Setor sucroenergético

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Ometto dá outro rumo a sua operação logística

Rubens Ometto é homem de fazer revoluções dentro da revolução. A fusão entre a Rumo Logística, controlada pela Cosan, e a América Latina Logística (ALL) nem sequer foi concluída e muito menos aprovada pelo Cade e o empresário já articula os próximos movimentos da operação.

Ometto pavimenta desde já a possível associação da nova companhia a um pool de cooperativas agrícolas de São Paulo.

Há dois modelos sobre a mesa: a negociação poderia se dar por meio da criação de uma joint venture ou mesmo com a entrada deste grupo de cooperativas no capital da nova operadora logística, a partir da compra de uma participação minoritária.

Do lado das cooperativas agrícolas, as tratativas estariam sendo conduzidas pela Coopercitrus, de Bebedouro (SP) - empresa que fatura cerca de R$ 1,7 bilhão por ano com a comercialização de insumos e equipamentos agrícolas.

Oficialmente, a companhia nega qualquer negociação.

Ressalte-se, no entanto, que a Coopercitrus já tem negócios com a Rumo Logística.

Há quase quatro anos ambas são sócias na TB S/A, joint venture criada para operar um terminal de açúcar e grãos em Barreto, também no interior paulista.

A intenção de Rubens Ometto é formar um cinturão de parcerias capaz de ampliar a estrutura, o grau de diversificação e a abrangência de atuação do novo grupo resultante da fusão entre ALL e Rumo.

O empresário considera fundamental agregar sócios com armazéns e carga garantidos em São Paulo, não por coincidência onde está concentrada a maior parte dos ativos da Rumo - ao todo são sete terminais no estado. (Jornal Relatório Reservado 28/11/2014)

 

Milharal

A trading asiática Chinatex e a gestora norte-americana Farmland Fund estariam negociando a compra conjunta de uma participação na Fiagril, uma das maiores produtoras de milho do país. (Jornal Relatório Reservado 28/11/2014)

 

Ometto diz que recuperação do setor sucroalcoleiro vai demorar

SÃO PAULO - O presidente do conselho de administração da Cosan, Rubens Ometto, avalia que ainda que todas as promessas que vêm sendo feitas pelo governo de ajuda ao etanol sejam cumpridas, as usinas vão demorar de quatro a cinco anos para se recuperar, pois o setor está numa situação financeira muito difícil.

“ O setor sucroalcooleiro vem ouvindo conversas e promessas por parte do governo de trazer a gasolina ao preço real de mercado, de volta da cobrança da Cide na gasolina e no diesel e ainda existe promessa de aumentar a mistura para 27,5%. Em tudo isso acontecendo, você vai melhorar a rentabilidade do setor. Mas uma recuperação ainda vai demorar”, afirmou Ometto, em evento realizado em São Paulo.

Questionado sobre o futuro das usinas, o empresário prevê uma diminuição da quantidade de cana disponível, e uma concentração maior ainda no setor. “Os investimentos que estamos fazendo em etanol de segunda geração podem melhorar muito a rentabilidade. Mas não vejo a volta daquela pujança do passado”.

Conforme ele, a Cosan e a Shell, sua parceira na Raízen, a maior produtora de açúcar e etanol do país, acreditam no futuro da energia renovável. “Mas ninguém rasga dinheiro, não somos socialistas. Quem tem que fazer a parte social é o governo. No momento correto, vamos voltar a investir. Mas vai demorar um pouco”. (Valor Econômico 27/11/2014)

 

Açúcar: Estoques ainda altos

Os preços do açúcar refinado registraram desvalorização ontem na bolsa de Londres, para onde as atenções dos operadores se voltaram, já que a bolsa de Nova York não abriu por causa do feriado americano do Dia de Ação de Graças.

Os contratos para março encerraram o pregão com baixa de 1%, ou US$ 4,20, cotados a US$ 414,50 a tonelada.

A queda de ontem aprofunda as perdas de quarta-feira. Apesar da redução da produção de açúcar no Brasil na última quinzena e do volume já menor de açúcar produzido nesta safra ante a anterior, a demanda continua baixa diante dos altos estoques na mão dos compradores, o que mantém as cotações pressionadas.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o cristal subiu 0,25%, a R$ 52,12 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 28/11/2014)

 

Alavancagem das usinas brasileiras ainda deve piorar

Em relatório sobre as perspectivas para o segmento sucroalcooleiro na América Latina, a agência de classificação de risco Fitch avalia que 2015 ainda será desafiador para as companhias brasileiras, com preços do açúcar ainda baixos, pouco espaço para corte de investimentos e, consequentemente, uma piora da já elevada alavancagem.

