Setor sucroenergético

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Rubens Ometto traça cenário ‘tenebroso’ para setor sucroenergético

Instado por seus sócios da Shell a analisar o impacto da reeleição de Dilma Rousseff, Rubens Ometto teria traçado um cenário tenebroso para a indústria sucroalcooleira.

A ponto de os anglo-holandeses se perguntarem por que a Raízen ainda investe no setor. (Jornal Relatório Reservado 04/11/2014)

 

Perda de produtividade do etanol provoca fechamento de usinas e desemprego

Diretor-técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) alerta que muitas empresas não terão álcool ou açúcar para comercializar até o início do próximo ciclo de produção.

O setor de açúcar e álcool vive uma crise que, nos últimos sete anos, provocou o fechamento de 82 usinas e a demissão de mais de 80 mil trabalhadores. E a situação ainda pode piorar. Nas estimativas do mercado, o represamento do preço da gasolina pelo governo e a falta de uma política clara que viabilize a produção de etanol impossibilitarão que até 10 agroindústrias iniciem a moagem da cana a partir do início da próxima safra, em meados de abril de 2015.

O diretor-técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Pádua Rodrigues, admite o risco de que algumas usinas fechem as portas no próximo ano. Ele explica que o temor ganhou relevância após a falta de chuvas afetar o desenvolvimento das lavouras e obrigar 42 plantas industriais a interromperem a moagem ainda em outubro. Em uma safra normal, que tem início em abril, a extração do álcool ocorre até o fim de novembro em algumas regiões.

Pádua alerta que muitas empresas não terão álcool ou açúcar para comercializar até o início do próximo ciclo de produção e ficarão sem recursos em caixa para custear mão de obra, compra de insumos e manutenção. “Neste ano, 12 usinas encerraram as atividades. Não acredito que esse número se repita na próxima safra. É difícil fazer uma estimativa, mas o momento não é favorável. (Diário de Pernambuco 03/11/2014)

 

Exportações de etanol desabam 70%

As exportações de etanol recuaram para 101 milhões de litros no mês passado, 70% menos do que os 336 milhões de outubro de 2013.

As receitas, ao somarem US$ 61 milhões, também recuaram 70%, segundo a Secex. (Folha de São Paulo 04/11/2014)

 

Etanol brasileiro ainda é o que tem custo menor

O Brasil continua a ter o menor custo de produção de etanol em grande escala do mundo, segundo a Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). Enquanto o custo é de cerca de US$ 0,18 por litro no Brasil, em países desenvolvidos pode variar de US$ 0,20 a US$ 1,38. O valor vai de US$ 0,28 a US$ 0,46 por litro na China e chega a US$ 0,44 na Índia.

"O custo de produção no Brasil e em outros países em desenvolvimento é bem mais baixo do que nos países da OCDE (desenvolvidos) e muito próximo do preço internacional do petróleo'', diz a agência da ONU em relatório sobre o mercado global do biocombustível. Segundo a Unctad, o etanol agora representa 1% do uso global de energia, em um contexto marcado pelo uso de tecnologia de segunda geração, preocupações sobre as mudanças climáticas e pressões econômicas desenhando o futuro desse segmento.

Nos últimos anos, os EUA se tornaram o maior país produtor de etanol do mundo, em parte por causa da redução da oferta do biocombustível feito a partir da cana no Brasil. A agência projeta avanço de 70% da produção global até 2022. Nesse horizonte, os três maiores serão os Estados Unidos, com fatia de 48%, o Brasil (28%) e a União Europeia (7%).

O comércio de etanol também tende a crescer, em boa parte no fluxo entre EUA e Brasil. Os americanos poderão importar 14,6 bilhões de litros de etanol, sobretudo do Brasil, até 2022. Ao mesmo tempo, tendem a ampliar suas exportações de etanol feito com o milho para 6,6 bilhões de litros no mesmo período. (Valor Econômico 04/11/2014)

 

Queda na usina não chega ao posto

Para descontentamento das usinas de etanol, os preços mais baixos do biocombustível na indústria ainda não se refletiram nos postos. Em outubro, os preços médios do hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, foram na usina em São Paulo de R$ 1,1383 por litro, o menor nível mensal desde outubro de 2012, segundo o Cepea/Esalq. A queda, de 5,45% na comparação com a média de setembro, não se refletiu, no entanto, no preço de venda ao motorista em São Paulo, para o qual o preço ficou apenas 0,66% menor, na mesma comparação.

Segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o hidratado foi vendido em média a R$ 1,85 por litro nos postos de combustíveis do Estado de São Paulo entre os dias 26 de outubro e 1º de novembro. Mas nos cálculos de traders, esse valor já deveria ter recuado para níveis entre R$ 1,73 e R$ 1,74 por litro, dada a queda consecutiva dos preços do hidratado na usina do Estado.

Como o preço mais baixo na usina não está chegando em sua maior parte ao motorista, a demanda pelo biocombustível vem caindo, mesmo com a veiculação de campanhas publicitárias que buscam estimular o consumo do produto. As usinas registraram em setembro um volume de vendas de hidratado 1,87% inferior a igual mês de 2013, e nos primeiros 15 dias de outubro, a comercialização ficou 1,92% menor, conforme a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). (Valor Econômico 04/11/2014)

 

Preço do etanol na usina em outubro é o mais baixo em 2 anos, diz Cepea

O preço do etanol nas usinas no Estado de São Paulo em outubro registrou queda de mais de 5 por cento ante setembro, marcando a menor média mensal em dois anos, com um aumento pontual da oferta no acumulado da safra do centro-sul, informou nesta segunda-feira o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

O Indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado teve média 1,1383/litro (sem impostos) no mês passado, queda de 5,2 por cento em relação à de setembro e o menor valor desde outubro de 2012, em termos reais (deflacionando-se pelo IGP-M de outubro de 2014), de 1,0969 real/litro.

Para o anidro, o indicador foi de 1,2900 real/litro (PIS/Cofins zerados) no mês passado, baixa de 5,3 por cento na mesma comparação e a média real mais baixa também desde outubro de 2012, de 1,2373 real/litro.

"Distribuidoras não mostraram urgência de compra, por estarem abastecidas. Do lado das usinas, as unidades com necessidade de negociar, fosse para 'fazer caixa' ou liberar espaço nos tanques, acabaram cedendo a valores um pouco mais baixos", afirmou análise do Cepea nesta segunda-feira.

Os preços menores em relação ao ano passado também são reforçados pelo "aumento pontual" na produção de etanol, favorecido pelo clima seco que permitiu o avanço da colheita sem muitas interrupções no centro-sul.

A produção acumulada de etanol na safra 2014/15 até meados de outubro cresceu 6,7 por cento, para 21,59 bilhões de litros (12,4 bilhões de litros de hidratado e 9,17 bilhões de anidro), de acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), entidade que representa as usinas do centro-sul.

No entanto, em toda a safra do centro-sul, a Unica prevê que a produção de etanol atingirá 24 bilhões de litros, queda de 6,14 por cento ante 2013/14. À medida que oferta de cana ficar menor, com o fim da safra, essa redução na produção começará a aparecer.

O volume de cana na safra 14/15 será menor do que o registrado na temporada anterior por conta da severa seca que atingiu os canaviais em 2014, reduzindo a produtividade agrícola. (Reuters 03/11/2004 às 14h: 08m)

 

Usinas de biomassa veem risco para expansão

A mudança nos preços da energia no mercado "spot" coloca em xeque os planos de expansão das usinas de biomassa, segundo Zilmar José de Souza, gerente de bioeletricidade da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica). As usinas, segundo ele, responderam imediatamente aos sinais de preços altos neste ano - o valor do megawatt-hora alcançou o recorde de R$ 822,83 - e aumentaram significativamente sua produção. "Mesmo na entressafra, passamos a aproveitar a palha e houve até quem comprou restos de podas de árvores em municípios do interior", disse Zilmar.

O resultado é que, apesar de uma redução da safra de cana, a produção de energia de biomassa cresceu 23% nos nove primeiros meses de 2014. Em agosto, a geração bateu recorde, com 3.716 megawatts médios. "Isso equivale a 18% de todo o consumo industrial brasileiro daquele mês."

Zilmar avalia que, com um valor máximo de R$ 388 por megawatt-hora, uma parte dos investidores pode não mais se sentir atraída pela possibilidade de negociar excedentes no mercado de curto prazo. E o preço da eletricidade negociada nos leilões do mercado regulado, abaixo de R$ 150, pode não sustentar as usinas e comprometer a expansão. "Temos cinco usinas de Belo Monte adormecidas nos canaviais até 2022", afirma o executivo, lembrando o potencial do segmento, conforme foi apontado no plano decenal do governo.

