Setor sucroenergético

Notícias

Rubens Ometto Silveira Mello

Rubens Ometto e as autoridades regulatórias de São Paulo estão em rota de colisão.

O motivo é a revisão tarifária da Comgás, prevista para 2015.

A Agência de Saneamento e Energia do Estado já sinalizou que exigirá da distribuidora de gás um aumento do volume de investimentos para justificar o reajuste solicitado pela empresa. Estima se que a contrapartida custe à Comgás mais de R$ 3 bilhões.

Oficialmente, a Arsesp informa que "qualquer exigência ou solicitação para as concessionárias de gás dentro do processo de revisão tarifária será tornada pública em seu devido momento." (Jornal Relatório Reservado 02/12/2014)

 

Banco chinês

O Agricultural Bank of China deverá aterrissar em breve no mercado brasileiro. (Jornal Relatório Reservado 02/12/2014)

 

Agronegócio está desconfiado dos planos de Dilma

O aumento da taxa básica de juro apenas três dias depois da eleição de Dilma Rousseff , bem como os anúncios do aumento da gasolina e da energia, demonstram que a vida da presidente não ser á fácil. Tratando-se de um protagonista na geração de renda, emprego e riqueza, com re levantes ganhos socioeconômicos par a o Brasil, o agronegócio merece tratamento e atenção especial. O setor já se preparou par a o ano de 2015. Insumos e máquinas já foram adquiridos à espera de quem se consagrasse vencedor. Nas regiões Sul e Centro-Oeste, a candidata Dilma Rousseff foi derrotada. São áreas que representam um grande peso no cálculo da produção agrícola nacional, não restando dúvidas quanto à desconfiança do setor.

Durante a corrida presidencial, algumas associações de produtores já haviam demonstrado claramente a sua insatisfação com a política implementada tanto no primeiro mandato quanto nos governos anteriores, vide exemplo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho). A Unica propõe a volta da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) na composição do preço da gasolina, no valor de R$ 0,28 por litro. A expectativa é de que o aumento faça o preço do etanol voltar a ser competitivo , aumentando a rentabilidade do produto e o re torno dos investimentos para a competitividade da cana-de-açúcar . Já a Abra milho expõe a preocupação no re passe dos valores relativos ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), do Ministério da Agricultura.

De acordo com dados do site da entidade , o projeto de lei do orçamento fiscal da União par a 201 4 previa crédito orçamentário de R$ 400 milhões par a o programa. Ocorre que , no orçamento de 2013 , o mesmo programa tinha um crédito de R$ 700 milhões, ou seja, a previsão par a 201 4 é quase a metade daquele previsto no ano fiscal anterior . Ainda na esteira da campanha, a candidata do PT prometeu aumento de re cursos par a programas do setor como Programa de Modernização de Frota (Moderfrota), Programa de Sustentação do Investimento (PSI), InovaAgro, Programa de Modernização da Agricultura e Conservação de Recursos Naturais (Moderagro); Incentivo à Inovação Tecnológica na Produção Agropecuária (Inovagro), entre outros .

Mesmo assim, não foi suficiente par a vencer nos maiores Estados produtores agrícolas . Ademais , Dilma teve apoio de peso de figuras importantes do agronegócio na corrida presidencial. Um deles foi Eraí Maggi, que já foi o maior produtor individual de soja do mundo, bem como é primo do ex-governador do Mato Grosso Blair o Maggi. Outra que apoiou Dilma foi a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CN A) e senador a por Tocantins , Kátia Abreu (PMDB).

Finalizada a votação , os dados demonstram que o agronegócio ainda está desconfiado dos planos da presidente Dilma par a o setor a partir de 2015 . Seja qual for o rumo da política adotada pela presidente re eleita, eventuais re formas são necessárias e urgentes . Facilitar o ambiente de negócios com foco na geração de riqueza e na livre iniciativa por meio do oferecimento de condições par a que os setores produtivos fortaleçam a sua competitividade seria um bom começo. (Zero Hora 02/12/2014)

 

Cepea: preço do açúcar cristal sobe 5,93% em novembro

Os preços do açúcar cristal negociado no mercado interno se descolaram das cotações internacionais e acumularam valorização de 5,93% em novembro, com média de R$ 50,97 por saca de 50 kg. Os dados são do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) e referem-se ao produto comercializado em São Paulo, principal mercado spot do País.

