Setor sucroenergético

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Pecege oferece curso para gerenciamento de sistemas mecanizados agrícolas na cultura da cana-de-açúcar

Voltado para profissionais com atuação na área de coordenação, controle e análise de custos, planejamento agrícola e administrativo do setor sucroenergético e demais interessados, o Instituto de Pesquisas em Educação Continuada e Gestão de Empresas (I-Pecege) oferece o curso de curta duração Gestão de Sistemas Mecanizados Agrícolas na Cultura da Cana-de-Açúcar. Com 24 horas de duração divididas entre os dias 23, 24 e 25 de janeiro de 2014, o curso requer apenas que os interessados já tenham experiência com o uso de internet e planilhas eletrônicas.

Os alunos terão acesso a conceitos e práticas do planejamento, controle e análise no gerenciamento das operações mecanizadas do sistema de produção de cana-de-açúcar. Os tópicos abordados no decorrer do curso são oriundos dos questionamentos mais recorrentes em torno da mecanização agrícola.

Destacados e desenvolvidos a partir dos principais processos mecanizados em cana, como plantio e colheita, o curso de curta duração apresentará a solução para dúvidas como “quantas máquinas são necessárias?”, “qual é o custo do meu sistema?”, “que parâmetros devem receber mais atenção?” e “como comparar os resultados obtidos com a realidade do mercado?”.

Além da exposição teórica realizada pelos docentes Angelo Banchi, Diretor da ASSISTE, Carlos Xavier e João Henrique Mantellatto Rosa, ambos do PECEGE/ESALQ/USP e Marcos Milan, professor do Departamento de Engenharia de Biossistemas (LEB) da ESALQ/USP, serão desenvolvidos exercícios aplicados no Excel, de modo a complementar a fixação dos conceitos, bem como munir os alunos de ferramentas aplicáveis no dia a dia do setor. Formatação condicional, validação de dados, atingir meta, tabela de dados, gerenciador de cenários e solver são ferramentas trabalhadas por meio do Excel.

Todo material de apoio do curso será disponibilizado na internet e entregue aos alunos durante o curso. O certificado de conclusão do curso será emitido pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (FEALQ).

O curso, presencial, acontecerá no campus Luiz de Queiroz da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP), localizado na Avenida Pádua Dias, 11, Piracicaba – SP.

Interessados em participar devem se inscrever no site www.pecege.org.br. Para mais informações, entrar em contato pelo e-mail oficinas@pecege.esalq.usp.br ou pelo telefone (19) 3377-0937.

 

Etanol evitou emissões de 240 milhões de toneladas de carbono desde 2003, diz Unica

Em comunicado, entidade destaca vantagens econômicas e ambientais do combustível de cana-de-açúcar.

Desde 2003, quando foi introduzido o motor flex no Brasil, o uso do etanol já evitou a emissão de 240 milhões de toneladas de carbono, volume que corresponde a três anos de emissões de um país como o Chile. A informação está em comunicado divulgado pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) e é atribuída ao consultor da entidade, Alfred Szwarc.

A nota destaca os benefícios ambientais do combustível feito a partir da cana. Reforça ainda as críticas ao governo federal. De acordo com a Unica, eliminando a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina, o governo causou “aumento no consumo do combustível fóssil e o etanol perdeu competitividade”.

Apesar disso, a Unica lembra que, neste momento, o etanol está economicamente vantajoso para o consumidor. De acordo com a entidade, com base no estado de São Paulo, principal mercado consumidor, o litro do combustível está entre R$ 1,47 e R$ 2,90 enquanto a mesma quantidade de gasolina varia de R$ 2,45 a R$ 2,80.

“O que mais chama atenção é a paridade entre os combustíveis, que é obtida a partir da divisão do preço do etanol hidratado pelo preço da gasolina ao consumidor. Se este resultado ficar em até 70%, pode-se considerar que o consumo de etanol é economicamente mais viável em relação à gasolina. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a paridade entre o preço médio dos combustíveis está em torno de 64%”, lembra a entidade que representa a indústria de açúcar e etanol.

