Setor sucroenergético

Notícias

A sociedade entre a Cisa Trading e a Coimex

A sociedade entre a Cisa Trading e a Coimex está com os dias contados. Segundo pessoas próximas a Antonio Pargana, fundador da Cisa, o empresário tem interesse na compra dos 30% pertencentes ao grupo da família Coser.

Há quem diga que, no dia seguinte, Pargana sai em busca de um novo sócio, alguém com quem sinta mais afinado. Oficialmente, a Cisa nega mudanças societárias. (Jornal Relatório Reservado 14/11/2014)

 

Odebrecht corta investimento em 50% no setor de etanol

Empresa também demite funcionários para reduzir custos.

A Odebrecht Agroindustrial cortou pela metade seu investimento anual no cultivo de cana-de-açúcar e na produção de etanol, energia elétrica e açúcar - de R$ 1 bilhão, para R$ 500 milhões - pela falta de perspectiva de uma melhora no setor, disse o vice-presidente de Relações Institucionais da companhia, Amaury Pekelman.

"A companhia acreditou que seria um grande negócio quando decidiu pelos investimentos, já que à época (ainda na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) o governo passava uma previsibilidade boa ao setor", disse. "Mas hoje estamos sem perspectiva alguma", completou Pekelman. Segundo ele, os investimentos anuais agora são destinados ao plantio na renovação de canavial e ao aumento da produtividade agrícola industrial para que a Odebrecht Agroindustrial atinja pelo menos a capacidade máxima de moagem nas suas nove usinas.

O processamento deve chegar a 25 milhões de toneladas de cana por safra, enquanto a capacidade máxima declarada pela companhia é de 40 milhões de toneladas. Qualquer investimento em novos projetos está afastado. Outra ação tomada para conter custos foi a redução do quadro de funcionários da companhia, segundo o executivo.

"A ODEBRECHET FOI A QUE MAIS INVESTIU NO PERÍODO CALCULADO PARA OS CRÉDITOS DE PIS/COFINS E PODERIA AMPLIAR OS INVESTIMENTOS SE ESSE VALOR FOSSE DEVOLVIDO"

Um dos maiores grupos do setor sucroenergético, a Odebrecht Agroindustrial destina ao etanol 85% da matéria-prima processada, com uma capacidade de produção de 3 bilhões de litros do combustível por safra, a maior do País.

Pekelman afirmou esperar que o novo governo da presidente Dilma Rousseff "tenha uma cara nova" e amplie o diálogo com o setor sucroenergético.

Entre os pleitos estão o retorno da Contribuição e Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina, que daria maior competitividade ao etanol, e, principalmente, no caso da Odebrecht Agroindustrial, a devolução de créditos de Pis/Cofins sobre investimentos feitos pelo setor. A companhia estima ter cerca de R$ 500 milhões em créditos retidos de PIS/Cofins pelo governo, ou mais de 40% do total de R$ 1,2 bilhão que todo o setor sucroenergético tem a receber do governo. "A Odebrechet foi a que mais investiu no período calculado para os créditos e poderia ampliar os investimentos se esse valor fosse devolvido", concluiu o vice-presidente da companhia. (Agência Estado 13/11/2014)

 

Preço do gesso agrícola prejudica a safra da cana em SP

Produto ajuda a corrigir a acidez do solo, mas o preço mais que dobrou este ano.

A falta de aplicação do gesso agrícola pode comprometer a safra de cana em São Paulo.

O produto ajuda a corrigir a acidez do solo, mas a reclamação é com o preço, que mais que dobrou este ano.

Trezentos hectares de cana-de-açúcar podem não se desenvolver completamente pela falta do gesso agrícola. Roberto Bispo mostra a área onde o produto não foi aplicado por causa do preço alto. Enquanto no ano passado, ele pagou R$ 25 pela tonelada, este ano, o valor subiu para R$ 72.

Agricultores brasileiros utilizam o gesso agrícola para correção do PH do solo. No noroeste paulista, ele é usado principalmente pelos produtores de cana porque a terra na região é muito ácida.

