Setor sucroenergético

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Delfim vê 'sacrifício sucroalcooleiro' como 'estupidez monumental'

O ex-ministro Delfim Netto classificou hoje como "uma estupidez monumental" o que chamou de sacrifício do setor sucroalcooleiro, a partir do controle de preços da gasolina para segurar a inflação. "Jogamos fora de novo US$ 35 bilhões, no mínimo", disse.

Ele lembrou o programa Proálcool, dos anos 1970, quando cerca de US$ 50 bilhões foram investidos pelo setor privado. A política, no entanto, sofreu revés pelo impacto da queda dos preços internacionais do petróleo.

Delfim Netto disse, ainda, que a atual queda dos preços do petróleo é um movimento combinado para reduzir a oferta mais para frente. Segundo ele, a elevação da taxa de juros na economia norte-americana, esperada para o ano que vem, poderá causar novo tombo nas cotações da commodity. "Tudo indica que ainda falta cair um pedaço", disse.

Segundo ele, o efeito sobre a economia brasileira será pequeno, "mas vamos precisar ainda mais da agropecuária para manter o equilíbrio externo", avaliou. (Agência Estado 18/11/2014)

 

Raízen dará início à produção de etanol celulósico neste mês

Segundo Mizutani, o tempo entre a entrada do bagaço na planta e a produção do etanol celulósico será de cinco dias.

Na corrida tecnológica em busca de um etanol celulósico economicamente viável, a Raízen Energia, maior grupo sucroalcooleiro do país, informou que colocará em operação sua unidade de produção do biocombustível de segunda geração ainda em novembro. Integrada à usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP) que produz etanol convencional - a partir do caldo da cana -, a nova fábrica vai usar inicialmente bagaço, mas testes já começaram a ser feitos com palha trazida do canavial.

O vice-presidente da açúcar e etanol da companhia, Pedro Mizutani, diz que está satisfeito com os testes até o momento. Ele se diz confiante de que obterá sucesso na empreitada. A expectativa é, em três anos, conseguir um produto de segunda geração ao mesmo custo da primeira - em torno de R$ 1,10 por litro.

A planta da Raízen tem capacidade para produzir 40 milhões de litros por ano e demandou investimentos de R$ 230 milhões - R$ 207 milhões financiados com linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) que fazem parte do PAISS, um plano conjunto com a Finep de apoio à inovação tecnológica no setor.

Caso obtenha êxito na planta pioneira, a companhia prosseguirá com o plano de construir outras sete unidades de etanol celulósico até 2024 - o que vai significar uma produção adicional de 1 bilhão de litros do biocombustível, cerca de 50% da produção desta safra 2014/15 (2,1 bilhões de litros).

A nova unidade é o último grande investimento em expansão de capacidade previsto pela Raízen no curto prazo na área de cana-de-açúcar. Neste ciclo 2014/15, o Capex total da empresa (somando manutenção e investimento) vai ficar entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões, estável em relação ao montante da temporada anterior. Mas certamente, diz Mizutani, a temporada 2015/16 terá um Capex menor, uma vez que não estão previstos novos investimentos.

Mas há, ainda, um caminho longo a percorrer com a tecnologia de segunda geração antes de replicá-la a outras usinas. Mizutani diz que o tempo entre a entrada do bagaço na planta e a produção do etanol celulósico será de cerca de cinco dias - ante oito horas do processo do etanol convencional. "Neste momento está levando mais tempo, pois ainda estamos enchendo a fábrica".

Os testes com a palha começaram agora na planta de demonstração da empresa no Canadá, segundo o executivo, mas um pouco dessa biomassa já está sendo levada para baterias de testes na unidade da Costa Pinto. "Temos um potencial para colher 6 toneladas de palha considerando o nosso canavial e o dos nossos parceiros".

Neste momento, a maior parte da palha usada pela Raízen foi destinada à produção de eletricidade. A colheita dessa biomassa foi feita de duas formas pela companhia: a primeira, com máquinas específicas de colher e enfardar - até agora disponíveis apenas na unidade paulista de Ipaussu; a segunda, a partir do desligamento do "ventilador" da colheitadeira da cana. Com isso, explica Mizutani, mais palha é trazida do campo no momento da colheita da cana e a separação é feita na indústria. "Tivemos um custo adicional, mas, como os preços da eletricidade estavam muito altos, valeu a pena".