Apesar de destacar a vantagem ambiental e econômica do etanol, o comunicado da Unica destaca que 40% da frota de veículos flex não é abastecida com o combustível atualmente. (Portal do Agronegócio 20/11/2014 às 20h: 00m)

 

Agrava-se a crise na cadeia produtiva sucroenergética – Ronaldo Knack

“É constrangedor o silêncio e a omissão dos funcionários e da Petrobras e suas associações. Eles se notilizaram por dar abraços no edifício-sede, no rio, para defender a política do petróleo. E escreveram quantidade enorme de manifestos contra a tentativa feita durante o governo FHC de mudar a marca para Petrobrax. Mas são incapazes de tomar posição diante da dilapidação do patrimônio da empresa” – Celso Ming,

“Em seus governos, o PT colocou a Petrobras no topo da agenda; fez controle inflacionário ao represar reajustes de combustível, enquanto Lula embebia as mãos com petróleo, à Getúlio. Para cada descoberta no pré-sal, contudo, parece ter havido uma contrapartida obscura” – Editorial Folha de São Pulo:  governo sofre de descrédito de confiança e de inépcia, ou seja, falta de aptidão” – José Serra, ex-governador e senador eleito por São Paulo:

“Dilma centraliza tudo, e como não tem núcleo estratégico, nem retaguarda política e menos ainda equipe atuante, o Brasil parou à sua espera, como havia parado durante a campanha” – Rosângela Bittar, jornalista do Valor Econômico:

No assalto praticado por petistas e representantes de partidos da base dos governos Lula e Dilma Rousseff aos cofres da Petrobras, além de amealharem milhões de reais, estes criminosos já identificados, impuseram também um rastro de ‘malfeitos’ (termo predileto usado por “Madame” ao se referir ao roubo descarado na maior empresa brasileira) que atingiu em cheio à toda a cadeia produtiva sucroenergética.

Junte-se à roubalheira a sovietização ideológica destes bandidos que aí estão e, mais, acrescente-se a total aptidão para ocuparem os cargos e postos em que se encontram, e têm-se aí como resultado a crise em que estamos metidos. Os rastros e os restos servirão para que os nossos descendentes nos apontem a todos como culpados.

Ficará muito difícil tentarmos explicar porque é que ficamos passivos e mansos assistindo a passagem desta manada que não deixa pedra sobre pedra nas instituições que tomam para si. A lição vale também para esta crise político-institucional que está derretendo a cadeia produtiva sucroenergética sem que ninguém tenha a coragem de bradar um “basta”.

Em entrevista ao TV BrasilAgro, que vai ao ar neste domingo pela STZTV e que estará disponibilizada na WEB TV do www.brasilagro.com.br a partir da tarde da próxima segunda-feira, o secretário da Indústria e Comércio de Sertãozinho, Carlos Roberto Liboni, mostra preocupação em relação ao não pagamento do 13º salário de muitas das indústrias locais.

Milhares de trabalhadores já foram demitidos, muitos dos quais perderam seus postos de trabalho sem receberem um centavo sequer. Muitas das indústrias não recolheram o FGTS e há muitos casos de empresas que simplesmente fecharam suas portas. Enquanto isto, todos assistem as notícias dos milhões e até bilhões que os petistas de plantão e seus companheiros dos partidos da base governamental roubaram da Petrobras. Até quando, só Deus sabe... (Ronaldo Knack é Jornalista e bacharel em Direito e Administração de Empresas. É também fundador e editor do BrasilAgro; ronaldo@brasilagro.com.br)

 

Mantega reafirma decisão do governo de aumentar IPI de automóveis em janeiro

Mesmo com a alta do imposto, a Anfavea prevê que a venda de automóveis será maior em 2015 do que em 2014

O governo está decidido a recompor integralmente a alíquota do IPI para automóveis a partir de 2015, segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículo Automotores (Anfavea), Luiz Moan. Ele se reuniu com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que, segundo Moan, reafirmou a decisão do governo Dilma Rousseff de voltar a alíquota, como já estava previsto. Mesmo com a alta do imposto, a Anfavea prevê que a venda de automóveis será maior em 2015 do que em 2014 - mas ainda não tem um número projetado, de acordo com o presidente.

