Setor sucroenergético

Notícias

Logum na planilha de Youssef

Os 750 projetos Brasil afora sob a influência do doleiro preso na Operação Lava Jato.

Outra companhia a aparecer na lista é a Logum Logística. Resultado de composição acionária entre a Petrobras, Odebrecht, Camargo Corrêa e outras três empresas, a Logum foi criada, em 2011, para construir e operar o Sistema Logístico do etanol. Embora acionistas, a Camargo Corrêa e a Odebrecht formam o Consórcio etanol que venceu uma licitação de 900 milhões da própria Logum para as obras do primeiro trecho do etanolduto, entre as cidades de Paulínia e Ribeirão Preto, em São Paulo. Na planilha, o consórcio é citado como cliente direto de Youssef em ao menos dois contratos que chegam a 140 milhões de reais. Além dos dutos para o escoamento da produção de etanol, a Logum é responsável pela construção dos terminais para carregamento das barcaças de transporte do combustível pela hidrovia Tietê-Paraná. Como revelou CartaCapital na edição 819, de 1º de outubro, por conta de possível direcionamento na licitação de 239 milhões de dólares, o Ministério Público pediu o afastamento do presidente da Transpetro, Sergio Machado. O executivo foi citado na delação de Paulo Roberto Costa por ter entregado a ele 500 mil reais. Atualmente está afastado do cargo. Arta Capital 29/11/2014)

 

Louis Dreyfus anuncia Mayo Schmidt como novo CEO a partir de janeiro

SÃO PAULO - A Louis Dreyfus Commodities anunciou que seu conselho de administração escolheu Mayo Schmidt como novo CEO. O executivo, proveniente da Viterra, assumirá o comando da trading em 5 de janeiro, no lugar do interino Claude Ehlinger.

Ehlinger, por sua vez, volta as funções de diretor de finanças (CFO) da companhia e presidente não-executivo do conselho da Biosev. Mas o comunicado da Louis Dreyfus agora diz que ele tem status de vice-presidente da trading.

Schmidt é ex-presidente da Viterra, empresa canadense que fornece ingredientes às maiores indústrias de alimentos do mundo. E, anteriormente, passou pela ConAgra Foods e General Mills.

“Estou muito contente em receber Mayo na LDC. Sua ampla experiência global na indústria de alimentos, combinada com sua capacidade de liderança e atitute empreendedora, forte ética nos negócios e mentalidade orientada para a equipe fazem dele o melhor pessoa para o trabalho", disse Margarita Louis-Dreyfus, presidente da holding Louis Dreyfus, em nota. “Este é um importante passo no projeto de transição que nós lançamos em junho de 2013 para reforçar nossa estrutura de gestão e modelo de governança”.

“Eu também gostaria de expressar minha profunda gratidão a Claude pelo seu grande serviço como CEO interino ao longo dos últimos meses, além de seu papel como CFO, e pelo seu empenho e desempenho”, completou Margarita. (Valor Econômico 28/11/2014)

 

ATR: novembro teve alta de 5,38% no valor mensal e de 0,30% no acumulado

Nesta sexta-feira (28), o Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Consecana) divulgou os dados referentes ao mês de novembro da safra 2014/15. No período, o quilo de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), registrou alta de 0,30% no acumulado, cotado a R$ 0,4629 ante R$ 0,4615 do mês de outubro. O valor mensal teve valorização de 5,38%, passando de R$ 0,4498 para R$ 0,4740.

Os contratos de parceria baseados no índice de cana campo fecharam em R$ 50,54 a tonelada, alta de 0,29% ante os R$ 50,39 a tonelada do mês passado. A cana esteira subiu 0,30%, negociada a R$ 56,46 a tonelada contra os R$ 56,29 de outubro. (Udop 28/11/2014)

 

Açúcar: Impacto da Opep

Os preços do açúcar demerara caíram na bolsa de Nova York na sexta-feira sob influência do mercado de petróleo.

Os lotes para maio fecharam em 15,96 centavos de dólar a libra-peso, com baixa de 51 pontos.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) disse que manterá seu nível de produção, apesar do ciclo de baixa nos preços.

A medida pode aumentar a pressão sobre a commodity e a gasolina, que compete com o etanol. Valores menores do biocombustível podem levar as usinas a direcionar mais cana à produção de açúcar, elevando a oferta.

A variação também foi determinada pela baixa liquidez, além de movimentos técnicos dos fundos.

No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,23%, para R$ 52 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 01/12/2014)

 

Etanol celulósico em breve chegará aos postos

Mais rústica, cana energia terá quatro vezes mais biomassa do que a tradicional.

Os primeiros litros de etanol celulósico produzidos na fábrica da GranBio em Alagoas, a Bioflex 1, devem em breve chegar aos postos do Estado. Uma ação de marketing está sendo preparada para marcar a primeira venda do biocombustível de segunda geração a uma distribuidora, diz o vice-presidente da GranBio, Manoel Carnaúba Cortez, que não quis dar mais detalhes sobre a ainda secreta estratégia de divulgação.

A fábrica começou a operar em setembro em São Miguel dos Campos e, até meados de novembro, havia fabricado no total um pouco mais de 600 mil litros de etanol celulósico a partir da palha da cana. Todo o suprimento de matéria-prima vem do centro de distribuição, localizado no entorno da fábrica.

