Setor sucroenergético

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Lucro líquido da Cosan despenca no 3º tri; Raízen reduz previsões

O lucro líquido da empresa de infraestrutura e energia Cosan; recuou 92,6 por cento no terceiro trimestre na comparação anual, com aumento de despesas financeiras e queda no lucro operacional.

O lucro líquido caiu para 15,2 milhões de reais ante 205,9 milhões de reais no terceiro trimestre do ano passado, informou a empresa nesta quarta-feira.

O resultado financeiro ficou negativo em 299,8 milhões de reais no terceiro trimestre, ante resultado também negativo de 132,9 milhões de reais no mesmo período de 2013. Somente a variação cambial no período gerou um impacto negativo de 209,3 milhões de reais no trimestre, compensada em parte por ganhos com derivativos de 116,5 milhões de reais.

O Ebitda --lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização-- da Cosan somou 1,06 bilhão de reais no período ante 1,20 bilhão de reais no terceiro trimestre do ano passado, com a divisão de comercialização de combustíveis registrando aumento das vendas no trimestre, enquanto a de produção de etanol e açúcar apresentou queda na receita em meio a uma quebra de safra de cana-de-açúcar.

O lucro operacional recuou 22 por cento para 561 milhões de reais no trimestre.

A Raízen Energia, divisão de açúcar, etanol e cogeração de energia da maior companhia do setor; reduziu em 8,8 por cento a moagem de cana na comparação anual, para 24,48 milhões de toneladas no período.

"Esta redução ocorreu devido ao clima muito seco, que prejudicou o processo de plantio e o crescimento de cana-de-açúcar afetando o nível de moagem no trimestre", disse a Cosan, que anunciou também redução de 15 por cento na produtividade agrícola, em função do déficit hídrico.

A queda na moagem afetou a produção de açúcar, enquanto a fabricação de etanol subiu, com a empresa tirando vantagem da melhor remuneração do biocombustível.

A produção de açúcar caiu 11,6 por cento, para 1,88 milhão de toneladas, enquanto a produção de etanol aumentou 2,2 por cento, para 903 milhões de litros no trimestre.

No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a moagem de cana ficou praticamente estável ante o mesmo período de 2013, em 45,4 milhões de toneladas, com queda de 2,5 por cento na produção de açúcar e aumento de 8,7 por cento na de etanol.

PREVISÕES MENORES PARA O ANO

Apesar de uma moagem praticamente estável no acumulado do ano até o final de setembro, a Raízen reduziu as projeções de moagem de cana e vendas de açúcar e etanol na comparação com as previsões divulgadas no segundo trimestre, com o processamento de cana da safra atual já caminhando para o seu final.

E deverá ter em 2014 um ano pior do que o de 2013 em vendas e moagem, em meio à severa seca que afetou as principais regiões produtoras.

Para o ano, a divisão sucroenergética da Cosan estima moagem de 57 milhões a 58 milhões de toneladas ante 58 milhões a 60 milhões de toneladas na projeção do trimestre anterior. Em 2013, a moagem somou 61,4 milhões de toneladas.

As vendas de açúcar deverão agora atingir 4,1 milhões a 4,3 milhões de toneladas de açúcar em 2014, ante 4,2 milhões a 4,5 milhões de toneladas na projeção anterior. No ano passado, as vendas de açúcar totalizaram 4,47 milhões de toneladas.

Já as vendas de etanol foram estimadas entre 1,9 bilhão e 2,1 bilhões de litros em 2014, ante 2-2,2 bilhões de litros na previsão anterior, também abaixo dos 2,475 bilhões de litros vendidos do ano passado.

Com isso, a Cosan revisou para baixo orientação para o Ebitda consolidado do ano para uma faixa entre 4 bilhões e 4,3 bilhões de reais, ante estimativa anterior de 4,150 bilhões e 4,650 bilhões de reais. No ano passado, o Ebitda foi de 3,964 bilhões de reais. (Reuters 05/11/2014 às 22h: 35m)

 

Já são 82 as usinas de álcool fechadas por causa da crise do setor

A situação do setor sucroalcooleiro continua a piorar. No último debate da eleição presidencial, transmitido pela Rede Globo, o tucano Aécio Neves afirmou que 70 usinas já haviam fechado as portas devido a políticas oficiais de incentivo ao consumo de gasolina, que resultataram em prejuízos para os usineiros e produtores de cana-de-açúcar. Agora, já são 82 usinas fechadas.

Empresários ouvidos por ÉPOCA estimam que outras dez usinas podem suspender suas atividades ainda neste ano. As principais queixas do setor estão relacionadas à perda de competitividade do etanol em relação à gasolina, cujos preços estão congelados. O etanol sofre um tabelamento informal em relação à gasolina.

Ele só é economicamente vantajoso para os consumidores quando é vendido por, no mínimo, 30% menos que a gasolina. Com os preços desse combustível não foram reajustados, o álcool perdeu condições de concorrência enquanto os produtores viram aumentarem seus custos, como salários e juros.

Outro problema está relacionado à Cide (Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico). O governo suspendeu a cobrança desse imposto sobre a gasolina, mas a manteve sobre o álcool. (Felipe Patury: Época.com 05/11/2014)

 

Açúcar: Impacto do dólar

O açúcar foi ontem uma das commodities agrícolas que mais sentiram o peso da alta do dólar ante diversas moedas internacionais após a vitória dos republicanos no Senado e na Câmara.

Os lotes do açúcar demerara negociados na bolsa de Nova York com vencimento em maio recuaram 13 pontos, a 15,93 centavos de dólar por libra-peso, o menor patamar desde 24 de setembro.

Os investidores também operaram diante da perspectiva de que o Centro-Sul tenha tido mais uma quinzena de produção elevada no fim de outubro por causa das chuvas abaixo da média no período.

