Setor sucroenergético

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Empresa saudita poderá importar açúcar do Brasil

Investidor planeja construir refinaria que demandará a compra de 1 milhão de toneladas de cana brasileira.

Em reunião promovida pelo embaixador brasileiro em Rihad, Flavio Marega, o ministro Geller recebeu o CEO do grupo AKS Saeed Saudi Arabia, Khalid Saleh Almusa, do setor açucareiro saudita, que apresentou projeto da ordem de US$ 200 milhões de investimento em uma refinaria a ser construída no país árabe.

A intenção do AKS é abastecer esta unidade com a importação de aproximadamente um milhão de toneladas anual do produto brasileiro, até 2017. O grupo é apoiado pelo Fundo de Agricultura Saudita, entidade que financia a iniciativa privada do país árabe na negociação com outros mercados. Geller destacou o potencial de crescimento do setor sucroalcoleiro e se comprometeu na interlocução direta com o segmento para o avanço das negociações.

– Este é um investimento que interessa muito ao Brasil e posso garantir, em nome da presidente Dilma Rousseff, que não faltará empenho do nosso governo para que ele seja viabilizado – garantiu Geller.

De janeiro a outubro deste ano, as vendas do agronegócio do Brasil para o país árabe registram um volume de U$$ 1,75 bilhão, com destaque para a carne de frango, com negociações em torno de US$ 1,04 bilhão – o mercado brasileiro é a origem de 75% das importações de frango da Arábia Saudita.  Em segundo e terceiro lugares na lista de maiores embarques estão, respectivamente, o setor sucroalcoleiro, com US$ 377 milhões, e o complexo soja (soja em grãos), com US$ 149 milhões.

Este desempenho reafirma o resultado verificado em 2013 quando as vendas para a Arábia Saudita registraram um total de US$ 2,49 bilhões em produtos agropecuários. A liderança ficou com a carne de frango (US$1,41 bilhão), seguida pelo complexo sucroalcoleiro (US$ 481 milhões). A relação comercial entre os dois países registra também participação expressiva nas vendas de milho que, em 2013, fecharam em 1,1 mil de tonelada.

O Brasil exporta para a Arábia Saudita: carnes, complexo sucroalcooleiro, complexo soja, cereais, farinhas e preparações, produtos florestais, café, lácteos, couros, produtos de couros e peleteria, sucos, rações para animais, chá, mate e especiarias, produtos alimentícios diversos, frutas (inclui nozes e castanhas), demais produtos de origem vegetal, demais produtos de origem animal, fibras e produtos têxteis, cacau e seus produtos, produtos oleaginosos (exclui soja).

A delegação liderada pelo ministro Neri Geller é composta também pelo secretário de Relações internacionais do Mapa, Marcelo Junqueira, pelo diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), Leandro Feijó, técnicos do ministério e representantes de entidades do setor, com o Associação Brasileira da Indústria de Exportação de Carnes (Abiec) e Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Depois da Arábia Saudita, a missão segue para a China e Malásia. (Rural BR 09/11/2014 às 19h: 11m)

 

Açúcar: Turbinado pela gasolina

O aumento do preço da gasolina pela Petrobras, na quinta-feira, impulsionou os preços do açúcar na bolsa de Nova York na sexta.

Os lotes do demerara para maio de 2015 fecharam a sessão a 16,07 centavos de dólar por libra-peso, em alta de 18 pontos.

A decisão era aguardada pelo setor sucroalcooleiro do Brasil, na medida em que eleva a competitividade do etanol para as usinas e tem consequência indireta no mercado de açúcar.

Porém, Nick Penney, trader da Sucden Financial, observa que a tendência de alta do dólar ante o real pode anular esse efeito, já que o açúcar é vendido na moeda americana, e o biocombustível, na moeda brasileira.

No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal registrou alta de 0,5% na sexta-feira, para R$ 50,22 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 10/11/2014)

 

Brasil puxará déficit mundial de açúcar, diz FCStone

Relatório da consultoria INTL FCStone divulgado nesta sexta, dia 7, aponta que a balança mundial de açúcar na safra 2014/2015 (outubro deste ano a setembro do próximo ano) deve registrar um déficit de 2,8 milhões de toneladas da commodity. O primeiro resultado negativo entre a oferta e a demanda após quatro safras será puxado principalmente pela queda na produção da região Centro-Sul do Brasil, de 2,7 milhões de toneladas, ante a safra 2013/14, ou seja, o equivalente a quase todo o volume do déficit mundial.