O produto é um resíduo da fabricação do adubo, a base de fósforo. Para extrair a substância da rocha, a refinaria utiliza o ácido sulfúrico, o que sobra são pequenas pedras que se esfarelam e são ricas em cálcio, enxofre e minerais. Elas alcançam profundidades maiores que 20 centímetros e fazem com que as raízes absorvam mais água e nutrientes do solo, condições que aumentam a produtividade da lavoura.

Por causa dos benefícios, a procura pelo produto aumentou e o preço também. Com medo de perder parte da plantação deste ano, Edson Assis preferiu aplicar calcário nos 150 hectares de cana. A função é bem parecida com a do gesso e o preço é 50% mais barato, mas o mineral não alcança tanta profundidade. Como diretor da Associação dos Produtores de Cana-de-Açúcar da região, ele orienta outros agricultores.

Os altos custos de produção somados à seca que tem atingido todo o estado, devem resultar em uma safra pouco produtiva para muitos agricultores. "Esse ano, nós tivemos uma seca muito grande com quebra de produtividade em torno de 25%, e os preços da cana não estão compensando, então a preocupação é grande porque está difícil fechar as contas", diz Edson. (Globo Rural 13/11/2014)

 

'Anomalia' do clima prejudicou desenvolvimento da cana, diz IEA

A falta de chuvas, classificada pelos pesquisadores do IEA (Instituto de Economia Agrícola) de "anomalia climática", prejudicou o desenvolvimento vegetativo da cana-de-açúcar e afetou a produção no Estado de São Paulo.

Relatório do órgão diz que a falta de chuvas foi maior entre dezembro de 2013 e fevereiro deste ano, período normalmente propício para um bom crescimento das plantas.

"Justamente na época em que a planta mais deveria crescer [no início do ano], a chuva foi insuficiente", disse a engenheira agrônoma Katia Nachiluk, pesquisadora do IEA.

Ainda de acordo com ela, outro fator que prejudicou a produção canavieira foram os focos de incêndio no Estado. De janeiro a agosto deste ano foi registrado um número 2,1 vez maior do que no mesmo período do ano passado.

Os dados são do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

 

Área de cana cai pela 1ª vez desde 2008 no Estado de São Paulo

Pela primeira vez desde 2008, a área de cana-de-açúcar plantada no Estado de São Paulo apresentou queda.

Levantamento divulgado pelo IEA (Instituto de Economia Agrícola), da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, aponta que o plantio na safra atual foi 0,4% menor que a passada.

Em 2014/15, foram plantados 6,13 milhões de hectares de cana, enquanto em 2013/14 o plantio ocorreu em 6,15 milhões de hectares.

Até então, o órgão só havia registrado elevação de área plantada. A produtividade também sofreu redução, de 9,4%.

De acordo com o IEA, a queda é resultado das condições econômicas e climáticas adversas que o setor sucroalcooleiro enfrentou neste ano.

Os números fazem parte do quarto levantamento feito pelo instituto no ano.

O quinto e último, com dados consolidados e primeiras previsões para a safra futura, deve sair só no início de 2015.

Para o presidente da Câmara Setorial da Cadeia Produtividade de Açúcar e Álcool, Ismael Perina Junior, a crise que o setor sucroalcooleiro atravessa, associada à falta de chuvas, derrubou a produção e inibiu o crescimento de área plantada de cana no Estado de São Paulo.

"Tem muita usina fechando ou entrando em recuperação judicial. Essa cana que era moída por essas empresas não é absorvida e isso reflete em números menores nesta safra", disse.

Ele afirmou também que, sem água suficiente para se desenvolver, a planta acabou ficando menor.

O diretor-presidente da Orplana (Organização de Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil), Manoel Ortolan, atribui os problemas financeiros enfrentados pelas usinas às reduções de produtividade e área plantada.

SEM RENOVAR

Sem dinheiro para investir, os canaviais não são renovados. Além disso, o setor deixa de aplicar os recursos necessários para proteger a lavoura de ataques de pragas.

"As empresas usam menos fertilizantes para controle de pragas e ervas, o que inibe o desenvolvimento das plantas. O setor está descapitalizado, sem dinheiro. Com isso, os canaviais não recebem o devido cuidado para garantir uma boa produtividade", afirmou Ortolan.

A engenheira agrônoma Katia Nachiluk, pesquisadora do IEA, disse que a seca derrubou a produtividade, das 80,7 toneladas de cana por hectare na safra passada para 72,5 toneladas, na atual.