A Unica divulga em breve o balanço da produção na quinzena na região.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal caiu 0,14%, para R$ 49,44 a saca de 50 kg. (Valor Econômico 06/11/2014)

 

Mercado aposta em safra mais robusta de cana

Diante da moagem acelerada de cana-de-açúcar na primeira quinzena de outubro no Centro-Sul e da percepção de que esse movimento se repetiu na segunda metade do mês passado, as consultorias que analisam o segmento estão ajustando seus números, mas mantendo-os acima do estimado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

O mercado acredita em alguma revisão para cima na projeção de moagem da Unica, mas não espera grande alteração na estimativa para açúcar. A volta das chuvas em novembro tende a reduzir o teor de açúcar na cana - o chamado ATR -, tornando propícia a fabricação de etanol. Assim, segundo fontes, um possível ajuste para cima na moagem de cana pela Unica pode resultar em volumes de 400 milhões a 500 milhões de litros para etanol.

A consultoria americana FCStone reduziu sua estimativa para um processamento de 561,6 milhões de toneladas de cana na região, 4,14% abaixo do previsto anteriormente, mas 2,9% acima do projetado pela Unica (545,9 milhões).

"A safra não vai acabar tão cedo fora de São Paulo. A disponibilidade de cana é da ordem de 577,5 milhões de toneladas na região, sendo que, na nossa visão, por volta de 561 milhões serão de fato processadas", diz o analista da FCStone, Pedro Henrique Verges.

Para o açúcar, a consultoria reduziu a estimativa de produção no Centro-Sul para 31,254 milhões de toneladas, redução de 1,833 milhão de toneladas na comparação com o estimado anteriormente. O novo número ficou mais próximo das 31,356 milhões previstas pela Unica. Já para o etanol, a FCStone manteve praticamente estável sua previsão, de 25,64 bilhões de litros - mantendo-a 1,6 bilhão de litros acima do estimado pela Unica.

Com umas das visões mais otimistas para a safra do Centro-Sul, a consultoria FG Agro, com sede em Ribeirão Preto (SP), manteve sua estimativa de moagem de 570 milhões de toneladas na temporada 2014/15. O diretor da empresa, Luiz Gustavo Torrano Corrêa, avalia que para cumprir esse volume, as usinas do Centro-Sul teriam que processar mais 30 milhões de toneladas de cana na segunda quinzena de outubro (nos primeiros 15 dias foram 39,3 milhões), 41 milhões de toneladas em novembro e 13 milhões em dezembro.

"Na nossa avaliação, metade das usinas da região vai continuar operando em dezembro. Se houver cana, esses volumes vão ser realizados. A chuva não será empecilho", acredita Corrêa. Para a produção de açúcar, a FG Agro projeta 32,9 milhões de toneladas e para a de etanol, 25,2 bilhões de litros.

O agrometeorologista da Somar Meteorologia, Marco Antônio dos Santos, diz que as chuvas vão ficar dentro da média em novembro e dezembro em toda a região Centro-Sul. Santos avalia, porém, que não deve haver interrupções generalizadas na colheita de cana, pois as chuvas tendem a ser pontuais e irregulares. Ele não prevê mais períodos de estiagem em novembro e dezembro. (Valor Econômico 06/11/2014)

 

Petrobras: Negociadora de Dilma com usineiros recebeu R$ 1 mi do doleiro

O doleiro Alberto Youssef afirmou em sua delação premiada que deu R$ 1 milhão para a campanha de 2010 da ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann (PT-PR), que foi eleita senadora naquele ano. Alvo central da Operação Lava Jato, o doleiro disse que o valor foi entregue a um empresário, dono de shopping em Curitiba (PR), em quatro parcelas: três no centro de compras e outra na casa dele, em um condomínio de alto padrão da capital paranaense.

A afirmação de Youssef confirma o que disse o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, também em delação premiada, de que em 2010 recebeu pedido “para ajudar a campanha” de Gleisi, conforme revelou o Estado.Segundo ele, foi o marido da senadora, o atual ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, quem fez a solicitação. Youssef confirmou esse pedido e disse ter viabilizado a entrega do valor.

O ex-diretor e o doleiro são réus do processo que apura superfaturamento, desvios, lavagem de dinheiro, corrupção e propina na Petrobrás. O esquema, sob comando de PT, PMDB e PP, abasteceu outros partidos, como PSDB e PSB, segundo os delatores – ambos buscam redução de pena em troca das confissões e da colaboração com fatos novos nos processos.

Gleisi e Bernardo negam o pedido e o recebimento dos valores. A ex-ministra sustenta não conhecer o doleiro nem nunca ter tido contato com ele ou com o esquema sob investigação da Justiça Federal.

Depois de eleita em 2010, Gleisi se licenciou do Senado no começo de 2011 para assumir o cargo de ministra chefe da Casa Civil do governo Dilma Rousseff – cargo que ocupou até o começo do ano, quando saiu para disputar o governo do Paraná. A petista ficou em terceiro lugar na disputa, com 14,9% dos votos.

Naquela época, Bernardo era titular de Planejamento, Orçamento e Gestão do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em sua delação, Costa lembrou o fato de Bernardo, em 2010, ser ainda ministro do Planejamento. Com o início do governo Dilma, em 2011, o petista foi transferido para a pasta das Comunicações.

Agenda. O ex-diretor da Petrobrás disse que o repasse de R$ 1 milhão para a campanha da senadora “se comprova” na inscrição que ele próprio lançou em sua agenda pessoal, apreendida pela Polícia Federal no dia 20 de março, três dias depois da deflagração da Lava Jato.

Numa página do caderno de Costa consta, entre outras, a seguinte anotação: “PB 0,1”. Segundo o delator da Lava Jato, o registro significa “Paulo Bernardo, R$ 1 milhão”.

Youssef, por sua vez, afirmou que os valores foram entregues ao empresário indicado por Bernardo por um emissário seu, que não teve o nome revelado.

Os investigadores da Lava Jato acreditam que a quantia de R$ 1 milhão supostamente destinada à campanha de Gleisi em 2010 foi entregue em espécie. Eles procuram o emissário de Youssef, responsável pela entrega do dinheiro, para confirmar os pagamentos.