Lá a GranBio tem estocados 160 mil toneladas de palha coletadas há pelo menos um ano das usinas da região. Mas o fluxo anual de colheita deste ciclo 2014/15 vai atingir um volume próximo de 350 mil toneladas da biomassa retirada das quatro usinas parceiras. Quando estiver operando com capacidade total - produzindo por ano 82 milhões de litros de etanol celulósico -, a Bioflex 1 estará demandando 420 mil toneladas de palha anuais. Além de buscar outros parceiros, a companhia também pretende deter um canavial próprio. Entretanto, a variedade a ser plantada não será a tradicional, mas uma com um nível de biomassa quatro vezes maior.

A "cana energia", como é popularmente chamada, deve ser lançada pela GranBio em 2015, diz o coordenador da estação experimental da Vertis, braço de pesquisa do grupo, Hugo Soriano. A empresa foi buscar os ancestrais da cana, de características mais rústicas, para cruzar com as variedades mais nobres. Essa cana selvagem, originária da Ásia, traz diversas características desejáveis, segundo ele.

A começar por uma raiz mais profunda, que mantém o material reprodutivo da planta debaixo da terra, protegido das agressões externas, como as advindas da colheita mecanizada. Isso faz com que a planta seja mais resiliente ao longo do ciclo. A expectativa do programa de melhoramento da Vertis é que canaviais com a cana energia demandem renovação de área a cada 10 ou 15 anos, ante os cinco anos da cana tradicional.

Neste ano, a GranBio plantou 120 hectares com cana energia em uma fazenda arrendada no município de Teotônio Vilela. Até fevereiro de 2015, a companhia pretende elevar essa área experimental a 1 mil hectares, de acordo com Sérgio Godoy, responsável pelo setor de matéria-prima da GranBio. Em um ano, essas áreas vão estar rendendo as primeiras colheitas, mas em ritmo mais elevado de produção, somente em 2017.

A cana energia dará alguma autonomia de suprimento de matéria-prima à Bioflex - que depende 100% de fornecedores -e a todo o projeto da GranBio, que é implantar quatro usinas de etanol celulósico, duas unidades bioquímicas e duas biorrefinarias flexíveis. (Valor Econômico 01/12/2014)

 

Desvalorização do rublo pode estagnar consumo de açúcar na Rússia

A forte desvalorização do rublo está elevando os preços domésticos do açúcar na Rússia e podem interromper o crescimento do consumo no país, que deve importar cerca de 1 milhão de toneladas nesta temporada, disseram analistas.

A moeda russa perdeu cerca de um terço do seu valor frente o dólar só este ano, sofrendo o maior impacto nos últimos meses, devido à queda nos preços globais do petróleo e às sanções ocidentais relacionadas à crise da Ucrânia.

"O enfraquecimento do rublo e uma alta nos preços domésticos do açúcar podem desacelerar o consumo na Rússia, que começou a subir desde 2012", disse Evgeny Ivanov, analista de açúcar na consultoria agrícola IKAR, de Moscou.

A Rússia foi o sétimo principal destino das exportações brasileiras de açúcar em 2013, com volume de 1,4 milhão de toneladas. O país chegou a ser o maior comprador do Brasil em 2011, segundo dados compilados pelo governo brasileira.

A Rússia já foi o maior importador global de açúcar bruto, mas elevou a produção em uma tentativa de alcançar a autossuficiência.

Além do Brasil, o mercado russo também importa grandes volumes da Tailândia. Na atual temporada, deverão ser importados 1 milhão de toneladas, principalmente no primeiro semestre de 2015.

Segundo a IKAR, a demanda russa por açúcar deve ficar em 5,6 milhões de toneladas em 2014/15, estável ante o ano anterior, mas menor que o volume de 5,7 milhões a 5,8 milhões de toneladas projetado antes da desvalorização do rublo.

Falando em um seminário do setor nesta semana, o presidente da Associação de Produtores de Açúcar da Rússia, Andrey Bodin, disse que espera que as importações de açúcar do país continuem a cair nos próximos anos, atingindo 350 mil toneladas em 2020. (Reuters 28/11/2014)

 

Seca atrapalha a produção e usinas antecipam o fim da moagem da cana

Colheita da cana foi prejudicada pela seca na região Centro-Sul. Safra está terminando na região responsável por 90% da produção nacional.

A safra de cana está terminando na região Centro-Sul, responsável por cerca de 90% da produção nacional. A seca atrapalhou e, em São Paulo, muitas usinas anteciparam o fim da moagem.

Roberto Rosseti planta cana em 450 hectares em Ribeirão Preto, no nordeste do estado. Na área que mais sentiu os efeitos da estiagem, muitos brotos morreram e os que resistiram quase não cresceram. "A minha quebra neste ano foi de 15%. A produtividade foi péssima", diz o produtor.

Na região de Ribeirão Preto, uma das principais áreas produtoras de São Paulo, choveu 500 milímetros no período da safra deste ano, menos de 40% da média dos últimos dez anos.

A seca prolongada no campo acelerou a colheita e, por isso, várias usinas anteciparam o fim de safra. No ano passado, a moagem durou até meados de dezembro, mas desta vez, as indústrias terminaram de processar a cana no começo deste mês ou até antes, em outubro.

