Setor sucroenergético

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Usinas vão moer mais cana do que o previsto em 2014/15

SÃO PAULO - A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) reconheceu pela primeira vez que as usinas do Centro-Sul vão moer mais cana do que o previsto pela entidade neste ciclo 2014/15, segundo disse à agência Dow Jones Newswires o diretor-técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues. Em agosto, a associação havia previsto o processamento de 545,9 milhões na região.

Na próxima semana, a entidade vai divulgar o processamento da matéria-prima na segunda quinzena de novembro e a tendência é de que o volume já supere a estimativa de 545,9 milhões.

Nas últimas semanas, muitas consultorias elevaram sua estimativa de moagem após se certificarem de que a oferta da matéria-prima era maior do que a inicialmente prevista. A consultoria Datagro, por exemplo, elevou de 550 milhões para 572 milhões de toneladas sua previsão de moagem no Centro-Sul em 2014/15. (Valor Econômico 05/12/2014 às 18h: 23m)

 

Grupo sucroalcooleiro Unialco dá calote de R$ 500 milhões em bancos

Dívida crescente: R$ 77 bi deve ser o endividamento total do setor sucroenergético em 2015. Segundo dados da Uniião da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única), no próximo ano, as empresas vão dever 110% do que faturam.

Mais um grupo sucroalcooleiro se junta ao extenso rol das endividadas usinas de açúcar e etanol que estão deixando um rastro de calote no País e no exterior. O grupo Unialco, do interior de São Paulo, deixou de pagar R$ 500 milhões aos bancos e está renegociando a dívida para estendê-la para os próximos cinco anos. Os bancos, por sua vez, estão encalacrados com empréstimos que não tinham garantias suficientes, como fazendas ou equipamentos que pudessem ser agora retomados.

A renegociação está avançada e um dos pontos acertados é a venda da empresa ou de pelo menos parte dela a um novo grupo. Não haverá desconto do valor total. No entanto, os bancos concordaram que a maior parte da dívida seja paga no final do novo prazo que está sendo dado. É a segunda vez em menos de cinco anos que a empresa deixa de pagar os bancos, entre eles Santander, Itaú, Unibanco, Bradesco e Banco Vororantim.

O dono da Unialco, Luiz Guilherme Zancaner (foto), em entrevista por telefone ao Estado, não quis dar detalhes sobre como está resolvendo a questão da dívida. Disse apenas que a empresa, que tem 2,1 mil funcionários, está centrada em garantir a plantação da próxima safra.

“Uma usina sem cana-de-açúcar é igual ferro-velho, e os bancos precisam entender isso”, disse Zancaner. “Vamos financiar a próxima safra na raça”. Uma alternativa é que as cooperativas de fornecedores de adubos, por exemplo, possam fazer esse financiamento em troca da venda antecipada de açúcar.

A safra deste ano, no entanto, já não foi nada boa para a Unialco, que possui usinas em São Paulo e Mato Grosso do Sul. A seca que tomou conta da Região Sudeste, a ponto de comprometer o abastecimento de água no Estado, foi responsável pela quebra da futura safra do grupo. A moagem da cana foi 20% menor que a estimada. Além disso, os preços do açúcar e etanol caíram, deixando um prejuízo de R$ 157 milhões no balanço da safra 2013/2014.

Segundo o advogado da Unialco, Dirceu Carreto, do escritório CP Advogados, nenhum pagamento foi feito aos bancos neste ano por causa das dificuldades com a safra. Sem receber, o grupo de sete bancos entrou na Justiça para cobrar a dívida, com o auxílio do escritório Tepedino, Migliore e Berezoswki. Mas, como as garantias do empréstimo não suprem o total devido e diante da demora dos processos judiciais, os bancos decidiram voltar à mesa de negociações. O objetivo é tentar evitar uma recuperação judicial, que poderia deixar a empresa alguns anos sem plantar e agravar a situação. Procurados, os bancos preferiram não comentar o assunto.

Carreto diz que a negociação está avançada, com os termos já aceitos por ambas as partes, restando apenas que os advogados redijam o novo contrato. Mesmo com o compromisso de vender a empresa, ou parte dela, algumas fontes próximas às negociações dizem que será difícil pagar a dívida sem que os bancos concedam algum desconto.

A crise na Unialco começou por causa de investimentos em duas usinas que acabaram não dando certo, no ano de 2008. Em 2010, a empresa renegociou as dívidas com os bancos, que se uniram em um único grupo para poder ter a garantia das futuras safras da empresa. Mas essa garantia venceu neste ano e, por isso, os bancos ficaram sem muitas opções, a não ser renegociar.