Simulações apresentadas ontem pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), no entanto, apontam ganhos inegáveis para os consumidores. Uma projeção apresentada ontem pela câmara demonstra que, entre fevereiro e agosto de 2014, houve custo financeiro para o sistema de R$ 18,6 bilhões com o valor máximo da eletricidade a R$ 822. Se o limite de R$ 388 já estivesse valendo, o gasto total teria sido de R$ 11,3 bilhões no mesmo período. Ou seja, o ganho financeiro para o sistema como um todo teria sido de R$ 7,3 bilhões. (Valor Econômico 04/11/2014)

 

Vendas de tratores recuam 15% de janeiro a outubro

As incertezas com relação aos preços das commodities fizeram o produtor brasileiro pisar no freio nas compras de novo maquinário.

Apesar da boa safra de grãos do país, as compras de colheitadeiras ficaram em 734 unidades em outubro, repetindo o número de igual mês do ano passado.

No acumulado de janeiro a outubro, as vendas das indústrias para as concessionários recuaram para 5.098 unidades, 20% menos do que em igual período de 2013.

Conforme informações do mercado, as vendas de tratores também caem. Recuaram para 5.457 unidades no mês passado e para 48,4 mil unidades de janeiro a outubro.

A queda é de 8% no mês e de 15% no acumulado do ano, respectivamente. (Folha de São Paulo 04/11/2014)

 

Levedura em teste aumenta em até 25% a produção de etanol em usinas

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) descobriram uma maneira de aumentar a produção de etanol em até 25% usando a mesma área plantada. A chave para a descoberta foi o uso de novos tipos de leveduras (fungos que transformam o açúcar da cana em álcool) nas plantações. A pesquisa já existe há quatro anos e pode trazer muitas vantagens ao setor sucroalcooleiro.

Hoje, as usinas utilizam quatro tipos de leveduras, mas os pesquisadores da universidade descobriram outras cinco que têm maior produtividade, já que suportam uma concentração de açúcar mais elevada. Além disso, os fungos são resistentes a uma temperatura mais alta do que os anteriores, chegando a 42 graus, ao invés dos 30, o que ajuda a eliminar bactérias que atrapalham a fabricação do etanol.

De acordo com o pesquisador da UFSCar Anderson Ferreira da Cunha, uma usina pode aumentar a produção de etanol em até 25% com as novas leveduras sem precisar aumentar a área plantada, além de ter um processo mais rápido. “Aqui no laboratório temos experimentos que mostram que se pode ter uma redução de até duas horas no processo fermentativo utilizando essas leveduras em relação às já adaptadas ao processo”, explicou.

A pesquisa já está sendo testada por uma usina com a expectativa de aumentar a produtividade sem elevar o custo. “Pode representar um passo significativo, pois se há aumento na produção, vamos conseguir reduzir o preço do álcool, que é uma demanda grande da sociedade, inclusive na bomba para colocar nos carros”, ressaltou Cunha.

Os pesquisadores deverão realizar testes em maior escala para observar melhor os resultados da pesquisa. (G1 03/11/2014)

 

ALL-Rumo enfrenta restrições no Cade

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) considera que a fusão entre a ALL e a Rumo Logística não deve ser aprovada da maneira como foi apresentada pelas empresas. A Superintendência-Geral deve declarar o negócio como complexo e encaminhá-lo ao Tribunal para julgamento com a indicação de que sejam impostas restrições.

A proposta feita pela Rumo de criação de um comitê autônomo para o gerenciamento do transporte de cargas por concorrentes da Rumo na ferrovia da ALL não bastou para convencer os técnicos do Cade a indicar ao Tribunal a aprovação do negócio. Eles acharam pouco e recusaram a ideia como solução para dar aval à fusão.

O temor do órgão antitruste é o de que as empresas que utilizam os trilhos da ALL para escoar os seus produtos tenham problemas nas negociações de contratos com a nova direção da companhia. A Rumo é do grupo Cosan, que possui concorrentes no setor sucroalcooleiro que também usam a ALL para transportar os seus produtos. O Cade quer garantias de que não haverá discriminação nos trilhos da ALL e o sistema de governança apresentado pela Cosan através da criação do comitê de gestão e da participação do BNDES como acionista não seriam suficientes para comprovar que a ferrovia será administrada com isenção, dando condições iguais de acesso aos concorrentes da Cosan.