O indicador, que expressa a relação entre a dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda), tende a ser agravado até o fim de 2015 entre as empresas sucroalcooleiras classificadas pela Fitch.

A projeção é que a mediana (ponto que divide a amostra ao meio) do índice de alavancagem líquida ajustada dessas empresas alcance níveis superiores a 4,5 vezes ao fim do ano fiscal 2015, ante 4,2 vezes do observado em 30 de junho de 2014.

Com isso, afirma a agência em relatório, no próximo ano a tendência é de que o rebaixamento de nota de crédito desses players seja superior ao de afirmações, e não se espera ainda que haja elevações dessas notas. Na análise, a Fitch considera os ratings de algumas companhias do setor, entre as quais as brasileiras Biosev, a segunda maior do setor, a Tonon Bioenergia, a USJ Açúcar e Álcool e a Virgolino de Oliveira, todas emissoras de dívida externa.

Há, portanto, um risco elevado de necessidade de refinanciamento de dívida por essa indústria. Uma posição fraca de caixa na comparação com as dívidas de curto prazo, a geração de fluxo de caixa livre negativo e a ausência de fontes alternativas de liquidez, como venda de terras, justificam essa perspectiva negativa.

No relatório, a agência afirma que o pedido de recuperação judicial feito este ano pela Aralco e o anúncio da Virgolino de Oliveira (GVO) de que iniciará negociações com credores sobre os termos e condições dos bonds de US$ 735 milhões "impactaram a confiança dos bancos domésticos e reduziram o apetite de investidores internacionais pelo setor". O cenário tende a reduzir a disponibilidade de financiamento de capital de giro desses players.

Do ponto de vista do aumento da rentabilidade das usinas, a Fitch vê poucas perspectivas. A recuperação dos preços do açúcar ainda está lenta, na visão da agência, e o reajuste na gasolina de 3% anunciado pela Petrobras no início deste mês traz ganhos limitados à rentabilidade do biocombustível. O aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 27,5%, ante os atuais 25%, deve também trazer apenas um pequeno alívio aos produtores.

Para a agência, a lenta recuperação dos preços internacionais do açúcar deve afetar negativamente todas as empresas latino-americanas. Se não houver retomada tanto nas cotações do açúcar quanto nas do etanol, o "atual nível de queima de caixa e a fraca posição de liquidez resultarão em rebaixamentos no curto prazo", prevê a Fitch.

Assim, a visão da agência é de que haverá uma pressão contínua sobre o fluxo de caixa livre e a alavancagem dessas empresas nos próximos 12 meses. "Os volumes [de cana-de-açúcar] moídos se reduzirão no ano fiscal de 2015, com possível impacto sobre a colheita de 2015/16 devido às más condições climáticas no Centro-Sul. Ainda, segundo a agência, a prolongada entressafra deste ano será um desafio para as companhias menos capitalizadas. (Valor Econômico 28/11/2014)

 

Investimentos no sistema Rumo-ALL

Somente após concluir as questões regulatórias da fusão dos ativos da Rumo Logística e da concessionária de ferrovias ALL é que a nova companhia começará a buscar os recursos para realizar os investimentos no negócio de logística, de até R$ 9 bilhões nos próximos dez anos, afirmou, ontem, em São Paulo, o presidente do grupo Cosan, Marcos Lutz.

Segundo Lutz, há duas etapas a serem cumpridas antes de buscar os recursos. A primeira é a aprovação da operação - fechada em maio - pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), cuja análise está ocorrendo em tempo superior ao que desejava a Cosan, pois envolve muitos agentes. A segunda etapa, que começará após aprovação pelo Cade, é a da renovação da concessão ferroviária pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).

"Apenas depois de terminadas todas essas etapas, é que vamos sentar com o BNDES para desenhar o modelo de financiamento do projeto de investir até R$ 9 bilhões em logística ao longo da próxima década", disse o executivo, durante o "Cosan Day", realizado ontem com analistas.

