Setor sucroenergético

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IPO da Embrapa ressurge do fundo da terra

O governo pretende desencavar um projeto que já criou raízes profundas no Congresso: o IPO da Embrapa. O assunto volta à tona com novas nuances. A abertura de capital contemplaria a oferta de apenas 30% do capital, e não mais 49%, como prevê o projeto de lei do senador Delcídio Amaral, em hibernação no Congresso Nacional desde 2008.

A redução da fatia ofertada ao mercado seria uma forma de aplacar a resistência da bancada ruralista à operação. Líderes do agronegócio sempre consideraram excessiva a possibilidade de venda de quase metade da companhia.

Desde o início, o projeto de Delcídio carregou a pecha de que levaria a uma “desnacionalização branca” da Embrapa, ao abrir tamanho espaço para a participação de grupos estrangeiros na empresa. A nova proposta para a abertura de capital da Embrapa já foi objeto de conversas entre Dilma Rousseff e a senadora Kátia Abreu, virtualmente escolhida para assumir o Ministério da Agricultura.

A oferta de ações da estatal viria em um momento de grande pressão sobre a Embrapa. Empresários do agronegócio e parlamentares ligados ao setor têm cobrado do governo maiores investimentos na estatal. Mesmo internamente, há pesadas críticas a medidas adotadas durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff. Um dos motivos de insatisfação é o desmantelamento do Centro de Estudos Estratégicos e Capacitação em Agricultura Tropical (Cecat). O projeto foi desenvolvido durante o governo Lula com o objetivo de capacitar profissionais da área de agrociência, inclusive especialistas de outros países. (Jornal Relatório Reservado 24/11/2014)

 

Cosan Logística investirá até R$ 9 bi em expansão nos próximos 10 anos

SÃO PAULO - O presidente da Cosan Logística, Júlio Fontana, afirmou que a companhia vai investir entre R$ 7 bilhões e R$ 9 bilhões nos próximos dez anos para expansão de capacidade. Esse valor, conforme o executivo, está dividido em R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões em vias permanentes e R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões em material rodante.

O aporte desses valores, porém, está condicionado à concretização da fusão entre a Rumo e a ALL, que está em análise no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

De acordo com o presidente da Cosan, Marcos Lutz, o investimento em material rodante é de execução mais fácil, de forma que a maior parte dos aportes planejados deve ter sido executada nos primeiros cinco anos. Já a aplicação de recursos em vias permanentes é um pouco mais complexa, de forma que a maior parte deve ser executada no médio prazo.

“O que buscamos é conquistar a qualidade projetada para esses equipamentos e isso será feito nos primeiros cinco anos”, afirmou, em apresentação para analistas e investidores em Nova York.

Questionado por um analista sobre o fato de a ALL não ter gerado caixa nos últimos sete anos e o que poderá ser feito para reverter esse quadro, o executivo destacou que reduzir o custo de capital é um dos maiores desafios. “Acredito que a infraestrutura ferroviária é de capital intensivo. É preciso reduzir o custo de capital, não evitá-lo”, comentou.

Para Lutz, a existência no país de linhas de financiamento subsidiadas, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), representa uma oportunidade “fantástica”. “Há subsídio para esse tipo de investimento e é preciso fazer uso disso. Eles [ALL] tentaram fazer o melhor trabalho, mas sem a qualidade de ativo requerida”, disse.

Risco

O negócio de logística da Cosan é o que apresenta maior potencial de crescimento e, paralelamente, mais riscos. A afirmação foi feita pelo presidente Marcos Lutz e pelo diretor vice-presidente de finanças e de relações com investidores Marcelo Martins.

“O negócio de logística é, definitivamente, o que tem maior potencial de crescimento. Ele está perto de uma grande recuperação [turnaround]. E as grandes oportunidades trazem riscos junto”, afirmam.

Segundo a administração da empresa, o Brasil não possui um sistema eficiente de transporte por meio dos rios, e as ferrovias se mostram rentáveis. “Estamos investindo muito dinheiro nisso. Temos oportunidades muito relevantes a longo prazo, começando pelo próximo ano.”

