Setor sucroenergético

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Efeito manada no embate entre Odebrecht e Petrobras

A decisão da Odebrecht de entrar na Justiça contra a Petrobras por atraso de pagamentos estimulou um grupo de empreiteiras de menor porte a adotar o mesmo procedimento.

O temor dos medianos era reclamar seus direitos individualmente e sofrer represálias.

Mas, agora, em bloco, sentem-se mais protegidos. A Petrobras está matando essas empresas de inanição. (Jornal Relatório Reservado 04/12/2014)

 

Em crise, usinas atrasam pagamentos no interior de São Paulo

Ao menos 4.150 trabalhadores de usinas de açúcar e etanol estão sofrendo com atrasos nos pagamentos de salários e verbas rescisórias de demissões em cidades do interior de São Paulo.

Segundo sindicatos, a crise que atingiu o setor é a principal responsável pela dificuldade financeira enfrentada pelas indústrias.

Levantamento feito pela Folha aponta que há problemas em três indústrias do interior –duas delas na região de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo).

Na usina Carolo, em Pontal (a 351 km de São Paulo), que está em recuperação judicial, cerca de 1.600 funcionários ainda não receberam os salários de dezembro e o 13º de 2013.

A primeira parcela do 13º de 2014, que deveria ter sido depositada até o dia 20 de novembro, também não foi honrada, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação de Sertãozinho e Região, Antonio Vitor.

O departamento jurídico da usina informou que, por causa da recuperação judicial, a empresa tem um prazo até esta quinta-feira (4) para quitar as pendências referentes ao ano passado, mas o sindicato nega e diz que o prazo venceu em novembro.

Questionada, a usina, no entanto, não afirmou se fará o pagamento nesta quinta.

 Na usina Santa Rita, em Santa Rita do Passa Quatro (a 248 km de São Paulo), 550 funcionários demitidos em outubro não receberam o pagamento integral das verbas rescisórias.

A Folha não conseguiu contato com representantes da usina.

Raimundo Vilasboas de Oliveira, presidente do sindicato que representa a categoria, informou que os trabalhadores estão ingressando com ações na Justiça.

Na usina Catanduva, cerca de 2.000 funcionários –entre demitidos e na ativa– estão com os pagamentos dos salários e das verbas rescisórias em atraso desde agosto.

"Pedimos o bloqueio de dinheiro da empresa na Justiça para tentar garantir os pagamentos. A situação está difícil", disse Sérgio Urize, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Alimentação de Catanduva (a 385 km de São Paulo).

O grupo Virgolino de Oliveira, proprietário da indústria, reconhece a dívida e informou que está trabalhando para quitá-las.

De acordo com a Unica (União da Indústria de Cana-de-açúcar), das 392 usinas em funcionamento no país, 70 operam em recuperação judicial.

Desde 2007, 58 encerraram as atividades.

O setor alega que a crise foi gerada pelos baixos preços do açúcar no mercado internacional e do etanol.

Como o governo federal subsidia a gasolina, o etanol perde competitividade nos postos. (Folha de São Paulo 04/12/2014)

 

Assembleia da Aralco é suspensa e remarcada para o dia 8

SÃO PAULO - A Assembleia de credores da sucroalcooleira Aralco, que entrou em recuperação judicial em abril deste ano, foi suspensa agora há pouco para que os credores possam analisar o plano proposto. Uma nova assembleia foi marcada para a próxima segunda-feira, dia 8, no período da tarde em Araçatuba (SP), quando espera-se que o plano de recuperação seja votado.

A Aralco pediu proteção contra menos de um ano após emitir US$ 250 milhões em bônus para alongar dívidas. A proposta para os credores quirografários, entre os quais se incluem os bondholders, é de recebimento de 40% da dívida em 10 anos, e de conversão de 60% da dívida em participação acionária de uma nova empresa, que seria criada para deter os ativos do grupo. O endividamento da Aralco é estimado em R$ 1,2 bilhão. (Valor Econômico 03/12/214 às 19h: 17m)

 

Justiça aceita pedido de recuperação judicial da Simisa

SÃO PAULO - A juíza Mayra Callegari Gomes de Almeida, da 2ª Vara Cível de Sertãozinho (SP), aceitou o pedido de recuperação judicial da produtora de equipamentos para usinas de cana-de-açúcar da Simisa Simioni. A empresa, fundada há cerca de 50 anos, requereu proteção da justiça contra credores no dia 18 de novembro, após uma série de pedidos de execução e um de falência terem sido feitos por credores.

