Setor sucroenergético

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Coplacana sugere novo boicote no fornecimento de etanol

A Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo) iniciou um novo movimento pela valorização da cana-de-açúcar e do etanol no mercado brasileiro.

A entidade propôs aos produtores, em evento sexta-feira (31/10), que adiem a safra com o intuito de pressionar o governo federal quanto a medidas para recuperação econômica do setor, que passa pela pior crise de sua história.

O adiamento da safra, que deve ocorrer entre o final de abril e início de maio do próximo ano, deixaria usinas sem ter como processar o produto e, consequentemente, fornecê-lo como etanol anidro a Petrobras — que o utiliza para mistura à gasolina.

O boicote à estatal já havia sido proposto pela cooperativa em julho deste ano, mas não foi aceito pelos usineiros, que alegaram já ter contratos firmados com a empresa para a colheita atual.

“A situação de todo o setor ligado à cana-de-açúcar é de dificuldade e precisamos de uma saída para essa grave crise instalada. Essa proposta de adiar a safra é uma forma de chamar a atenção do governo para que o setor tenha incentivos produtivos, caso contrário, ele irá quebrar”, afirmou o vice-presidente da Coplacana, José Coral (foto), que também preside a Afocapi (Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba).

Ele reforçou que a Coplacana apadrinhará essa medida, porém, é preciso que haja uma união de forças em prol do setor.

“Só a entidade de classe fornecedora de cana não seria suficiente para fazer essa pressão, nós precisamos de uma união de todos os setores e de uma liderança. É um movimento que precisa nascer organizado para que possamos ter resultados efetivos”, disse.

A proposta do boicote será levada aos participantes da Orplana (Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro- Sul do Brasil) em reunião em meados de novembro.

Após o encontro, a indústria deve ser contatada. Coral lembrou que, na primeira sugestão feita pela cooperativa, o setor industrial declinou da proposta devido aos contratos de compromisso de entrega do etanol para a Petrobras.

“A proposta surge agora, com muita antecedência, para que possa ser um grande movimento e para que realmente haja uma pressão visando uma política de valorização do setor sucroenergético, que gera renda, gera emprego e uma energia limpa para o país. A indústria, sabendo desse atraso na próxima safra, já se prepara e não assina os contratos de entrega com a Petrobras”, informou.

A interrupção no fornecimento de etanol provocaria a falta do combustível no mercado e afetaria a gasolina — que possui etanol anidro na composição —, o que obrigaria o governo a se posicionar e discutir medidas que possam viabilizar a recuperação do setor sucroalcooleiro.

Hoje, na região de Piracicaba, segundo a cooperativa, existem cerca de 5.000 produtores em atividade e o prejuízo, em cada tonelada de cana colhida, giraria em torno de R$ 8.

DESAFIOS

Dezenas de produtores e empresários participaram, na manhã de sexta-feira (31/10), do evento Compliance Fiscal, que discutiu o setor de cana-de-açúcar no Parque Tecnológico de Piracicaba.

Além dos desafios da cadeia produtiva sucroenergética, também foram abordadas as questões econômicas operacionais da safra canavieira e as soluções financeiras e tributárias para os produtores.

O organizador do evento, Ronaldo Knack, destacou que o objetivo dos encontros é discutir o cenário atual do setor, que passa por uma grave crise, já tendo cortado 300 mil postos de trabalho nos últimos seis anos.

Além de Piracicaba, devem receber o evento as cidades de Sertãozinho, Araçatuba, Maringá e Belo Horizonte

 

Açúcar: Reação ao dólar

 As cotações do açúcar demerara cederam nesta sexta-feira na bolsa de Nova York ante a pressão da alta internacional do dólar e movimentos técnicos.

Os lotes da commodity com vencimento em maio de 2015 fecharam com recuo de 25 pontos, a 16,34 centavos de dólar por libra-peso. Na hora do fechamento, o dólar subia 2% ante o real.

A alta da moeda americana foi uma reação ao anúncio do banco central japonês, feito um dia antes, de que ampliará os estímulos monetários.

A decisão pegou o mercado de surpresa e provocou a valorização do dólar, o que costuma incentivar as indústrias a ofertarem sua produção.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo caiu 0,17% e reduziu a alta do mês para 7,72%, a R$ 49,09 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 03/11/20174)

 

Setor sucroenergético terá alta de custos e menos rentabilidade na safra 2014/2015

A safra 2014/2015 no Centro-Sul do país deverá ser marcada pelo aumento dos custos de produção e por margens mais apertadas de rentabilidade para o setor sucroenergético. Os preços da cana, do açúcar e do etanol serão insuficientes para cobrir o total de despesas da atividade. Os custos com a matéria-prima devem subir 8% e os industriais terão alta de 10%.

Os dados estão no boletim Ativos da Cana-de-açúcar, elaborado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Pecege/Esalq). O levantamento incluiu usinas tanto nas regiões tradicionais (São Paulo e Paraná), quanto das regiões de expansão (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais).

Segundo o estudo, a alta dos custos foi influenciada pela produtividade, utilização da capacidade instalada e nível de Açúcar Total Recuperável (ATR), que mede a qualidade da cana processada. Apesar dos mesmos fatores, o levantamento identificou cenários diferentes nas duas regiões analisadas. “Enquanto a região de expansão apresentou índices pluviométricos próximos a valores históricos, a região tradicional foi marcada pela falta de chuvas”, explica o estudo.

Desta forma, aponta o boletim, a escassez hídrica na região tradicional contribuiu para a queda de produtividade em 5,6%, mas deve elevar os níveis de ATR em 0,5%, proporcionando melhor qualidade para a matéria-prima. Já, na região de expansão, aconteceu o oposto, com aumento da produtividade agrícola previsto em 3,5%, e queda de 2,9% nos teores de ATR, em razão das chuvas.