Os ganhos de quase 6% diferem das perdas de aproximadamente 2% observadas na Bolsa de Nova York, referência mundial para a commodity. Conforme o Cepea, o preço médio em novembro ficou 7,01% maior que o de outubro (R$ 47,63/saca), mas esteve 4,66% inferior à média real de novembro do ano passado, que foi de R$ 53,46/saca.

"Usineiros estiveram firmes quanto aos preços pedidos, mesmo com as oscilações da demanda", explica o centro de estudos, em nota. "Especificamente na última semana, as chuvas nas regiões produtoras de cana no Estado de São Paulo interromperam, em alguns dias, a moagem nas usinas que ainda estão em atividade, favorecendo a sustentação dos preços."

Mais vantajoso, o açúcar negociado no spot paulista teve remuneração melhor que as exportações em novembro, mesmo com o fortalecimento do dólar ante o real. Na última semana, as vendas internas renderam 9,94% mais que as externas. Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 51,98/saca, as cotações do contrato com vencimento em março de 2015 na Bolsa de Nova York equivaleriam a um preço médio menor, de R$ 47,28/saca. (Agência Estado 01/12/2014)

 

Projeto que muda ICMS deixa etanol mais competitivo em MG

O Estado de Minas Gerais caminha para deter o maior diferencial tributário do país entre etanol hidratado, que é usado diretamente no tanque dos veículos, e a gasolina. A Assembleia Legislativa mineira deve votar nesta semana o Projeto de Lei (PL) 5494 de autoria do governador do Estado, Alberto Pinto Coelho (PP), que reduz a alíquota de ICMS do etanol hidratado de 19% para 14%, e eleva a da gasolina, dos atuais 27% para 29%.

Com isso, o diferencial entre o ICMS dos dois combustíveis ficará em 15 pontos percentuais. Hoje, o Estado de São Paulo tem o maior diferencial (13 pontos percentuais), com o hidratado sendo tributado no Estado em 12% e a gasolina, em 25%.

O presidente do Sindicato das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, calcula que, se o projeto de lei for aprovado, o etanol passará a ser mais competitivo do que a gasolina nos postos de combustíveis do Estado, o que não acontece desde 2009.

Atualmente, o preço do etanol equivale a 72% do preço da gasolina em Minas Gerais. Campos projeta que esse percentual deve ir a 66% se o diferencial tributário previsto no PL for aprovado. Conforme o parâmetro mais aceito pelo mercado, é considerado vantajoso para o motorista abastecer com etanol quando seu preço equivale a menos de 70% do preço da gasolina.

Com o diferencial tributário de 15 pontos, o consumo de hidratado no Estado tem potencial para dobrar dos atuais 750 milhões de litros anuais para 1,5 bilhão de litros, conforme Campos. "Dessa forma, o Estado vai passar a absorver 100% de sua produção do hidratado", afirmou.

Das 27 unidades da Federação, apenas em cinco é vantajoso ao motorista abastecer com etanol em vez de gasolina. São eles os Estados de São Paulo, onde a paridade está em 65%, Goiás (67,2%), Paraná (67,5%), Mato Grosso (64%) e Mato Grosso do Sul (68,8%).

Após semanas em alta, os preços do etanol e da gasolina recuaram para os motoristas da maior parte do país entre os dias 23 e 29 de novembro na comparação com a semana anterior. Conforme levantamento da Agência Nacional de Petróleo (ANP), no período, os preços médios do litro do hidratado caíram nos postos de 17 Estados e os da gasolina, recuaram em 15 Estados. A maior retração do etanol foi em Goiás (0,74%), enquanto a da gasolina ocorreu no Piauí (1,11%).

Em oito Estados e no Distrito Federal, contudo, os preços do etanol subiram ao consumidor na mesma comparação. Em Santa Catarina foi observada a maior valorização, de 0,45%. Em São Paulo, onde está a maior demanda brasileira por combustíveis, a alta foi de 0,42%, para R$ 1,8880 o litro. Em quatro semanas, a valorização acumulada no mercado paulista chegou a 1,56%.

Em 11 Estados, inclusive em São Paulo, os preços da gasolina aumentaram, sendo que no Rio Grande do Sul foi observada a maior valorização, de 0,63%. (Valor Econômico 02/12/2014)

 

Ruralistas tratam Kátia Abreu como 'traidora' após indicação

Senadora perdeu credibilidade ao aceitar assumir ministrério da Agricultura, afirma presidente da UDR, Luiz Nabhan Garcia.