Além de palha, a Raízen também comprou bagaço de cana de terceiros, além de eucalipto, palha de arroz e poda de árvores para elevar em 10% a produção de energia. "O preço da biomassa, antes na casa dos R$ 60 a tonelada, subiu a R$ 200 neste ano. Se o governo reduzir o teto do preço de referência para o mercado livre, a tendência natural é que esse esforço também seja reduzido", explica. (Valor Econômico 19/11/2014)

 

Fim da queima da cana 'abre' áreas em SP

Com o progressivo fim da queima da cana-de açúcar até 2017, São Paulo terá 110 municípios com áreas de mais de mil hectares que poderão ser ocupadas pela pecuária ou outras culturas agrícolas. Espalhados pelo Estado, esses municípios terão 256 mil hectares à disposição, ou 70% de toda a área que será aberta no território paulista por conta do fim da cana - 369 mil hectares no total, em 482 cidades.

O maior potencial para novas atividades agropecuárias se concentra em 20 municípios, onde espaços maiores serão criados pela restrição ambiental. Juntos, eles abrigam 95 mil hectares encravados em terrenos superiores a 12% de inclinação - e, portanto, impróprios para o plantio mecanizado, já que a utilização de colheitadeiras é inviável.

Os números fazem parte de um estudo, baseado em imagens feitas por satélite, realizado pelo Grupo de Inteligência Territorial Estratégica da Embrapa a pedido da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). "Esse levantamento abre uma possibilidade real de diversificação da agricultura em São Paulo", afirmou ao Valor o coordenador do levantamento, o pesquisador Evaristo de Miranda.

Ele pondera que a ocupação dessas áreas por outras culturas dependerá de fatores como o retorno do investimento, os custos de produção e o preço da terra. Mas afirma que o potencial identificado leva em conta o crescimento de atividades já existentes nas respectivas regiões, o que pode impulsionar as alternativas à cana.

Miranda lista, por exemplo, o potencial de investimento em pecuária de corte e leite na microrregião de Campinas. É o caso também de Piracicaba, distante cerca de 160 quilômetros da capital paulista e importante polo sucroenergético, onde há 8,5 mil hectares de canaviais localizados em terrenos com muito declive.

Outra das cidades que mais podem liberar áreas para outras culturas é São Manuel, na região de Sorocaba, com 7,8 mil hectares de canaviais em terrenos acidentados. Por lá, a expectativa é de expansão da produção de madeira e celulose, já que indústrias do ramo como Votorantim e Suzano já operam nos arredores.

Em seguida aparecem Batatais (7,7 mil hectares em áreas de declive acentuado), localizada no entorno de Franca, no nordeste paulista, onde a expansão do cultivo de café é uma alternativa, e Descalvado (6,2 mil hectares), na região central do Estado, onde poderão ser criadas boas oportunidades para a fruticultura (goiaba, manga, pêssego e laranja).

"O que vai acontecer primeiro é a ocupação de várias áreas com pecuária, pois é mais simples e envolve menos custo. Mas, depois, deverá haver cultivo de frutas e eucalipto associados a indústrias existentes ou novas", avalia o diretor do Departamento do Agronegócio (Deagro) da Fiesp, Benedito Ferreira.

O presidente da Orplana, associação que reúne plantadores de cana do Centro-Sul, Manoel Ortolan, é mais cauteloso. "Pode ser que só um pedaço da propriedade esteja em área de declive e outro não - e há casos de terrenos com 13% de declive em que a colheitadeira sobe", afirma. (Valor Econômico 19/11/2014)

 

Deputado afirma que Cide sobre a gasolina voltará de forma escalonada

O retorno da Contribuição e Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina, pode estar perto de ocorrer, ao menos na avaliação do deputado federal Duarte Nogueira (PSDB).

Durante debate no Congresso Nacional de Bioenergia, em Araçatuba (SP), o parlamentar disse ter conversado com deputados governistas que teriam garantido a ele o retorno escalonado dos 0,28 centavos da Cide por litro da gasolina, o que daria uma maior competitividade econômica ao etanol.