Em 1º de janeiro, a alíquota para os carros populares subirá de 3% para 7%, enquanto o tributo para os carros médios subirá de 9% para 11% (no caso dos motores flex) e para 13% (a gasolina). "Eu toquei no assunto, mas a posição é de que há decisão do governo pela implementação da alíquota cheia do IPI em janeiro", disse, acrescentando que não pediu explicações sobre os motivos. A decisão sobre repassar a alta do imposto integralmente para o preço final será de cada empresa, segundo Moan.

"Vamos continuar trabalhando na produção, nas promoções de venda e vamos continuar aqui. Estamos no Brasil há mais de 90 anos e vamos continuar nos próximos 90", disse Moan. Ele negou que o setor tenha planos de promover demissões. "A indústria tem seus trabalhadores em nível muito qualificado. A indústria sempre evitou fazer redução do pessoal pelo investimento que foi feito, então vamos lutar o máximo possível para continuar produzindo".

Moan comemorou que as vendas, em novembro, estão superiores a 13 mil veículos por dia. "Em outubro, estávamos brigando para atingir 13 mil unidades diárias. Este mês já estamos brigando para superar outras metas".

O presidente da Anfavea afirmou, ainda, que o crédito para financiamento de veículos está voltando. Em setembro, houve aumento de quase 8% no número de veículos financiados, segundo ele. Em outubro, subiu em torno de 10%. "Na última sexta-feira, tivemos a aprovação da nova lei de retomada do veículo, que premia o adimplente e possibilita redução do custo do financiamento, segurança jurídica para o sistema financeiro e vontade do sistema financeiro de voltar ao mercado financiando veículos", disse.

PSI: Na reunião desta quinta-feira, o principal pedido do setor para o ministro Guido Mantega foi, segundo Moan, para que as taxas do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) para o próximo ano sejam divulgadas o mais rápido possível. "Hoje falamos muito mais de máquinas agrícolas, caminhões e ônibus. A posição do ministro é que ele vai estudar e levar em consideração", disse.

Hoje, as taxas do PSI são de 6% para caminhões e ônibus e de 4,5% para máquinas agrícolas. "O que solicitamos é que a taxa do próximo ano seja divulgada o mais rápido possível, de forma a evitar interrupções ou bolhas de consumo", explicou.

Questionado sobre a discussão a respeito da proporção da mistura de etanol na gasolina, Moan disse que o estudo da Anfavea sobre o assunto ainda não foi concluído e que haverá reunião na tarde de hoje, na Casa Civil, para tratar do tema e conhecer o estudo da Petrobras, se estiver pronto. (O Estado de São Paulo 20/11/2014 às 13h: 49m)

 

Indústrias sucroenergéticas 'ganham' cadeira em câmara federal do setor

O Ceise-BR (Centro das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis) terá cadeira fixa na Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Açúcar e do Álcool, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Portaria publicada nesta semana pelo ministério garantiu à instituição a participação nas discussões. Até então, a direção do Ceise- BR só participava das reuniões como convidada.

A instituição representa fabricantes de máquinas e equipamentos para usinas de etanol e açúcar e a câmara funciona como um corpo consultivo para os poderes Executivo e Legislativo nos assuntos relacionados ao setor.

O presidente do Ceise-BR e titular da cadeira, Antonio Eduardo Tonielo Filho, afirmou, por meio de nota, que esta será "uma oportunidade de chegar mais perto de quem realmente toma as decisões".

O setor passa por uma de suas piores crises.

Em Sertãozinho, onde está a sede da instituição, empresas estão sendo fechadas e funcionários demitidos devido à baixa demanda por máquinas.

O presidente da câmara é Ismael Perina, também presidente do Sindicato Rural de Jaboticabal.

Ele foi eleito para comandar a entidade nacional em agosto deste ano.

Em nota, Tonielo Filho também disse que a nomeação de Perina estreita ainda mais o relacionamento com a entidade por sua proximidade com o setor. (Folha de São Paulo 20/11/2014às 20h: 52m)

 

Postos de Ribeirão Preto já preveem alta no preço do litro de etanol

Proprietários e gerentes de postos de combustíveis de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) preveem aumento do preço do etanol, caso o valor cobrado pelas distribuidoras se mantenha em alta.

Com o etanol nas bombas valendo entre R$ 1,97 e R$ 1,99, gerentes afirmam que estão "segurando" o reajuste para manter a concorrência e evitar queda nas vendas.