Na petição inicial, a Simisa informa uma dívida próxima de R$ 130 milhões e um faturamento de R$ 220 milhões. Além de estar sendo penalizada pela própria crise do setor sucroalcooleiro, para o qual vende equipamentos, a Simisa também informa que teve perdas oriundas de uma relação comercial com o braço de bioenergia da petroleira BP.

Conforme a Simisa, a companhia britânica assinou um contrato de fornecimento de equipamentos para a ampliação da usina Tropical, em Edeia (GO), e, depois de fechado o negócio, passou a fazer exigências que oneraram a Simisa em mais de R$ 35 milhões, e aos fornecedores da Simisa em mais de R$ 3 milhões. Procurada, a BP afirmou que não comenta a situação financeira de outras empresas.

A fabricante de equipamentos também menciona que vinha tendo dificuldades para honrar todos os seus compromissos, ainda que tenha até vendido a participação de 50% que tinha na produtora de equipamentos para cogeração por R$ 25 milhões e tenha alongado alguns de seus débitos de curto prazo.

A situação apertada de caixa, conforme a empresa, piorou quando um de seus principais clientes, a Usina São Fernando, também em recuperação judicial, deixou de pagar cerca de R$ 5 milhões à Simisa em agosto deste ano. “A falta desse pagamento comprometeu diretamente os mais importantes compromissos da empresa, como o pagamento da sua folha salarial”, afirmou a Simisa na petição inicial. (Valor Econômico 03/12/2014 às 17h: 45m)

 

Máquinas agrícolas: Vendas em ritmo bem menor

Diante de um cenário de preços menores para a próxima safra, os produtores brasileiros continuam reticentes em adquirir novas máquinas agrícolas. As vendas continuam, mas em ritmo bem menor.

As vendas recuaram para 587 unidades no mês passado, 37% menos do que em 2013. No acumulado do ano, a comercialização foi de 5.685 unidades, 22% menos do que de janeiro a novembro de 2013.

O setor de tratores, embora também em queda, tem um ritmo melhor. As indústrias venderam 4.117 unidades em novembro, 4,6% menos do que em igual período de 2013.

As vendas acumuladas de tratores somaram 52,5 mil unidades, 15% menos do que as de 2013 (Folha de São Paulo 04/12/2014)

 

BNDES estima alta de 17% em investimentos no Brasil entre 2015 e 2018

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estimou nesta quarta-feira investimentos na economia brasileira de 4,1 trilhões de reais entre 2015 e 2018, um incremento de 17 por cento em relação aos 3,5 trilhões realizados entre 2010 e 2013.

O setor industrial, segundo o estudo do banco, deve investir 909 bilhões de reais nos próximos quatro anos ante 767 bilhões entre 2010 e 2013, uma alta de 18,5 por cento.

"O que há de interessante em relação ao último estudo, além do aumento da perspectiva de investimentos, é uma melhora na qualidade dessa expansão, onde se vê nitidamente uma maior preocupação com questões ambientais e da economia verde", disse a jornalistas o economista-chefe da área de pesquisas econômicas do banco, Fernando Puga.

Segundo o BNDES, o destaque do segmento industrial deverá ser o setor de petróleo e gás, com estimativa de aumento dos investimentos de 358 bilhões para 509 bilhões de reais, ou alta de 42 por cento, entre 2015 e 2018.

"No setor de óleo e gás os investimentos continuam robustos para o desenvolvimento do pré-sal, que demanda um investimento expressivo em capital", disse Puga.

Enquanto isso, o setor automotivo deve investir 59 bilhões de reais no próximo quadriênio, montante praticamente estável ante o período de 2010 a 2013.

Por outro lado, setores como extrativa mineral, siderurgia, e sucroenergético devem reduzir investimentos, de acordo com o BNDES, em um cenário de queda nos preços de commodities como minério de ferro e crise na indústria de açúcar e álcool.

Durante os próximos quatro anos, a indústria extrativa mineral deve investir 40 bilhões de reais, queda de 8 por cento ante o período de 2010 a 2013. Já o de produção de aço investirá 12 bilhões de reais, 38,5 por cento a menos que no período de 2010 a 2013. O segmento de açúcar e etanol deve investir 25 bilhões de reais, queda de 40,5 por cento.

"O preço das commodities em queda é uma variável importante e determinante para alguns setores definirem seus investimentos", disse Puga.