Crise no setor

As dificuldades de tantas empresas no setor já estão limitando o crédito para as empresas em geral. A situação vivenciada pela Unialco parece ter se tornado corriqueira. Há poucos meses, o grupo Virgulino de Oliveira anunciou que teria de renegociar US$ 735 milhões com credores internacionais, que compraram títulos da empresa. Apesar de a dívida vencer a partir de 2022, a empresa não está conseguindo nem mesmo pagar os juros. No início do ano, uma grande recuperação judicial foi anunciada, a do grupo Aralco, com dívidas de mais de R$ 1 bilhão.

Segundo estimativas da Datagro, pelo menos 30 empresas entraram em recuperação judicial, a antiga concordata, nos últimos anos no País. Desde 2008, segundo levantamento do Itaú BBA, 60 usinas de açúcar e álcool fecharam as portas. A estimativa é de que o setor tenha em 2015 um endividamento total de R$ 77 bilhões.

Neste ano, alguns analistas já avaliam que a dificuldade de pagar os juros está sendo generalizada. Na sexta-feira, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s, rebaixou as notas de risco da USJ Açúcar e Álcool. Segundo nota da S&P, o rebaixamento se deu por causa do aumento da alavancagem da empresa, que também está bastante endividada, e a expectativa de que terá um fluxo de caixa negativo.

Crédito para financiar o giro do setor está escasso

As perspectivas para 2015 das empresas de setor de açúcar e álcool não são as melhores. Altamente endividadas, com fluxo de caixa comprometido por causa dos baixos preços do açúcar e do etanol e tendo de lidar com o clima adverso e aumento de custos, a situação deve ficar ainda mais delicada com a escassez de crédito para financiamento das safras.

A agência de classificação de risco Fitch Ratings, em recente relatório sobre o setor, foi taxativa: “A expectativa é que o risco sistêmico do setor no Brasil cresça e reduza a disponibilidade de financiamento de capital de giro em consequência do enfraquecimento financeiro de importantes players domésticos”.

Dados da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Única) mostram que as usinas de açúcar e etanol devem encerrar a safra do próximo ano devendo 110% do seu faturamento, que hoje é de R$ 70 bilhões. O Banco Itaú BBA, que faz um acompanhamento de 65 empresas que representam dois terços de todo o setor, mostra que em dez anos o endividamento destas companhias cresceu 19 vezes.

O grande salto da dívida das usinas de açúcar e etanol se deu entre os anos de 2008 e 2009, quando houve um investimento maciço para aproveitar a onda de carros biocombustíveis e também os inestimentos em cogeração de energia do bagaço da cana. Mas a demanda acabou frustrada. Os leilões de energia para a cogeração deixaram de ocorrer e, apesar de os carros flex continuarem em grande produção, a concorrência com o preço da gasolina tem dificultado a vida do setor.

De acordo com Plinio Nastari, da Datagro, mais de 30 empresas entraram em recuperação judicial nos últimos anos. Além dos subsídios da gasolina, Nastari diz que a indústria sofreu com o clima adverso e, no caso das usinas paulistas, também pelos infestimentos no processo de mecanização, que foram antecipados por causa de um acordo com o governo do Estado para reduzir a queimada da palha antes da colheita.

Um outro ponto que também ajudou a piorar o cenário para o setor foi a queda dos preços do açúcar no mercado internacional. O relatório da Fitch Ratings intitulado “Perspectiva 2015: Açúcar e Etanol na América Latina” diz que a recuperação está demorando mais do que o previsto em razão dos elevados níveis de estoque do produto e da desvalorização das moedas dos países exportadores que estão forçando os preços para baixo.

Para o etanol, a situação deve ter alguma melhora depois do anúncio de reajuste do preço da gasolina pela Petrobras, mas para a Fitch isso vai significar apenas uma “modesta alta”.

“Se os preços do açúcar e do etanol não se recuperarem rápida e substancialmente, o atual nível de queima de caixa e a fraca posição de liquidez resultarão em rebaixamentos (de nota de risco das empresas) no curto prazo”, diz a Fitch. (O Estado de São Paulo 08/12/2014)

 

Açúcar: Queda em NY

O mercado do açúcar fechou no campo negativo na sexta-feira na bolsa de Nova York, revertendo a alta de quinta.

Os lotes para maio fecharam a 15,49 centavos de dólar a libra-peso, com recuo de 10 pontos.

O movimento foi conduzido basicamente por fundos, que buscaram embolsar os lucros do dia anterior diante sinais de oferta elevada.

Na Índia, a moagem de cana no primeiro mês da safra já superou em 56% a atividade do mesmo período de 2013, segundo associação local do setor.

Na Tailândia, a moagem também teve início, e os produtores têm pressa em liquidar o açúcar estocado do ciclo passado.

No Brasil, acredita-se que a produção supere as estimativas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o cristal subiu 0,28%, a R$ 52,60 a saca de 50 quilos. (Valor Econômico 08/12/2014)

 

Cosan desiste de emissão de bônus

A Cosan, empresa de energia e logística, desistiu de seus planos de fazer uma emissão de bônus, dizem duas fontes a par do assunto. A empresa concluiu ontem uma rodada de apresentações a investidores para sondar o apetite pelos papéis. Porém, a instabilidade no mercado levou a companhia a rever os planos.

