Setor sucroenergético

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Nova levedura promove fermentação eficiente do caldo de cana

A próxima safra de cana-de-açúcar marca o fim – enfim! – das queimadas para colheita em quase todo o estado de São Paulo.

Em números arredondados, isso quer dizer 5,5 milhões de hectares de cana colhida cruazinha em 2015: sem fuligem, sem fumaça e, sobretudo, sem emitir mais de 20 milhões de toneladas de carbono!

Ainda vai sobrar um porcentual pequeno, correspondente às áreas não mecanizáveis, ou seja, com declives acentuados e em terrenos irregulares.

Essas serão utilizadas para outras culturas e também estarão livres do fogo até 2017, conforme reza o Protocolo Agroambiental do Setor Sucroenergético, acordado em 2007 entre a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Única) e as secretarias estaduais de Meio Ambiente e Agricultura e Abastecimento.

Mas a boa notícia tem seu porém: se no ambiente externo tudo fica mais limpo, dentro das usinas, a cana crua chega com mais resíduos de palha, folhas e solo, antes eliminados no campo.

E a fermentação dos açúcares dessa cana torna-se menos eficiente.

“As impurezas vegetais e minerais que vêm junto com a cana são prejudiciais à fermentação. Há uma mudança na composição do caldo de cana, do mosto de cana, afetando a estabilidade das leveduras, o que pode colocar em risco o rendimento da indústria sucroalcooleira”, explica Mário Lúcio Lopes, diretor científico da Fermentec, de Piracicaba (SP).

“Precisávamos de uma levedura mais robusta e competitiva, para não deixar os microrganismos contaminantes – bactérias ou leveduras indesejadas – tomarem conta da fermentação”.

Assim, com recursos do Programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (PIPE/Fapesp), a equipe de Lopes selecionou novas cepas de uma velha conhecida dos usineiros: a levedura industrial PE2.

Originalmente obtida na área da Usina da Pedra, em Serrana (SP), nos anos 1990, a PE2 é da espécie Saccharomyces cerevisiae, hoje considerada cosmopolita, isto é, de ocorrência natural em todos os continentes.

O papel dessa nova cepa de S. cerevisiae é colonizar os tanques de fermentação de modo uniforme, para impedir as várias cepas selvagens nativas – eventualmente trazidas com os resíduos – de atrapalhar o processo industrial.

E, uma vez instalada, ela promove a fermentação adequada e eficiente do caldo de cana, que então se transforma em açúcar ou etanol.

Empresa de tecnologia industrial, a Fermentec presta serviços e estuda soluções, mas não vende produtos.

Portanto, a nova levedura – apelidada com o nome comercial Fermel – agora deve ser multiplicada por fabricantes de leveduras industriais e disponibilizada no mercado para a próxima safra, a da colheita sem queimadas.

É bom lembrar que as usinas paulistas moem milhões de toneladas de cana por ano e precisam de muitas toneladas de levedura industrial.

Em geral, no início de cada safra, elas compram de 100 a 1.500 quilos do produto novo, livre de contaminantes, e em uma semana geram as 200 a 500 toneladas necessárias para começar o processo.

Ao longo da safra, a reciclagem de levedura industrial se repete diversas vezes, chegando ao final com certo nível de contaminação e menos eficiência no processamento da cana.

Então, ao final da safra, o resto é transformado em ração animal e a usina se mantém limpa nos quatro meses de entressafra para iniciar o ano seguinte descontaminada.

E pensar que um ser tão pequeno, parecendo um balãozinho microscópico, pode fazer uma diferença tão grande na transformação da cana que vai parar em nossa mesa ou no tanques dos nossos veículos. (Planeta Sustentável 24/11/2014)

 

Açúcar: Á espera da Unica

As cotações do açúcar demerara caíram ontem na bolsa de Nova York com as atenções dos investidores focadas na oferta a partir do Brasil.

Os lotes para maio fecharam em 16,38 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 8 pontos. Houve influência das expectativas com o relatório que a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulga hoje.