Sobre eventual escassez de recursos no BNDES, Lutz disse que se houver necessidade a companhia pode partir para um aumento de capital. "Poderíamos buscar negociação com fundos soberanos para uma eventual capitalização a um valor acima do atual, para não diluir os atuais acionistas", considerou. Ele observou, no entanto, que 100% dos investimentos dependem da aprovação do Cade e da renovação da concessão da ferrovia.

O presidente da Cosan afirmou também que a companhia não tem como foco a sinergia de seus negócios, como ocorria no passado, quando a empresa era apenas um grupo de açúcar e etanol, que tinha a Rumo para ganhar eficiência no transporte de açúcar.

"O foco era sinergia, hoje o nível é menor. Com Comgás, por exemplo, não há sinergia. A interface da Comgás com a Rumo é muito pequena", disse. Para ele, a cisão dos negócios não reduz a sinergia justamente porque já era pequena. "A maior relação hoje existe entre a Rumo e a Raízen. Ainda assim, o transporte de açúcar dela representa muito pouco do total movimentado pela empresa logística." (Valor Econômico 27/11/2014)

 

Dilma vence, e Lei do Emplacamento agora é prá valer

Deputados Federais e Senadores em reunião conjunta no Congresso Nacional votam um pacote de 38 vetos presidenciais a toque de caixa. Entre os vetos, foi aceito o de n.º 5/14 - onde a Presidente Dilma Rousseff veta o Projeto de Lei que garantia a isenção de licenciamento e emplacamento dos tratores e das maquinas agrícolas

A partir de agora os agricultores que circularem com seus tratores e máquinas agrícolas em qualquer estrada do País (municipal, estadual ou federal) estão obrigados a emplacá-las, sob risco de multas e demais penalidades. É o que ficou estabelecido com a aprovação, pela maioria do Congresso, do veto da presidente Dilma Rousseff ao projeto que impedia tal cobrança. O veto foi um dos 39 assinados por Dilma e que o Congresso (em sessão conjunta de deputados e senadores) aprovaram (a toque de caixa e sem maiores discussões), na tentativa de aplainar a aceitação do novo orçamento da União (ano vigente, 2014), da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias). A LDO ainda não foi aceita e encontra-se sob intensa disputa entre parlamentares, mas a Lei do Emplacamento agora transformou-se em realidade. (Notícias Agrícolas 27/11/2014 às 18h: 39m)

 

ANP prevê déficit de gasolina superior à estimada pelo MME

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) prevê que a demanda brasileira de gasolina será superior à estimada por Ministério de Minas e Energia (MME) e Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para os próximos dez anos, afirmou Magda Chambriard, diretora-geral da agência, em depoimento realizado, ontem (26/11), na CPMI da Petrobras.

"Estamos abrindo nossos números e discutindo essa divergência. A opinião da ANP é que vamos precisar realmente fazer mais gasolina", disse ontem a diretora-geral.

Para Magda, o cenário reforça a necessidade de aumentar a produção local de gasolina para reduzir o peso da importação. "Nós projetamos um déficit de gasolina para o futuro próximo e temos discutido essa diferença de visões entre ANP, Ministério de Minas e Energia e EPE. Enxergamos uma necessidade de gasolina maior do que os outros órgãos.

Após a sessão da CPI, Magda foi questionada pelo Valor Econômico sobre o assunto, mas não soube detalhar de quanto é essa diferença. Ela explicou ainda que o país tem uma gasolina muito dependente do etanol e "talvez o etanol não responda, não cresça tanto quanto se imaginou primeiro". Magda ressaltou que as afirmações, por ora, são apenas hipóteses.

No Plano Decenal de Energia 2014-2023, o MME e a EPE calcularam demanda de 42 bilhões de litros para a gasolina A no ano de 2023. O crescimento anual médio previsto é de 2,8% pelos próximos dez anos, de acordo com o estudo.

"Além disso, o grande déficit de derivados registrado na balança comercial demonstrou a importância do refino no Brasil. Considero que a expansão do parque de refino brasileiro é absolutamente essencial", concluiu Magda. (Brasil Energia 27/11/2014)

 

Tudo certo para o aumento da mistura de etanol na gasolina

O governo de fato deverá se basear nos estudos técnicos concluídos pela Petrobras neste mês para aprovar, em breve, a elevação da mistura de etanol anidro na gasolina vendida no país dos atuais 25% para 27,5%. A medida é considerada fundamental pelo segmento sucroalcooleiro para amenizar a crise que afeta as usinas, e faz parte de uma série de acenos que o Planalto já fez para tentar diluir as críticas sobre os reflexos de sua política de preços dos combustíveis sobre a competitividade do etanol.