Segundo a INTL FCStone, o déficit mundial de açúcar ocorrerá primeiramente pela redução de 1,2% na produção, para 179 milhões de toneladas, e pelo aumento de 2,4% na demanda, para 179,4 milhões de toneladas, uma diferença de 0,4 milhão de toneladas. Soma-se a esse volume uma perda de 2,4 milhões de toneladas de açúcar, totalizando 2,8 milhões de toneladas. O volume estimado dessa perda de açúcar é 45% menor que as 4,3 milhões de toneladas perdidas na safra 2013/14, recém-encerrada.

A contribuição da produção brasileira para a safra mundial 2014/15 será de 30,3 milhões de toneladas de açúcar, ante 32,9 milhões de toneladas da safra anterior. Além do Brasil, segundo a INTL FCStone, as maiores contribuições negativas para o déficit mundial de açúcar na atual safra virão da Tailândia, que vai retirar do mercado 1,1 milhão de toneladas e da China, com uma produção menor também próxima a 1,1 milhão de toneladas.

Na safra passada, o balanço entre oferta e demanda da commodity teve um superávit de 1,6 milhão de toneladas e na soma das quatro últimas safras positivas o volume ficou em 18,1 milhões de toneladas. O maior déficit recente foi na safra 2008/09, de 11,3 milhões de toneladas. (Agencia Estado 07/11/2014)

 

GO: Transformação nos canaviais

O Brasil tornou-se, desde a década de 1970, um gigante dos canaviais e, atualmente é o maior produtor de álcool e cana-de-açúcar do mundo. Porém, segue com certa timidez em relação aos estudos de melhoramento genético e combate às pragas que interferem significativamente na produção industrial desse vegetal.

Desde o surgimento do Programa Nacional do Álcool (ProÁlcool), que tinha como objetivo a substituição em larga escala dos combustíveis veiculares derivados de petróleo por álcool, a partir de 1975 - devido à crise do petróleo em 1973 -, que os produtores priorizaram a expansão dessa cultura, em detrimento do aperfeiçoamento das plantações.

De acordo com o doutor em Fitopatologia e consultor em culturas de cana-de-açúcar, Álvaro Sanguino, investir na produção de canaviais sadios reflete diretamente na obtenção de plantações uniformes, livres de pragas e com resultados econômicos positivos, uma vez que esses investimentos reduzem a incidência de transtornos e gastos com reparações e manutenção do plantio.

Álvaro lamenta que em mais de 40 anos de estudos tenha visto poucos investimentos no melhoramento dessas plantas. "Há pelo menos dez anos a indústria canavieira se esqueceu de como se produz uma muda de cana", afirma o consultor.

As doenças

"Sempre levei para as usinas metodologias de formação de viveiros com mudas sadias", lembra o professor, ao enfatizar a importância de se produzir novas plantas livres de doenças que afetam a produtividade dos canaviais. Ainda de acordo com Sanguino, essas doenças são sistêmicas e derivadas de bactérias que ocorrem no interior da cana.

O pesquisador explica que uma vez que a muda é acometida por estas doenças, durante o processo de desenvolvimento e crescimento da planta ocorre uma obstrução do sistema vascular, impedindo a absorção de água e nutrientes. Assim, há uma perda considerável de produtividade.

Álvaro Sanguino afirma que, como a criação de novas mudas de cana geralmente ocorre a partir da planta adulta - que pode estar doente -, todas as características genéticas e de sanidade são automaticamente transferidas para os brotos, o que facilita o alastramento bacteriológico dentro da lavoura, caso não haja um investimento na produção de mudas sadias. "Cada vez que levamos um pedacinho dessa cana para frente, sem o devido cuidado, estamos multiplicando essa doença no campo", alerta o pesquisador.