O Banco Pine avalia que a moagem de cana tenha caído 31% na primeira quinzena do mês por causa das chuvas, mas que a produção de açúcar desta safra tenha acumulado uma queda de apenas 0,7%, abaixo do que os analistas vêm esperando. A alta do dólar ante o real também ajudou a manter os preços da commodity sob pressão.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve alta de 0,14%, para R$ 51,86 a saca. (Valor Econômico 25/11/2014)

 

Etanol sobe ao motorista de 17 estados; gasolina aumenta em 24

SÃO PAULO - Puxados pelo reajuste da gasolina, os preços do etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, voltaram a subir aos motoristas do país na última semana. Conforme pesquisa da Agência Nacional de Petróleo (ANP), o preço médio do litro do biocombustível se valorizou nos postos de 17 estados entre os dias 16 e 22 de novembro em relação à semana anterior. A gasolina, no entanto, subiu em mais estados. Os preços médios do combustível fóssil na mesma comparação ficaram mais altos em 24 estados e no Distrito Federal.

Em São Paulo, maior centro consumidor de combustíveis do país, o etanol hidratado ficou 0,85% mais caro ao motorista entre 16 e 22 de novembro. No mesmo período, o preço médio da gasolina subiu 0,31% nos postos.

Mas se for considerada a valorização em quatro semanas, a gasolina subiu, na média do Estado, 2,04% ao consumidor final, ante 1,62% da alta do etanol hidratado no mesmo período.

Um reajuste de 3% na gasolina na refinaria começou a valer no dia 7 deste mês, depois de mais de um ano sem reajustes de combustíveis no país. Desde então, os preços do combustível fóssil vêm subindo na maior parte do país, puxando também os preços do etanol hidratado, seu concorrente direto nos postos.

Na semana passada — entre os dias 16 e 22 de novembro — os preços médios do etanol hidratado recuaram em 8 Estados e se mantiveram estáveis em um estado e no Distrito Federal. No mesmo período, os preços médios do litro da gasolina ao consumidor final caíram apenas em 2 estados, conforme a ANP.

Na usina em São Paulo, o biocombustível se manteve praticamente estável, após semanas consecutivas de forte alta. O indicador Cepea/Esalq para o hidratado se valorizou 0,17%, a 1,2248 o litro na semana entre 17 e 21 de novembro. Em quatro semanas, essa valorização acumulada é de 8,32%.

Em relação à gasolina, o etanol hidratado permaneceu mais vantajoso ao motorista de cinco Estados. Isso acontece quando o preço do etanol equivale a menos de 70% do preço do combustível fóssil,  conforme o parâmetro mais aceito pelo mercado. Essa relação ficou favorável ao etanol no Estado de São Paulo (64,8%), Mato Grosso do Sul (68,6%), Mato Grosso (64,2%), Goiás (67,9%) e Paraná (67,2%). 

No Estado de São Paulo, essa paridade está mais vantajosa para o etanol no município de Dracena, onde o preço do etanol equivaleu a 59,5% do preço médio da gasolina entre 16 e 22 de novembro. Na capital paulista, essa relação foi de 64,5% no período. (Valor Econômico 24/11/2014 às 13h: 58m)

 

BNDES consegue empréstimo para financiar projetos na área de energia renovável

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) obteve empréstimo de US$ 206 milhões com a Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD). O contrato, assinado nesta sexta-feira, 21, em Paris, pelo presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e pela diretora-geral da AFD, Anne Paugam, tem prazo de 12 anos, com três de carência. Trata-se da primeira operação realizada entre as duas instituições.

Os recursos serão destinados a financiamentos a projetos que tragam impactos positivos para o clima na área de energia renovável e eficiência energética, de modo a contribuir com a redução de gases de efeito estufa. Os setores prioritários serão os de energia eólica, solar, pequenas centrais hidrelétricas, cogeração a biomassa, eficiência energética e de inovação tecnológica.

A AFD consolidou sua atuação no Brasil em 2007, com a abertura da sua representação em Brasília, visando três focos de atividades: a luta contra as mudanças climáticas e a preservação da biodiversidade.

O Brasil, sétimo consumidor de energia elétrica no mundo e o primeiro na América do Sul, é o país que possui o maior mercado de energia renovável, conforme o relatório Global Trends in Sustainable Energy Investment da ONU, representando mais de 90% dos novos investimentos no setor na América Latina, a maior parte deles financiado pelo BNDES. (BNDES 24/11/2014)B

 

Usinas fecham mais vagas no Centro-Sul

O número médio mensal de pessoas empregadas no segmento sucroalcooleiro tende a atingir neste ano o nível mais baixo da região Centro-Sul desde 2007, quando começou o movimento mais forte de mecanização da colheita e do plantio da cana.