Em todo o Centro-Sul, que abrange as regiões Sudeste e Centro-Oeste, a moagem foi de cerca de 538 milhões de toneladas, quase 1,5% a menos que no ano passado. A maior parte (56,32%) foi usada na produção de etanol. Ao todo, 82 usinas terminaram a safra na região Centro-Sul, enquanto em novembro do ano passado, apenas 31 tinham parado as máquinas.

Em uma usina em Sertãozinho, o movimento é apenas de quem trabalha na manutenção das moendas. A colheita terminou na primeira quinzena de outubro, com um mês de antecedência. A quebra na produção desta safra foi de 10%. "A próxima safra que vai sentir mais. Toda aquela cana que foi cortada e brota para a próxima safra sofreu muito, então tem cana que nasceu mal e tem cana que não nasceu. Essa que não nasceu, não adianta chover daqui pra frente", diz Jairo Balbo, diretor industrial da usina.

São Paulo registrou a maior quebra agrícola do Centro-Sul nesta safra. A produtividade de cana baixou de 85 toneladas por hectare para 75 toneladas por hectare, 12% a menos. (Globo Rural 30/11/2014)

 

Cana-de-açúcar ajudou a reduzir PIB agropecuário

A queda de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) agropecuário no terceiro trimestre ante o trimestre imediatamente anterior refletiu a expectativa de queda de 5,9% da safra da cana-de-açúcar, afetada pela estiagem. No segundo trimestre, ao contrário, havia reflexos positivos da colheita da soja, que deve crescer 5,6% no ano, e agora já não aparece mais no PIB.

"Na agropecuária você está comparando trimestres com safras relevantes de produtos agrícolas diferentes. No segundo trimestre ainda havia uma safra relevante de soja, o que colaborou positivamente", disse Rebeca Palis, gerente da coordenação de Contas Nacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na indústria, Rebeca destacou o fim do efeito Copa do Mundo ajudou a indústria a ter alta de 1,7% ante o segundo trimestre. De abril a junho o setor foi afetado pelo menor número de dias úteis e paralisações da indústria por conta do mundial de futebol no País. Também houve melhora na indústria extrativa mineral, em especial de petróleo e minério de ferro.

Também pela ótica da produção, a alta de 0,5% dos serviços na margem foi puxada por transporte (1,4%) e intermediação financeira (0,6%). Nesse último caso, entretanto, os bancos ganharam mais em volume com serviços não relacionados à intermediação financeira, com tarifas como manutenção de contas, por exemplo. (Agência Estado 28/11/2014)

 

Eucalipto avança nas áreas mais acidentadas

Há uma década e meia, Alagoas, o maior Estado canavieiro da região Nordeste, abrigava 670 mil hectares com a cultura. Essa área atualmente não passa de 450 mil hectares, sendo que 300 mil estão nas áreas planas do sul do Estado. É uma questão de tempo para que a cana de fora dos "tabuleiros" dê lugar a outra atividade econômica.

Desde 2008, um quarto das 24 unidades de Alagoas entraram em sérios problemas financeiros. Três usinas pediram recuperação judicial, sendo que uma delas interrompeu totalmente suas operações, e outras três faliram, conta o presidente do sindicato que representa as usinas do Estado (Sindaçúcar), Pedro Robério Nogueira.

"O custo da colheita manual está inviabilizando esse setor, que está cada vez mais complexo. Os empresários estão buscando alternativas econômicas para substituir a cana", afirma o dirigente do sindicato patronal.

A pecuária extensiva é uma alternativa possível para ocupação dessas áreas, mas é vista como um certo retrocesso pelos empresários locais, explica Nogueira. Já o eucalipto começa a despontar na região como a saída mais viável, no entanto, ainda se define que destinação final terá essa madeira, diante da inexistência da tradicional demanda de papel e celulose no Estado. O uso para geração de energia está sendo considerado, assim como para fabricação de móveis.

Segundo o Balanço Energético de Alagoas, elaborado pela secretaria estadual de Planejamento, a atual área ocupada com eucalipto no Estado é de 7,6 mil hectares, a maior parte em áreas de topografia acidentada onde a cana-de-açúcar perdeu espaço.

O grupo Carlos Lyra, dono da usina Caeté, principal parceira da GranBio em Alagoas, é um dos players que estão substituindo cana por eucalipto. Das três usinas nordestinas do grupo, uma não pode ser totalmente mecanizada, e é alvo do cultivo da madeira. Trata-se da unidade Cachoeira, localizada no município de Maceió.

Nos últimos dois anos, a empresa plantou 3 mil hectares de eucalipto onde antes havia cana. A substituição ocorreu na área própria e reduziu o canavial da unidade a 13 mil hectares.

O diretor agrícola do grupo, Aryl Lyra, diz que, desses 13 mil hectares, apenas 7 mil vão permanecer com cana-de-açúcar, pois podem ser mecanizados. A substituição vai ocorrer ao longo dos próximos anos. "A unidade Cachoeira vai continuar ativa, mas vamos buscar a matéria-prima mais longe, de fornecedores que já não têm para quem vender, devido ao fechamento de usinas na região", diz Lyra. (Valor Econômico 01/12/2014)

 

Boi, grãos e etanol têm altas na BM&FBovespa

Os contratos futuros de segunda posição de entrega do boi gordo voltaram a subir na BM&FBovespa em novembro, como acontece desde agosto, e alcançaram uma nova média mensal recorde.