Desafios do setor

Para os produtores de cana-de-açúcar, mais que investir nas plantações é enfrentar desafios e encará-los como boas oportunidades de contribuir para que o mercado consiga melhores resultados e produza ainda mais. Este é o conceito defendido pelo gerente de Marketing AgMusa da Unidade de Proteção de Cultivos da Basf, Cássio da Silva Cardoso Teixeira e pelo responsável pelo desenvolvimento técnico de mercado da empresa, Edinaldo Mariani Junior.

De acordo com Junior, o setor está passando por uma revolução, principalmente na operação fim, ou seja, plantio de cana de açúcar. Ele afirma que todas as operações realizadas nesse processo terão impacto direto em toda a cadeia produtiva do ciclo dacana. "Nós vamos ajudar o setor a retomar as boas práticas, a produtividade e rentabilidade."

Junior afirma ainda que o processo de cultivo da cana-de-açúcar demanda uma complexidade e cuidados que vão desde o preparo da terra, a escolha das mudas, passando pelo manejo até a transformação do produto nas usinas. "Isso, somado à falta de mão de obra e o alto consumo de matéria-prima estão fazendo com que tenhamos baixa produtividade e problemas sérios na cultura de cana-de-açúcar", afirma o engenheiro agrônomo.

Contribuição econômica

De acordo com o gerente de Planejamento e desenvolvimento da usina Alta Mogiana, Luís Augusto Contin (Guto), a empresa, instalada em São Paulo, fatura cerca de R$ 2 bilhões por ano e gera 15 mil empregos diretos no grupo. A companhia consome 15,5 milhões de toneladas de cana por ano, com o cultivo de 184 mil hectares de área plantada.

A empresa, que é fundamentalmente voltada à produção açucareira, produz ainda etanol eenergia elétrica. Segundo Guto, o objetivo da companhia é atender os principais produtores da indústria alimentícia do País. Coca-Cola, Cargill e Brasil Kirin são exemplos desses parceiros comerciais.

O gerente relata que desde 2012 a Alta Mogiana busca um novo modelo de plantio decana, para substituir o modelo mecânico, que além de elevado custo apresenta falhas na distribuição das mudas e é muito agressivo às gemas - brotos da cana. "Assim, surgiu a parceria com a Basf e o uso da tecnologia AgMusa em larga escala", afirma.

Já Américo Ferraz, engenheiro agrícola, especialista em plantio e colheita de cana-de-açúcar e diretor da Odebrecht Agroindustrial, empresa presente em Goiás, afirma que a companhia possui atualmente uma capacidade de industrialização de cerca de 37 milhões de toneladas, com mais de 450 mil hectares plantados, com foco na produção de etanolhidratado.

Para o engenheiro, a garantia de sanidade das mudas é uma evolução, mas que ainda é preciso grandes melhorias, principalmente quanto aos maquinários. "Precisamos melhorar as plantadoras, ampliando sua autonomia e performance nos processos de distribuição de mudas, para conseguirmos plantar mais áreas em um espaço menor de tempo", relata.

De acordo com Ferraz, outro ponto que merece grande atenção de pesquisadores e empresários do setor é a redução de valor das plântulas - embrião vegetal que começa a desenvolver-se pelo ato da germinação. "Para um setor que precisa da quebra de paradigmas e mudanças radicais, principalmente em custos de produção, a gente precisa pensar em alternativas para baratear essas plântulas e conseguir a redução de custos que impacta diretamente na rentabilidade de todo o processo", atesta o engenheiro. (Diário da Manhã 06/11/2014)

 

CMN edita nova regra para renovação de canaviais

Resolução estebelece duas condições diferentes de financiamento, a depender do projeto.

Em sessão extraordinária realizada nesta quinta-feira (6/11) o Conselho Monetário Nacional (CMN) editou nova norma referente ao Programa de Apoio à Renovação e Implantação de Novos Canaviais (ProRenova-Rural e Industrial), destinado aos produtores de cana-de-açúcar. As determinações já foram publicadas no Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen), dentro da resolução nº 4.380/2014.

A regra anterior fixava que os encargos financeiros envolviam taxa efetiva de juros composta pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) acrescida de 2,7 pontos porcentuais ao ano. A nova determinação estabelece duas hipóteses. A primeira possibilidade, para os projetos de plantio de cana-de-açúcar implantados de 1º de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2013, estabelece taxa efetiva de juros de 5,5% ao ano, ou seja, só a TJLP.

