólar e preocupação com juros

Preços fecharam em queda de 1%, retomando a baixa duas altas seguidas.

Operadores não esperam corte de produção da Opep em novembro.

Os preços do petróleo fecharam em queda de 1% nesta quinta-feira (30), retomando a baixa após subirem dois dias seguidos, reagindo ao rali do dólar em meio a apostas de aumento dos juros nos Estados Unidos mais cedo que o esperado, com operadores colocando poucas esperanças em corte da produção da Opep na reunião de novembro.

O Brent para novembro recuou US$ 0,88, a US$ 86,24 por barril, após atingir US$ 85,92 na mínima do dia. O primeiro contrato do petróleo dos EUA terminou em queda de US$ 1,08 a US$ 81,12. (Reuters 30/10/2014)

 

Petrobras aprofunda investigação interna

Sob pressão de órgãos de regulação do mercado, estatal contrata escritórios especializados em lei anticorrupção dos EUA. Empresa também pediu à Justiça para ouvir Paulo Roberto Costa sobre reuniões dele com outros executivos.

A Petrobras contratou dois escritórios especializados em lei anticorrupção americana e no atendimento a investigados pela SEC (órgão regulador do mercado de capitais dos EUA) para investigar denúncias de corrupção derivadas da Operação Lava Jato.

Nos EUA, o escritório escolhido foi o Gibson, Dunn & Crutcher. No Brasil, a escolha foi o Trench, Rossi e Watanabe, de São Paulo. Eles vão colaborar com a comissão interna criada pela Petrobras para investigar o caso.

A firma americana é uma das principais do país em FCPA, sigla da lei dos EUA que prevê pesadas punições a empresas estrangeiras flagradas em atos de corrupção e que tem ações negociadas em bolsa de valores do país.

Já o advogado Bruno Maeda é o sócio do Trench especialista na lei americana.

Procurados, os escritórios não quiseram comentar.

A Petrobras decidiu aprofundar as investigações da comissão interna depois de ser pressionada pela PwC (PricewaterhouseCoopers), auditoria responsável por avaliar os balanços da Petrobras.

No dia 16 de outubro, representantes da PwC informaram à Petrobras que avançar na apuração "era absolutamente necessário" para atender às leis americanas do mercado de capitais. Caso a Petrobras não o fizesse, a PwC deixaria de auditar os resultados do terceiro trimestre, a serem divulgados em novembro, e comunicaria a omissão ao conselho de administração da empresa.

Se o conselho se calasse, o caso seria informado à SEC e a PwC deixaria o contrato.

A Petrobras também pediu à Justiça autorização para ouvir o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa em suas investigações internas sobre desvios nas refinarias Abreu e Lima (PE) e Comperj (RJ).

O pedido à Justiça é necessário porque Costa cumpre prisão domiciliar após ter feito delação premiada.

A empresa pediu que Costa esclarecesse, entre outras coisas, o teor de reuniões com o ex-presidente da estatal José Sergio Gabrielli e o ex-diretor de Serviços Renato Duque realizadas entre o fim de 2005 e o começo de 2006 sobre Abreu e Lima.

A Petrobras quer saber por que, às vésperas da implantação de Abreu e Lima, Costa foi com Gabrielli e Renato Duque a reunião em Brasília.

A estatal pede explicações sobre as revisões do valor da obra, que subiu de US$ 4 bilhões para US$ 13,4 bilhões entre 2006 e 2009.

Duque disse não ter participado de reunião em Brasília sobre o assunto. Gabrielli afirmou que várias reuniões ocorreram na época sobre Abreu e Lima.

A Petrobras também quer justificativa para liberação de adiantamento de R$ 200 milhões ao governo de Pernambuco em 2010, relativo a tarifas do porto de Suape (PE). À época, o Estado era governado por Eduardo Campos (PSB), que morreu em acidente aéreo em agosto passado (Folha de São Paulo 30/10/2014)

 

Commodities Agrícolas

Café: Desvalorização em NY: Os preços do café arábica ensaiaram uma recuperação ontem de manhã na bolsa de Nova York após a queda do dia anterior, mas movimentos dos fundos reconduziram as cotações para o lado negativo. Os lotes para março de 2015 fecharam a US$ 1,92 a libra-peso, com baixa de 195 pontos. A queda foi conduzida por liquidação de posições por parte dos fundos, já que os produtores seguem retraídos. As previsões climáticas indicam chuvas em áreas isoladas de Minas Gerais e Espírito Santo. O recuo foi minimizado pela queda do dólar ante o real, o que reduz ainda mais o interesse dos produtores em ofertar sua produção no mercado. No mercado doméstico, o preço do café de boa qualidade apurado pelo Escritório Carvalhaes ficou entre R$ 470 e R$ 480 a saca de 60,5 quilos.

Algodão: Recuo técnico: As cotações do algodão caíram ontem na bolsa de Nova York, em uma sessão marcada por forte volatilidade. Os papéis para março de 2015 fecharam a 63,02 centavos de dólar a libra-peso, com recuo de 20 pontos. A queda ocorreu apesar do anúncio de que os EUA continuam aumentando o volume da pluma vendido para o mercado externo. Na semana encerrada dia 23, o volume acertado para exportação ficou 95% acima da média das quatro semanas anteriores. O dado ofereceu suporte aos preços, mas as negociações se pautaram por movimentos dos fundos, que liquidaram posições em vários mercados agrícolas ontem. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,24%, para R$ 1,6561 a libra-peso.

Soja: Vendas técnicas: Após três altas seguidas, os preços da soja recuaram ontem na bolsa de Chicago com a busca dos fundos em realizar os lucros acumulados na semana. Os contratos para janeiro fecharam com desvalorização de 19,25 centavos, a US$ 10,2975 o bushel. O anúncio do fim do programa de compra de ativos do Fed colaborou para a postura dos fundos. O clima nas regiões produtoras também contou a favor. Nos EUA, os produtores têm encontrado tempo favorável para o avanço da colheita. No Brasil, a volta de chuvas ao Centro-Oeste deu combustível para o avanço do plantio nos últimos dias e deve garantir o encerramento dos trabalhos em algumas semanas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a soja no Paraná recuou 0,16%, para R$ 61,92 a saca.

Milho: Realização de lucros: As cotações do milho registraram a primeira desvalorização da semana ontem na bolsa de Chicago diante da tentativa dos fundos de embolsar lucros acumulados desde segunda-feira. Os papéis para março caíram 1,50 centavo de dólar, para US$ 3,87 o bushel. As últimas três sessões foram marcadas por altas especulativas, alimentadas pela incerteza dos investidores em relação à decisão do Fed sobre sua política de compra de ativos. O encerramento do programa, anunciado na quarta-feira, colaborou para o movimento de liquidação de posições ontem. A divulgação de um volume menor de milho vendido pelos EUA ao exterior na semana passada também impulsionou o movimento dos fundos. No mercado do Paraná, o cereal foi negociado ontem em alta de 1,48%, a R$ 19,15 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 31/10/2014)