Costa já concluiu o processo de delação, após sucessivos depoimentos a um grupo de procuradores da República. Youssef decidiu seguir o mesmo caminho e ainda está fazendo declarações.

Cota

Em seu relato, o ex-diretor da Petrobrás disse que o dinheiro para a campanha de Gleisi saiu de uma cota equivalente a 1% sobre o valor de contratos superfaturados da Petrobrás.

Esse valor, afirmou Costa, era da “propina do PP”, partido da base aliada ao governo Dilma que foi presidido pelo deputado José Janene (PR), morto em 2010. Ele foi líder do PP na Câmara e réu do mensalão no Supremo Tribunal Federal. Youssef contou em seu depoimento à Justiça Federal que Costa, apesar de cuidar do 1% destinado ao PP na diretoria de Abastecimento, “muitas vezes tinha que atender a pedidos do PMDB e do PT”.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) informou, via assessoria de imprensa, que “não conhece Alberto Youssef”. “Desconheço completamente os fatos”, informou Gleisi. “Todas as doações constam na prestação de contas aprovada pela Justiça Eleitoral.” A senadora informou ainda que avalia “com seus advogados, quais providências legais assumirá em relação ao caso”.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, informou que “não pediu nem recebeu qualquer importância” e que nunca falou com o doleiro Alberto Youssef. “Reafirmo o que já lhe disse: desconheço esse assunto. Nunca falei com o senhor Youssef, por qualquer meio.”

Bernardo confirmou conhecer o dono do shopping citado pelo doleiro, mas nega qualquer irregularidade. O proprietário do shopping, localizado em Curitiba, foi procurado pela reportagem, mas até esta matéria ser concluída não havia respondido aos questionamentos. (O Estado de São Paulo 05/11/2014)

 

Odebrecht Agro analisa desempenho e aposta em “expansão mais seletiva”

Documento apresenta as estratégias da empresa para o negócio de açúcar e etanol e faz projeções para a safra atual.

A Odebrecht Agroindustrial, braço sucroalcooleiro da Organizações Odebrecht, mudou o foco de sua estratégia empresarial.

No relatório da safra 2013/14, divulgado na semana passada, a gigante do setor diz ter mudado o foco, antes centrado em expansão, para aumento da produtividade.

O objetivo da mudança é promover uma “expansão mais seletiva”, atrelada a “fatores de competitividade e não de volumetria”, disse a empresa.

Como resultado desta “desaceleração seletiva do ritmo da expansão”, a Odebrecht avalia, por exemplo, a postergação de ampliações industriais em unidades como a Usina Eldorado.

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Mas este é apenas um dos “rumos” que a empresa resolveu adotar já na safra 2013/14.

O documento também mostra a visão da empresa para os próximos anos, e as apostas da sucroenergética em negócios complementares.

Diversificação dos negócios

Com uma dívida bilionária e um volume de contas no curto prazo superior à suas receitas, a Odebrecht Agro aposta na diversificação dos negócios.

Algumas destas apostas já são conhecidas, como a construção de uma usina de açúcar e etanol na Angola, mesmo com o mercado local não apresentando condições favoráveis à produção do adoçante, já que a África sofre com o excesso de oferta de açúcar e importações baratas, fatores que têm forçado muitas empresas a reduzir a produção, suspender novos projetos e fechar usinas.

Outras, no entanto, são novidade. A Odebrecht, que neste ano sinalizou um interesse no agronegócio com a produção de frango em Angola, disse que considera “a possibilidade de consultoria na área de gestão agrícola”.

Além disso, a gigante do setor está analisando projetos em “países-alvo”, especialmente na América Latina, onde o conglomerado tem uma atuação forte.

“Durante a safra 2013- 2014, houve avanços nas avaliações em relação à Colômbia, ao Peru e aos Estados Unidos, mas ainda em fase
de refinamento de análises de riscos e retorno financeiro”, afirmou.

“O objetivo é possuir ativos preferencialmente em países que apresentem mercado interno com potencial de crescimento e tenham políticas de fomento ao setor de biocombustíveis, com regras definidas em questões relacionadas a preço”, contextualiza o relatório.

Em relação à Biocom, joint venture firmada com a estatal angolana Sonangol, a empresa disse que “houve avanços significativos na expansão da área de cultivo de cana, bem como na implantação do parque industrial. Também teve inicio um trabalho de desenvolvimento de mercado para fomentar o setor de biocombustíveis, a fim de absorver a produção de etanol”.

Aumento da dívida líquida

A continuidade dos investimentos em plantio (expansão e renovação dos canaviais) e nos novos ativos industriais pesou sobre a dívida líquida da Odebrecht Agro, que na safra 2013/14 totalizou R$ 11,3 bilhões, alta de 13% ante o período anterior.

A empresa explicou ainda que o efeito da variação cambial sobre o endividamento em moeda estrangeira também influenciou suas contas e chegou a representar cerca de 10% do total da dívida.

Produção

Embora não tenha alcançado boa parte das metas previstas para a safra 2013/14, a companhia registrou um crescimento na produção de etanol e açúcar na comparação com o ciclo anterior.

O gráfico abaixo mostra a evolução da produção de açúcar, etanol e cogeração de suas unidades nas safras 2012/13 e 2013/14.

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Queda de produtividade

A geada ocorrida na safra 2013/14 no Mato Grosso do Sul e em parte do estado de São Paulo comprometeu o principal objetivo da Odebrecht, que é o aumento de produtividade em detrimento da expansão dos canaviais.

Algumas áreas de cana precisaram ser colhidas com meses de antecedência, outras foram queimadas pelo gelo, além de canaviais que tiveram que ser roçados. “Esse cenário levou à queda dos indicadores de produtividade”, afirmou.

Em termos de moagem, foram comprometidos 1,2 milhão de toneladas de cana.