De acordo com os gerentes, nas duas últimas semanas, o valor do etanol aumentou entre R$ 0,03 e R$ 0,05, o litro, nas distribuidoras.

A Folha percorreu dez postos de combustíveis da cidade nesta quinta (21). Alguns empresários estimam que o preço do etanol chegue a R$ 2,07 se o preço não cair.

Roberto Hamamura, dono de um posto na avenida Francisco Junqueira, afirmou que para manter sua margem de lucro, o etanol deveria ser comercializado a R$ 2,09.

"Mantive em R$ 1,99 por causa dos postos concorrentes, mas não estou conseguindo pagar as despesas e o salário dos funcionários. Está muito apertado", disse. (Folha de São Paulo 21/11/2014)

 

Cenário negativo para empresas de máquinas agrícolas

Matt Burgener acaba de colher uma safra recorde de milho e uma safra quase recorde de soja em sua fazenda de 890 hectares na região central do Estado de Illinois. Mas não está comemorando. A supersafra produzida pelos Estados Unidos nesta temporada 2014/15 fez com que os preços das commodities despencassem dos recentes picos, e derrubou a renda de Burgener.

"Eu gostaria de trocar minha semeadeira, mas simplesmente não dá para justificar [esse gasto] com os atuais preços das commodities e com essa perspectiva que temos", afirma o produtor.

Burgener não está sozinho. Produtores rurais de toda a América do Norte - e de todo o mundo - se defrontam com um horizonte de queda da renda, e o segmento de equipamentos agrícolas se prepara para vivenciar uma desaceleração drástica de suas vendas anuais mundiais, que totalizam atualmente cerca de US$ 65 bilhões.

Esse quadro foi trazido à baila no fim do mês passado pela CNH Industrial, o conglomerado britânico filiado à Fiat Chrysler Automobiles, cujas principais marcas na área de máquinas agrícolas são Case e New Holland. A CNH informou ter contabilizado uma queda de 12%, para US$ 3,7 bilhões, nas vendas totais de equipamentos agrícolas no terceiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2013, e uma retração de 26% nos lucros operacionais gerados por esse segmento. Richard Tobin, principal executivo da empresa, disse que as condições vigentes na divisão - que passou por licenças temporárias de funcionários e cortes de produção - tendem a "continuar difíceis até o fim de 2015".

No mês passado, a multinacional americana AGCO, dona da Massey Ferguson, que realiza cerca de metade de sua receita na Europa, reduziu sua perspectiva de lucro pelo segundo trimestre consecutivo e anunciou "cortes agressivos dos cronogramas e custos de produção".

A Deere & Co, maior fabricante mundial de equipamentos agrícolas, tem manifestado igual pessimismo. Em agosto, após divulgar uma queda do lucro de 15% no terceiro trimestre, a empresa anunciou mais de mil demissões, juntamente com fechamentos sazonais de unidades de produção e licenças temporárias. Analistas preveem que o anúncio de lucros da Deere, agendado para o próximo dia 26, estenderá o ramerrão de más notícias.

As ações da CNH e da AGCO registraram queda de mais de 20% até esta altura do ano. A Deere - que, segundo os analistas, está mais bem preparada para suportar uma desaceleração, devido a suas margens, as maiores do segmento -, viu seus papéis perderem 4% de seu valor, comparativamente à alta de 10% registrada pelo índice S&P 500. Documentos encaminhados na semana passada à autoridade reguladora das bolsas pela Berkshire Hathaway revelaram que Warren Buffett tinha vendido sua participação acionária na Deere.

Dois anos atrás, as fabricantes de equipamentos agrícolas emergiam das profundezas da crise financeira graças à seca que assolou os EUA, reduzindo a produtividade e puxando para cima os preços das commodities. A conjuntura fez com que os agricultores tivessem mais dinheiro para gastar em novos tratores e em outras máquinas, como colheitadeiras combinadas.

Subsídios generosos do governo americano à produção agrícola, geralmente melhores durante anos de baixo rendimento, juntamente com incentivos fiscais para reconduzir as fazendas à lucratividade, representaram um estímulo a mais para os fazendeiros.

