Setor sucroenergético

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Aos 39 anos, programa do etanol ainda continua sem regras claras

Em 14 de novembro de 1975, há exatos 39 anos, o presidente Ernesto Geisel criava o Pro-Álcool pelo decreto 76.593. Sete governantes assumiram o país depois dessa data e o programa ainda não tem regras claras e uma política de longo prazo.

Apesar dessa caminhada sem definições, os números do programa são representativos. A utilização do etanol para fins combustíveis permitiu uma substituição de 2,3 bilhões de barris de gasolina, o correspondente a 370 bilhões de litros.

Nesse mesmo período, o volume de gasolina substituída por etanol representou uma diminuição de US$ 299,6 bilhões nas importações brasileiras.

Os dados são de Plinio Nastari, da Datagro, empresa especializada nesse setor.

Para mostrar a importância dos números, Nastari diz que as reservas nacionais comprovadas de petróleo são de 14,7 bilhões de litros, enquanto as reservas externas do Banco Central estão em US$ 377 bilhões.

O Pro-Álcool, apesar do sobe e desce nesses 39 anos, correspondeu às expectativas do porquê foi criado. Um dos motivos foi a substituição de gasolina por etanol. E os números mostram essa intensa substituição.

Além disso, estava embutida no programa original a criação de polos regionais. A cana viria a substituir a pecuária extensiva, gerando mais emprego e mais renda no interior. "E esses polos foram criados, sendo um bom efeito multiplicador e incentivando comércio e indústrias locais", diz Nastari.

A criação do programa de substituição de álcool por gasolina ganhou corpo com o choque do petróleo, quando, em curto prazo, o preço do barril saiu de US$ 2 para US$ 12. As importações de petróleo representavam uma sangria nas contas do país.

As semelhanças do início do Pro-Álcool com o momento atual são grandes. O programa surgiu, também, pela preocupação do setor privado em buscar uma alternativa à falta de nafta petroquímica, um problema que se repte hoje devido ao desvio do petróleo para a produção de gasolina, aponta Nastari.

Além disso, com as dificuldades econômicas do país na década de 1980, o governo mantinha um controle nos preços das tarifas públicas, entre elas a gasolina, para controlar inflação.

O auge da crise no setor foi em 1989, quando algumas regiões tiveram problemas de abastecimento e o governo passou a fazer um controle da distribuição do álcool.

Esse controle se estendia aos preços da cana, do álcool e das cotas de exportação de açúcar no período. A oferta do etanol diminuiu, o que levou à interrupção de combustível em algumas regiões, gerando uma desconfiança do consumidor.

A extinção do IAA (Instituto de Açúcar e Álcool) na década de 1990 eliminou a intervenção do governo so-bre os preços, inclusive do etanol.

Após um período de aprendizado com o mercado livre, o setor sucroenergético e as indústrias automobilísticas desenvolveram o carro flex.

Com a opção da utilização de gasolina e de etanol -e os preços competitivos desse último-, as vendas de carros flex aumentaram, impulsionando a produção.

Passados 39 anos do programa, a política atual tem uma forma distorciva, que incentiva a utilização da gasolina e inibe uma recuperação do etanol, segundo Nastari.

"É uma perda de oportunidade para o país, que poderia estar à frente das negociações globais sobre o ambiente em um momento em que aumentam as discussões sobre o tema". (Folha de São Paulo 15/11/2014)

 

Proácool completa 39 anos com setor de etanol na pior crise da história

Há exatos 39 anos, no dia 14 de novembro de 1975, através do decreto n° 76.593 é criado no Brasil o Proálcool, o maior e mais bem sucedido programa mundial de substituição em larga escala dos combustíveis veiculares derivados de petróleo pelo álcool produzido a partir da cana-de-açúcar, o etanol.

Em 1973, o mundo passou pela primeira crise do petróleo, o preço do barril subiu absurdamente, gerando enormes prejuízos na economia de todo o mundo. O Brasil também sofreu as consequências desta crise, que impediu a continuidade do seu desenvolvimento econômico depois de cinco anos muito promissores. Entre 1968 e 1973, o país viveu um momento muito positivo na economia, o chamado Milagre Econômico, que colocou o Brasil entre as economias mais desenvolvidas do planeta.