O TCH – índice que mede a tonelada de cana colhida por hectare – ficou aquém do esperado, chegando a 63 tc/ha, ante uma previsão de 68 tc/ha.

Já o valor de açúcar total recuperável (ATR) com cana própria ficou em 133 kg/tc, 5 kg/tc a menos que o previsto para a safra.

Em relação ao custo por tonelada de cana com corte, carregamento e transporte, o resultado da safra foi de R$ 38, valor superior aos R$ 32 previstos para a safra. Em 2012/13, este valor foi de R$ 35.

Venda dos ativos de cogeração

No relatório, a Odebrecht também defendeu a venda dos ativos de cogeração à Odebrecht Energia Renovável (OER).

“A transação não nos tira do negócio, pois somos fornecedores de biomassa para a cogeração e também contratados da OER para fazer a manutenção e a operação desses ativos. A comercialização do volume excedente, no entanto, estará a cargo da OER, que já é detentora de grande know-how nesse segmento e que possui investimentos também em energia eólica e hídrica”, justificou.

Mesmo não tendo alcançado a meta de cogeração estabelecida para a safra 2013/14, a empresa conseguiu produzir 2,3 mil GWh de energia limpa no período, volume 57% superior ao resultado do ciclo anterior, mas 11,5% menor que o esperado para 2013/14.

Logística

Na safra 2013/14, a Odebrecht precisou centralizar seus esforços no melhor aproveitamento dos modais logísticos, o que aumentou a complexidade do negócio.

Pela primeira vez na história da empresa, foram feitas operações utilizando três modais, o rodoviário, ferroviário e duto, para atender a um cliente. A distância entre as unidades, especialmente aquelas que estão localizadas nas regiões de expansão, exigem a utilização de diferentes meios de transporte.

Desde 2012, a empresa embarca etanol aos Estados Unidos. O produto é transportado por rodovia até Santos (SP) ou por ferrovia até Paranaguá (PR). Já o transporte do açúcar envolve uma operação mais complexa. Ela ocorre através de uma operação multimodal (rodoviária e ferroviária) de Paranaguá para a Ásia, Oriente Médio e Europa, e 10% por rodovia, para o Uruguai.

Isso tudo ajuda a explicar o porquê de a companhia apostar no etanolduto como forma de reduzir seus custos logísticos.

“Na maturidade da operação, a estimativa é destinar para logística em torno de
R$ 300 milhões por safra. Com o sistema, os custos devem ser reduzidos consideravelmente, o que é fundamental para um negócio de commodity. A Odebrecht Agroindustrial deverá expedir aproximadamente 1 bilhão de litros pela Logum”, informou.

A implantação do sistema está prevista para 2016 e permitirá que 100% das unidades da Odebrecht sejam atendidas, o que viabilizará o escoamento de grande parte de seu etanol.

Exportações

No mercado de exportação, a Odebrecht visualiza diferentes possibilidades. Uma delas é a venda externa do produto a outros países, além dos Estados Unidos. Neste sentido, a empresa busca “avaliar mercados mais rentáveis para exportações a partir do Brasil”.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) mostram que a Odebrecht Agro aumentou o número de mercados para o qual exporta o combustível de cana de 22 em 2012 para 33 em 2013, uma alta de 50%.

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A companhia preferiu não fazer previsões sobre o mercado global de exportações e disse ser “difícil” avaliar o cenário para a atual safra em função de problemas climáticos, como a seca no Brasil e nevascas excessivas nos Estados Unidos. Porém, a expectativa é que “o comércio de etanol entre o Brasil e os Estados Unidos, exportação/importação em ambos os fluxos, seguirá crescendo”.

Outra aposta é a exportação de etanol ao mercado da Califórnia, que tradicionalmente é um dos mais lucrativos para as usinas brasileiras.

Mesmo com a sinalização recente do Conselho de Qualidade do Ar da Califórnia (Carb) de criar condições para equiparar o etanol de milho americano aos mesmos níveis de baixa emissão de CO2, vantagem que, até então, era uma prerrogativa exclusiva do biocombustível brasileiro, a Odebrecht Agro quer aumentar o número de usinas cadastradas junto ao conselho.

Em 2013/14, as usinas Alcídia (SP), Conquista do Pontal (SP) e Alto Taquari (MT) conquistaram a certificação da entidade californiana. E para a safra atual, a empresa pretende certificar outras duas unidades: Santa Luzia (MS) e Rio Claro (GO).

Inovação e tecnologia

A Odebrecht Agro investiu cerca de R$ 17 milhões em tecnologias agrícolas, como computadores de bordo, presentes em 100% das colhedoras de corte, carregamento e transporte (CCT), 100% da frota utilizado no transporte da cana e em 50% da frota de apoio.

Segundo a empresa, só esta iniciativa trouxe ganhos líquidos de R$ 18,3 milhões em virtude, principalmente, “do aumento de produtividade dos equipamentos objetos da automação e economia de combustível”.

Também foram adquiridos 12 colhedoras de duas linhas. Para a safra atual, está prevista a entrada em operação de outros 13 equipamentos, o que deverá gerar uma redução de custos de aproximadamente R$ 8 milhões.

Ainda com o foco na produtividade, a empresa deu início ao trabalho de preparo profundo de solo ou canteirização, processo que ocorre “somente nos espaços/linhas destinadas ao plantio da cana que serão cultivados na safra”.

Os primeiros testes foram feitos na safra 2013/14, mas espera-se um ganho de produtividade agrícola de 8%. “Também foram adquiridas dez plantadoras de uma linha e iniciados os testes com uma plantadora de três linhas”, informou a empresa.

Safra 2014/15

Para a safra atual, a Odebrecht planeja elevar em 19% o processamento de cana, chegando a 26,8 milhões de toneladas.

Com isso, serão produzidos 1,9 bilhão de litros de etanol, 658 mil toneladas de açúcar e biomassa o suficiente para gerar 1,9 mil GWh de energia elétrica exportável.