Capital

A Cosan, que se encontra em meio ao processo de reestruturação do grupo, afirmou ainda que não planeja fazer nenhum aumento de capital. De acordo com Lutz, a Cosan estará aberta para fazer parcerias estratégicas. “Será uma das coisas a se fazer.”

Segundo o executivo, a Cosan busca consolidar as suas bases com a reestruturação, fazer com que cada área de negócios seja mais focada e eficiente.

“Nós acreditamos que cada área pode ser mais independente, focada nos resultados. Nosso portfólio atual é o mais resiliente que já tivemos”, afirmou o presidente. “Esclarecemos que a Cosan Limited (CZZ) não será uma empresa de private equity. Somos operacionais e vamos continuar focados nisso”, completa. (Valor Econômico 21/11/2014 às 18h: 00m)

 

Cade ouve empresas sobre ALL-Rumo

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) começou a ouvir, nos últimos dias, empresas que entraram como terceira parte interessada no caso ALL-Rumo. A Superintendência-Geral do órgão antitruste, que definiu a operação envolvendo as duas empresas como "complexa" (que não pode ser decidida sumariamente e precisa de mais detalhes da fusão), quer saber das empresas quais seriam os reais impactos da fusão, caso o negócio seja aprovado.

A incorporação da América Latina Logística (ALL) pela Rumo, do grupo Cosan, anunciada em fevereiro depois de dois anos de intensas negociações, foi considerada uma das maiores operações de infraestrutura do ano. No entanto, a transação mobilizou tradings, associações de produtores de soja e operadores logísticos, que temiam que a união das duas empresas prejudicasse o transporte de grãos em detrimento do açúcar. Desde julho, quando o caso da ALL-Rumo chegou ao Cade, foram apresentadas 12 impugnações - manifestação de terceiros interessados na operação.

Fontes ouvidas pelo Estado afirmaram que o Cade poderá impor algumas restrições para que a transação entre as duas companhias seja aprovada. Entre elas, a imposição de que operadores independentes ferroviários possam ocupar uma parte do percurso dos 12 mil quilômetros de malha ferroviária da companhia, além de venda de parte dos terminais secos de açúcar e portuários.

No início deste mês, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que regula o setor, aprovou sem restrições a fusão entre as duas companhias.

'As empresas vão apertar o cinto no ano que vem'  

As empresas brasileiras devem passar por uma nova onda de corte de custos no ano que vem, estima Luiz Vieira, sócio e vice-presidente da Strategy&, fruto da fusão da Booz & Company com a área de consultoria da Pricewaterhousecoopers (PWC). Em sua visão, a economia brasileira desacelerou, o pessimismo toma conta dos empresários e a ordem é cortar a "gordura" para ganhar eficiência.

Qual o cenário para as empresas brasileiras em 2015?

A economia esfriou. Todas as empresas vão apertar o cinto e terão de fazer novos cortes de custos. Muitas delas já vêm de momentos de cortes de custos anteriores e querem fazer o processo de forma mais estrutural. O desafio é saber onde cortar, para as empresas não deixem de aproveitar o próximo ciclo de crescimento econômico.

Como decidir onde cortar?

O caminho clássico na hora de enxugar custos é cortar, por exemplo, 10% do orçamento de cada departamento da empresa. Mas isso faz com que as empresas voltem a ficar inchadas quando a economia voltar a crescer. Elas tendem a recompor o quadro e depois precisam passar por tudo de novo quando a economia esfriar. A solução sustentável é refazer a estrutura de custos da empresa, considerando o que é realmente o diferencial do negócio. Assim, é possível preservar áreas mais relevantes e fazer cortes mais profundos em despesas não essenciais.

Mas diversas companhias brasileiras anunciaram reduções de custos nos últimos anos.

Ainda há o que cortar?