Produtores rurais do interior de São Paulo iniciaram, nesta segunda-feira, 1º, a formação de uma Frente Nacional da Produção para auxiliar o Congresso Nacional na oposição ao governo federal e também para tentar derrubar a senadora Kátia Abreu da presidência da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). A intenção é desvincular a senadora do setor, após ela ter sido convidada pela presidente Dilma Rousseff para assumir o Ministério da Agricultura.

"Ela é uma traidora do setor produtivo, perdeu a credibilidade dos produtores rurais, por isso, precisa renunciar rapidamente ao cargo de presidente da CNA", afirmou em Araçatuba (SP) o presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Nabhan Garcia, organizador do encontrado realizado para conseguir adesões.

"Estamos reunindo não só produtores rurais, mas todas as pessoas interessadas que estão insatisfeitas com o governo, como empresários da cidade e profissionais liberais, para formar uma grande frente contra o projeto de poder do PT", afirmou.

Segundo ele, "o objetivo da frente é ajudar o Congresso no papel de fazer oposição ao governo".. Cerca de 60 pessoas participaram do encontro, realizado no Recinto de Exposição Agropecuária da cidade.

Segundo Nabhan, a intenção é reunir, em uma frente, representantes do agronegócio e do empresariado de todos os Estados. Ainda na primeira quinzena de dezembro, segundo ele, serão realizados encontros em Presidente Prudente (SP), Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e posteriormente em Goiás, Tocantins, Paraná, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

"Até a segunda quinzena de janeiro estaremos com nossa frente composta para ir até Brasília para nos reunirmos em um grande protesto contra o governo, logo após a posse da presidente", afirmou.

Além de ajudar os parlamentares da oposição, a Frente vai lutar para afastar a senadora Kátia Abreu da presidência da CNA. "Ela não representa mais os produtores rurais. Eles estão descontentes com este governo, que não tem um projeto de administração, mas sim um projeto de poder. E é contra este projeto de poder que a Frente Nacional da Produção vai lutar. E quem estiver do lado do governo não poderá estar do nosso lado", afirmou Nabhan.

A CNA informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não iria se pronunciar sobre as declarações do presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Nabhan Garcia. A confederação afirmou apenas que "prefere ficar com os elogios de outras entidades que têm representatividade no setor" publicados na imprensa recentemente.

Na resposta, é citado o apoio à senadora da associação que representa os produtores de soja e milho do País, a Aprosoja Brasil, além das aprovações do ex-secretário da Agricultura de São Paulo João Sampaio e do ministro da Agricultura no primeiro governo Lula, Roberto Rodrigues. (O Estado de São Paulo 02/12/2014

 

Exportação de etanol em novembro cai 50% ante 2013; açúcar também cai

O Brasil exportou em novembro 92 milhões de litros de etanol, o que corresponde a um queda de 50% na comparação com os 184 milhões de litros embarcados em novembro de 2013. Em relação a outubro deste ano, quando foram embarcados 101,4 milhões de litros, o volume é 9,3% menor.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 01, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). A receita cambial com a venda do biocombustível alcançou US$ 54,1 milhões em novembro, recuo de 52,5% ante os US$ 113,8 milhões registrados em novembro de 2013. Em relação aos US$ 61,4 milhões de outubro deste ano, houve queda de 11,9%.

No acumulado do ano, foram exportados 1,261 bilhão de litros de etanol (-55,1%), com receita de US$ 822,5 milhões (-54,6%).

Açúcar

O Brasil exportou em novembro 2,033 milhões de toneladas de açúcar bruto e refinado, volume 25,6% menor que as 2,735 milhões de toneladas embarcadas em outubro e 10,2% inferior ante as 2,265 milhões de toneladas registradas em igual mês do ano passado.

Dados do MDIC mostram que do total embarcado no mês passado, 1,743 milhão de toneladas foram de açúcar demerara e 290,3 mil toneladas, de refinado. A receita obtida com a exportação total de açúcar em novembro último foi de US$ 768,9 milhões, 28,1% menor que a registrada em outubro (US$ 1,068 bilhão) e 17,7% abaixo dos US$ 934,7 milhões computados em novembro do ano passado.