As vendas da Deere saltaram de cerca de US$ 20 bilhões, em 2004, para quase US$ 38 bilhões no ano passado, enquanto as da AGCO mais do que dobraram, de US$ 5,3 bilhões para US$ 10,8 bilhões. "Quando você percorre a estrada, vê que cada fazenda mais parece um showroom da John Deere ou da AGCO", afirma Ben McKenna, produtor rural e operador de contratos futuros da Bolsa Mercantil de Chicago (CME, na sigla em inglês).

A aquisição recente de seus equipamentos agrícolas faz com que muitos produtores não precisem substituí-los em breve. Esse fator, associado à atual baixa dos preços dos produtos agrícolas, leva alguns analistas a estimar que as vendas de equipamentos agrícolas tenham alcançado seu pico no ano passado.

"Há tantas pessoas que perderam dinheiro com sua safra neste ano que eu prevejo que muitas delas se retirarão do mercado ou terão envolvimento muito menor com ele no ano que vem", afirma o analista Kwame Webb, da empresa de pesquisa de investimento Morningstar.

O preço do milho saltou para mais de US$ 8 o bushel durante a seca de 2012, e a renda da atividade agrícola alcançou níveis recorde no ano passado. O preço, desde então, chegou a recuar para menos de US$ 4 o bushel.

Os agricultores americanos se beneficiam de generosos seguros subsidiados da produção concedidos pelo governo americano, capazes de garantir a renda de alguns agricultores mesmo na falta de qualquer produção. Na estiagem de 2012, as indenizações pagas pelo seguro à safra totalizaram cerca de US$ 16 bilhões no país. Mas os rendimentos deste ano estão tão elevados que é pouco provável que o seguro beneficie muitos agricultores.

Na semana passada o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) previu que a safra americana de milho será a maior da história, de 365,76 milhões de toneladas, depois que o relatório do órgão de agosto projetou uma queda de quase 14% da renda da produção rural este ano, para seus níveis mais baixos desde 2010. Os preços das sementes e adubos se mostraram relativamente estáveis nos últimos anos, deixando os equipamentos como o custo significativo passível de ser controlado pelo produtor.

"Há um período de negócios bem grave previsto para breve, e as empresas [de equipamentos agrícolas] estão começando a ver isso", afirma o analista Lawrence De Maria, do banco de investimento William Blair. "Estamos, basicamente, saindo de um surto de crescimento das compras de equipamentos agrícolas, se não um pico, em diversas regiões do mundo, e caminhamos para um período de excesso e excedente da oferta mundial de grãos, o que se traduz em preços e lucros mais baixos para os produtores".

A América do Norte não é o único mercado de grande porte a sofrer com isso. As cotações das commodities caíram na Europa, juntamente com o sentimento para com a economia. Analistas observam que poucos produtores rurais da Europa Ocidental estão atualmente em condições de trocar seus tratores por novos, enquanto seus colegas do Leste Europeu podem não conseguir continuar cumprindo seu papel de grande escoadouro de equipamentos agrícolas usados.

Mesmo a América do Sul, que se tornou, nos últimos anos, o mercado de grande potencial de crescimento mais importante do setor, enfrenta problemas. Os produtos agrícolas exportados pelo continente têm seu preço fixado no mercado internacional, sediado em Chicago, e em outubro a Deere anunciou que estava demitindo quase 10% de seus funcionários de uma unidade de produção no Brasil, atribuindo a medida à queda das vendas de equipamentos - que, de acordo com a empresa, será de 15% no comparativo com 2013.

Outros mercados emergentes, como a China e a Índia, crescem em importância, mas tendem a comprar equipamento de baixo custo e até o momento respondem por uma parcela pequena da receita do segmento.

O futuro de longo prazo do segmento está praticamente assegurado, pois a necessidade cada vez maior de alimentos para alimentar a crescente população mundial garante a expansão da mecanização no campo. Mas os próximos anos podem ser complicados, de acordo com Rick Cross, dono da revendedora de equipamentos agrícolas Cross Implement, de Illinois, com US$ 100 milhões em vendas anuais.

"Se o que acontecer [no ano que bem] se repetir [em 2016], posso prever um grave impacto econômico sobre os equipamentos agrícolas", afirma ele.