De janeiro a outubro deste ano, o número médio mensal de trabalhadores nesse segmento atingiu 462.314, queda de 6,9% em relação às 505.937 de igual intervalo de 2013. A média mensal dos 10 meses deste ano é menor do que a dos 12 meses de 2007, quando 497.419 pessoas estavam empregadas nessa indústria.

"Podemos afirmar que a média mensal dos 12 meses de 2014 será menor do que a verificada até outubro, pois em novembro e dezembro, o número de pessoas empregadas é menor nesse setor", explica o coordenador do projeto de extensão de ocupação sucroalcooleira da Unesp de Jaboticabal, José Giacomo Baccarin.

Os dados, compilados do levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostram que essa tendência de decréscimo está presente desde 2007 e resulta, em sua maior parte, do aumento da mecanização da colheita e do plantio, segundo Baccarin.

A média mensal de trabalhadores empregados que atuam no corte da cana e outras funções ligadas ao trabalho manual (canavieiros) foi de 135.087 nos 10 meses deste ano, 52% abaixo dos 284.853 trabalhadores que estavam nessas atividades em 2007.

Quando se considera apenas o mês de outubro deste ano na comparação com o mesmo mês de 2013, além de queda no número de pessoas que executam trabalhos braçais, também se observa uma redução no número de empregados nas funções ligadas à mecanização da lavoura, no administrativo e na indústria.

Dos 55.049 postos fechados no mês na comparação com outubro de 2013, 40.347 foram no setor agrícola, sendo 39.686 de trabalho ligado diretamente ao corte e plantio de cana manual e 683 vagas fechadas em atividades ligadas à mecanização dos canaviais. Na operação industrial eram empregados em outubro deste ano 80.244 pessoas, número 4.913 menor, ou queda de 5,76%, em relação a igual mês de 2013.

No administrativo dessas empresas no Centro-Sul, 165.631 trabalhadores estavam ocupados em outubro deste ano, 3,4% menos (ou recuo de 5.585 vagas) do que em outubro do ano passado. (Valor Econômico 25/11/2014)

 

Irresponsabilidade: Como Dilma e o PT dilapidaram as nossas estatais

Para cada real roubado, a Petrobras perdeu três para o intervencionismo.

R$ 226 bilhões de reais foram ás perdas totais da Petrobras.

A desvalorização equivale a: 84 vezes o valor das Lojas Marisa; 23 vezes o valor da Via Varejo; 13 vezes; o valor da Embraer; 8 vezes o valor do Pão de açúcar

A dilapidação das estatais: As intervenções feitas por Dilma e sua equipe arruinaram o valor de mercado das empresas controladas pelo governo (em bilhões de reais).

No período de 2010 a 2014, o valor de mercado da Ambev cresceu 62%, do Itaú 2%, do Bradesco 20% e do Banco do Brasil caíram 19% sendo que a queda na Eletrobras chegou a 68% e na Petrobras 59%

Os bilhões de reais subtraídos da Petrobras no caso do petrolão abalaram as suas finanças e a levaram ao constrangimento de não divulgar o seu balanço financeiro. As perdas estimadas até aqui poderão chegar a R$ 20 bilhões de reais.

O prejuízo da maior empresa do país com o seu uso político pelo governo Dilma Rousseff, entretanto, supera, em muito, o valor desviado pela gangue capturada na Operação Lava-Jato. O principal fator de destruição de riqueza se dá na política para o preço dos combustíveis.

Para evitar que a inflação estoure o teto da meta fiscal, uma vez que não quis combatê-la, o governo decidiu segurar os reajustes da gasolina e do diesel. A Petrobras é obrigada a amargar um prejuízo bilionário com a venda de combustível a preços inferiores aos pagos para importá-lo, dado que a produção nacional é insuficiente.

As perdas acumuladas com a operação de abastecimento da Petrobras chegavam a 60 bilhões de reais até junho passado – o triplo do que foi desviado. Trata-se da metade do que a empresa arrecadou com a venda de ações no fim de 2010, com o objetivo de se capitalizar para bancar a exploraçao do pré-sal.

Como resultado da política de usar a estatal para os propósitos do governo, e não para remunerar os seus acionistas, a companhia deixou de atrair a atenção dos investidores. O seu valor de mercado desabou 59% desde o início do governo de Dilma Rousseff, uma perda de 226 bilhões de reais.