No acumulado do ano, o Brasil exportou 21,877 milhões de toneladas de açúcar bruto e refinado (-10,5%). A receita acumulada com os embarques até agora atinge US$ 8,638 bilhões (-20,5%). (Agência Estado 01/12/2014)

 

Mercado eleva aposta na alta do juro para 0,5 ponto nesta quarta-feira

Equipe econômica indicada por Dilma para seu segundo mandato e fala de Tombini influíram na mudança.

As apostas numa intensificação da alta de juros na reunião do Comitê de Política Econômica (Copom) desta quarta-feira estão aumentando e atingiram 100% nos negócios do mercado futuro de juros, na manhã desta segunda-feira. Entre os economistas, a cautela é um pouco maior do que entre os investidores. Ainda assim há um claro movimento dos departamentos de economia de elevar de 0,25 ponto porcentual para 0,5 ponto as estimativas para o resultado da reunião.

Por trás dessa determinação está, antes de mais nada, a percepção dos investidores sobre a equipe indicada para comandar a economia no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff. A consolidação, no entanto, deveu-se à sinalização do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que, ao discursar na pequena cerimônia que marcou o anúncio oficial de seu nome para permanecer à frente do BC por mais quatro anos, colocou dúvidas sobre a continuidade da oferta da ração diária de contratos de swap cambial, a partir de janeiro.

Apesar de ter garantido a rolagem do estoque de cerca de US$ 100 bilhões de swaps, de acordo com a demanda dos investidores, e de ter prometido os leilões de venda com recompra, já habituais no fim de ano – garantindo a liquidez à vista em momento de demanda sazonal e também de hedge –, Tombini acrescentou que, na avaliação do BC, a demanda existente até o momento por proteção está atendida. Assim, demonstrou a intenção de intervir menos no mercado de câmbio, ainda que a moeda americana continue pressionada. Afinal, as pressões de alta do dólar são, acima de tudo, internacionais.

Para quem duvida disso, basta comparar a trajetória da moeda americana em relação ao real, com o caminho que o dólar fez ante uma cesta de seis moedas – um ativo chamado dólar index. Apesar dos momentos de forte volatilidade principalmente durante a campanha eleitoral, no acumulado do ano, a alta do dólar ante ao real está em 8,06%. Em comparação à cesta de moedas, a valorização é maior, de 9,69%. Pode-se dizer, então, que essa diferença é o impacto do programa de intervenções do BC. E ainda que – como é consenso – o programa pesa pouco e é inócuo para mudar a tendência internacional.

A percepção de que o BC deixará o dólar correr mais solto soma-se, então, ao diagnóstico do próprio Copom de que o maior risco inflacionário do momento é cambial e à ortodoxia da nova equipe econômica. A consequência é a elevação das projeções para a Selic no curto prazo. Afinal, nomes mais conservadores sinalizam que haverá menos tolerância com inflação alta. E motivos não faltam para acreditar que a inflação continua pressionada.

Na quinta-feira, antes do anúncio dos nomes da nova equipe econômica, pesquisa do AE Projeções com 76 instituições financeiras mostrava que 45 esperavam alta de 0,25 ponto porcentual no juro básico, enquanto 30 acreditavam em 0,5 ponto e uma, em 0,75 ponto. Porém, desde então, alguns bancos revisaram sua estimativa. Nos negócios, a aposta era de 73% em alta de 0,5 ponto na Selic no fechamento de quarta-feira. De lá para cá, o ajuste foi constante até os 100% desta segunda-feira. (O Estado de São Paulo 02/12/2014)

 

Governo já prevê que balança comercial terá déficit este ano

Em novembro, importações superaram exportações em US$ 2,35 bi.

BRASÍLIA- A balança comercial apresentou um déficit de US$2,35 bilhões em novembro, o pior para o mês em toda a história do comércio exterior brasileiro. O resultado levou o governo a admitir ontem, pela primeira vez, que após 14 anos de superávits anuais, a balança fechará no vermelho em 2014. A última vez em que a balança fechou com saldo negativo foi em 2000, quando as importações superaram as exportações em US$ 732 milhões.— O resultado de novembro é o divisor de águas para nossa expectativa. Embora, tradicionalmente, o número de dezembro seja superavitário, ainda assim não esperamos mais um resultado positivo. Houve mudança de expectativa de superávit, mesmo pequeno, para déficit — disse o diretor do departamento de Estatística e Apoio à Exportação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Roberto Dantas.