Apesar de o governo ter anunciado uma equipe econômica do agrado dos investidores, ainda há um certo receio a papéis do Brasil, diz um gestor de recursos. Segundo essa fonte, o sentimento ruim é agravado pelo escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras e as construtoras. "Os grandes nomes conseguem emitir, mas vão ter de pagar mais caro e não sei se vão querer", afirma esse interlocutor.

"Será muito difícil ver alguma oferta pública de bônus até o fim do ano", afirma um executivo de banco que atua na área. "Há muito ruído no mercado", diz. Essa fonte explica que além de os investidores estarem mais reticentes com os títulos brasileiros, há pouco incentivo a mudar a posição das aplicações no fim do ano, já que os portfólios de bônus da América Latina acumulam bons retornos até o momento. "O investidor tem pouco incentivo a tomar risco agora."

Outro executivo do ramo afirma que o mercado está na fase de avaliar a nova política econômica do governo brasileiro. "Tudo vai depender da expectativa para o crescimento", afirma ele. Até o fim do ano, a atividade do mercado de bônus deve ser fraca, em sua opinião. "Não devemos ver nada muito relevante", diz.

Desde o início do ano, empresas, instituições financeiras e o governo brasileiro captaram quase US$ 48 bilhões via emissões de bônus no mercado externo. Porém, apenas seis operações foram registradas desde setembro, antes das eleições.

Neste momento, a JBS é a única companhia brasileira que está sondando o mercado internacional de dívida. O frigorífico anunciou na quarta-feira que pretende captar US$ 750 milhões em bônus com vencimento em 2025 para financiar a recompra de papéis de 2018, que têm retorno de 8,25% ao ano. Os investidores podem aderir à oferta de recompra até 16 de dezembro e o pagamento será feito em dinheiro.

A nova emissão da Cosan também era destinada a levantar recursos para recomprar bônus perpétuos antigos, cujo cupom é de 8,25% ao ano. Com o cancelamento da oferta, a aquisição desses títulos também foi suspensa. "A empresa não precisa dos recursos. A ideia era trocar as dívidas", diz fonte a par do assunto. "As condições e os termos não foram satisfatórios."

Nesta semana, a Cosan promoveu uma série de encontros com investidores na Europa e nos Estados Unidos para preparar o lançamento dos novos papéis. Bank of America Merrill Lynch (BofA), Bradesco BBI, Itaú BBA, Morgan Stanley e Santander eram os bancos coordenadores da emissão.

Procurada pelo Valor, a Cosan não se manifestou até o fechamento desta edição. (Valor Econômico 05/12/2014)

 

Mistura do etanol na gasolina vai subir em fevereiro

Teor passará de 25% para 27,5% após o fim da safra de cana-de-açúcar. demanda deve crescer em 1 bilhão de litros.

O governo federal planeja elevar a participação do etanol anidro na mistura da gasolina de 25% para 27,5% em fevereiro, após o encerramento da safra e diante da certeza de que o volume produzido será suficiente para atender à demanda do mercado, que deve aumentar em um bilhão de litros no próximo ano com a medida. O pleito é dos próprios usineiros, que esperam com essa demanda assegurada estimular uma retomada mais firme do setor, que passa por grave crise.

Com a medida, o governo reduzirá a necessidade de importação de gasolina, mas o impacto financeiro para os consumidores e para a Petrobras não será tão expressivo, porque o preço do barril do petróleo no mercado internacional está em queda.

A possibilidade de injetar mais etanol na gasolina foi aprovada no Congresso neste ano, mas o governo ainda condicionava o aumento de 2,5 pontos percentuais a testes de impacto na potência dos carros movidos exclusivamente a gasolina, na durabilidade das peças, na dirigibilidade e no resultado das emissões de veículos.

Montadoras ainda fazem testes

Na semana passada, houve uma reunião entre governo, produtores de veículos e indústria sucroalcooleira na Casa Civil, para tratar dos avanços sobre o tema. Os testes estão praticamente concluídos e são favoráveis à medida. No caso das emissões, existe, de fato, um aumento de óxidos de nitrogênio (Nox) entre 0,3% e 0,5% na Região Metropolitana de São Paulo com a nova mistura. Mas o percentual é considerado de pouca relevância.

As montadoras, representadas pela Anfavea, ainda estão promovendo os testes sobre a resistência das autopeças a longo prazo e devem encerrá-los em fevereiro. Há uma preocupação do setor quanto às garantias oferecidas por algumas montadoras estrangeiras, que costumam ser mais longas. Segundo uma fonte do governo, porém, mesmo que exista uma posição contrária da Anfavea, se o governo achar viável, a mudança será anunciada.

Antes disso não tem a menor chance de acontecer, porque temos que encerrar a safra, verificar qual o tamanho do estoque - disse a fonte.