A segunda possibilidade envolve projetos de plantio de cana-de-açúcar implantados de 1º de janeiro de 2014 a 31 de dezembro de 2014, com taxa efetiva de juros composta pela TJLP mais 2,7 pontos porcentuais ao ano. Outra na novidade envolve o prazo de contratação. A regra anterior fixava que esse prazo vigoraria até 31 de março de 2015. A nova resolução fixa que o prazo é até 31 de dezembro de 2014, para os financiamentos sobre os quais será cobrada somente a TJLP; e até 31 de março de 2015, para os demais.

A resolução estabelece, ainda, que somente poderão ser financiados, no âmbito desse programa, os projetos de plantio de cana-de-açúcar implantados de 1º de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2013, podendo ser reembolsados gastos com itens financiáveis realizados a partir de 1º de julho de 2012; e de 1º de janeiro de 2014 a 31 de dezembro de 2014, podendo ser reembolsados gastos com itens financiáveis realizados a partir de 1º de julho de 2013. (Agência Estado 07/11/2014)

 

Cota preferencial de exportação de açúcar para os EUA é fixada

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento fixou hoje (7) em 161,2 mil toneladas a cota preferencial de exportação de açúcar pelos estados do Norte e Nordeste para os Estados Unidos. A quantidade está em instrução normativa publicada no Diário Oficial da União. As regiões poderão vender o produto para os EUA a preço acima do cobrado no mercado internacional. Todos os anos, os norte-americanos ofertam a cota, que deve ser dividida entre países de situação socioeconômica menos favorecida.

Também há uma divisão interna entre os estados do Norte e Nordeste, de acordo com a participação de cada usina no total produzido. Este ano, os estados com direito à maior parcela brasileira da cota são Alagoas, com 46,41%, e Pernambuco, com 38,41%. De acordo com o coordenador-geral de Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, Cid Caldas, o preço pelo qual o volume será vendido varia de acordo com a situação de abastecimento de açúcar nos Estados Unidos.

A quantidade que o Brasil exportará depende ainda da divisão com os outros países com direito à cota. No ano passado, o total também ficou em 161,2 mil toneladas. Segundo dados do ministério, a produção nacional de açúcar totalizou 37,697 milhões de toneladas na última safra, e a do Norte e Nordeste, 3,26 milhões de toneladas. Portanto, a cota equivaleu a 0,42% do produzido nacionalmente e a 4,9% da produção das duas regiões. (Agência Câmara 07/11/2014)

 

Maior presença do BNDES na economia divide opiniões

O BNDES quer emprestar mais recursos para a cadeia de etanol quando ali, claramente, não há um problema de falta de financiamento.

Vemos que há empreendimentos altamente lucrativos, como as concessões dos aeroportos, que pegam até 70% de seus investimentos no BNDES ao invés de ir a mercado, sendo que realmente isso não é preciso.

Luciano Coutinho, presidente do banco, afirma que os empréstimos com Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) são usados com parcimônia na infraestrutura. O diretor de Planejamento do banco, João Carlos Ferraz, diz que ao viabilizar investimentos para expandir a capacidade produtiva, o BNDES reduz futuras pressões inflacionárias. Mesmo com o subsídio do BNDES para o financiamento de máquinas e equipamentos, segmento que recebe cerca de 40% dos empréstimos, a indústria de bens de capital está em crise. (O Globo 09/11/2011)

 

Etanol Ataque americano

O American Petroleum Institute – das empresas petroleiras – promove campanha nos EUA sobre os perigos doetanol.

Nas peças a tática do medo aparece em afirmações de que o etanol pode danificar o motor e anular a garantia de fábrica. Todo anúncio tem uma tirada irônica e ameaçadora: "Seu motor não vai gostar, mas o seu mecânico vai".

A Agência de Proteção ao Meio Ambiente dos EUA até o fim do ano deve manifestar-se sobre a obrigação de misturar o etanol à gasolina.

Os interesses do etanol brasileiro lá são representados pela União da Indústria de Cana (Única). (Isto é Dinheiro 09/11/2014)

 

Etanol amarelo

Governo quer viabilizar produção de álcool de milho no Centro-Oeste.

