Setor sucroenergético

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A Louis Dreyfus já não sabe mais o que fazer

A Louis Dreyfus já não sabe mais o que fazer para estancar os prejuízos da controlada LDC Agroindustrial, sua principal operação no país. A empresa, que reúne os negócios de produção e comercialização de commodities agrícolas dos franceses no Brasil, caminha para fechar o quarto ano seguido no vermelho.

Segundo fontes ligadas à empresa, os prejuízos devem superar a marca de 2013, em torno dos US$ 40 milhões.

Entre as novas medidas estudadas pelos franceses para estancar a sangria, estão a venda de fazendas produtoras de laranja e uma de suas quatro fábricas de sucos. (Jornal Relatório Reservado 05/12/2014)

 

Cosan desiste de plano de vender bônus global para financiar recompra, diz fonte

SÃO PAULO, 4 Dez (Reuters) – O grupo de energia e infraestrutura Cosan suspendeu plano de vender bônus global em dólares para financiar recompra de dívida perpétua, afirmou uma fonte com conhecimento da operação.

A decisão ocorreu porque as condições de mercado continuam desafiadoras para emissores de dívida brasileiros, disse a fonte.

Representantes da Cosan e de bancos que participavam da operação se reuniram com investidores na Suíça e nos Estados Unidos nesta semana para levantar a demanda para a oferta.

Os bancos de investimento Bank of America Merrill Lynch, Bradesco BBI, Itaú BBA e Morgan Stanley estavam assessorando a transação. (Notícia postada por Thomson Reuters 04/12/2014 às 18h: 27m)

 

Dilma Rousseff acha que o setor é incompetente e falta gestão, diz Elizabeth Farina

Em meio às discussões envolvendo o setor sucroenergético e o governo para o aumento da mistura de etanol anidro à gasolina e o retorno da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), a diretora-presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elizabeth Farina, relatou hoje a dificuldade de diálogo entre produtores e a presidente Dilma Rousseff.

A executiva afirmou hoje "que uma das implicâncias da presidente (Dilma) é que ela acha que setor é incompetente". "Ela tem em mente que o problema das usinas é a falta de gestão", disse no Simpósio de Agronegócio e Gestão, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).

Na avaliação do setor, a falta de competitividade do etanol é provocada, por exemplo, pelo controle dos preços do combustível de petróleo pelo governo para frear a inflação, inclusive por meio da retirada da Cide incidente sobre a gasolina.

Durante o Simpósio de Agronegócio e Gestão, em Piracicaba (SP), a diretora-presidente da Unica citou como exemplos usados por Dilma para justificar a má gestão do setor as perdas ocorridas na colheita mecânica da cana, que atingem a competitividade do etanol. A perda ocorreria pelo fato de a máquina cortar a cana "muito alto", ou seja, ainda deixar parte da planta que poderia produz mais combustível na lavoura. "Ela vê isso como um problema de gestão", lamentou.

Outra "birra da presidente" segundo a executiva da Unica, é achar que as usinas evitam cortar e processar lavouras cana-de-açúcar entre uma safra e outra para que haja um controle na oferta de etanol na entressafra. Na verdade, a chamada "cana bisada" não é colhida ao final da safra por conta do início do período de chuvas, que torna inviável economicamente e até impossível a colheita mecânica da matéria-prima nas lavouras. "Mas existem espaço para mostrarmos a ela todos os avanços do setor nos últimos anos, com inovação e o esforço pela melhoria dos resultados. O setor tem fundamentos tão bons que temos argumentos para convencê-la", afirmou a diretora-presidente da Unica.

A executiva avaliou que o setor deve ser beneficiado indiretamente pela mudança na política macroeconômica no segundo mandato de Dilma, com a o ajuste fiscal anunciado pelo futuro ministro da Fazenda, Joaquim Levy. "Parte do descontrole fiscal tem a ver com desonerações e, entre elas, o fim da Cide. Se a gestão macroeconômica vai ao maior equilíbrio das contas públicas podemos recuperar a Cide e o diferencial tributário recuperará parte de competitividade do etanol", disse Elizabeth Farina.

A diretora-presidente da Unica voltou a cobrar regras estáveis para o setor e afirmou que a falta delas prejudica até mesmo o processo de fusões e aquisições entre usinas. Indagada sobre o aumento da mistura, ela citou a pressão da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) por mais testes em veículos exclusivamente a gasolina e importados. "O setor está pronto para garantir abastecimento já em dezembro com aumento na mistura do etanol à gasolina", reafirmou.

Kátia Abreu

Por fim, Elizabeth considerou positiva a possível escolha da presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), para ser ministra da Agricultura. "Ela será boa ao setor por ser próxima a Dilma e conhecer o agronegócio. É uma pessoa corajosa e incisiva", concluiu. (Agência Estado 04/12/2014)

 

Raízen inicia produção de etanol de 2ª geração

A Raízen iniciou, no dia 29 de novembro, a produção em escala industrial do etanol celulósico a partir do processamento do bagaço e da palha de cana-de-açúcar. O chamado etanol de segunda geração (2G) é produzido na planta industrial anexa à Usina Costa Pinto, em Piracicaba (SP), uma das 24 unidades da maior companhia sucroalcooleira do País, joint-venture entre o Grupo Cosan e a Shell.

Segundo o vice-presidente executivo da Raízen, Pedro Mizutani, a unidade será inaugurada oficialmente apenas em março de 2015, mas o combustível produzido na unidade já é comercializado em postos. "A escala ainda é pequena", disse.

A usina de etanol 2G da Raízen tem capacidade de produção de 40 milhões de litros por safra, o que deve aumentar em 50% a oferta da usina, que produz 80 milhões de litros anualmente de etanol de cana. Na primeira safra completa, a 2015/2016, a usina deve produzir dois terços da capacidade total, ou seja, aproximadamente 26,7 milhões de litros.