Etanol

O boletim constatou, também, maior atratividade na comercialização do etanol em relação ao açúcar, o que deve resultar em aumento de 2,9% na produção do combustível na região tradicional, e de 1,1% na participação do mix das usinas das regiões de expansão na safra 2014/2015. “A produção de açúcar tem sido desfavorecida em relação à produção de etanol, devido ao baixo preço projetado para o açúcar no mercado internacional”, diz o estudo. (CNA 31/10/2014)

 

O efeito dominó da crise sobre o setor

"Oito usinas fecharam em Minas Gerais", "Produção de etanol no Mato Grosso deve reduzir 5,5%", "Cidade que vive da cana sente efeitos de crise no setor", "Subsídio a gasolina é um dos desafios para as usinas", "Em seis anos cana perde 300 mil empregos", "Produção de cana 2% menor em Minas Gerais". Essas são apenas algumas matérias divulgadas nos jornais Brasil afora que mostram que a crise do setor sucroenergético é assunto nacional, quiça internacional. Os efeitos da crise começaram a serem sentidos em 2009 e, de lá para cá, só fazem aumentar.

De acordo com José Darciso Rui, diretor executivo do Gerhai (Grupo de Estudos em Recursos Humanos na Agroindústria), o setor emprega atualmente cerca de 1 milhão de trabalhadores diretos e mais 2,5 milhões de trabalhadores indiretos contando toda a cadeia produtiva (empresas que prestam serviços para o setor, fabricantes de equipamentos, máquinas agrícolas etc).

Segundo ele, é difícil precisar quantos postos de trabalho foram ceifados nos últimos anos. "Sabemos que tínhamos 434 unidades produtoras e foram fechadas 48 nos últimos anos. Isso deve acarretar uma perda de 100 mil empregos diretos e mais uns 200 mil indiretos", contabiliza.

Destes 100 mil diretos, Rui considera que 85 mil são da área agrícola, 15 mil são da indústria e 5 mil são da área administrativa. "Dos indiretos, a grande maioria é de prestadores de serviços de manutenção e de fabricantes de equipamentos", diz.

O diretor Técnico da UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Antonio de Padua Rodrigues, afirma que o número de vagas fechadas depende do índice de colheita e plantio de cada unidade. "Hoje, as melhores empresas possuem 0,5 empregos para cada 1 mil t/cana. Nas regiões Norte e Nordeste, que não tem colheita mecanizada por causa da declividade, a média é de três empregos para cada 1 mil t/cana", enumera.

Como nas regiões Norte e Nordeste a produtividade é de 65 milhões de t, a média é de 200 mil empregos diretos. Já no Centro-Sul a média é de 600 mil empregos diretos. O setor emprega, diretamente, 800 mil empregos.

Padua ainda lembra que na época do Pro-álcool, quando ainda não tínhamos o avanço tecnológico no campo e na indústria, e a mecanização, o índice era de 3 empregos para cada 1 mil t de cana. "Se isso não tivesse acontecido, teríamos um contingente no setor de mais de 2 milhões de empregos diretos", vislumbra.

Ele também diz que o número de demissões ocorridas ultimamente no setor não trouxe impacto na atividade, pois a cana das unidades que fecharam foi moída em outras unidades. "Não houve impacto na atividade agrícola porque a cana foi moída em outra unidade. Todo o ano, com o avanço da colheita e plantio mecanizado perde-se em mão de obra não qualificada e investe-se em mão de obra qualificada. O maior peso da redução de mão de obra no setor deu-se devido à mecanização, mas a crise também pesou, fora a quebra de produtividade de 15% no Estado de São Paulo", cita.

No entanto, Padua admite que a falta de preço e a quebra de safra por condição climática afetaram as usinas. "A crise levou as usinas a reduzirem onde foi possível. O último foi na mão de obra, pois antes disso a usina deixou de reformar a indústria, trocar a frota, fazer os investimentos necessários à atividade. Tudo isso para resistir a crise e se manter na atividade."

Para o diretor Técnico, as demissões não podem ser vistas apenas como impacto, pois são parte de uma solução dentro do contexto do setor. "As empresas investem em plantio, aumento da produtividade agrícola, entre outros. Algumas possuem capacidade financeira de investir em máquinas e equipamentos em um cenário sem preço e com quebra agrícola. As unidades que não possuem capacidade de investir sofrerão maior impacto, e com isso terão que reduzir o contingente de mão de obra e de área", esclarece.

QUEDA BRUSCA

Marcos Fava Neves, professor titular de Planejamento Estratégico e Cadeias Alimentares da FEA-RP/USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto/Universidade de São Paulo) menciona que o número de trabalhadores no ano de 2013 foi de 613.235. "Se considerarmos os empregos sazonais, esse número sobe para 988.256", conta. Esses números englobam o cultivo de cana-de-açúcar e a fabricação de açúcar e etanol.

Mas para se ter uma ideia, no ano de 2008, o número de empregos no setor, considerando os sazonais, era 1.283.258. "Como temos muitos cargos de trabalho sazonais no setor, costumamos não falar em dispensas, mas sim em saldo de empregos. Podemos dizer que, no total, o saldo de empregos entre os anos de 2008 e 2013 foi negativo, contabilizando -295.002 cargos de trabalho. Na área agrícola, a redução foi de -198.015, ou seja, uma redução de mais de 40% enquanto que na área industrial o saldo de empregos ficou em -96.987, o que representa redução de 12% se considerados os anos de 2008 e 2013", afirma Fava Neves.

A média salarial destes trabalhadores na região Centro-Sul, em 2013, foi de US$ 481 e na Norte-Nordeste de US$ 374. A média nacional ficou em US$ 446, o que resultou em uma massa salarial de US$ 4,13 bilhões.

Como as demissões foram oriundas, na grande maioria, do fechamento de unidades industriais, foram demitidos funcionários de todos os tipos. "No atual cenário brasileiro, a disponibilidade de mão de obra capacitada está escassa, ou seja, as organizações privadas realizam investimentos para capacitar seus funcionários. As demissões representam uma perda de investimentos, uma vez que todo o trabalho feito para adequar o trabalhador às necessidades da organização é perdido", salienta Fava Neves.