A produção de etanol de milho entrou no foco do governo, que já deu aval a quatro novos projetos que terão financiamentos do BNDES.

Neri Geller, ministro da Agricultura, diz que a pasta trabalha com várias ações e que a evolução desse setor é importante para viabilizar o avanço da produção de milho no país e aumentar o valor agregado do cereal.

Os novos projetos estão localizados no Centro-Oeste, a nova fronteira na produção de milho. Sem incentivo para uma industrialização do produto, a produção na região cairá, devido às dificuldades de escoamento.

"Essas ações são necessárias para que haja uma sustentabilidade econômica da atividade", diz o ministro.

Além do incentivo à produção de etanol de milho, o governo busca também facilitar a comercialização do cereal por meio de contratos de opções, melhoria na logística e abertura de novos mercados para agregação de valor.

Um dos entraves até agora no apoio do governo a esse setor eram os acordos internacionais na área de segurança alimentar. A viabilização da produção de etanol de milho permitirá ao país utilizar o excedente de produção para o combustível.

Além disso, boa parte dos resíduos irá para a alimentação animal, setor em que o país ganha corpo no mercado externo, segundo Geller.

O milho utilizado na produção de etanol não competiria com o destinado à alimentação porque o país tem espaço para a agregação de novas áreas de plantio.

Esse aumento de espaço viria principalmente das áreas de pastagens subutilizadas.

Se o país agregar mais tecnologia na produção e adubar aqui como se faz nos Estados Unidos, poderá elevar em muito a área de plantio, de acordo com o ministro.

A posição do ministério é um alívio para os produtores, que viam falta de apoio do governo na produção de milho de etanol devido a acordos internacionais na área de segurança alimentar.

O tema é importante e deve estar presente nas discussões diárias, mas o governo tem de se posicionar com firmeza diante deles, segundo o ministro. E acordos que não são bons para o produtor estão sendo revistos.

Um dos passos foi fornecer crédito para esses projetos, o que já está sendo feito por meio do BNDES, afirma.

A política do governo para o setor sucroenergético tem sido criticada, no entanto, pelos produtores do combustível proveniente de cana. (Folha de São Paulo 08/11/2014)

 

Usina flex estende atividade na produção

A partir da safra 2011/12, a Usimat, usina projetada para processar cana, passou também a fazer etanol de milho. Situada em Campos de Júlio (MT), usou 15 mil toneladas de milho naquela safra e deverá processar 110 mil nesta.

Finda a safra de cana, a usina produz etanol com milho e sorgo. A viabilidade da usina flex depende de custos da matéria-prima e de preços de venda dos produtos obtidos, etanol, óleo e ração.

A localização ideal para esses projetos é onde há oferta de matéria-prima e demandas por etanol e por ração.

Sérgio Barbieri, diretor da empresa, diz que a produção flex traz benefícios porque na entressafra da cana a usina se mantém ativa com o processamento dos cereais.

"A condição de a Usimat operar com cana e cereais nos permitiu ter resultados", diz.

Mas a situação do setor em Mato Grosso não é confortável. O Estado produz mais etanol do que consome e o passeio do combustível o torna menos competitivo.

A legislação exige que o etanol passe por uma distribuidora. O etanol sai de Campos de Júlio, roda 610 km até Cuiabá e volta ao mesmo lugar.

O desafio é trabalhar para elevar o consumo e para que o setor tenha regras definidas por ao menos cinco anos, diz Barbieri. "É preciso, também, fazermos o dever de casa com mais produtividade e redução de custos."(Folha de São Paulo 08/11/2014)

 

Reajuste de combustíveis é insuficiente para aumentar competitividade do etanol

Especialistas apontam para impacto no preço dos fretes e alta nos custos de produção das lavouras.

Gasolina e diesel subiram nesta sexta, dia 7, nas refinarias.

O reajuste da Petrobras foi de 3% e 5%, respectivamente. Analistas de mercado acreditam que a alta é insuficiente para aumentar a competitividade do etanol. Por outro lado, o reajuste do diesel pode gerar impacto no preço dos fretes e nos custos de produção das lavouras.

Segundo o presidente da Macrologística, Renato Pavan, o reajuste causará poucas mudanças no setor.