A unidade custou R$ 230 milhões, e outras oito plantas industriais de etanol 2G estão nos planos da Raízen no futuro, para a produção de até 1 bilhão de litros por safra do combustível a partir da celulose de bagaço e palha de cana.

Mizutani explicou que um problema de logística atrasou os planos da Raízen de iniciar a produção do etanol em meados de novembro. Segundo ele, uma máquina de pré-tratamento importada do Canadá precisou ser trazida por avião, porque uma "janela" de abertura do Canal do Panamá, para a importação por via marítima, foi perdida.

"Só essa operação gerou um custo de R$ 1 milhão a mais na operação", disse. Ainda segundo o executivo, a meta para o futuro é reduzir os custos de produção do etanol 2G, hoje de quatro a cinco vezes superior ao etanol de cana, principalmente pelo valor das enzimas utilizadas no processo. "Com o tempo e com o aprendizado os custos serão reduzidos", concluiu Mizutani, que participou do Simpósio de Agronegócio e Gestão, em Piracicaba. (Agência Estado 04/12/2014)

 

Biosev persiste na busca para reduzir sua alavancagem

A moagem de 2014/15 deve fechar no piso do guidance, afirma Rui Chammas.

Dona de um endividamento líquido próximo de R$ 5 bilhões e de um Ebitda de R$ 1,2 bilhão, a sucroalcooleira Biosev, controlada pela francesa Louis Dreyfus Commodities, tem meta de, no longo prazo, reduzir consideravelmente sua alavancagem. O indicador, representado pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda alcançou 4 vezes ao fim do segundo trimestre da safra 2014/15, encerrado em 30 de setembro. O objetivo da companhia, que é a segunda maior processadora de cana-de-açúcar do país, é levar essa relação ao nível de 2,5 vezes, de acordo com o diretor de finanças e de relações com investidores da Biosev, Paulo Prignolato,

A investidores, durante reunião da Apimec, em São Paulo, Prignolato observou que o mais adequado é usar como parâmetro de comparação a alavancagem em fim de ciclo. No caso, a última referência da companhia foi em 31 de março deste ano, quando essa relação estava em 3,2 vezes.

Isso porque, no momento atual do ciclo, a empresa detém muitos estoques e demanda mais capital de giro, o que distorce bastante o indicador. A dívida líquida da empresa ajustada aos estoques estava em 30 de setembro em R$ 4,08 bilhões, 10,8% acima da observada no trimestre anterior, encerrado em 30 de junho.

Para alcançar um nível mais salutar de alavancagem, a companhia vem tentando reduzir investimentos e ampliar o uso da capacidade instalada. Mas os percalços climáticos novamente atrapalharam a companhia neste ciclo 2014/15.

Pelo menos até o segundo trimestre deste ciclo, a moagem de cana-de-açúcar havia recuado 3%, devido sobretudo à forte estiagem em São Paulo, onde está concentrada metade da capacidade de processamento do grupo. "Devemos encerrar a safra 2014/15 no piso do guidance de moagem, que é de 29 milhões de toneladas de cana", disse o CEO da Biosev, Rui Chammas.

A empresa segue com seu planejamento de alongar seus débitos de curto prazo e, para isso, garantiu Prignolato, não tem tido dificuldades com as instituições financeiras. "Os bancos estão abertos para nós. Não estamos tendo problemas. Algumas negociações estão em curso e, logo que for o momento, faremos os devidos anúncios", afirmou o diretor-financeiro.

No trimestre encerrado em 30 de setembro, a dívida de curto prazo da empresa foi a R$ 1,877 bilhão, o equivalente a 34,4% do endividamento total - ante 39,7% ao fim de junho. A redução no saldo da dívida de curto prazo foi de R$ 226 milhões no período.

O diretor de finanças descartou, ao menos no curto prazo, a emissão de dívida externa para alongar seus débitos. Segundo ele, esse mercado foi prejudicado nos últimos meses com "incidentes" do próprio setor sucroalcooleiro que acabaram, por ora, fechando a possibilidade de novas emissões de usinas.

Neste ano, a sucroalcooleira Aralco pediu recuperação judicial menos de um ano após emitir US$ 250 milhões em bonds e o grupo Virgolino de Oliveira (GVO) anunciou que começou negociações com credores sobre os termos e condições de títulos de dívida externa de US$ 735 milhões.

Questionado se fornecedores da companhia estavam tendo problemas para acessar crédito, Prignolato afirmou que, de forma geral, a companhia adianta recursos para seus fornecedores de cana, o que vem irrigando esses parceiros com recursos. "Essa prática eleva a necessidade de capital de giro da empresa, mas é o jogo", observou o executivo.

A companhia não tem previsão de como se comportará a moagem em 2015/16, mas acredita que os preços do etanol vão melhorar e puxar para cima também as cotações do açúcar. Na visão do diretor comercial e de originação de cana da Biosev, Enrico Biancheri, as discussões que devem culminar no aumento do percentual de mistura de anidro na gasolina para 27,5%, na retomada da cobrança da Cide na gasolina e de redução da alíquota de ICMS do etanol em Minas Gerais, devem ser positivas para o biocombustível. (Valor Econômico 04/12/2014)

 

Açúcar: Elevação técnica

Os futuros do açúcar fecharam com leve alta na bolsa de Nova York ontem sustentadas por compras técnicas.

Os lotes do açúcar demerara para maio fecharam a 15,59 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 10 pontos.

O petróleo continua exercendo pressão sobre as cotações. Pela oferta, a influência também é de baixa, já que as usinas da Índia iniciaram o ciclo de moagem em ritmo mais acelerado que em 2013, contrapondo o aperto do Centro-Sul, onde a atividade desta safra tem minguado.