Nogueira não quis falar quais parlamentares da oposição teriam falado sobre o aumento, mas disse que o escalonamento seria em 0,10 centavos este ano, o mesmo valor em 2015 e os 0,08 centavos restantes em 2016. "Vamos lutar para que a Cide volte de uma vez", afirmou. (Agência Estado 18/11/2014)

 

Prejuízo da Dedini aumentou no ano passado

Prejudicada pelos baixos investimentos no segmento sucroalcooleiro, a Dedini Indústria de Base, uma das principais fabricantes de equipamentos para usinas de cana do país, voltou a ter resultados negativos em 2013. A companhia, com sede em Piracicaba, publicou apenas ontem, no Diário Oficial Empresarial de São Paulo, seu balanço do ano passado. O prejuízo líquido atribuível aos controladores alcançou R$ 177,2 milhões, ante perda de R$ 113,9 milhões registrada em 2014.

As dificuldades da companhia, que já se arrastam há anos, estão diretamente ligadas à queda dos aportes industriais das usinas, cujas encomendas respondem por 60% de seu faturamento, mas também por retrações em outros setores, como o de bebidas. No auge dos investimentos em etanol no país, em 2008, a Dedini chegou a faturar R$ 2,2 bilhões, mas esse valor caiu para R$ 385 milhões no ano passado.

Em 2013, o custo dos produtos vendidos e dos serviços prestados pela Dedini chegou a R$ 406 milhões, ante R$ 411 milhões em 2012, e foi superior à receita líquida - que caiu 9,13% na comparação, para R$ 385,7 milhões. Já o resultado antes de impostos e juros foi negativo em R$ 92,9 milhões, ante os R$ 64,4 milhões também negativos de 2012.

O maior passivo da companhia é tributário. No fim de 2013, a empresa tinha R$ 535 milhões em impostos e contribuições a recolher em até 12 meses, ante R$ 407 milhões um ano antes. A dívida bancária de curto prazo em 31 de dezembro era de R$ 120,8 milhões, mais que o dobro que no fim de 2012 (R$ 58,2 milhões).

Com os resultados negativos de 2013, os prejuízos acumulados pela Dedini em sua história atingiram R$ 499,7 milhões. Com isso, o patrimônio líquido atribuível aos controladores passou do campo positivo (R$ 16,6 milhões em 31 de dezembro de 2012) para o negativo (R$ 160 milhões no fim do ano passado). (Valor Econômico 19/11/2014)

 

Postura firme de vendedores eleva preço do açúcar

As cotações do cristal têm registrado altas no mercado spot paulista, conforme levantamentos do Cepea. As elevações recentes estão atreladas à postura firme dos ofertantes, cujas expectativas são de queda na produção de açúcar neste ciclo.

Com relação à demanda, houve melhora na movimentação, com os negócios envolvendo volumes maiores que os registrados em períodos anteriores.

Na segunda-feira, 17, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal (mercado paulista), cor Icumsa entre 130 e 180 fechou a R$ 51,20/saca de 50 kg, alta de 1,1% na comparação com a segunda anterior, 10. No mês, a alta passa de 4%. (CEPEA/ESALQ 18/11/2014)

 

Preço do hidratado continua subindo com força

O Indicador CEPEA/ESALQ do etanol hidratado (estado de São Paulo) subiu com força pela segunda semana consecutiva.

De acordo com pesquisadores do Cepea, o volume de negócios no spot teve forte aumento nos últimos dias, ainda como resultado do reajuste da gasolina.

Distribuidoras continuam interessadas em novas compras, na expectativa de melhora nas vendas do biocombustível, que ganhou competitividade nas bombas. Usinas, por sua vez, elevaram as ofertas, a preços firmes.

Entre 10 e 14 de novembro, o Indicador CEPEA/ESALQ do hidratado teve média R$ 1,2227/litro (sem impostos), aumento de 3,2% em relação à semana anterior.

Para o anidro, que registrou estabilidade na primeira semana de novembro, houve valorização de 3,8% entre 10 e 14 de novembro, com a média do Indicador CEPEA/ESALQ (estado de SP) passando para R$ 1,3349/l (PIS/Cofins zerados). (CEPEA/ESALQ 18/11/2014)

 

Com cobertura de berço, terminal de açúcar pode operar na chuva

Primeiro projeto de cobertura fixa sobre berço de atracação em Santos foi elaborada pela Rumo Logística.