Rui lembra que boa parte dos trabalhadores dispensados eram qualificados, como mecânicos, operadores de máquinas, motoristas, montadores, destiladores, cozedores e, outros tantos eram rurais que laboravam na colheita de cana.

O Grupo Aralco, em suas quatro unidades (Usina Aralco, Usina Figueira, Destilaria Generalco e Usina Alcoazul), possui 1.939 funcionários. Antes das demissões, as quatro usinas somavam 4.154, comparado com o mesmo período do ano passado. "Ao todo, desde o início da reestruturação empresarial, foram dispensados 2.215, sendo 110 da área administrativa, 1.908 da área agrícola e 197 da área industrial", conta o porta-voz do Grupo Aralco e consultor diretor da DSCV Assessoria e Gestão, José Carlos Escobar.

Ele diz que a média salarial base desses colaboradores era de R$ 1.300 e aproximadamente 930 colaboradores tinham qualificação.

"Com a crise que assola o setor, tivemos que deixar de lado algumas atividades que perderam espaços com a realidade atual. Procuramos o equilíbrio de custo e volume para nos adequar às nossas atividades e conseguir um desempenho de acordo com a produção", afirma Escobar.

IMPACTOS

Os impactos destas demissões são consideráveis. Cidades que dependiam ou dependem da geração de renda e impostos das unidades produtoras viram suas receitas desabarem de um ano para outro. Exemplo disso foram os fechamentos recentes de unidades como Cia. Florida (ex-Floralco), Usina Dracena, Albertina, Aralco (uma das unidades), Usina Bertolo (Pirangi), Santa Helena (Goiás), Grupo João Lyra (Nordeste e Minas Gerais), Grupo José Pessoa (MS, SP) e tantas outras.

Em cidades com foco no agronegócio como Sertãozinho, há uma situação um tanto calamitosa em razão das demissões de empregados do setor metalúrgico e de serviços.

As usinas sentiram o baque. "Diretamente impactou na redução do plano de benefícios, no crescimento do potencial que as quatro usinas têm, reduzindo, assim, as oportunidades de contratar e capacitar mais pessoas dos 25 municípios em que atuamos. Indiretamente paralisou o desenvolvimento e a renda destes municípios", cita Escobar.

"As demissões são uma consequência da crise do setor e do fechamento de usinas. O maior impacto delas é o fato de que atualmente está difícil capacitar e reter mão de obra no campo, ou seja, quando o setor apresentar sinais de melhora e novas contratações tiverem que ser feitas, será difícil recuperar o pessoal perdido", observa Fava Neves.

Muitas unidades industriais foram fechadas, sendo forçadas a demitir seus trabalhadores, enquanto outras sofreram fusão e consequente otimização de cargos, ou seja, frente às demissões, os trabalhadores remanescentes passaram a assumir maiores responsabilidades para viabilizar o negócio.

Fava Neves acredita que as usinas que permaneceram abertas não foram as que exerceram maior impacto nas demissões da área industrial do setor, e sim aquelas que encerraram suas atividades. "As usinas remanescentes fazem uma otimização de cargos, que pode ser prejudicial para o setor se não for muito bem feita, visto que muitas vezes um número reduzido de trabalhadores pode não dar conta do trabalho, reduzindo a produtividade", atenta.

Rui aponta que dois motivos principais levaram as usinas a realizarem corte no seu contingente de funcionários. O primeiro foi a forte mecanização, que reduziu postos de trabalho na colheita manual de cana-de-açúcar, mas que por outro lado trouxe uma nova cultura para o setor com aumento de profissionais qualificados.

"O segundo motivo, que não é aceitável numa economia em desenvolvimento, é a redução de postos de trabalho por conta do fechamento de empresas que sofreram por falta de políticas públicas governamentais, especialmente do governo federal que, além de não ajudar em nada, vem atrapalhando por demais o setor sucroenergético e a economia brasileira como um todo", desabafa.

Além da redução do quadro de funcionários, as usinas têm reduzido suas atividades de manutenção industrial, tratos culturais, investimentos em novas tecnologias e renovação de canaviais. Há ainda o envelhecimento do parque industrial e da área agrícola que resultam em queda de produtividade. Outra consequência é a estagnação do setor, que não investe em novas tecnologias e não acompanha a evolução dos outros setores, ficando defasado.

ADAPTAÇÃO À NOVA REALIDADE

Diante da realidade, as usinas também tiveram que se reestruturar e se adaptar ao cenário. Escobar comenta que para isso, o Grupo Aralco alinhou as atividades com alta tecnologia e gestão. "Estamos qualificando todas as atividades e processos com tecnologia, times de melhoria e tecnologia de informações", diz.

O corte de funcionários, em alguns casos, é uma forma drástica de otimizar investimentos, alongar dívidas e reduzir as necessidades de capital de giro da usina. "A escassez de crédito, aliado à baixa produtividade e envelhecimento dos canaviais, falta de acesso a capital para melhoria do parque industrial e também a falta de atualização dos canaviais nos faz pensar em ações deste porte para termos como sair destas situações com mais sucesso."

Rui, por sua vez, crê que otimizar investimentos independe de corte de pessoal. "O que pode ocorrer é que algum investimento em novas tecnologias pode reduzir postos de trabalho, a exemplo da mecanização. Dívidas e capital de giro não são parâmetros de corte ou contratação de empregados," ressalta.

Para que o quadro se reverta e a usina volte a contratar, o porta-voz do grupo Aralco aponta que será preciso gerar caixa para atualizar os canaviais da empresa em todos os aspectos de colheitabilidade e boas práticas de produção, otimizar o potencial industrial, aumentando o volume de cana, aliado a boa gestão. Por último, o mercado precisa ajudar a virar o jogo nos próximos dois anos. Para se manter na atividade, o Grupo vem melhorando a gestão a cada dia, com uma mentalidade enxuta de produzir mais com menos, com informações em tempo real para promover economia, produtividade e rentabilidade. Tudo isso promovendo ações com agilidade, flexibilidade e melhoria contínua através do envolvimento das pessoas. Além disso, o Grupo adotou a política de transparência empresarial para com a sociedade, veículos de comunicação, colaboradores e credores entre outros envolvidos com o grupo.