– O ideal é que não houvesse esse aumento, mas acho que ele não é significativo. Ele passa a ser significativo se vierem outros aumentos, não dá para se perceber o que vai acontecer. Isso está acontecendo de forma radical e sem planejamento – destacou.

A opinião é a mesma do assessor técnico da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) Rogério Avelar, que afirma que o setor do etanol está em crise há muito tempo e que a elevação no preço dos combustíveis não deve gerar grandes mudanças na competitividade do produto.

Na agricultura, qualquer aumento no preço diesel interfere nos custos de produção e na rentabilidade do produtor. De acordo com o economista da Fecoagro Tarcisio Minetto, a elevação no custo de produção ocorre nas lavouras.

– O impacto, no caso da soja, pegando de referência o período de cultivo, será da ordem de R$ 8,00 a R$ 10,00 por hectare, considerando esse aumento de 5% – claro que dependerá muito do porte das máquinas que são utilizadas, das horas-máquina de cada atividade, de aplicações no plantio. No nosso referencial de estudo, o impacto será de 0,26%, ou seja, menos de meio por cento em termos de valor que acrescentam esses 5% – especifica.

No caso do milho, com algumas aplicações reduzidas em relação à soja, ele prevê que o aumento seja de 0,24% em relação ao custo final da soja. Quanto ao trigo, que está em fase de colheita, a interferência deve ser menor.

Para o setor de fretes e cargas, o reajuste do diesel também modifica o preço final.

– O diesel é uma das variáveis mais impactantes para o segmento de carga, representando 30% do valor do frete. Então, quando você diz que vai reajustar em 5%, você está dizendo que isso vai dar um impacto de 1,5% no preço final do frete – afirma o conselheiro da Abralog, Ramon Alcaraz.

Algumas empresas repassam o valor, mas nem sempre isso é possível.

– Para aquelas empresas que conseguem repassar isso para o produto final, fica mais caro para o consumidor, mas a empresa de carga não sofre com isso. Para aqueles segmentos que não conseguem repassar – e hoje, em função de um crescimento muito baixo no país, grande parte das empresas não conseguirá repassar –, esse 1,5% representa muito. A margem de contribuição de uma empresa de transportes é de um dígito 5%, 6%, 7% a média; 1,5% para absorver isso significa reduzir as suas margens de contribuição na casa de 15%, 20% – pontua Alcaraz.

Para a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, o impacto será “virtualmente nulo” em relação à gasolina.

– Se tudo se mantiver como hoje, margem de distribuidor, margem de posto de gasolina, pode dar um aumento de R$ 0,4 por litro de gasolina. Então, acho que até para o consumidor é difiícil identificar esse aumento na bomba.

Elizabeth explica que o setor precisa é de previsibilidade da política de preços de combustíveis para que produtores e investidores possam se planejar.

– Não é só uma questão de quanto é, é uma questão de quais são as regras que sinalizam o comportamento desses preços para frente. Quanto é depende de muitas variáveis, de custo do lado do etanol, dos custos da produção de gasolina, da importação da gasolina, do comportamento do mercado internacional. Tudo isso é que compõe esse preço – finaliza a presidente da Única. (Rural BR 07/11/2014 às 19h: 49m)

 

Reajuste de 3% na gasolina não melhora situação do etanol, diz UNICA

SÃO PAULO  - A presidente-executiva da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, afirmou hoje que os aumentos da gasolina e do diesel anunciados ontem pela Petrobras são pequenos e trarão, portanto, efeitos pequenos para o etanol hidratado, cujo preço ao consumidor final esbarra no “teto” de até 70% do preço da gasolina . “Potencialmente, não vai melhorar a situação do etanol”, lamentou.

Na visão de Elizabeth, ao conceder um aumento de 3% para a gasolina e 8% para o diesel, o governo visa controlar o IPCA, uma vez que a gasolina tem impacto direto nesse índice de inflação, diferentemente do diesel que tem impacto indireto. “A preocupação do governo ainda é a Petrobras, pois o diesel tem um peso maior no caixa da empresa”, explicou Elizabeth. (Valor Econômico 07/11/2014 às 15h: 32m)

 

Agronegócio atinge a cifra de US$ 7,95 bi em exportações em outubro

Setor de carnes é destaque da balança comercial no período.