O aumento do percentual de etanol na gasolina é de grande interesse ao setor sucroalcooleiro. A presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Elisabeth Farina, assegura que os estoques da safra deste ano serão suficientes para atender à demanda em 2015 e pede que a decisão seja tomada logo.

O setor sucroalcooleiro também vê na possibilidade de retomada da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) uma possibilidade de aumento de competitividade do etanol hidratado, vendido nas bombas, em relação à gasolina. A nova equipe econômica estuda a retomada do tributo, que está com alíquota zero há ano. (O Globo 06/12/2014)

 

Petrobras deve ser maior prejudicada com corte no preço da energia

A Petrobras será a companhia que mais deve perder receita com o corte do preço da eletricidade no mercado de curto prazo, chamado também de mercado à vista.

Em novembro, a Aneel anunciou o corte do teto do PLD (Preço de Liquidação das Diferenças), que remunera a eletricidade vendida nesse segmento. O preço-teto caiu de R$ 822,83 para R$ 388,48 por megawatt-hora.

A Petrobras disponibilizou o equivalente a R$ 3,7 bilhões no mercado à vista e aparece disparada como a indústria que mais vendeu energia entre janeiro e agosto deste ano em relatório elaborado pela Folha a partir de dados públicos da CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica).

As siderúrgicas, depois da estatal, são as empresas que mais têm se beneficiado dos altos preços desse segmento.

Essas companhias ocupam cinco das dez primeiras posições do ranking.

Votorantim (3º lugar), Usiminas (4º), CSN (5º), Gerdau (8º) e ArcelorMittal (9º) disponibilizaram juntas, no mercado de curto prazo, energia equivalente a R$ 878 milhões.

Vale (2º), Braskem (6º), Cosan (7º) e BRF (10º) completam a lista.

O valor somado da energia disponibilizada pelas dez empresas é de R$ 5,39 bilhões.

Ao simular a aplicação dos valores do PLD válidos para 2015 sobre o ano de 2014, é observada uma queda no valor de R$ 2,39 bilhões para a energia disponibilizada por essas dez empresas.

O montante recebido, segundo a CCEE, pode divergir, pois, durante a contabilização do valor final, são feitos ajustes devido a encargos, liminares e fatores de geração.

Apesar de perderem uma receita nominalmente menor em relação à Petrobras, as outras eletrointensivas são as que mais devem encontrar dificuldades para gerenciar seus contratos de energia.

Isso porque elas dependem exclusivamente da produção para manter receitas.

Já a estatal não vende energia excedente da produção, mas o volume de energia que não foi vendida pelas usinas térmicas que são despachadas a mando do governo.

Procuradas, Braskem, CSN, Gerdau, Usiminas, Vale e Votorantim pediram que a Abrace, associação que reúne indústrias eletrointensivas, respondesse por elas.

EFEITO PREVISTO

Segundo Paulo Pedrosa, presidente da Abrace, a queda da produção –e o consequente excesso de energia– é um efeito previsto há anos.

"Os setores sabiam há mais de dois anos das dificuldades de manter a produção por causa do custo da energia. Mas decidiram apostar no país e esperar a queda do preço, que não chegou à indústria."

A ArcelorMittal reitera que a atividade principal da empresa é a produção de aço, e não a geração e a venda de energia para o mercado.

Petrobras, Cosan e BRF não se pronunciaram. (Folha de São Paulo 06/12/2014)

 

Empresas desistem de emitir dívida nova para captar recursos no exterior

Empresas brasileiras de primeira linha, como a sucroalcooleira Cosan e o frigorífico JBS, estão desistindo de captar recursos no exterior por meio de emissão de dívida nova neste final de ano.

O motivo são os juros proibitivos exigidos pelos investidores para comprar essas dívidas, mesmo após o relativo otimismo com a indicação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda.

A Cosan desistiu de uma emissão de US$ 500 milhões programada para esta semana com o objetivo de trocar por títulos antigos. A JBS ainda cogita fazer uma captação de US$ 750 milhões na próxima semana, mas o mercado acredita que adiará para 2015.

A Cosan e a JBS não quiseram falar sobre o assunto.

O apetite dos investidores internacionais, que já estava bastante sensível com a preocupação de aumento de juros nos EUA, secou para as empresas brasileiras pouco antes da eleição devido à indefinição de quem seria o próximo presidente e a política econômica adotada.

Depois, o escândalo de corrupção da Petrobras envolvendo as principais construtoras do país agravou a situação, aumentando a aversão ao risco de empresas estatais e de suas fornecedoras.

As últimas captações consideradas bem-sucedidas foram feitas em setembro pela siderúrgica Samarco, subsidiária da Vale (US$ 500 milhões, por dez anos, com taxa de 5,375% ao ano), Gol (US$ 325 milhões, por se- te anos, a 9,125%) e BTG Pactual (US$ 1,3 bilhão, perpétuo, a 8,75%).