Escobar comenta que foram colocados em prática alguns projetos e programas para auxiliar na qualificação do rendimento e desenvolvimento do Grupo. A implantação do projeto 180 x 180, por exemplo, permitiu redesenhar as atividades do Grupo, obtendo ganhos de 15% a 35 % nos custos em diferentes recursos como:

- otimização da mão de obra, reduzindo por completo serviços terceirizados (a mesma mão de obra fazendo os trabalhos de terceiros);

- utilização de equipamentos por mais tempo em mais atividades;

- mudanças em viveiros de mudas e forma de plantio, desde época até a forma de fazer;

- implantação de outras formas de manutenção no parque industrial e na frota;

- capacitação profissional contínua com foco maior na função de cada profissional.

"As usinas estão aproveitando a crise como oportunidade e reinventando a forma de gestão de pessoas e de processos, profissionalizando a gestão empresarial, praticando a Governança Corporativa e implantando programas de Gestão de Pessoas voltadas a resultados, desempenho e liderança", destaca Rui.

Com isso, segundo Rui, as usinas atingem ganho de competividade, maior comprometimento, produtividade e qualidade, melhor remuneração e satisfação com o trabalho, retenção de mão de obra, menor absenteísmo e turn over. "Além disso, cumprem os preceitos legais e trabalhistas oriundos de legislação e/ou Acordos Coletivos de Trabalho."

MAIS DEMISSÕES

Se a crise persistir e novas unidades industriais inviabilizarem suas atividades, as demissões vão continuar. "O setor precisa se reerguer para manter-se estruturado", sa-lieta Fava Neves.

Indagado sobre a possibilidade de mais demissões no Grupo, Escobar explica que enquanto não houver maiores ganhos de produtividade, melhora do valor dos produtos, valor da mão de obra mais compatível com o valor dos produtos e mudanças na CLT, será uma ação continuada. Hoje, os ganhos reais de salário têm sido bem maiores que os valores de produção alinhados junto com a perda de produtividade.

Muito provavelmente haverá novas demissões neste período conturbado do setor e da economia brasileira. "Aliado aos problemas financeiros está a situação climática que tem prejudicado os canaviais em sua renovação, ampliação e tratos culturais. A queda na produção da safra 2014/2015, em razão das condições climáticas, irá reduzir o faturamento e por conseguinte os investimentos e manutenção para a safra 2015/2016. Oxalá eu esteja enganado e as empresas retomem o caminho dos investimentos para a safra futura", salienta Rui.

"Se os canaviais forem abandonados e a quantidade de cana diminuir, teremos mais funcionários demitidos", argumenta Padua.

INVESTIMENTOS PARA SOBREVIVER

O diretor Técnico da UNICA afirma que o setor precisa investir para sobreviver. "Para isso ele aumentou o seu endividamento porque precisa se endividar para crescer. A atividade requer investimentos para ser viável e se manter", enfatiza.

O preço do etanol está dado e tem paridade com a gasolina. O mercado de açúcar está atrelado ao preço do etanol e se tivermos uma quantidade de cana menor, os custos da atividade aumentarão e as empresas cortarão o que for possível. As empresas que não tem o que cortar, irão demitir. Este é o cenário atual do setor sucroenergético.

Segundo Padua, é preciso uma política de longo prazo que volte a atrair investimentos para o setor, além de conhecer a previsibilidade da política de preço do combustível. "O potencial está no etanol hidratado que é concorrente da gasolina. Também é necessário um tributo diferenciado entre o combustível que polui e o que não polui. Ao tirar a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), tirou-se do setor a competitividade do etanol (R$ 0,20/l). Isso representa R$ 16/t de cana. O setor está deixando de faturar mais de R$ 10 bilhões com isso", contabiliza.

Para o setor reagir e voltar a crescer, é preciso que haja crescimento da economia brasileira, investidores nacionais e internacionais, politicas públicas que suportem a produção de açúcar, etanol e energia. "O Brasil é uma fonte inesgotável de energia renovável, porém o Pré-sal e Belo Monte são mais importantes na visão dos atuais governantes, os quais abandonaram o setor, suas tendências, sua história, seu potencial", menciona Rui.

Na opinião de Fava Neves, é preciso que o governo crie mecanismos de recuperação do setor, mecanismos que possibilitem o aumento da competitividade do etanol frente à gasolina. "Com o aumento da demanda pelo produto, o setor volta a ser remunerado corretamente e passa a ser capaz de recuperar seus investimentos, mas isso não é simples.

As ações vão gerar resultados no médio e longo prazo. Por ser um setor grande e que sofreu drasticamente nos últimos anos, a recuperação será lenta", analisa.

RAMIFICAÇÕES DA CRISE

"A crise que afeta o setor não é exclusiva das indústrias", acentua Bruno Rangel Geraldo Martins, presidente da Socicana (Associação dos Fornecedores de Cana de Guariba), que integra mais de 1.300 produtores de cana que, juntos, produzem mais de 6,5 milhões de t/cana.

De acordo com ele, os produtores de cana também sofrem os efeitos da falta de políticas específicas. "Algumas unidades industriais que, há pouco, eram sólidas, hoje estão em situação complicada. Já presenciamos até mesmo o parcelamento do pagamento pela produção da cana aos fornecedores", diz.

Algumas unidades, que encerraram as suas atividades, tinham no seu escopo a cana do fornecedor. Isso fez com que esses produtores procurassem outras usinas para entregar a matéria-prima, em regiões mais distantes, aumentando, assim, o custo do transporte e, dessa forma, inviabilizando o cultivo do canavial.

Martins explica que há um crescimento expressivo no custo de produção, para implantação e manutenção do canavial, devido ao aumento de pragas e doenças, custos de mão de obra, do óleo diesel, entre outros. O custo aumentou, mas a remuneração pela cana não acompanhou estes índices, diminuindo a margem consideravelmente. Muitos produtores trabalham contabilizando prejuízos.