Sim. Após ciclos de otimismo, as empresas ficam gordas, pois esperavam um crescimento que não se concretizou. Muitas já enxugaram despesas nos últimos anos, mas ainda há o que cortar a partir de uma análise estrutural do negócio. (O Estado de São Paulo 24/11/2014)

 

Pedro Isamu Mizutani - A cana-de-açúcar como a melhor alternativa

O setor sucroenergético, iniciativa sinônimo de progresso e sustentabilidade no Brasil, está buscando mais oportunidades para contribuir com o país.

O mercado está em um momento que pode ser considerado crucial para os produtos derivados da cana-de-açúcar. Não basta apenas a boa vontade e investimento dos players do segmento, é preciso uma conscientização do consumidor ao governo, de apostar na cadeia.

Os participantes deste mercado trabalham em prol de que o Brasil ocupe um espaço de destaque no mercado internacional, em especial com o etanol, e também que o biocombustível passe a ser oficialmente reconhecido como alternativa ambiental. No entanto, é preciso somar mais peso ao time.

O Brasil figura entre os países que subsidiam os combustíveis fósseis. Com a alta do dólar, a importação dos derivados do petróleo passa a pesar ainda mais na balança comercial destes países.

Portanto, o etanol é uma alternativa no contrapeso: segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), em 10 anos, o mundo demandará 26 milhões de toneladas de açúcar e o Brasil precisará de 62% a mais de etanol. Para isso, o país terá que elevar sua moagem em 200 milhões de toneladas de cana por ano.

É o momento de transformar o etanol em uma commodity.

O fato é que o etanol ainda caminha para ter um maior reconhecimento de sua capacidade energética e de seu processo produtivo sustentável.

Os holofotes estão virados para o preço, ainda o principal fator de escolha do consumidor, que em raríssimas situações leva em conta o fator ambiental no momento do abastecimento de seu veículo. No entanto, o setor segue apostando no combustível.

Um exemplo é o investimento em novas tecnologias, como o etanol de segunda geração – produto feito a partir do bagaço, folhas, cascas e outros resíduos da produção da cana-de-açúcar.

É uma alternativa para driblar os altos custos das terras e, em especial, de novas unidades de produção (greenfileds).

A primeira unidade da Raízen do novo tipo de etanol entrará em produção ainda em 2014. Com a planta, serão produzidos aproximadamente 40 milhões de litros de etanol de segunda geração por ano.

A fábrica será construída anexa à unidade Costa Pinto, em Piracicaba (SP). Para a produção do biocombustível, a Raízen já possui um estoque de matéria prima: a biomassa existente na unidade poderá ser aproveitada tanto para a geração de energia elétrica quanto para a produção do novo etanol.

Toda a expertise do setor com a criação de um novo combustível se deve pela experiência de décadas do Brasil com a produção do etanol extraído da cana-de-açúcar.

Em 1975, após a primeira crise do preço do petróleo, foi iniciado o Programa Pró-Álcool, que tinha o objetivo de diminuir a dependência das importações de petróleo.

Antes disso, por volta da década de 20, o país já saía na frente ao utilizar o etanol como alternativa ao impacto de conflitos e crises mundiais.

Dos anos 70 para cá, o país desenvolveu um interesse em ampliar a produção de etanol.

Tal incentivo também esteve relacionado à grande discussão internacional sobre as mudanças do clima e importância da diminuição de emissão de CO2 na atmosfera.

Vale ressaltar que o Brasil apresenta condições naturais extremamente favoráveis para a produção da cana, fator determinante para firmar seu lugar como futuro líder do etanol no mercado internacional.

E não são somente clima e terras favoráveis que fazem do Brasil um destaque sucroenergético.

O país tem tecnologia e profissionais altamente especializados, e ano-a-ano, vem investindo em agricultura de precisão e na melhoria do manejo com a finalidade de elevar a produtividade da cana e, em especial, a eficiência do setor.

A melhoria dos processos no campo é benéfica tanto para a sociedade quanto para o meio ambiente.