Medida em dólares, a desvalorização das ações foi ainda mais acentuada, superando 70%. No mesmo período, o valor de mercado da americana Exxon cresceu 10%, e o da anglo-holandesa Shell avançou 13%.

Na análise do mercado brasileiro, o desempenho da Petrobras encontra respaldo em outras estatais, também vítimas da interferência nociva do governo. A Eletrobras deve encerrar 2014 com prejuízo pelo terceiro ano seguido e corre o risco de não distribuir dividendos aos seus acionistas, algo inédito, porque a sua reserva está no fim.

As dificuldades operacionais e financeiras se agravaram há dois anos. A estatal foi a mais prejudicada pela decisão federal de renegociar os contratos de energia no fim de 2012. A medida resultou em uma perda contábil de 10 bilhões de reais. Depois, impactou a sua receita em decorrência da tarifa mais baixa.

Mais recentemente, a estatal tem perdido dinheiro com o baixo nível dos reservatórios de usinas hidrelétricas. Como a geração está aquém do previsto, a Eletrobras é obrigada a adquirir energia no mercado à vista, a valores elevados, para honrar os seus contratos de entrega a consumidores.

Nos nove primeiros meses deste ano, essa despesa totalizou 6,8 bilhões de reais. Os bancos públicos também têm sido submetidos a interferências que afetam os seus resultados, como fica evidente quando se compara o desempenho das ações do Banco do Brassil com o dos papéis dos maiores bancos privados.

“Trata-se do modelo mental do atual governo. O Estado sabe tudo, pode tudo”, resume Sergio Lazzarini, professor do Insper e autor do livro Capitalismo de Laços. “A lição é que usar as estatais para controlar preços não funciona. “Você quebra a estatal e não resolve o problema porque é muito difícil remar contra forças de mercado. O melhor é criar um ambiente de regras estáveis que permita que as empresas invistam e aumentem a eficiência ao longo do tempo (Revista Veja edição nº 2401)

 

Receita suspende PIS para matéria-prima de biodiesel

A Receita Federal publicou nesta sexta-feira no Diário Oficial da União a Instrução Normativa 1.514, que disciplina a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins na aquisição de matérias-primas destinadas à produção de biodiesel.

Segundo o texto da IN, fica suspensa a incidência do PIS/Pasep e da Cofins sobre receitas decorrentes das vendas de matéria-prima in natura de origem vegetal destinada à produção de biodiesel, quando efetuadas por: pessoa jurídica, que exerça atividade agropecuária; cooperativa de produção agropecuária; ou pessoa jurídica cerealista. Além da IN, a Receita publicou também no Diário Oficial o parecer normativo sobre a medida. (Agência Estado 21/11/2014)

 

Petrobras admite que é investigada nos EUA

Pela primeira vez, empresa confirma que está na mira da SEC, responsável pela regulação do mercado de capitais. Em outubro, firma de auditoria tinha ameaçado denunciar a omissão da estatal na apuração das denúncias.

A Petrobras confirmou pela primeira vez que está sendo investigada pela SEC (Securities and Exchange Commission), regulador do mercado de capitais nos Estados Unidos, indicando que a apuração é relacionada às denúncias de corrupção reveladas na Operação Lava Jato.

Segundo comunicado enviado pela estatal ao mercado, nesta segunda-feira à noite, a SEC enviou à companhia um requerimento de documentos da companhia "relacionados a uma investigação" do regulador americano.

A Petrobras está sujeita à regulação americana porque negocia papéis na Nyse, a Bolsa de Nova York.

Segundo a Petrobras, serão enviadas informações obtidas pela apuração independente que está sendo feita conjuntamente pelos escritórios Trench, Rossi e Watanabe, brasileiro, e o Gibson, Dunn & Crutcher, dos EUA.

Os dois escritórios foram contratados em outubro, por determinação da empresa que audita os balanços da Petrobras, a PwC (PricewaterhouseCoopers), preocupada com a veracidade e a extensão dos efeitos das denúncias.

Os escritórios se apresentam em suas páginas na internet como especializados nas leis anticorrupção dos Estados Unidos, em especial a FCPA (Foreign Corrupt Practice Act), que prevê pesadas multas e punições a empresas estrangeiras que negociam títulos nos Estados Unidos flagradas em corrupção.

A PwC enviou, em 16 de outubro, uma carta à Petrobras mostrando preocupação com envolvimento dos administradores na companhia nas denúncias de corrupção.