"Estamos diante da falta de políticas públicas que aumentem a competitividade do etanol frente à gasolina. O etanol é um combustível renovável, sustentável, gerador de renda para o País. Entretanto, o governo subsidia a gasolina por interesses políticos. Isso está destruindo a Petrobrás e aumentando o risco de vermos o programa brasileiro de etanol sucumbir. Muitos produtores já pensam em deixar de plantar cana e procurar uma cultura que seja mais rentável, como última alternativa para permanecerem na atividade e evitarem o arrendamento ou a venda de suas terras", entrega Martins.

Do outro lado, a indústria de base, que fornece equipamentos para as usinas, também foi atingida em cheio.

De acordo com os últimos dados divulgados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho), a indústria de Sertãozinho perdeu 1.097 postos de trabalho de janeiro a junho deste ano.

Pela descrição de atividades do CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas), Sertãozinho tem hoje 702 empresas cadastradas. Destas empresas, 17% são de fabricação de produtos de metal (exceto máquinas e equipamentos), 20% são de fabricação de máquinas e equipamentos, e 23 % manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos. Com estes dados, pode-se afirmar que 426 empresas de Sertão-zinho atendem o setor sucroenergético e, se considerarmos o faturamento das indústrias instaladas no município, este percentual ultrapassa 85%.

"As empresas estão alavancadas e sem demandas. São poucos os pedidos de manutenção de máquinas, equipamentos, e não há novos projetos industriais e de usinas, em andamento. Por conta dessa ociosidade, e para que unidades não fossem definitivamente fechadas, os empresários usaram a dispensa como estratégia para manter o mínimo de atividade até que a retomada do setor aconteça", esclarece Antonio Eduardo Tonielo Filho, presidente do Ceise Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis).

Ele também pondera que as demissões ocorreram justamente para adequar o volume de pedido à capacidade de produção das empresas, adaptando o número de funcionários à demanda. "O corte de funcionários neste caso, nada mais é do que a adaptação da capacidade de produção com o volume de encomendas. Não está se reduzindo funcionários para substituição por máquinas e equipamentos, ou apenas para redução de custos. São medidas adotadas para a sobrevivência", ressalta.

Em algumas empresas, a redução de funcionários implicou também em redução de turnos de trabalho. Dessa maneira, os colaboradores que permaneceram foram ajustados conforme as necessidades da empresa.

Para se adequarem ao período de crise, as empresas de Sertãozinho, além de reduzir custos, estão procurando diversificar a produção a fim de atender novos mercados e dessa maneira deixarem de ser totalmente dependentes da cadeia produtiva da cana. "Cada empresa sofre reflexos da crise de acordo com sua gestão ou planta instalada. Mas, podemos garantir que todas têm enfrentado problemas de caixa e dificuldades no financiamento de capital de giro e investimentos", declara Tonielo Filho.

O presidente do Ceise Br salienta que o setor sucroenergético carece de uma definição clara do papel do etanol e da biomassa na matriz energética do País. O próprio etanol também requer atenção quanto a uma remuneração justa, equivalente, para que possa aumentar a atratividade por investimentos. Faz-se necessária a criação de condições de planejamento no longo prazo, sem interferências governamentais que prejudiquem o rendimento dos bens produzidos pelo setor.

"A normalização do ICMS a 12% nos demais estados, além de SP, a volta da aplicação da Cide, e o resgate dos créditos provenientes do PIS-Cofins são medidas que podem ajudar o setor. Urge ainda, a necessidade de investimentos em pesquisas e inovações para a melhoria da produtividade da cana-de-açúcar e do desempenho dos equipamentos de processamento, sem se esquecer da estocagem e do transporte e logística dos produtos bruto e final - elementos responsáveis por 30% do custo de produção. A partir disso, a indústria de base também precisará de linhas de financiamentos especiais para adquirir, enfim, uma estabilidade econômica e, consequentemente, voltar a investir em inovações tecnológicas, garantindo então sua competitividade", defende Tonielo Filho.

Resumidamente, além da quebra de produção, as demissões que vem ocorrendo demonstram que o setor está com a navalha na própria carne. As feridas estão abertas e irão cicatrizar. Porém, as marcas deixadas serão lembranças desagradáveis de um período difícil e que não deixará saudades. (Revista RPA 31/10/2014)

 

Fim da queima eliminará plantio de cana em 7% da área atual em SP

O fim da queima da cana-de-açúcar vai eliminar o plantio dessa cultura em 369 mil hectares em São Paulo. Isso representa 6,7% da área atual destinada à cana no Estado.

O fim da queima ocorrerá a partir de 2017 e, conforme protocolo ambiental acertado entre governo e produtores, a colheita deverá ser apenas mecanizada a partir dessa data.

A mecanização já avançou rapidamente pelo Estado, mas essa colheita mecanizada não é possível em áreas de plantio com declives do terreno superiores a 12%.

Produtores com áreas inferiores a 150 hectares podem continuar queimando a cana até 2017. A partir dessa data, deverão dar outro destino a essa terra.

O levantamento da área que deverá ficar fora da produção de cana foi feito pela Embrapa, em conjunto com a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Benedito da Silva, diretor do departamento de agronegócio da Fiesp, diz que é muito importante o Estado ter o conhecimento desses números. Afinal, o efeito será muito grande em alguns municípios paulistas.

Piracicaba, por exemplo, vai deixar de plantar 8.577 hectares, o que representa 2,3% da área de cana do Estado e 17% da área do município com esse produto.

Silva acredita que o levantamento seja a semente para a discussão sobre o reaproveitamento dessas áreas agrícolas. Um novo estudo já está sendo feito para a indicação da melhor utilização dessas áreas com novas atividades agropecuárias.

"A solução não é rápida e nem é fácil, mas a área é grande e temos de caminhar para alguma coisa", diz Silva. A área que deixará de ser utilizada com cana soma 80% da utilizada pela citricultura no Estado de São Paulo.