Receoso com o momento, o governo brasileiro resolveu lançar o Programa Nacional do Álcool, o Proálcool. Criado pelos engenheiros Lamartine Navarro Júnior e Cícero Junqueira Franco e pelo empresário Maurílio Biagi, o programa contava com os projetos do físico José Walter Bautista Vidal e do engenheiro Urbano Ernesto Stumpf que desenvolveram o motor a álcool. O objetivo era substituir gradativamente a frota de carros movida por combustíveis fósseis por motores que funcionavam com um combustível renovável.

Uma tecnologia brasileira e pioneira que tornou o país menos dependente da gasolina importada e reduziu em dez milhões o número de carros movidos a gasolina que circulavam pelas ruas e estradas do Brasil.

No final dos anos 70, a produção alcooleira atingiu um pico de 12,3 bilhões de litros e o Proálcool foi fundamental para que a nova crise mundial do petróleo tivesse um impacto menor no Brasil.

Já na metade da década de 80, época em que o preço do petróleo baixava e o do açúcar subia, o Programa começou a ruir, pois o álcool combustível passou a ser menos vantajoso economicamente para o consumidor e para o produtor. Por conta disso, o combustível renovável começou a faltar regularmente nos postos e até as montadoras de automóveis, passaram a desacreditar no projeto.

O ressurgimento do álcool combustível, o etanol, aconteceu com o desenvolvimento da tecnologia flex, ou seja, carros aptos a rodar tanto com etanol quanto com gasolina, e com a mistura em qualquer proporção dos dois combustíveis.

Em 2003 foi lançado o primeiro veículo bicombustível no Brasil. Hoje, a frota do país ultrapassa 34 milhões de veículos, dos quais mais de 22 milhões são flex. Graças a utilização do etanol hidratado (utilizado diretamente no tanque dos veículos) e do etanol anidro (adicionado a gasolina), mais de 230 milhões de toneladas de gases causadores do efeito estufa foram evitadas.

O diretor Técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Antonio de Padua Rodrigues, ressalta os números do consumo de etanol em substituição a gasolina no Brasil.
“Desde o início do Proálcool até hoje, o etanol substitui cerca de 2,3 bilhões de barris de gasolina, o equivalente a mais de 470 bilhões de litros de etanol” afirma Padua.

Entre 2004 e 2010, as companhias do setor sucroenergético fizeram grandes investimentos, mais de 100 novas plantas industriais foram construídas e o número de unidades produtoras em operação superou 400 empresas. Apesar de tudo isso, o setor vive atualmente a pior crise de sua história. A perda de competitividade do etanol promoveu uma reversão no ciclo virtuoso de investimento e crescimento da indústria. Entre 2008 e 2013, mais de 70 usinas já fecharam as portas somente na região Centro-Sul e outras 12 unidades devem encerrar suas atividades em 2014.

A reversão do cenário atual somente será alcançada a partir de uma política de longo prazo consistente, com a valorização de uma matriz energética diversificada e que reconheça as contribuições ambientais do etanol e da bioeletricidade. A palavra-chave é previsibilidade. (UNICA 14/11/2014 às 16h: 11m)

 

Crise das usinas: “Nunca vi igual”, diz secretário de Sertãozinho

A geração de emprego é a pior em dez anos na região de Ribeirão Preto. Na região de Ribeirão Preto, a pior situação é verificada na cidade de Sertãozinho, que só no mês passado perdeu 503 empregos.

Em todo o ano, o município registrou o fechamento de 1.658 postos de trabalho.

Carlos Roberto Liboni, secretário de Indústria, Comércio, Abastecimento, Agricultura e Relações de Trabalho de Sertãozinho, disse que a cidade vive a pior crise de sua história. "Nunca vi igual."

Ele disse que as demissões são decorrentes da crise que o setor sucroalcooleiro atravessa atualmente. Com os baixos preços do etanol e do açúcar, usinas estão operando no vermelho, entrando em recuperação judicial ou sendo desativadas.

A indústria de Sertãozinho é conhecida nacionalmente por produzir máquinas e equipamentos para o setor.