A PwC disse ser necessário aprofundar as investigações e ameaçou denunciar a omissão da empresa, caso houvesse, à SEC. Apesar da providência da Petrobras, a PwC decidiu não auditar o balanço do terceiro trimestre até que fosse possível subtrair do patrimônio os valores adicionados aos investimentos, inflados pelo pagamento de propinas. (Folha de São Paulo 25/11/14)

 

Usina Santa Rita: 600 demitidos acampam em frente à usina

Operários cobram por pagamento de rescisão.

Funcionários demitidos da usina Santa Rita, em Santa Rita do Passa Quatro, acamparam em frente à unidade para cobrar o pagamento das rescisões trabalhistas.

Segundo a direção do sindicato dos trabalhadores da indústria de alimentos da cidade, ao menos três parcelas das rescisões trabalhistas dos demitidos estão atrasadas.

A Folha procurou a direção da usina para comentar as denúncias nesta quinta (20), mas não teve resposta.

Segundo o presidente do sindicato, Raimundo Vilasboas de Oliveira, 600 funcionários foram demitidos entre os dias 15  20 de outubro.

"Nós negociamos que o pagamento das rescisões seria parcelado, já que eles alegaram não ter condições de pagar tudo de uma vez", disse.

As rescisões seriam pagas semanalmente em dez parcelas. Porém, apenas a primeira teria sido cumprida.

"Estamos passando necessidade. Minha mulher também está desempregada. Além disso, estou doente", afirmou o operário Ednaldo César de Oliveira, 40.

Ele trabalhou na usina nos últimos quatro anos e disse que recebeu apenas a primeira parcela da rescisão.

Oliveira é uma das cerca de cem pessoas que estão acampando em frente à usina em forma de protesto.

A ocupação teve início na última terça-feira (18), quando os trabalhadores fizeram uma manifestação em frente à Santa Rita cobrando os pagamentos em atraso.

De acordo com o sindicato, a usina agendou uma nova rodada de negociações para a próxima segunda (24).

Além disso, a promessa é que ao menos outras duas parcelas sejam pagas até o início da semana. (Folha de São Paulo 21/11/2014)

 

Exportação do agronegócio tem queda intensa

As receitas com as exportações de produtos básicos deste mês estão com queda de 23% em relação às de igual período do ano passado.

Essa queda se deve basicamente aos produtos do setor agropecuário e de minério de ferro. Já as exportações de petróleo se recuperam.

Um dos principais itens da balança comercial nos últimos anos, as commodities, principalmente as agrícolas, começam a mostrar como será o cenário de 2015.

Preços menores no mercado internacional vão determinar uma participação menos intensa desses itens no saldo da balança.

A desaceleração da participação do agronegócio neste mês ocorre devido à queda nas receitas dos principais itens da balança comercial.

Um deles é a soja, cujas exportações devem render apenas US$ 68 milhões no mês, tomando como base o desempenho da oleaginosa até agora na balança comercial.

Esse resultado financeiro representa uma queda de 77% ante o de novembro de 2013.

O milho também tem participado com boas receitas em novembro, principalmente nos dois últimos anos.

Mas o Brasil já não consegue um mercado tão favorável para o cereal, cujas exportações vão recuar 38% em volume neste mês, em relação a igual período anterior.

Já as receitas, devido à queda nos preços externos, terão recuo ainda maior neste mês, caindo para US$ 432 milhões, 44% menos do que em 2013.

Outro item importante na balança comercial é o açúcar, mas que também perdeu ritmo nas exportações. A Secex (Secretaria de Comércio Exterior) aponta para uma redução de 36% no volume a ser exportado neste mês e queda de 41% nas receitas, ante igual período de 2013.

Pelos dados da Secex, as receitas com açúcar caem para US$ 554 milhões neste mês. Já o volume recua para 1,44 milhão de toneladas.

Café e carne suína engordam os números da balança. O Brasil eleva a participação no mercado externo de café e se aproveita da alta intensa dos preços. O país deverá terminar o mês com exportações de 2,9 milhões de sacas e receitas de US$ 566 milhões.

Já as receitas com petróleo se recuperam e devem somar US$ 1,7 bilhão no mês, 10% mais do que em 2013. Mas as de minério de ferro recuam 50%, para US$ 1,5 bilhão.

Café de qualidade: O Sebrae do Espírito Santo quer produzir pelo menos 500 mil sacas de café de qualidade no Estado. O objetivo é certificar 2.500 propriedades.