Apesar das pressões, o fato de as cotações terem flertado com a mínima em cinco anos no dia anterior atraiu compras de fundos, que foram responsáveis pela alta dos contratos.

No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,29%, para R$ 52,24 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 05/12/2014)

 

Odebrecht assume quase 100% de subsidiária sucroalcooleira

Luiz de Mendonça: no futuro, Odebrecht não descarta contar com novos parceiros.

Sete anos depois de embarcarem no projeto de construir a maior produtora de etanol do mundo, os fundos de investimento Ashmore e Tarpon, praticamente saíram do negócio de cana-de-açúcar que culminou, após muitos percalços, na empresa atualmente chamada Odebrecht Agroindustrial. A controladora Odebrecht ficou sozinha no aumento de capital da subsidiária sucroalcooleira feito em novembro e, com isso, elevou de 56% para 99,98% sua participação. Os outros acionistas, entre os quais a BNDESPar e os dois fundos, tiveram sua fatia diluída a 0,02%, ante os cerca de 44% detidos anteriormente.

A Odebrecht Agroindustrial é hoje uma empresa que tem capacidade para processar mais de 35 milhões de toneladas e que neste ciclo 2014/15 deve moer em torno de 25 milhões. É o resultado da fusão do negócio sucroalcooleiro da Odebrecht com a Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco), empresa criada pelo ex-presidente da Petrobras, Henri Philippe Reichstul, e que, no afã do boom do etanol, atraiu recursos de dezenas de investidores estrangeiros, entre os quais a Ashmore e a Tarpon.

No mercado, já era esperado que os fundos - que já haviam contabilizado perdas resultante do investimento - não acompanhariam a chamada de capital, que poderia chegar a R$ 1,460 bilhão - mas como apenas a Odebrecht participou, se limitou a R$ 836 milhões. O negócio de cana-de-açúcar do grupo é dono de uma dívida líquida de R$ 10,8 bilhões, equivalente a mais de quatro vezes sua receita líquida de R$ 2,6 bilhões no exercício encerrado em 31 de março deste ano.

Até o aumento de capital, o quadro acionário da companhia tinha a BNDESPar com 14,4% e os fundos Ashmore e Tarpon com 13,1% e 2,4%, respectivamente. Mais de uma dezena de micro investidores ficavam com o restante.

No entanto, apesar de parecer, o grupo Odebrecht não está agora sozinho nessa empreitada. A despeito da inércia que transformou em pó sua fatia acionária na subsidiária sucroalcooleira, a BNDESPar subscreveu em novembro R$ 2 bilhões em debêntures variáveis emitidas pela Odebrecht Energia que, por sua vez, subscreveu as debêntures emitidas também em novembro pela Odebrecht Agroindustrial.

No pano de fundo dessa triangulação está a venda concluída neste ano, por R$ 3,7 bilhões, dos ativos de cogeração de energia da sucroalcooleira para a subsidiária de energia do grupo.

Todas essas medidas - aumento de capital, venda da cogeração e emissão debênture - integram a estratégia adotada pela Odebrecht Agroindustrial para reforçar o caixa e investir sem aumentar a alavancagem.

Do total vindo do aumento de capital, R$ 620 milhões já entraram no caixa e os R$ 216 milhões restantes serão aportados até março do ano que vem. Dos R$ 3,7 bilhões da venda das nove unidades de cogeração, R$ 1,1 bilhão já foram pagos, sendo R$ 478 milhões via transferência de dívida para a compradora e R$ 628 milhões com entrada de recursos no caixa. Os R$ 2 bilhões resultantes da emissão de debêntures também já estão dentro da companhia.

"Olhando no longo prazo, nada impede que, no futuro, em sendo retomado o interesse pelo setor de etanol, possamos ter parceiros de longo prazo ou abrir capital", afirmou o presidente da Odebrecht Agroindustrial, Luiz de Mendonça.

As operações feitas pela companhia vão compor a demanda de capital para realizar os investimentos de R$ 2,3 bilhões já aprovados pelo conselho da empresa para o triênio que começou nesta safra 2014/15. O orçamento prevê aportes de R$ 900 milhões nesta safra 2014/15 (basicamente no plantio de cana), R$ 700 milhões em 2015/16 e outros R$ 700 milhões no ciclo 2016/17.

Mendonça diz que todo esse planejamento foi feito considerando apenas o aporte da controladora. Assim, disse ele, o fato de os outros acionistas não terem participado do aumento de capital não traz nenhum percalço.

Em nota, a BNDESPar informou que não participação no aumento de capital por uma "decisão de portfólio", como parte da gestão de sua carteira de ações. "O BNDES segue apoiando firmemente o setor sucroenergético e mantém a visão de que este possui elevada importância estratégica para o Brasil. Esse posicionamento se reflete não apenas na manutenção de elevados desembolsos, mas também pela execução de programas com efeitos estruturais", ", informou o banco de fomento.

Assim como o BNDES, os dois fundos entraram no começo do negócio, no auge da euforia do etanol. Na época, a Brenco captou R$ 1,3 bilhão, dos quais R$ 1,2 bilhão do BNDESPar e R$ 700 milhões com fundos.

Já no início da construção das usinas - projetadas para moerem juntas 44 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Oeste brasileiro - os recursos minaram em meio ao ápice da crise de 2008, e a companhia teve que se valer de empréstimos-ponte para tentar seguir com as obras que já estavam em um ritmo que já não permitiam interrupções.

Os empréstimos de curto-prazo não foram suficientes para sustentar a implementação do projeto e a Brenco foi incorporada em 2010 à então ETH, hoje Odebrecht Agroindustrial.