"É um efeito dominó. A indústria demite, os trabalhadores têm menos dinheiro para gastar no comércio, que também é obrigado a fazer demissões", afirmou Liboni. (Folha de São Paulo 15/11/14)

 

Shree Renuka tem prejuízo de US$ 21 milhões no 3º tri de 2014

SÃO PAULO - A indiana Shree Renuka Sugars, que controla quatro usinas sucroalcooleiras no Centro-Sul do Brasil, informou que teve no terceiro trimestre de 2014, encerrado em 30 de setembro, um prejuízo líquido de US$ 1,29 bilhão de rúpias indianas (US$ 21,2 milhões) No mesmo período do ano passado, a companhia, que tem capital aberto na bolsa de Mumbai, havia registrado um prejuízo líquido de 1,203 bilhão de rúpias (US$ 19,3 milhões).

Conforme a empresa, o resultado foi impactado por elevados custos com pagamento de juros, baixas margens de refino e custos de entressafra no negócio de processamento de cana.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) da companhia indiana foi de 267,7 milhões de rúpias (US$ 3,876 milhões) no trimestre, ante as 107 milhões de rúpias (US$ 1,723 milhões) de igual trimestre do ano passado.

Conforme explicou a companhia a investidores, operacionalmente, a empresa foi afetada por baixos preços e margens no setor de açúcar. A apreciação do dólar no período, de 2,6% em relação à moeda indiana, foi ainda responsável por uma perda cambial de 464 milhões de rúpias (US$ 7,6 milhões). Em igual trimestre do ano passado, essa perda havia sido de 759 milhões de rúpias.

A receita líquida da Shree Renuka em rúpias caiu 5,5% no trimestre, a 16,3 bilhões de rúpias (US$ 267,7 milhões).

Desde 31 de março deste ano até 30 de setembro, a dívida bancária da companhia havia crescido 2,4%, para 34,5 milhões de rúpias indianas (US$ 567,7 milhões).

Na mesma comparação, o endividamento de curto prazo cresceu 5,6%, a 23,126 milhões de rúpias (US$ 379,8 milhões) e a de longo prazo caiu 3,6%, a 11,442 milhões de rúpias (US$ 187,9 milhões)

No trimestre encerrado em 30 de setembro, a companhia teve uma despesa financeira de 877 milhões de rúpias indianas (US$ 14,4 milhões). Um ano atrás, a companhia havia registrado um custo financeiro de 678 milhões de rúpias (US$ 10,9 milhões).

No Brasil, as quatro usinas do grupo processaram no trimestre encerrado em 30 de setembro 3,6 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, queda de 20% comparado com às 4,5 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ciclo passado.

Já o teor de açúcar contido na cana (o chamado ATR) subiu 5% na comparação com igual intervalo da temporada anterior.

No acumulado da safra até o dia 12 de novembro, a companhia havia processado 8,2 milhões de toneladas de cana nas unidades brasileiras — duas localizadas em São Paulo (Renuka do Brasil) e duas no Paraná (Renuka Vale do Ivaí), 12% abaixo das 9,3 milhões de toneladas de igual intervalo de 2013.

As conversões de moeda de rúpia para dólar, feitas pelo Valor Data, consideram o câmbio médio em cada período, conforme cotação informada pelo Banco Central do Brasil. (Valor Econômico 14/11/2014 às 16h: 31m)

 

Aporte em energia destina 22% para fonte renovável

Menos de um quarto dos investimentos em energia previstos para o país até 2023 serão destinados para fontes renováveis, de acordo com um estudo da FBDS (Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável).

O Brasil deverá investir cerca de R$ 1,26 trilhão no período, dos quais 78% em fontes não renováveis, como o petróleo. O restante (22%) irá para energias consideradas verdes, segundo o levantamento.

"As energias renováveis ainda são fartamente penalizadas por uma política de impostos que não é conveniente ao incentivo a essas fontes", afirma Israel Klabin, presidente da entidade.

Até 2023, a maior parte dos recursos envolverá a exploração e a produção de petróleo e gás natural, que representam mais de 60% dos aportes previstos. A fabricação de biocombustíveis, como o etanol, ficará com cerca de 6%.

O estudo, que será apresentado na próxima semana e entregue ao Ministério do Meio Ambiente, também propõe metas para a descarbonização da matriz energética.

Entre elas, está o aumento da participação de biocombustíveis nos transportes.

"A ideia é que esses indicadores possam servir para um projeto de Estado, não apenas de governo", afirma o executivo, que também integra o conselho de administração da Klabin.

Hoje, a parcela de fontes renováveis na matriz nacional é de aproximadamente 42%, acima da média mundial (13%), segundo a EPE (Empresa de Pesquisa Energética), do Ministério de Minas e Energia.