INFRAESTRUTURA

O BNDES projetou uma expansão de 30,8 por cento nos investimentos em infraestrutura no país, totalizando 598 bilhões de reais entre 2015 e 2018, ante 457 bilhões de reais entre 2010 e 2013.

No governo Dilma Rousseff, o setor ganhou prioridade com concessões à iniciativa privada visando melhorar a capacidade logística do país.

Os destaques em infraestrutura serão os setores de telecomunicações, com previsão de investimento de 141 bilhões de reais, alta de 37,8 por cento (alavancada pela tecnologia 4G); e rodovias, com recursos de 80 bilhões e crescimento de 29 por cento.

A expectativa para a área de ferrovias é de investimentos de 45 bilhões de reais, uma expansão de 98,9 por cento. Já portos têm expectativa de 36 bilhões de reais, alta de 141 por cento; e para aeroportos o banco espera 16 bilhões de reais, um incremento de 49,5 por cento.

O setor elétrico, que passou por dificuldades neste ano e precisou de seguidos socorros do governo federal em um cenário de falta de chuvas e uso intenso de termelétricas, deve manter seus investimentos entre um período e outro, com crescimento previsto de apenas 0,5 por cento, totalizando 192 bilhões de reais para entre 2015 e 2018. (O Estado de São Paulo 03/12/2014)

 

Agora preocupa

A inflação está acima de 6% desde março, mas só com o fechamento das urnas parece ter virado problema para o Banco Central. É isso o que demonstra o aumento dos juros em 0,25 ponto, três dias depois das eleições, e o aumento do passo para 0,5 ponto na decisão de ontem do Copom. A presidente Dilma tomou posse com juros em 10,75%. Chegará ao segundo mandato com a taxa em 11,75%.

A última vez que o IPCA esteve no centro da meta de inflação foi em agosto de 2010. De lá para cá, o índice esteve acima do limite máximo de tolerância, 6,5%, por 14 meses. Permanece acima desse teto desde agosto, e em outubro, último dado disponível, marcava 6,59%. Durante toda a campanha eleitoral, o governo e o Banco Central colocaram panos quentes sobre a questão. A oposição e os economistas que alertavam para os seus riscos eram os pessimistas. De uma hora para outra, o BC passou a ficar preocupado com a alta do dólar e as consequências do seu enorme programa de swap cambial, que já passa de US$ 100 bilhões em contratos em aberto.

Para não vender reservas — um dado usado como bandeira durante as eleições — a autoridade monetária usou os swaps, que carregam em si um risco fiscal. O BC aposta na baixa da moeda americana, mas se ela subir, terá que liquidar a diferença em reais. O que muita gente dizia, durante todo esse tempo, era que o forte déficit em conta-corrente, na casa de 4% do PIB, era incompatível com o real valorizado. Agora, a forte pressão sobr e a nossa moeda força o BC a subir juros e atrair mais capital especulativo para o país. A alta dos preços agrícolas ameaça se tornar um novo choque.

Ontem mesmo, o BC divulgou o seu índice de commodities, que apontou alta de 3,14% nos preços agropecuários em novembro. Nos últimos tr ês meses, a alta acumulada em itens como carne bovina, trigo,açúcar, milho, entre outros, chega a 13,27%. Soma-se a isso o aumento do preço da gasolina, a escalada da energia elétrica e de outros preços administrados, e percebe-se que o cenário para a inflação é desconfortável. Uma economia que terá crescimento zero em 2014, inflação de 6,5% e juros de 11,75%, só pode estar em forte desequilíbrio. Essa era a realidade do debate econômico, que foi minimizada durante a campanha, com a conivência do Banco Central.

Bons números nos EUA

Os EUA criaram 208 mil vagas em novembro. O resultado veio abaixo da projeção do mercado, mas foi o oitavo mês seguido com geração superior a 200 mil postos de trabalho (o resultado oficial sai na sexta-feira). A medição do setor de serviços também foi positiva e os resultados puderam ser sentidos na bolsa. Os dois principais índices de ações americanas, o S&P 500 e o Dow Jones, bateram novos recordes no fechamento de ontem.

O minério e a Austrália

A cotação do minério de ferro chegou a US$ 69,5, o menor patamar desde 2009. Paga-se hoje pela tonelada a metade dos US$ 140 que ela valia em dezembro de 2013. A forte queda, provocada pelo menor apetite chinês, é a razão mais forte para o decepcionante resultado do PIB da Austrália no terceiro trimestre, que cresceu apenas 0,3%. A média das expectativas era 0,7%. O país, que foi o maior beneficiado pela explosão de importações chinesas de minério , ter á que se adequar à nova realidade, assim como o Brasil.

