Setor sucroenergético

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Campinas

A montadora chinesa BYD procura um sócio para a sua operação brasileira.

A empresa já anunciou a construção de uma fábrica de ônibus elétricos em Campinas, projeto que consumirá US$ 400 milhões em investimentos.

Quem entrar na empreitada terá como sócio Warren Buffett, acionista minoritário da companhia. (Jornal Relatório Reservado 26/11/2014)

 

Ferrovia chinesa

A China CNR tem planos de instalar uma fábrica de equipamentos ferroviários no Brasil.

Executivos da companhia estiveram recentemente com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

A CNR, ressalte-se, está no meio de uma negociação para se fundir à também chinesa CSR, dando origem a um grupo com receita anual de US$ 30 bilhões. (Jornal Relatório Reservado 26/11/2014)

 

Depois de quebrar setor de etanol Dilma prepara volta da Cide da gasolina

Medida, apresentada por Mantega, integra pacote para equilibrar caixa do governo e será discutida com nova equipe. Joaquim Levy, que será anunciado como novo ministro da Fazenda nesta quinta, reuniu-se com a presidente ontem.

A volta da cobrança da Cide (contribuição para regular o preço dos combustíveis) faz parte do pacote fechado pelo ministro Guido Mantega (Fazenda) e apresentado ontem à presidente Dilma Rousseff com medidas para reequilibrar as contas públicas.

Segundo a Folha apurou, a decisão final será tomada em reunião da presidente com a nova equipe econômica. Nesta terça (25), ela recebeu no Planalto o futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e o novo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

Na reunião, da qual participaram Alexandre Tombini --que será mantido no cargo como presidente do BC-- e Aloizio Mercadante (Casa Civil), foram discutidas as novas medidas e a futura equipe econômica.

Os nomes ainda não foram anunciados porque Dilma queria esperar a aprovação, pelo Congresso, de autorização para que o governo descumpra a meta fiscal deste ano. O projeto ainda não passou pelo plenário.

Além da Cide, o plano inclui propostas de redução de despesas com seguro-desemprego, abono salarial e pensão pós-morte. As duas primeiras atingem cerca de R$ 45 bilhões por ano.

VALOR INCERTO

Técnicos disseram à Folha que a proposta de retorno da Cide tem cenários com recomposição parcial ou integral do valor que era cobrado em 2008 --R$ 0,28 por litro de gasolina e R$ 0,07 por litro de diesel. A tendência, caso a medida seja aprovada, é fazer uma volta parcial.

A contribuição, que foi sendo reduzida ao longo dos últimos anos e zerada em 2012 para segurar os preços dos combustíveis, pode gerar cerca de R$ 14 bilhões de receita por ano se cobrada em seu maior valor.

Além de reforçar o caixa do governo federal, que está no vermelho, a volta da Cide é uma reivindicação do setor de etanol para tornar o combustível mais competitivo.

LEVY EM BRASÍLIA

Levy e Barbosa estavam ontem a Brasília para reuniões com a presidente Dilma a fim de fechar as linhas gerais das medidas que devem ser divulgadas no anúncio oficial da nova equipe, nesta quinta-feira (27).

Mantega deve se despedir de sua equipe já na sexta, embora a transmissão do cargo possa ficar para a segunda.

Dilma está fechando também a escolha de outros nomes da equipe econômica.

No Tesouro Nacional, são cotados Tarcisio Godoy, que foi secretário-adjunto do órgão quando foi chefiado por Joaquim Levy no governo Lula, e Carlos Hamilton, diretor de Política Econômica do BC.

No BNDES, Luciano Coutinho pode ficar mais um ano. Para a presidência do BB, ela analisa os nomes de Paulo Cafarelli --hoje secretário-executivo da Fazenda-- e do vice-presidente do banco Alexandre Abreu. Na Caixa, Jorge Hereda deve continuar no comando da instituição. (Folha de São Paulo 26/11/2014)

 

Quantidade de açúcares recuperáveis por tonelada de cana sobe 1,54%

A quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana-de-açúcar processada no Centro-Sul do Brasil na primeira quinzena de novembro avançou 1,54%, para 135,87 quilos por tonelada. Os dados foram divulgados há pouco pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Em igual período de 2013, o ATR era de 133,81 quilos por tonelada de cana processada. Já no acumulado da safra 2014/2015, o ATR está em 137,07 quilos por tonelada.

A produção de açúcar na quinzena caiu 38,9%, de 1,974 milhão de toneladas para 1,207 milhão de toneladas, mostrou a Unica. A queda na produção de etanol, contudo, foi menor, de 16,35%, para 1,101 bilhão de litros.

O diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues, afirmou, em nota, que "os números desta quinzena deixam claro que a safra deste ano vai ser mais alcooleira. Até o momento a retração na produção de açúcar atinge quase 1 milhão de toneladas". Do total de cana processada no período, 59,67% foi destinado para a produção de etanol, e 40,33% para açúcar.

As vendas de etanol das usinas do Centro-Sul somaram 1,07 bilhão de litros na quinzena, sendo 609,97 milhões de litros de hidratado e 390,9 milhões de litros de anidro.