Depois, só a Rio Oil foi em frente, ao levantar US$ 1,1 bilhão, em novembro, com juro de 6,75%, considerado elevado. O Banco Safra captou US$ 103,6 milhões por cinco anos com juro de 3,08%.

SELO DE BOM PAGADOR

A principal preocupação é que o Brasil perca o grau de investimento das agências de risco, espécie de selo de bom pagador. Essa perspectiva, que parecia mais distante após a indicação de Levy à Fazenda, já se reflete nas taxas pedidas pelos investidores estrangeiros ao Brasil.

Segundo bancos "captadores" de recursos no exterior, há um ceticismo em relação ao segundo mandato da presidente Dilma, que levará algum tempo para se dissipar.

A situação deve melhorar a partir de janeiro, se alguma empresa ou banco privado do porte de Itaú ou Bradesco fizerem uma captação, definindo um patamar de juros condizente com o Brasil.

Com essa definição, empresas de risco maior terão acrescentados uma taxa maior para compensá-lo. Esse patamar costumava ser definido por uma emissão da Petrobras ou do governo.

Após a Operação Lava Jato, operadores dizem que não há nenhuma possibilidade de a Petrobras emitir dívida no exterior antes de publicar seu balanço e reconhecer as perdas das refinarias, que podem passar de R$ 20 bilhões.

Esse reconhecimento deve reduzir o patrimônio da empresa, tornando seu endividamento mais elevado –sujeito a rebaixamento de nota.

As construtoras também não têm condições de se endividar antes de terminada a Operação Lava Jato. (Folha de São Paulo 06/12/2014)

 

STJ determina a devolução do plano Collor aos produtores rurais

O Superior Tribunal de Justiça, na sessão do dia 04/12/2014, acolheu os recursos do Ministério Público Federal, da Sociedade Rural Brasileira e da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul, em Ação Civil Pública contra a União Federal, Banco Central e Banco do Brasil, para determinar a redução dos percentuais de 84,32% e 74,6%, aplicados nos meses de março/abril de 1990, para 41,28%, nos contratos de financiamento rural corrigidos pelos índices da poupança.

Ainda, condenou o Banco do Brasil a proceder ao recálculo dos valores em aberto, bem como devolver as quantias pagas pelos mutuários que quitaram seus financiamentos pelos percentuais maiores.

A decisão foi proferida em ação civil pública ingressada logo após as conclusões da CPMI do endividamento do Congresso Nacional em 1995 e  beneficia todos os produtores rurais do país que tiveram embutidos, em seus financiamentos, os percentuais ora afastados.

O Ministro Paulo de Tarso Sanseverino foi o relator do recurso, julgado pela Terceira Turma do STJ, e manteve o entendimento já pacificado no Superior Tribunal de Justiça,  restabelecendo a sentença de Primeiro Grau que havia julgado procedente a ação.

A partir dessa decisão, os produtores rurais que ainda não ingressaram com ações visando a devolução ou exclusão nos débitos renegociados desses percentuais, poderão fazê-lo mediante comprovação da tomada de financiamento no período em que os índices foram aplicados.

No processo as assistentes Sociedade Rural Brasileira e Federação das Associações de Arrozeiros do Estado do Rio Grande do Sul, foram representadas pelo advogado Ricardo Alfonsin que proferiu sustentação oral. (Notícias Agrícolas 07/12/2014 às 07h: 46m)

 

Brasileiro responsabiliza Dilma por caso Petrobras

Apesar disso, a taxa de aprovação ao governo da petista não sofreu alteração significativa desde o fim da eleição. A menos de um mês da posse de seu novo mandato, metade acha que a presidente fará uma gestão melhor.

De cada dez brasileiros, sete acham que a presidente Dilma Rousseff tem alguma responsabilidade no escândalo da Petrobras, envolvendo empreiteiras e políticos. É o que mostra pesquisa Datafolha realizada em 2 e 3 de dezembro com 2.896 entrevistas.

Apesar disso, as revelações da Operação Lava Jato não provocaram alteração relevante em sua imagem.

Para 42%, a gestão Dilma é boa ou ótima. É a mesma taxa de 21 de outubro, quando, no final da eleição-- com propaganda diária na TV--, ela atingiu seu melhor patamar desde junho de 2013.

Já a desaprovação sofreu leve mudança: eram 20% os que julgavam Dilma ruim ou péssima, são 24% agora. A margem de erro é de dois pontos.

A petista chega à véspera do início de seu segundo mandato com 50% do eleitorado achando que ela fará um bom governo daqui para frente.

O patamar é 23 pontos menor que o observado antes da posse de 2011, porém melhor que o do tucano Fernando Henrique Cardoso na véspera de seu segundo mandato, em 1998 (41%). O Datafolha não fez essa pergunta antes da segunda posse de Lula.