O objetivo do estudo é propiciar aos produtores novos tipos de cultura. Esse trabalho não se limita apenas ao produtor, mas também busca motivar grupos empresariais a se instalar nessas regiões, montando agroindústrias, de acordo com Silva.

Antonio de Padua Rodrigues, da Unica, diz que essa área deverá ser reaproveitada com outras culturas e que algumas usinas deverão ter uma redução da matéria-prima a ser moída. Mas elas vão se adequar, segundo ele.

Devido ao fato de a cana-de-açúcar ser um produto de ciclo longo, parte dessas áreas já está sendo desativada.

Manoel Ortolan, presidente da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo) e diretor da Copercana (cooperativa dos plantadores de cana), acredita, no entanto, que o avanço tecnológico das máquinas agrícolas poderá manter essas áreas na produção de cana.

O corte de cana realmente vai se extinguir e essas áreas com declive superior a 12% estão esparramadas pelo Estado e exigiriam muita mão de obra, que está escassa.

Na avaliação de Ortolan, algumas regiões vão sentir mais esse efeito do fim da queima da cana. Outras já estão se adaptando, uma vez que parte do canavial desses produtores já está sendo colhida com máquinas.

Por ora, não é um grande problema ainda, mas as regiões afetadas vão ter de buscar uma alternativa na vocação específica de cada uma delas. Em algumas áreas do Estado, o problema já está em discussão, segundo ele. (Folha de São Paulo 01/11/2014)

 

Usinas de cana têm margens de lucro mais apertadas em 14/15, diz estudo da CNA

A safra de cana 2014/2015 no centro-sul do Brasil, que está caminhando para o seu final, registrou aumento dos custos de produção e margens mais apertadas de rentabilidade para o setor sucroenergético, apontou nesta sexta-feira estudo divulgado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

"Os preços da cana, do açúcar e do etanol serão insuficientes para cobrir o total de despesas da atividade. Os custos com a matéria-prima devem subir 8 por cento e os industriais terão alta de 10 por cento", afirmou a CNA em nota, sem detalhar as margens de lucro.

O levantamento sobre o setor, cujo endividamento tem crescido nos últimos anos em meio a políticas públicas desfavoráveis ao etanol e preços baixos do açúcar, incluiu usinas tanto nas regiões tradicionais (São Paulo e Paraná) quanto das regiões de expansão (Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais).

O boletim Ativos da Cana-de-açúcar, elaborado pela CNA em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), constatou também maior atratividade na comercialização do etanol em relação ao açúcar, o que deve resultar em aumento de 2,9 por cento na produção do combustível na região tradicional do centro-sul na safra 2014/15.

"A produção de açúcar tem sido desfavorecida em relação à produção de etanol, devido ao baixo preço projetado para o açúcar no mercado internacional", acrescentou a CNA. (Reuters 31/10/2014 às 12h: 30m)

 

Ação do Ministério Público pretende proibir mais de 300 defensivos agrícolas no país

Produtores podem ficar com as lavouras desprotegidas caso agroquímicos percam o credenciamento.

Mais de 300 defensivos com diferentes princípios ativos podem ser proibidos no Brasil. É o que pretende uma ação do Ministério Público.

Os produtores podem ficar com as lavouras desprotegidas caso agroquímicos percam o credenciamento.

O Ministério  da Agricultura saiu em defesa dos produtores que podem ficar com as lavouras desprotegidas caso os produtos percam o credenciamento. O ministro Neli Geller esteve reunido nesta quinta, dia 30, com o Advogado Geral da União, Luís Adams, para discutir o assunto.

A pressão do setor é para que saia  um parecer  favorável aos produtos. Muitos são genéricos,  que ajudam na concorrência no mercado para  reduzir custo do produção.

O setor espera que não aconteça como no caso do ensodulfan, produto usado para combater a broca do café, que foi proibido no ano passado e depois dos cafeicultores amargarem prejuízos foi liberado no início deste ano em regime emergencial. (Rural BR 31/10/2014 às 19h: 03m)

 

Subsídios à gasolina

Não foi na reunião do Conselho da Petrobrás realizada sexta-feira que foi anunciado o reajuste dos combustíveis. Mas ele virá, talvez ainda nesta semana.

Há questões mais abrangentes que envolvem essa matéria. A mais imediata delas é o que fazer a partir de agora. A outra, uma política mais consistente para o setor de veículos.

Já não há como sustentar a existência de atraso no reajuste dos preços dos combustíveis depois que as cotações do petróleo desabaram 21% no mercado internacional em apenas quatro meses. Conforme os cálculos divulgados por analistas e consultorias, não há mais realinhamento a fazer entre preços internos e externos. Há, sim, a necessidade de recompor o caixa da Petrobrás sangrado por todos esses anos de subsídios. Trata-se de uma "conta petróleo" deficitária que poderia ser compensada de outras formas. Também se espera que o governo aproveite o fim do desalinhamento entre preços para recompor a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, a Cide, imposto hoje zerado, cuja principal função foi ajudar a dar competitividade ao setor do etanol e juntar recursos para investimentos em transporte público.

Mas, ainda nessa matéria, menos importa a recomposição dos preços, que pode ser temporária. O que de fato falta são regras claras para que os preços dos combustíveis não fiquem à mercê do humor do oficial de dia.

Outra questão a examinar são as demais distorções provocadas pelos atrasos na atuação dos preços dos combustíveis. Uma gasolina cujos preços são artificialmente achatados, na prática, funciona como incentivo extra para quem roda de automóvel particular.

O setor de veículos enfrenta uma encrenca de difícil equacionamento. A atual capacidade de produção de 3,8 milhões de unidades por ano deverá saltar para 6,0 milhões em 2017, volume excessivo para o mercado interno.

Altamente protegida por tarifas de importação de 35% e reservas de mercado, a indústria de veículos do Brasil não tem competitividade. Conseguia exportar para a Argentina, graças a acordos também protecionistas, mas essa porta está praticamente fechada, porque a Argentina passa por uma grave crise de pagamentos, cuja solução não está à vista. Mesmo se esse problema for resolvido, a questão de fundo permanecerá: as montadoras continuarão devendo competitividade e, se tudo continuar como está, não abrirão novos mercados fora do Brasil.