PRODUÇÃO EM ALTA. A Petrobras anunciou ontem que houve recorde na produção de petróleo no mês de outubro, com 2,98 bilhões de barris de óleo equivalente por dia. É disso que empresa precisa para diminuir importações e fortalecer o caixa.

VIABILIDADE DO PRÉ-SAL. A petrolífera explica que, com a vazão entre 15 mil e 25 mil barris por dia, a exploração de poços do pré-sal é interessante com a cotação até US$ 45 (hoje está em US$ 67). Já há poços com vazão superior a 30 mil, em Santos. (O Globo 04/12/2014)

 

Alta de juros complica retomada do crescimento, dizem analistas

A decisão do Banco Central de aumentar os juros em 0,50 ponto percentual complica o cenário para a retomada do crescimento da economia, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.

Nesta quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC decidiu, por unanimidade, subir a chamada Selic - a taxa básica de juros da economia brasileira - dos atuais 11,25% para 11,75% ao ano. Trata-se do patamar mais elevado desde agosto de 2011.

"Considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária, entre outros fatores, o Comitê avalia que o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia", afirmou o BC, em nota.

O aperto, já esperado pelo mercado, é visto como uma forma do BC tentar segurar a inflação, que acumula alta de 6,59% nos últimos 12 meses terminados em outubro, acima do teto da meta de 4,5%, com dois pontos percentuais para cima e para baixo. Após as eleições, o reajuste de alguns preços administrados, como o da energia, e a alta da gasolina aumentaram ainda mais a pressão sobre o índice.

"O risco, porém, é que essa política de aperto monetário nos empurre para um cenário de ajuste recessivo em 2015 - ainda mais se ela for muito dura ou muito rápida", diz André Perfeito, economista da Gradual Investimentos.

"Já estamos em um processo de desaceleração econômica, com uma redução no ritmo de contratações e no consumo e a nova equipe econômica ainda sinalizou com uma política fiscal contracionista. Se o ajuste não for gradual, como a presidente Dilma (Rousseff) prometeu em campanha, pode ser difícil garantir a retomada esperada para 2016."

Wilber Colmerauer, diretor da Emerging Markets Investments, em Londres, concorda que a estratégia de aperto monetário e corte de gastos é arriscada em um cenário de quase estagnação econômica. Para ele, porém, o governo tem poucas alternativas.

"O grande problema foi que no último ano, perdeu-se de vez o controle sobre os gastos públicos e a confiança dos investidores e agentes do mercado no governo acabou sendo minada", diz ele.

"Agora temos de retomar o controle sobre esses gastos e sobre a inflação para que, em um segundo momento, possamos voltar a crescer."

Crescimento

De acordo com o Instituto Brasileiro De Geografia e Estatística (IBGE), no último trimestre a economia brasileira saiu da recessão técnica, mas ficou praticamente estagnada: o PIB teve uma alta de apenas 0,1% na comparação trimestral.

O governo já revisou as perspectivas de crescimento para este ano para 0,9% e analistas do mercado são ainda mais pessimistas, prevendo uma expansão de menos de 0,3%.

Colmerauer diz que, no geral, a alta de juros é um instrumento usado para segurar o consumo e conter a inflação em um prazo relativamente curto de tempo.

Além disso, quanto maior a Selic, maior é o interesse de investidores estrangeiros em comprar títulos do governo brasileiro - o que estimula a entrada de dólares no país e tende a valorizar o real.

A alta recente ocorre semanas depois do atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciar que o país estaria entrando em um novo ciclo de sua política econômica, com o abandono das medidas de estímulo e o início de uma fase de "consolidação fiscal".

O novo titular da pasta, Joaquim Levy, já prometeu que o corte de gastos será prioridade em 2015 e que haverá um superávit primario (economia para o pagamento dos juros da dívida pública) de 1,2% em 2005.

"A principal mensagem da nova equipe econômica é de um retorno a ortodoxia", escreveu Neil Shearing, da Consultoria Capital Economics.

"A política fiscal tende a ser apertada pelo novo ministro Joaquim Levy e a política monetária também deve sofrer um aperto conforme o Banco Central tenta reestabelecer suas credenciais de combate a inflação e reconquistar a confiança dos mercados."

Como os cortes de gastos e novas altas de juros ajudarão o país a retomar o crescimento, no entendimento do governo?