Conforme cálculos do Valor Data, a alta em relação a outubro foi de 4,70%, para R$ 144,58 a arroba. Na comparação com a média de dezembro, a valorização chega a 29,2%, e em relação a outubro de 2013 chegou a 33,85%.

As cotações continuam a ser sustentadas pela aquecida demanda por carne nos mercados doméstico e internacional, em tempos de oferta global restrita. Como já informou o Valor, os preços da carne bovina não têm dado trégua e seguem firmes tanto no atacado quanto no varejo.

Das commodities agropecuárias negociadas na BM&F, também subiram as médias mensais dos contratos do milho - 13,93% na comparação com outubro -, da soja (6,29%) e do etanol (7,62%).

Os ganhos de soja e milho foram influenciados pelo atraso do plantio da oleaginosa em Mato Grosso nesta safra 2014/15, que tende a atrasar os trabalhos de colheita e prejudicar a semeadura da safrinha do cereal no Estado a partir do início do ano que vem.

O etanol subiu já sob influência do reajuste dos combustíveis em geral no país, ao passo que o café devolveu ganhos acumulados com os problemas à produção causados pela seca e caiu 5,77%. (Valor Econômico 01/12/2014)

 

Dilma planeja mudanças no setor de energia e petróleo

Dilma Rousseff está disposta a promover fortes mudanças no setor de energia, petróleo e gás do governo, conforme disseram ao jornal O Estado de S. Paulo políticos que conversaram com a presidente sobre a escolha dos primeiros ministros do segundo mandato.

Essa seria a principal resposta de Dilma à sequência de escândalos de corrupção na Petrobrás e aos problemas de gestão na Eletrobrás.

A primeira providência deve ser a demissão do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB-MA), protegido do senador José Sarney (PMDB-AP).

A decisão já foi comunicada tanto a Sarney quanto ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), com o qual Dilma conversou na segunda-feira.

Outra providência que poderá ser adotada é a troca da direção da Petrobrás, apesar de Dilma ser amiga pessoal de Graça Foster, presidente da estatal.

Para o lugar de Lobão a presidente estaria trabalhando com dois nomes de sua inteira confiança: o chefe de Gabinete Giles Azevedo, que foi um dos coordenadores da campanha à reeleição, e a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, que cederá o lugar para o ex-secretário executivo da Fazenda Nelson Barbosa.

Os dois, conforme os políticos que conversaram com Dilma, obedeceriam cegamente às instruções da presidente, que foi ministra de Minas e Energia nos três primeiros anos do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para a presidência da Petrobras, em substituição a Graça Foster, Dilma chegou a pensar no governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), mas desistiu. Ela o quer num ministério. Depois, falou-se na possibilidade de nomeação de Alexandre Tombini, que deixaria o Banco Central para assumir a Petrobras.

A justificativa é que o presidente de uma estatal que trabalha com commodities, como a Petrobras, teria de ser alguém que conhece o mercado.

Agora, de acordo com interlocutores de Dilma, ela pensa em Luciano Coutinho para a estatal. Coutinho é o atual presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). (O Estado de São Paulo 28/11/2014)

 

Grupo USJ registra lucro de R$ 11,8 milhões no 2º tri de 2014/15

SÃO PAULO - O grupo USJ, um dos mais tradicionais sucroalcooleiros do país, informou que teve no segundo trimestre da safra 2014/15, encerrado em 30 de setembro, um lucro líquido atribuível a acionistas controladores de R$ 11,831 milhões, revertendo a perda de R$ 18,821 milhões de igual trimestre do ciclo passado, o 2013/14. No acumulado dos seis meses da temporada, no entanto, a companhia registrou um prejuízo líquido de R$ 24,4 milhões, ante o resultado líquido negativo de R$ 18,2 milhões de mesmo intervalo de 2013/14.

O grupo detém 100% da usina São João, com sede em Araras (SP) e que tem capacidade para processar cerca de 3 milhões de toneladas por ciclo. Possui também 50% da SCJ Bioenergia, joint venture com a multinacional americana Cargill e que controla duas usinas de cana no Estado de Goiás — a unidade São Francisco, localizada em Quirinópolis e inaugurada em 2007, e a usina Cachoeira Dourada, que começou a operar no ano passado no município goiano de mesmo nome. 

No segundo trimestre do ciclo, o grupo teve uma receita líquida de 25,6% menor, de R$ 116,917 milhões. A retração foi efeito da queda da produtividade do canavial colhido em São Paulo e do maior volume de estoques na comparação com igual período do ciclo passado. No acumulado dos seis meses da temporada, a receita líquida recuou 13,6%, a R$ 234 milhões. 

Na usina paulista, que sofreu com a estiagem, a produtividade dos canaviais aferida nos seis meses da safra 2014/15 foi de 83,2 toneladas por hectare, 9,8% abaixo das 92,7 toneladas por hectare de igual intervalo de 2013/14. A queda de desempenho foi parcialmente compensada por um maior teor de açúcar na cana, o chamado ATR, que foi a 140,4 quilos por tonelada, ante 133,5 quilos na mesma comparação.

Ainda, os estoques da companhia em 30 de setembro deste ano eram de R$ 169,362 milhões, 6,8% mais elevados do que em igual momento do ciclo anterior. 

O grupo informou que em 30 de setembro, sua alavancagem, excluindo os bonds, estava em 3 vezes, ou seja, a dívida líquida da companhia equivalia a 3 vezes o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização). 