“Do ponto de vista comercial, as perspectivas de preços de açúcar são mais favoráveis do que os alcançados na safra 2013-2014, devido a um equilíbrio maior na oferta/demanda mundial. No etanol, a redução da oferta decorrente da seca no Brasil deve garantir preços médios melhores. Todavia, em ambos os casos, os preços seguem depreciados em relação ao potencial”, considerou. (Mataria aberta Nova Cana 05/11/2014)

 

NE: Subvenção da cana pode entrar no orçamento da União de 2015

O relator do orçamento da União de 2015, senador Romero Jucá (PMDB-RR) declarou, nesta quarta-feira (5), apoio à reivindicação da União Nordestina dos Produtores de Cana (Unida) para incluir a fonte de recurso da subvenção da cana nas despejas governamentais do próximo ano. O benefício econômico foi garantido pela lei 12.999/14 desde julho, mas o Governo Federal ainda não liberou os R$ 170 milhões para o pagamento do subsídio. Sem respostas concretas por parte do governo, a Unida recorreu a Jucá através do apoio do deputado federal Renan Filho (PMDB-AL), governador eleito de Alagoas.

O pleito encontra parecer legal favorável pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O Mapa já havia emitido aviso sobre o pleito para o Ministério do Planejamento, solicitando a fonte de recurso da subvenção desde o mês de setembro. "Mas, mesmo assim, o pagamento do subsídio ainda não foi liberado pelo Poder Executivo", fala Alexandre Andrade Lima, presidente da Unida. O dirigente informa que solicitará ao próprio Mapa a referida documentação para ser encaminhada ao senador Jucá, objetivando contribuir na relatoria do parlamentar em favor da inclusão do valor para pagar a subvenção no novo orçamento da União.

A articulação da Unida contou com a presença de todos os presidentes das associações e sindicato dos canavieiros nos estados produtores de cana do NE. Estes órgãos de classe, representam 23 mil produtores de cana na região. Conforme a lei 12.999/14, cada agricultor receberá R$ 12 por tonelada de cana fornecida para as usinas nordestinas na safra 2012/2013 - período auge da maior seca dos últimos 50 anos da Região (Brasil Agro 05/11/2014)

 

Energisa fica com 100% da cogeração da Tonon

A Tonon Bioenergia, que conta com três usinas de cana-de-açúcar no Centro-Sul do país, vendeu 15% do capital que ainda detinha em duas unidades de cogeração para a Energisa. A produtora e distribuidora de energia já era dona de 85% das duas plantas - Energisa Vista Alegre e Santa Cândida -, e agora assumirá 100% de ambas. Pela fatia adicional, a Energisa pagará R$ 23 milhões ao grupo sucroalcooleiro, que tem entre os sócios o fundo de private equity FIP Terra Viva, gerido pela DGF Investimentos.

No acordo de compra e venda que assinaram, as empresas também ampliaram o prazo de exploração das unidades pela Energisa até o fim de 2042, oito anos a mais que o previsto no contrato anterior (referente à venda da participação de 85%), de acordo com o CEO da Tonon Bioenergia, Rodrigo Aguiar. Depois desse período, as termelétricas voltarão ao controle da empresa de açúcar e etanol, pelo valor contábil.

Juntas, as duas unidades - uma localizada em Bocaina (SP) e outra em Maracaju (MS) -, que utilizam bagaço de cana para produzir eletricidade, somam uma capacidade instalada de cogeração da ordem de 60 megawatts (MW).

As três usinas de cana-de-açúcar da Tonon - duas em São Paulo e uma em Mato Grosso do Sul - previam processar, juntas, 8,1 milhões de toneladas neste ciclo 2014/15. Mas a seca que assolou os canaviais paulistas da companhia tende a reduzir essa oferta para 7,4 milhões de toneladas, diz Aguiar. A meta da companhia é moer neste ano 6,9 milhões de toneladas e, em março de 2015, retomar o processamento nas três unidades para atingir um volume adicional de 400 mil a 500 mil toneladas da matéria-prima.

Em 14 de novembro, a companhia divulgará seus resultados do segundo trimestre da safra 2014/15, encerrado em 30 de setembro. "Será um trimestre parecido com o anterior, com a desvalorização cambial afetando contabilmente o resultado líquido", afirma Aguiar. No trimestre até 30 de junho, houve prejuízo líquido de R$ 29,6 milhões, ante perda de R$ 99,5 milhões em igual período de 2013. A receita líquida cresceu 32,7%, para R$ 211,7 milhões.

O CEO da Tonon antecipa que a companhia apresentará no balanço do segundo trimestre uma posição de caixa em 30 de setembro de R$ 146 milhões. "Será suficiente para arcar com todos os nossos compromissos", afirma. Neste mês, a empresa pagará em torno de US$ 14 milhões de juros aos investidores do bond emitido em maio passado. Em janeiro, vence o juro de aproximadamente US$ 15 milhões referente à dívida externa emitida em 2013.

Com a recente transação com a Energisa, a Tonon Bioenergia deixa de ter participação em unidades de cogeração. Há alguns anos, já havia vendido a planta termelétrica de Brotas (SP), com capacidade de 70 MW, para a Rhodia, empresa do grupo Solvay.

Ao todo, a Energisa tem capacidade instalada de produção de eletricidade de 373 MW - 163 MW provenientes de usinas hidrelétricas, 150 MW de eólicas e 60 MW de termelétricas que utilizam bagaço. (Valor Econômico 06/11/2014)

 

Alta na gasolina não necessariamente chegará ao produtor, diz Nastari

Diretor da Datagro afirma que "reajuste não cobre as perdas nem da Petrobras e nem do setor de etanol"

A possível alta nos preços da gasolina - de 5% nas refinarias, com um impacto de até 3% nos postos - "não necessariamente chegará ao produtor" de etanol, afirmou o presidente da consultoria Datagro, Plínio Nastari. Segundo ele, um aumento da gasolina abre espaço de competitividade para o etanol hidratado e, se não houver uma alteração no preço do álcool nos postos, o consumidor pode ser beneficiado em um primeiro momento.