Segundo Colmerauer, com essas políticas o governo espera conseguir um "choque de credibilidade" que destrave os investimentos na economia real.

Perfeito explica que a alta dos juros de curto prazo tende a derrubar a taxa de longo prazo - o que poderia de fato contribuir para elevar esses investimentos.

"Esse é o plano. Mas é claro que ainda é difícil de se prever como a economia vai responder a essas medidas", diz o analista da Gradual.

"Se o consumo interno estiver desaquecido e a economia global ainda não estiver se recuperado de forma consistente, é difícil acreditar que esses investimentos virão. Afinal, os empresários vão produzir para quem?", questiona (BBC Brasil 03/12/2014)

 

Dólar cai com aposta na aceleração da alta da taxa Selic

SÃO PAULO - Um movimento de entrada de recursos sustentou hoje a queda do dólar frente ao real, diante de um cenário externo de menor aversão a risco e do aumento das apostas na aceleração do ritmo de alta da taxa básica de juros. Investidores aguardam a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa Selic, que será divulgada hoje à noite.

O dólar comercial caiu 0,63%, encerrando a R$ 2,5562. O contrato futuro para janeiro de 2015 recuava 0,52% para R$ 2,575. 

Com o cenário externo mais calmo hoje, investidores viram oportunidade para ampliar as postas na renda fixa brasileira, vislumbrando a possibilidade do BC ampliar o ritmo de alta da taxa Selic na reunião de hoje. O merca do reflete a aposta de um aumento de 0,5 ponto percentual da taxa básica de juros, porém, ainda há muitos analistas que acreditam que o BC não deve acelerar o ritmo de alta diante do cenário de fraco crescimento econômico, que deve ficar perto de zero neste ano.

“Tem gringo querendo aproveitar o ‘game’ do Copom, que se refletiu em um fluxo de entrada de recursos no meio da manhã”, diz o operador de câmbio de um banco estrangeiro. O gerente de câmbio de uma importante corretora em São Paulo também notou ingressos de recursos de estrangeiros hoje.

Para o estrategista-chefe do Banco Mizuho do Brasil, Luciano Rostagno, uma aceleração da alta da taxa Selic se justifica dado o cenário de pressão inflacionária, que deve permanecer alta até o início do ano que vem, e da recente desvalorização do real, com o BC devendo reduzir as intervenções no câmbio com a retomada do tripé macroeconômico, que implica em adoção de uma taxa flutuante. “O BC deve reduzir gradualmente as intervenções no câmbio, a intensidade disso dependerá do ritmo de aperto monetário. À medida que o mercado for se acalmando e as medidas de uma política fiscal e monetária mais ortodoxas começarem a surtir efeito na inflação, o BC pode reduzir as atuações no mercado de câmbio”, afirma.

Segundo Rostagno, um aumento de 0,5 p.p da taxa Selic pode trazer uma reação positiva nos mercados amanhã. No entanto, uma alta de 0,25 p.p. deve provocar um ajuste nos preços dos ativos e pressionar a alta do dólar.

Apesar da instabilidade dos últimos meses, o real segue atraindo investidores internacionais devido ao juro de dois dígitos pago pelo Brasil, hoje em 11,25%, que contrasta com as taxas próximas de zero praticadas na Europa, Estados Unidos e Japão. Outros mercados emergentes também pagam retornos mais elevados que os desenvolvidos, mas ainda assim abaixo do brasileiro.

O estrategista sênior de câmbio do Scotiabank, Eduardo Suarez, ainda vê um aumento de 0,25 ponto, que levaria a Selic a 11,50% ao ano. Mas o profissional considera que há “uma grande probabilidade” de o BC acelerar o ritmo de alta para 0,50 ponto, num esforço para restaurar a credibilidade, reduzir a magnitude dos próximos ajustes na Selic e dar suporte ao real, pressionado recentemente pela expectativa de fim do programa de leilões de câmbio.

Diante das incertezas em relação à política econômica, investidores estrangeiros reduziram os aport es em ativos brasileiros no mês passado, o que contribuiu para que o fluxo cambial encerrasse novembro negativo em US$ 3,507 bilhões . No ano, o fluxo está positivo em US$ 4,763 bilhões. Com o resultado negativo em novembro, os bancos aumentaram a posição vendida em dólar no mercado à vista de US$ 10,189 bilhões em outubro para US$ 13,985 bilhões em novembro.

Lá fora, a alta do preço do petróleo e os dados mais fracos que o esperado da criação de empregos no setor privado nos Estados Unidos contribuíam para a recuperação das moedas atreladas a commodities.