Pelo acordo, a Brenco precisou fazer nova captação entre seus acionistas R$ 655 milhões, dos quais R$ 275 milhões de dinheiro novo e R$ 380 milhões de dívidas convertidas em ações.

Na época, Reichstul concedeu entrevistas informando que metade desse aporte seria feito pelos três principais acionistas da Brenco, a BNDESPar, a Ashmore e a Tarpon. A princípio, informava o ex-executivo da Petrobras, a BNDESPar deveria aportar 20% do capital novo prospectado pela Brenco entre seus acionistas e converter R$ 155 milhões de debêntures em ações.

Ainda assim, o BNDESPar teria sua parte diluída no novo negócio de 20,9% - referente ao capital de R$ 140 milhões investidos na Brenco - para 16,6%. A participação estrangeira também deveria ser diluída no novo negócio. O fundo Ashmore, que tinha 37% - após comprar a parte da Amber Master Fund - passaria a deter 15% da nova empresa. A Tarpon que tinha 12% teria sua fatia diluída para 2,7%. Antes da fusão com a então ETH, a BNDESPar, a Ashmore e a Tarpon detinham quase 70% da Brenco. (Valor Econômico 05/12/2014)

 

John Deere anuncia aquisição da brasileira Auteq Telemática

SÃO PAULO - A multinacional americana John Deere, fabricante de máquinas agrícolas, informou hoje que adquiriu a totalidade da brasileira Auteq Telemática, empresa de computadores de bordo e softwares voltados ao acompanhamento do desempenho de máquinas agrícolas. Desde 2009, a John Deere já atuava em parceria com a Auteq  por meio de uma joint venture. O valor da transação não foi informado.

Em comunicado divulgado hoje, a John Deere informou que o negócio dará à empresa maior especialização no mercado de cana-de açúcar. “A aquisição da Auteq é outro passo para fortalecer nossa estratégia de crescimento no segmento de cana-de-açúcar”, afirmou Paulo Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil. (Valor Econômico 04/12/2014 às 16h: 46m)

 

Usineiros aumentam pressão sobre governo e volta de imposto pode ajudar o setor

Após a escolha da nova equipe econômica, o setor industrial tem aumentado a pressão sobre o governo para que a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) seja retomada, como forma de dar fôlego à cadeia do etanol no país. Há cerca de seis anos, os produtores de álcool têm sofrido com a pouca diferença de preço entre o álcool e a gasolina nas bombas.

A volta da Cide, imposto que incide sobre os combustíveis fósseis, como gasolina e diesel serviria para dar mais competitividade ao álcool.

Embora a presidente Dilma tenha dito, há cerca de um mês, que o assunto ainda não estava na pauta do governo, o assunto passou a fazer parte das análises da nova equipe que conduzirá a economia, anunciada na semana passada.

Há uma avaliação preliminar de que a medida, combinada com o aumento da mistura de etanol na gasolina, dará ânimo para a política de etanol, praticamente abandonada no primeiro mandato de Dilma, no qual o entusiasmo ficou por conta das descobertas e início de exploração de petróleo na camada pré-sal.

Nesta semana, a presidente da União da Indústria de Cana de Açúcar (Unica), a economista Elizabeth Farina, tratou sobre a questão da mistura em reunião na Casa Civil. A volta do imposto foi tratada somente de forma periférica, de acordo com interlocutores do Planalto, ficando mais a cardo do novo ministro indicado da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Barbosa.

Após o encontro, a representante dos usineiros falou da importância de se ter a volta do imposto. "Para o setor da cana-de-açúcar, a Cide é um dos fatores estruturantes. Quando se cobrava R$ 0,28 no preço da gasolina, houve industrias espalhadas em todo país", disse Farina. "Mas esta discussão não fez parte da reunião, isso está sendo tratado mais pela equipe econômica", disse a economista.

O governo aguarda a conclusão de um último estudo que está sendo feito pela indústria automobilística sobre o impacto do aumento da mistura de álcool na gasolina sobre as peças. A intenção é anunciar a medida no primeiro bimestre de 2015. Entre os empresários, a expectativa é de que o governo anuncie junto com esta medida a volta da cide. "Para o governo, a volta da cide também tem impacto positivo, a começar pela volta de um recurso fiscal", ponderou Farina.

Para justificar a volta do imposto, os empresários já ensaiam argumentos que podem ser assimilados pelo governo e que envolvem o "custo ambiental" do uso da gasolina. "As pessoas precisam entender que o que se paga mais na bomba pelo uso da gasolina é um custo que, na verdade, já se paga na mitigação dos danos ambientais deste consumo", destacou.

Mesmo setores não ligados à cadeia do etanol defendem a volta do imposto. "A indústria nunca é a favor de amento de impostos, até porque isso entra no chamado `custo Brasil´, que é muito alto. No entanto, na conjuntura atual eu abriria uma exceção para a cide, por considerar que é necessário retomar os investimentos de um setor genuinamente brasileiro que é o de produção de etanol", disse o presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, José Vellozo Dias Cardoso.

Para Cardoso, a volta da cide, seria uma opção eficiente de "interiorização" da renda. "O governo deveria considerar que a volta da cide é também uma forma de levar renda para o interior do país", argumentou Vellozo.

"Estamos falando de um setor que emprega 400 mil pessoas, com um faturamento de R$ 80 bilhões ao ano e com uma vantagem de que as usinas são pulverizadas em todo o interior do país", considerou Cardoso, que lidera um dos setores que mais refletem, de imediato, os sinais de aumentou ou retração dos investimentos.