Ao todo, há mais de 12 pedidos de impugnação à fusão no Cade, o que dificulta ainda mais a aprovação do negócio sem a imposição de restrições. A lista inclui Agrovia, Fibria, Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), produtores agrícolas do Paraná, Petrobras Distribuidora, Odebrecht e Eldorado Brasil Celulose (da J&F). Boa parte deles disse que o comitê não basta para garantir o uso da ferrovia sem discriminação.

Representantes da ALL e da Rumo acham natural que o Cade considere o caso complexo, dado o número de impugnantes e o tamanho do negócio. Eles fizeram várias reuniões, nas últimas semanas, para tentar superar as preocupações de técnicos do órgão e, se for necessário, devem fazer concessões em busca do aval à fusão. (Valor Econômico 04/11/2014)

 

Balança comercial tem rombo de US$ 1,2 bi

Resultado de outubro foi provocado principalmente pela queda no preço dos principais produtos básicos exportados.

No acumulado do ano, deficit é de US$ 1,9 bi, mas governo e analistas ainda acham possível uma recuperação.

A queda no preço dos principais produtos básicos exportados pelo Brasil, que se acentuou em outubro, derrubou o saldo comercial do país. As importações brasileiras superaram as vendas para o exterior em US$ 1,2 bilhão no mês passado.

Trata-se do pior resultado para esse mês desde 1998. No acumulado de janeiro a outubro, o saldo da balança comercial está negativo em US$ 1,9 bilhão. É o segundo pior resultado desde 1998, último ano em que o país conviveu com um sistema de câmbio fixo, que estimulava as importações.

O saldo comercial é o principal responsável pela piora das contas externas do Brasil, fator que aumenta a vulnerabilidade do país a choques externos e cambiais.

Governo e analistas ainda veem a possibilidade de uma virada no resultado da balança comercial brasileira nos últimos dois meses de 2014.

Em 2013, o resultado estava negativo em US$ 2 bilhões até outubro, mas fechou o ano positivo em US$ 2,4 bilhões.

Para isso se repetir, no entanto, serão necessários aumentos nos preços e nas quantidades exportadas de produtos como minério de ferro e carne, segundo o secretário de Comércio Exterior, Daniel Godinho.

O governo também espera contar com aumento da produção de combustíveis para frear as importações desses produtos.

"Precisamos aguardar novembro para confirmar essa expectativa. Dezembro é tradicionalmente superavitário."

MINÉRIO E ARGENTINA

Ele afirmou que o resultado da balança neste ano foi influenciado por dois fatores que contrariaram as expectativas. O primeiro é a queda maior que a esperada de preços de alguns produtos.

O preço do minério de ferro, por exemplo, caiu 20% no ano. Somente em outubro, o recuo foi de 40% em relação ao mesmo mês do ano passado. Se o preço de 2013 fosse mantido, com a mesma quantidade, o Brasil teria faturado US$ 5,4 bilhões a mais.

O segundo fator é a queda na demanda argentina, principal comprador de manufaturados brasileiros. No total, as exportações para o país vizinho recuaram 27% até outubro na comparação com o mesmo período de 2013.

Entre os cinco manufaturados com maior recuo nas exportações estão três do segmento automotivo: automóveis (-41%), veículos de carga (-30%) e autopeças (-24%).

Também houve expressivo recuo nas vendas de plataformas de petróleo (-58%) e açúcar refinado (-25%).

Sobre a alta recente do dólar, Godinho afirmou que há uma defasagem entre a desvalorização da moeda e o reflexo disso nas exportações brasileiras de dois a três anos.

"Mais importante que a cotação é a estabilização do câmbio, para que o empresário possa se programar."

As vendas menores de minério de ferro em outubro fizeram com que os EUA superassem a China como principal comprador do Brasil no mês. No ano, o país asiático segue na liderança. (Folha de São Paulo 04/11/2014)

 

Setor de etanol sofre a pior crise em 30 anos

Sem produção. Hélio Pignata, de 82 anos, fechou sua destilaria e usina há três anos com R$ 50 milhões de dívida.