Usinas eólicas, solares, pequenas hidrelétricas e termelétricas a biomassa deverão ter uma expansão média de 10,7% ao ano até 2023, ainda de acordo com o órgão. (Folha de São Paulo 14/11/2014)

 

SLC poderá faturar 35% mais em 2014

A SLC Agrícola, uma das principais produtoras de grãos e fibras do país, poderá fechar 2014 com faturamento de cerca de R$ 1,3 bilhão a R$ 1,4 bilhão, "se a companhia entregar todos os contratos possíveis dentro do ano", conforme Ivo Marcon Brum, diretor financeiro e de relações com investidores da empresa. Caso se realize, o resultado será até 35% superior à receita líquida de R$ 1,035 bilhão em 2013 (excluindo efeito do ativo biológico). Nos primeiros nove meses deste ano, o montante acumulado atingiu R$ 920 milhões.

Em reunião com analistas e investidores na capital paulista na sexta-feira passada, Brum afirmou que vê potencial para que o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado some de R$ 330 milhões a R$ 340 milhões este ano. Em 2013, esse número ficou em R$ 234 milhões. "Para a margem Ebitda, mesmo em um ano ruim [em função da queda nos preços das commodities], não vemos porque ficar abaixo de 20%", disse.

A SLC encerrou o terceiro trimestre de 2014 com lucro líquido atribuído aos sócios da empresa controladora de R$ 2,02 milhões, 86,5% aquém do mesmo período de 2013. Para Brum, o resultado líquido da companhia tem ficado muito variável em função do cálculo do ativo biológico - que é feito antes da colheita e a preços de mercado.

Segundo o executivo, essa obrigatoriedade contábil dificulta a análise dos números da empresa por parte do mercado. "Os preços [das commodities] estão muitos baixos, mas já fizemos vendas a valores superiores. Quando entregarmos os produtos, vamos reconhecer o restante [do valor]", afirmou Brum. Para ele, o ativo biológico é "cabível" para culturas perenes, como café e cana, mas não para as anuais como soja, milho e algodão.

A SLC já travou 70,2% do preço da soja que colherá no início de 2015, a US$ 11,83 por bushel - acima do intervalo de US$ 10,20 a US$ 10,40 que a oleaginosa foi negociada na bolsa de Chicago, na sexta-feira. No algodão, 43,4% da colheita prevista já tem o preço fixado a 77,1 centavos de dólar por libra-peso, também acima do cerca de 60 centavos da bolsa de Nova York.

Além desse hedge, a companhia está em posição mais "confortável" por ter conseguido negociar os fertilizantes no nível mais baixo de preços no mercado internacional, disse o CEO Aurélio Pavinato. "Não tivemos elevação muito expressiva de custos em real, apesar da depreciação do câmbio", afirmou.

O custo por hectare da soja nesta safra 2014/15 (em fase de plantio) ficou em R$ 2.025, 2% acima de 2013/14. Para o milho, as variações foram menos expressivas: na primeira safra, os custos ficaram 0,5% maiores (R$ 2.712 por hectare), e na segunda (safrinha) 0,9% (R$ 1.487). No caso do algodão de primeira safra, a alta foi de 2,2%, para R$ 5.865 por hectare, enquanto para a segunda safra da fibra houve queda de 1,8%, para R$ 4.292 por hectare.

Com o algodão, a SLC vem colhido frutos também na ponta da comercialização. Há 4 anos, a empresa iniciou de forma pioneira a venda direta a fiações na Ásia, o que ajudou a elevar de 7% a 8% o faturamento com a fibra, conforme Pavinato. "Como o algodão representa em torno de 50% do faturamento da empresa, acaba aumentando em torno de 3% a 4% o faturamento total", disse. (Valor Econômico 17/11/2014)

 

Áreas de soja e milho estão perto de empatar nos EUA

O cultivo de soja nos Estados Unidos na safra 2015/16, que se iniciará em 1º de outubro do próximo ano, deverá ocupar, pela primeira vez no país, a mesma extensão plantada com milho, de acordo com novas projeções da consultoria Informa Economics.

Nos novos cálculos da empresa, no próximo ciclo os produtores americanos semearão 35,7 milhões de hectares com a oleaginosa e a mesma extensão com o cereal. No caso da soja, a projeção representa um crescimento de 1,65 milhão de hectares em relação à temporada atual; no do milho, uma queda de 1,05 milhão de hectares.