"Houve anos em que a produtividade atingiu 85 toneladas [por hectare] mas, como não choveu agora, o rendimento foi menor nesta safra. Além disso, o setor está sem recursos para investimentos na renovação de canaviais", afirmou a pesquisadora.

 

Dow AgroSciences lançará em 2015 novo herbicida nos EUA

SÃO PAULO - A Dow AgroSciences, subsidiária da empresa química americana The Dow Chemical Company, anunciou hoje que irá lançar em 2015 o herbicida Enlist Duo. O produto é parte do que a companhia chama de “Sistema Enlist de Controle de Ervas Daninhas”, que traz uma tecnologia para soja e milho baseada em um “trait” (evento transgênico) que torna as plantas tolerantes ao herbicida.

O Enlist Duo contém uma mistura de glifosato, criado pela Monsanto, e 2,4-D, invenção da própria Dow. O uso do 2,4-D tem enfrentado muita resistência ao redor do mundo, por ser o herbicida um dos componentes do agente laranja, usado durante a guerra do Vietnã. 

“O herbicida trará novas vantagens para o manejo de plantas daninhas difíceis de controlar e resistentes”, disse a Dow AgroSciences. De acordo com a companhia, somente nos EUA a área infestada por ervas resistentes dobrou entre 2009 e 2013, para 70 milhões de acres (28,33 milhões de hectares). “Fizemos investimentos significativos em ativos existentes e novos para fornecer de forma confiável 2,4-D de alta qualidade para o Enlist Duo, e estamos prontos para atender a demanda”, afirmou Damon Palmer, diretor de marketing da múlti para o negócio de sementes nos EUA. (Valor Econômico 13/11/2014 às 17h: 53m)

 

HS joga sua âncora sobre o controle do Tegram

A norte-americana CHS, que já tem negócios no mercado agrícola brasileiro, quer se tornar também um player de peso na área de logística portuária.

O grupo está entabulando uma série de movimentos com o objetivo de assumir o controle do Terminal de Grãos do Maranhão (Tegram), localizado no Porto de Itaqui.

O primeiro degrau a ser escalado é a TCN, consórcio criado para o leilão de concessão do terminal. Donos de 25% da holding, os norte-americanos negociam a compra do restante das ações, em poder da NovaAgri, leia-se Pátria Investimentos.

Ao ficar com 100% da TCN, a CHS passará a ter automaticamente um quarto do capital do Tegram. O passo seguinte seria o avanço dos norte-americanos sobre a participação de outros sócios do terminal, notadamente Glencore e Louis Dreyfus, que já manifestaram a disposição de deixar o negócio.

A compra das ações em poder das duas tradings de commodities agrícolas daria à CHS a posição de acionista majoritário do Tegram. As negociações entre a CHS e a NovaAgri foram deflagradas há cerca de quatro meses.

No entanto, segundo fontes ligadas aos norte-americanos, as conversas já estiveram em um estágio mais avançado.

O retrocesso se deve a um fato novo que surgiu nesse intervalo: em agosto, o Pátria Investimentos anunciou a decisão de vender o controle da NovaAgri -negócio que pode chegar a US$ 1 bilhão. Nesse cenário, só mesmo uma oferta recheada de zeros será capaz de convencer o Pátria a se desfazer separadamente de um dos ativos da sua empresa de logística justo no momento em que ela foi colocada na vitrine.

Os norte-americanos têm todas as razões para apresentar essa proposta arrasa- quarteirão.

O Tegram é uma peça fundamental na estratégia do grupo de montar uma grande estrutura logística própria no Brasil.

O terminal permitirá à CHS escoar sua produção de soja nas regiões Centro-Oeste e Norte. Até 2019, quando todas as instalações estiverem concluídas, o Tegram terá capacidade para movimentar cerca de dez milhões de toneladas por ano. (Jornal Relatório Reservado 14/11/2014)

 

Comissão aprova a redução de imposto sobre álcool em MG

A mesma proposta define, em compensação, o aumento da alíquota de ICMS da gasolina de 27% para 29%.

O projeto de lei do governo do Estado que propõe a diminuição da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) do etanol de 19% para 14% teve parecer favorável nesta quarta na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). A mesma proposta define, em compensação, o aumento da alíquota de ICMS da gasolina de 27% para 29%.