O tempo de espera de um navio açucareiro no Porto de Santos pode ser reduzido em até 51% com a implantação de terminais all-weather – aqueles que permitem a operação de cargas mesmo na chuva, pois seus berços de atracação ficam cobertos. Essa é a conclusão da pesquisa Simulação do uso de terminais all-weather na operação de terminais de exportação de açúcar a granel, elaborada pelo professor da Universidade Católica de Santos (UniSantos) José Fontebasso Neto e pela aluna Thamires de Andrade Barros, do 4º semestre de curso de Engenharia de Produção, também da UniSantos.

O trabalho foi apresentado ontem durante a 6ª edição do Seminário e Workshop em Engenharia Oceânica (Semengo), iniciadana última quarta-feira e que termina hoje, em Rio Grande(RS).

Como tema Engenharia Costeira e Portuária, o VI Semengo reúne pesquisadores, especialistas e consultores portuários de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul e de outros países, como Portugal e Canadá. Realizado a cada dois anos pelo Programa de Pós-graduação em Engenharia Oceânica da Universidade Federal de Rio Grande (Furg), ele é considerado um dos principais e ventos do setor.

Apresentado durante uma das sessões técnicas do seminário, o trabalho sobre os terminais all-weather foi exposto por José Fontebasso Neto, professor de Estatística e Probabilidade e Pesquisa Operacional da UniSantos. A pesquisa abordou os impactos da implantação desse tipo de instalação, cujos berços de atracação são cobertos, protegendo os porões dos navios da chuva. Tal característica é estratégica nas exportações de açúcar, que só pode ser carregada enquanto não está chovendo. Molhado, o produto é descartado.

Em 2011, por exemplo, calcula-se que os terminais de açúcar do Porto de Santos ficaram 100 dias sem operar, quase um terço do ano, devido à chuva. O complexo santista ocupa uma posição de destaque no escoamento dessa carga. Ele lidera as exportações do açúcar brasileiro, respondendo por dois terços dos embarques nacionais no ano passado, movimentou 16,9 milhões de toneladas. O Brasil é responsável por metade das exportações de açúcar no mercado mundial.

De acordo com Fontebasso Neto, a pesquisa envolveu mais de 100 simulações, realizadas com base em dados coletados com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), a administradora do Porto, a respeito das atividades dos terminais açucareiros de Santos durante quatro anos, de 2007 a 2010. Nos testes, foram analisados os reflexos de uma infraestrutura all-weather considerando quatro modelos de instalações portuárias. E foram avaliadas informações como o tempo de espera, tem pode operação e utilização do terminal.

Os resultados que mais se sobressaíram envolveram o tempo de espera, referente ao período em que, após a atracação do navio, a instalação fica parada, explica o professor. Tradicionalmente, nos embarques de açúcar, essa interrupção do serviço ocorre devido às chuvas ou à falta de carga.

Com os berços cobertos, um dos terminais de maior movimento teve seu tempo de espera reduzido em 48,03%, de 64,74 para 33,06 horas por ano. Na outra unidade de maior movimento, a queda foi de 51,45%, de 111,23 para 54 horas por ano. Com esses reflexos, a taxa de utilização dessas instalações caiu 14 pontos percentuais (de 71% para 57%) no primeiro caso e nove pontos percentuais (de 55% para 46%) no segundo caso, comprovando que a infraestrutura implantada permitiria a essas empresas utilizar ainda mais sua capacidade operacional.

“O modelo que montamos mostra que todos os indicadores de desempenho tiveram ganhos, especialmente o tempo de espera e a taxa de utilização. Isso comprova a importância dessa infraestrutura, que já existe em outros país e se pode ser utilizada com qualquer carga sensível a intempéries. Especialmente em Santos, líder nas exportações de açúcar, essas coberturas são estratégicas”, afirmou o professor.

Projeto

O Porto de Santos chegou a estudar a implantação,em um de seus terminais açucareiros, de coberturas e estruturas para proteger as cargas das chuvas.

O projeto foi desenvolvido pela Rumo Logística, que opera as instalações do Grupo Cosan no cais santista os armazéns 16, 17, 18 e 19 (na beira do cais) e os externos (na retro área) 4, 5, 9, 10, 14, 15, 19, 20 e 23.