Em outubro, a Informa Economics já previa um avanço do plantio de soja sobre as áreas semeadas com milho nos Estados Unidos, mas neste mês a consultoria realizou ajustes em face das recentes variações de preços. A projeção para a extensão com a oleaginosa ficou 76 mil hectares menor, e para a área com milho, 226 mil hectares maior.

"A soja continua a ter implicada uma receita líquida maior por acre [equivalente a 404 mil hectares] em comparação com o milho", explicou a consultoria. A Informa Economics estima que a receita líquida dos produtores americanos com a soja esteja aproximadamente US$ 20 por acre mais elevada que a receita obtida com milho. (Valor Econômico 17/11/2014)

 

Safra com períodos irregulares antecipa dificuldades para setor em 2015

Falta de investimento em canaviais resultará em safra deficiente em momento crítico.

De acordo com a Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar), as usinas de açúcar e etanol do país devem encerrar a safra 2014/2015 devendo 110% de seu faturamento, com receita estimada em cerca de 70 bilhões de reais.

“O término da safra está cerca de trinta dias adiantado. A finalização da safra, que ano passado ocorreu no fim de novembro e início de dezembro, este ano ocorrerá no fim de outubro e início de novembro. Com algumas unidades tendo finalizado um pouco antes” explicou Marcos Mine, gestor de risco da Usina Alta Mogiana.

Um levantamento da Unica mostra que a colheita no Centro-Sul deve ficar entre 545 milhões e 550 milhões de toneladas, o que significa uma colheita com 40 milhões de toneladas a menos que o previsto inicialmente, parte por causa da seca, sobretudo em São Paulo e Minas Gerais, e também por otimismo nas projeções. O Nordeste deve colher entre 55 milhões e 60 milhões de toneladas.

“Esse problema de falta de cana já está acontecendo há bastante tempo. Não tem havido manutenção de canaviais por falta de investimento, ou seja, o canavial está velho e fraco. A tendência é que a próxima safra seja ainda pior e tenha ainda menos cana-de-açúcar, com a safra começando mais cedo e terminando mais cedo”, explicou, Pires, da MBF.

Para Marcos A. Françóia, também diretor da MBF Agribusiness, o otimismo das previsões advém dos anúncios de linhas de crédito subsidiadas para a lavoura canavieira. Para Françóia “há uma diferença enorme entre o valor disponibilizado e o valor de fato utilizado, pois a burocracia e exigências cadastrais para se ter acesso ao recurso tem filtrado e diminuído o número de tomadores. Quem frequenta o campo e convive com a gestão do setor sabe que as previsões precisam de cautela.”

Sabe-se que no Centro-Sul, a seca deste ano deve reduzir em 9% o volume de cana processada, de 597 milhões de toneladas em 2013/14 para 546 milhões de toneladas, com uma perspectiva ainda menos positiva para o ano que vem.

“No momento, o canavial está numa situação tão ruim que a maior parte da cana produzida no centro-sul rende apenas 70/75 toneladas por hectare, o que é muito abaixo do esperado, sendo que deveria produzir 130/140 toneladas, no primeiro corte de uma cana de dezoito meses e 100 toneladas por hectare para a de doze meses”, explicou Jair Pires.

“Na safra passada tivemos períodos de chuva em maio e em junho, que acabou retardando o término da safra e tivemos mais cana para moer no fim. Este ano, com um clima totalmente atípico, as usinas estão moendo a todo vapor desde o início da safra. Estamos num ritmo de safra maior com menos cana”, acrescentou Mine da Alta Mogiana.

Entressafra estendida

Para Jair Pires, a consequente entressafra que se estenderá por um período mais longo (até abril de 2015), agravada pela baixa produção deste ano, pelos preços baixos, ainda associada ao custo de manutenção da indústria, da frota e dos canaviais, a mercê de possíveis créditos entre fornecedores e usinas, faz com que o período de entressafra para o setor sucroenergético seja especialmente traumático.

O ideal é que no final da safra já aconteça a reforma da usina, reforma das máquinas e equipamentos agrícolas, com boa parte da manutenção sendo feita internamente, enquanto o período ideal para o plantio de cana vai de fevereiro a abril, exigindo alto volume de capital.

“O momento atual vai exigir uma união entre Usinas, fornecedores e prestadores de serviço de manutenção, juntando seus limites de crédito para financiar a entressafra”, comenta Jair Pires.