"Em tese, há um incentivo adicional ao hidratado com a alta da gasolina. Pode haver também a recomposição de margem na distribuição, na revenda e no produtor de etanol", disse. "Mas há outros fatores de mercado que fazem com que o preço do álcool esteja em movimento", acrescentou Nastari.

O REAJUSTE NÃO COBRE AS PERDAS NEM DA PETROBRAS E NEM DO SETOR DE ETANOL

Entre os outros fatores responsáveis pelas variações do preço, o presidente da Datagro cita a safra e a entressafra de cana, a oferta dos produtores de etanol, o apetite de distribuidoras e ainda posição de estoques do combustível renovável. Nastari avalia, ainda, que o aumento de preço da gasolina nem sequer repõe a inflação, com Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 6,7% nos últimos 12 meses e não cobre ainda a defasagem média da gasolina, estimada pela Datagro em 17,85% no período. "Então, o reajuste não cobre as perdas nem da Petrobras e nem do setor de etanol", concluiu. (Agência Estado 05/11/2014)

 

Nos EUA, ADM estima produção estável de etanol de milho em 2015

A gigante norte-americana Archer Daniels Midland (ADM) estima que sua produção de etanol ficará relativamente estável em 2015. Segundo o presidente da empresa, Juan Luciano, a demanda interna nos Estados Unidos deve ser de 13,5 bilhões de galões (51,1 bilhões de litros), volume próximo ao esperado para este ano. Já as exportações norte-americanas devem alcançar de 800 milhões a 1 bilhão de galões (3 bilhões a 3,8 bilhões de litros). Neste ano, o país exportou 800 milhões de galões de etanol.

A ADM vende seu etanol de milho para Canadá, Oriente Médio, Ásia e Brasil, e enxerga oportunidade para aumentar as vendas ao México, afirmou Luciano. Os lucros com etanol ajudaram a elevar os ganhos da ADM no terceiro trimestre de 2014. Além disso, a crise do transporte ferroviário de commodities nos Estados Unidos teve seu lado positivo para a ADM. A falta de vagões disponíveis para o escoamento da produção e atrasos nas entregas fizeram com que a unidade de transportes da ADM tivesse ganhos com os maiores valores de frete. (O Estado de São Paulo 05/11/2014)

 

Chuva continua sobre região canavieira de SP

Chuvas deverão continuar a cair nos próximos dias sobre as principais áreas de cultivo de cana de São Paulo para então se espalhar ao norte para as regiões cafeeiras de Minas Gerais até 19 de novembro, disse a Somar Meteorologista nesta quarta-feira.

A chuva pode ajudar a reduzir perdas nas lavouras do Brasil, principal produtor das duas commodities, depois que longos períodos de seca afetaram a produção ao longo deste ano.

A chuva também poderá ajudar a recuperar em parte os reservatórios de água para uso nas cidades e barragens de hidrelétricas do Sudeste. (Reuters 05/11/2014)

 

Etanol nas bombas registra o maior preço da década na região de Ribeirão

O preço médio do litro do etanol nas bombas nas cidades mais populosas da região de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) é o maior da última década para o mês de outubro.

Em Ribeirão, Franca (a 400 km de São Paulo), São Carlos (a 232 km) e Araraquara (a 273 km), o preço médio do combustível no mês passado variou entre R$ 1,84 e R$ 1,95 por litro, segundo levantamento da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).

Em 2013, no mesmo período, a variação foi de R$ 1,75 a R$ 1,84, segundo o órgão.

Para especialistas, há problemas com o custo Brasil e falta de investimentos do governo no setor, além de a gasolina ter se beneficiado nos últimos anos de uma política de manutenção de preços adotada pelo governo.

A Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) divulgou, nesta quarta-feira (5), que houve queda do preço nas bombas em municípios do Estado.

Na região de Ribeirão, no entanto, os principais municípios tiveram aumento nas quatro últimas semanas.

Até 2007, os preços em outubro giravam em torno de R$ 1 por litro. A partir de 2008 houve pequenos aumentos anuais.

Nos últimos três anos ficaram estabilizados em torno de R$ 1,80, e neste ano, atingiram o maior patamar.

O preço nas bombas contrasta com a situação nas usinas. Em outubro, o etanol hidratado, segundo indicador do Cepea/Esalq, custava R$ 1,13 nas usinas.

A Unica informou que não comentaria o preço nas bombas.

O Sindicom (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes) também informou que não iria se manifestar a respeito.

Para o economista da USP (Universidade de São Paulo) e especialista no tema Roberto Fava Scare, desde 2008 o setor sucroalcooleiro tem problemas econômicos em função da crise mundial e queda na demanda pelo produto.

"O setor teve uma série de problemas nos últimos anos que dificultaram a situação. Houve redução de demanda e fatores climáticos muito ruins, sem falar no custo Brasil", afirmou Scare.

Segundo ele, não existe uma política setorial que permita que o etanol dispute mercado com a gasolina.

Ainda de acordo com o especialista, o governo faz o represamento no preço do derivado de petróleo, mantendo um preço independente de variações do mercado.

"O governo fez política com o preço da gasolina nos últimos anos", disse. (Folha de São Paulo 06/11/2014)

 

Cade pode limitar uso da rede da ALL pela Cosan

No mesmo dia, os executivos envolvidos no processo de fusão entre o grupo de ferrovias América Latina Logística (ALL) e a Rumo (empresa de transportes do grupo Cosan) receberam uma boa notícia e outra nem tanto. Enquanto a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) aprovou o negócio, a Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) declarou que o acordo é um caso "complexo". Já estão em estudo as restrições que podem ser impostas ao acordo.

Uma das possibilidades em análise pelo Cade é limitar, nas ferrovias da ALL, as cotas de transporte de produtos para Cosan e Raízen (esta, uma joint venture da Cosan com a Shell). Atualmente, a Rumo usa cerca de 30% da capacidade da ferrovia. A limitação a esse percentual evitaria que a Rumo ocupasse novos espaços nos trilhos que são objeto de disputa por outras companhias (que precisam escoar suas produções).