Com a comprovação de que os testes com veículos e motocicletas chancelaram o aumento da mistura, como antecipou o Valor, o ministério de Minas Energia (MME) sinalizou que poderá dar carta verde, em fevereiro de 2015, para que os órgãos do governo envolvidos possam aprovar a nova composição do combustível no Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool.

Os estudos preliminares com automóveis e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina são claros em garantir que o novo percentual de etanol não prejudica a performance dos motores nem altera a emissão de gases poluentes a ponto de preocupar os órgãos ambientais.

O Valor teve acesso aos dois estudos realizados pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes) apresentados em recente reunião na Casa Civil da Presidência, em Brasília. Inicialmente, foram feitos testes com oito carros e cinco motocicletas, que rodaram com a gasolina com teor de etanol anidro de 27,5%. Também foi testada uma mistura de 30%.

O aumento para 27,5% já é permitido por lei sancionada pela presidente Dilma em setembro. Mas, como diz a lei, a medida depende do anúncio dos resultados de testes como os realizados pelo Cenpes.

Foram avaliados critérios como dirigibilidade e partida a frio, retomada de velocidade, eficiência dos motores e emissão de gases poluentes. Os resultados dos testes com a mistura de 27,5% indicaram que os veículos "mantiveram os padrões de desempenho e de emissões [de gases poluentes]". Houve inclusive manutenção e até redução na emissão de gases poluentes como THC, NMHC e monóxido e dióxido de carbono.

Nos testes de retomada de velocidade, "o aumento do teor de etanol para 27,5% e para 30% na gasolina não ocasionou variações importantes de desempenho nos veículos testados". Mas há ponderações no trabalho científico da Petrobras. Houve, por exemplo, aumento na emissão de óxidos de nitrogênio (NOx), que são poluentes. Mas as variações verificadas permanecem dentro do limite aceito pelos programas do governo para controle da poluição do ar.

Quando foram avaliados ensaios de dirigibilidade e partida a frio, os testes mostraram que dois dos oito carros analisados "apresentaram falhas que não puderam ser atribuídas ao aumento do teor de etanol, pois ocorreram tanto com percentual de 25%, como com 27,5% e 30%". No quesito autonomia, foi constatada uma pequena elevação no consumo de combustível com a mistura de 27,5% nos automóveis e nas motos.

Posteriormente, foi realizado um estudo complementar com cinco automóveis. As conclusões foram as mesmas. Assim, uma nova reunião com entidades empresariais e ministérios deve acontecer em Brasília nos próximos dias.

Paralelamente, ainda falta a Anfavea entregar um estudo diferente dos feitos pela Petrobras, para avaliar efeitos da nova mistura para a durabilidade de componentes dos motores. A entidade está testando 250 automóveis da frota de suas montadoras associadas e mais 12 de outros fabricantes. Cerca de 25% dos testes já foram realizados com resultados positivos.

O governo pediu que a Anfavea antecipe a apresentação desses testes para que a indústria do etanol possa se planejar para atender a demanda em função da nova mistura.

Nos bastidores, no entanto, o MME até cogita adiar a entrada em vigor da nova regra. A preocupação é que o período de entressafra da cana, que se estende até o fim de março, possa causar problemas de algum desabastecimento de gasolina em postos de combustível. Oficialmente, a Pasta diz que, "caso o governo aprove a alteração, a data de sua implementação dependerá da devida comprovação da existência de volumes compatíveis com a alteração". (Valor Econômico 27/11/2014)

 

Fila de navios nos portos cai de 34 para 32 na semana, informa Williams

O total de navios que aguardam para embarcar açúcar nos portos brasileiros caiu de 34 para 32 na semana encerrada em 26 de novembro, de acordo com levantamento feito pela agência marítima Williams Brasil. O relatório considera embarcações já ancoradas, aquelas que estão ao largo esperando atracação e também as que devem chegar até o dia 14 de dezembro.