As usinas de produção de álcool estão espalhadas principalmente pelo interior dos estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Pernambuco e Alagoas. "Eu diria que, com a volta da cide, todos têm mais a ganhar que perder, por mais odioso que possa parecer a defesa da volta de um imposto", argumentou,

Outro ponto que pode ser considerado pelo governo é que existe a opção de não usar a gasolina e, consequentemente, não pagar pela cide. "Hoje, todos os carros produzidos no Brasil são com motor flex", argumentou Cardoso. (G1 04/12/2014)

 

Açúcar recua em NY com demanda fraca e chuvas no Brasil

Os futuros de açúcar bruto recuaram na Bolsa de Nova York, com a demanda mundial enfraquecida e o clima favorável ao desenvolvimento das lavouras de cana no Brasil, o maior produtor da commodity.

Segundo um analista ouvido pela agência Dow Jones, não há demanda para absorver a oferta atual. A Organização Internacional do Açúcar prevê um excedente global de 473 mil toneladas na temporada 2014/15, que começou em outubro. Caso a projeção se confirme, este será o quinto ciclo consecutivo de superávit.

O mercado também foi pressionado pelas chuvas recentes no Centro-Sul do Brasil. Neste ano, uma forte estiagem fez com que a colheita na região se encerrasse mais cedo. O contrato com vencimento em março caiu 1% e fechou a 15,09 centavos de dólar por libra-peso. O algodão subiu 0,4%, apesar da previsão de estoques mundiais volumosos.

De acordo com participantes, a alta foi motivada pela relutância de agricultores dos EUA em vender a fibra aos preços atuais. As cotações do algodão estão próximas do menor patamar em cinco anos, mas compradores estão pagando um pouco mais para conseguir o produto.

Na Bolsa de Chicago, o trigo fechou em queda de 2,3%. Embora o mercado esteja preocupado com a possibilidade de oferta menor da Rússia, há trigo suficiente em outros países para atender à demanda mundial, disseram analistas. Mesmo assim, as exportações dos EUA não devem aumentar no curto prazo, prejudicadas pela alta recente do dólar ante outras moedas. (Agência Estado 04/12/2014)

 

Resolução autoriza Logum a instalar terminal em Araçatuba

A Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) publicou no Diário Oficial da União, nesta quarta-feira (03), resolução na qual autoriza a empresa Logum Logística a, enfim, instalar em Araçatuba terminal para armazenamento e transbordo de etanol que será transportado até o município de Anhembi e de lá escoado por meio de dutos até base da Petrobras em Paulínia.

Em reunião realizada no dia 27 de novembro, integrantes da agência avaliaram processo da Logum pedindo autorização para a implantação do terminal e reconheceram a possibilidade de um contrato ser firmado entre a empresa e a Secretaria de Portos da Presidência da República, para concessão do transporte de etanol pelos rios Paraná e Tietê. A autorização foi assinada no último dia 02, data do aniversário de Araçatuba, por Mário Povia, diretor-geral da Antaq.

Com o aval da agência, a Logum, que protelou por algumas vezes o início da construção do terminal, pode dar início à obra já no início de 2015. Ocorre que a autorização é concedida num momento em que diretores de pelo menos duas construtoras que integram o consórcio que dá origem à empresa, são alvos de prisões e questionamentos judiciais da operação Lava Jato, do Ministério Público do Paraná e da Polícia Federal, na qual é investigado um vultuoso esquema de pagamento de propinas pela Petrobras.

No início do ano, em entrevista ao jornal O Liberal, a Logum, adiou para o quarto trimestre de 2015 o início das operações em Araçatuba. Ocorre que, até lá, não é certo que comecem a operar os 20 comboios de barcaças que estão sendo construídos na cidade, pelo ERT (Estaleiro Rio Tietê). Consórcio de empresas que, assim como a Transpetro e outras 25 partes, também é questionado em ação movida pelo Ministério Público Federal, por suspeita de fraude em licitação de R$ 432,3 milhões executada pela subsidiária em logística da Petrobras.

NÚMEROS

Formada pelas Raízen, holding do setor sucroalcooleiro; Copersucar, Odebrecht, ETH, Uniduto e Camargo Correia, a Logum Logística tem pretensões de fazer o transbordo pela hidrovia Tietê-Paraná de 4 milhões de metros cúbicos de etanol por ano. Desde 2011, a empresa recebeu da Prefeitura de Araçatuba, por meio de concessão, um terreno de 170,9 mil metros quadrados para instalar seu terminal.

A expectativa é de que o negócio gere no município cerca de 500 empregos diretos. Lançado em 2012, o terminal da Logum em Araçatuba tinha previsão inicial de investimentos da ordem de R$ 150 milhões. O que pode ser alterado devido à demora na sua execução. (Jornal de Araçatuba 05/12/2014)

 

Certificação é barreira comercial para biocombustível, diz embaixadora

A embaixadora Mariângela Rebuá, diretora do Departamento de Energia do Ministério das Relações Exteriores, afirmou nesta quinta-feira (4/12) que um dos maiores desafios ao comércio internacional de biocombustíveis são as certificações exigidas pelos mercados compradores.

"As barreiras comerciais assumem diferentes formas, como barreiras de certificação com critérios tendenciosos", disse ela durante o Simpósio de Agronegócio e Gestão, organizado pelo Pecege/Esalq/USP, em Piracicaba, cidade do interior de São Paulo.

Segundo Mariângela, essas barreiras comerciais indiretas são especialmente prejudiciais aos países em desenvolvimento. "Processos de certificação dificultam participação de pequenos produtores porque as exigências são altas e custosas", afirmou. Outra dificuldade para o comércio internacional de biocombustíveis é o fato de os negócios não contemplarem as vantagens ambientais dos produtos renováveis.