Os produtores rurais americanos estão recorrendo aos bancos em busca de empréstimos de curto prazo, uma vez que a queda de sua renda, decorrente do recuo dos preços dos produtos agrícolas, esgotou seu capital de giro, como já informou o "Financial Times".

Nas pesquisas trimestrais de condições de crédito do setor agrícola publicadas este mês, as agências tanto de Chicago quanto de Kansas City do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) observaram este ano um aumento significativo do crédito agrícola não imobiliário. As duas agências cobrem parte das principais regiões agrícolas dos Estados Unidos, e seus relatórios servem de termômetro para avaliar a saúde da economia agrícola do país.

"A renda agrícola de 2014 ficou aquém da dos anos anteriores, e isso aumentou a necessidade de financiamento para cobrir os custos de produção", informou o Fed de Kansas City em seu relatório. O Fed de Chicago prevê que a demanda dos produtores rurais por empréstimos não imobiliários do quarto trimestre será a mais elevada desde 1970.

Mesmo diante do potencial para colher uma safra recorde, aproximadamente 85% dos dirigentes de bancos consultados pelo Fed de Kansas City previram que as rendas da produção de 2014 serão menores que as do ano passado. A queda média da renda foi projetada em 25%.

Com os sinais dos mercados de grãos e oleaginosas de que os preços continuarão baixos, houve também preocupação com as margens de lucro do ano que vem. No Meio-Oeste, mais de 90% dos produtores rurais ouvidos pelo Fed de Chicago previram queda dos lucros para o outono e o inverno (o período entre os meses de setembro e março).

Um dirigente de banco de Kansas City disse aos pesquisadores: "A queda dos preços dos produtos agrícolas, associada aos altos custos dos insumos, vai impactar a lucratividade agrícola. As compras de maquinário ficarão caras demais para a maioria dos produtores". (Financial Times 20/11/2014)

 

Sertãozinho: Simisa entra com pedido de recuperação judicial

Uma das mais tradicionais indústrias de base do parque industrial de Sertãozinho, a Simisa, entrou com pedido de recuperação judicial em razão da crise provocada pela inadimplência das usinas canavieiras e pela falta de novos pedidos.

Historicamente, nesta época do ano, durante a entressafra da cana-de-açúcar, as indústrias de base trabalhavam a todo o vapor nos projetos de reformas das usinas. Neste ano, como já era previsto, a indústria de base vem demitindo e as novas encomendas minguaram.

Pior, muitas das indústrias de base têm demitido e grande parte delas sequer dispõem de recursos para pagar salários e encargos sociais. Segundo o secretário Carlos Roberto Liboni, da Indústria, Comércio, Agricultura, Abastecimento e Relações do Emprego de Sertãozinho, só nos últimos 12 meses nada menos do que 4 mil trabalhadores foram demitidos nas indústrias locais.

Trabalhadores demitidos da Simisa se reuniram no Sindicato dos Metalúrgicos de Sertãozinho para discutirem as dificuldades envolvendo o não pagamento de salários. Eles reclamam também que há meses que a Simisa não vinha depositando os valores correspondentes ao FGTS. (Brasil Agro 21/11/2014)

 

Cresce para R$ 177,2 milhões prejuízo da Dedini

Prejudicada pelos baixos investimentos no segmento sucroalcooleiro, a Dedini Indústria de Base, uma das principais fabricantes de equipamentos para usinas de cana do país, voltou a ter resultados negativos em 2013. A companhia, com sede em Piracicaba, publicou apenas ontem, no Diário Oficial Empresarial de São Paulo, seu balanço do ano passado. O prejuízo líquido atribuível aos controladores alcançou R$ 177,2 milhões, ante perda de R$ 113,9 milhões registrada em 2014.

As dificuldades da companhia, que já se arrastam há anos, estão diretamente ligadas à queda dos aportes industriais das usinas, cujas encomendas respondem por 60% de seu faturamento, mas também por retrações em outros setores, como o de bebidas. No auge dos investimentos em etanol no país, em 2008, a Dedini chegou a faturar R$ 2,2 bilhões, mas esse valor caiu para R$ 385 milhões no ano passado.