Outros dados dão pistas sobre a razão da imobilidade da popularidade de Dilma apesar da associação de seu nome com o caso Petrobras.

A preocupação com a corrupção tem caído. Em junho, era o principal problema do país para 14%. Agora, para apenas 9%. Saúde segue líder desse ranking com 43% das citações; seguida de violência/segurança, com 18%.

Além disso, 40% acham que nunca houve tanta punição aos corruptos como hoje. (Folha de São Paulo 07/12/2014)

 

Embrapa descobre inseticida natural contra lagarta-do-cartucho

SÃO PAULO - A Embrapa anuncia amanhã a descoberta de um inseticida natural voltado ao combate à lagarta-do-cartuxo, principal praga das lavouras de milho e que compromete até 40% da produção do grão no país.

Após três anos de pesquisas, a unidade Meio-Norte, com sede em Teresina, identificou na planta Piper tuberculatum, popularmente chamada de “pimenta-de-macaco”, propriedades que conferem a  mesma eficiência de produtos químicos no combate à lagarta.

No estudo, concluído este ano pelo pesquisador Paulo Henrique Soares, ficou comprovado que além de repelente, o óleo essencial extraído desta planta funciona também como biocida, matando a lagarta logo nas primeiras aplicações. É uma vantagem sobretudo para o agricultor familiar e produtor orgânico.

“Com uma concentração de 10%, aplicada em campo e em paralelo a aplicações químicas, o óleo essencial conseguiu matar 100% das lagartas”, diz o pesquisador. “Com o uso de um destilador, o óleo de pimenta-de-macaco pode ser produzido na propriedade rural e atender à produção local”.

Os ensaios em campo foram conduzidos na base física da Embrapa Meio-Norte durante um ano. No experimento, os pesquisadores usaram uma área de 2.500 metros quadrados com plantação do milho CMS 47. As plantas foram infestadas artificialmente com as lagartas desenvolvidas em laboratório e, 24 horas depois, receberam as aplicações com o óleo essencial e um tratamento com um inseticida químico recomendado para o controle da lagarta.

A pimenta-de-macaco é uma planta nativa do Nordeste brasileiro, e ocorre com mais frequência em áreas da precipitações altas. Nos testes realizados pela Embrapa ela foi coletada em sub-bosques do Piauí — nascidas espontaneamente debaixo das árvores em virtude da defecação de aves. Por esse motivo, plantios comerciais da planta ainda exigirão estudos complementares, para averiguação do melhor manejo da planta, formas de adubação e irrigação, assim como a identificação de quanto óleo é gerado por hectare plantado.

Mas seu uso por agricultores orgânicos já está apto. Segundo Soares, uma resolução normativa do Ministério da Agricultura permite a esses  produtores que façam  bioinceticidas em suas propriedades.

A descoberta de novos herbicidas naturais é ponto importante para o crescimento da produção orgânica e agroecológica no Brasil. As pesquisas brasileiras têm avançado principalmente em relação às hortaliças. Entre os óleos essenciais mais comuns aqui está o extraído da folha de canela (Cinnamomum zeylanicum), da folha de louro (Laurus nobilis), da folha de goiaba  (Psidium guajava) e de sementes de nim  (Azadirachta indica).

Nos últimos anos, tem crescido também o interesse de grandes empresas de sementes e defensivos agrícolas por esta linha de estudos. (Valor Econômico 08/12/2014)

 

A maldição do petróleo arrasa a cadeia produtiva sucroenergética

As ações da Petrobras já caíram 80% em dólares desde 2008 e as usinas de etanol passam por aperto por causa da manipulação do preço da gasolina. Este é o jeito de ‘gestão’ da presidente Dilma Rousseff que está quebrando o País.

Em novembro de 2007, a Petrobras divulgou a descoberta de petróleo no campo de Tupi, na Bacia de Santos. Era a primeira de uma série de novas reservas do pré-sal anunciadas pela estatal nos meses subsequentes. Eram tempos de valorização acentuada do barril, um movimento exacerbado pela demanda crescente da China e pela aposta de investidores de que a matéria-prima subiria ainda mais.

Em fevereiro de 2008, o barril do tipo Brent, o mais negociado no mercado europeu, superou a marca de 100 dólares pela primeira vez. Cinco meses depois, atingiu o seu valor máximo, vendido por 142 dólares. O governo e também os analistas fizeram as contas e divisaram um futuro encantado, de exportações bilionárias de petróleo e uma enxurrada de dólares ingressando no Brasil.

Na quinta-feira passada, o preço do barril chegou a 69 dólares. A fome mundial pelo petróleo arrefeceu. Ao mesmo tempo, houve um aumento expressivo da produção mundial, sobretudo nos EUA, graças ao boom do óleo e do gás extraídos das rochas de xisto. Por fim, as cotações desabaram depois que a Opep ter decidido não reduzir o nível atual de oferta de seus associados.