Esses percentuais não incidem sobre o preço final nos postos, que é livre, mas sobre um valor de referência adotado por cada Estado para tributar. Em Minas, os preços de referência são R$ 3,0740 para a gasolina e R$ 2,2920 para o etanol.

Antes de ir a votação no plenário, o projeto ainda passará pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária. O objetivo é restituir a competitividade do etanol no mercado de combustíveis, incentivando, com isso, toda a cadeia produtiva do álcool, explica o relator da proposta, deputado estadual Sebastião Costa (PPS).

Para Carlos Guimarães Júnior, presidente do Minaspetro (o sindicato dos postos), poderá haver migração de clientes da gasolina para o álcool, embora os postos sejam livres para repassar ou não as variações dos impostos.

Energia solar deverá ganhar crédito tributário

O projeto de lei 5.494/14, que muda a tributação de etanol e gasolina no Estado, prevê que se conceda crédito de ICMS anual de até R$ 50 milhões para a aquisição de, no mínimo, 321.930 megawatts/hora de energia solar por ano. A única condição é que essa energia seja produzida em Minas Gerais, por estabelecimentos mineiros com atividade de geração, transmissão ou comercialização.

Para o professor especializado em gestão pública do departamento de administração da UFMG, Ivan Beck, a estratégia de incentivar a produção da cadeia do álcool e a energia solar está correta. "É preciso incentivar as fontes de energia mais limpas e renováveis, e nunca focar somente em uma iniciativa. Seja qual for a estratégia, é preciso que se dê a ela continuidade". (O tempo 13/11/2014 às 18h: 20m)

 

Abastecer com etanol está mais vantajoso em várias cidades de SP

SÃO PAULO - O etanol hidratado, combustível utilizado diretamente no tanque dos veículos, está economicamente interessante para os consumidores de diversos municípios do Estado de São Paulo, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) compilados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), no período de 2 a 8 de novembro.

O preço do litro do etanol nos postos do Estado variava de R$ 1,47 a R$ 2,60 no período. Já o litro da gasolina era encontrado de R$ 2,45 a R$ 3,60. 

Segundo a maior parte dos especialistas, é vantajoso ao consumidor utilizar o etanol se a divisão do preço do hidratado pelo preço da gasolina ficar em até 70%. Há estudos, no entanto, que indicam que este ponto de equilíbrio é mais próximo de 80%. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a paridade está em 64,6%. (Valor Econômico 13/11/2014 às 18h: 56m)

 

João Guilherme Sabino Ometto: Mudanças climáticas exigem ação urgente

Para reduzir o aquecimento global, cada país teria de fazer investimentos equivalentes a 0,06% de seu PIB. É pouquíssimo, em especial se considerarmos a gravidade das mudanças climáticas e suas consequências. Todo o mundo será afetado, em especial as nações mais pobres, e poderá haver graves riscos à segurança alimentar, além do surgimento de novos bolsões de miséria.

Os alertas feitos na recente apresentação do relatório-síntese do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), na Dinamarca, tornam decisivas as próximas negociações, que precisam ir além de acordos bilaterais, como o recém-firmado por China e EUA, que é importante, mas insuficiente.

O entendimento e a adoção de providências são impreteríveis, pois o fenômeno, se não for controlado logo, aumentará a probabilidade de impactos severos, invasivos e sem volta para os ecossistemas.

Foi instigante a ponderação feita pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, na apresentação do documento do IPCC, de que se não forem tomadas as providências necessárias, a oportunidade de manter o aumento da temperatura global abaixo da meta de 2º C não será mais possível em menos de dez anos.

O novo relatório, considerado o mais abrangente sobre o tema, mostra que, mesmo cessando as emissões de carbono de imediato, ainda levaria um bom tempo para normalizar a situação do clima.

Em contrapartida, é alentadora a conclusão dos especialistas de que há boas condições para se concretizar um planeta mais sustentável, com ações rápidas e uso de tecnologias e ferramentas já disponíveis.

