Setor sucroenergético

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Cargill

A Cargill estaria disposta a reduzir sua participação ou até mesmo deixar a SCJ Bioenergia, joint venture com a Usina São João.

Os norte-americanos detêm 50% do negócio, onde estão penduradas duas usinas de açúcar e álcool localizadas em Goiás.

Oficialmente, a Cargill nega a intenção de deixar a SCJ. (Jornal Relatório Reservado 03/12/2014)

 

Cana da Embrapa pode garantir a produtividade em áreas mais afetadas pela estiagem

O desenvolvimento de variedades de cana mais tolerante a seca, que proporcione a mesma capacidade de produção, é sem dúvida um passo importante para a expansão da indústria canavieira. Com esta observação, o consultor Ambiental e de Recursos Hídricos da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), André Elia Neto destacou os ganhos que a nova planta geneticamente modificada pela Embrapa Agroenergia pode proporcionar ao setor sucroenergético.

Segundo o consultor, com a opção de uma cana mais resistente, as áreas de expansão, mais sujeitas a longos períodos de estiagem, podem diminuir o uso de água na irrigação dos canaviais. “Em tempos de seca, e em lugares onde há pouca oferta de recurso hídrico, todas as alternativas que garantam a produtividade são bem vindas,” assegurou Elia Neto.

Aprovada nos testes de laboratório, desde janeiro a nova muda é cultivada em um campo experimental em Piracicaba (SP), no Centro de Tecnologia Canavieira (CTC). Já para uso em solos da região Centro-Oeste e Sul do País, a Embrapa aguarda autorização da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

Desenvolvendo a pesquisa desde 2008, a Embrapa Agroenergia tem como parceiro o Centro Internacional de Pesquisas para Ciências Agrárias do Japão (Japan Internacional Research Center for Agricultural Sciences - JIRCAS), instituição detentora da patente do gene utilizado na transformação genética da cana.

O instituto agronômico brasileiro desenvolve ainda outras duas pesquisas com cana-de-açúcar, uma para facilitar o acesso aos açúcares da palha e do bagaço e outra para elevar o conteúdo de biomassa. (UNICA 02/12/2014)

 

Tecnologia da UFSCAR pode aumentar produção de etanol

Um novo tipo de levedura deve ampliar em até 25% a produção de biocombustível de cana, sem que seja necessário expandir a área plantada. O processo que transforma açúcar proveniente da matéria orgânica em etanol, mais rápido que o método atual, deve ajudar o setor a atender a crescente demanda do País pelo combustível renovável.

A pesquisa desenvolvida por especialistas da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), é uma resposta para suprir as necessidades do consumidor e da indústria e pode significar um incremento de produto sem aumento do custo nas bombas.

Utilizando cinco novas leveduras, fungos resistentes a uma temperatura mais alta, chegando a 42 graus, a técnica permite eliminar um maior número de bactérias que prejudicam a produção, aumentando com isso a quantidade e diminuindo em até duas horas o tempo de fabricação do etanol.

Segundo Anderson Ferreira da Cunha, um dos pesquisadores responsáveis pelo projeto, o processo, que está sendo testado em uma unidade industrial, é uma iniciativa importante para a indústria canavieira.

“Pode representar um passo significativo, pois se há aumento na produção, vamos conseguir reduzir o preço do etanol em todo o território nacional, que é uma demanda grande da sociedade,” ressaltou Cunha.

Para o gerente em Economia e Análise Setorial da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Luciano Rodrigues, a indústria, que carece de alternativas para tornar a produção de biocombustível mais barata e rápida, só tende a ganhar com iniciativas como essa.

“O biocombustível de cana é infinitamente mais vantajoso para o ambiente quando comparado com a gasolina. Para torná-lo mais competitivo economicamente em todos os Estados brasileiros, além de políticas públicas que reconheçam as externalidades positivas do etanol, é essencial o desenvolvimento de tecnologias que contribuam para o aumento da produtividade e redução dos custos de produção,” afirmou Rodrigues. (Única 02/12/2014)

 

Indicador do açúcar sobe quase 6% em novembro

Os preços do açúcar cristal mantiveram, em novembro, as altas iniciadas em outubro, segundo pesquisadores do Cepea.

Usineiros estiveram firmes quanto aos preços pedidos, mesmo com as oscilações da demanda. No acumulado de novembro, o Indicador de Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ (São Paulo) registrou alta de 5,93%, com média de R$ 50,97/saca de 50 kg, 7,01% maior que a de outubro (R$ 47,63/saca de 50 kg).