Era prevista a colocação de uma cobertura fixa sobre o berço de atracação dos armazéns 18 e 19. Ela teria 138 metros de comprimento e 65 metros de altura, dois metros a mais do que um prédio com 21 pavimentos. Com esse design, a estrutura impediria que chuvas comum a inclinação de até 41 graus atingissem a commodity.

Nos berços dos armazéns 16 e 17, haveria uma cobertura retrátil, utilizada especificamente sobre os porões dos navios. A iniciativa foi analisada pela Codesp. No ano passado, a Cosan previa inaugurar sua infraestrutura all-weather no início deste ano, o que acabou não ocorrendo. (A Tribuna 18/11/25014)

 

Meteorologia indica chuvas no fim de semana em áreas de café e cana do Sudeste

O cinturão de café e cana-de-açúcar do Sudeste do Brasil deverá receber chuvas generalizadas a partir deste fim de semana até a próxima, com umidade da Amazônia espalhando-se pela região, disseram meteorologistas nesta terça-feira.

Até lá, lavouras no centro-sul do país deverão ver tempo seco e ensolarado ao longo desta semana.

As temperaturas deverão ficar moderadas, com noites mais frias impedindo fortes elevações nos termômetros acima de níveis ideais para desenvolvimento das lavouras, disse o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), do governo federal.

O instituto de meteorologia Commodities Weather Group (CWG), dos Estados Unidos, disse que os modelos climáticos mostram condições mais úmidas começando no fim de semana e prolongando-se até a semana que vem, especialmente nas regiões de café de Minas Gerais e em partes de São Paulo. (Reuters 18/11/2014)

 

Interior de São Paulo sofre com as demissões da indústria

Sertãozinho, Jundiaí, Itu e Diadema são os municípios mais impactados pela extinção de postos de trabalho.

Sertãozinho, Jundiaí, Itu e Diadema estão entre as cidades paulistas mais impactadas pelas demissões da indústria este ano. Cruzando os dados demográficos dos municípios com o do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego, observa-se que o caso mais grave é o de Sertãozinho, onde as demissões do setor já atingem 8% população. Em Jundiaí a proporção é de 4,6%; em Itu é de 3,9%; e em Diadema, 3,7%. Segundo o empresário Adézio José Marques, diretor regional de Sertãozinho do Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp), os segmentos metalúrgico e o sucroalcooleiro são os que mais vem contribuindo para aumentar o saldo negativo do emprego industrial na região.

"As usinas e destilarias são as maiores forças propulsoras da economia local, que inclui Ribeirão Preto, Sertãozinho e mais cinco municípios. Desde que esse setor entrou em crise, a partir de 2008, a indústria metal mecânica da região também entrou em declínio por causa da queda nas encomendas da agroindústria canavieira", explica, mencionando que só no mês de outubro foi registrado um saldo negativo de 850 postos de trabalho no entorno de Sertãozinho. "E são esperadas cerca de 4 mil demissões a mais nos dois últimos meses do ano por causa do fim da safra de cana-de-açúcar na região", frisa Marques. De acordo com ele, as demissões da indústria têm estabelecido um clima de desânimo no meio empresarial e no mercado de trabalho da circunvizinhança de Sertãozinho.

"Mesmo sem demitir em massa, o próprio comércio dá sinais de pessimismo. Empresários do setor de Ribeirão Preto, que detém cinco shoppings centers, falam que vão reduzir o volume de contratações sazonais para o final do ano", diz. Marques relembra que há dois anos a Companhia Albertina, uma usina destilaria, fechou as portas, extinguindo cerca de 600 empregos diretos. "Na semana passada, uma fábrica de caldeiras de médio porte também encerrou suas atividades, demitindo cerca de 170 trabalhadores, contribuindo para deprimir ainda mais a economia da região", afirma. O empresário, que é dono de uma indústria de equipamentos para portos e para o setor de petróleo e gás, diz a suspensão de investimentos da Petrobras e o atraso no pagamento de alguns contratos da estatal tem gerado incertezas para outras empresas da região.