Todos concordam que as energias renováveis, cada vez mais competitivas economicamente, são soluções indispensáveis. Isso reafirma a importância do Brasil na luta contra as mudanças climáticas, o que deve colocar o etanol, o biodiesel, os biocombustíveis em geral e a hidroeletricidade dentre as pautas prioritárias do país nos próximos anos.

Independentemente do pré-sal, é preciso olhar com muita atenção para as demais fontes energéticas presentes em nossa generosa natureza.

Por outro lado, é prudente salientar uma ressalva feita pelo secretário-geral da ONU, que não teve a devida atenção: as nações mais pobres e vulneráveis, as maiores vítimas do aquecimento global, são as que menos contribuíram para potencializar o problema.

Por isso, é justa a proposta que vem sendo defendida pelo Brasil, de que o acordo a ser firmado na 21ª Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas (COP 21), em Paris, em novembro de 2015, considere as ações já realizadas e estabeleça metodologia para quantificar e qualificar as responsabilidades anteriores pelas emissões de carbono.

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que concorda com essa posição e espera que ela seja acolhida, participa oficialmente das COPs desde 2009.

Defende ainda que as decisões ligadas à agropecuária garantam a segurança alimentar e os sistemas produtivos, mas sem medidas disfarçadas que permitam a adoção de barreiras ao comércio. Além de engajada à agenda internacional, a entidade realiza ações para contribuir com a sustentabilidade ambiental, social e econômica da indústria.

O relatório-síntese do IPCC é taxativo: a inércia custará muito caro à humanidade. As soluções existem e permitem a continuação do desenvolvimento econômico. É essencial, porém, a vontade de mudar. (Folha de São Paulo 14/11/2014)

 

A árdua caminhada do etanol

A economista Elizabeth Farina, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (UNICA), tem viajado de São Paulo a Brasília pelo menos uma vez por semana, desde o início do ano. Mas pode ser até duas vezes, como tem ocorrido nos últimos meses. Na capital, a agenda de Elizabeth se desdobra em reuniões com técnicos, ministros e seus assessores, e quem mais ela encontrar pelo caminho. A presidente da UNICA busca por quem possa contribuir com a sua missão de fazer chegar ao governo federal as demandas de um setor que tem padecido dos efeitos de uma crise que parece não ter fim, provocada por três fatores perversos: clima adverso, rápida mecanização das lavouras de cana-de-açúcar e, principalmente, falta de políticas coerentes e adequadas. Além, é claro, de erros de gestão nas usinas e do "efeito manada", que provocou uma onda de investimentos, nem sempre amparados em planos de negócios consistentes, na segunda metade da década passada.

"O setor sucroenergético necessita de soluções urgentes, sob pena de perder o rumo definitivamente", diz Elizabeth.

Para a presidente da UNICA, a saída para a crise está fundamentada em quatro propostas. A primeira é a formação de um sistema de preços previsível e de longo prazo para o combustível. A segunda, o retorno da cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina, imposto que chegou a representar R$ 0,28 por litro em 2012. Sem ele, o etanol perde competitividade diante do combustível fóssil. As outras duas propostas são a valorização da bioeletricidade a partir da queima da palha da cana-de-açúcar e o estímulo à indústria automobilística no desenvolvimento de motores que explorarem toda a eficiência energética do etanol.

Com a reeleição da presidenta Dilma Rousseff (PT) no mês passado, há indícios de que finalmente poderá haver algum diálogo mais maduro e produtivo entre o setor sucroenergético e o governo federal. Pelo menos foi o que a presidenta acenou logo após os resultados das urnas. Há uma sinalização de mudança nos preços dos combustíveis e a Cide sobre a gasolina pode ser ressuscitada. Para o economista Plínio Nastari, presidente da consultoria Datagro, essas políticas não podem demorar muito para serem implantadas. O rombo provocado pelo endividamento das empresas do setor é de R$ 70 bilhões. Atualmente, 66 usinas estão em recuperação judicial, das 390 em operação. No mês passado, a Datagro reuniu na capital paulista 650 participantes de 32 países e 40 palestrantes para a 14ª Conferência Internacional sobre Açúcar e Etanol, que contou com o apoio da DINHEIRO RURAL. Nos dois dias de debates, o endividamento do setor sucroenergético foi um dos temas centrais.