Um fator determinante para a revisão nas projeções foi o déficit de US$ 4,221 bilhões acumulado de janeiro a novembro de 2014, o maior desde1998, período em que o saldo ficou negativo em US$ 6,112bilhões. As vendas externas totalizaram US$ 207,611 bilhões e as importações, US$ 211,832 bilhões no período. Nos últimos doze meses, a balança ficou deficitária em US$ 1,572bilhão.As exportações de novembro somaram US$ 15,646 bilhões.Sem os embarques da safra de grãos e fortemente afetada pela queda dos preços das commodities no mercado internacional, as vendas externas caíram 25% ante o mesmo mês do ano passado. As receitas com soja diminuíram 76,6%; minério de ferro, 47,5%; fumo em folhas, 43,2%; e milho em grão, 32,4%.

— O preço do minério de ferro não se recuperou como esperávamos, e houve redução nas exportações de carnes e dos preços da conta petróleo, o que acabou afetando as exportações — observou Dantas.O cenário externo é outro fator determinante para o desempenho ruim das exportações, principalmente de produtos industrializados, que ainda enfrentam perda de competitividade em terceiros mercados por causa do real ainda valorizado frente ao dólar . As vendas de manufaturados caíram 31,7% e de semimanufaturados, 6,2%. As maiores baixas ocorreram com óleos combustíveis (55,3%),veículos de carga (46,8%), açúcar refinado (40,4%) e automóveis (39,8%). No caso dos automóveis, a crise argentina teve forte influência nessa queda.

COMPRAS EXTERNAS CAEM 5,9%

As importações totalizaram US$ 17,996 bilhões no mês passado. Como reflexo do baixo aquecimento da atividade econômica, as compras externas tiveram uma queda de 5,9% em novembro, com reduções em todas as categorias, à exceção de combustíveis e lubrificantes, que apresentaram uma alta de 9,8% ante o mesmo mês de 2013. As compras de bens de consumo diminuíram 9,3%; de matérias-primas e intermediários, 8,3%; e de bens de capital, 8,1%. Em ter mos de países, os principais mercados compradores de produtos brasileiros foram, em ordem decrescente, Estados Unidos, China, Argentina, Holanda e Alemanha. Do lado dos maiores fornecedores ao Brasil, lideraram o ranking China, EUA, Argentina, Alemanha e Nigéria. (O Globo 02/12/2014)

 

Aumento da mistura de etanol é dado como certo, mas setor cobra definição do governo

O aumento da mistura de anidro na gasolina, de 25 para 27,5%, é dado como certo pela indústria sucroalcooleira, que espera uma definição do governo para poder planejar a oferta de etanol na entressafra da cana, que vai de dezembro a abril.

Em entrevista à Agência Estado, o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, disse que o setor está pronto para garantir, já a partir de dezembro, a oferta necessária de anidro para suprir uma demanda extra mensal entre 80 milhões e 100 milhões de litros do combustível com o aumento de 10% na mistura e no consumo, mas precisa de um sinal do governo.

"Temos produto, temos condições de transformar hidratado em anidro, de antecipar a safra e até mesmo, em último caso, importar o álcool. Mas precisamos de uma definição do governo", afirmou.

Em entrevista ao Financial Times, a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, salientou que “a lei já está em vigor e que as condições técnicas foram alcançadas”.

UMA DECISÃO JÁ DEVERIA TER SIDO ANUNCIADA, MAS COM A MORTE DO EX-MINISTRO O ANÚNCIO DA NOVA MEDIDA PRECISOU SER ADIADO

Segundo ela, uma decisão já deveria ter sido anunciada semana passada, mas com a morte do ex-ministro da justiça, Márcio Thomaz Bastos, o anúncio da nova medida precisou ser adiado.

Como o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, não esteve no encontro entre o governo, representantes do setor de etanol e da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), por conta do velório do ex-ministro Thomaz Bastos, uma nova reunião, deverá ratificar a decisão, que deve passar, ainda, pelo crivo do Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cime).

Anúncio de medida

O aumento da mistura é dado como certo, mas Rocha acredita que o governo deverá determinar a medida apenas para o dia 1o de janeiro de 2015. Nos bastidores, porém, o Ministério de Minas e Energia (MME) cogita adiar a entrada em vigor da nova regra, e sinalizou que poderá dar carta verde para que os órgãos envolvidos possam aprovar a nova composição da gasolina apenas em fevereiro de 2015, no Cime.