Foi agendado o carregamento de 1,18 milhão de toneladas de açúcar. A maior quantidade será embarcada no Porto de Santos, de onde sairão 860,97 mil t, ou 73% do total. Paranaguá responderá por 14% (165,77 mil t); Maceió, por 5% (63 mil t); Recife, também por 5% (56,71 mil t); e Suape, por 3% (38,17 mil t).

Em Santos, o terminal da Copersucar deve embarcar 152,04 mil t. No da Rumo, estão agendadas 676,93 mil t, e no TEAG, da Cargill/Biosev, 32 mil t. A maior quantidade a ser exportada é da variedade VHP, açúcar bruto de alta polarização, com 1,10 milhão de toneladas. Os embarques do cristal B-150 somam 13,50 mil toneladas e os do tipo A-45, 69,89 mil t. O A-45 e o B-150 são exportados ensacados. (

 

Exportações do agro em 2014

Desde 1999 as exportações brasileiras do agronegócio seguem uma tendência de crescimento, que foi interrompida em 2009, sob o efeito da crise mundial e da retração da demanda internacional. No ano seguinte, as exportações retornaram ao seu curso de expansão. Neste ano estamos prestes a novamente presenciar uma situação semelhante à de 2009, com queda das exportações.

Em 2014 as exportações brasileiras do agronegócio deverão ser inferiores às de 2013 em, aproximadamente, 3,4% no volume e 2,3% na receita. Essa redução é resultado de uma combinação de fatores, entre eles redução no preço internacional de alguns produtos e queda da produção por problemas climáticos ou más políticas.

De janeiro a outubro de 2014 as receitas das exportações do agro caíram 5% em relação ao mesmo período de 2013. As importações também caíram, mas em menor proporção, 4%, gerando um menor saldo de comércio, comparado ao mesmo período do ano anterior.

A redução esperada do saldo comercial em 2014, no entanto, precisa ser analisada olhando os setores. O que se verifica é que ela está concentrada em milho e sucroenergético. Ou seja, não se pode afirmar que o ciclo de expansão das exportações do agro visto desde 2009 tenha se encerrado. O que 2014 comprova, porém, é que a expansão das exportações, se ela ocorrer a partir de 2015, vai depender unicamente do crescimento do volume, e não mais de aumentos de preços.

A queda nas exportações de milho, 27% em volume e 44% em valor, já era esperada. 2013 foi um recorde, fruto da quebra da safra americana de 2012 e do bom desempenho da safra brasileira em 2013. As exportações de milho este ano não deverão atingir 20 milhões de toneladas, inferiores aos 26,6 milhões de toneladas de 2013. Além disso, os preços estão 20% mais baixos.

O estrago maior e, este sim, muito preocupante é no setor sucroenergético. Acumulando a crise financeira pela qual passam as empresas e a falta de chuvas este ano, que provocou uma forte queda na moagem de cana-de-açúcar - por causa da menor produtividade -, as exportações de açúcar e etanol serão 12% e 55% menores do que no ano passado, respectivamente. Além disso, com os preços internacionais de açúcar em patamares mais baixos, o valor exportado será 21% menor.

Diferentemente do caso do milho, em que a queda nas exportações em 2014 não reflete crise no setor, no caso do sucroenergético a queda é mais uma das más consequências de uma política de subsídio ao preço da gasolina e da ausência de incentivos para a bioeletricidade de biomassa. Além disso, os problemas climáticos de 2014 deixarão fortes rastros na safra da cana de 2015, que também terá baixa produtividade e, consequentemente, moagem abaixo do potencial.

Apesar da redução no total das vendas externas do agro, alguns setores tiveram desempenho positivo, crescendo tanto no volume como no valor exportado. Mesmo com preços desfavoráveis na soja em grãos, o bom desempenho da safra do País viabilizou o crescimento das exportações, que aumentaram 7% em volume e 4% em valor.

As exportações de carne também cresceram, com destaque para a bovina, que nos primeiros dez meses de 2014 cresceu 9% em valor. Dois fatores contribuíram para esse cenário positivo: a maior capacidade dos frigoríficos em adicionar valor aos cortes e o aumento da demanda externa pelo produto brasileiro, puxado pela reabertura do mercado chinês e pelo aumento das importações da Rússia.