No acumulado da safra, a produção de açúcar recuou 3,08%, para 30,711 milhões de toneladas, enquanto a produção de etanol cresceu 5,11%, para 24,379 bilhões de litros.(Agência Estado 25/11/2014)

 

Estimativas de safra menor sustentam cotações do açúcar cristal

Os preços do cristal no spot paulista seguem em alta, de acordo com dados do Cepea.

Mesmo com a menor liquidez na semana passada, em função do feriado na quinta-feira em algumas cidades do estado, vendedores mantiveram a postura firme, com base nas expectativas de queda na produção de açúcar nesta safra (2014/15).

Na segunda-feira, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal (mercado paulista), cor Icumsa entre 130 e 180, fechou a R$ 51,86/saca de 50 kg, com alta de 1,28% em relação à segunda anterior e de 5,64% sobre o fechamento de outubro.

O USDA, em seu último relatório, reduziu em 1,8% a estimativa de produção mundial de açúcar para a safra 2014/15 comparativamente ao divulgado em maio, projetando agora 172,46 milhões de toneladas. Frente à safra 2013/14, a diminuição é de 1,46%.

Com relação ao consumo, a instituição prevê crescimento recorde de 170,996 milhões de toneladas, 2,22% a mais que o estimado para a temporada passada. (CEPEA / ESALQ 25/11/2014)

 

Volume negociado de etanol recua na semana e preços se estabilizam

Na última semana, o volume negociado no spot diminuiu em relação ao período anterior. Abastecidas, muitas distribuidoras tentaram pressionar as cotações, enquanto usinas mantiveram firmes as suas ofertas.

Entre 17 e 21 de novembro, o Indicador CEPEA/ESALQ (estado de São Paulo) do hidratado foi de R$ 1,2248/litro (sem impostos), leve aumento de 0,2% em relação ao anterior.

O anidro teve valorização de 0,8% no mesmo período, com o Indicador CEPEA/ESALQ (estado de SP) passando para R$ 1,3456/l (PIS/Cofins zerados).

Em relação à safra atual, agentes de mercado estimam que esta entressafra vai se encerrar com os preços do etanol hidratado por volta de 7% acima dos valores atuais. Apesar disso, ainda ficariam bem abaixo dos fechamentos de fevereiro e março/14.

Segundo pesquisadores do Cepea, o avanço em relação ao término da safra pode ser resultado da expectativa de melhora nas vendas do etanol após o reajuste da gasolina anunciado recentemente.

Já a perda em relação ao ano mostra a forte necessidade de caixa de muitas usinas – o que enfraqueceu seu poder de negociação. Além disso, a diminuição da safra nacional, que poderia justificar preços maiores, foi em boa parte compensada pela queda das exportações e aumento das importações. (CEPEA / ESALQ 25/11/2014)

 

Acordos aproximam Colômbia e EUA pelo etanol

Colômbia e Estados Unidos estão aprimorando os contratos agrícolas dentro do acordo de comércio assinado entre os dois países. O etanol entra nessa lista.

Os EUA exportaram para a Colômbia 3,75 milhões de litros por mês de outubro do ano passado a março deste, segundo o governo norte-americano. Bem que esse mercado poderia ser abastecido pelos vizinhos, os brasileiros. (Folha de São Paulo 25/11/14)

 

Moagem de cana do CS no acumulado da safra 14/15 tem 1ª queda, diz Unica

A quebra da safra de cana 2014/15 do centro-sul do Brasil finalmente apareceu nos números de moagem acumulada na temporada da principal região produtora do Brasil, afirmou nesta terça-feira a Unica, entidade que representa as usinas do setor.

O processamento de cana na primeira quinzena de novembro no centro-sul recuou 28,4 por cento, para 23,1 milhões de toneladas, ante mesmo período no ano passado, caindo também 1,2 por cento no acumulado da safra 14/15, para 538,4 milhões de toneladas.

"A quebra de safra começa a ficar evidente a partir dessa quinzena, pois é a primeira vez que a quantidade acumulada de cana-de-açúcar processada ficou aquém do valor observado na safra passada", afirmou o diretor técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua Rodrigues, em nota.

Em sua última previsão, a Unica projetou a moagem total do centro-sul em 545,9 milhões de toneladas em 14/15, ante um recorde de 597 milhões de toneladas na temporada passada.

Essa tendência de quebra de safra também se confirma quando a análise remete ao número de unidades com safra encerrada até o final da primeira quinzena de novembro: 82 unidades em 2014, contra apenas 31 plantas em igual data no último ano, segundo a Unica.

A produtividade agrícola do centro-sul no acumulado da safra até o final de outubro caiu 7,7 por cento ante mesmo período de 2013, para 74,9 toneladas por hectare, com os canaviais sofrendo o impacto de uma severa seca neste ano, especialmente no Estado de São Paulo, principal produtor nacional.

Já a qualidade da cana, medida pelo volume de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada da matéria-prima, somou 137,07 kg, ante 133,67 kg em igual período de 2013, com a seca favorecendo a concentração de sacarose.