"Os custos referentes à redução das emissões não são embutidos nos preços dos biocombustíveis. Portanto, temos de assumir e enfrentar esse custo", afirmou. "Além disso, temos ainda os impostos de importação e cotas de comércio", completou a embaixadora. (Agência Esta do 05/12/2014)

 

Alta do dólar acentua os problemas dos produtores de commodities

A alta do dólar e a queda dos preços das commodities, que têm gerado alívio para os consumidores dos Estados Unidos, estão desnorteando os bancos centrais de outras regiões ao alargar a distância entre a revigorada economia americana e a dos países da Europa e Ásia.

O dólar está subindo em relação às moedas de todo o mundo. Ontem, ele manteve a alta em relação ao iene, sustentando a maior cotação em sete anos e, na quarta-feira, atingiu um pico de dois anos ante o euro. A moeda americana também avançou em relação ao real, ao dólar australiano e à rupia indiana e continua batendo recordes na Rússia, levando o banco central a intervir para amparar o rublo.

A valorização do dólar têm intensificado o declínio dos preços das commodities, incluindo alimentos, metais e, em especial, o petróleo, que já recuou quase 40% desde meados de junho. O crescimento lento na Europa e na Ásia vem minando a demanda por esses bens e deixando os mercados inundados com um excesso de oferta. A maioria das commodities é cotada em dólares, de forma que os consumidores e empresas fora dos EUA veem seu poder de compra encolher quando suas moedas enfraquecem.

Essa tendência apresenta novos desafios para os formuladores de políticas na Europa e no Japão, que lutam para preservar uma minguada recuperação econômica e combater a inflação baixa. Os bancos centrais estão cogitando — ou adotando — medidas drásticas que vão desde taxas de juros negativas à compra de bilhões de dólares em títulos de dívida. Ontem, durante sua reunião mensal, o Banco Central Europeu discutiu a possibilidade de recorrer à compra de ativos para estimular a economia (prática chamada de relaxamento quantitativo), embora tenha decidido esperar até o início de 2015 para reavaliar suas políticas, disse Mario Draghi, o presidente do BCE.

Mas a queda abrupta do preço do petróleo — o produto de importação mais caro para muitos países — está reduzindo a eficácia de medidas para gerar inflação e fortalecer a economia.

Indicadores divulgados na quarta-feira mostraram uma desaceleração mais acentuada na atividade do setor privado da zona do euro do que a estimativa inicial. O índice composto de gerentes de compras, que monitora a saúde do setor industrial e de serviços no bloco, foi revisado de 51,4 para 51,1 em novembro pelo provedor de dados Markit. Por outro lado, o Federal Reserve, ou Fed, o banco central americano, divulgou melhores perspectivas econômicas no relatório “Livro Bege”, citando a gasolina mais barata e um aumento no consumo.

No próximo ano, a economia dos EUA deve crescer 3,1%, enquanto a estimativa para a zona do euro é uma expansão de 1,3%. Já o Japão deve crescer apenas 0,8%, de acordo com o Fundo Monetário Internacional.

Muitos investidores dizem esperar que a divergência de perspectivas entre os EUA e outras grandes economias continue a produzir grandes oscilações nos mercados financeiros. O euro caiu um total de 1,3% ante o dólar na terça e quarta-feira em antecipação à reunião de política monetária do BCE, mas subiu 0,6% ontem com a notícia de que o banco central adiou um possível relaxamento quantitativo.

A medida, se implementada em 2015, provavelmente continuará pressionando o euro para baixo porque aumentaria a possibilidade de que o BCE imprima mais dinheiro e que os rendimentos dos títulos de dívida europeus caiam.

O iene, por sua vez, perdeu força depois que o Banco do Japão surpreendeu os mercados ao expandir as compras de ativos em sua reunião de outubro.

O Fed, ao contrário, encerrou seu programa de compra de títulos de dívida em outubro e deve elevar os juros no próximo ano, o que aumenta o atrativo do dólar.

“As condições são propícias para uma alta de vários anos do dólar”, diz Eric Stein, um dos diretores de renda fixa global e gestor de portfólio da Eaton Vance Management, que administra US$ 12,6 bilhões da carteira de US$ 297 bilhões da empresa.

O impacto do dólar mais forte pode ser conferido na grande fila de navios aguardando dias para descarregar as importações de diversos produtos nos portos americanos de Los Angeles e Long Beach. Com o preço da gasolina em queda, os motoristas americanos estão comprando mais utilitários esportivos e picapes. As vendas de carros e caminhonetes nos EUA, de fato, atingiram seu nível mais alto desde novembro de 2003.

O contraste com os consumidores de outros países é gritante. O Índice de Commodities da Bloomberg, que acompanha 22 mercados, caiu 11% este ano quando expresso em dólares, para o nível mais baixo em cinco anos. O mesmo índice registra queda de só 0,3% em 2014 quando convertido para euros. Em ienes, ele avançou 1,5% no ano.

Isso significa que os preços do combustível caíram 16% nos EUA em relação ao mesmo período um ano atrás, de acordo com a AAA, firma que monitora o setor de viagens rodoviárias. Mas o preço da gasolina em euros caiu apenas 6,8% para os motoristas alemães, de acordo com dados da Comissão Europeia. As empresas de viagens receiam que um dólar mais forte forçará os clientes fora dos EUA a reduzir seus planos de férias.

É preciso uma grande mudança no mercado de câmbio para afetar as commodities, com os preços em cada mercado podendo ser alterados por fatores que vão do clima a eventos geopolíticos e avanços tecnológicos. No entanto, a correlação entre o valor do dólar e o preço das commodities cresceu nos últimos meses, à medida que mais investidores passaram a ver uma conexão entre os dois.

O Índice de Commodities Bloomberg manteve uma correlação com o índice do dólar da ICE de cerca de -0,95 nos últimos 100 dias, ou seja, os ganhos do dólar estão estreitamente alinhados com a queda nos preços das commodities. Uma leitura de 1 negativo indica uma correlação inversa perfeita, enquanto 0 indica que não há correlação.