Industrialização: Uma parte desse café -próximo de 150 mil sacas- deverá ser industrializada no próprio Estado, fomentando a produção de cafés especiais. É um projeto para ser desenvolvido até 2018.

Ligação: Carlos Brando, especialista no setor de café, diz que "esse meio de campo entre produtor e indústria é muito importante".

Sem tempo: "Os pequenos dedicam tanto tempo nas funções diárias que não têm tempo para olhar o cenário do setor", diz ele.

Exportações 1: A exportação nacionais de café serão de 33 milhões a 34 milhões de sacas em 2015, segundo Guilherme Braga, do Cecafé (conselho dos exportadores).

Exportações 2: A deste ano deverá atingir o recorde de 36 milhões de sacas.

Acordos: Colômbia e Estados Unidos estão aprimorando os contratos agrícolas dentro do acordo de comércio assinado entre os dois países. O etanol entra nessa lista.

Etanol: Os EUA exportaram para a Colômbia 3,75 milhões de litros por mês de outubro do ano passado a março deste, segundo o governo norte-americano. Bem que esse mercado poderia ser abastecido pelos vizinhos, os brasileiros. (Folha de São Paulo 25/11/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Á espera da Única: As cotações do açúcar demerara caíram ontem na bolsa de Nova York com as atenções dos investidores focadas na oferta a partir do Brasil. Os lotes para maio fecharam em 16,38 centavos de dólar a libra-peso, recuo de 8 pontos. Houve influência das expectativas com o relatório que a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulga hoje. O Banco Pine avalia que a moagem de cana tenha caído 31% na primeira quinzena do mês por causa das chuvas, mas que a produção de açúcar desta safra tenha acumulado uma queda de apenas 0,7%, abaixo do que os analistas vêm esperando. A alta do dólar ante o real também ajudou a manter os preços da commodity sob pressão. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal em São Paulo teve alta de 0,14%, para R$ 51,86 a saca.

Laranja: Frio na Flórida: O suco de laranja registrou ontem a oitava alta seguida na bolsa de Nova York, sob impulso do tempo frio nos EUA. Os lotes do suco concentrado e congelado para março fecharam com elevação de 360 pontos, a US$ 1,4895 a libra-peso. Na semana passada, a Flórida, que abriga o segundo maior parque citrícola do mundo e fornece 80% da laranja usada nos sucos no país, registrou temperaturas abaixo de 0º Celsius, pouco comum para essa época do ano. Para esta semana, a previsão é de tempo úmido e frio. O clima preocupa os investidores, tendo em vista que os pomares do Estado já foram afetados seriamente por geadas em safras passadas. No mercado doméstico, o preço da laranja destinada à indústria calculado pelo Cepea/Esalq ficou em R$ 10,10 a caixa de 40,8 quilos.

Algodão: Recuo em NY: As cotações do algodão tiveram uma forte queda ontem na bolsa de Nova York em meio a perspectivas "baixistas" para a nova safra. Os lotes para março fecharam com queda de 71 pontos, a 58,81 centavos de dólar a libra-peso. As contínuas reduções no volume de algodão importado pela China e o aumento de produção nos Estados Unidos têm pesado cada vez mais nas negociações, a ponto de, na semana passada, os fundos registrarem uma posição líquida vendida pela primeira vez desde o início de outubro. Na semana passada, o país asiático informou que suas compras do produto no mercado externo neste ano até outubro já recuaram 38%. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,19%, para R$ 1,6514 a libra-peso.

Soja: Foco nos fundamentos: O mercado da soja abriu a semana em baixa na bolsa de Chicago, com o foco dos traders nos fundamentos. Os lotes para março fecharam com queda de 6,25 centavos, a US$ 10,3975 o bushel. Na semana passada, as exportações do grão dos EUA recuaram 11%, enquanto a colheita continuou avançando e chegou a 97% da área plantada. Além disso, o clima no Centro-Oeste do Brasil permaneceu mais chuvoso, o que colaborou para o avanço da semeadura. Segundo a consultoria Safras & Mercado, o plantio chegou a 74% da área prevista, 7 pontos percentuais abaixo da média histórica. Os dados contribuíram para os fundos liquidarem suas posições no mercado. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a soja em Paranaguá manteve-se em R$ 61,17 a saca. (Valor Econômico 25/11/2014)