Sertãozinho, a 356 quilômetros de São Paulo, cresceu a um ritmo chinês de 10% ao ano de 2003 a 2008. Puxado pelo boom do etanol, com a explosão da frota de carros flex, o município de 120 mil habitantes atraiu investidores, inclusive internacionais, interessados em produzir o combustível limpo. Mas hoje, o etanol — tecnologia brasileira desenvolvida com sucesso, e muitos subsídios, nos anos 1970, após o choque do petróleo — vive sua pior crise em 30 anos dizem os usineiros, em parte devido à política de controle de preços da gasolina pelo governo.

O setor sofre ainda com endividamento de produtores e usineiros e condições climáticas adversas. Com isso, o etanol, que em seu processo de produção reduz em 89% as emissões de CO2 quando comparado à gasolina, vai perdendo espaço para o combustível mais poluente.

Em Sertãozinho, das sete usinas, duas fecharam e uma está em recuperação judicial. Sem encomendas das usinas, as 500 indústrias metalúrgicas já extinguiram 10 mil postos de trabalho e viram seu faturamento cair 50%.

"Caímos do 4º para o 54º lugar no índice Firjan de desenvolvimento municipal, que mede a qualidade de emprego, renda, saúde e educação entre 5 mil municípios. A cidade ainda é muito dependente da cana" diz Carlos Roberto Liboni, secretário de Indústria e Comércio de Sertãozinho.

EM QUATRO ANOS, 26 USINAS FECHADAS EM SP

Sertãozinho transformou-se num dos mais importantes polos de tecnologia e produção de álcool e açúcar do país. Calcula-se que São Paulo responda por 60% da cana plantada no Brasil. Mas, nos últimos quatro anos, 26 usinas fecharam no estado. Segundo produtores e usineiros, é a pior crise em 30 anos e os custos superam o preço do etanol.

"É crise que não passa. Investimento em tecnologia parou aqui" diz Antônio Eduardo Tonielo Filho, presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis.

Para a consultoria MBF Agribusiness, o endividamento do setor é histórico, mas houve uma sobrecarga em 2006, quando muitos apostaram na produção do etanol como substituto do petróleo. Esse movimento levou ao aumento dos custos de produção e baixou o preço final do produto. O problema se intensificou a partir de 2008, na crise internacional, com menos crédito disponível. O diretor da MBF, Marcos Françóia, lembra que os empresários têm parcela de culpa pela situação, acumulando anos de gestão com resultados ruins.

Dono da destilaria Pignata, que fechou há pouco mais de três anos, Hélio Pignata, de 82 anos, diz que havia incentivos do governo federal para a produção de etanol. Por isso, migrou da cachaça para o álcool combustível. Pequena para os padrões do setor, a Pignata chegou a produzir 10 milhões de litros por safra, mas se viu enrolada em dívidas, segundo o usineiro, de R$ 50 milhões. Entrou em processo de recuperação judicial e foi assumida pelo empresário Ricardo Mansur, ex-dono do Mappin e da Mesbla. Mas ele acabou devolvendo-a ao descobrir que a dívida chegava a quase R$ 100 milhões.

"O preço do etanol não compensava. Quanto mais eu moía cana, mais meu prejuízo aumentava. Por isso, decidi fechar" diz Pignata.

A usina Albertina interrompeu a produção em Sertãozinho em 2012, após quatro anos de recuperação judicial. Na época, repassou à multinacional francesa Louis Dreyfus o direito de assumir 8 mil hectares em contratos de arrendamento de cana. Deixou um rastro de milhares de demitidos, boa parte moradores do distrito de Cruz das Missões.

Vanderlei Mariano dos Santos, de 55 anos, trabalhou por 25 anos na Albertina como destilador. Casado e pai de três filhos, diz que recebeu apenas o FGTS, mas as multas contratuais pela demissão não foram pagas e está brigando na Justiça. Hoje, é motorista de caminhão e ganha menos da metade dos R$ 2,3 mil que recebia na usina.

Entre os cerca de 2 mil pequenos fornecedores de cana da região para as demais usinas de Sertãozinho, o horizonte também não é positivo. Este ano, a seca reduziu a produtividade de até 90 toneladas por hectare, a média do estado, para 71 toneladas por hectare. Com menos cana para moagem, algumas usinas, como a São Francisco, encerraram a safra em outubro em vez de novembro. Para a próxima, a previsão é de 40% de queda. Muitos estão vendendo ou arrendando parte de suas terras para grandes grupos internacionais como saída para não se endividarem mais, diz Manoel Ortolan, diretor da Canaoeste, que representa esses produtores:

"Esperamos que o governo anuncie o aumento de 25% para 27,5% da adição de etanol na gasolina em 2015. Seria uma alta de 1,2 bilhão de litros."