A relação entre o dólar e os preços das commodities é “quase instantânea”, diz Julian Jessop, economista-chefe global da Capital Economics. “Se o dólar sobe 1%, então isso é 1% mais libras esterlinas ou ienes [...] que você pode precisar para pagar suas compras de commodities.”

É verdade que o dólar mais forte também prejudica os exportadores dos EUA, aumentando seus custos de produção em relação aos dos concorrentes estrangeiros e reduzindo o valor do lucro gerado no exterior quando convertido em dólares. A International Business Machines Corp. IBM -0.29% e o McDonalds Corp. MCD +0.17% , por exemplo, citaram a alta do dólar como um fator que prejudicou seus resultados.

Ainda assim, muitos investidores esperam que o dólar continue a se fortalecer em 2015 e os preços das commodities a cair. Os especuladores, incluindo fundos de hedge, mantinham um total de US$ 48,2 bilhões em apostas otimistas sobre a alta do dólar até 25 de novembro, contra US$ 7,9 bilhões em 1º de julho, segundo a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos EUA.

No mesmo período, os gestores de recursos reduziram suas apostas líquidas de que os preços do petróleo subiriam 65%, passando de US$ 34,8 bilhões para US$ 12 bilhões.

“É difícil achar uma commodity que tenha um desempenho excepcionalmente bom num ambiente de dólar forte”, diz Bill O’Grady, estrategista-chefe de mercado da Confluence Investment Management, que administra US$ 2,5 bilhões. Ele diz que apostou num dólar mais forte em fundos negociados em bolsa e espera que os preços do ouro, cobre e bens agrícolas caiam. (Wall Street Journal 05/12/2014)

 

Anfavea: faltam os testes de durabilidade sobre o aumento do etanol na gasolina

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, disse há pouco que não há nenhuma alteração no cronograma para analisar um possível aumento do porcentual de etanol misturado à gasolina. Segundo ele, os testes de desempenho foram entregues pela Petrobras à Anfavea há cerca de dez dias e agora estão sendo analisados pelos técnicos da entidade. "Pelo relato que tivemos, parece que não há nenhum problema de desempenho", afirmou.

Já os testes de durabilidade, segundo Moan, sempre tiveram previsão de término em fevereiro de 2015. "Nós precisamos testar cerca de 100 mil quilômetros de desgaste de combustível novo em componentes de motores e exaustão. Temos cerca de 350 carros sendo testados, dos quais 12 com rodagem acelerada", afirmou. De acordo com ele, os testes são necessários para garantir ao consumidor uma boa funcionalidade dos veículos.

"NÓS PRECISAMOS TESTAR CERCA DE 100 MIL QUILÔMETROS DE DESGASTE DE COMBUSTÍVEL NOVO EM COMPONENTES DE MOTORES E EXAUSTÃO. TEMOS CERCA DE 350 CARROS SENDO TESTADOS, DOS QUAIS 12 COM RODAGEM ACELERADA"

Segundo o Broadcast divulgou esta semana, o anúncio do aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 25% para 27,5% era esperado para este mês, mas a Anfavea teria solicitado mais testes em carros importados. "Para dar conforto, para não ter nenhum problema, vamos continuar com os testes de durabilidade em janeiro", afirmou na ocasião o presidente do Fórum Nacional Sucroenergético, André Rocha, que participou de reunião com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Agora a expectativa é que a decisão sobre o assunto seja divulgada em 2 de fevereiro. (Agência Estado  04/12/2014)

 

Empresas brasileiras enfrentam risco de piora de perfil de dívida em 2015

O ano de 2015 promete ser de decisões difíceis para empresas brasileiras de vários setores, enquanto procuram contornar a piora do perfil de endividamento com uma série de ferramentas que incluem repactuação de limites de dívida.

Após anos seguidos de baixo crescimento das receitas, agora o meio corporativo começa a sentir os efeitos da alta conjunta do juro básico do país e do dólar contra o real, os dois principais referenciais de correção de seus passivos.

O resultado é o aumento da relação dívida e receita ou dívida e Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização). Um desdobramento desse quadro é a piora na classificação de risco de crédito, o que agrava as condições das empresas para tomar recursos no mercado.

ANO DESAFIADOR

Em 2014 até agora, a agência de classificação Fitch cortou as notas de 15 empresas que avalia no Brasil, ante apenas quatro elevações de nota. Trinta e sete companhias estão com o rating principal em perspectiva ou observação negativa, contra apenas nove na direção positiva.

"Vai ser um ano bastante desafiador para as companhias, repetindo a grande movimentação negativa de ratings que já aconteceu em 2014", disse o diretor sênior da Fitch para avaliação de empresas, Mauro Storino.

Os casos mais sérios são de empresas elétricas, de commodities e de construção pesada que, além do ambiente global mais adverso, também enfrentam fatores pontuais bastante negativos.

Outra consequência desse cenário é que algumas estão perto de romper limites de endividamento que prometeram obedecer quando venderam títulos a investidores, os chamados covenants.

ALTERNATIVAS

Para evitar punições contratuais, as companhias estão buscando alternativas. Uma delas é repactuação dos covenants, mecanismo em que o detentor de um bônus ou de uma debênture aceita receber uma espécie de prêmio se concordar com limites de dívida menos apertados da emissora.

Esse caminho já tem sido trilhado. Nesta quinta-feira (4), por exemplo, a Celulose Irani convocou debenturistas para ser liberada do cumprimento neste ano de cláusula de relação de dívida líquida sobre Ebitda. Em novembro, a Cemig aprovou ultrapassar o limite de covenants financeiros no estatuto. Semanas antes, a Light havia aprovado elevar o limite dos convenants até 2018.