Esses mercados também foram importantes para as exportações de carne de frango. O aumento de 136% no volume dessa carne exportado para a Rússia e a habilitação de novas plantas de exportação para a China acrescentaram, entre janeiro e outubro de 2014, 83,8 milhões de toneladas ao volume total exportado pelo Brasil, comparado ao mesmo período do ano anterior.

Sabemos que a agricultura sofre consequências negativas em anos de turbulência econômica, sobretudo se o governo for obrigado a reduzir sua participação no financiamento da safra. A safra de 2015 passou ilesa. O mesmo não deve ocorrer em 2016. (O Estado de São Paulo 27/11/2014)

 

Energia: Análise de bancos adverte clientes sobre racionamento em 2015

A hidrologia desfavorável no início da atual temporada de chuvas reacendeu a polêmica em torno da necessidade de racionamento de energia em 2015. Uma nova rodada de informes que circulam no mercado financeiro vê como altas as chances de medidas para forçar redução do consumo se não houver rápida melhoria no nível dos reservatórios.

Cinco bancos - J.P. Morgan, Itaú Unibanco, Credit Suisse, BTG Pactual e UBS - divulgaram relatórios com alertas aos clientes sobre a situação. Enquanto isso, as usinas térmicas bateram quatro recordes seguidos de produção desde a semana passada e geradores têm recebido pedidos para evitar manutenções programadas durante o pico do verão, quando as altas temperaturas fazem disparar a demanda nos horários de ponta e podem colocar em risco a segurança do sistema.

Se o volume de chuvas repetir o padrão observado em qualquer um dos últimos três anos, segundo o Itaú, os reservatórios das hidrelétricas chegarão a abril de 2015 ainda mais baixos do que em igual período deste ano, o que exigiria a adoção de medidas. "Podemos avaliar que um nível agregado abaixo de 50% em 30 de abril de 2015 mantém uma situação de riscos, enquanto um nível abaixo de 40% possivelmente levaria a algum tipo de programa de redução do consumo de energia", afirma o banco, em relatório assinado pelos especialistas Artur Manoel Passos e Pedro Artur Coelho. Neste ano, os reservatórios estavam com 42,6% de sua capacidade máxima no fim de abril, quando se encerra oficialmente o período chuvoso.

Para o J.P. Morgan, mesmo com crescimento zero da demanda e térmicas funcionando a todo vapor, um racionamento pode ser decretado nas primeiras semanas de 2015, caso as chuvas de novembro e dezembro fiquem abaixo de 70% da média histórica. "Se o sistema registrar uma hidrologia fraca até janeiro de 2015, tendemos a acreditar que medidas heterodoxas seriam necessárias para restringir o consumo de energia", observa o relatório, assinado pelos analistas Marcos Severine e Henrique Peretti, especialistas no setor elétrico.

Até agora, em novembro, a vazão que tem chegado aos reservatórios foi de apenas 61% da série de 84 anos nas regiões Sudeste e Centro-Oeste - onde estão as maiores caixas d'água do país. No Nordeste, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a vazão está em 34% da média. As primeiras projeções oficiais para a hidrologia de dezembro serão divulgadas até amanhã.

Se as chuvas forem ruins nas próximas semanas, o J.P. Morgan diz que seria preciso fazer um corte de 6% a 7% da carga total para evitar o esvaziamento de reservatórios e blecautes no ano que vem. Com um racionamento de tal intensidade, seria possível chegar a novembro de 2015 com os reservatórios a 14% da capacidade máxima no Sudeste/Centro-Oeste e a 8% no Nordeste, considerando um volume de chuvas equivalente a 70% da média histórica e estagnação da demanda.

O J.P. Morgan indica, no entanto, que essa não é a tendência com a qual está trabalhando. Para o banco, que diz ter feito "vários encontros" com institutos de meteorologia, o cenário-base é de chuvas perto de 85% da média em 2015. Com essa hipótese, as represas chegam ao fim do próximo ano com 31% e 24% do armazenamento máximo, respectivamente, o que não exigiria racionamento, apesar dos níveis ainda serem críticos.

Para o UBS, se as precipitações mantiverem o padrão verificado desde o início da estação chuvosa, pode haver problemas. "Se as chuvas continuarem nos níveis atuais, isso implica alto risco de racionamento", comenta a analista Lilyanna Yang, em relatório publicado no começo da semana.