Dados da Fequimfar (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas) paulista apontam que o encerramento precoce da safra de cana-de-açúcar 2014/15 afetará 35 mil trabalhadores só em São Paulo.

A crise

O setor sucroalcooleiro tem enfrentado desde 2008 uma das maiores crises da história. Endividamento, perda da competitividade diante da gasolina associado a problemas climáticos mostram que esta situação pode estar longe do fim. “Como disse não podemos culpar somente o governo. Só que por não termos controle sobre o clima, a legislação deveria nos favorecer. Ao invés disso, para segurar a inflação o governo controla o preço da gasolina, consequentemente prejudica o etanol. No final, o cidadão não está preocupado com a questão ambiental e não vai usar o etanol que é mais caro. Então ele compra a gasolina que é economicamente mais interessante, consequentemente ele acaba com o setor”, explica Jair Pires da MBF Agribusiness.

Marcos Françóia, da MBF, acredita que apesar das dificuldades estarem longe do fim, com os ativos depreciados e o endividamento alto, o setor já está atraindo para si, os olhares dos investidores.

“Novas caras no setor poderão trazer mais credibilidade aos credores, dando fôlego para pagamento das dívidas e colocando capital para melhorar a lavoura”, afirma (Atualize MBF 14/11/14)

 

Fim de linha: Merval Pereira

O escândalo maiúsculo da Petrobras vai bater diretamente na política, por que essas empreiteiras incriminadas e esses executivos ora presos estavam ligados umbilicalmente a políticos, e foram colocados lá cada um com seu cada qual, isto é, diretores indicados diretamente por partidos políticos como PT, PP e PMDB.

Por isso mesmo, vai mexer com a estrutura da política brasileira, é um marco que se espera final nesse processo político do jeito que está sendo tocado. Chegamos ao fim da linha, não é possível mais. Prejudica a maior estatal brasileira, prejudica o país economicamente e também na sua imagem de Nação civilizada e moderna, e prejudica a política. É inviável continuarmos nesse processo destrutivo.

O esquema é fundamentalmente de financiamento político, montado no Palácio do Planalto a exemplo do mensalão, para financiar a base congressual governista, e vai bater no ex-presidente Lula e na presidente Dilma, que domina a área de Minas e Energia desde quando era Ministra, no primeiro governo petista.

É claro que alguém coordenou esse trabalho, alguém sabia o que estava acontecendo. Muito difícil imaginar que no Palácio do Planalto ninguém soubesse. No processo do mensalão já havia uma grande desconfiança de que era impossível um esquema daquele tipo sem um alto grau de comando.

Caiu em cima do então ministro Chefe do Gabinete Civil José Dirceu como o último da linha de comando, por falta de condições políticas de chegar mais acima na escala de poder, mas desta vez é complicado dizer que Lula e Dilma nada sabiam. O doleiro Alberto Yousseff já disse em depoimento da delação premiada que os dois sabiam, e a situação está incontrolável.

Como Chefe do Gabinete Civil, Dilma presidiu o Conselho de Administração da Petrobras. Em janeiro de 2010, conforme lembrou ontem em editorial intitulado “Lula e Dilma sempre souberam” o jornal Estado de S. Paulo, Lula vetou os dispositivos da lei orçamentária aprovada pelo Congresso que bloqueavam o pagamento de despesas de contratos da Petrobrás consideradas superfaturadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Aliás, desde 2008 o Fiscobras, relatório consolidado do TCU com as auditorias feitas em obras que recebem recursos federais, chamava a atenção para os desmandos na construção da refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, um projeto em sociedade com o governo venezuelano com Chavez ainda vivo, e que acabou sendo assumido integralmente pelo governo brasileiro. O custo total orçado inicialmente em pouco mais de R$ 2 bilhões, já atingiu R$ 41 bilhões.

Mais impressionante que a abrangência do escândalo da Petrobras é que os corruptores estão sendo presos. O rombo nas contas públicas é fora do padrão, pode envolver R$ 10 bilhões, mas o que está fora dos padrões mesmo, um ponto fora da curva no bom sentido, é a prisão dos corruptores. E a situação ainda vai piorar para o governo e o esquema petista na corrupção.