A Secretaria de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (SRI/Mapa) divulgou nesta sexta-feira, 07, a balança comercial do agronegócio. Em outubro deste ano, as exportações do agronegócio brasileiro somaram US$ 7,95 bilhões.

No mês, o principal setor exportador foi o de carnes, com vendas externas no valor total de US$ 1,70 bilhão e incremento de 8,4% em relação ao mesmo período do ano passado. No setor, a carne de frango se destacou, com exportações que atingiram o montante de US$ 742 milhões, o que representa um aumento de 9%, se comparado a outubro de 2013. Em seguida vem a carne bovina, com vendas que somaram US$ 685 milhões (+4,2%). Em terceiro aparece a carne suína, com a cifra de US$ 198 milhões em vendas ao exterior.

O complexo sucroalcooleiro ficou em segundo lugar na pauta exportadora de outubro, com vendas de US$ 1,13 bilhão. No setor, o açúcar foi destaque, com a cifra e US$ 1,07 bilhão, o que representa 94,5% do total exportado pelo complexo sulcroalcooleiro.

O complexo soja somou US$ 983 milhões com exportações e ocupou a terceira colocação em outubro. O principal produto comercializado foi o farelo da leguminosa, com US$ 533 milhões. Já a soja em grãos totalizou US$ 362 milhões nas exportações do setor dentro do mês. Por último está o óleo de soja, que complementou a receita com US$ 88 milhões.

Com exportações que atingiram a cifra de US$ 945 milhões (+6,9%), os produtos florestais ficaram em quarto na balança comercial de outubro. O quinto principal setor da pauta do agronegócio foi o café, que somou US$ 692 milhões em exportações.

Blocos econômicos

O principal destino das exportações brasileiras em outubro foi a Ásia, com vendas de US$ 2,42 bilhões. Em segundo lugar está a União Europeia, com montante de US$ 1,99 bilhão. A participação desses dois destinos chegou a 55,5% das exportações. Os principais blocos econômicos, em dinamismo nas vendas ao exterior foram: Oceania (+77,6%); Europa Oriental (+51,7%); e demais da Europa Ocidental (+32,1%).

Acumulado do ano

Entre setembro de 2013 e outubro de 2014, as exportações brasileiras de produtos do agronegócio foram de US$ 97,40 bilhões. Os cinco principais setores exportadores do agronegócio nos últimos doze meses foram: complexo soja; carnes; complexo sucroalcooleiro; produtos florestais; e café. Esses setores foram responsáveis por US$ 76,24 bilhões em exportações do total exportado em produtos do agronegócio. (MAPA 07/11/2014)

 

EUA investigam corrupção na Petrobras

Controles internos da estatal são foco principal de investigação do Departamento de Justiça, diz 'Financial Times'. Lei que inibe prática de corrupção por empresas americanas também pune companhias com ações em Nova York.

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu investigação criminal para examinar as suspeitas de que um esquema de corrupção desviou recursos da Petrobras para políticos e funcionários públicos, segundo o jornal britânico "Financial Times".

Advogados ouvidos pelo jornal disseram que o objetivo é apurar se houve falha nos controles internos da estatal brasileira, que tem ações negociadas na Bolsa de Nova York e por isso está sujeita à legislação americana.

A SEC, principal agência reguladora do mercado de capitais americano, também abriu investigação sobre a Petrobras na área cível, de acordo com o "Financial Times".

Conhecida pela sigla FCPA, a lei americana de combate à corrupção no exterior foi desenhada para punir empresas americanas que subornassem funcionários públicos para fazer negócios em outros países, mas também se aplica a companhias com ações negociadas nos EUA.

As investigações sobre corrupção na Petrobras tiveram início no Brasil em março, quando a Polícia Federal prendeu o ex-diretor de abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef, apontado como operador de um esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões.

Os dois aceitaram colaborar com a Justiça para tentar reduzir suas penas. Em seus depoimentos, disseram que ajudaram o PT e outros partidos da base aliada a montar um esquema de superfaturamento de obras e desvio de recursos da estatal.

As autoridades dos EUA querem saber se a Petrobras, seus funcionários, fornecedores ou intermediários violaram a lei americana, que prevê punições para fraudes em registros contábeis e controles internos das empresas.