Em relação à produção de cana da atual temporada, a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar) reforça as projeções de quebra, além de indicar que o mix de produção favoreceu o etanol.

Do início da safra até a primeira quinzena de novembro, a moagem na região Centro-Sul totalizou 538,375 milhões de toneladas de cana, 1,24% inferior à do mesmo período do ano passado.

A produção de açúcar soma 30,711 milhões de toneladas, 3,08% menor na mesma comparação. O mix de produção, no acumulado da safra, foi de 43,68% da cana destinada ao açúcar e 56,32%, ao etanol. (CEPEA / ESALQ 02/12/2014)

 

Oferta limitada sustenta preço do etanol anidro e do hidratado

SÃO PAULO - Os preços do etanol anidro e do hidratado têm permanecido com leves altas em São Paulo em função da oferta limitada. “Usinas com fôlego para aguardar o avanço da entressafra reservam o combustível para vendê-lo nos próximos meses, na expectativa de que seja retomada a Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre a gasolina”, diz o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em nota.

“Apenas alguns compradores repuseram seus estoques, aguardando novos desdobramentos do cenário político-econômico. Em função disso, têm adquirido somente volumes para abastecimento de curto prazo”, continua a nota.

Entre 24 e 28 de novembro, o indicador Cepea/Esalq (Estado de São Paulo) do hidratado ficou em R$ 1,2323 o litro (sem impostos), aumento de 0,62% em relação à semana anterior. O anidro teve valorização de 0,7%, passando para R$ 1,3551 o litro (PIS/Cofins zerados). (Valor Econômico 02/12/2014 às 15h: 11m)

 

Credores da Aralco decidem amanhã sobre plano de recuperação

SÃO PAULO - Está marcada para amanhã em Araçatuba (SP) a nova Assembleia Geral de Credores da Aralco Açúcar e Álcool para deliberar o plano de recuperação judicial do grupo. Na última semana, a assembleia originalmente marcada não teve quórum. Conforme o advogado da Aralco, Joel Thomaz Bastos, do escritório Dias Carneiro Advogados, a expectativa é que haja a aprovação do plano que tem como principal proposta a conversão de dívidas em ações.

A Aralco pediu proteção contra credores em março deste ano, menos de um ano após emitir US$ 250 milhões em bônus para alongar dívidas. A proposta é de conversão de 60% da dívida da empresa, estimada em R$ 1,2 bilhão, em participação acionária de uma nova empresa, que seria criada para deter os ativos do grupo.

De acordo com o plano apresentado, a “Nova Aralco Participações S.A.”, como seria denominada a nova companhia, será uma holding do novo grupo Aralco e será a detentora direta da integralidade das ações do capital da Aralco, e indiretamente, de todos os bens e direitos envolvidos no negócio sucroalcooleiro do grupo. A nova empresa será também devedora solidária das obrigações do plano.

Conforme a proposta, podem converter dívida em ações da Nova Aralco os credores quirografários (sem garantia real) e os extraconcursais (que não se submetem à recuperação). Entre credores pertencentes a esses dois grupos, estão o Credit Suisse, que lidera um sindicato de bancos, e o BTG Pactual. Juntos, eles têm a receber cerca de R$ 70 milhões.

Para os credores com garantia real, o plano propõe o pagamento com carência de quatro anos para pagamento do valor principal (e juros) e a amortização em dois anos, em duas parcelas anuais.

A proposta prevê que os credores trabalhistas sejam pagos em até um ano a partir da homologação do plano pela Justiça. Os fornecedores de cana-de-açúcar serão pagos em quatro anos — quatro parcelas anuais, com incidência de juros equivalentes à Taxa Referencial (TR) mais 1% ao ano.

A empresa tem quatro usinas no oeste de São Paulo que somam capacidade para moer 7,2 milhões de toneladas de cana por safra. Mas no ciclo, o 2013/14, processou apenas 5 milhões de toneladas, abaixo das 6 milhões previstas no início do ciclo. (Valor Econômico 02/12/2014 às 18h: 36m)

 

Por mais testes, nova mistura da gasolina fica para fevereiro

Associação Nacional dos Veículos Automotores (Anfavea) solicitou mais análises sobre o impacto do porcentual de 27,5% de mistura em carros importados.