Trata-se de mais uma notícia extremamente negativa para a indústria petrolífera nacional, já em estado crítico após anos de manipulação de preços de combustíveis, sem falar no escândalo do petrolão. Se a tendência de queda nas cotações internacionais se prolongar, como anteveem alguns dos melhores analistas de renome mundial, a rentabilidade da Petrobras será duramente atingida.

O custo de produção de um barril do pré-sal varia de acordo com o campo, mas é estimado em 50 dólares. “A queda do preço do barril compromete os investimentos no pré-sal e coincide com um momento em que a estatal está com a dívida muito eleada e um plano de negócios ambicioso já comprometido”, afirma Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). “A sua dívida líquida está em torno de 240 bilhões de reais, sendo 80% em moeda estrangeira”.

A Petrobras se vê no pior dos mundos. Demorou a explorar as novas jaziadas enquanto o preço era favorável, porque precisou aguardar que o governo executasse mudanças na legislação do setor e foi obrigada a fazer contratos de equipamentos de conteúdo nacional de fornecedores muitas vezes novatos no setor. Pagou caro para investir, e receberá menos na hora de vender.

O governo chegou a suspender por cinco anos os leilões para a exploração das reservas. Perdeu a janela dos preços favoráveis. A euforia despertada pela corrida do “ouro negro” também levou, em 2010, à elaboração de um plano de investimentos quinquenal mais ambicioso que o da líder mundial do setor, a americana Exxon.

Especialistas alertaram, em vão, para o fato de a empresa estar assumindo os riscos de executar “o maior programa de investimento do setor privado da história”. Em 2011, um relatório do Departamento de Energia dos EUA já advertia: “O crescimento da produção do pré-sal é incerto, dados os desafios financeiros, regulatórios e operacionais envolvidos”.

O pré-sal tornou-se realidade, mas o avanço total na produção ficou bem aquém das previsões. Das 45 plataformas de exploração que a Petrobras pretendia adquirir segundo o planejamento feito em 2010, apenas 23 estão em alto-mar. “A Petrobras nunca teve e tampouco terá recursos financeiros e humanos para arcar com a exploração simultânea de todos os campos”, diz David Zulbersztajn, ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Se em 2007 o governo tivesse dado mais abertura aos investimentos estrangeiros, estaríamos em outra situação agora. Oportunidade como aquela nós não teremos nunca mais”.

Não é apenas a empresa que perde, mas também a economia como um todo. Avolumam-se notícias de dificuldades financeiras de empresas que respondem pela contratação ou pela fabricação de equipamentos, motivadas pela baixa produtividade, pela pouca experiência e pelos atrasos. Cerca de 4 mil tralhadores da Alumini Engenharia que atuam nas obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, estão há mais de dois meses sem receber salário.

Milhares de funcionários da Iesa, uma fornecedora de equipamentos de exploração, estão com o futuro incerto, depois de a empresa, citada no petrolão, ter perdido contratos com a estatal e entrado em recuperação judicial. A curto prazo, a queda do petróleo poderá ter efeitos positivos para a estatal, porque ela deixará de perder dinheiro com a gasolina defasada.

Do ponto de vista dos investidores, entretando, o novo cenário preocupa. Para Adriano Pires, a Petrobras será obrigada a rever seu plano de negócios. “Com esse preço, mesmo projetos com os quais a Petrobras já está comprometida poderão ser revistos”, afirma.

Em escala global, a desvalorização nas cotações do petróleo poderá também trazer consequências profundas. Países exportadores de petróleo enfrentarão uma forte redução nas divisas e os mais autoritários entre eles poderão sofrer crises internas. Os importadores, por sua vez, ganharão um alívio. De acordo com o FMI, uma queda de 10% no índice Brent infla o PIB global em 0,2%, já que o dinheiro economizado com o preço baixo acaba sendo gasto em outros setores, aquecendo o consumo.

Se o valor do barril for mantido durante um ano na casa dos 70 dólares, cerca de 1,5 trilhão de dólares que eram gastos com petróleo (quase o PIB da Índia) poderão ser usados para outros fins. “É como uma criança que sai de casa com 10 reais para comprar sorvete e o encontra por 6 reais. Com o mesmo dinheiro, ela consegue o sorvete, mais um gibi e algumas balas. Ou seja, ficou mais rica pelo mesmo montante”, diz a inglesa Lydia Rainforth, analista do mercado de petróleo do Banco Barclays.

A queda do preço do barril é uma má notícia para países com regime autoritário como a Venezuela, a Rússia e o Irã. Os dois primeiros aprovietaram-se da alta do recurso fóssil a partir de 1999 para concentrar poder internamente, o que fizeram distribuindo dinheiro à população e destruindo atividades econômicas que não estivessem ligadas ao petróleo.