Há um melhor aproveitando da terra, redução no uso de substâncias químicas para controle de pragas e a evolução do plantio e colheita mecanizadas.

Além da importância para a evolução da produção de biocombustíveis, o setor sucroenergético contribui consideravelmente para a cogeração de energia elétrica.

Na Raízen, por exemplo, 13 das 24 unidades da empresa possuem infraestrutura para produzir energia a partir da queima da biomassa.

Juntas, as unidades termelétricas têm capacidade de geração de 940 MW por ano. E o setor tem um potencial de produção ainda maior.

No início do ano, a Unica projetou que até o fim de 2014 as usinas de cana-de-açúcar do Centro-Sul poderiam gerar até 14.000 MW por ano, o equivalente a uma usina de Itaipu.

Outra vantagem da energia gerada a partir do processo produtivo da cana-de-açúcar é a localidade das unidades de produção.

Tendo como base que 60% da energia consumida no Brasil vem do Centro-Sul do país, a mesma região onde estão concentradas as unidades sucroalcooleiras, há um ganho logístico nas linhas de transmissão, diferentemente do que ocorre com as fontes eólicas, concentradas na região Nordeste. Se o fator da proximidade fosse levado em conta, os preços em leilões de energia baixariam e, com isso, poderiam atrair mais investidores.

Por enquanto, as ações de contingência dos contratempos das hidroelétricas, que acabam sendo usadas quase que constantemente, são as usinas a gás e óleo (mais caras e mais poluentes).

Sem contar que nem sempre a oferta desses combustíveis está disponível no mercado.

É importante ressaltar que há espaço para o crescimento do setor sucroenergético.

O Brasil é um dos principais produtores mundiais de açúcar – a maior parte da produção nacional é escoada para outros países, como China e Indonésia.

Porém, é preciso que, tanto à iniciativa pública quanto a privada, acreditem que esse é o caminho.

As oportunidades positivas, como o retorno da CIDE (Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico) da gasolina, ou seja, o fim do subsídio ao combustível fóssil, e a valorização da bioeletricidade, devem ser mais exploradas.

Seja no etanol, açúcar ou na cogeração de energia, a cadeia produtiva do setor é limpa e com um alto valor agregado. Ela traz desenvolvimento para o Brasil e, principalmente, para as localidades onde está inserida.

Pedro Isamu Mizutani é vice-presidente de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen e professor da IBE-FGV. (www.novomomento.com.br 22/11/2014 às 20h: 42m)

 

Pesquisa aponta novas alternativas para cana de garapa

Ferrugem alaranjada diminui produtividade da 3250.

O Brasil tem hoje 424 variedades de cana-de-açúcar.

A 3250, a cana de nossa garapa, começou a ser plantada em 1988. Embora desprezada pelas usinas, ainda é a segunda mais cultivada (13% da área) perdendo apenas para a RB-7515, com ocupação de 29% da área de plantio, o correspondente a 2,5 milhões de hectares. Em terceiro lugar vem a 6928 e, na sequência, uma sucessão de variedades do CTC (Centro Tecnológico Canavieiro) de Piracicaba.

Uma doença chamada ferrugem alaranjada é o que tem levado os usineiros a substituir a 3250. Infelizmente, ela está com os dias contados.

“Trata-se de uma variedade antiga. Seu desenvolvimento foi iniciado em 1981 e, portanto, está mais sujeita à ferrugem alaranjada. Outras espécies têm ocupado seu espaço”, diz o engenheiro agrônomo Virgílio Vicino, diretor de marketing do CTC.

O agrônomo sugere como possíveis substitutas algumas variedades do CTC, como a 4, 9, 9001. “São canas com alto teor de sacarose que podem ser testadas para garapas”.

Instituto Agronômico

O pesquisador Marcos Andrade Guimarães Landell, do IAC (Instituto Agronômico de Campinas) dá prazo: em dois anos a 3250 estará erradicada. “Existem outras variedades de cana mais rentáveis”.