A preocupação é justamente a questão do desabastecimento, que na visão do ministério poderia ser agravado no período da entressafra. "Caso o governo aprove a alteração, a data de sua implementação dependerá da devida comprovação da existência de volumes compatíveis com a alteração", disse a Pasta em entrevista ao Valor Econômico.

O Fórum Nacional Sucroenergético, porém, mantém firme a posição de que o setor produtivo tem condições de suprir um eventual aumento da demanda pelo combustível.

"Com produção até dezembro e o nível de estoques, temos condição de atender a demanda e queremos reivindicar que a decisão seja feita agora para que as empresas se programem e celebrem os contratos", disse Rocha.

Estudo da Anfavea

Paralelamente aos dois estudos realizados pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobras (Cenpes), que deverão abalizar a aprovação da medida pelo governo, a Anfavea deverá entregar um outro estudo, que avaliará os efeitos da mistura quanto a durabilidade de componentes dos motores.

Segundo informações do Valor Econômico, 250 automóveis de montadoras associadas e 12 de outros fabricantes estão sendo testados. Sabe-se apenas que cerca de 25% dos testes já foram realizados, apresentando resultados positivos.

O governo pediu para que a Anfavea antecipasse a apresentação destes testes. Assim, a indústria de etanol teria mais tempo para planejar um aumento da demanda por anidro.

Segundo Rocha, na reunião com representantes do setor de etanol e da indústria automobilística, o MME apresentou o estudo que apontou que a nova mistura não traria problemas aos motores, apesar de variações nas emissões de poluentes.

A Anfavea tem sido contra o aumento da mistura, alegando que a medida causaria problemas na parte técnica dos veículos e também ao meio ambiente.

Porém, estudos preliminares com automóveis e motocicletas movidos só a gasolina deixam claro que o novo percentual de anidro não trará prejuízos a performance dos motores.

Os testes da Petrobras

Os dois testes que o governo utilizará para aprovar a nova mistura indicam que o novo combustível não trará mudanças significativas aos veículos.

Segundo o Valor, inicialmente, foram feitos testes com oito carros e cinco motocicletas, que rodaram com a gasolina com teor de etanol anidro de 27,5%. Também foi testada uma mistura de 30%.

Critérios como retomada da velocidade, dirigibilidade e partido a frio, eficiência dos motores e emissão de gases poluentes foram avaliados. Segundo indicaram os testes, não apenas foram mantidos os padrões de desempenho e emissões, como também houve a manutenção e até a redução na emissão de gases poluentes como THC, NMHC e monóxido e dióxido de carbono.

Houve, porém, um aumento na emissão de óxidos de nitrogênio (NOx). "O estudo apontou que existem emissões de gases poluentes, como o CO2, que diminuem e outras, como a do NOx, que aumentam, mas dentro dos índices permitidos pelo Proconve (Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores)", disse à Agência Estado.

A nova mistura apresentou ainda uma pequena elevação no consumo de combustível em automóveis e motos. Um estudo complementar com cinco automóveis foi realizado posteriormente e apresentou as mesmas conclusões. (Finacial Times 01/12/2014)

 

Justiça adia julgamento de recuperação judicial da Simisa

SÃO PAULO - A juíza Mayra Callegari Gomes de Almeida, da 2ª Vara Cível de Sertãozinho (SP), determinou que a produtora de equipamentos para usinas de cana-de-açúcar Simisa Simioni, que pediu recuperação judicial na última quinzena de novembro, faça uma correção no valor atribuído à causa em até cinco dias. Somente após essa retificação, a juíza vai julgar o pedido.

Uma das mais tradicionais produtoras de equipamentos para usinas de cana do país, a Simisa protocolou em 18 de novembro o pedido de proteção contra credores, após uma série de pedidos de execução e um de falência terem sido feitos por credores, que têm a receber no total em torno de R$ 130 milhões.

O advogado da empresa, Eduardo Takemi Kataoka, do escritório Galdino, Coelho, Mendes, Carneiro Advogados, disse que a retificação foi feita ainda hoje na 2ª Vara Cível de Sertãozinho.