"Aqui há cinco empresas em recuperação judicial de pequeno, médio e grande porte. Os empresários estão muito apreensivos com a situação geral", comenta. Já o empresário Mauritius Reisky, diretor da regional de Jundiaí da Ciesp, que engloba outros dez municípios como Itatiba, Vinhedo e Campo Limpo Paulista, afirma que em sua localidade foram extintos 8 mil empregos nos últimos 12 meses. "No acumulado do ano, são cerca de 5,3 mil demissões. Só em outubro foram 1,3 mil postos de trabalhos fechados", contabiliza.

"A redução de investimentos do setor de máquinas e equipamentos e da indústria automotiva tiveram impacto direto no segmento industrial da região, tanto que aqui os segmentos que mais demitem são a indústria metal mecânica e a de autopeças", afirma, mencionando que em média são registrados dois pedidos de recuperação judicial de empresas no entorno de Jundiaí.

De acordo com Reisky, na cadeia produtiva regional é forte a presença de fabricantes de autopeças que produzem artigos automotivos de matéria-prima metálica, mas também de plásticos, borracha, além de componentes como freios e eixos de automóveis. "A atividade tímida das montadoras reduziu as encomendas dos seus fornecedores que, por sua vez, fizeram ajustes nos seus quadros de funcionários.

Ainda não podemos falar de aumento do desemprego na região, já que alguns trabalhadores conseguem colocações em outras fábricas, utilizam as indenizações para abrir seus próprios negócios, ou migram para o setor terciário, perdendo poder aquisitivo —já que o comércio não oferece salários e benefícios compatíveis com os da indústria", diz. De acordo com ele, também é observada a migração de mão-de-obra da região para outros municípios como Campinas e São Paulo. (Brasil Econômico 19/11/2014)

 

Pesquisadores descobrem leveduras que produzem etanol com mais eficiência

Testes em maiores escalas serão realizados na próxima entressafra.

No Brasil, apenas dois tipos de leveduras são responsáveis por 70% da produção de etanol. Em meio à crise do setor sucroenergético, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (SP) divulgaram a descoberta de cinco novas linhagens que podem aumentar a produção e reduzir os custos.

As variedades aceleram em 25% o processo de fermentação das usinas, reduzindo de oito para seis horas o tempo de produção.

As taxas metabólicas indicam que 1 grama de sacarose gera cerca de 0,51 gramas de etanol. Hoje, nas usinas, esse processo tem um rendimento em torno de 90%. O que esperamos é que com essas leveduras, isso seja avaliado com melhor propriedade e haja um incremento nesse percentual de rendimento da produção – explica o professor da Universidade Federal de São Carlos Iran Malavazi.

As usinas brasileiras usam, ao todo, quatro leveduras, sendo duas mais importantes para a produção. As novas variedades suportam maiores concentrações de açúcar e etanol e são resistentes a temperaturas mais elevadas, o que ajuda a eliminar bactérias que prejudicam o processo produtivo.

Elas têm a característica de crescer a 42°C, diferente da linhagem tradicional, que cresce a 30°C, e algumas também resistem a 15% de etanol final na dorna. Nós esperamos que, com isso, o processo seja mais eficiente. Uma característica importante é que essas linhagens, em comparação com as linhagens industriais, aparentam ser mais eficientes no processo de produção, mesmo em condições de 30°C – enfatiza o professor Universidade Federal de São Carlos Anderson Ferreira da Cunha.

As leveduras utilizadas na produção de etanol são as mesmas empregadas na fabricação de pão, cerveja e vinho. Através do processo fermentativo, elas utilizam o açúcar para obtenção de energia e geram um subproduto, que no processo industrial é o etanol.

Para produção, algumas características são importantes, como por exemplo, a capacidade desse micro-organismos permanecerem dentro da dorna de fermentação durante o processo e de suportarem eventuais alterações de temperatura no processo, que acontecem, pois é um processo exotérmico, libera energia – pontua Malavazi.

Ao longo de cinco anos de pesquisa, foram mapeadas mais de 400 tipos de leveduras. Na próxima entressafra, os pesquisadores devem realizar testes em maiores escalas.