Para substituí-la, há duas variedades com excelente coloração, segundo o pesquisador: são a IACSP-95-5000 e a IAC-91-1099.

Especial para o paladar, a ‘413’ é do tipo sensível

A variedade 413, também produzida em Cajuru e apreciada em rodelas – ou rolete – muito vendidas em portas de escolas, é de ótima qualidade, macia e suculenta em razão do baixo teor de fibras. Mas não é plantada pelas usinas por se tratar de uma cana muito sensível, que se verga facilmente a ventos mais fortes e vai ao chão. (A cidade 23/11/2014  às 11h: 45m)

 

EPA adia para 2015 decisão sobre o mandato de biocombustíveis nos EUA

A Agência de Proteção Ambiental americana (EPA, na sigla em inglês) anunciou nesta sexta-feira (21) o adiamento de uma decisão final sobre o Padrão de Combustíveis Renováveis (RFS), lei que determina o quanto de etanol e outros biocombustíveis as refinarias devem misturar em seus combustíveis.

O anúncio foi feito no momento em que a área de gestão e orçamento da Casa Branca perdeu o prazo de 90 dias para rever as mudanças propostas pela agência, que no ano passado sinalizou pela primeira vez um recuo no percentual de combustível que pode ser misturado.

“A EPA emitiu uma nota dizendo que não tomará [uma decisão final] sobre o volume [previsto] para o Padrão de Combustíveis Renováveis antes do fim de 2014”, disse ao site The Hill uma fonte ligada à agência.

A agência acrescentou, ainda, que a proposta recebeu um “número significante” de comentários, especialmente no que diz respeito à “capacidade em garantir o progresso contínuo para atingir as metas de combustíveis renováveis previstas pela lei”.

A agência ambiental informou também que em 2015 e 2016 espera voltar a divulgar ano a ano suas recomendações, sem o atraso de 2014.

No início do ano, um executivo da EPA chegou a afirmar que uma decisão final estava prevista para o junho, mas desde então, a polêmica tem se arrastado.

Naquela ocasião, a EPA disse ao portal novaCana que estava trabalhando na proposta final para 2014 e que esperava concluí-la “o mais rápido possível".

Reação negativa

Segundo o site The Hill, os representantes das indústrias de ambos os lados, petroleiras e biocombustíveis, ficaram enfurecidos com o adiamento anunciado hoje.

A associação que representa as usinas de biodiesel dos EUA e quer misturas maiores, repreendeu a EPA. "Esta administração disse que apoia o biodiesel repetidas vezes, no entanto estes repetidos atrasos estão minando a indústria", disse Anne Steckel, presidente de assuntos federais da associação.

A American Fuel and Petrochemical Manufacturers – que reúne empresas petroquímicas e de combustíveis – entrou com uma notificação nesta sexta-feira com a intenção de processar a EPA por não liberar uma regra final.

Atualização: A EPA divulgou a pouco comunicado oficial confirmando o adiamento. O documento informou:"Hoje a EPA está anunciando que não finalizará os padrões percentuais aplicáveis para 2014 do Renewable Fuel Standard (RFS), antes do final de 2014.”. (Matéria aberta da Nova Cana 21/11/2014)

 

Nova equipe econômica empolga mercado

Os investidores celebraram na sexta-feira a indicação, ainda a ser confirmada, de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, vista como um sinal de disposição da presidente Dilma Rousseff em promover ajustes na política econômica em seu segundo mandato. A bolsa disparou enquanto dólar e as taxas de juros futuras caíram, movimento que, segundo analistas, pode se aprofundar nos próximos dias na medida em que diminui o clima de incertezas e o anúncio da equipe for oficializado pelo Planalto.

Com uma arrancada no fim do pregão, o Índice Bovespa fechou em alta de 5,02%, aos 56.084 pontos. O dólar comercial encerrou em queda de 2,11%, a R$ 2,5218, o menor patamar desde 5 de novembro. Na BM&F, o contrato futuro de Depósitos Interfinanceiros (DI) com vencimento em janeiro de 2021, mais ligado a percepção de risco, caiu de 12,43% para 11,93%, voltando a níveis vistos no fim de outubro.