Na petição inicial, a Simisa informa que seu faturamento líquido está na casa de R$ 220 milhões anuais. Além de estar sendo penalizada pela própria crise do setor sucroalcooleiro, para o qual vende equipamentos, a Simisa também informa que teve perdas oriundas de uma relação comercial com o braço de bioenergia da petroleira BP. Conforme a Simisa, a companhia britânica assinou um contrato de fornecimento de equipamentos para a ampliação da usina Tropical, em Edeia (GO), e, depois de fechado o negócio, passou a fazer exigências que oneraram a Simisa em mais de R$ 35 milhões, e aos fornecedores da Simisa em mais de R$ 3 milhões. Procurada, a BP informou que não comenta a situação financeira de outras empresas.

A empresa de equipamentos também menciona que vinha tendo dificuldades para honrar todos os seus compromissos, ainda que tenha até vendido a participação de 50% que tinha na produtora de equipamentos para cogeração por R$ 25 milhões e tenha alongado alguns de seus débitos de curto prazo. A situação apertada de caixa, conforme a empresa, piorou quando um de seus principais clientes, a Usina São Fernando, também em recuperação judicial, deixou de pagar cerca de R$ 5 milhões à Simisa em agosto deste ano. “A falta desse pagamento comprometeu diretamente os mais importantes compromissos da empresa, como o pagamento da sua folha salarial”, afirmou a Simisa na petição inicial. (Valor Econômico 01/12/2014 às 18h: 51m)

 

Commodities Agrícolas

Café: Alta no fim do pregão: Os futuros do café arábica abriram em forte baixa ontem na bolsa de Nova York, mas compras especulativas nos últimos minutos do pregão devolveram os contratos ao campo positivo. Os lotes para março fecharam com elevação de 295 pontos, a US$ 1,904 a libra-peso. As previsões de tempo úmido no Sudeste mantiveram os preços em baixa na maior parte da sessão. A Somar Meteorologia reportou altos volumes de precipitação em cidades mineiras logo no primeiro dia de dezembro. Os preços chegaram a bater a mínima em três semanas, o que desencadeou uma série de compras dos fundos. A alta no fim das negociações indica que ainda há muita incerteza com relação à próxima safra. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica subiu 1,55%, para R$ 455,46 a saca.

Cacau: Impulso técnico: Os preços do cacau subiram ontem na bolsa de Nova York sob impulso de compras técnicas. Os lotes da amêndoa para março fecharam com alta de US$ 53, a US$ 2.896 a tonelada, o maior valor em quase quatro semanas. Circularam notícias no mercado de queda nas entradas de cacau nos portos do oeste da África, apesar da época de colheita. Essa informação, porém, não indica que a oferta está se tornando escassa e apenas motivou compras por parte dos fundos, segundo Thomas Hartmann, da TH Consultoria. Os fundamentos seguem "baixistas", ainda mais após a Organização Internacional do Cacau elevar sua estimativa de estoques finais em 2013/14. No mercado doméstico, o preço médio em Ilhéus e Itabuna subiu para R$ 103 a arroba, segundo a Central Nacional de Produtores de Cacau.

Algodão: Black Friday frustrada: Os magros resultados da Black Friday nos EUA colaboraram para levar os preços futuros do algodão na bolsa de Nova York para perto da mínima em cinco anos ontem. Os papéis para março fecharam a 59,18 centavos de dólar a libra-peso, com recuo de 90 pontos. O mercado futuro da pluma é bastante sensível ao dados de comércio nos EUA porque o produto é usado em vários bens de consumo. Neste ano, as vendas americanas recuaram 11% em receita ante 2013. A redução da demanda interna reforça a pressão que o baixo interesse internacional e o aumento da produção nas lavouras americanas têm exercido sobre as cotações do algodão. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,23%, para R$ 1,6531 a libra-peso.

Trigo: Teto em sete meses: O mercado futuro do trigo passou por forte valorização ontem nas bolsas dos Estados Unidos impulsionado pelos receios com o clima no país e na Rússia. Em Chicago, os lotes para março fecharam em US$ 6,0675 o bushel, com alta de 28,25 centavos. Em Kansas, onde se negocia o trigo de melhor qualidade, os papéis com igual vencimento fecharam a US$ 6,6425 o bushel, com alta de 24,25 centavos. O frio nas áreas produtoras dos EUA e da Rússia preocupa, já que parte das lavouras ainda não entrou em fase de dormência. Teme-se também que o governo russo adote alguma medida para controlar as exportações de trigo em meio à desvalorização do rublo para garantir o abastecimento interno. No mercado interno, o preço médio da tonelada no Paraná subiu 0,4%, para R$ 29,91. (Valor Econômico 02/12/2014)