A declaração do caso como complexo foi publicada ontem no "Diário Oficial da União". Com isso, o Cade pode aprofundar a análise e estender o prazo final por 90 dias - até junho do ano que vem. O negócio será levado a julgamento no Tribunal do órgão antitruste, onde só deve ser aprovado sob condições. Cabe aos conselheiros definir quais serão as restrições.

"A fusão melhora a infraestrutura, aumenta a capacidade e reduz gargalos", afirma Campos, diretor da ALL.

Um dos temores do Cade é que concorrentes da Rumo sofram discriminação nos contratos de transporte nos trilhos da ALL. Para evitar isso, eles podem limitar o espaço da Rumo na ferrovia. Mas isso não seria suficiente. Segundo técnicos do órgão, seriam necessárias medidas adicionais para evitar qualquer tipo de discriminação. O Cade quer evitar, por exemplo, casos de venda casada. Isso ocorreria se uma companhia que contratasse o sistema de transporte da ALL também fosse obrigada a usar o sistema portuário da empresa. O órgão quer garantias de que essa prática não acontecerá.

Enquanto ALL e Rumo fazem reuniões no Cade em busca de uma solução, concorrentes das empresas também estão sendo ouvidos. Ao todo, há mais de 12 impugnantes, entre companhias e associações contrárias à aprovação.

No despacho que foi publicado no "Diário Oficial", a Superintendência determinou ainda que seja feito "o aprofundamento da análise das condições competitivas nos mercados envolvidos", que a ANTT seja ouvida sobre a regulação do mercado e que as empresas apresentem as eficiências decorrentes da fusão.

Para os diretores da ALL, a declaração de complexidade é considerada "natural". "É algo normal por esse ambiente ter muita visibilidade. Isso acontece com muita frequência em diversos 'deals' [negócios]. O Cade passa a ter a opção de estender [o prazo], mas é algo muito procedimental e é natural", disse Rodrigo Campos, diretor financeiro e de relações com investidores da ALL. Ele falou durante teleconferência sobre os resultados do terceiro trimestre.

Na teleconferência, analistas perguntaram sobre uma possível imposição de venda de ativos. Campos minimizou. "Não acho que tenha relação [entre a medida do Cade e uma possível imposição de restrições]. A complexidade está muito ligada à análise de todas as coisas que têm envolvidas no 'deal'. Quanto à restrição, isso é um processo que tem que ser discutido. Mas entendemos que a fusão melhora a infraestrutura, aumenta a capacidade, reduz gargalos... Então você sai da fusão com um cenário muito melhor para todos os segmentos que usam a ferrovia".

O presidente da ALL, Alexandre Santoro, também comentou o negócio. "Estamos bem próximos, fazendo muita reunião no Cade. Agora, [o trabalho] é dar seguimento aos esclarecimentos e mostrar as evoluções e os benefícios que [a fusão] vai trazer à infraestrutura e [mostrar] que [o negócio] não coloca em risco nada em relação à competição", afirmou o executivo. "Ao contrário. Abrimos mais opções, atendemos mais gente e mais produtores. Estamos bem confiantes e agora é continuar trabalhando junto ao Cade para conseguirmos a provação o mais rápido possível", disse o presidente.

Apesar da medida do Cade, o mercado preferiu reagir positivamente à aprovação da ANTT ao acordo. A ação da ALL subiu 4,12% (a R$ 6,82) e foi a maior alta do Ibovespa ontem, enquanto o principal índice da bolsa caiu 1,26%. Procurada, a Cosan informou por meio da assessoria de imprensa que a complexidade foi declarada pelo Cade porque a operação envolve diferentes mercados. "É um ato processual previsto na regulamentação, já aplicado em diversos casos", informou a empresa, em nota. (Valor Econômico 06/11/2014)

 

Exportações de etanol dos EUA cresceram 5% em setembro

SÃO PAULO - As exportações de etanol dos Estados Unidos em setembro totalizaram 56,7 milhões de galões (215 milhões de litros), um aumento de 5% em relação a agosto, conforme analisou a Associação de Combustíveis Renováveis do país (RFA, na sigla em inglês), com base em dados do governo americano. 

No acumulado do ano, os embarques acumularam 590,1 milhões de galões (2,2 bilhões de litros), 40% acima do registrado em igual período do ano passado, o que significa, segundo a RFA, um ritmo anualizado de 787 milhões de galões (3 bilhões de litros) para 2014.

O Canadá recebeu quase metade (49%) do volume exportado pelos Estados Unidos em setembro, seguido pelas Filipinas (14%), Holanda (9%) e Espanha (6%). A Índia, os Emirados Árabes Unidos e o México foram outros destinos-chave em setembro, conforme a RFA.

Os Estados Unidos importaram 644 mil galões (2,2 milhões de litros) de etanol combustível em setembro, um leve aumento em relação a nenhum galão em agosto. 

As importações de etanol no acumulado de doze meses têm ficado na média em menos de 8 milhões de galões (30,2 milhões de litros), ante a média de 51 milhões de galões (192,7 milhões de litros) do ano anterior. 

Como resultado, os Estados Unidos têm sido um exportador líquido ao longo do ano, sendo que, em setembro, as exportações líquidas do biocombustível alcançaram 56 milhões de galões (211 milhões de litros).

Como esperado, as exportações em setembro de DDG (Distillers Dried Grains) — uma espécie de farelo de milho que é extraído na produção do etanol e usado para ração animal — refletiram o colapso da movimentação para China. Como resultado, o total das exportações de DDG caíram 16% em setembro na comparação com agosto, para 912,454 mil toneladas, o mais baixo nível desde fevereiro deste ano.