O anúncio do aumento da mistura de etanol anidro na gasolina ficou para o início de fevereiro. De acordo com o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, a Associação Nacional dos Veículos Automotores (Anfavea) solicitou mais análises sobre o impacto do porcentual de 27,5% de mistura em carros importados. "Para dar conforto, para não ter nenhum problema, vamos continuar com os testes de durabilidade em janeiro", afirmou ele ao Broadcast – serviço de notícias em tempo real da Agência Estado –, acrescentando que esse porcentual não causou nenhum problema aos veículos nacionais. Rocha participou na tarde desta terça-feira de reunião com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, ao lado de outros representantes do setor sucroenergético, automobilístico, além do governo.

Havia a expectativa de que o anúncio pudesse ser feito ainda nesta terça-feira ou por volta do dia 12, quando ocorre nova reunião da Mesa Tripartite, coordenada pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e que reúne integrantes do governo, de distribuidores de combustíveis e da cadeia produtiva de açúcar e álcool. Conforme Rocha, esse anúncio deverá ocorrer no dia 2 de fevereiro, em novo encontro com Mercadante.

Na reunião desta terça-feira estavam presentes também a presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar, Elizabeth Farina; o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, hoje no Conselho da Unica; o presidente da Anfavea, Luiz Moan; o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Mauro Borges; o diretor do Departamento de Combustíveis Renováveis do MME, Ricardo Dornelles; entre outros.

O setor sucroenergético garantiu que há produto suficiente para atender o incremento de demanda com a nova mistura, hoje em 25%. Em 15 de novembro os estoques de anidro somavam 4,4 bilhões de litros no Centro-Sul, principal região produtora do País, 25% mais na comparação com igual data do ano passado, segundo a Associação dos Produtores de Açúcar e Álcool do Paraná (Alcopar). Já os estoques de hidratado atingiam 5,7 bilhões de litros (+35%). "Do ponto de vista do abastecimento, estamos seguros, não há nenhum problema", afirmou Rocha, que acredita que a implementação da mistura de 27,5% ocorrerá logo após a reunião de 2 de fevereiro.

As discussões sobre o aumento da mistura começaram em janeiro, quando o setor levou a sugestão ao governo. O assunto foi incluído na Medida Provisória 647, aprovada pelo Congresso em setembro e sancionada pela presidente Dilma Rousseff no mesmo mês. Pela MP, a banda de mistura, que era de 18% a 25%, passou para 18% a 27,5%. A efetivação do novo porcentual depende, no entanto, de autorização do Conselho Interministerial de Açúcar e Álcool (Cima), que acompanhou os testes feitos em veículos pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) neste segundo semestre.

Procurada pela reportagem, a Anfavea informou que não havia nenhum porta-voz disponível para entrevistas.

Cide - Indagado pelo Broadcast, o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético comentou que na reunião desta terça-feira não foi discutida a volta da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre a gasolina. (O Estado de São Paulo 02/10/2014 às 22h: 10m)

 

Gasolina no Brasil custa até 24% a mais do que no exterior

O preço da gasolina está entre 20% e 24% mais alto no Brasil do que no exterior. No diesel, a diferença é de cerca de 15%. O cálculo compara o preço praticado no país e no golfo do México, principal referência internacional.

Os brasileiros estão pagando mais que os estrangeiros pelos combustíveis, porque o petróleo desabou no mercado internacional, mas a queda não foi repassada no país.

O governo foi na contramão e, após a reeleição da presidente Dilma, reajustou a gasolina em 3% e o diesel em 5%. O objetivo do reajuste é fortalecer as combalidas finanças da Petrobras.

De 2010 até outubro de 2014, a estatal subsidiou o consumidor brasileiro ao vender gasolina mais barata do que no exterior.

O governo resistia a reajustar a gasolina para não elevar ainda mais a inflação. No auge, a diferença desfavorável à Petrobras chegou a 30%.

Conforme o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), a estatal acumulou perdas de R$ 51,4 bilhões no período pelo custo de oportunidade (o quanto poderia ter ganho se vendesse em outro mercado).

Agora, são os consumidores brasileiros que estão subsidiando a Petrobras. Com a atual diferença de preços, o ganho mensal da estatal é de R$ 607 milhões na gasolina e de R$ 1,059 bilhão no diesel.

É preciso ressaltar, no entanto, que nem tudo vai para a empresa, porque o custo do frete encarece o produto brasileiro em cerca de 10%.

Procurada, a Petrobras não deu entrevista.

VULNERABILIDADE

"A estatal está ganhando musculatura, mas depois de anos de perdas ainda falta muito", diz Fábio Silveira, diretor de pesquisa da consultoria GO Associados.