Em novembro, houve um aumento dos postos de trabalho no setor privado nos Estados Unidos de 208 mil, abaixo da expectativa do mercado, que previa a criação de 223 mil vagas.

O número gerou preocupações de que o “payroll” a ser divulgado na próxima sexta-feira também venha mais fraco, o que sinalizaria alguma perda de dinamismo no mercado de trabalho dos EUA que poderia levar o Federal Res erve a postergar um aumento de juros.

A moeda americana caía 0,52% frente ao dólar australiano e 0,81% em relação ao peso chileno. Já o peso mexicano operava estável frente ao dólar. (Valor Econômico 03/12/2014 às 17h: 44m)

 

Operários da Volks votam contra plano de demissão

Proposta também incluía congelar ganhos.

Os trabalhadores da fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo (Grande São Paulo) rejeitaram a proposta elaborada pela montadora em parceria com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, que incluía o pagamento de um abono salarial em troca do congelamento dos salários em 2015 e 2016 e um plano de demissão voluntária (PDV) para reduzir 2.100 funcionários.

De acordo com o sindicato, a votação ocorreu "sem margem para aprovação da proposta".

O ponto mais polêmico foi o do congelamento dos salários. Mesmo com o pagamento de abonos que chegariam a R$ 8.500 por ano, os funcionários não abriram mão do reajuste.

A proposta incluía também a prorrogação de um acordo vigente até 2016, para 2019, que garantia estabilidade, mesmo em um período de produção menor na fábrica Anchieta.

Procurado, o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista disse que não pretende, em um curto prazo, voltar a negociar com a Volkswagen em respeito ao acordo vigente.

A Volks não quis comentar o caso.

CRISE

A queda nas vendas de veículos e a elevação dos estoques aumentaram o período de férias coletivas em grandes montadoras neste ano. Em algumas empresas, a parada na produção chegará a 30 dias.

O objetivo é adequar a produção à demanda, fraca neste ano. Segundo a Anfavea, as vendas de veículos no mercado interno caem 8,9% em 2014, até outubro.

Com a retração do mercado argentino, as exportações desabaram 40% no mesmo período (Folha de São Paulo 04/12/2014)

 

Cooxupé vê pequena queda na safra de café dos cooperados em 2015 ante 2014

A safra de café dos cooperados da Cooxupé, maior cooperativa de cafeicultores do Brasil, deverá atingir 6,17 milhões de sacas de 60 kg no ano que vem, somente 1 por cento abaixo da produção registrada em 2014, que foi severamente afetada por seca e altas temperaturas históricas no Sudeste brasileiro.

Essa diferença de um ano para o outro poderia ser maior se a safra de 2014 não tivesse sofrido os efeitos do clima devastador.

O ano de 2015, normalmente, seria o de baixa no ciclo bianual (de altas e baixas) do café arábica, quando as quedas anuais podem chegar a cerca de 20 por cento.

"A safra de 2014 seria a de alta, enquanto a de 2015 vai ser a de baixa", explicou o superintendente de Desenvolvimento do Cooperado da Cooxupé, José Eduardo Santos Júnior, em entrevista à Reuters.

Acredita-se que, não fosse a seca, a safra de 2014 deveria ter sido de 15 a 20 por cento maior que a do próximo ano.

O superintendente disse que os primeiros números da safra, que podem ser ainda reavaliados, foram obtidos em recente levantamento junto aos integrantes da cooperativa com sede em Guaxupé, no Sul de Minas Gerais, com alguma atuação também no Cerrado Mineiro e em São Paulo (Vale do Rio Pardo).

Santos Júnior afirmou que a safra dos cooperados da Cooxupé, no próximo ano, deverá ficar 3 por cento abaixo da registrada em 2013, o último ano de baixo do ciclo do arábica.

Mas, segundo ele, a comparação entre 2013 e 2015 não é adequada porque a cooperativa ganhou novos integrantes nesse período --ele não tinha os números em mãos.

De qualquer forma, os números indicam que, mesmo com mais cooperados em 2015, a cooperativa produzirá menos do que produziu em 2013, o que evidencia os efeitos da seca.

Em entrevista na semana passada à Reuters, o gerente de Desenvolvimento Técnico da Cooxupé, Mário Ferraz, disse que seria muito cedo para comentar sobre o pegamento das floradas e dos pequenos frutos, para a próxima safra, após as chuvas mais intensas de meados do mês passado. (Reuters 03/12/2014)