Apesar de uma redução nas importações de DDG de 65% no mês anterior, a China ainda detém o status como destino líder dessa proteína com 167,325 milhões de toneladas, 18% do total embarcado pelos Estados Unidos neste ano. (Valor Econômico 05/11/2014 Às 16h: 41m)

 

Volta das chuvas beneficia plantio da safra de verão

As chuvas que ocorrem em grande parte do Sudeste e Centro-Oeste do país deverão persistir ao longo desta e da próxima semana, o que tende a beneficiar a semeadura da safra de verão depois do recente período seco, indicam previsões da Somar Meteorologia.

Segundo Marco Antonio dos Santos, agrometeorologista da Somar, há condições favoráveis para o plantio de soja, milho e feijão nos Estados de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso. "Além dos grãos, essas chuvas também beneficiarão lavouras como café, cana-de-açúcar e laranja, elevando os níveis de água no solo e provocando a indução de novas floradas no café e na laranja", diz Santos, em nota.

Apenas no Sul do país o tempo aberto ainda persistirá nos próximos dias. Assim, os produtores gaúchos e catarinenses terão condições favoráveis para a colheita de trigo. Para o plantio de arroz, contudo, os solos ainda continuam alagados, dificultando a entrada das plantadeiras no campo, de acordo com a Somar.

Já no "Mapitoba" (confluência entre Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia), as chuvas previstas para os próximos 10 dias virão apenas na forma de pancadas isoladas. Diante dessa irregularidade, Santos sugere cautela no plantio. "A regularização definitiva das chuvas só deverá ocorrer no fim de novembro e início de dezembro", afirmou.

Apesar da melhora climática, as adversidades ocorridas nas últimas semanas já motivam revisões nas estimativas de produção do ciclo 2014/15 - que está em fase de plantio. Ontem, a consultoria FCStone reduziu sua previsão para a nova safra de soja no país, de 93,2 milhões para 92,67 milhões de toneladas. Ainda assim, o volume é ligeiramente superior ao intervalo de 88,8 milhões a 92,4 milhões de toneladas projetado pela Conab.

Para Natalia Orlovicin, economista da FCStone, os atrasos no plantio de soja e os consequentes ajustes na expectativa de produtividade foram determinantes para que a projeção fosse revista. "Com a concentração do plantio em um curto espaço de tempo, as lavouras ficam mais suscetíveis a impactos do clima. Com isso, as produtividades potenciais foram levemente reduzidas", disse, em relatório.

A lentidão na semeadura de soja aperta a janela de cultivo da segunda safra de milho (a safrinha) no país, feito na sequência da colheita da oleaginosa. Esse cenário reforçou a perspectiva da FCStone de queda na safrinha de milho em 2014/15, para 45,99 milhões de toneladas, ante as 48,25 milhões de toneladas do ciclo passado. (Valor Econômico 06/11/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Impacto do dólar: O açúcar foi ontem uma das commodities agrícolas que mais sentiram o peso da alta do dólar ante diversas moedas internacionais após a vitória dos republicanos no Senado e na Câmara. Os lotes do açúcar demerara negociados na bolsa de Nova York com vencimento em maio recuaram 13 pontos, a 15,93 centavos de dólar por libra-peso, o menor patamar desde 24 de setembro. Os investidores também operaram diante da perspectiva de que o Centro-Sul tenha tido mais uma quinzena de produção elevada no fim de outubro por causa das chuvas abaixo da média no período. A Unica divulga em breve o balanço da produção na quinzena na região. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal caiu 0,14%, para R$ 49,44 a saca de 50 kg.

Café: Chuvas no Sudeste: As cotações do café também sentiram a pressão da alta do dólar ontem na bolsa de Nova York e fecharam em baixa. Os lotes do grão arábica para março fecharam em queda de 195 pontos, a US$ 1,9055 a libra-peso. As chuvas que caem na região Sudeste do Brasil também influenciam o mercado, já que aliviam o estresse hídrico dos cafezais após meses de baixa umidade. A produção da Colômbia, segundo maior produtor global de arábica, acentua essa queda, uma vez que o país já colheu 15% mais neste ano, ou 9,93 milhões de sacas, enquanto a exportação cresceu 17%, para 8,88 milhões de sacas, segundo federação local de agricultores. No mercado interno, o preço do café de boa qualidade apurado pelo Escritório Carvalhaes variou entre R$ 460 e R$ 470 para a saca de 60,5 kg.

Laranja: Pressão persistente: O aumento das chances de formação de um ciclone no Oceano Atlântico não foi suficiente para reverter a trajetória de queda das cotações do suco de laranja ontem na bolsa de Nova York. Os lotes do produto concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para janeiro fecharam em baixa de 170 pontos, a US$ 1,323 a libra-peso. O Centro Nacional de Furacões dos EUA elevou as chances de formação de um ciclone no mar do Caribe de 10% para 20% para até sexta-feira. Alertas como esse costumam impulsionar os preços, já que os ventos podem prejudicar os pomares da Flórida. Porém, a alta do dólar, o baixo consumo e o fim da temporada de furacões continuaram exercendo pressão. No mercado interno, a laranja para a indústria subiu 0,1%, para R$ 10,17 a caixa de 40,8 quilos.

Trigo: Queda em Chicago: O trigo também sofreu ontem o impacto da valorização do dólar e fechou no campo negativo nas bolsas americanas, em um dia de quedas quase generalizadas entre as matérias-primas agrícolas. Na bolsa de Chicago, os lotes para entrega em março fecharam com recuo de 5,75 centavos, a US$ 5,3625 o bushel. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual prazo de vencimento fecharam com baixa de 6,25 centavos, a US$ 5,8775 o bushel. O trigo dos EUA já encontra dificuldades em competir com o cereal de concorrentes, e a alta do dólar encarece ainda mais o produto, o que leva os traders a "corrigirem" a variação cambial. No mercado interno, o preço médio do trigo no Paraná caiu 2,69%, para R$ 28,95 a saca, de acordo com levantamento do Deral/Seab. (Valor Econômico 06/11/2014)