Mais cedo neste ano Iguatemi, Triunfo recorreram à repactuação de covenants com detentores de suas debêntures. Votorantim Cimentos, Gol e JBS recorreram a um coquetel que incluiu recompra de papéis e proposta de repactuação de covenants. E a Sabesp disse recentemente que monitora a situação de seus covenants para impedir o descumprimento de níveis acertados com credores.

Muitas outras farão o mesmo nos próximos meses, à medida que seus limites de endividamento se aproximam rapidamente, disse à Reuters o presidente-executivo da consultoria RiskOffice, Marcos Jacobsen.

"Não ficaria surpreso se houvesse uns 20 casos em 2015", disse.

Jacobsen inclui na lista empresas ligadas ao mercado de commodities como petróleo e minério de ferro, cujas cotações vêm em queda livre nos mercados internacionais.

No caso da petroleira, as recentes alegações de corrupção também vão pesar não só sobre a companhia, mas sobre todas as grandes construtoras pesadas que a atendem, disse o diretor sênior da Fitch para avaliação de empresas Mauro Storino.

No mês passado, a Fitch colocou as notas de risco de crédito de todas as empresas de construção pesada do país em observação negativa, citando as repercussões da operação da Polícia Federal que investiga denúncias de corrupção na Petrobras.

PREÇOS BAIXOS

Outros setores também vistos com atenção por especialistas são o sucroalcooleiro, que há anos enfrenta um cenário de preços baixos do açúcar e do etanol.

A posição mais fragilizada das companhias é um dos fatores que analistas de mercado vêm prestando mais atenção ao definirem recomendação de investimento em ações de empresas nacionais, disse o diretor corresponsável pela área de renda variável para a América Latina do Credit Suisse Emerson Leite.

Segundo o executivo, esse cenário é especialmente delicado considerando as margens de lucro das empresas listadas na Bovespa, que praticamente caíram à metade nos últimos cinco anos, um processo que ainda está em andamento.

"Pelo menos para o primeiro semestre do ano que vem o ambiente seguirá difícil para elas no mercado de dívida", disse.

Para os especialistas, no entanto, de forma geral as empresas já vêm sendo mais cautelosas com seus planos de investimentos, o que evitou que o grau de alavancagem subisse ainda mais.

Algumas, como em casos citados acima, inclusive acumularam caixa e estão usando parte dele justamente para recomprar parte das dívidas no mercado. (Folha de São Paulo 04/12/2014 às 15h: 31m)

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Elevação técnica: Os futuros do açúcar fecharam com leve alta na bolsa de Nova York ontem sustentados por compras técnicas. Os lotes do açúcar demerara para maio fecharam a 15,59 centavos de dólar por libra-peso, com alta de 10 pontos. O petróleo continua exercendo pressão sobre as cotações. Pela oferta, a influência também é de baixa, já que as usinas da Índia iniciaram o ciclo de moagem em ritmo mais acelerado que em 2013, contrapondo o aperto do Centro-Sul, onde a atividade desta safra tem minguado. Apesar das pressões, o fato de as cotações terem flertado com a mínima em cinco anos no dia anterior atraiu compras de fundos, que foram responsáveis pela alta dos contratos. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal subiu 0,29%, para R$ 52,24 a saca de 50 quilos.

Algodão: Teto em três semanas: Os preços do algodão subiram pela terceira sessão seguida ontem na bolsa de Nova York diante da resistência dos produtores americanos em vender a safra recém-colhida. Os papéis para março fecharam a 60,42 centavos de dólar a libra-peso, com alta de 78 pontos. Segundo Bruno Zanutto, da FCStone, a lentidão nas vendas decorre em parte da política de subsídio do governo americano, que garante uma renda mínima ao produtor. "Os que possuem necessidade mais imediata de compra de algodão físico têm que elevar o prêmio", afirmou. A postura defensiva ofuscou a queda no volume da pluma acertado para exportação nos EUA. No mercado doméstico, o indicador Cepea/ Esalq para a pluma com pagamento em oito dias caiu 0,04%, para R$ 1,6498 a libra-peso.

Soja: Exportações dos EUA: O mercado da soja ignorou o quadro de elevada oferta do grão e respondeu ao volume considerado alto de vendas externas americanas, o que ditou a segunda alta consecutiva da commodity ontem na bolsa de Chicago. Os lotes para março fecharam com avanço de 12 centavos, a US$ 10,1725 o bushel. Na semana até o dia 27, os exportadores dos EUA acertaram a venda de 1,18 milhão de toneladas, acima das esperadas 750 mil toneladas, embora tenham recuado 20% ante a semana anterior, segundo relatório do Departamento de Agricultura do país (USDA). Com a safra da América do Sul ainda indefinida, os fundos preferiram acompanhar a demanda para os portos americanos. No mercado interno, o preço médio da saca no Paraná recuou 0,73%, para R$ 58,44, segundo o Deral.

Milho: Mais embarques: O aumento do volume de milho dos EUA vendido ao exterior na semana passada conduziu as cotações do cereal à segunda alta consecutiva ontem na bolsa de Chicago. Os contratos com vencimento em março fecharam com alta de 7,75 centavos, a US$ 3,8975 o bushel. Na semana encerrada dia 27, os exportadores americanos venderam 1,17 milhão de toneladas de milho ao exterior, alta semanal de 23%, interrompendo uma sequência de reduções nos volumes embarcados pelos EUA, segundo o Departamento de Agricultura do país (USDA). Além disso, nos últimos dias, o órgão tem publicado informes de vendas de lotes acima de 100 mil toneladas ao exterior. No mercado interno, o indicador Esalq/ BM&FBovespa para o milho caiu ontem 0,26%, para R$ 26,71 a saca. (Valor Econômico 05/12/2014)