Em 2013, o custo dos produtos vendidos e dos serviços prestados pela Dedini chegou a R$ 406 milhões, ante R$ 411 milhões em 2012, e foi superior à receita líquida - que caiu 9,13% na comparação, para R$ 385,7 milhões. Já o resultado antes de impostos e juros foi negativo em R$ 92,9 milhões, ante os R$ 64,4 milhões também negativos de 2012.

O maior passivo da companhia é tributário. No fim de 2013, a empresa tinha R$ 535 milhões em impostos e contribuições a recolher em até 12 meses, ante R$ 407 milhões um ano antes. A dívida bancária de curto prazo em 31 de dezembro era de R$ 120,8 milhões, mais que o dobro que no fim de 2012 (R$ 58,2 milhões).

Com os resultados negativos de 2013, os prejuízos acumulados pela Dedini em sua história atingiram R$ 499,7 milhões. Com isso, o patrimônio líquido atribuível aos controladores passou do campo positivo (R$ 16,6 milhões em 31 de dezembro de 2012) para o negativo (R$ 160 milhões no fim do ano passado). (Brasil Agro 19/11/2014)

 

Commodities Agrícolas

 

Café: Revisão de estimativa: A revisão para cima feita pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos na estimativa de oferta de café no Brasil na safra atual provocou forte queda da cotações do grão na bolsa de Nova York. Os lotes para março fecharam ontem a US$ 1,8885 a libra-peso, baixa de 1.025 pontos, a maior desde 20 de outubro. O órgão elevou seu cálculo em 1,7 milhão de sacas, para 51,2 milhões. A projeção indica que, apesar da seca que afetou a produção dos cafezais neste ano, as perdas podem ter sido menores que o calculado, de forma que ainda exista boa oferta disponível. Além disso, a área produtora deve receber chuvas na próxima semana, reduzindo o estresse hídrico. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica caiu 4,43% para R$ 473,98 a saca.

Laranja: Frio antecipado: O frio chegou mais cedo que o normal neste ano nos Estados Unidos e tem preocupado os produtores de laranja da Flórida, o que já oferece sustentação aos preços dos suco da fruta na bolsa de Nova York. Ontem, os lotes do produto concentrado e congelado para março fecharam em alta pela sexta sessão seguida, com avanço de 440 pontos, a US$ 1,4375 a libra-peso. Ainda não foram registradas temperaturas muito baixas nas regiões produtoras do Estado, mas o temor é que eventuais geadas possam comprometer a produtividade da nova safra. O receio levou muitos investidores a abandonarem suas posições vendidas. No mercado doméstico, o preço da laranja para a indústria apurado pelo Cepea/Esalq manteve-se em R$ 10,10 a caixa de 40,8 quilos.

Soja: Alta com incertezas: Receios com eventuais problemas logísticos nos Estados Unidos e atenção com o clima no Brasil atraíram compras especulativas ontem ao mercado de soja, cujas cotações tiveram forte alta na bolsa de Chicago. Os papéis para março fecharam em US$ 10,28 o bushel, alta de 16 centavos. O excesso de trens nas ferrovias americanas preocupa, já que pode atrasar as entregas do grão e do farelo de soja aos compradores. Conforme levantamento da Associação de Ferrovias Americanas, o volume de carregamentos desde o início do ano já está 3,4% superior ao de igual período do ano passado. No Brasil, há previsão de chuvas que podem ajudar o avanço do plantio, mas a irregularidade climática deste ano ainda preocupa. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para a oleaginosa no Paraná caiu 1,08%, para R$ 61,65 a saca.

Milho: Demanda elevada: Indicações de que a demanda por milho dos Estados Unidos está aquecida deram impulso ontem aos futuros do grão na bolsa de Chicago. Os lotes para março subiram 10,25 centavos, a US$ 3,8625 o bushel. Os exportadores americanos aumentaram o volume do grão negociado com o mercado externo na semana encerrada dia 13. Na comparação com a semana anterior, o volume aumentou 80%, e ante a média das quatro semanas anteriores, 45%. No mercado interno, a demanda é puxada pelo setor de etanol, que nos Estados Unidos é feito a partir de milho. Na semana até o dia 14 de novembro, o setor produziu 970 mil barris ao dia, o segundo maior volume da história no país. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa recuou 1,22%, para R$ 28,40 a saca. (Valor Econômico 21/11/2014)