A qualidade melhor da cana não foi suficiente para compensar a queda na produtividade agrícola, e a produção de açúcar recuou 3,1 por cento no acumulado da safra até a primeira quinzena de novembro, para 30,7 milhões de toneladas. Na primeira parte de outubro, o total produzido de açúcar caiu 38,9 por cento na comparação anual, para 1,2 milhões de toneladas.

Os contratos futuros do açúcar operavam em leva alta por volta das 12h55 (horário de Brasília). O contrato março subia 0,7 por cento.

A produção de etanol do centro-sul recuou 16,3 por cento na primeira quinzena de novembro ante o mesmo período do ano passado, para 1,1 bilhão de litros, mas ainda registra um aumento de 5,1 por cento no acumulado da safra, para 24,4 bilhões de litros, uma vez que as usinas estão privilegiando a produção do biocombustível, mais remunerador.

A produção de etanol anidro (misturado à gasolina) no acumulado da safra somou 10,3 bilhões de litros, aumento de 2,1 por cento ante a temporada anterior, enquanto a de hidratado atingiu 14,1 bilhões de litros, crescimento de 7,4 por cento na mesma comparação.

Segundo a Unica, 56,3 por cento da produção de cana do acumulado da safra foi destinada à produção de etanol, dois pontos percentuais acima do total verificado no mesmo período do ano passado, com o restante sendo direcionado à fabricação de açúcar.

A preferência das usinas pelo biocombustível fica ainda mais evidente quando se considera o dado da última quinzena, com quase 60 por cento da cana indo para a produção de etanol, ante 52 por cento no mesmo período do ano passado.

VENDAS

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região centro-sul na primeira quinzena de novembro somaram 1,07 bilhão de litros, com 1 bilhão de litros direcionados ao mercado interno e o restante para a exportação.

O volume comercializado de etanol hidratado no mercado doméstico somou 609,97 milhões de litros na primeira metade de novembro, frente a 564,80 milhões de litros registrados nos primeiros quinze dias de novembro em 2013.

As vendas internas de etanol anidro, por sua vez, totalizaram 390,9 milhões de litros na primeira quinzena de novembro, ante 368,56 milhões de litros apurados no mesmo período de 2013.

No acumulado de abril até 15 de novembro, as vendas de etanol alcançaram 15,34 bilhões de litros, sendo 14,45 bilhões de litros no mercado interno e apenas 891,17 milhões de litros para a exportação. (UNICA 25/11/2014)

 

Antonio Delfim Netto:  Caçadores de renda

Em qualquer regime político a natureza das instituições determina o comportamento dos seus membros. Sem algum mecanismo de "voto distrital", por exemplo, é muito difícil corrigir distorções acumuladas ao longo do tempo por categorias bem organizadas. O governo em algum momento as acariciou com benesses transferindo-lhes renda.

A sociedade tem grande dificuldade de ligar os custos difusos à apropriação de renda por um grupo bem definido. Um exemplo bem claro desse processo é dado pela resistência à racionalização do trabalho nos portos, que é importante determinante da produtividade geral da economia.

No caso do porto de Santos, é natural e legítimo que os seus representantes legislativos (ligados ao eleitorado santista) defendam com unhas e dentes os direitos "conquistados" ao longo do tempo pelos trabalhadores portuários, ainda que isso reduza a sua eficiência, torne menos competitivas a nossa exportação e a nossa importação, em prejuízo de toda a sociedade.

Esta é, assim, duplamente "extraída": transfere renda de monopólio aos portuários, de um PIB menor apropriado pelos outros.

O fato surpreendente é que um deputado cuja base é Ribeirão Preto, mas que teve alguns "votinhos" em Santos, em lugar de defender a eficiência do porto para exportar mais açúcar a um preço melhor (atividade da qual vive a maioria dos seus constituintes), cale-se ou vote a favor de tais "conquistas" na vã esperança de aumentar sua votação futura em Santos e na certeza de que seus eleitores de Ribeirão Preto serão incapazes de introjetar a "traição".

O voto distrital não é uma panacéia, mas seguramente facilitará a construção de uma sociedade republicana, onde os "caçadores de renda" terão maior dificuldade de conseguir seus objetivos.

Uma parte do atual desequilíbrio fiscal se deve ao desenho impróprio e à falta de controle sobre alguns programas (seguro desemprego, pensões, seguro defeso para pescadores, prestação de benefício continuado etc.) conhecidos há anos.

A outra, mais importante, se deve ao próprio processo eleitoral, durante o qual o governo recusou-se a reconhecer a queda da taxa de crescimento do PIB e suas consequências sobre a receita e a despesa públicas.

As revisões bimestrais não cumpriram o seu papel, por isso estamos terminando 2014 com um déficit nominal da ordem de 5% do PIB. A correção do superávit primário enviada ao Congresso, em "legítima defesa", precisa ser aprovada, mas criará mais um problema de credibilidade a ser enfrentado pelo governo no período 2015-2018. (Folha de São Paulo 26/11/2014)