Todos esses testes que nós temos são em escala de laboratório. Faremos um teste piloto ainda em laboratório, aumentando um pouco a escala, e a tendência é que no ano que vem façamos testes em usinas. A partir de 2016, se tudo der certo, esse processo pode estar empregado nas usinas que se interessarem – conclui Cunha. (Canal Rural 18/11/2014)

 

ADM conclui aquisição da Specialty Commodities, por US$ 191 milhões

SÃO PAULO - A Archer Daniels Midland (ADM), uma das maiores empresas de agronegócios do mundo, informou que concluiu a aquisição da Specialty Commodities (SCI), por US$ 191 milhões, do quais US$ 95 milhões em capital de giro. A ADM havia chegado a um acordo inicial para adquirir a Specialty Commodities no início de outubro, conforme anunciado anteriormente.

Com sede na Dakota do Norte, a SCI atua nas áreas de originação, processamento e distribuição de ingredientes saudáveis, tais como nozes, frutas, sementes e outros grãos – “ancient grains” (chia, quinoa, amaranto, entre outros).

“Continuamos a expandir o nosso portfólio de ingredientes especiais para atender melhor nossos clientes, melhorar o retorno e reduzir a volatilidade dos nossos lucros”, disse, em comunicado, Greg Morris, presidente da unidade de negócios ADM Wild Flavors e Ingredientes Especiais. A Wild Flavors também é uma empresa adquirida recentemente pela ADM. (Valor Econômico 18/11/2014 às 16h: 48m)

 

Commodities Agrícolas

Cacau - Colheita na África: Após um leve respiro na segunda-feira, os preços do cacau voltaram a cair ontem na bolsa de Nova York. Os papéis para março fecharam em US$ 2.809 a tonelada, recuo de US$ 19. O avanço da colheita das safras principais na Costa do Marfim e em Gana continua ampliando a entrada do produto nos portos do oeste da África e exercendo pressão sobre as cotações. As recentes desvalorizações reduziram o interesse dos fundos, derrubando o volume de contratos negociados na bolsa, e agora os investidores operam em busca de uma nova direção para as negociações, segundo Kash Kamal, da Sucden Financial. No mercado doméstico, o preço médio da arroba nas praças de Ilhéus e Itabuna, na Bahia, permaneceu em R$ 104, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão - Atraso na colheita: Os traders do mercado do algodão encontraram um motivo, ainda que temporário, para apostar na alta dos preços da pluma ontem na bolsa de Nova York. Março fechou a 59,86 a libra-peso, em alta de 76 pontos. Um dia antes, após o fechamento do pregão, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que a colheita voltou a registrar atraso no país. Até domingo, os trabalhos haviam alcançado 69% da área, 5 pontos abaixo da média histórica. O cenário, porém, continua "baixista", uma vez que o tempo deverá seguir firme nos próximos dias. No total, a colheita deverá superar o volume do ciclo anterior. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,09%, para R$ 1,6581 a libra-peso.

Soja - De olho na oferta: A ampla oferta de soja, principalmente nos Estados Unidos, novamente atrai a atenção dos traders, que negociaram os futuros do grão ontem na bolsa de Chicago a valores mais baixos. Os lotes para março fecharam com recuo de 13 centavos, a US$ 10,31 o bushel. O crescimento do volume de soja processada nos EUA em outubro, reportado na segunda-feira, foi entendido como um indicador de que há grão de sobra naquele mercado. Além disso, as entregas físicas na bolsa de Chicago referentes ao vencimento do contrato de novembro, ocorridas no fim da semana passada, diminuem o apetite dos traders, pois também reforçam o quadro de oferta abundante. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o grão no Paraná recuou 1,02%, para R$ 63,17 a saca.

Milho - Vendas em queda: Enquanto os produtores dos Estados Unidos chegam ao fim da colheita da maior safra de milho da história, os exportadores encontram dificuldades em vender a produção para fora do país, o que pressionou o grão ontem na bolsa de Chicago pela terceira sessão seguida. Os lotes para março fecharam com baixa de 5,5 centavos, a US$ 3,85 o bushel. Até domingo, a colheita havia alcançado 89% da área plantada. As exportações, porém, seguem cada vez menores, segundo dados recentes. Apesar dos preços baixos nos EUA, o cereal da Ucrânia é o mais barato do mundo, atraindo a demanda mundial. Além disso, os exportadores americanos têm dado preferência aos embarques de soja nos portos. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa subiu 2,36%, para R$ 28,58 a saca. (Valor Econômico 19/11/2014)