"Em muitas empresas não há mais recursos nem mesmo para pagar os serviços da dívida", disse Nastari. "Este fato está gerando uma desestruturação de tal ordem, sob pena de o segmento diminuir de tamanho e o Brasil ter de importar mais gasolina". Nos últimos três anos, somente com o combustível, o País gastou US$ 6,8 bilhões em importações.

Mas apenas as políticas do governo não explicam a dificuldades do setor. "Nos últimos cinco anos, as adversidades climáticas enfrentadas pelos produtores de cana na região Centro-Sul do País, responsável por 80% das lavouras do País, foram decisivas para o acirramento da crise", diz Ana Paula Malvestio, especialista em direito tributário na consultoria Pricewaterhouse Coopers, de Ribeirão Preto (SP).

"Ora por excesso de chuva, ora por seca, as lavouras têm sofrido muito, numa escala sem precedentes de comparação."

Nesta safra, por causa da seca, a previsão é de uma quebra de cerca de 9%.

A moagem de cana deve cair de 597 milhões de toneladas em 2013/2014 para 546 milhões de toneladas na temporada 2014/2015. Colabora, ainda, para esse quadro a obrigatoriedade da mecanização da colheita da cana, medida que nos últimos anos reduziu a produtividade das lavouras em até 15%.

Para Elizabeth, apesar do atual quadro de penúria de uma parte significativa de usinas, o setor sucroenergético é um modelo vencedor de negócio. E assim deve ser encarado. De acordo com dados da UNICA, entre 2004 e 2010, enquanto parte das usinas fechava por desacertos provocados pelo mercado, ou por má gestão, outras 100 usinas entravam em operação. Nesse período, as empresas investiram US$ 30 bilhões para ampliar a produção, dos quais US$ 5 bilhões foram gastos na mecanização da colheita da cana e US$ 1,5 bilhão desembolsado em infraestrutura. Até 2017, os investimentos previstos em dutos e hidrovias para melhorar a logística da cana somam US$ 3,5 bilhões.

"É preciso não se esquecer de que o setor sucroenergético gera riqueza", diz Elizabeth. "Perde o País se ele não voltar a crescer." Na safra 2013/2014, o Produto Interno Bruto (PIB) dessa cadeia produtiva foi de US$ 43 bilhões, o equivalente a cerca de 2% do PIB nacional de 2013.

"Hoje, além de produzir açúcar e etanol anidro e hidratado, a biomassa para a produção de bioeletricidade entrou definitivamente como um subproduto da cana", diz a presidente da UNICA. "As usinas têm conseguido operar com autonomia de energia elétrica e ainda 40% delas vendem excedentes às redes de distribuição."

A crença de que mudanças são possíveis é reforçada por Paulo Roberto de Souza, presidente da Copersucar, cooperativa de usinas que reúne 43 unidades em São Paulo, Paraná, Minas Gerais e Goiás. No ano passado, a Copersucar faturou R$ 23,2 bilhões, 58% a mais que em 2012.

"Apesar da crise e das dificuldades de operação, continuamos otimistas com o etanol", diz Souza. Ele acredita que, embora o cenário não seja favorável a novos investimentos, os preços tendem a melhorar para o setor, aliviando o aperto financeiro.

"Os sinais de uma demanda maior pelo biocombustível devem aparecer dentro de seis meses." Uma das medidas seria a entrada em vigor do aumento do etanol anidro na gasolina, dos atuais 25% para 27%. Em setembro, o governo federal encomendou um estudo ao Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) sobre a viabilidade da medida. Durante o evento da Datagro, o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP), um dos líderes do Movimento Pró-Etanol, disse que os resultados do teste já estão com o governo e que as informações de bastidores dão o teste como positivo.

"Mas o aumento da mistura deve ficar para a safra do ano que vem", disse Jardim. (Dinheiro Rural 13/11/2014)

 

Indústria paulista fecha 12,5 mil vagas em outubro, diz Fiesp

SÃO PAULO - O nível de emprego na indústria paulista registrou em outubro queda de 0,49% em relação a setembro, na série sem ajuste, com o fechamento de 12,5 mil postos de trabalho. Com ajuste sazonal, de acordo com o levantamento da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), a redução foi de 0,37%. 