Em pouco tempo, a lista de políticos envolvidos, deputados, senadores, governadores e ex-governadores estará sendo divulgada. Um dia republicano, sentenciou um promotor envolvido na operação. Os agentes da Justiça envolvidos na investigação do que está sendo conhecido como petrolão, aliás, estão sofrendo pressões de toda sorte.

Alguns delegados, por exemplo, usaram durante a campanha uma rede fechada do Facebook para externarem posições políticas pessoais de críticas ao governo e apoio ao candidato de oposição Aécio Neves, e isto está sendo tratado como prova de que as investigações têm viés político. O ministro da Justiça mandou até mesmo abrir investigação sobre o caso.

Os Procuradores do Ministério Público que atuam no caso saíram em defesa dos delegados, afirmando em nota que a expressão de pensamento pessoal em ambiente fechado é direito constitucional, e não indica que a investigação tenha sido desvirtuada. O juiz Sérgio Moro, responsável pela investigação, aproveitou o despacho em que aprovou as prisões de ontem para defender a atuação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal na condução da investigação.

E também respondeu indiretamente à acusação de que os acusados teriam sido coagidos a assinar os acordos de delação premiada. "A prova mais relevante é a documental. Os depósitos milionários efetuados pelas empreiteiras nas contas controladas por Alberto Youssef constituem prova documental, preexistente às colaborações premiadas, e não estão sujeitas à qualquer manipulação

 

E a tal da logística? – José Vicente Caixeta Filho

No caso do contexto agrícola, uma grande parte dos produtores não possui um local adequado para o armazenamento da produção, o que obriga que cargas como as de grãos sejam colocadas nas carretas de transporte logo no momento da colheita.

A logística está relacionada com a administração de distribuição e manuseio de cargas. A utilização dos princípios logísticos tem sido muito valorizada, visando a otimização da eficiência das operações de transporte, que podem em muitos casos, determinar as vantagens competitivas de um dado sistema. Deve-se colocar o produto no lugar certo, na hora certa, minimizando custos.

As variáveis de logística que se constituem em fatores redutores de custo envolvem, entre outros: prazos para carga, descarga, saída e chegada; destino; origem; trajeto; modalidade; embalagem; perdas; características técnicas dos veículos; volume de ativos e pessoal empregado; características do mercado (interno, exportação ou importação).

O custo total do transporte pode também ser aumentado em função do custo de oportunidade do veículo parado, decorrente do tempo perdido em filas ou da espera durante operações lentas de carga e descarga.

Quando se considera o custo da operação de transporte, é fundamental tecer considerações a respeito da produtividade dos veículos para definir se os valores considerados são pertinentes. Os custos fixos são diluídos em função da atividade do veículo, a qual é afetada pela demanda de transporte, disponibilidade de cargas de retorno e pelas operações de carga e descarga.

Conforme as distâncias envolvidas diminuem, maior o impacto das operações de carga e descarga para a produtividade do veículo. Os ofertantes, em geral, evitam operar em trechos curtos. Como são remunerados por quilômetros rodados, o custo do quilômetro passa a ser maior para compensar o tempo perdido nas origens e destinos.

De uma maneira geral, independente do procedimento logístico, é comum haver entraves durante o processo de carga e descarga, o que leva o veículo a ter que esperar algum tempo junto a fornecedores, portos ou na própria indústria. Isso ocorre em função da característica do sistema operacional, de eventuais falhas de ordem técnica e das próprias condições climáticas.

No caso do contexto agrícola, uma grande parte dos produtores não possui um local adequado para o armazenamento da produção, o que obriga que cargas como as de grãos sejam colocadas nas carretas de transporte logo no momento da colheita. Desse modo, a operação de carregamento torna-se, além de mais demorada, totalmente dependente das condições climáticas. Quando ocorrem imprevistos, o motorista de um veículo rodoviário – por exemplo – pode ficar retido na propriedade rural sem poder seguir viagem.

Outro desafio logístico que merece destaque é a possibilidade de se reduzir as distâncias em que os veículos andam vazios. Por outro lado, a carga de retorno só é interessante caso esteja disponível para o carregamento, tão logo seja descarregada a carga principal. Se obter uma carga de retorno significar aguardar estacionado, pode ser preferível voltar com o veículo “batendo lata” a assumir despesas de estacionamento e o custo de oportunidade do caminhão parado. Exemplos representativos de cargas de retorno, a partir dos portos, envolvem trigo e fertilizantes.