A dívida bancária do grupo com vencimento no curto prazo cresceu 38,9%, a R$ 157,2 milhões, na comparação com o registrado em 31 de março deste ano. 

A dívida bancária do grupo de vencimento no longo prazo, na mesma comparação, subiu 6,25%, a R$ 900 milhões. (Valor Econômico 28/11/2014 às 17h: 27m)

 

Tratores e máquinas agrícolas deverão ser emplacados em Janeiro de 2015

Os agricultores que transitarem com tratores e máquinas agrícolas nas estradas brasileiras deverão emplacá-las a partir de janeiro de 2015. A decisão foi tomada por deputados e senadores em reunião conjunta no Congresso Nacional, quando aprovaram o veto presidencial n.º 5/14, segundo o qual a presidente Dilma Rousseff acabou com a isenção de licenciamento e emplacamento rural.

"É um absurdo sustentar a cobrança para ferramentas de trabalho no campo como se fossem carros de passeio. São enxadas com motor. É mais uma forma de meter a mão fundo no bolso do produtor, mais uma insensível com aqueles que produzem alimentos e sustentam a economia do país", lamentou o deputado federal Alceu Moreira, autor do projeto que isentava os tratores e máquinas agrícolas.

No entanto, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Luis Carlos Heinze (PP-RS), adianta que vai seguir trabalhando para evitar a cobrança sobre os produtores rurais. "Ainda tem alternativas. Eu coloquei na Medida Provisória 656 emendas que desobrigam o agricultor a emplacar suas máquinas", ressaltou.

Outro que tenta reverter a situação é o senador Blairo Maggi (PR-MT). "Estamos falando com o Contram para que prorrogue a entrada em vigor dessa medida, de modo a termos tempo de votar um decreto legislativo que impeça essa situação", revelou. De acordo com parlamentares, o emplacamento significará um incremento de 3% no custo do valor das máquinas para os agricultores. (Agrolink 27/11/2014)

 

Marcha a Ré na mecanização agrícola

Com retração nas vendas, empresas do setor de máquinas e equipamentos agrícolas fazem ajustes, mas sem perder de vista o programa de investimentos no longo prazo

Após um período de vacas gordas em 2013, o setor de máquinas e equipamentos agrícolas não conseguiu repetir o feito neste. Pior, não há sinais claros de recuperação também para o próximo.

Resta às indústrias fazer ajustes para segurar custos diante dessa contenção de demanda e redução das vendas. "É uma situação pontual e que não vai interferir nos objetivos de médio e longo prazos", afirma Alessandro Maritano, vice-presidente da New Holland.

Os investimentos programados continuam, uma vez que o Brasil tem grande potencial para fornecer os alimentos de que o mundo vai precisar, afirma ele.

Os olhares da empresa estão voltados para a América Latina e os países asiáticos, como China e Índia. A América Latina deverá representar até 25% dos investimentos da empresa nos próximos anos.

O carro-chefe do Brasil é a soja, o produto mais representativo do agronegócio em área, produção e exportação. A diversidade da agropecuária brasileira, no entanto, abre um leque de opções para as indústrias brasileiras.

Se a situação não se apresenta bem em alguns produtos, como ocorre com o milho, vai bem em outros, segundo Maritano. Entre os setores que vão bem e podem ter demanda de máquinas e equipamentos estão arroz, café e pecuária.

A New Holland aposta muito também no setor sucroenergético. Neste momento o setor não vai bem, mas a geração de energia terá grande desenvolvimento.

Uma das reduções de custos da empresa será um controle melhor dos estoques, tanto nas fábricas como nas revendas. Um estoque elevado traz custos financeiros para ambas.

No ano passado, a demanda foi tão grande que as indústrias tiveram dificuldades para um atendimento imediato. As vendas atingiram o recorde de 65,2 mil tratores e de 8.545 colheitadeiras. Um ano atípico em relação às 55,8 mil e 6.300 unidades, respectivamente, de 2012.

O crescimento de 2013 ocorreu devido à aceleração do volume de grãos produzido no país, bem como pelas taxas de juros favoráveis.

As condições de 2013 continuam, com o país tendo boa safra e juros ainda favoráveis à agricultura. O cenário de preços, no entanto, é outro.

A recomposição mundial de estoques e a safra recorde dos Estados Unidos deste ano provocam uma queda nos preços dos grãos, afetando a renda dos produtores.

Como a safra dos norte-americanos praticamente está nos armazéns ou a caminho da China, uma alteração mais intensa de preços só viria com quebra de produção na América do Sul.

Se isso ocorrer, os produtores brasileiros vão assistir a uma alta de preços, mas sem produtos para vender.

O desafio para as empresas de máquinas é tomar medidas de curto prazo para superar esse período de queda.

Maritano diz que o grande desafio é oferecer uma solução de mecanização para o produtor de maneira que ele maximize a produção, obtenha renda e reduza custos.

A solução é oferecer ao produtor um investimento que traga resultados, e não gastos, diz o executivo. Por isso, a empresa continua investindo na agricultura de precisão e buscando parceiras para atender mais rapidamente à necessidade do produtor. (Folha de São Paulo 29/11/2014)

 

Cartel não muda produção, e preço do petróleo é o menor em quatro anos

Os membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) decidiram não reduzir sua produção, em sua reunião desta quinta-feira (27), a despeito de meses de queda nos preços da commodity.