A advogada brasileira Sylvia Urquiza, que já atuou em casos em que a legislação americana foi aplicada, disse que as penas podem chegar a multas pesadas e à prisão de executivos envolvidos.

Segundo a advogada, a maioria dos casos é resolvida por meio de um acordo entre o governo americano e as empresas, com o pagamento de indenizações milionárias.

Investidores também poderão recorrer à Justiça americana se acharem que tiveram prejuízo com as ações da Petrobras por causa da corrupção na empresa, afirmou o advogado Eduardo Boccuzzi. "As ações da Petrobras perderam 23% neste ano em Nova York", disse.

Procurada, a Petrobras não quis se manifestar. Há duas semanas, a companhia contratou dois escritórios de advocacia para aprofundar investigações internas, abertas sob pressão da PricewaterhouseCoopers, empresa de auditoria que analisa os balanços da estatal. (Folha de São Paulo 10/11/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Turbinado pela gasolina: O aumento do preço da gasolina pela Petrobras, na quinta-feira, impulsionou os preços do açúcar na bolsa de Nova York na sexta. Os lotes do demerara para maio de 2015 fecharam a sessão a 16,07 centavos de dólar por libra-peso, em alta de 18 pontos. A decisão era aguardada pelo setor sucroalcooleiro do Brasil, na medida em que eleva a competitividade do etanol para as usinas e tem consequência indireta no mercado de açúcar. Porém, Nick Penney, trader da Sucden Financial, observa que a tendência de alta do dólar ante o real pode anular esse efeito, já que o açúcar é vendido na moeda americana, e o biocombustível, na moeda brasileira. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal registrou alta de 0,5% na sexta-feira, para R$ 50,22 a saca de 50 quilos.

Laranja: Sem ameaças: A aproximação do fim da temporada de furacões nos EUA continua retirando o prêmio climático que oferecia suporte aos preços do suco de laranja em Nova York. Assim, a commodity enfrentou a sexta queda seguida no último pregão. Os contratos do suco concentrado e congelado (FCOJ, na sigla em inglês) para janeiro de 2015 fecharam a US$ 1,275 por libra-peso, recuo de 335 pontos. Voltou a pesar sobre os preços a última estimativa de produção feita pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a Flórida em 2014/15, de 108 milhões de caixas, superior à safra 2013/14. O órgão americano deve divulgar hoje uma atualização desse cálculo. No mercado interno, o preço da laranja para a indústria apurado pelo Cepea/Esalq manteve-se em R$ 10,12 a caixa de 40,8 quilos.

Soja: Incerteza com USDA: A soja avançou na sexta-feira pelo terceiro pregão seguido em Chicago, sob a influência das apostas para o novo relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), que será divulgado hoje. Os lotes para janeiro fecharam a US$ 10,3675 por bushel, alta de 8,75 centavos. Parte dos analistas crê que o órgão deve considerar recentes movimentos da demanda internacional para reduzir a previsão de estoques finais da safra; outros acreditam que a oferta recorde continuará pesando nas estimativas. Analistas ouvidos pelo The Wall Street Journal estimam, em média, que o USDA cortará sua projeção para os estoques dos EUA e manterá a previsão para os estoques globais. No Paraná, a saca ficou em R$ 60,34, alta de 1,43%, de acordo com o Departamento de Economia Rural do Estado (Deral).

Milho: Oferta em alta: A expectativa de que o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) eleve suas estimativas para as ofertas global e americana de milho conduziu os preços do cereal na bolsa de Chicago ao campo negativo na sexta-feira. Os contratos com vencimento em março de 2015 fecharam com baixa de 3,50 centavos, a US$ 3,8050 por bushel. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal esperam, em média, que o USDA aumente sua projeção para os estoques de passagem de milho da safra atual nos EUA para 54,15 milhões de toneladas, e no mundo, para 190,7 milhões de toneladas. O relatório do órgão oficial será divulgado hoje. No mercado doméstico, o indicador Esalq/BM&FBovespa registrou valorização de 0,87%, para R$ 26,81 por saca, acumulando alta de 2,29% no mês. (Valor Econômico 10/11/2014)