As vendas internas continuam sendo empurradas por medidas artificiais. Uma delas, já mencionada, foi o subsídio aos combustíveis. A outra, a redução de impostos, especialmente do IPI, que já perdura dois anos e meio. E, no entanto, o setor insiste em mais favores fiscais.

O governo precisa decidir até quando os contribuintes terão de ajudar a pagar a conta dos compradores de veículos. Este não é um setor incipiente no Brasil. Já tem mais de 60 anos. Está sempre pronto a compensar suas ineficiências com benefícios arrancados do governo.

O governo Dilma terá de definir até que ponto vai dar prioridade à mobilidade urbana e até que ponto vai continuar a subsidiar a compra de veículos. (O Estado de São Paulo 02/11/2014 às 02h: 03m)

 

Focos de incêndios descontrolados são pragas para canaviais

Não são apenas as hidrelétricas do Rio Grande que sofrem com a estiagem. Sobre toda a área da bacia - que tem cerca de 143 mil km², a maior parte em São Paulo - há uma imensa bolha de calor castigando o agronegócio. Há muita terra limpa à espera da chuva para plantio de grãos. Pés de café e de laranja amarelam sob o sol. Os brotos da cana-de-açúcar da safra de 2015 não estão se desenvolvendo. Os pés têm metade, às vezes um terço, do tamanho adequado. Nesse ambiente de secura, uma praga em particular prospera: o fogo.

“Os incêndios surgem na beira das rodovias e vão consumindo tudo que há pela frente: cafezais, plantações de eucaliptos, canaviais, canteiros de rodovias, áreas de reserva”, diz Manoel Ortolan, presidente da Canaoeste, associação que reúne 2,3 mil produtores de cana de 70 municípios paulistas. “Ainda não contabilizamos os prejuízos do fogo, mas ficou claro com a seca que temos de nos preparar melhor contra ele.”

Por ironia, a cultura mais afetada pelos incêndios foi a cana - que por décadas usou o fogo para a colheita. Era assim porque o fogo consome as folhas, mas não a fruta, que permanece para ser moída na usina. Como as queimadas desgastam o solo, poluem e afetam as pessoas e o meio ambiente, foram proibidas. Adotou-se a colheita mecanizada. Nesse processo, as folhas são separadas da cana e jogadas no solo, onde ressecam e se transformam num tapete bege que protege e aduba o solo. É nessa palha que o fogo se alastra, matando os brotos da cana que estão embaixo.

Setembro e outubro foram meses dramáticos. “Em toda a região, era fogo todo dia”, diz Dorival Altino, 50 anos, fiscal de queima e proteção da Usina Batatais, no município de mesmo nome.

“Domingo passado choveu um pouquinho e o fogo sossegou, mas já secou tudo e ele voltou.” Quinta-feira, sua equipe gastou duas horas para controlar um incêndio numa área pública ao lado do canavial da usina que está brotando.

Espera: O fogo chegou a mudar a rotina dos produtores. A família Bazzo, tradicional em Terra Roxa, perdeu num único incêndio 100 hectares de cana que começava a brotar para a safra do ano que vem (algo como 100 estádios do Maracanã). “Foi-se 25% da minha produção”, diz Clemente Bazzo. “A gente só viu a fumaça subindo e já não tinha o que fazer. Vieram caminhões-tanque das usinas, mas nada segurou o fogo, que parou no muro de casa.” Os Bazzo são conhecidos por viver para o trabalho. Os gêmeos Clemente e Camilo, 63 anos, nem sequer conhecem o mar. Mas estão parados à espera da chuva. “Não vamos plantar soja nem decidir o que fazer com a cana enquanto não chover”, diz Clemente.

Os irmãos Carlos Roberto Lovato Júnior, 36 anos, e Carlos Américo Sicchieri, 38 anos, têm convicção de que a chuva virá nesta semana. Na quarta-feira, Júnior caminhava ansioso na propriedade da família, junto à rodovia em Viradouro. Monitorava a preparação da terra. Sicchieri pilotava o trator vermelho. “Já trouxemos o trator aqui um monte de vezes, mas na terra seca ele não roda”, disse Júnior. Domingo passado choveu ali 50 mm, “um nada”, na definição dele. “Mas o suficiente para a gente ao menos preparar a terra e esperar a chuva que, dizem, agora vai começar.”. (O Estado de São Paulo 01/11/2014)

 

Mecanização do corte da cana muda o foco de pastoral e extingue moradias

Com o avanço da mecanização na colheita da cana para atender exigências ambientais, a figura do migrante hoje praticamente inexiste na região de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) na cultura, o que gerou mudanças no foco de atuação da Pastoral do Migrante e extinguiu alojamentos de usinas.

A vinda de nordestinos e mineiros do Vale do Jequitinhonha a cada safra faz parte da história canavieira do interior de São Paulo.

O Levante de Guariba, em 1984, mais famoso movimento trabalhista da categoria, resultou na melhoria das condições enfrentadas nas lavouras. Agora, sem trabalho, muitos partem para outras regiões para colher laranja ou atuar na construção civil.

A mudança desse cenário põe fim a parte do trabalho da pastoral, que, no momento em que completa 30 anos, procura uma maneira de se reinventar.

Oito padres missionários deixaram Guariba no início do ano para missões em outras cidades. Permaneceram freiras e voluntários.

Alojamentos de trabalhadores que restavam foram desativados. Eram nesses prédios que dormiam centenas de boias-frias, muitas vezes em situação desumana.

As maiores usinas chegaram a ter ao menos cinco alojamentos, com capacidade para 400 trabalhadores cada.

Em uma usina de Matão, restou apenas um vigia que toma conta do espaço vazio no meio do canavial.

"A situação era bem precária, não havia zelo nenhum com o povo", diz Ignácio Bernardes. Nos anos 60 ele era funcionário de usina, mas atuava como voluntário, dando assistência aos migrantes.