O preço do petróleo cru tipo Brent caiu dramaticamente com a notícia. O contrato para janeiro -referência internacional para o petróleo- chegou a cair US$ 6,50, para US$ 71,25 por barril, a cotação mais baixa em quatro anos. Durante o dia, houve recuperação e o barril terminou valendo US$ 72,58.

O contrato de referência do mercado dos EUA caiu abaixo dos US$ 70 pela primeira vez desde junho de 2010, cotado a US$ 69,05.

Com a queda nos preços internacionais, as ações da Petrobras recuaram ontem: as ordinárias (com direito a voto) se desvalorizaram em 3,92%, e as preferenciais, 4,68%. O resultado ajudou para queda de 0,68% do Ibovespa nesta quinta.

O CARTEL ESTÁ DIVIDIDO

No mais claro sinal até agora de que o cartel acredita que a cura para o excedente de produção cada vez maior é um corte nos preços, a Opep anunciou em comunicado que manteria seus atuais níveis de produção no interesse de "restaurar o equilíbrio de mercado".

"Vamos produzir 30 milhões de barris ao dia no primeiro semestre", disse Abdalla El-Badri, secretário-geral da Opep. "Não temos meta de preços; estamos em busca de um preço justo."

A mensagem ecoou a de Ali al-Naimi nos dias que precederam a reunião, quando o ministro do Petróleo da Arábia Saudita, líder do cartel e maior produtora mundial de petróleo, disse esperar que o mercado petroleiro "venha por fim a se estabilizar".

O cartel está dividido. Os produtores de baixo custo com grandes reservas cambiais, como a Arábia Saudita e outras nações do golfo Pérsico, se mostraram mais dispostos a aguentar um período de preços mais baixos a fim de ganhar mercado em longo prazo.

Venezuela e Irã, que precisam de preços mais altos para o petróleo a fim de equilibrar o Orçamento, estão ávidos para que o cartel contenha novas quedas de preços.

"Os produtores mais prejudicados pela queda nos preços do petróleo foram persuadidos de que um corte na produção poderia ser pouco efetivo e que a única maneira de conter a disparada na produção de petróleo das reservas de xisto betuminoso dos Estados Unidos seria permitir que preços mais baixos ajudem a reduzir a oferta com o passar do tempo", disse Bill Farren-Price, diretor da Petroleum Policy Intelligence. (Finacial Times 28/11/2014)

 

Usinas dos 'tabuleiros costeiros' de Alagoas investem em mecanização

Palha da cana é colhida pela GranBio nas áreas de quatro usinas do sul de Alagoas e armazenada no centro de distribuição da empresa localizado na região.

Popularmente chamadas de "tabuleiros costeiros", as terras planas do sul de Alagoas viraram uma espécie de "ilha" em meio às acidentadas áreas que abrigam os canaviais do Estado. É uma das poucas regiões nordestinas onde a cana pode ser plantada e colhida com máquinas. Ainda que com algum atraso em relação ao Centro-Sul do país, a mecanização nessa região começou a avançar em ritmo mais acelerado, promovendo uma redução de custos de cerca de 20% em relação à colheita manual.

Além do solo plano, o uso de máquinas ganhou impulso no sul alagoano porque as usinas agora estão conseguindo vender um subproduto que antes virava cinzas no canavial: a palha. A monetização desse insumo está financiando a compra de máquinas e ajudando a restabelecer o dinamismo do segmento sucroalcooleiro estadual - que, apesar de menos pujante do que o de São Paulo, por exemplo, representa um terço do PIB alagoano.

Como dispensa a queima do canavial, a colheita mecânica mantém intactas milhares de toneladas de palha no campo. Somente no sul de Alagoas, o potencial de colheita dessa biomassa é de 1,5 milhão de toneladas.

Antes sem valor de mercado, essa palha está sendo vendida para a produção de etanol de segunda geração - o chamado celulósico - da primeira fábrica do gênero do Brasil, construída pela GranBio, holding da família Gradin. Há dois anos, o empreendimento começou a comprar essa biomassa na região. Inicialmente, da usina Caeté, do tradicional Grupo Carlos Lyra. Hoje, já são quatro unidades parceiras.

A mecanização era imprescindível para a sobrevivência desse segmento, mas a criação de um mercado que paga pela palha ajudou a acelerar esse processo, analisa Sérgio Godoy, que gerencia a área de matéria-prima da usina da GranBio, batizada de Bioflex 1 e situada em São Miguel dos Campos, no sul de Alagoas.

O mercado estima que, na média, 40% dos canaviais dos tabuleiros alagoanos estão sendo colhidos mecanicamente - percentual que sobe para entre 50% e 60% no grupo de usinas que estão conseguindo vender a palha para a GranBio. São percentuais ainda baixos, se comparados aos mais de 90% de mecanização no Estado de São Paulo, por exemplo. Mas também estão bem acima do uso pontual de máquinas na Zona da Mata alagoana, onde a topografia acidentada limita o uso de máquinas a 20% dos canaviais.

Os contratos de compra e venda da palha seguem diferentes formatos, mas poucas condições são reveladas pelas empresas participantes que assinaram com a GranBio cláusula de confidencialidade. Em linhas gerais, o impacto no faturamento bruto é pequeno, mas quando se considera a margem, o efeito é mais significativo, pois se trata de uma geração de caixa livre, vinda de um produto que antes era descartado pela usina.