Nesse sentido, ao se analisar uma região específica é possível identificar cargas complementares e concorrentes entre si, sempre levando em consideração o tipo específico do veículo a ser utilizado. No caso da região Centro-Sul para os granéis sólidos, categoria em que a maior parte das commodities está inserida, as principais cargas complementares são: fertilizantes e trigo, em função da ausência de contaminação do veículo. Cimento, por exemplo, apesar de possuir um fluxo muitas vezes contrário à commodity (sentido porto – interior), não pode ser considerada uma carga complementar devido à contaminação do equipamento de transporte, inviabilizando o transporte de alimentos. Dessa forma, o cimento, assim como a areia e material para produção de asfalto, são grandes concorrentes do mercado de commodities transportadas pelo modal rodoviário.

Vale também ser mencionada a questão da intermodalidade. Quando se deseja operar com outras modalidades de transporte (ferrovia, hidrovia etc.), é necessário avaliar as implicações causadas pelas operações de transbordo. Essas operações podem acarretar perda física significativa da mercadoria, e consequente quebra de transporte, além de implicarem maiores probabilidades de se ter um veículo parado. (Estadão.com 14/11/14)

 

Commodities Agrícolas

Laranja: Avanço técnico: Os preços futuros do suco de laranja subiram na bolsa de Nova York na sexta-feira pelo segundo pregão seguido. Os lotes com vencimento em março fecharam em US$ 1,32 a libra-peso, alta de 225 pontos. O movimento foi na contramão dos fundamentos, já que o consumo nos Estados Unidos continua em queda e a produção da Flórida deve crescer em 2014/15. Porém, alguns analistas citam temores com relação ao tempo frio que começa a ser registrado no país como ponto de atenção. As baixas temperaturas costumam provocar aumento no consumo de suco de laranja e podem prejudicar a produtividade dos pomares da Flórida, segundo Jack Scoville, do Price Futures Group. No mercado doméstico, o preço da laranja à indústria apurado pelo Cepea/Esalq manteve-se em R$ 10 a caixa de 40,8 quilos.

Algodão: Surpresa com vendas: Após duas quedas expressivas na bolsa de Nova York, os preços do algodão subiram na sexta-feira. Os lotes para março fecharam em alta de 88 pontos, a 59,63 centavos de dólar a libra-peso. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reportou que os exportadores do país acertaram a venda de 34,47 mil toneladas da pluma ao exterior na semana encerrada dia 6, ou 88% a mais que a média das quatro semanas anteriores e acima das apostas dos analistas. A divulgação do dado desencadeou compras técnicas dos fundos, favorecidas pelo baixo patamar de preços. Porém, analistas estimam que a demanda pelo produto dos EUA deve cair. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,39%, para R$ 1,6582 a libra-peso.

Soja: Queda em Chicago: O mercado da soja retornou ao campo negativo na sexta-feira na bolsa de Chicago em um misto de pressão de vendas técnicas e influência dos fundamentos. Os lotes para janeiro fecharam em US$ 10,225 o bushel, com desvalorização de 31 centavos. Houve influência de previsões de chuvas para áreas produtoras no Brasil. Se de fato ocorrerem, as precipitações podem colaborar para o avanço do plantio. Ainda, pesou o menor volume de grãos negociados pelos exportadores dos EUA na semana encerrada dia 6, frente a média das quatro semanas anteriores. Os dois elementos motivaram vendas por parte dos fundos, que aproveitaram para tentar realizar lucros ao longo da semana. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a oleaginosa no Paraná recuou 0,42%, a R$ 64,54 a saca.

Trigo: Tempo gelado: A entrada de uma massa de ar ártico no cinturão produtor nos Estados Unidos preocupa os investidores do mercado do trigo, que negociaram o cereal a preços mais altos na sexta-feira nas bolsas americanas. Em Chicago, os lotes para março avançaram 6,75 centavos, a US$ 5,6275 o bushel. Em Kansas, onde é negociado o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual prazo de entrega subiram 2,25 centavos, a US$ 6,0825 o bushel. As baixas temperaturas podem fazer com que as lavouras de trigo plantadas mais tardiamente entrem em estágio de dormência. Conforme especialistas, o clima pode também aumentar o consumo de ração. No mercado interno, o preço médio do trigo no Paraná apurado pelo Cepea/ Esalq subiu 0,04%, para R$ 551,59 a tonelada. (Valor Econômico 17/11/2014)