Entre tantas incertezas, a geração de energia térmica bateu um recorde histórico na sexta-feira passada: as usinas movidas a gás, óleo e carvão - além das duas centrais nucleares de Angra dos Reis (RJ) - produziram 17.068 megawatts médios. Em novembro, houve quatro dos cinco maiores registros de acionamento das térmicas em todos os tempos. O engenheiro e consultor Humberto Viana Guimarães, que compilou os dados, demonstra preocupação: "A qualquer momento poderá haver um apagão de proporções nacionais".

Na tentativa de reforçar o sistema com todos os megawatts possíveis, o ONS tem conversado informalmente com donos de térmicas para que evitem manutenções programadas durante o verão. Há preocupação com o atendimento da demanda no horário de ponta.

A orientação tem sido, como de costume, respeitar fielmente os cronogramas de paralisação das máquinas para verificação dos equipamentos. Mas, diante da necessidade de estar com todo o parque térmico à disposição no pico do calor, antecipar ou adiar paralisações que não são consideradas indispensáveis do ponto de vista da segurança (Brasil Agro 27/11/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Estoques ainda altos: Os preços do açúcar refinado registraram desvalorização ontem na bolsa de Londres, para onde as atenções dos operadores se voltaram, já que a bolsa de Nova York não abriu por causa do feriado americano do Dia de Ação de Graças. Os contratos para março encerraram o pregão com baixa de 1%, ou US$ 4,20, cotados a US$ 414,50 a tonelada. A queda de ontem aprofunda as perdas de quarta-feira. Apesar da redução da produção de açúcar no Brasil na última quinzena e do volume já menor de açúcar produzido nesta safra ante a anterior, a demanda continua baixa diante dos altos estoques na mão dos compradores, o que mantém as cotações pressionadas. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o cristal subiu 0,25%, a R$ 52,12 a saca de 50 quilos.

Café: Incertezas renovadas: As cotações do café robusta fecharam com estabilidade na bolsa de Londres, em meio a incertezas quanto à produção mundial. As atenções do mercado se voltaram para o mercado europeu nesta quinta-feira, já que a bolsa de Nova York não operou por causa do feriado de Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos. Os lotes do grão com vencimento em janeiro encerraram o pregão de ontem a US$ 2.096 a tonelada, mesmo valor do fechamento de quarta-feira. Segundo Myrto Sokou, analista de pesquisa da consultoria Sucden Financial, o mercado do café passa por um momento de "forte alta". Porém, essa valorização tem sido limitada ou até revertida pela liquidação de posições por parte de investidores em busca de lucros. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica recuou 0,97%, a R$ 464,07 a saca.

Cacau: Rolagem de posições: Com a bolsa de Nova York fechada devido ao feriado de Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, as atenções do mercado de cacau voltaram-se ontem para a bolsa de Londres, onde os contratos mais negociados da amêndoa, com vencimento em março, fecharam com alta de 12 libras, 1.908 libras por tonelada. As negociações têm sido influenciadas nos últimos dias pela rolagem de posição por parte dos investidores especulativos, que buscam se desfazer de seus contratos para dezembro a fim de evitar receber a mercadoria física. Essas rolagens, segundo Thomas Hartmann, da TH Consultoria, corresponderam a boa parte dos 14 mil contratos negociados ontem. Em Ilhéus (BA), a arroba da amêndoa foi negociada ontem em média a R$ 102, alta de 2% no dia, segundo a Central Nacional dos Produtores de Cacau.

Boi: Oferta restrita: O preço do boi gordo em São Paulo continua em alta, devido à oferta limitada de animais para abate. Entre os dias 19 e 26 de novembro, o indicador Esalq/BM&FBovespa para o animal acumulou valorização de 1,04%, para R$ 145,26 a arroba. Ontem, o indicador subiu 0,15%, a R$ 145,48. Na parcial de novembro, a alta é de 3,78%. Conforme informações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), a dificuldade de compra de lotes maiores e/ou que atendam a certas especificações de mercados, como o europeu, é ainda maior, especialmente dentro do Estado de São Paulo. Já no mercado atacadista de carne com osso da Grande São Paulo, a carcaça casada de boi permaneceu estável nos últimos sete dias, refletindo ainda certo desaquecimento da demanda neste. (Valor Econômico 28/11/2014)