Esse pagamento pela biomassa, em alguns dos contratos, está sendo feito por meio de "financiamento" de máquinas. A GranBio compra a frente de colheita (colheitadeira, transbordo, etc) e fornece os equipamentos às usinas parceiras em forma de comodato. No longo prazo (acima de cinco anos), as usinas "pagam" o "financiamento" com a entrega da palha. Após esse período, o maquinário é amortizado e passa a ser ativo da unidade parceira.

Essa foi a forma como a usina Triunfo, localizada no município alagoano de Boca da Mata, conseguiu, enfim, fazer deslanchar a colheita mecanizada. As primeiras tentativas de mecanização começaram em 1991 e, depois de muitos tropeços, um índice de colheita com máquinas de 35% do canavial foi alcançado quase 20 anos depois, em 2010.

O maior impulso, veio mesmo nos últimos três anos, conta o diretor de operações da usina, Paulo Roberto Lira. Na temporada passada, a 2013/14, esse percentual já havia alçado 45% com o início da parceria com a GranBio. Neste ciclo 2014/15, já está em 55%. Atualmente, a frota da Triunfo é de 12 frentes de colheita. Quatro são próprias, quatro alugadas e quatro fornecidas pela GranBio em sistema de comodato.

O "financiamento" com a parceira será amortizado ao longo de sete anos de fornecimento da palha, conta Lira. Após esse período, a máquina entra oficialmente na planilha de ativos da Triunfo. Dona de 12 mil hectares cultivados com cana no sul alagoano, a usina sexagenária fornecerá, por ano, cerca de 70 mil toneladas dessa biomassa à GranBio. O volume tende a aumentar nos próximos ciclos. O plano, afirma Lira, é no ano que vem adicionar mais quatro colheitadeiras à frota, elevando a 16 o número total. Como fará isso, a empresa vai definir nos próximos meses. Mas o grupo estuda três alternativas, entre elas, a ampliação da parceria de venda de palha. "É um grande negócio. Cem por cento desse material ficava no campo, sem destinação".

O acordo com a outra usina parceira, a Seresta, de Teotônio Vilela, obedece à mesma lógica. A unidade começou a vender palha nesta safra 2014/15. Duas frentes de colheita financiadas pela GranBio já foram incorporadas à frota, formada ainda por cinco próprias e três alugadas.

Com isso, o nível de mecanização da colheita da Seresta, atualmente de 50% da área, vai subir no próximo ano para 70%, com a entrada de outras três frentes na frota, diz Elias Brandão Vilela, diretor superintendente da unidade. "Até então, a gente colocava fogo nessa palha. A parceria é uma oportunidade para quem quer mecanizar, sem ter que se endividar", diz Vilela.

Além das restrições ambientais, cada vez mais iminentes de colocarem um ponto final na queima da cana no Nordeste, a adoção da colheita mecanizada tem como pano de fundo a redução de custos e encargos com trabalhadores rurais, cada vez mais escassos na região.

A colheita com máquinas custa de 12% a 20% menos do que a feita com a contratação de bóias frias, segundo cálculos das usinas locais. "Isso sem contar que não se encontra mais cortadores de cana para trabalhar na região. Essa mão de obra vem envelhecendo e os mais novos buscam os programas sociais do governo para sobreviver", diz Vilela. (Valor Econômico 01/12/2014)

 

Moagem de cana-de-açúcar da São Martinho cresce 19,8% na safra

A moagem de cana-de-açúcar nas quatro usinas do Grupo São Martinho teve alta de 19,8% na safra 2014/2015 em relação à anterior, segundo os dados divulgados nesta sexta-feira (28) ao mercado.

No total, foram processadas 18,7 milhões de tonadas de cana, ante os 15,9 milhões na safra passada. A moagem nas usinas do grupo já foi encerrada.

Segundo o grupo, a moagem atingiu 95,1% do previsto no início da safra em decorrência da estiagem que atingiu os canaviais.

No período, a produção do etanol (anidro e hidratado) foi de 789 milhões de litros, com alta de 6,62% em relação a safra passada. Também foram produzidas 1,23 milhão de toneladas de açúcar.

O grupo mantém usinas em Américo Brasiliense (283 km de São Paulo), Pradópolis (315 km de São Paulo), Iracemápolis (157 km de São Paulo) e em Quirinópolis, em Goiás. (Folha de São Paulo 29/11/2014)

 

A agricultura brasileira e a China

Queiramos ou não, o mercado chinês é essencial para a sobrevivência de nossas contas externas.

A agricultura tornou-se grande fonte de receita para o Brasil. Muitas razões levaram a indústria a perder espaço: as políticas econômicas tiveram foco no macro enquanto, no micro, tomamos direções erradas; nossa integração à economia internacional é baixa; o mundo mudou e ficamos fixados em realidades que não evoluíram: o Mercosul e as negociações na OMC; atraímos investimentos diretos que miram os mercados interno e sub-regional e pouco contribuem para aumentar nossa inserção na economia internacional.

Isso sem falar no financiamento de longo prazo concentrado no BNDES, na taxa de poupança sempre baixa, no quadro tributário movido apenas pelo imperativo político de aumentar gastos, no reduzido apetite de empresários para conquistar um cenário externo crescentemente desafiador.