Segundo Adriano Pires, diretor do CBIE, uma desvalorização brusca do real pode anular a vantagem da Petrobras, pois encareceria os combustíveis em moeda local e elevaria o custo da dívida em dólar.

A queda do preço do petróleo também não favorece os investimentos da Petrobras. Os analistas já têm dúvida sobre qual é o patamar de preços que viabilizaria os altos investimentos no pré-sal.

Só nos últimos 30 dias, o preço do petróleo tipo Brent, referência para o mercado, caiu 15,7% para US$ 72,05 por barril. Um ano atrás, o barril era cotado a US$ 106,4.

A queda se acentuou na semana passada, quando a Opep, cartel dos países petroleiros, informou que não vai reduzir a produção. Nesta segunda (1º), o dia foi de recuperar parte das perdas, e os preços subiram 3,4%.

A derrocada do preço é consequência, sobretudo, da redução do consumo nos EUA com a maior utilização do gás de xisto. Investidores que aplicavam dinheiro em commodities também estão migrando para títulos da dívida americana na expectativa de que os juros subam. (Folha de São Paulo 02/12/2014)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Petróleo e dólar: O retorno do petróleo ao campo negativo no mercado ontem teve forte impacto sobre os preços do açúcar demerara na bolsa de Nova York. Os lotes para maio fecharam em 15,64 centavos de dólar a libra-peso, queda de 31 pontos. Houve também pressão do dólar, que subiu ante o real, favorecendo as vendas do Brasil, maior exportador de açúcar do mundo. Esses dois fatores têm ditado o movimento do mercado nos últimos dias diante da falta de mudanças nos fundamentos, segundo Bruno Lima, da FCStone. Os movimentos comerciais são limitados, sendo mais forte a atuação de fundos. Segundo Thomas Kujawa, da Sucden Financial, as tradings parecem estar mais focadas nas perspectivas para 2015. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq caiu 0,42%, a R$ 51,97 a saca de 50 kg.

Café: Previsão de chuvas: As cotações do café arábica despencaram ontem na bolsa de Nova York ante fatores macroeconômicos e previsões de chuvas no Brasil. Os lotes para março fecharam em US$ 1,834 a libra-peso, com recuo de 700 pontos. A Somar Meteorologia indicou que as chuvas neste verão na região Sudeste superarão as do ano passado, embora ainda abaixo da média. As previsões desencadearam liquidações por parte dos fundos. Também houve pressão do petróleo, que voltou a cair ontem, criando um ambiente de aversão ao risco que afetou a posição dos fundos em diversas commodities. No mercado doméstico, as negociações ficaram paralisadas e as cotações nominais do café de boa qualidade variaram entre R$ 500 e R$ 510 a saca de 60,5 kg, segundo o Escritório Carvalhaes.

Soja: Freio chinês: A perspectiva de que a China, maior país importador de soja, poderá reduzir as compras do grão este mês tem retirado o suporte da commodity na bolsa de Chicago. Ontem, os lotes para março fecharam a US$ 10,03 o bushel, com queda de 21 centavos. Após acertar compras volumosas de soja nos EUA, a expectativa com os desembarques na China derrubou os futuros do farelo na bolsa de Dalian em 4,6% desde o início de novembro. Com a desvalorização do produto, as esmagadoras chinesas podem ter margens menores ou até negativas e reduzir as compras no mercado externo. Para dezembro, estima-se que o país importará 4,51 milhões de toneladas de soja, ante 7,4 milhões em igual mês do ano passado. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o grão em Paranaguá manteve-se em R$ 61,17 a saca.

Milho: Queda em Chicago: As cotações do milho registraram forte queda ontem na bolsa de Chicago. Os papéis do cereal com vencimento em março encerraram o pregão com baixa de 8,5 centavos, a US$ 3,8125 o bushel. O mercado sofreu pressão do petróleo, que voltou a cair ontem, gerando incerteza sobre a competitividade do etanol, que nos EUA é feito a partir do milho. A queda da commodity também cria um ambiente de aversão ao risco que desencadeia liquidações por parte dos fundos. Colaborou para o ambiente "baixista" a circulação de relatos de que o governo chinês estima que os estoques domésticos terão 120 mil toneladas de milho na passagem da safra 2014/15, acima do estimado até então. No mercado interno, o indicador Esalq/BM&FBovespa recuou 1,25%, para R$ 26,76 a saca. (Valor Econômico 03/12/2014)