O ex-secretário do Tesouro Nacional no governo Lula e atual diretor-superintendente da Bradesco Asset Management (Bram) assumiria a Fazenda em substituição a Guido Mantega, depois que o presidente do banco da Cidade de Deus, Luiz Carlos Trabuco, recusou o convite da presidente Dilma para a pasta. A equipe econômica do segundo mandato ainda contaria com Nelson Barbosa, ex-secretário-executivo da Fazenda, no Ministério do Planejamento e a permanência de Alexandre Tombini no Banco Central (BC).

Para Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central e atual sócio da Mauá Sekular Investimentos, a indicação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda representa uma sinalização de mudança do governo, podendo trazer um choque de credibilidade em um primeiro momento. Isso abre espaço para uma correção positiva tanto nos mercados de câmbio como nos de juros futuros.

A retomada da confiança dos investidores em um horizonte mais amplo, porém, vai depender de como a mudança no governo será implementada. "O Joaquim é um nome forte, um executivo experiente, que implementou o aperto fiscal no primeiro mandato do governo Lula", destaca Figueiredo.

Na visão do ex-diretor do BC, Levy deve montar uma equipe econômica de credibilidade e tem condições de promover o ajuste fiscal necessário, uma vez que tem experiência em negociar com o Congresso. "O nome de Joaquim representa um sinal de mudança, se ela vai acontecer ou não ainda precisamos ver. Precisa de um tempo para vermos como será o discurso do novo ministro, como será detalhada a execução dessas mudanças", destaca Figueiredo.

Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, ao escolher um técnico de renome como Joaquim Levy, a presidente dá um sinal claro de que está disposta a promover uma inflexão da política econômica, sobretudo na área fiscal. "É um nome com experiência tanto no governo quanto no mercado financeiro, com um perfil que sinaliza mudança", afirma.

Com a redução das incertezas em relação à condução da política econômica, Gonçalves vê espaço para continuidade de alta do Ibovespa e novas rodadas de queda do dólar e dos juros futuros. "Uma boa parte dos prêmios de risco hoje não são justificados pelos fundamentos e refletem especulações de curto prazo geradas pelo clima de incerteza", afirma o economista, ressaltando que, passado a euforia inicial da formação da equipe econômica, o foco vai se voltar novamente para as medidas fiscais.

Para o economista-chefe do Banco J.Safra, Carlos Kawall, que substituiu Levy no Tesouro Nacional em 2006, o antecessor fez um bom trabalho ao promover um ajuste fiscal duro em 2003, justamente em um momento em que a confiança do mercado estava em xeque. "Ele ajudou a promover uma importante melhora no perfil da dívida pública, alongando o vencimento dos títulos do Tesouro. Os papéis passaram também a contar com maior participação de investidores estrangeiros", afirma.

Em 2006, o governo reduziu a zero a alíquota de imposto de renda para os estrangeiros que aplicam em títulos públicos, aumentando a participação desses investidores na dívida pública brasileira. "Ele fez a primeira emissão em reais no exterior", lembra Kawall.

Daniel Cunha, estrategista da XP Investimentos, diz que o anúncio da equipe econômica é um começo, mas o governo precisa sinalizar logo qual será a intensidade das medidas que irá tomar, principalmente na área fiscal. "O nome de Levy já inspira confiança, mas é um primeiro passo. O segundo é ver se ele terá liberdade para formar a equipe econômica e implementar as medidas de ajuste necessárias. Já o terceiro é o governo de fato vai entregar o que for combinado e a intensidade das medidas que serão propostas", diz. Ele considera que há espaço para apreciação do real, desde que novos sinais positivos do governo sejam dados ao mercado.