Na agricultura, evoluímos. Com a intermediação das tradings multinacionais conquistamos o mercado chinês. Melhoramos a eficiência governamental e soubemos responder, com alguma agilidade, aos obstáculos que se apresentaram.

O exemplo das exportações para a China é relevante. O sucesso da soja é incontestável. Até outubro deste ano, fornecemos 28,5 milhões das 52,7 milhões de toneladas importadas pelos chineses. No açúcar, fornecemos 1,5 das 2,4 milhões de toneladas compradas pela China.

Em carne bovina, de janeiro a setembro, exportamos 158 milhões de toneladas para Hong Kong, enquanto a China continental, para onde não exportamos de tudo porque a carne brasileira estava sob embargo, importou, no total, 116 milhões de toneladas. Fomos, no mesmo período, o terceiro maior exportador de celulose e o quarto exportador de algodão para o mercado chinês.

O risco é nos contentarmos com os resultados. O caso da soja, por exemplo: nos primeiros dez meses de 2014, aumentamos o volume das exportações para a China em 4%, enquanto os EUA aumentaram 38,35%, a Argentina, 28,32% e o Canadá, 22,41%.

Os americanos estão se movendo, levando os produtores a interagir mais com os compradores, algo que não fazemos. Em carne bovina, não podemos ficar tão dependentes das entradas via Hong Kong. A China faz vista grossa para essa triangulação, mas não será para sempre.

Nossas exportações de algodão para o mercado chinês de janeiro a outubro tiveram queda de 45% em relação ao mesmo período de 2013.

Fornecemos apenas 0,2% da carne de porco e 4,2% do café importados pelos chineses. O mercado de café, segundo um estudo da OIC (Organização Internacional do Café), cresce 12,8% ao ano. O consumo médio per capita é de 25 gramas, enquanto em outros países esse número vai a 12 kg. Quando ocuparemos maior espaço?

Bons ventos sopram com as notícias de indicação da senadora Katia Abreu para comandar a Agricultura. Ela conhece o setor e a realidade internacional, particularmente a chinesa, da qual nossos ministros estão frequentemente afastados.

Queiramos ou não, trata-se do mercado com maior potencial no mundo, essencial para a sobrevivência de nossas contas externas. O risco de não fazermos mais é alto e o Brasil não pode corrê-lo. (Folha de São Paulo 01/12/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Impacto da Opep: Os preços do açúcar demerara caíram na bolsa de Nova York na sexta-feira sob influência do mercado de petróleo. Os lotes para maio fecharam em 15,96 centavos de dólar a libra-peso, com baixa de 51 pontos. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) disse que manterá seu nível de produção, apesar do ciclo de baixa nos preços. A medida pode aumentar a pressão sobre a commodity e a gasolina, que compete com o etanol. Valores menores do biocombustível podem levar as usinas a direcionar mais cana à produção de açúcar, elevando a oferta. A variação também foi determinada pela baixa liquidez, além de movimentos técnicos dos fundos. No mercado interno, o indicador Cepea/ Esalq para o açúcar cristal caiu 0,23%, para R$ 52 a saca de 50 quilos.

Café: Chove chuva: O tempo úmido nas regiões produtoras de café no Brasil colaborou para conduzir os preços a uma forte queda na bolsa de Nova York na sexta-feira. Os lotes do arábica para março fecharam com baixa de 680 pontos, a US$ 1,8475 a libra-peso. As chuvas foram volumosas em novembro e devem se intensificar no próximo mês, conforme a Somar Meteorologia. Segundo a empresa, os volumes devem ficar concentrados especialmente em Minas Gerais e Espírito Santo, importantes centros produtores de café. A umidade dá alívio às árvores, mas produtores indicam que a seca já terá efeitos negativos sobre a safra 2015/16. O Conselho Nacional do Café fará uma avaliação dos cafezais em janeiro. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica recuou 3,36%, a R$ 448,50 a saca.

Cacau: Oferta de sobra: Os futuros do cacau fecharam com queda na bolsa de Nova York na sexta-feira sob influência de uma estimativa de oferta maior na safra passada. Os papéis para março fecharam com recuo de US$ 28, a US$ 2.843 a tonelada. A Organização Internacional do Cacau revisou para cima seu cálculo de superávit de oferta na safra 2013/14, encerrada em setembro, ao aumentar sua estimativa para o volume colhido no mundo. A entidade calcula que a produção excedeu a demanda em 53 mil toneladas, acima das 40 mil toneladas estimadas em agosto, ao elevar sua estimativa de produção global, de 4,345 milhões para 4,365 milhões de toneladas. No mercado doméstico, a arroba foi negociada em média a R$ 102, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Soja: Em linha com o petróleo: As cotações da soja recuaram na bolsa de Chicago na sexta-feira. Os lotes para março fecharam em US$ 10,225 o bushel, com baixa de 30,25 centavos. A queda seguiu a do petróleo, que caiu após a decisão da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de manter seu nível de produção. Isso deve manter a commodity em valores baixos e pressionar o biodiesel, reduzindo a demanda por soja. A medida ainda pode desestimular as petroleiras americanas e diminuir a pressão sobre as ferrovias dos EUA, que têm apresentado lentidão e sustentado os preços do grão. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) cortou sua projeção para a produção brasileira, apesar do avanço do plantio. O preço médio da saca no Paraná subiu 0,43%, para R$ 58,68, segundo o Deral/Seab. (Valor Econômico 01/12/2014)