No acumulado do ano, a ocupação diminuiu em 1,94% sobre o mesmo período de 2013, com perda de 51 mil postos de trabalho. O resultado, nessa comparação, é mais negativo do que o registrado em 2009, quando o emprego diminuira 1,07% até outubro.

As demissões foram puxadas pelo setor de açúcar e álcool, que somou 4.054 cortes no mês passado. O ramo de máquinas e equipamentos vem na sequência, com 1.680 demissões. A atividade de confecção de artigos do vestuário e acessórios foi a que mais contratou no período, com adição de 414 vagas ao estoque. 

Entre os 22 setores, 14 tiveram desempenho negativo, dois permaneceram estáveis e seis apuraram números positivos.

Das 36 diretorias regionais, em 29 a indústria demitiu mais do que contratou, 2 mantiveram-se estáveis e 5 tiveram saldo positivo de contratações. 

Para o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e do Ciesp, Paulo Francini, o emprego na indústria deve encerrar 2014 com um saldo negativo de mais de 100 mil vagas — balanço ligeiramente pior do que o de 2009, quando o setor fechou 98 mil postos. (Valor Econômico 13/11/2014 às 15h: 27m)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Gangorra com o dólar: O mercado do açúcar foi novamente afetado pela elevação do dólar frente o real no Brasil, maior exportador global da commodity. No dia em que a moeda americana fechou no maior valor em quase nove anos, os papéis do açúcar demerara para maio fecharam com recuo de 32 pontos, a 16,3 centavos de dólar a libra-peso. A valorização do dólar estimula as usinas brasileiras a ofertar sua produção no mercado. A alta do produto no dia anterior também estimulou o movimento de vendas. Além disso, apesar de recentes cortes em estimativas de produção e estoque, analistas consideram que a oferta atual ainda é elevada, já que conta com volumes armazenados de recentes super safras. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o cristal caiu 0,28%, a R$ 50,72 a saca de 50 kg.

Café: Clima incerto: A perspectiva de menos chuvas no cinturão de café no Brasil na próxima semana e compras dos fundos deram impulso aos preços do café ontem na bolsa de Nova York. Os lotes do arábica para março fecharam em alta de 440 pontos, a US$ 1,9315 a libra-peso. As previsões meteorológicas indicam que a frente fria que se aproxima do cinturão produtor não deve permanecer por muitos dias. As últimas chuvas no Sudeste provocaram a abertura de floradas na maior parte das áreas produtoras, mas agora os cafezais precisam de chuvas constantes para o bom desenvolvimento dos grãos. Ainda assim, a safra 2015/16 será menor por causa da bienalidade negativa, indicou o Cepea. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica subiu 2,4%, para R$ 464,89 a saca.

Soja: Logística nos EUA: Problemas logísticos nos Estados Unidos deram combustível aos preços da soja ontem na bolsa de Chicago. Os lotes para janeiro fecharam em US$ 10,535 o bushel, com alta de 5,75 centavos. Embora os produtores do país estejam no fim da colheita da maior safra de soja de sua história, a produção ainda não está plenamente acessível aos compradores por causa do congestionamento nas ferrovias americanas. Segundo analistas, a malha ferroviária está abarrotada de cargas de grãos, petróleo e derivados e registra o maior congestionamento em uma década. Os fundos têm aproveitado esse cenário para realizar compras especulativas de papéis da oleaginosa. No mercado interno, o preço médio no Paraná caiu 0,46%, para R$ 60,61, de acordo com o Deral/Seab.

Pecos ao produtor em São Paulo: O IqPR, índice de preços recebidos pelos produtores agropecuários de São Paulo calculado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculado à Secretaria da Agricultura do Estado, encerrou o mês passado com variação positiva de 1,94%. O indicador fechou o período de 12 meses encerrado em outubro com alta de 11,16%. Segundo informações divulgadas pelo IEA, a variação mensal foi puxada pelas valorizações do tomate para mesa (32,85%), da banana nanica (23,22%), do feijão (17,11%), da batata (10,74%), do café (9,03%), da carne suína (8,13%) e da laranja para mesa (7,66%). A escassez de chuvas no Estado continuou a prejudicar as ofertas de tomate, banana, café e laranja e teve influência direta sobre o comportamento dos preços recebidos por seus respectivos produtores. (Valor Econômico 14/11/2014)