O voluntário da pastoral Luze Azevedo conta que, entre os anos 80 e 90, chegavam em média 15 mil trabalhadores à região por ano. Vinham e voltavam para casa a cada fim de safra.

"Hoje não há mais que mil cortadores."

O boia-fria José de Almeida da Silva, 43, por exemplo, atualmente divide uma casa com outros três trabalhadores rurais. Já foram 18.

Azevedo diz que o trabalho da pastoral não vai acabar, pois não é voltado apenas aos trabalhadores da cana.

O rumo que tomará, no entanto, está em discussão. Segundo o voluntário, uma proposta é criar uma cooperativa para mulheres e familiares de migrantes que ficaram na cidade cultivarem rosas. Outra prevê aulas de artesanato às mulheres migrantes.

A mecanização é resultado do protocolo agroambiental assinado entre usinas e o Estado, que põe fim à queima da palha da cana.

Ele dá prazo até o final de 2014 para a queima. Em áreas menores, de difícil acesso de máquinas, o prazo vence em 2017. (Folha de São Paulo 02/11/2014 às 02h: 00m)

 

Estatal teme consequências de fusão da ALL

A fusão entre o grupo de concessões de ferrovias América Latina Logística (ALL) e a Rumo (empresa de transportes do grupo de origem sucroalcooleira Cosan) despertou a contestação de mais uma empresa. Depois de Odebrecht e Eldorado (do grupo J&F) demonstrarem preocupações com o negócio pelos possíveis efeitos operacionais no escoamento de cargas por trilhos, agora é a Petrobras quem teme a operação.

Conforme apurou o Valor, a Petrobras Distribuidora - braço da estatal voltado ao comércio e à distribuição de derivados de petróleo - afirmou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que a fusão criaria dificuldades na operação de cargas e concederia à Cosan uma posição de "predominância" na infraestrutura da ALL e que isso pode ocasionar preços maiores a concorrentes da Cosan.

Além disso, a estatal afirma que a ALL não tem vagões suficientes para atender toda a demanda das distribuidoras de combustíveis. Por isso, diz se preocupar com o direcionamento do material para uso da Cosan em detrimento de outras empresas. A Petrobras teme as vantagens que a Cosan teria e o aumento de custos para concorrentes, que poderiam ter que usar as rodovias (mais caras).

A distribuidora também receia que a Cosan tenha informações privilegiadas sobre preços de produtos (já que as notas fiscais devem acompanhar a carga) e estratégias de concorrentes, além de dados sobre volumes, clientes e fornecedores.

Empresas como a Eldorado também manifestaram preocupação ao Cade. A produtora de celulose chegou a pedir a reprovação da fusão ou a imposição de restrições. A Odebrecht Ambiental disse que os mercados de açúcar de etanol serão afetados de maneira "severa" pelo negócio. (Valor Econômico 03/11/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Reação ao dólar: As cotações do açúcar demerara cederam nesta sexta-feira na bolsa de Nova York ante a pressão da alta internacional do dólar e movimentos técnicos. Os lotes da commodity com vencimento em maio de 2015 fecharam com recuo de 25 pontos, a 16,34 centavos de dólar por libra-peso. Na hora do fechamento, o dólar subia 2% ante o real. A alta da moeda americana foi uma reação ao anúncio do banco central japonês, feito um dia antes, de que ampliará os estímulos monetários. A decisão pegou o mercado de surpresa e provocou a valorização do dólar, o que costuma incentivar as indústrias a ofertarem sua produção. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo caiu 0,17% e reduziu a alta do mês para 7,72%, a R$ 49,09 a saca de 50 quilos.

Cacau: Pressão da colheita: Os preços do cacau fecharam em queda na sexta-feira na bolsa de Nova York sob pressão dos fundamentos e vendas técnicas. Os lotes da amêndoa para entrega em março de 2015 fecharam em baixa de US$ 46, por US$ 2.893 a tonelada. O clima em Gana e na Costa do Marfim, que respondem por dois terços da produção mundial, está ficando mais seco, o que deve permitir o avanço da colheita e a secagem da safra principal da temporada 2014/15. A queda também está relacionada a um intenso movimento de vendas por parte dos fundos, que liquidam posições conforme se dissipam os temores com o ebola na região produtora. No mercado doméstico, o preço médio da arroba em Ilhéus e Itabuna permaneceu em R$ 103 a arroba, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Sinais do Japão: O mercado da soja ganhou um novo fôlego na sexta-feira após o banco central do Japão anunciar o aumento do estímulo monetário no país, o que criou uma onda de compras especulativas no mercado financeiro, colaborando para a alta dos contratos futuros do grão na bolsa de Chicago. A valorização ocorreu na segunda metade da sessão, revertendo a queda que vinha sendo traçada sob pressão dos fundamentos. Os lotes de janeiro de 2015 fecharam a US$ 10,4925 o bushel, avanço de 19,50 centavos. Os preços também encontram sustentação do mercado de farelo de soja, que continua sob impulso de forte demanda nos EUA e pela relutância dos produtores em comercializar sua produção da safra nova. No mercado interno, a saca no Paraná subiu 0,8%, para R$ 59,39, segundo o Deral/Seab.

Milho: Alta especulativa: As cotações do milho fecharam no campo positivo na sexta-feira na bolsa de Chicago e reverteram a queda que vinha marcando a primeira metade da sessão. Os contratos do cereal com vencimento em março fecharam com alta de 2,25 centavos, a US$ 3,8925 o bushel. Houve forte influência do anúncio de que o banco central do Japão vai aumentar o estímulo monetário no país. As compras por parte dos fundos encontraram suporte em temores de que o clima comece a esfriar nas áreas produtoras nos Estados Unidos e atrasem a colheita. Segundo Daniel Flynn, do Price Futures Group, em Chicago, o clima frio pode levar a uma corrida pelos papéis. No mercado doméstico, o preço médio do milho no Paraná subiu 1,48%, para R$ 19,15 a saca, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 03/11/2014)