METALÚRGICA AGORA FORNECE PARA A PETROBRAS

O governo não confirma o aumento da mistura, mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que a gasolina pode subir ainda este ano, o que na prática beneficia o consumo do etanol.

A Caldema, uma das maiores produtoras de caldeiras para usinas da cidade, produzia oito por ano até 2008. Suas vendas chegavam a R$ 320 milhões. Mas a empresa dispensou cem funcionários. E, para não ampliar as demissões, treinou os 450 restantes, virou fornecedora da Petrobras e construiu a primeira caldeira que gera energia elétrica a partir da queima de lixo, para Barueri (SP). (O Globo 03/11/2014)

 

Commodities Agrícolas

Café: Previsão de chuva: O mercado do café arábica registrou queda ontem na bolsa de Nova York por conta das previsões de chuva para a região produtora no Brasil e da alta do dólar ante diversas moedas. Os lotes para março de 2015 fecharam cotados a US$ 1,9015 a libra-peso, 215 pontos a menos que o fechamento anterior. As previsões meteorológicas indicam aumento no volume de chuvas na região Sudeste, embora as precipitações devam diminuir em algumas áreas já na segunda metade desta semana. O recuo ocorreu apesar da divulgação de que o Brasil exportou um volume recorde de café verde para o mês de outubro, 3,09 milhões de sacas. O mercado doméstico permaneceu "calmo", com o café de boa qualidade sendo negociado entre R$ 460 e R$ 470 a saca de 60,5 quilos, de acordo com o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Colheita africana: Os preços do cacau iniciaram a semana no campo negativo na bolsa de Nova York diante da pressão da colheita no oeste da África, que abriga dois terços da produção global da commodity. Os contratos da amêndoa com vencimento em março fecharam em baixa de US$ 37, cotados a US$ 2.856 a tonelada. Com o avanço da colheita na Costa do Marfim e em Gana, os operadores vão retirando o "prêmio ebola", que deu sustentação às cotações em agosto e setembro, e voltando-se aos fundamentos. Alguns analistas acreditam que os ingressos de cacau nos portos do oeste da África superem o volume da safra passada. No mercado interno, o preço médio da arroba em Ilhéus e Itabuna ficou em R$ 102, de acordo com dados da Central Nacional de Produtores de Cacau.

Milho: Alta interrompida: O mercado do milho abriu o mês no campo negativo na bolsa de Chicago, indicando que o ciclo de valorização especulativa ocorrido em outubro pode ter chegado ao fim. Os contratos para dezembro caíram ontem 3,25 centavos, a US$ 3,735 o bushel. O recuo é resultado da estratégia dos fundos para embolsar os lucros do mês passado, movimento que conta com o apoio dos fundamentos, já que a colheita nos Estados Unidos continua em andamento e reabastecendo os estoques internos. Ontem, dados da economia da China abaixo do esperado colaboraram para uma postura defensiva por parte dos investidores no mercado financeiro internacional, o que também contou a favor para a queda dos preços dos grãos. No Paraná, a milho foi negociado em queda de 0,47%, a R$ 19,06 a saca, de acordo com o Deral/Seab.

Trigo: Incerteza com oferta: Os preços futuros do trigo se distanciaram do comportamento dos demais grãos nas bolsas americanas ontem. Em Chicago, os contratos para março fecharam com valorização de 5 centavos, a US$ 5,5075 o bushel. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os lotes com igual vencimento subiram 3 centavos, a US$ 6,02 o bushel. Segundo analistas, os preços têm subido por causa do receio de que a produção mundial de trigo possa ficar abaixo do esperado. Alguns agentes avaliam que os produtores da Austrália deverão colher 24 milhões de toneladas nesta safra, inferior à última estimativa do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), de 25 milhões de toneladas. O país tem enfrentado uma forte seca neste ano. No mercado do Paraná, a saca de 60 quilos foi negociada em alta de 1,08%, a R$ 29,85, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 04/11/2014)