Sem rivais políticos nem econômicos, Hugo Chávez e Vladimir Putin reinaram soberanos. Com os petrodólares, eles importaram os mais diversos produtos, de alimentos a sabonetes. Sem esse dinheiro, contudo, a escassez aumentará e os preços subirão ainda mais. A Venezuela está com uma inflação de 63%. Para equilibrar seu orçamento, o país precisa que o preço do barril esteja a 120 dólares, muito acima do valor atual, o que afetará as políticas assistencialistas em curso.

Em Moscou, na semana passada, o vice-ministro da economia admitiu que o país enfrentará uma recessão. “Se os preços do Brent continuarem baixos durante o período de dois a cinco anos, Putin será pressionado para iniciar a liberalização da economia. Seria muito difícil ele conseguir manter sua popularidade sem introduzir reformas significativas”, diz o cientista político americano Michael Ross, autor do livro The Oil Curse (A Maldição do Petróleo, em inglês).

Na reunião da Opep, Venezuela e Irã queriam fechar as torneiras para forçar a subida dos preços. Perderam. Os sauditas preferem ver as cotações em queda e assim deixar menos atraente o futuro de fontes alternativas, sejam as renováveis ou o xisto americano.

A Arábia Saudita também não tem interesse de perder sua participação no mercado mundial, e não deve ter ficado feliz ao ver que os EUA assumiram, em junho passado, o posto de maiores produtores mundiais. O jogo pesado do petróleo não é para amadores, e o Brasil, infelizmente, entrou nele como um aprendiz aparvalhado (Veja, edição nº 2403, Exame, edição nº 1079 e Brasil Agro 08/12/2014

 

Commodities Agrícolas

Açúcar: Queda em NY: O mercado do açúcar fechou no campo negativo na sexta-feira na bolsa de Nova York, revertendo a alta de quinta. Os lotes para maio fecharam a 15,49 centavos de dólar a libra-peso, com recuo de 10 pontos. O movimento foi conduzido basicamente por fundos, que buscaram embolsar os lucros do dia anterior diante sinais de oferta elevada. Na Índia, a moagem de cana no primeiro mês da safra já superou em 56% a atividade do mesmo período de 2013, segundo associação local do setor. Na Tailândia, a moagem também teve início, e os produtores têm pressa em liquidar o açúcar estocado do ciclo passado. No Brasil, acredita-se que a produção supere as estimativas. No mercado doméstico, o indicador Cepea/Esalq para o cristal subiu 0,28%, a R$ 52,60 a saca de 50 quilos.

Café: Piso em dois meses: O mercado do café fechou a última semana em baixa na bolsa de Nova York pressionado pelo clima mais úmido nas regiões produtoras do Brasil. Os lotes para entrega em março fecharam com recuo de 235 pontos, a US$ 1,801 a libra-peso, o menor valor desde 22 de setembro. O Instituto Nacional de Meteorologia previa na sexta-feira condições favoráveis a chuvas em áreas de Minas Gerais e Espírito Santo no fim de semana. Os institutos têm apontado para um dezembro chuvoso no Centro-Sul do país. O clima alivia os temores com relação a novos fatores de prejuízo para a safra 2015/16. Alguns traders também se antecipam ao movimento de vendas de fim de ano e liquidam posições. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para o arábica caiu 1,25%, para R$ 453,81 a saca.

Algodão: Em busca de lucros: Após três altas, os preços do algodão cederam na sexta-feira na bolsa de Nova York diante do movimento dos fundos para embolsar lucros registrados nos dias anteriores. Os papéis para março caíram 78 pontos, a 59,64 centavos de dólar a libra-peso. Os fundamentos seguem "baixistas", mas os preços ganharam impulso na última semana por conta da resistência de produtores dos EUA em vender nos atuais níveis de preços para recorrer ao programa de subsídio do governo. Novas estimativas para a oferta da Austrália, que passa por uma seca, e para o consumo da China, que pode reduzir o volume do algodão estocado, também vinham sustentando as cotações. No mercado interno, o indicador Cepea/Esalq para a pluma com pagamento em oito dias subiu 0,16%, para R$ 1,6525 a libra-peso.

Milho: Foco na demanda: Apesar da recém-colhida safra recorde nos Estados Unidos, os preços do milho registraram na sexta-feira a terceira alta consecutiva na bolsa de Chicago. Os lotes para março fecharam com avanço de 5,25 centavos, a US$ 3,95 a libra-peso. Há resistência dos produtores do país em vender a nova safra, mas a demanda externa tem sido pouco aquecida e não deve criar um quadro de aperto. A demanda está mais forte por parte do setor de etanol, que de janeiro a novembro elevou os embarques em 31% na comparação anual. A divulgação dos dados de criação de empregos nos EUA também gerou um onda de otimismo no mercado. Analistas ressaltam, porém, que a alta do milho é conduzida por fundos especulativos. No mercado doméstico, o preço médio no Paraná ficou em R$ 21,59 a saca, alta de 0,09%. (Valor Econômico 08/12/2014)