Para Cunha, no entanto, o novo ministro terá um cenário difícil pela frente, com a economia estagnada, inflação alta e um ambiente externo menos favorável. Ele lembra que os preços de commodities estão em queda e que o Federal Reserve (Fed, banco central americano) está em processo de normalização da taxa básica de juros. "Em 2002, o cenário externo era mais favorável, e os ajustes promovidos foram menos custosos para a economia. Os ajustes necessários hoje implicariam em medidas mais árduas e a sua implementação será mais difícil", diz o estrategista da XP.

Ainda no pregão de sexta-feira, repercutiu sobre os ativos locais a decisão inesperada do banco central da China de reduzir as taxas de juros. Declarações do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, também animaram os investidores. As principais bolsas da Europa fecharam com fortes ganhos e Wall Street seguiu pelo mesmo caminho. (Valor Econômico 24/11/2014)

 

Commodities Agrícolas

Café: Recompra de fundos: Os preços do café arábica subiram na sexta-feira na bolsa de Nova York na esteira de recompras de fundos, que ainda veem uma oferta mais restrita na safra 2015/16. Os contratos para março fecharam a US$ 1,907 a libra-peso, em alta de 185 pontos. O mercado andou "de lado" na semana passada, dividido entre receios com o potencial de produção dos cafezais brasileiros na próxima temporada e indicações de que a oferta ainda não se encontra apertada. A Somar Meteorologia previa chuvas fortes para Minas Gerais e São Paulo no domingo, mas também temperaturas elevadas para todo o país. As incertezas levaram os fundos a cobrirem posições vendidas. No mercado doméstico, o preço do café de boa qualidade variou entre R$ 520 e R$ 530 a saca de 60,5 quilos, segundo o Escritório Carvalhaes.

Cacau: Queda em Nova York: Os preços do cacau oscilaram no campo negativo, ainda que de forma limitada, na última sessão na bolsa de Nova York. Os contratos com vencimento em março fecharam com recuo de US$ 7, cotados a US$ 2.822 a tonelada. O movimento, portanto, não conseguiu romper o patamar de suporte de US$ 2.800 a tonelada, em uma sessão também marcada pelo baixo volume de negócios. As cotações da amêndoa têm oscilado "de lado", com o mercado divido entre a pressão do avanço da colheita em Gana e na Costa do Marfim e o impulso por parte de compras de fundos. No mercado interno, o preço médio da arroba do cacau nas praças de Ilhéus e Itabuna, na Bahia, foi pressionado pela queda do dólar e ficou em R$ 102, de acordo com a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Sessão de ajustes: Os futuros do algodão subiram na bolsa de Nova York na última sessão da semana passada, impulsionados por ajustes técnicos e compras de fundos. Os lotes para entrega em março fecharam com variação positiva de 66 pontos, a 59,52 centavos de dólar a libra-peso. No dia anterior, os preços se aproximaram da mínima em cinco anos, o que atraiu especuladores à bolsa na sexta. Os fundamentos, porém, permanecem "baixistas". A China divulgou que as importações de algodão voltaram a cair em outubro. O volume foi 42% menor que o importado no mesmo mês de 2013. No acumulado do ano, a queda é de 38%. No mercado doméstico, o preço da arroba da pluma no oeste da Bahia ficou em R$ 52,91, segundo a Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba).

Soja: Otimismo com a China: As cotações da soja ganharam impulso na sexta-feira na bolsa de Chicago após o banco central da China anunciar um corte na taxa de juros do país. Os lotes para março fecharam em alta de 18 centavos, a US$ 10,46 o bushel, o maior valor desde o dia 13. A decisão do Banco do Povo da China de reduzir as taxas de juros pela primeira vez em dois anos ocorre em meio ao desaquecimento da economia chinesa. O anúncio abriu o apetite por risco no mercado financeiro e alavancou os preços de diversos ativos. Acredita-se, ainda, que a aumento do crédito possa estimular a indústria processadora de soja no país, o que teria forte impacto no mercado, já que a China lidera as importações do grão. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a soja no Paraná subiu 1,17%, para R$ 62,37 a saca de 60 quilos. (Valor Econômico 24/11/2014)